Anatomia da orelha 1 1. O osso temporal forma parte da parede lateral e da base do crânio. Constitui dois terços do assoalho da fossa craniana média e um terço do assoalho da fossa posterior, sendo formado por quatro porções: a. Escamosa b. Mastoide (ou mastóidea) c. Petrosa d. Timpânica 2. Os seguintes músculos se inserem no processo mastoide: a. Esternoclidomastóideo b. Esplênio da cabeça c. Longuíssimo da cabeça d. Digástrico e. Auriculares anterior, superior e posterior (O músculo temporal se insere na porção escamosa do osso temporal e não no processo mastoide.) 3. A aurícula (pavilhão auricular) (Fig. 1.1) é formada por cartilagem elástica, e o canal cartilaginoso por fibrocartilagem; este canal constitui um terço do canal auditivo externo (enquanto dois terços da trompa de Eustáquio (tuba auditiva) são cartilaginosos), sendo ósseos os dois terços restantes. 4. A pele que recobre o canal cartilaginoso possui glândulas sebáceas, glândulas ceruminosas e folículos pilosos. A pele sobre o canal ósseo é tensa e não possui tecido subcutâneo, exceto o periósteo. 5. Os limites do canal auditivo externo são: Anterior Posterior Superior Inferior Fossa mandibular e parótida Mastoide Recesso epitimpânico (medialmente); cavidade craniana (lateralmente) Parótida A porção anterior, o assoalho e parte da porção posterior do canal ósseo são formados pela parte timpânica do osso temporal. O restante do canal posterior e do assoalho é formado pela porção escamosa. 6. Os limites do epitímpano são: Anterior Superior Anterior Lateral Inferior Posterior Canal semicircular lateral e VII nervo Tégmen timpânico (teto) Arco zigomático Escama (lâmina timpânica) Fossa da bigorna Ádito (ou aditus) 1 2 PRINCÍPIOS DE OTORRINOLARINGOLOGIA: CIRURGIA DE CABEÇA E PESCOÇO Hélix Fossa triangular Anti-hélix Ramo da hélix Escafa Trago Antitrago Lóbulo Fig. 1.1 Aurícula (pavilhão auricular). 7. Os limites da cavidade timpânica são: Teto Assoalho Posterior Anterior Medial Lateral Tégmen timpânico (teto) Parede jugular e proeminência estiloide Mastoide, estapédio, eminência piramidal Parede carotídea, trompa de Eustáquio, músculo tensor do tímpano Parede labirintina Membrana timpânica, lâmina timpânica ou scutum (laterossuperior) 8. A aurícula está aderida ao osso por: a. Pele b. Uma extensão da cartilagem para a cartilagem do canal auditivo externo c. Ligamentos (1) Ligamento anterior (do zigoma ao hélix e trago) (2) Ligamento superior (do canal auditivo externo à espinha do hélix) (3) Ligamento posterior (da mastoide à concha) d. Músculos (1) Músculo auricular anterior (2) Músculo auricular superior (3) Músculo auricular posterior 9. A incisura (chanfradura) de Rivinus é a incisura (chanfradura) na escamosa, sendo a membrana de Shrapnell localizada medialmente a ela. O anel timpânico não é um anel completo, apresentando uma zona de deiscência localizada superiormente. 10. A cavidade de Meckel é a concavidade na porção superior do osso temporal onde fica localizado o gânglio de Gasser (V). 11. O canal de Dorello fica entre a extremidade petrosa e o osso esfenoide. É o sulco do VI nervo. A síndrome de Gradenigo, secundária a uma petrosite com acometimento do VI nervo, caracteriza-se por: CAPÍTULO 1 / ANATOMIA DA ORELHA 3 a. Dor atrás do olho b. Diplopia c. Otorreia 12. O triângulo suprameatal de Macewen fica atrás e acima do canal auditivo externo. É limitado ao nível do meato pela espinha de Henle, também denominada espinha suprameatal. Esse triângulo aproxima-se da posição do antro medialmente. O tégmen mastóideo é uma fina lâmina sobre o antro. 