1 SOCIEDADE BRASILEIRA DE TERAPIA INTENSIVA – SOBRATI

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SOCIEDADE BRASILEIRA DE TERAPIA INTENSIVA – SOBRATI
MESTRADO PROFISSIONALIZANTE EM TERAPIA INTENSIVA
ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: ENFERMAGEM E FISIOTERAPIA
CRISTIANE FAUSTINO SILVA
E
PAULA SANTOS
CUIDADOS PRESTADOS DURANTE O TRANSPORTE DO PACIENTE
CRÍTICO, DEPENDENTE DE NORADRENALINA E NECESSITANDO DE
PEEP TERAPÊUTICA: UMA VISÃO DO ENFERMEIRO E DO
FISIOTERAPEUTA
Orientador: MST. Carlos Eduardo M. Pinho
RIO DE JANEIRO-RJ
NOVEMBRO / 2011
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SILVA, CRISTIANE FAUSTINO. Cuidados prestados durante o transporte do
paciente crítico, dependente de noradrenalina, necessitando de PEEP Terapêutica: Uma
visão do enfermeiro. Rio de Janeiro, 14p. Dissertação de Mestrado – Sociedade
Brasileira de Terapia Intensiva – SOBRATI.
RESUMO
Cada vez mais, aprimora-se o atendimento hospitalar aos pacientes em situação
crítica e que precisam beneficiar-se das técnicas da imagiologia médica.
Frequentemente, esses pacientes precisam ser transportados da unidade de
tratamento intensivo, mantendo-se o mesmo nível de cuidado existente no interior
da referida unidade, sem problemas. Este artigo aborda a importância da equipe
multidisciplinar no transporte de doentes em estado crítico, de modo a manter o
nível de atendimento hospitalar nos diversos momentos e fases por que passa o
traslado dos mesmos quando em situação de instabilidade hemodinâmica e
dependente de noradrenalina. Eles vêm sendo beneficiados pelo aprimoramento da
tecnologia do diagnóstico e, muitas vezes, para ter acesso a tais benefícios,
precisam ser removidos da unidade de tratamento intensivo. A finalidade deste
paper é refletir sobre os estágios envolvidos nesse tipo de transporte e de cuidado, a
cargo da equipe multidisciplinar.
Palavras-Chaves: Transporte de Pacientes, Tratamento Intensivo. Monitoramento.
Transferência de pacientes, PEEP, instabilidade hemodinâmica, Noradrenalina.
SILVA, CRISTIANE FAUSTINO. Care during transport of critically ill patients,
noradrenaline-dependent, requiring PEEP therapy: A view of the nurse. Rio de Janeiro,
14p. Dissertation - Brazilian Society of Intensive Care - SOBRATI.
ABSTRACT
The hospital is increasingly raising the care of critically ill patients who have been
benefited by the technology of diagnostic imaging and, often, these patients need to be
transported out of the intensive care unit in order to maintain the same level of
monitoring within unit with no problems. This article addresses the importance of the
multidisciplinary team in the transport of critically ill patients, in order to reflect on the
various moments, phases involved in the transport and care-hospital in its various forms
in relation to patients in hemodynamic instability and dependents of noradrenaline.
These patients have been benefited by the technology of diagnosis and, often, to have
access to these benefits need to be removed out of the intensive care unit. The aim of
this paper is to reflect on the stages involved in the transport and care, the
multidisciplinary team.
Keywords: Transport of Patients. Intensive Care. Monitoring. Transfer of patients,
PEEP, hemodynamic instability, Noradrenaline.
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1. INTRODUÇÃO
Este trabalho aborda a importância da equipe multidisciplinar no transporte do paciente
critico, com o objetivo de refletir sobre os vários momentos, fases e cuidados envolvidos no
transporte intra-hospitalar em suas diversas modalidades em relação aos pacientes em
instabilidade hemodinâmica e dependentes de noradrenalina.
