31-01-2007

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O SENHOR LUIZ BITTENCOURT (PMDB-GO. Pronuncia o seguinte
discurso: Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, um alerta geral ecoou
no mundo todo através de relatório preliminar sobre o clima na Terra do
Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC), que foi
criado em 1988 pela Organização Meteorológica Mundial e pelo
Programa Ambiental da ONU para orientar as políticas globais sobre o
aquecimento. Se nada for feito nos próximos anos, o aquecimento global
fará com que milhões de pessoas passem fome por volta de 2080 e
causará grave falta de água na China, na Austrália e em partes da
Europa e Estados Unidos.
Segundo o novo estudo sobre o clima mundial, até o final do
século as alterações climáticas farão com que a escassez de água afete
entre 1,1 e 3,2 bilhões de pessoas, com um aumento médio de
temperatura na ordem de 2 a 3 graus Celsius. O relatório preliminar do
Painel Intergovernamental para a Mudança Climática, cujo texto final
será divulgado em abril, diz ainda que outros 200 a 600 milhões de
pessoas enfrentarão falta de alimentos nos 70 anos seguintes, enquanto
inundações litorâneas podem tragar outras 7 milhões de casas.
De acordo com o australiano Graeme Pearman, um dos
responsáveis pelo relatório, a mensagem é que cada região da Terra
terá uma exposição ao aquecimento. Ex-diretor de clima Organização da
Comunidade Científica e de Pesquisa Industrial, principal órgão
australiano do setor na Austrália, países como a China, o mais populoso
do mundo, vão perder precipitações pluviométricas consideráveis em
suas áreas agrícolas. Segundo ele, países pobres, como os da África e
Bangladesh, seriam os mais afetados, por serem os menos capazes de
lidarem com secas e inundações litorâneas.
Até 2100 a previsão é de que temperatura média do mundo estará
de 2 a 4,5C acima dos níveis pré-industriais, sendo que a estimativa
mais provável é de 3C, gerando conseqüências terríveis em todo o
nosso planeta. No Brasil, sem falar da floresta amazônica. uma das
regiões mais afetadas será o Centro-Oeste, o que pode colocar em risco
o bioma do cerrado, não só uma das vegetações mais ricas em
diversidade da Terra, mas a principal e talvez mais promissora fronteira
agrícola na produção de grãos do mundo.
O efeito estufa e as constantes agressões ao meio ambiente estão
na raiz do problema do aquecimento global. Os países em
desenvolvimento, entre eles a China, são apontados como os maiores
poluidores do planeta. São vários os fatores, apontados por ecologistas
e cientistas, que provocam essas mudanças climáticas. Além do efeito
estufa, há ainda o buraco na camada de ozônio, poluição atmosférica e
aumento na produção de gás carbônico. A principal conseqüência do
aquecimento é o aumento da temperatura dos oceanos e o derretimento
das geleiras.
Entre previsões apocalípticas e a realidade pode haver uma
grande distância, mas projeções com modelos matemáticos que agora
estão vindo a público provam de fato que o planeta está ficando cada
mais quente e o nível do mar está subindo, o que pode produzir danos
de curto prazo na qualidade de vida no planeta.
Cientistas como Pearman dizem que ainda há muito que se pode
fazer para lidar com o aquecimento. Segundo ele, as projeções no
relatório do IPCC se baseiam na pressuposição de que somos lentos em
reagir e que as coisas continuam mais ou menos como no passado.
Evitar os efeitos catastróficos do aquecimento global precisa fazer parte
dos esforços de todos os países, tanto ricos como pobres.
Como disse com muita propriedade a ministra brasileira do Meio
Ambiente, Marina Silva, é preciso acabar com o "jogo de empurraempurra" e tomar medidas efetivas para enfrentar o problema. Acima de
tudo, torna imperativo que a variável ambiental seja preponderante no
processo de desenvolvimento dos países. Sem isso, estaremos
construindo um futuro de trágicas configurações para os nossos filhos.
Que o alerta do estudo do Painel Intergovernamental para a
Mudança Climática seja ouvido pelos governantes de todo o mundo e
desperte para uma nova consciência ambiental.
Era o que a dizer, senhor Presidente.
Muito obrigado.
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