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ARTIGO ORIGINAL
O SIGNIFICADO DO CUIDADO PERIOPERATÓRIO PARA O IDOSO
THE MEANING OF PREOPERATIVE CARE FOR THE ELDERLY
EL SIGNIFICADO DE LA ATENCIÓN PERIOPERATORIO PARA EL ANCIANO
Simone Domingues Garcia1
Mara Lúcia Garanhani2
Cibele Cristina Tramontini3
Marli Terezinha Oliveira Vannuchi4
Doi: 10.5902/2179769210257
RESUMO: Objetivo: identificar o significado do cuidado perioperatório para pacientes
idosos. Método: pesquisa qualitativa descritiva realizada com nove pacientes idosos de
ambos os sexos em um hospital universitário do norte do Paraná. Os dados foram coletados
por entrevistas semiestruturadas pré-agendadas com os participantes. Resultados: a
análise possibilitou a construção de três categorias: o idoso e a hospitalização cirúrgica, o
idoso e o autocuidado e o significado de cuidar para o idoso. Conclusão: observou-se a
singularidade dos significados de cuidado expressos e que estes influenciam no tratamento.
A comunicação adequada pela equipe de saúde mostrou-se como importante estratégia
para proporcionar maior conforto. Considerando a enfermagem como agente do cuidado,
desenvolver uma equipe preparada para atender às alterações provenientes da idade e do
procedimento cirúrgico tornou-se fundamental para qualificar o atendimento ao idoso. A
atenção e apoio emocional revelaram-se significativas no momento perioperatório,
caracterizando como imprescindível a humanização no processo do cuidar.
Descritores: Cirurgia geral; Idoso; Assistência perioperatória; Cuidados de enfermagem.
ABSTRACT: Aim: to identify the significance of perioperative care for elderly patients.
Method: qualitative anddescriptive research held with nine elderly patients of both
genres in a university hospital in northern Paraná. Data were collected through semistructured interviews pre-arranged with the participants. Results: the analysis enabled
the construction of three categories: the elderly surgical and hospitalization, the elderly
and the meaning of self-care and care for the elderly. Conclusion: it was observed the
uniqueness of meanings of care expressedand their influence in the treatment. Adequate
communication by healthcare was an important strategy to provide greater comfort.
Considering nursing as care agent, develop a team prepared to meet the changes coming
of age and surgical procedure has become critical to improve care for the elderly. The
attention and emotional support were significant when perioperative characterized as
essential to humanizing the care process.
Descriptors: General surgery; Aged; Perioperative care; Nursing care.
1
Enfermeira. Mestre em Enfermagem pela Universidade Estadual de Londrina, UEL. Universidade Estadual de
Londrina, UEL, PR, Brasil. E-mail: [email protected]
2
Enfermeira. Doutora em Enfermagem pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, USP. Docente do
Departamento de Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina, UEL, PR, Brasil. E-mail:
[email protected]
3
Enfermeira. Doutoranda em Enfermagem pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, USP. Docente do
Departamento de Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina, UEL, PR, Brasil.
E-mail:
[email protected]
4
Enfermeira. Doutora em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo, USP. Docente do Departamento de
Enfermagem da Universidade Estadual de Londrina, UEL, PR, Brasil. E-mail: [email protected]
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RESUMEN: Objetivo: identificar el significado del cuidado perioperatorio en pacientes
ancianos. Método: investigación descriptiva cualitativa realizada con nueve ancianos en
hospital universitario del Paraná. Los datos fueron recolectados a través de entrevistas
semi-estructuradas previamente concertadas con los participantes. Resultados: fueron
identificadas tres categorías: Los ancianos y la hospitalización quirúrgica, el auto-cuidado
y el significado del cuidar para los ancianos. Conclusión: fue observado la singularidad de
significados del cuidado y que estos influyen en el tratamiento. La comunicación adecuada
del equipo de salud se mostró una importante estrategia para proporcionar mayor
comodidad. Teniendo en cuenta la enfermería como agente de atención, desarrollar un
equipo preparado para cumplir con los cambios que vienen de la edad y el procedimiento
quirúrgico se ha convertido en fundamental para mejorar la atención a los ancianos. La
atención y el apoyo emocional fueron significativos en el momento perioperatorio,
caracterizando esencial para la humanización del proceso de atención.
