O SR - Câmara dos Deputados

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O Sr. SILAS CÂMARA (PSC-AM) pronuncia o
seguinte
discurso:
Senhor
Presidente,
Senhoras
e
Senhores Deputados, apesar dos efeitos da crise financeira
desencadeada nos Estados Unidos e que se estendeu a
diversos países, a economia brasileira tem demonstrado
força, dando já, antes da maioria dos países, sinais de
recuperação.
Desde o início da crise e, principalmente, nos últimos
meses, tem ficado evidente que a economia brasileira
encontra-se atualmente estabelecida sobre bases mais
seguras, inclusive com menor grau de dependência em
relação ao mercado externo, sendo, por esse e por uma
série de outros motivos, menos sujeita a instabilidades.
Pode-se afirmar que o País está passando bem por
esse período, principalmente, porque conciliou o mercado
com políticas sociais ativas, com políticas de redução das
desigualdades. O Brasil tem os gastos sociais mais altos da
América Latina, em proporção ao PIB.
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Ademais,
o
Brasil
apresenta
bons
indicadores
macroeconômicos de inflação, déficit público, reservas
cambiais. E, mesmo em tempo de inverno econômico,
comprova ter um mercado interno forte, beneficiado pelas
políticas sociais que, desde 2001, vêm contribuindo para a
diminuição da desigualdade no País. O Bolsa Família, por
exemplo, aumenta a renda de pessoas pobres, que
passam a consumir mais e fazem a economia andar.
Já em março começou uma recuperação no varejo,
que agora está muito bem. O Governo adotou uma série de
medidas eficazes, em apoio à economia, facilitando o
crédito e incentivando o consumo, mediante a redução de
impostos sobre automóveis e dos produtos da chamada
“linha branca”, geladeiras, máquinas de lavar roupa e
fogões. O setor de supermercados também está vendendo
bem. Assim, os efeitos da crise financeira têm sido
minimizados pela política anticíclica, que cumpriu, entre
outros objetivos, o de evitar uma onda avassaladora de
desemprego.
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Vale notar que o Brasil mantém ainda relativamente
fechada a economia, além de possuir bancos públicos
grandes e um mercado de crédito que teve índices de
crescimento bastante expressivos nos últimos anos, ainda
que seja embrionário em comparação a outros países.
Porém, tais circunstâncias, que antes eram vistas como
defeitos, passaram, com a crise, a ser consideradas como
qualidades, porque os mecanismos de propagação dos
choques financeiros externos não nos atingem tanto.
Assim,
divulgado
no
em
ranking
maio
da
pelo
competitividade
International
mundial,
Institute
for
Management Development (IMD), o Brasil passou do 43º
para o 40º lugar, ficando à frente de países como Rússia,
Argentina e Itália. Segundo os analistas do IMD, a evolução
brasileira se deve, principalmente, a dois fatores: o bom
desempenho
do setor empresarial e da economia.
Inclusive, o Brasil foi o único dos “BRICs” que avançou em
competitividade. Os demais países integrantes da sigla,
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China, em 20º lugar no ranking, Índia, em 30º, e Rússia, em
49º, ficaram menos competitivos neste ano.
O baixo grau de abertura ao comércio exterior, a
persistente taxa de desemprego e o baixo PIB per capita
são identificados como pontos de maior vulnerabilidade do
Brasil, que precisa também oferecer melhores condições
de vida a seus habitantes e promover a eficiência das
instituições econômicas e políticas, organizar as finanças
públicas e conquistar maior credibilidade com base numa
legislação para os negócios bem-definida e estável.
Importa observar, sobretudo, que o Brasil está
conseguindo dar os passos necessários na busca por
melhorar sua competitividade. E o apoio popular de que
desfruta o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ajudar
o Governo a pôr em prática reformas que estimulem ainda
mais a competitividade da economia brasileira.
Entre os pontos positivos do Brasil, o estudo do IMD
cita a possibilidade de mudanças na produção sem
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ameaçar o futuro da economia e o crescimento do Produto
Interno Bruto.