Estes pacientes tem sido beneficiados pela tecnologia de diagnostico e quase sempre
para ter acesso a estes benefícios, precisam ser removidos para fora da área de cuidados
intensivos. A melhora significativa dos cuidados prestados durante o transporte do paciente
critico dependente de noradrenalina e PEEP terapêutica. . É de suma importância que o
enfermeiro saiba que e as indicações da PEEP são: DPOC; SARA; Asma; Edema agudo
pulmonar cardiogênico; Atelectasia; derrame pleural; pneumotórax drenado; obesidade mórbida
Quanto às contra-indicações absolutas do uso da PEEP destacam-se: Choque cardiogênico;
pneumotórax (não drenado); fístula bronco-pleural.
Nos últimos anos a utilização da reanimação agressiva e á implementação de novos
tratamentos nos levam a um diagnostico precoce em que, é de extrema importância para o
tratamento dos pacientes em instabilidade hemodinâmica e dependentes de noradrenalina, com
base em uma serie de sinais de choque séptico, disfunção hemodinâmica e falência de órgãos.
Segundo o Conselho Federal de Enfermagem N° 376/2011 Dispõe sobre a participação da
equipe de Enfermagem no processo de transporte de pacientes em ambiente interno aos serviços
de saúde.
O COFEN no uso das atribuições que lhe são conferidas pela Lei nº 5.905, de 12 de
julho de 1973, e pelo Regimento da Autarquia, aprovado pela Resolução Cofen nº 242, de 31 de
agosto de 2000. Neste caso um número mínimo de duas pessoas é necessário, para ser capaz de
providenciar suporte de vias aéreas, interpretarem possíveis alterações cardiovasculares e
respiratórias e que estejam aptos a lidar com possíveis problemas técnicos nos vários
equipamentos.
Assim, podem fazer parte da equipe de transporte o enfermeiro, fisioterapeuta, médico,
auxiliares, técnicos de enfermagem e um anestesista. 6.9.12
A equipe deve redobrar os cuidados quando o paciente for transferido para outro leito,
pois são no momento da passagem do paciente para outras macas, camas ou mesas, que ocorrem
os maiores problemas.
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2. CONTEXTUALIZAÇÃO
2.1 ALTERAÇÕES HEMIDINÂMICAS
Adultos e crianças apresentam respostas diferentes que precisam ser consideradas
entre os pacientes adultos, as alterações hemodinâmicas mais comuns incluem
Resistência Vascular Sistêmica reduzida e débito cardíaco elevado.
A RVS é reduzida devido à baixa resposta às catecolaminas, a alterações na
transdução do sinal do receptor α-adrenérgico e à elaboração de óxido nítrico sintase
induzida.
Após a carga de volume, o débito cardíaco aumenta, apesar da fração de ejeção
reduzida, em conseqüência das respostas compensatórias que incluem dilatação
ventricular e aumento da freqüência cardíaca. 1, 9, 11,20.
Comumente há hipovolemia associada à má distribuição do débito cardíaco. Na
presença de desconforto respiratório, uma intubação traqueal eletiva seguida de
ventilação mecânica ajuda a redistribuir o fluxo sangüíneo dos músculos respiratórios
para outros órgãos vitais. Entretanto, é essencial que haja uma reanimação adequada com
fluidos antes da intubação, já que a mudança da respiração espontânea para a ventilação
com pressão positiva irá reduzir a pré-carga efetiva no coração.
A má distribuição do fluxo sangüíneo com hipoperfusão da circulação esplênica,
mesmo quando o débito cardíaco total estiver normal ou elevado, representa um grande
desafio. Um dos efeitos benéficos de vasopressores potentes é o redirecionamento do
fluxo sangüíneo dos músculos esqueléticos para a circulação. 4.5.8.
Os vasopressores aumentam a RVS, elevando o tônus da circulação arterial, e os
vasodilatadores reduzem a resistência arterial, resultando em uma pós-carga menor e em
um débito cardíaco elevado sem afetar a contratilidade. 15.17.18.