Descriptores: Cirugía general; Anciano; Atención perioperativa; Atención de enfermería.
INTRODUÇÃO
O crescimento da população idosa reflete em mudanças significativas na área da
saúde, principalmente, em decorrência do aumento do número de doenças crônicas
degenerativas associadas aos agravos da senescência. Esse fator influencia o número de
hospitalizações e recursos despendidos aumentando-os. Mais recentemente, observou-se
também a elevação de procedimentos cirúrgicos nesta faixa etária, pois, estes
apresentam-se como opções de tratamento seguro, frente aos avanços tecnológicos
envolvidos no diagnóstico, cirurgia e anestesia.1
A assistência ao idoso em situação cirúrgica difere dos outros grupos etários
devido às mudanças decorrentes do processo de envelhecimento e a presença de doenças
associadas, que podem ser significativas para o equilíbrio funcional aumentando a
vulnerabilidade para alterações pós-operatórias.1
Com isso, o cuidado prestado pela equipe de saúde no momento cirúrgico torna-se
imprescindível, bem como compreender o contexto das percepções dos profissionais
envolvidos com este cuidado. Autores colocam a importância de o cuidado ser visto como
uma atitude de desvelo, preocupação e inquietação pela pessoa que está sendo cuidada.
Reforçam também que a complexidade no cuidado caracteriza a necessidade de uma
atuação multiprofissional, buscando a preservação da autonomia e da individualidade do
ser humano.2
Ressalta-se que os procedimentos de cuidado realizados durante o período de
internação, considerados de rotina para o profissional, apresentam diferentes significados
para o paciente idoso. Para eles, as crenças, valores, normas e ritos de cuidados têm uma
poderosa influência na sobrevivência humana, crescimento, estado de doença, saúde e
bem estar.3
No Brasil, o avanço das técnicas cirúrgicas e a popularização da cirurgia
promoveram a expansão dos cuidados de enfermagem para essa clientela. Contudo, apesar
da importância da temática e do interesse de vários países nesse assunto, a atuação da
enfermagem nessa área ainda está voltada para diretrizes médicas, haja vista o pouco
número de publicações realizadas em nosso país sobre o tema.4
Porém, sua importância é incontestável visto que a equipe de enfermagem que
trabalha em Centro Cirúrgico (CC) presta cuidados aos pacientes cirúrgicos envolvendo
aspectos fisiológicos, emocionais, sociais, entre outros. O cuidado inicia-se antes da
cirurgia em si, no momento em que o paciente toma ciência da necessidade do
procedimento até a admissão do paciente no bloco cirúrgico e a organização da alta dessa
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unidade. A equipe de enfermagem atua prestando assistência específica, buscando
diminuir ansiedades, esclarecendo dúvidas e amenizando medos.5
A questão norteadora do estudo pautou-se em qual o significado do cuidado para
os idosos, e como esses sentiram-se cuidados durante o período perioperatório. Acredita-se
que o desvelamento destas percepções poderá contribuir para o aperfeiçoamento da
qualidade do cuidado prestado pela equipe de saúde, diminuindo assim, possíveis lacunas
vivenciadas na assistência integral ao idoso.
A partir dessas considerações, o objetivo desta pesquisa foi identificar o
significado do cuidado para pacientes idosos durante o perioperatório.
MÉTODO
Trata-se de um estudo descritivo de abordagem qualitativa, na modalidade da
estrutura do fenômeno situado.6 Realizou-se nas unidades feminina e masculina de um
hospital universitário público do norte do Paraná, considerado centro de referência
regional para o Sistema Único de Saúde (SUS) com assistência em praticamente todas as
especialidades médicas, possuindo 316 leitos atendidos 100% pelo SUS. O Centro Cirúrgico
da instituição possui uma média de 600 cirurgias/mês, contemplando pacientes em todas
as faixas etárias. O período do estudo correspondeu de abril a maio de 2009.