13. O triângulo de Trautmann é demarcado pelo labirinto ósseo, seio sigmoide e seio petroso superior ou dura-máter. O ângulo de Citelli é o ângulo sinodural. Fica localizado entre o seio sigmoide e a placa da duramáter na fossa média. Alguns autores consideram o lado do triângulo de Trautmann como sendo o ângulo de Citelli. Ângulo sólido é o ângulo formado pelos três canais semicirculares. Lâmina timpânica (“scutum”) é uma fina placa óssea que constitui a parede lateral do epitímpano. Faz parte da escama (ou porção escamosa). A fossa madibular (cavidade glenoide) é limitada pela parte escamosa do osso temporal, raiz do zigoma e ossos timpânicos. O canal de Huguier transporta anteriormente a corda do tímpano para fora do osso temporal, estando localizado lateralmente ao teto do protímpano. O forame de Huschke fica localizado adiante da lâmina timpânica do osso temporal ao longo de uma porção não-ossificada da lamina. Situa-se próximo da fissura de Santorini. O poro acústico, a “boca” do canal auditivo interno, é dividido horizontalmente pela crista falciforme. 14. A orelha interna é formada por três partes (Fig. 1.2). a. Parte superior: labirinto vestibular (utrículo e canais semicirculares) b. Parte inferior: cóclea e sáculo c. Saco e duto endolinfáticos Horizontal Posterior Pilar membranáceo comum Superior Cúpula do duto coclear Utrículo Sáculo Duto de união Saco Duto endolinfático Fig. 1.2 Duto sacular Duto vestibular Labirinto membranoso. A, extremidade amputada; NA, extremidade não-amputada. 4 PRINCÍPIOS DE OTORRINOLARINGOLOGIA: CIRURGIA DE CABEÇA E PESCOÇO 15. Existem quatro pequenos sáculos provenientes do espaço perilinfático: a. Ao longo do duto endolinfático b. Fissura ante fenestram c. Fossa post fenestram d. Duto periótico 16. Existem quatro aberturas para dentro do osso temporal a. Canal auditivo interno b. Aqueduto vestibular c. Aqueduto coclear d. Fossa subarqueada 17. O pontículo é a crista de osso entre o nicho da janela oval e o seio do timpano. 18. O subículo é a crista de osso entre o nicho da janela redonda e o seio do tímpano. 19. O septo de Körner separa a porção escamosa das células aéreas da parte petrosa do osso temporal. 20. Somente 33% da população possuem a porção petrosa do osso temporal pneumatizada. 21. A rampa (“scala”) comum é onde a rampa do tímpano se une à rampa do vestíbulo. O elicotrema é o ápice da cóclea onde as duas se unem (Fig. 1.3). 22. A pirâmide petrosa é o osso mais resistente do corpo. 23. O limite superior do diâmetro do canal auditivo interno é de 8 mm. 24. O aqueduto coclear é um canal ósseo que conecta a rampa do tímpano do giro basal com o espaço subaracnóideo da cavidade craniana posterior. O aqueduto coclear do adulto comum tem 6,2 mm de comprimento. ORELHA MÉDIA Plexo timpânico = V3, IX e X V3 Nervo auriculotemporal IX Nervo de Jacobson X Nervo auricular ORELHA INTERNA Canais semicirculares horizontal e superior. Utrículo Nervo vestibular superior Nervo de Voit Sáculo Nervo vestibular inferior Canal semicircular posterior SUPRIMENTO SANGUÍNEO Artéria auricular posterior Artéria carótida externa Orelha externa Artéria temporal superficial CAPÍTULO 1 / ANATOMIA DA ORELHA Ligamento espiral 5 Estria vascular Membrana de Reissner Fasernnetz Duto coclear Rampa do vestíbulo Células pilosas externas Faixa de Hensen Proeminência espiral Células de Deiters Su lco Células de ex Hensen te rn o Membrana tectorial Canal de Nuel Túnel de Corti Célula pilosa interna Células de Células Boettcher de Deiters Pilares Membrana Células de basilar Claudius Rampa do tímpano Fig. 1.3 Forame neural Órgão de Corti. Ramo timpânico anterior Artéria carótida externa Artéria maxilar interior Ramo timpânico superior Artéria meníngea média Ramo petroso superficial Artéria carótida interna Artéria caroticotimpânica ⎫ ⎪ ⎬ Orelha média ⎪ ⎭ Anastomoses com ramos das artérias estilomastóidea, maxilar interna e faríngea ascendente 6 PRINCÍPIOS DE OTORRINOLARINGOLOGIA: CIRURGIA DE CABEÇA E PESCOÇO Timpânica posterior Ramo estilomastóideo Ramo timpânico inferior Artéria pós-auricular Artéria faríngea ascendente ⎫ ⎪ ⎬ Orelha média ⎪ ⎭ O processo longo da bigorna recebe menos suprimento sanguíneo e, consequentemente, é necrosado com mais frequência. Artéria carótida externa Artéria carótida interna Artéria occipital Vasos