5
2.2.1 NORADRENALINA
O tratamento com vasopressores é iniciado para restaurar a perfusão nos órgãos
vitais. Embora os medicamentos tenham atividade vasopressora, a noradrenalina também
possui um pouco de atividade inotrópica e podem aumentar a freqüência cardíaca e a
contratilidade. 2.7.14.19.
A noradrenalina é um agente direto naturalmente produzido na glândula adrenal.
Trata-se de um vasopressor potente que redireciona o fluxo sangüíneo do músculo
esquelético para a circulação esplênica mesmo na vigência de débito cardíaco reduzido.
9.15.20.
Vários estudos têm descrito a habilidade da noradrenalina em restaurar a
estabilidade hemodinâmica em pacientes adequadamente reanimados com reposição
volêmica que não responderam ao tratamento com dopamina. Quando comparada com a
dopamina, a reanimação com noradrenalina está associada à resolução mais rápida da
acidose láctica. 2.4.13
É indicada em situações de baixa resistência vascular periférica (Choque séptico,
distributivo). A dose inicial pode ser 0,05 kg/min até 2kg/min. É de suma importância
que e a enfermagem monitore a perfusão tissular. Normalmente pacientes com dripping
de noradrenalina dispõe de uma punção invasiva (PAM), a qual a monitorização da
pressão arterial é registrada no balanço hídrico de 1/1h.
As doses excessivas de noradrenalina podem ser evitadas e as complicações
secundárias à vasoconstrição excessiva podem ser minimizadas através do fornecimento
de reanimação volêmica adequada.
Em segundo lugar, um débito cardíaco adequado é mantido através de técnicas de
monitoramento clínicas, laboratoriais e/ou invasivas.
Em pacientes com comprometimento da contratilidade, a pós-carga adicional
imposta pela noradrenalina pode afetar seriamente o débito cardíaco. 9.13.20.
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3. A ENFERMAGEM NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA (UTI)
A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) hospitalar dispõe assistência médica e de
enfermagem ininterruptas, equipamentos específicos, recursos humanos qualificados e
tecnologias diagnósticas e terapêuticas sofisticadas. De acordo com o Ministério da
Saúde, a UTI é um local destinado a profissionais da saúde, principalmente médicos e
enfermeiros, possuidores de grande conhecimento e destreza para a realização de
procedimentos, visto que podem se defrontar com situações cujas decisões definem o
limite entre a vida ou a morte das pessoas. 3.4.5.
Com relação à enfermagem, a UTI implica em elevada carga de trabalho devido
à pacientes sujeitos às constantes alterações hemodinâmicas e iminente risco de morte,
os quais exigem cuidados complexos, atenção ininterrupta e tomada de decisões
imediatas. Para garantir a qualidade do cuidado de enfermagem em UTI é necessário o
número adequado de profissionais da equipe para o cuidado de qualidade da estrutura
do serviço. 4.5.7.
Os recursos humanos de enfermagem devem considerar as atividades realizadas,
a complexidade e a necessidade de qualificação técnica específica, a tecnologia
necessária, os recursos técnicos e materiais disponíveis, as características de ordem
técnica, científica e pessoal dos trabalhadores que compõem o quadro funcional. 2.3.5
3.1 PEEP TERAPÊUTICA (Pressão Positiva no Final da Expiração)
O principal efeito da PEEP é o aumento da capacidade residual funcional, que
retarda a expiração e um maior volume de gás fica aprisionado nos pulmões ao final da
expiração. O processo facilita as trocas gasosas, elevam o PO2 no sangue e reduz o
efeito shunt. Como conseqüência, há uma elevação da complacência pulmonar, que
aumenta a pressão intratorácica. É de suma importância que o enfermeiro conheça os
efeitos da PEEP, para saber intervir junto à equipe. Os principais efeitos da PEEP são:
Efeitos Pulmonares: Ocorre aumento da capacidade residual funcional;
aumento da complacência; aumento da PO2; redução do efeito shunt; redistribuição do
líquido par ao espaço extravascular; recrutamento alveolar.