Foram feitas visitas prévias as unidades de internação para verificação do
agendamento cirúrgico, e a seleção de qual paciente seria convidado para a pesquisa era
feita em consenso com a supervisão de enfermagem da unidade. Os pacientes eram
abordados conforme a disponibilidade, sendo solicitado um momento de diálogo pelo
entrevistador para que pudesse explicar os objetivos do estudo. Caso aceitasse participar
era disponibilizado o termo de consentimento livre e esclarecido contendo todas as
informações importantes da pesquisa. Inicialmente, era realizada uma visita para um
primeiro contato com o paciente antes da entrevista, e após era agendado um local e
horário de sua preferência para a realização.
Considerou-se idoso aquele com 60 anos ou mais de acordo com Política Nacional
do Idoso. Como instrumento de coleta de dados utilizou-se entrevistas semi-estruturadas
realizadas com nove pacientes idosos de ambos os sexos. O número de entrevistados foi
estabelecido de acordo com a justificativa metodológica de saturação dos dados obtidos
durante as entrevistas, sem conter um número pré-estabelecido. Os critérios de inclusão
foram: idade; orientação espacial satisfatória pelo paciente conforme avaliação
neurológica contida na prescrição de enfermagem; estar no período pós-operatório; estar
em condições físicas e psíquicas compatíveis para o diálogo.
Foram utilizadas questões que abrangessem o cuidado recebido como um todo e
que fossem de fácil compreensão para o paciente. As questões foram: Como o senhor (a)
foi orientado (a) para a cirurgia?; Teve alguma necessidade que o(a) senhor(a) achou que
não foi atendida?; Quais cuidados foram feitos? Como o(a) senhor(a) se cuida?; E o que é
cuidado para o(a) senhor(a).
As entrevistas foram gravadas e, após a sua realização foram transcritas na íntegra
e, na sequência, foram retirados os vícios de linguagem, possibilitando uma leitura mais
contínua das experiências dos sujeitos envolvidos. Após a utilização dos dados as falas
foram apagadas do gravador.
A identificação dos entrevistados foi preservada nas falas, sendo numerada pelo
autor de acordo com o diálogo e as unidades de significado, como exemplo, D1 para
diálogo 1 e US1 para unidade de significado 1, sendo numerados de acordo com a ordem
em que foram entrevistados.
Para a análise dos dados, foi utilizada a sequência de análise de discurso na
modalidade da estrutura do fenômeno situado, composta por dois momentos. O primeiro
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constitui-se pela análise ideográfica que é dividida em quatro etapas: leitura da descrição
do início ao fim sem buscar qualquer interpretação ou identificação de atributo ou
elemento; apreensão das unidades de significado; interpretação das mesmas e a síntese
das unidades. O segundo momento, denominado de análise nomotética, busca o alcance da
estrutura geral psicológica, proporcionando um movimento de convergências e
divergências que se mostrarão nos casos individuais.7
As questões formuladas foram testadas em duas entrevistas pilotos para verificar a
facilidade de compreensão das normas e se estavam oportunizando respostas que
descrevessem o fenômeno estudado.
Este trabalho faz parte do Projeto de Pesquisa intitulado “O cuidado
perioperatório para o paciente, familiares, equipe de saúde e alunos”, cadastrado na Próreitoria de pesquisa e pós-graduação da Universidade Estadual de Londrina N° 05429 e
aprovado no Comitê de Ética e pesquisa da instituição na data de 09/09/2008 com outras
pesquisas sendo realizadas até os dias atuais. Possui o número de cadastro no CAAE Nº
0115.0.268.000-08. A pesquisa foi conduzida seguindo todos os padrões éticos exigidos.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O grupo de estudo foi constituído por quatro homens entre 60 e 71 anos, e cinco
mulheres entre 60 e 75 anos. Os homens foram submetidos a diferentes tipos de cirurgia,
sendo: cirurgia do aparelho digestivo, cirurgia vascular, cirurgia abdominal e cirurgia do
aparelho urinário. As cirurgias das mulheres foram: cirurgia abdominal, cirurgia ortopédica,
implante de marcapasso, retirada de lipoma e cirurgia vascular. Quanto ao grau de
escolaridade, três eram analfabetos e os outros seis possuíam primeiro grau incompleto.