subarqueados Artéria maxilar interna Artéria carótida externa Ramo meníngeo Mastoide Ramo auricular profundo Superfície lateral da membrana timpânica Ramo timpânico anterior Artéria pós-auricular Superfície medial da membrana timpânica Ramo estilomastóideo Artéria basilar (ocasionalmente) Artéria cerebelar anteroinferior Artéria do labirinto Artéria coclear comum Artéria vestibular anterior Artéria coclear principal Artéria vestibular coclear Toda a cóclea, exceto um terço do giro basal Ramo coclear Um terço do giro basal Artéria vestibular posterior Porção superior do utrículo e sáculo, canais semicirculares superior e horizontal Porção inferior do utrículo e sáculo, canal semicircular posterior A inervação sensorial da aurícula é ilustrada na Fig. 1.4. O canal auditivo interno é mostrado na Fig. 1.5, e as dimensões da membrana timpânica na Fig. 1.6. MEMBRANA TIMPÂNICA A membrana timpânica possui quatro camadas: 1. Epitélio escamoso 2. Camada fibrosa radiada CAPÍTULO 1 / ANATOMIA DA ORELHA Inervação sensorial da aurícula. C3, pelo nervo auricular grande; C2,3, pelo nervo auricular menor; X, ramo auricular; V3, nervo auriculotemporal; VII, ramos sensoriais. Conector “de Bill” Anterior Posterior Nervo vestibular superior Crista falciforme Nervo vestibular inferior Nervo coclear Fig. 1.5 Corte transversal do canal auditivo interno. 8 a 9 mm 9 a 10 mm Fig. 1.4 Fig. 1.6 Mensuração da membrana timpânica. 7 8 PRINCÍPIOS DE OTORRINOLARINGOLOGIA: CIRURGIA DE CABEÇA E PESCOÇO 3. Camada fibrosa circular 4. Camada muscular Área total média da membrana timpânica: 70 a 80 mm2 Superfície média da membrana timpânica que vibra: 55 mm2 DRENAGEM VENOSA Vertebral Cavernoso Jugular externa Occipital Petroso superior Veias emissárias mastóideas Seio lateral Seio sigmoide Seio petroso inferior Veia jugular interna OSSÍCULOS Martelo 1. 2. 3. 4. 5. Cabeça Colo Manúbrio Processo anterior Processo lateral ou curto Bigorna 1. Corpo 2. Processo curto 3. Processo longo (processo lenticular) Estribo 1. Ramo anterior 2. Ramo posterior 3. Base (média de 1,41 mm × 2,99 mm) LIGAMENTOS Martelo 1. Ligamento superior do martelo (da cabeça ao teto do epitímpano) 2. Ligamento anterior do martelo (do colo próximo do processo anterior ao osso esfenoide através da fissura petrotimpânica) 3. Tensor do tímpano (da superfície medial da extremidade superior do manúbrio ao processo cocleariforme) 4. Ligamento lateral do martelo (do colo à incisura timpânica) Bigorna 1. Ligamento superior da bigorna (do corpo ao tégmen) 2. Ligamento posterior da bigorna (do processo curto ao assoalho da fossa da bigorna CAPÍTULO 1 / ANATOMIA DA ORELHA 9 Estribo 1. Tendão do estapédio (do ápice do processo piramidal à superfície posterior do colo do estribo) 2. Ligamento anular (da base à margem da abertura [janela] vestibular) Maleolar: a articular incudal é uma articulação diartrodial Incudo: a articulação estapédica é uma articulação diartrodial Estapediana: a articulação do labirinto é uma articulação sindesmótica. PREGAS IMPORTANTES DA ORELHA MÉDIA Existem cinco pregas do martelo e quatro pregas da bigorna: 1. Prega anterior do martelo (maleolar): do colo do martelo à margem anterossuperior do sulco timpânico 2. Prega posterior do martelo (maleolar): do colo à margem posterossuperior do sulco timpânico 3. Prega lateral do martelo (maleolar): do colo ao colo na forma de um arco e à membrana de Shrapnell 4. Bolsa anterior de von Troltsch: fica entre a prega maleolar anterior e a porção da membrana timpânica adiante do cabo (manúbrio) do martelo 5. Bolsa posterior de von Troltsch: fica entre a prega maleolar posterior e a porção da membrana do tímpano atrás do cabo (manúbrio) do martelo O espaço de Prussak (Fig. 1.7) possui os seguintes limites: 1. 2. 3. 4. 5. 