Efeitos Deletérios: Barotrauma; diminuição da pressão arterial; hiperdistensão
alveolar; aumento do efeito espaço morto; alteração da biomecânica da musculatura
respiratória; redução do débito urinário; Os efeitos do Barotrauma em geral são
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Pneumotórax, fístula bronco-pleural, pneumomediastino, pneumoperitônio, embolia
gasosa, enfisema subcutâneo.
As principais indicações da PEEP são: DPOC; SARA; Asma; Edema agudo
pulmonar cardiogênico; Atelectasia; derrame pleural; pneumotórax drenado; obesidade
mórbida. Quanto às contra-indicações absolutas do uso da PEEP destacam-se: Choque
cardiogênico; pneumotórax (não drenado); fístula bronco-pleural.
3.2 BENEFÍFICIOS E MALEFÍCIOS DA PEEP
São vários os benefícios da PEEP, dentre eles os benefícios fisiológicos e os
clínicos.
3.2.1 Benefícios Fisiológicos:

Manter ou modificar a troca gasosa pulmonar;

Aumentar o volume pulmonar;

Reduzir o trabalho muscular respiratório.
3.2.2 Benefícios Clínicos:

Reverter hipoxemia (aumentando o volume pulmonar, diminuindo o
consumo de oxigênio e aumentando a oferta de oxigênio)

Reverter acidose respiratória;

Reduz desconforto respiratório;

Reduz pressão intracraniana;

Serve para estabilizar a parede torácica.
Entretanto, a administração de valores maiores de PEEP tem desvantagens
como à depressão circulatória e um maior risco de hiperdistensão pulmonar. Além
disso, pode haver diversas complicações.
As
complicações
podem
ser
vários
tipos:
Barotrauma,
volutrauma,
comprometimento da função de outros órgãos e sistemas, problemas relacionados à
intubação traqueal e infecção.
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3.3 INTERAÇÃO DA VENTILAÇÃO E PERFUSÃO
A interação direta entre o ciclo sanguínea ciclo e o ciclo pulmonar pode-se
verificar desta forma, como equilíbrio entre o sangue e o gás determina a eficácia das
trocas gasosas. A primeira impressão é de que o pulmão é ventilado e perfundido da
mesma forma em todas as suas regiões.
A relação entre ventilação e perfusão mede a funcionalidade do sistema
respiratório, tendo como principal função do sistema respiratório é colocar o sangue
em contato com ar atmosférico. É de suma importância a compreensão de como se
processa a interação entre a perfusão sanguínea e a ventilação, a nível alveolar e
pulmonar. A capacidade de ventilação e a perfusão sanguínea alveolar devem estar
em homeostasia, para ocorrer uma perfeita troca gasosa.
Esta relação acontece de forma bem diversificada. O resultado da relação V/Q
fisiológico gira em torno de 0,8 a < 1, mede a funcionalidade do sistema respiratório.
De uma forma regional obteremos uma relação V/Q melhor nas bases pulmonares.
Não se deve confundir melhor com maior, a relação V/Q é maior nos ápices
pulmonares do que nas bases, pois neste ponto perfusão é muito inferior em relação à
ventilação, então, entende-se que as trocas gasosas são mais eficazes nas bases, em
um pulmão sadio. A relação ventilação/perfusão ideal é 1, ou seja, V=P.
O desequilíbrio da relação V/Q leva sempre a hipoxemia, isto é a redução da
concentração de oxigênio no sangue. Algumas situações levam ao desiquilíbrio da
relação V/Q, tais como: Efeito Shunt; Efeito Espaço Morto.