A análise das entrevistas possibilitou a construção de três categorias: O idoso e a
hospitalização cirúrgica, o idoso e o autocuidado e o significado de cuidar para o idoso.
O idoso e a hospitalização cirúrgica
Nessa categoria as orientações relacionadas ao cuidado enfatizaram temas
importantes como: a compreensão do paciente cuidado sobre as circunstâncias que
envolveram o seu agravo de saúde; o período de jejum; referência aos profissionais da equipe
que cuidaram dele; percepções positivas do atendimento recebido; conflitos na equipe de
saúde; falta de informação; a ausência dos familiares e o impacto da espiritualidade.
A fala a seguir exemplifica a compreensão do paciente cuidado:
A orientação que me deram era que eu não deveria usar mais tapetes,
eu vou avisar minha filha para não usar mais, sabe? (D5US11)
O paciente refere que o tapete, objeto citado, foi o desencadeador de sua
queda, e a retirada dele diminuiria os riscos do ambiente. Este entendimento demonstra
que a orientação foi adequada e atingiu o objetivo de prevenção de outros acidentes.
As orientações devem sempre respeitar o nível de instrução de cada paciente e
serem adequadas a cada fase do tratamento. Para que o profissional realize
adequadamente a educação em saúde e o paciente compreenda é importante que a
comunicação seja eficaz, algo de grande importância no meio hospitalar, já que em
muitos casos os cuidados se estenderão ao domicílio.3
Em relação ao período de jejum foram citadas as falas:
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Foi orientado para eu não comer, para ficar dois dias de jejum e
depois eu só poderia um suco só de noite, porque aí de manhã já
dava para comer uma coisinha. (D1US1)
Para ter cuidado, porque não pode tomar só leite, ficar dois dias de jejum
antes, depois de tomar só leite e esperaR senão complica mais. (D1US5)
Os discursos demonstram que o problema que caracterizava a necessidade de
procedimento cirúrgico alterava drasticamente a alimentação do paciente, exigindo
cuidado para não atrapalhar sua recuperação. Foi perceptível encontrar ênfase nos
relatos dos pacientes em relação ao jejum, citando dias e valorizando esta informação.
A necessidade deste cuidado para realização dos procedimentos cirúrgicos é
muito relevante. É de conhecimento da equipe e orientado aos pacientes que o não
cumprimento do período adequado do jejum representa, além de um risco, uma
possibilidade de cancelamento cirúrgico. Esta possibilidade de cancelamento assusta os
pacientes, pois além de aumentar os dias de internamento, a sua cirurgia precisará ser
remarcada. Nesta situação ele corre o risco de até mesmo perder a cirurgia, tendo a
necessidade de entrar novamente na fila de agendamento do SUS.
A alimentação do paciente cirúrgico tem suas particularidades que devem ser
explicadas com clareza para que a frustração da falta do alimento (período de jejum pré e
em alguns casos pós-operatório) seja sanada pela informação adequada. Em determinadas
situações o alimento é utilizado como meio de sanar medos e angústias, podendo trazer
danos no decorrer do tratamento, caso a dieta adequada não seja seguida. Enfatiza-se,
ainda, que a alimentação do paciente idoso apresenta algumas peculiaridades fisiológicas e
culturais que precisam ser consideradas e valorizadas pelos profissionais da saúde.
Em relação à referência dos profissionais foram citados: médico, fisioterapeuta,
enfermeiro e o cuidador, no caso, a filha de uma paciente entrevistada. Houve relato de
envolvimento emocional com a equipe no geral, o que caracteriza o serviço de forma positiva:
Olha a fisioterapia fez o trabalho direito. (D5US4)
Os médicos todos bons, as enfermeiras todas boas. (D6US7)
Os pacientes demonstraram percepções positivas com o atendimento recebido:
Tem cuidado bem, tem atendido eu muito bem. (D2US13)
Eu estou satisfeito com o atendimento, bem atendido. (D4US8)
As opiniões demonstradas com o atendimento recebido fortalecem características
satisfatórias perante a equipe, evidenciando que idosos, após o procedimento cirúrgico,
recordam-se de aspectos positivos em detrimento de situações que apresentaram
desconforto.