6. Anterior: prega maleolar lateral Posterior: prega maleolar lateral Superior: prega maleolar lateral Inferior: processo lateral do martelo Medial: colo do martelo Lateral: membrana de Shrapnell A janela oval fica localizada no plano sagital. A janela redonda fica localizada no plano transversal, sendo protegida por uma aba anterior proveniente do promontório. Está orientada no sentido posteroinferior assim como lateral. O tensor do tímpano se insere desde o processo cocleariforme até a superfície medial da extremidade superior do manúbrio. Admite-se que tracione a membrana do tímpano medialmente, colocando-a sob tensão; traciona também o martelo medialmente e para a frente; eleva a frequência da ressonância e atenua as baixas frequências. O músculo estapédio (do estribo) se insere mais frequentemente no colo posterior do estribo. Ocasionalmente, insere-se no ramo posterior ou na cabeça ou, ainda, raramente, no processo lenticular. Posteriormente, sua inserção é no processo piramidal. Traciona o estribo posteriormente, admitindo que aumente a frequência ressonante da cadeia de ossículos e atenue os sons. TROMPA DE EUSTÁQUIO 1. Tem 17 a 18 mm por ocasião do nascimento e aumenta para cerca de 35 mm na vida adulta. 2. Ao nascer, a trompa (tuba auditiva) é horizontal e cresce até adotar uma posição inclinada de 45° na vida adulta. Assim, o orifício faríngeo ocupa uma posição cerca de 15 mm mais baixa que o orifício timpânico. 3. Pode ser dividida em uma porção cartilaginosa anteromedial (24 mm) e uma porção óssea posterolateral (11 mm). A parte mais estreita da trompa (tuba) fica na junção das porções óssea e 10 PRINCÍPIOS DE OTORRINOLARINGOLOGIA: CIRURGIA DE CABEÇA E PESCOÇO Prega maleolar lateral Cabeça do martelo Espaço de Prussak Fig. 1.7 4. 5. 6. 7. 8. Espaço de Prussak. cartilaginosa. (Convém lembrar que o canal auditivo externo é um terço cartilaginoso e dois terços ósseo.) A parte cartilaginosa da trompa (tuba) é revestida por epitélio colunar-ciliado pseudoestratificado, porém na direção do orifício timpânico passa a ser revestida por epitélio cuboide ciliado Abre-se pela ação do músculo tensor do véu palatino (invervado pela terceira divisão do V nervo), agindo sinergicamente com o músculo elevador do véu palatino (inervado pelo vago). Nas crianças, o único músculo que atua é o tensor do véu palatino, pois o elevador do véu palatino é separado da cartilagem da trompa de Eustáquio por uma considerável distância. Por isso, pode-se prever que uma criança que tenha uma fenda palatina com função precária do músculo tensor do véu palatino venha a apresentar problemas com a trompa de Eustáquio até que o elevador do véu palatino comece a funcionar. Em um indivíduo normal, é necessária uma diferença de pressão de 200 a 300 mm H2O para ser produzido um fluxo de ar. É mais fácil expelir ar da orelha média do que introduzi-lo (razão do maior número de problemas com a trompa ao pousar em um avião). Uma pressão de –30 mmHg ou mais baixa por 15 min pode produzir um transudato na orelha média. Uma diferença de pressão de 90 mmHg ou mais alta pode “bloquear” a trompa de Eustáquio, impedindo sua abertura pelo músculo tensor do véu palatino. Essa é a denominada diferença de pressão crítica. CAPÍTULO 1 / ANATOMIA DA ORELHA 11 9. Se a diferença de pressão ultrapassa os 100 mmHg, a membrana do tímpano pode sofrer ruptura. 10. Uma manobra de Valsalva gera cerca de 20 a 40 mmHg de pressão. 11. Os tecidos linfoides da trompa receberam a denominação de amígdala de Gerlach. 12. O óstio timpânico da tuba auditiva fica ao nível da parede anterior da cavidade timpânica, aproximadamente 4 mm acima da parte mais inferior do assoalho da cavidade. O diâmetro do óstio é de 3 a 5 mm. O tamanho do óstio faríngeo varia de 3 a 10 mm em seu diâmetro vertical e de 2 a 5 mm em seu diâmetro horizontal. As Figs. 1.8 a 1.22 são cortes horizontais do osso temporal do Laboratório de Pesquisa de HF Schuknecht na Massachusetts Eye and Ear Infirmary. EMBRIOLOGIA DA ORELHA Aurícula Durante a sexta semana de gestação, ocorre a condensação do mesoderma do primeiro e segundo arcos, dando origem a seis proeminências de His. As três primeiras proeminências derivam do primeiro arco, e o segundo arco contribui para as últimas três (Fig. 1.23). Primeiro arco: Fig. 1.8 Primeira proeminência Segunda proeminência Terceira proeminência Trago (1) Ramo da hélice (2) Hélix (3) A, canal auditivo externo; B, membrana timpânica; C, anel (ânulo) fibroso; D, sulco timpânico; E, cabo (manúbrio) do martelo; F, corda do tímpano; G, recesso facial; H, nervo facial; I, seio do tímpano; J, processo piramidal; K, músculo estapédio; L, janela redonda; M, promontório. 