3.3.1 Distribuição da perfusão:
O fluxo sanguíneo dos pulmões possui uma distribuição regional, por
exemplo, a área acima do coração recebe menos sangue que as áreas abaixo
isso por causa da gravidade.
Para cada cm do pulmão acima do coração perde-se 1cm/H2O pressão
hidrostática, por isso há regiões no pulmão que:
1. Quase nunca são perfundidas por sangue.
2. Aonde o sangue chega apenas durante a sístole.
3. Outras aonde o sangue chega durante a sístole e a diástole.
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A relação ventilação/perfusão ideal é 1 ou seja V=P.
A relação V/P no pulmão todo é cerca de 0,8.
Distribuição Da Ventilação: A ventilação é maior na base pulmonar e vai
decrescendo em direção ao ápice.
Distribuição Da Perfusão: Nos pulmões há dois tipos de circulação a pulmonar
(finalidade de fazer as trocas gasosas) e a brônquica (que faz a nutrição do
pulmão).
FONTE: poderdasmaos.com
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4. CUIDADOS PRESTADOS DURANTE O TRANSPORTE DO PACIENTE
CRÍTICO, DEPENDENTE DE NORADRENALINA, NECESSITANDO DE PPEP
TERAPÊUTICA: UMA VISÃO DO ENFERMEIRO.
COFEN N° 376/2011 Dispõe sobre a participação da equipe de Enfermagem no
processo de transporte de pacientes em ambiente interno aos serviços de saúde.
O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), no uso das atribuições que lhe são
conferidas pela Lei nº 5.905, de 12 de julho de 1973, e pelo Regimento da Autarquia,
aprovado pela Resolução Cofen nº 242, de 31 de agosto de 2000.
I – na etapa de planejamento, deve o Enfermeiro da Unidade de origem:
a)
avaliar
o
estado
geral
do
paciente;
b) antecipar possíveis instabilidades e complicações no estado geral do paciente;
c)
prover
equipamentos
necessários
à
assistência
durante
o
transporte;
d) prever necessidade de vigilância e intervenção terapêutica durante o transporte;
e) avaliar distância a percorrer, possíveis obstáculos e tempo a ser despendido até o
destino;
f) selecionar o meio de transporte que atenda as necessidades de segurança do paciente;
g) definir o (s) profissional (is) de Enfermagem que assistira o paciente durante o
transporte;
e
h) realizar comunicação entre a Unidade de origem e a Unidade receptora do paciente.
O transporte do paciente crítico sempre envolve uma série de riscos, sendo
problema freqüente a falha no controle das funções cardiorespiratórias, resultando em
instabilidade hemodinâmica com prejuízo da oxigenação tecidual, que pode trazer sérias
conseqüências. Podem ainda ocorrer outras alterações, tais como hipertensão grave,
arritmias, obstrução aérea, entre várias outras. As causas dessas alterações não são
sempre facilmente explicadas, porque elas podem não ser detectadas sem monitorização
adequada. Tais alterações podem ser devidas a complicações respiratórias e cardíacas
resultantes da dor provocada pelo movimento do paciente no seu deslocamento, ou
alterações decorrentes da mudança de decúbito do paciente. Outras são decorrentes de
falhas técnicas como a interrupção acidental da infusão endovenosa de aminas
11
vasoativas, a perda de pressão nos cilindros de oxigênio e outras explicações plausíveis.