A expectativa do indivíduo em relação à hospitalização, ao tratamento e à qualidade
do cuidado é um fator que pode repercutir na sua recuperação. O paciente cirúrgico exige uma
assistência de enfermagem fundamentada nas necessidades provenientes de fatores
associados, como o procedimento anestésico cirúrgico ou pelas ocorrências oriundas da
dinâmica do preparo do ambiente, do indivíduo, respeitando seus valores e promovendo
interações para melhorar sua condição de enfrentamento da cirurgia.8
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Encontrar o reconhecimento do trabalho dos profissionais foi algo motivador
durante a realização do estudo. Além de caracterizar a equipe envolvida no cuidado, eles a
avaliaram positivamente, o que pode ser compreendido como incentivo para os
profissionais envolvidos e pelos estudantes, por se tratar de uma instituição de ensino.
Outro aspecto que merece destaque é o fato do SUS ser considerado um dos
maiores planos de assistência médica do mundo, seja pelo número de pacientes cobertos
(a rigor, todo cidadão brasileiro), seja pela complexidade de sua gestão.9 As críticas
relacionadas ao seu atendimento aparecem com maior facilidade na mídia, por isso quando
fatores positivos surgem devem ser enfatizados não somente como um retorno para o
serviço, mas também como forma de valorização profissional para todos os envolvidos.
Em contraponto, a fala a seguir mostra a preocupação do paciente que
presenciou uma situação de conflito na equipe de saúde:
A única coisa que eu fiquei achando estranho foi que houve um
desentendimento no atendimento de uma clínica para outra.
(D7US4)
Foi isso que eu achei estranho, porque eles estavam decidindo
quem ia tomar conta de mim. (D7US6)
Tal relato desperta uma preocupação e cuidado que a equipe de saúde deve ter.
Os pacientes em geral, quando hospitalizados, tendem a perder seus referenciais de
segurança e a depositar, muitas vezes, na equipe de saúde o destino de suas vidas. Em
pacientes cirúrgicos idosos esta confiança na equipe de saúde também é observada, sendo
que eles sabem que se encontram em uma fase da vida com maiores riscos. Assim, dentro
do ambiente hospitalar sentem-se inseguros, lidam com várias dificuldades e colocam sua
confiança nas pessoas que estão cuidando dele. Nessas condições, coisas simples e por
vezes banais para a equipe de saúde podem representar grande gravidade para o paciente
cirúrgico idoso. Desta forma, consolida-se a importância da equipe de saúde valorizar a
forma de interagir e comunicar-se com os pacientes. A equipe deve sempre considerar as
peculiaridades e necessidades de segurança afetiva dos pacientes, estando atenta às
conversas e procedimentos que executa, transmitindo segurança e conforto.10
A dimensão afetivo-expressiva faz parte da ação terapêutica do cuidado e pode
ser explicitada pela relação de confiança, no trato com carinho, no ser gentil, no
demonstrar compreensão, conversar, tocar, falar, escutar, olhar, dar força, interessar-se,
aconselhar e outros.10
Outra lacuna no cuidado observada foi à falta de informações do próprio
cuidado:
Porque ninguém sabe que dia eu vou embora. (D2US12)
A falta de conhecimento em relação à data prevista para a alta caracteriza a
fragilidade da equipe em expor a conduta ao paciente. A exteriorização verbal ou não
verbal das atitudes afetivo-expressivas constitui os princípios fundamentais da
enfermagem, merecendo atenção para tornarem-se uma prática no cotidiano de suas
ações. Na área da saúde, é oportuno salientar que todo profissional necessita ter como
base de seu trabalho as relações humanas, sejam elas com o cliente, com sua família ou
com a equipe multidisciplinar.10
A situação de desconhecimento exposta pelo paciente cirúrgico idoso mostrou que
é necessário orientar com clareza os aspectos relacionados à sua evolução após a cirurgia.