12 PRINCÍPIOS DE OTORRINOLARINGOLOGIA: CIRURGIA DE CABEÇA E PESCOÇO Fig. 1.9 A, corda do tímpano; B, recesso facial; C, seio do tímpano; D, processo piramidal; E, nervo facial; F, músculo estapédio; G, trompa de Eustáquio; H, nicho da janela redonda; I, canal semicircular posterior; J, microfissura sem função conhecida; K, meato auditivo interno; L, canal carotídeo. Fig. 1.10 A, cabeça do martelo; B, corpo da bigorna; C, ligamento maleolar anterior; D, parede lateral do ático; E, ligamento incudal (da bigorna) posterior. CAPÍTULO 1 / ANATOMIA DA ORELHA 13 Fig. 1.11 A, canal auditivo externo; B, anel (ânulo) fibroso; C, martelo; D, tendão do tensor do tímpano; E, processo cocleariforme; F, músculo tensor do tímpano. Fig. 1.12 A, bigorna; B, processo lenticular; C, tendão do estapédio (do estribo); D, processo piramidal; E, nervo facial. 14 PRINCÍPIOS DE OTORRINOLARINGOLOGIA: CIRURGIA DE CABEÇA E PESCOÇO Fig. 1.13 A, base do estribo; B, ligamento anular; C, fissura ante fenestram; D, vestíbulo; E, sáculo; F, utrículo; G, crista utricular inferior; H, valva utriculoendolinfática; I, nervo sacular. Fig. 1.14 A, base do estribo; B, fissura ante fenestram; C, fossa post fenestram; D, vestíbulo. CAPÍTULO 1 / ANATOMIA DA ORELHA 15 Fig. 1.15 A, martelo; B, membrana timpânica; C, corda do tímpano; D, bigorna; E, processo lenticular; F, estribo; G, nervo facial; H, processo cocleariforme; I, tensor do tímpano; J, sáculo; L, crista utricular inferior; M, canal semicircular lateral; N, seio do duto endolinfático; O, canal auditivo interno. Fig. 1.16 A, porção escamosa do osso temporal; B, porção petrosa do osso temporal; C, septo de Körner; D, ádito; E, martelo; F, bigorna; G, canal semicircular lateral. 16 PRINCÍPIOS DE OTORRINOLARINGOLOGIA: CIRURGIA DE CABEÇA E PESCOÇO Fig. 1.17 Otite média aguda. A, membrana timpânica; B, material purulento; C, mucosa espessada da orelha média. Fig. 1.18 Labirintite aguda. A, leucócitos; B, helicotrema; C, rampa do vestíbulo; D, rampa do tímpano; E, duto coclear. CAPÍTULO 1 / ANATOMIA DA ORELHA 17 Fig. 1.19 Sífilis congênita. A, alterações lêuticas na cápsula ótica; B, hidropsia endolinfática; C, canal auditivo interno. Fig. 1.20 Doença de Ménière. A, sáculo aumentado de volume contra a base; B, utrículo; C, duto coclear “distendido”; D, artéria carótida. 18 PRINCÍPIOS DE OTORRINOLARINGOLOGIA: CIRURGIA DE CABEÇA E PESCOÇO Fig. 1.21 Otosclerose. A, estribo; B, osso otosclerótico; C, sáculo; D, utrículo; E, canal auditivo interno; F, nervo facial; G, canal semicircular lateral. Fig. 1.22 Otosclerose. A, otosclerose histológica sem acometimento da base do estribo; B, ligamento anular. CAPÍTULO 1 / ANATOMIA DA ORELHA Fig. 1.23 Segundo arco: 19 Embriologia da aurícula. Quarta proeminência Quinta proeminência Sexta proeminência Anti-hélix (4) Antitrago (5) Lóbulo e hélix inferior (6) 7a semana: a formação de cartilagem está em desenvolvimento. 12a semana: a aurícula está formada pela fusão das proeminências. 20 a semana: tem a sua configuração adulta alongada, embora não alcance o seu tamanho adulto alongado até os 9 anos de idade. A concha é formada por três áreas separadas do primeiro sulco (ectoderma) (ver a Fig. 1.23). 