13.20
O risco ao paciente durante o transporte pode ser minimizado por meio de um
planejamento cuidadoso, qualificação do pessoal responsável pelo transporte e seleção
de equipamentos adequados. O grupo de pacientes com maiores chances de deterioração
do quadro clínico durante o transporte parece ser daqueles com falência respiratória e
baixa complacência pulmonar, identificados por necessitarem de elevada PEEP durante
a ventilação mecânica. Embora muitos serviços ainda utilizem a ventilação manual
(AMBU), estudos recentes mostram que a utilização de ventiladores de transporte com
pressão de suporte são capazes de manter uma ventilação mais consistente, quando se
analisa a relação PaO2/FiO2, comparando-se pacientes ventilados manualmente e com
ventiladores mecânicos. 13; 20
A ventilação manual resulta em colapso alveolar, diminuição da complacência, é
freqüente considerarmos como mais graves e de maior risco no transporte, os pacientes
com necessidade de PEEP > 14 cm H2O e aqueles em uso de drogas vasoativas, como
noradrenalina. 9.13.20
Os equipamentos para monitorização têm resolvido muitos dos problemas
associados com a falta de espaço. Além disso, métodos diagnósticos portáteis, como é o
caso do ultrassom, Doppler transcraniano e eletroencefalografia poderão diminuir a
necessidade de transporte dos pacientes críticos. Um número mínimo de duas pessoas é
necessário, para ser capaz de providenciar suporte de vias aéreas, interpretarem
possíveis alterações cardiovasculares e respiratórias e que estejam aptos a lidar com
possíveis problemas técnicos nos vários equipamentos. Assim, podem fazer parte da
equipe de transporte o enfermeiro, fisioterapeuta, médico, auxiliares e técnicos de
enfermagem. 6.9.12
É fundamental avaliar a necessidade individual dos equipamentos para o
transporte de cada paciente, a fim de evitar a sua ausência ou falta de funcionamento
longe do local de origem, onde os mesmos podem não estar disponíveis. 9.16.18
A medida e o controle acurado do PEEP durante o transporte não é fácil,
particularmente quando há alterações na postura do paciente, sedação e alterações do
fluxo sangüíneo pulmonar, que podem contribuir para o aumento do “shunt” pulmonar.
9.13.20.
12
O controle mais rigoroso dos parâmetros ventilatórios é exigido nos pacientes com
síndrome da angústia respiratória aguda (SARA), pois a redução acentuada da complacência
pulmonar leva ao colapso não homogêneo dos alvéolos, perda da capacidade residual funcional
e aumento do “shunt” intrapulmonar, com alterações da relação ventilação/perfusão.
Assim, tais pacientes necessitam de ventiladores mecânicos que tenham a possibilidade
de promover níveis elevados de PEEP e novos modos de ventilação mecânica, tais como
pressão controlada, pressão controlada com inversão da relação inspiração: expiração certa para
oxigenação e ventilação mais efetivas. 5.8.13.20.
Deve certificar-se que o cilindro de oxigênio esteja carregado e adotar um fluxo
necessário para manter a saturação de oxigênio maior que 94%, registrado no oxímetro de pulso.
Uma caixa de medicações de emergências deve acompanhar o transporte do paciente
crítico, dentre eles a noradrenalina, além de adrenalina, amiodarona, lidocaína, atropina,
bicarbonato de sódio, adenosina, cloreto de cálcio, dexametasona, dopamina, furosemida,
manitol, magnésio, naloxone, nitroglicerina, nitroprussiato de sódio, fenitoína, cloreto de
potássio e benzo-diazepínicos. Deve-se antecipar a necessidade de medicações prescritas para o
paciente, particularmente, quando o seu uso for intermitente, como é o caso da sedação e
bloqueadores neuromusculares. 1.2.4.20.
A equipe deve redobrar os cuidados quando o paciente for transferido para outro leito,
pois são no momento da passagem do paciente para outras macas, camas ou mesas, que ocorrem
os maiores problemas.
Não é obrigatória a presença de equipamentos de reanimação cardiopulmonar e de
sucção para acompanhar cada paciente que está sendo transportado, porém tais equipamentos
devem estar localizados em áreas usadas por pacientes críticos e devem estar disponíveis dentro
de, no máximo 4 minutos, para atender emergências que possam ocorrer no transporte.
7.8.13.20.