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Estas informações precisam ser retomadas e validadas junto a ele, certificando-se de sua
compreensão. Quando estas orientações não são feitas de forma adequada ele sente-se
perdido. Para fortalecer as relações humanas entre profissionais e pacientes, buscando a
humanização da assistência, é necessário que se invista nas tecnologias das relações. É
preciso buscar espaços de discussão e reflexão sobre estas práticas, pois a assistência não
necessita somente de equipamentos e tecnologias duras. O tratamento é mais eficaz
quando a pessoa é acolhida, ouvida e sente-se respeitada pelos profissionais de saúde.11
A ausência de familiares também foi uma situação que emergiu, conforme ilustra
o relato a seguir:
O povo pergunta para mim o “senhor é sozinho?” Eu falo não, eu
tenho família. O senhor mora sozinho? Eu falo não, eu moro com a
minha mulher e uma netinha que eu crio e um rapaz meu filho.
(D2US10)
A presença de um familiar durante a internação é uma importante ligação com o
meio externo, permitindo que o paciente idoso não se sinta restrito àquele lugar, uma vez
que o familiar conhece suas particularidades e faz parte de sua vida, de sua rotina, de seu
meio exterior ao hospital.12
A solidão hospitalar é, muitas vezes, vivenciada por pacientes idosos por não
possuírem alguém próximo que possa acompanhá-los durante a internação, significando um
desamparo emocional muito grande, deixando-o fragilizado.12
Da mesma forma, a dependência, que pode ser ocasionada em determinadas
situações devido ao procedimento cirúrgico, gera a necessidade de cuidados especiais e de
auxílio para a realização das atividades de vida diária, algo nem sempre possível de ser
oferecido pelas famílias, podendo ocasionar situações em que o idoso não possua a atenção
necessária.12
Na atual Política Nacional de Humanização da Saúde, assim como o Estatuto do
idoso, em seu Art.16, a presença do acompanhante é assegurada, mas esta permissão fica
na dependência de acordos e liberações institucionais que, na maioria das vezes, é
decidida pelo enfermeiro das unidades de internação, demonstrando a responsabilidade do
profissional frente a uma ação diferenciadora do tratamento.13
Essa tomada de decisão por vezes direcionada pelo enfermeiro enfatiza a
importância desse profissional na humanização do cuidado, colaborando com situações em
que a família ou amigos representados pelos acompanhantes façam parte do processo de
recuperação do paciente.
O acompanhamento de pacientes idosos também é referido em estudo onde a
hospitalização é vista pelos filhos ou entes queridos como uma oportunidade de
aproximação ou retribuição de algum cuidado recebido antes pela pessoa, fazendo com
que a troca de cuidados fortaleça o laço afetivo.12
A espiritualidade demonstrada pelos pacientes evidenciou ser de grande impacto
na sua recuperação.
Fé em Deus disse que amanhã eu vou embora. (D5US2)
É um pessoal tudo abençoado por Deus. (D6US11)
Os hospitais que possuem serviço de capelaria servem como um apoio para os
pacientes colocarem em prática suas crenças religiosas, e os profissionais de enfermagem
devem informá-los quanto à disponibilidade do serviço, deixando-os à vontade para
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escolher se querem ou não o atendimento. Em experiência realizada em determinada
enfermaria de geriatria, foi demonstrado que os pacientes vêem de forma positiva o
atendimento religioso e sentem-se melhor após tal assistência.14
Com ética e respeito pelos valores religiosos e espirituais dos pacientes, é possível
encontrar na religião e espiritualidade ferramentas úteis que podem auxiliar no
atendimento a idosos internados. Estudo comenta que quando os pacientes utilizam a
mente, cientes e crentes de sua força poderosa em transformar situações vivenciadas,
invocada e aliada à fé religiosa, com o intuito de recuperar-se de um agravo, sentem-se
mais felizes e com mais disposição para o enfrentamento das dificuldades, podendo, desta
forma, provocar alterações em seu quadro.15