1. Parte média do primeiro sulco: cavo da concha 2. Parte superior do primeiro sulco: cimba da concha 3. Parte mais baixa do primeiro sulco: incisivo intertrago Canal auditivo externo Durante a oitava semana de gestação, o ectoderma superficial na região da extremidade superior do primeiro sulco faríngeo (dorsal) torna-se mais espesso. Esse núcleo central de epitélio continua crescendo na direção da orelha média. Simultaneamente, o cavo da concha se aprofunda para formar o terço externo do canal auditivo externo. Por volta da vigésima primeira semana, tem início a reabsorção desse núcleo, “tornando-se oco” para formar um canal. A camada mais interna permanece para transformar-se na camada superficial da membrana timpânica. A formação do canal é completada na vigésima oitava semana. Por ocasião do nascimento, o canal auditivo externo não é ossificado nem pos- 20 PRINCÍPIOS DE OTORRINOLARINGOLOGIA: CIRURGIA DE CABEÇA E PESCOÇO sui as dimensões que terá na vida adulta. A ossificação será completada por volta dos 3 anos de idade, e o tamanho adulto é alcançado aos 9 anos. Trompa de Eustáquio e orelha média Durante a terceira semana de gestação, a primeira e segunda bolsas faríngeas estão localizadas lateralmente em ambos os lados do que virá a ser a língua oral e faríngea. Com o aumento de volume do terceiro arco, o espaço entre o segundo arco e a faringe (primeira bolsa) é comprimido, tornando-se a trompa de Eustáquio (tuba uterina). Os “bolsões” na extremidade lateral transformam-se no espaço da orelha média. Por causa da proximidade com o primeiro, segundo e terceiro arcos, o V, VII e IX nervos são encontrados na orelha média. Na décima semana, começa a pneumatização. O antro aparece na 23a semana. É interessante assinalar que a orelha média fica preenchida por tecido conjuntivo mucoide até a época do nascimento. A 28a semana marca o aparecimento da membrana timpânica, que deriva dos três tecidos. Ectoderma Mesoderma Endoderma Camada escamosa Camada fibrosa Camada mucosa Entre a 12a e a 18a semanas, emergem quatro sacos mucosos primários, transformando-se cada um deles em uma região anatômica específica da orelha média. Saco anterior Saco médio Saco superior Saco posterior Bolsa anterior de von Troltsch Epitímpano e área petrosa Bolsa posterior de von Troltsch, parte da mastoide, espaço incudal inferior Nichos para as janelas redonda e oval, seio do tímpano Ao nascer, o subepitélio embrionário é reabsorvido, e a pneumatização prossegue na orelha média, no antro e na mastoide. A pneumatização da porção petrosa do osso temporal, por ser a última a ocorrer, continua até a puberdade. A orelha média é bem-formada por ocasião do nascimento e aumenta de volume apenas ligeiramente no período pós-natal. Com 1 ano de idade, aparece o processo mastoide. Aos 3 anos, o anel timpânico e o canal ósseo estarão calcificados. A trompa de Eustáquio (tuba auditiva) mede cerca de 17 mm por ocasião do nascimento e cresce para 35 mm na vida adulta. Martelo e bigorna Durante a sexta semana do desenvolvimento embrionário, o martelo e a bigorna aparecem como uma massa única. Por volta da oitava semana, essas estruturas se mostram separadas, e forma-se a articulação maleoloincudal. A cabeça e o colo do martelo derivam da cartilagem de Meckel (primeiro arco mesodérmico), o processo anterior a partir do processo de Folius (osso mesenquimal), e o manúbrio a partir da cartilagem de Reichert (segundo arco mesodérmico). O corpo e o processo curto da bigorna têm origem na cartilagem de Meckel (primeiro arco mesodérmico), e o processo longo na cartilagem de Reichert (segundo arco mesodérmico). Na 16a semana, os ossículos alcançam seu tamanho adulto. Na 16a semana, a ossificação começa, aparecendo primeiro ao nível do processo longo da bigorna. Durante a 17a semana, o centro de ossificação torna-se visível na superfície medial do colo do martelo e se propaga para o manúbrio e a cabeça. Por ocasião do nascimento, o martelo e a bigorna exibem tamanho e formato adultos. A ossificação do martelo nunca é completa, permanecendo parte do manúbrio cartilaginosa. (O processo lenticular é conhecido