Alguns pacientes selecionados podem se beneficiar da monitorização da capnografia,
pressão arterial invasiva, pressão da artéria pulmonar e pressão intracraniana e medidas da
pressão venosa central, pressão capilar pulmonar e débito cardíaco. Nos pacientes intubados que
estão conectados a um ventilador mecânico, a pressão das vias aéreas deve ser monitorizada.
1.2.5.8.
É notada a importância da fase preparatória do transporte, pois com a seleção e
manutenção prévia dos materiais e equipamentos necessários, a grande maioria das
intercorrências pode ser evitada.
13
5. METODOLOGIA
A Metodologia é a utilização de métodos e técnicas para validar uma pesquisa
Portanto, para este trabalho foi inicialmente realizada uma revisão bibliográfica e web
gráfica, com método descritivo, complementada por uma discussão de dados ao mesmo
tempo quantitativa e qualitativa por se adequar e permitir compreender melhor a
abordagem do tema selecionado.
A natureza qualitativa da pesquisa permite uma melhor compreensão do objeto
de estudo, por mostrar um nível de realidade que não há como ser quantificada,
proporcionando uma explicação mais profunda sobre os dados coletados e reunidos
durante a pesquisa. Segundo Minayo (2003, p.21 e 22) “a pesquisa qualitativa responde
a questões muito particulares.
“Ela se preocupa com um nível de realidade que não pode ser
quantificada, ou seja, ela trabalha com o universo de
significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o
que corresponde a um espaço mais profundo das realizações,
processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos a
operacionalização de variáveis”.
O método descritivo procura descobrir com mais precisão a frequência entre um
fenômeno e os diversos fatores a ele relacionados. E, nesse sentido, é um método
bastante pertinente a este estudo, devido ao fato de o enfermeiro ter necessidade de
conhecer os fatores que podem contribuir positivamente ou negativamente. Segundo
Barros e Lehfeld (2000, p.70):
“Neste tipo de pesquisa não há interferência do
pesquisador, isto é, ele descreve o objeto de pesquisa.
Procura descobrir a freqüência com que um fenômeno
ocorre, sua natureza, características, causas, relações e
conexões com outros fenômenos”.
Vale ressaltar que a pesquisa bibliográfica/web gráfica é uma das que mais
auxiliam o pesquisador, o que é afirmado por Vergara (2003, p.48):
14
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pacientes graves, quando transportados apresentam maior morbidade e
mortalidade, que podem ser minimizados se o transporte for planejado de forma
consistente, se os recursos humanos forem bem preparados e se os equipamentos forem
adequados. A impossibilidade de prover adequada oxigenação e ventilação, manter a
estabilidade hemodinâmica e as vias aéreas livres durante o transporte contra indica sua
realização.
As Unidades de Terapia Intensiva deveriam desenvolver protocolos para o
transporte de pacientes graves com especificação sobre os pontos críticos. Pontos
relevantes em que o enfermeiro tem a obrigação de observar: A comunicação entre a
equipe, os equipamentos e a monitorização correta do paciente. Visto que esse paciente
pode ser de baixo risco ou alto risco.
Concluo que o número de pessoas que participarão do transporte é variável, de
acordo com a gravidade e complexidade da situação clínica do paciente e do número de
equipamentos exigidos. Devo ressaltar que uma das atribuições do enfermeiro é sempre
verificar as infusões e drogas que o paciente esta recebendo estão devidamente corretas,
garantindo o volume suficiente até o seu retorno.
Ratifico que o paciente crítico com instabilidade hemodinâmica com dose alta de
noradrenalina não pode ser transportado. Portanto, deve-se considerar um período de
meia à uma hora após o transporte como uma fase de extensão do mesmo. Em fim esta
dissertação nos leva a refletir a importância de se realizar o transporte do paciente
critico com uma equipe qualificada e com destreza para atuarem nas possíveis
intercorrências que podem vim acontecer durante todo o processo do transporte. Afirmo
que a educação continuada dos profissionais de saúde que atuam em UTI é primordial
para manter a qualidade do serviço de transporte.
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