Os comportamentos religiosos são bastante frequentes na idade avançada. A
espiritualidade e a força que alguns idosos encontram ao expressar a sua fé religiosa,
explicam o porquê deles não se deprimirem e serem capazes de manter a esperança,
enfrentando eficazmente doenças, como por exemplo, o câncer.15
O idoso e o autocuidado
Nessa categoria foi revelada a visão de autocuidado pelo idoso. Alguns dos
entrevistados fizeram referência em relação ao descuido com sua própria saúde e com seu
autocuidado, como a seguir:
A gente cuida dos outros, mas não se lembra da gente. (D7US15)
O desconforto com o peso, influenciando a realização do autocuidado, foi citado
na seguinte fala:
Porque eu não era para estar pesando o tanto que eu peso, estou
pesando 85kg queria ter 70kg até poderia ser porque eu tenho 1,68
de altura então perto de 70kg seria o ideal! (D4US13)
Os profissionais de saúde devem ter compromisso em ajudar os idosos no seu
autocuidado. Em especial a equipe de enfermagem pode apoiá-los na realização de seu
autocuidado, considerando as possibilidades e conhecimentos adquiridos no período de
internação dos pacientes. É preciso que toda a equipe esteja imbuída deste propósito,
expressando respeito pela capacidade individual de cada um, de acordo com as limitações
e recursos disponíveis.16
O esforço demonstrado a cada dia no período de hospitalização foi visto pelos
entrevistados como uma forma de autocuidado e superação. Para eles, cada mudança que
conseguiam realizar sentiam-se mais próximos do momento de receber alta e esta condição
significava autocuidado.
Eu me cuido, tipo assim, a direita (perna) que está doendo eu apoio
mais e a esquerda (perna) eu estico e a direita eu não estico bem
ela, mas eu mando colocar cobertas debaixo do calcanhar então eu
me sinto bem. (D5US11)
Nessa fala é referido o autocuidado com a perna em que houve o procedimento
cirúrgico, e a importância do posicionamento do membro para maior conforto da paciente.
O autocuidado realizado pela paciente proporcionou uma sensação de bem-estar,
demonstrando que é possível adaptar o ambiente para o alcance do conforto mesmo em
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áreas hospitalares. Afirma-se que o ambiente hospitalar possui particularidades que o
distanciam da realidade vivenciada pelos pacientes em suas casas, como pessoas
desconhecidas no local, falta de objetos pessoais ou ausência de ações que o paciente
considera necessário para se cuidar.17
Com isso, compete a equipe de saúde o esforço em proporcionar a ambiência
necessária e propícia para que os pacientes desenvolvam o autocuidado. Um espaço onde
possam buscar o conforto e a sociabilidade, mesmo distantes de seus lares e de seus
familiares, abrindo possibilidades de autocuidado dentro dos ambientes hospitalares.
Em relação a outros aspectos, o cuidar da vida foi demonstrado como uma forma
de autocuidado, de dar importância aos atos realizados, buscando em cada um deles uma
especificação, uma melhora, ou até mesmo uma atividade. Reforçou-se a idéia de que o
cuidar se inicia de duas formas: como um modo de sobreviver e como uma expansão de
interesse e carinho.17
Eu me cuido assim: você está falando sobre a vida da gente? Eu me
cuido assim quer ver: cuidar da minha família, como diz a história
cuida de mim não me envolvo com a vida de ninguém, trato todo
mundo bem, então vivo desse jeito, desse jeito, é meu jeito de
viver. (D2US14)
Essa fala nos remete a reflexão que entre os idosos, temos o autocuidado como
forma de valorização, de amor, pois cada um deles necessita sentir-se bem para que
realize o seu cuidado, e também, devido à ausência de amigos que já faleceram ou da
família distante, auto cuidar-se significa estar vivo.
Significado de cuidar para o idoso
Essa categoria busca revelar o significado de cuidar para o idoso.
Como significado de cuidado, os entrevistados citaram aspectos relacionais,
afetivos e emocionais. Houve diferenciações entre homens e mulheres; a mulher
considerou o significado mais voltado ao emocional e o homem mais à forma como
direciona sua vida.