também como “apófise de Sylvius” ou “processo lenticular da bigorna”.) CAPÍTULO 1 / ANATOMIA DA ORELHA 21 ESTRIBO Com quatro semanas e meia, as células mesenquimais do segundo arco se condensam para formar o blastema. O VII nervo divide o blastema em estribo, inter-hialino e lateral-hialino. Durante a sétima semana, o anel do estribo emerge ao redor da artéria estapédica. A lâmina estapediana, que é do mesênquima ótico, aparece para tornar-se a base do estribo e o ligamento anular. Com oito semanas e meia, terá sido formada a articulação incudoestapediana. O inter-hialino transforma-se em músculo e tendão do estapédio; o lateral-hialino torna-se a parede posterior da orelha média. Juntamente com a cápsula ótica, o lateral-hialino torna-se também o processo piramidal e o canal facial. Admite-se que a parte mais baixa do canal facial derive da cartilagem de Reichert. Durante a décima semana, o estribo modifica seu formato de anel para o formato de um estribo. No decorrer da 19a semana, começa a ossificação a partir da superfície obturadora da base estapedial, a qual se completa por volta da 28a semana, exceto para a superfície vestibular da base do estribo, que continua sendo cartilaginosa por toda a vida adulta. Por ocasião do nascimento, o estribo possui tamanho e formato adultos. Orelha interna Durante a terceira semana, o neuroectoderma e o ectoderma laterais ao primeiro sulco se condensam para formar o placoide ótico. Este último se envagina até ser submerso completamente e circundado pelo mesoderma, tornando-se o otocisto ou vesícula ótica na quarta semana. A quinta semana marca o aparecimento de uma parte dorsal larga e uma parte ventral delicada da vesícula ótica. Entre essas duas partes, surgem o duto e saco endolinfáticos. Durante a sexta semana, surgem os canais semicirculares, que pela oitava semana, juntamente com o utrículo, estarão plenamente formados. A formação do giro basal da cóclea ocorre no decorrer da sétima semana, e, por volta da 12a semana, terão sido desenvolvidos os dois giros e meio completos. O desenvolvimento do sáculo acompanha o do utrículo. Evidentemente, a parte superior (canais semicirculares e utrículo) se desenvolve antes da parte inferior (sáculo e cóclea). Considera-se que a formação do labirinto membranoso sem o órgão terminal terá sido concluída na 15a semana de gestação. Concomitantemente com a formação do labirinto membranoso, emergem os precursores da cápsula ótica durante a oitava semana como uma condensação da pré-cartilagem mesenquimal. Os 14 centros de ossificação podem ser identificados na 15a semana, e a ossificação terá sido completada durante a 23a semana de gestação. A última área de ossificação é a fissura ante fenestram, que pode permanecer cartilaginosa durante toda a vida. Com exceção do saco endolinfático, que continua crescendo até a vida adulta, os labirintos membranoso e ósseo exibem sua dimensão adulta na 23a semana de desenvolvimento embrionário. O saco endolinfático é o primeiro a aparecer e o último a parar de crescer. Na terceira semana, aparece primeiro a mácula comum. Sua parte superior se diferencia em mácula utricular e nas cristas dos canais semicirculares superior e lateral, enquanto a parte inferior torna-se a mácula do sáculo e da crista do canal semicircular posterior. Durante a oitava semana, podem ser identificadas duas cristas de células assim como as estrias vasculares. No decorrer da 11a semana, são formados os órgãos terminais vestibulares, completos com células sensoriais e de apoio. Durante a 12a semana, é completado o desenvolvimento das estrias vasculares e da membrana tectorial. No decorrer da 23a semana, as duas cristas de células se dividem em células da crista interna e células da crista externa. As células da crista interna tornam-se o limbo espiral; as da crista externa se transformam em células pilosas, células dos pilares, células de Hensen e células de Deiters. Durante a 26a semana, são formados o túnel de Corti e o canal de Nuel. As células da crista neural laterais ao rombencéfalo se condensam para formar o gânglio acústicofacial, que se diferencia em gânglio geniculado facial, gânglio vestibular superior (utrículo e canais semicirculares superior e horizontal) e gânglio inferior (sáculo, canal semicircular posterior e cóclea). 