A favor do Brasil, que se distingue pela produção de
algodão, arroz, feijão, milho, soja, trigo, mandioca, batata,
laranja, café, leite, açúcar, etanol e carnes, há de se
contabilizar ainda a evolução do agronegócio e o diferencial
representado pela biodiversidade.
O Brasil tem a maior biodiversidade de flora e fauna
do planeta, com o maior número de espécies conhecidas
de mamíferos e de peixes de água doce, o segundo de
anfíbios, o terceiro de aves e o quinto de répteis. Com mais
de 50 mil espécies de árvores e arbustos, o País ocupa o
primeiro lugar em biodiversidade vegetal.
Cumpre assinalar, então, o potencial econômico da
biodiversidade, cujos números tendem a aumentar na
medida em que se aprofundar o conhecimento a respeito
de novos produtos e regiões ainda pouco estudadas. Com
efeito,
a
biodiversidade
pode
contribuir
de
modo
significativo para a agricultura, a pecuária, o extrativismo
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vegetal e a pesca. O Brasil, no entanto, ainda tem muito a
evoluir em termos de aproveitamento econômico de
espécies nativas, registro de patentes e desenvolvimento
de tecnologias a partir do estudo da biodiversidade.
Voltando
ao
tema
central
do
presente
pronunciamento, também não se pode perder de vista que,
mesmo a crise atual sendo muito mais severa do que em
outras ocasiões, como as que enfrentamos nos anos 90, o
País está resistindo muito melhor agora.
A indústria, por exemplo, tem dado sinais de reação,
já que desde janeiro a produção vem crescendo na
comparação mês a mês.
A Sondagem Industrial do segundo trimestre de 2009,
realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI),
indica que o otimismo está de volta ao setor industrial
brasileiro e reforça a percepção de que os efeitos da crise
financeira internacional na economia brasileira estão
perdendo força.
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De acordo com o Índice de Confiança do Empresário
Industrial (ICEI), o empresário da indústria brasileira está
confiante. O ICEI chegou a 58,2 pontos. Segundo a
avaliação feita pela CNI sobre os resultados da pesquisa, o
crescimento do ICEI em julho anuncia a recuperação da
atividade industrial. Equivale dizer que os empresários
deverão retomar investimentos e aumentar a produção.
Realmente, os dados mais recentes sobre a economia
brasileira mostram que a situação do País não se agravou
tanto quanto se temia no início do ano. Os números que
dizem respeito à conjuntura (como os de mercado de
trabalho e de produção industrial) revelam que já em maio
e junho começou a se delinear uma retomada dos níveis de
desempenho anteriores à crise. E a tendência de melhora
deve se manter, com os índices prenunciando uma
recuperação lenta e gradual. Também em julho, a FGV
(Fundação Getulio Vargas) informou que o seu índice de
confiança do consumidor avançou 2,8%. Já a EPE
(Empresa de Pesquisa Energética) divulgou que o
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consumo de energia do setor manufatureiro em junho subiu
2,3% em relação a maio, alcançando o patamar mais
elevado deste ano.
São numerosos, portanto, os indicadores, números e
fatores que atestam a grandeza e a força da economia
brasileira, a permitir – apesar da crise financeira mundial e
bem antes das previsões feitas nos primeiros meses de
2009 – a retomada dos investimentos e dos níveis de
crescimento anteriores, a recuperação de postos de
emprego, ficando cada vez mais claras as evidências de
que o País já saiu da recessão.
Em última análise, trata-se mesmo de um momento
histórico de afirmação do potencial, da capacidade de
recuperação e do grau de desenvolvimento da economia
brasileira, com justificada e renovada confiança, diante das
condições de maior sustentabilidade de que hoje o País
dispõe, com o mercado interno forte movido por um enorme
contingente
de
trabalhadores
e
consumidores,
a
normalização do crédito ao consumidor, a estabilidade
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política, a manutenção do fluxo de investimentos, as novas
tecnologias e o efetivo progresso do sistema de produção,
da indústria, da agricultura e do setor de serviços.
Era o que tinha a dizer. Muito obrigado.
2009_1057
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