Cuidado acho que é pensar na vida, ter cuidado de não errar as
coisas, fazer coisas erradas, não entrar no sacrifício depois se
arrepender é tarde. (D2US15)
Cuidado é ter carinho né? É carinho, amor, paciência, perseverança
é tudo isso. (D5US12)
Foi perceptível às pesquisadoras que o momento vivenciado pelos pacientes
proporcionou maior reflexão sobre essa questão, influenciando na forma de olhar para o
cuidado. Havia entrevistados satisfeitos com a cirurgia no período pós-operatório, outros
sabiam que era apenas uma parte de uma etapa a ser vencida entre muitas outras que
ainda estavam por vir.
A reflexão sobre o significado do cuidado remete a outros significados, como o
próprio envelhecimento e suas mudanças, permitindo aos profissionais de saúde, criar
razões que dêem significado a vida dos idosos.16
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Diferente de uma proposta assistencialista, predominante nos modelos
tradicionais, o cuidado representa a dinamicidade das múltiplas interações entre seres
humanos, atingível na sua forma de Ser em sistemas abertos e ambientes mais saudáveis. A
enfermagem deve utilizar o cuidado e seu significado como mola propulsora do
atendimento, fazendo da humanização sua maior aliada.18
Na seguinte fala o paciente demonstra a importância do relacionamento humano
na demonstração do cuidado:
Cuidado são as pessoas boas que cuidam bem da gente, que socorre
a gente na hora que precisa que a gente pede ta ali para atender,
não se afasta da gente quando a gente está sentindo mal. (D6US13)
O momento da entrevista em que os significados de cuidado foram abordados
permitiu perceber uma (re)construção na definição de alguns conceitos para os pacientes
cirúrgicos idosos. Observaram-se pacientes esperançosos, determinados e com crença no
melhor das pessoas e profissionais envolvidos. A experiência compartilhada pelos idosos na
sua percepção de cuidado demonstra sua capacidade de sonhar, buscar algo inovador
diante de uma cirurgia que, muitas vezes, é apresentada como única esperança de dias
melhores.
Assim, ressaltou-se a importância dos significados de cuidado expressos pelos
pacientes idosos participantes desta pesquisa. Enfatizou-se que qualquer que seja o
hospital, independente da cirurgia, o idoso valoriza e considera imprescindível uma fala na
hora certa, uma mão presente em momentos inesperados, uma atitude de amparo neste
difícil momento de sua vida. É preciso desenvolver interesse profissional no contexto
vivenciado pelo idoso, buscando suas particularidades que os tornam especiais de alguma
forma, demonstrando apoio e carinho da equipe de saúde nos momentos necessários.18
CONCLUSÃO
O significado de cuidado para os idosos demonstrou singularidades de cada caso,
sendo influenciado de acordo com o gênero e as experiências ao longo da vida. O contexto
hospitalar influenciou diretamente a sensibilidade e a percepção de como estava sendo
cuidado, referenciando de forma geral, como bem atendido pela instituição em estudo.
Concluiu-se que o cuidado representado em diferentes formas dentro do contexto
da hospitalização pode influenciar no tratamento. No entanto, a presença da atenção,
carinho e respeito por parte da equipe de saúde mostraram-se mais necessários em alguns
casos do que a própria orientação sobre a cirurgia. O idoso, em todo o período
perioperatório, expressou sentimentos de insegurança e ansiedade relacionados à questão
do amparo psicológico e familiar mais fortemente do que em relação à compreensão do
seu caso clínico.
Defendeu-se a necessidade de reflexão da equipe de saúde sobre resultados como
os encontrados neste estudo. Deseja-se contribuir com esta temática reforçando a
importância de atitudes de cuidado ao idoso hospitalizado, principalmente quando
submetidos à procedimentos cirúrgicos, visando contribuir para o aperfeiçoamento e
qualidade da assistência oferecida e fortalecer a humanização dos serviços de saúde.
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Data de recebimento: 02/08/2013
Data de aceite: 28/11/2013
Contato com autor responsável: Simone Domingues Garcia
Endereço postal: Rua Carmela Dutra N°225 ap 701B Jardim Morumbi
Londrina, PR CEP 86036-360
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