22 PRINCÍPIOS DE OTORRINOLARINGOLOGIA: CIRURGIA DE CABEÇA E PESCOÇO Ao nascer, podem ser identificados quatro elementos do osso temporal: osso petroso, osso escamoso, anel timpânico e processo estiloide. O antro mastoide já está presente, mas o processo mastoide só será formado no final do segundo ano de vida; a pneumatização da mastoide se processa logo a seguir. O anel timpânico se estende lateralmente após o nascimento, formando o canal ósseo. INFORMAÇÃO CLÍNICA 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. A microtia congênita ocorre em cerca de 1: 20.000 nascimentos. A aurícula é formada precocemente. Por isso, a malformação da aurícula implica malformação da orelha média, da mastoide e do VII nervo. Por outro lado, uma aurícula normal com atresia do canal indica desenvolvimento anormal durante a 28a semana, época na qual os ossículos e a orelha média já estão formados. A fusão inadequada do primeiro e segundo arcos branquiais resulta na formação de um espaço sinusal pré-auricular (revestido por epitélio). A malformação do primeiro arco e do sulco branquiais resulta em: a. Anormalidade da aurícula (primeiro e segundo arcos) b. Atresia do meato ósseo (primeiro sulco) c. Bigorna e martelo anormais (primeiro e segundo arcos) d. Mandíbula anormal (primeiro arco) Quando a moxila também se encontra malformada, este conjunto de achados clínicos é chamado de síndrome de Treacher Collins (disostose mandibulofacial). a. Olhos inclinados para baixo e para fora (antimongólicos) b. Pálpebra inferior fendida c. Mandíbula encurtada d. Atresia meatal óssea e. Malformação do martelo e da bigorna f. “Boca de peixe” As anormalidades da cápsula ótica e do labirinto mostram-se raras, pois essas estruturas são filogeneticamente antigas. Estima-se uma incidência de 20 a 30% da porção timpânica deiscente do VII nervo. A incidência da ausência do tendão, do músculo e da eminência piramidal do estribo é estimada em 1%. Dos cistos pré-auriculares, 20% são bilaterais. Em lactentes muito pequenos, a fissura de Hyrtl proporciona uma extensão direta da infecção da orelha média para os espaços subaracnóideos. A fissura se fecha à medida que o lactente cresce. A fissura de Hyrtl se estende do espaço subaracnóideo próximo do gânglio glossofaríngeo até o hipotímpano imediatamente abaixo e adiante da janela redonda.1 Referência 1. Eggston AA, Wolff D. Histopathology of the Ear, Nose and Throat. Baltimore, MD: Williams & Wilkins; 1947. CAPÍTULO 1 / ANATOMIA DA ORELHA Bibliografia Allam A. Pneumatization of the temporal bone. Ann Otol Rhinol Laryngol. 1969;78:49. Anson B, Donaldson JA. Surgical Anatomy of the Temporal Bone. 3rd ed. Philadelphia, PA: WB Saunders; 1980. Bailey B. Head and Neck Surgery—Otolaryngology. Vols 1 & 2. Philadelphia, PA: JB Lippincott; 1993. Ballenger JJ. Diseases of the Nose, Throat, Ear, Head and Neck. 13th ed. Philadelphia, PA: Lea & Febiger; 1985. Hough J. Malformations and anatomical variations seen in the middle ear during the operation for mobilization of the stapes. Laryngoscope. 1958;68: 1337. Hough JVD. Malformations and Anatomical Variations Seen in the Middle Ear during Operations on the Stapes. American Academy of Ophthalmology and Otolaryngology Manual; 1961. 23 May M. Anatomy of the facial nerve (spacial orientation of fibres in the temporal bone). Laryngoscope. 1973; 83:1311. Moore GF, Ogren FP, et al. Anatomy and embryology of the ear. In: Lee KJ, ed. Textbook of Otolaryngology and Head and Neck Surgery. New York, NY: Elsevier Science Publishing Co, Inc; 1989. 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