educação fisica, música e infancia: reflexões acerca da indústria

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UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA
ESCOLAR
GISELE SILVA SOUZA
EDUCAÇÃO FISICA, MÚSICA E INFANCIA: REFLEXÕES
ACERCA DA INDÚSTRIA CULTURAL
CRICIÚMA, NOVEMBRO DE 2010
GISELE SILVA SOUZA
EDUCAÇÃO FISICA, MÚSICA E INFANCIA: REFLEXÕES
ACERCA DA INDÚSTRIA CULTURAL
Monografia apresentada à Diretoria de Pósgraduação da Universidade do Extremo Sul
Catarinense- UNESC, para a obtenção do título
de especialista em Educação Física Escolar
Orientador: Prof MSc. Ana Lúcia Cardoso
CRICIÚMA, NOVEMBRO DE 2010
Dedico esse trabalho primeiramente a Deus,
que tem me capacitado e me dado força
durante essa jornada. Dedico também a
minha mãe Quitéria que sempre me apoio e
apóia
para
que
continue
crescendo profissionalmente.
buscando
e
AGRADECIMENTO
A minha mãe Quitéria que sempre me apoiou
em tudo e me fez ser a pessoa que hoje sou.
A amiga Deyse que vem fazendo meus dias
mais felizes desde a pré escola.
Ao Henrique, que sempre esteve presente e
conseguia, com seu humor irônico, fazer com
que nossos finais de semana fosse bem mais
divertidos.
Aos professores e colaboradores
conhecimentos transmitidos.
pelos
A minha orientadora Ana Lúcia, que esteve
presente sempre e não desistiu em momento
algum para que esse trabalho se concretiza-se.
A todos que direta ou indiretamente
contribuíram para a realização de mais um
sonho.
“Corrida pra vender cigarro
Cigarro pra vender remédio
Remédio pra curar a tosse
Tossir, cuspir, jogar pra fora
Corrida pra vender os carros
Pneu, cerveja e gasolina
Cabeça pra usar boné
E professar a fé
de quem patrocina
Querem te matar a sede,
eles querer te sedar
Eles querem te vender,
eles querem te comprar
Corrida contra o relógio
Silicone contra a gravidade
Dedo no gatilho, velocidade
Quem mente antes diz a verdade
Satisfação garantida
Obsolescência programada
Eles ganham a corrida
antes mesmo da largada
Eles querem te vender,
eles querem te comprar
Querem te matar de rir,
querem te fazer chorar
Vender, comprar,
vendar os olhos
Jogar a rede... contra a parede
Querem te deixar com sede
Não querem te deixar pensar
Quem são eles?
Quem eles pensam que são?”
Humberto Gessinger
RESUMO
O Movimento faz parte da vida do ser humano, antes mesmo de seu nascimento ele
já utiliza os movimentos como uma forma de se comunicar. Por pensar a Educação
Física como uma das disciplinas responsáveis à discussão corporal na escola e por
buscar essa discussão de corpo, aluno e escola é que surge o interesse por esse
estudo. Baseando-se em Como trabalhar a música nas aulas de Educação Física
Infantil? É que se alinham alguns objetivos ao decorrer da pesquisa, como a analise
histórica da Educação Física na Educação Infantil; a relação da música com a
educação infantil; um breve entendimento sobre a indústria cultural; observar de que
forma a mídia utiliza a música e se esta influencia as crianças; e as formas de
apropriação da música na Educação Física infantil. Para essa pesquisa usou-se o
método de pesquisa bibliográfico para que refletíssemos sobre alguns pontos
importantes da utilização da música na Educação Infantil. Por fim evidenciou-se a
importância de apropriar-se da música nas aulas de Educação Física infantil, visto
que o movimento vem marcado em nosso existir como formas de expressões e a
música nos auxilia para que esses movimentos sejam representados e reinventados
de forma espontânea. No entanto a mídia tem tomado conta dessa cultura, por isso
a importância em se tematizar a música, estudando e analisando o que a Industria
cultural vem “glorificando” e apresentando outras possibilidades de músicas para
além da apresentada na mídia.
.
Palavras-chave: Educação Física. Música. Educação Infantil. Indústria cultural.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 11
2 EDUCAÇÃO FÍSICA E EDUCAÇÃO INFANTIL ........................................................ 14
2.1 Reflexões sobre a Educação Física .............................................................................................................. 14
2.1.1 Tendências Pedagógicas da Educação Física ........................................................................................... 15
2.1.2 Concepção Crítico-Emancipatória ............................................................................................................ 15
2.1.3 Concepção Crítico-Superadora ................................................................................................................. 18
2.2 Educação Infantil: Considerações históricas ............................................................................................... 19
2.3 Educação Física na Educação Infantil ......................................................................................................... 20
3 MÚSICA, INFÂNCIA E EDUCAÇÃO FÍSICA............................................................... 25
3.1 Linguagem musical ..................................................................................................................................... 25
3.2 A Música e a Infância .................................................................................................................................. 27
3.3 Infancia ........................................................................................................................................................ 29
4 MÍDIA E INDUSTRIA CULTURAL ................................................................................ 32
4.1 Mídia: Definições e Conceitos .................................................................................................................... 32
4.2 Industria Cultural: Sentidos e Significados ................................................................................................. 32
4.3 Mídia, Industria Cultural, Música e Educação Física .................................................................................. 33
5 CONCLUSÃO...................................................................................................................... 37
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 39
11
1 INTRODUÇÃO
Por pensar a Educação Física como uma das disciplinas responsáveis à
discussão corporal na escola e por buscar essa discussão de corpo, aluno e escola
é que surge o interesse por esse estudo. Buscou-se com isso, um entendimento da
própria Educação Física quanto a corporeidade na educação infantil, utilizando-se
de um recurso extremamente presente em nosso dia a dia, a música, que talvez por
falta de formação ou orientação alguns professores acabam desconsiderando seu
uso em sala de aula.
A Educação Física busca com seus conteúdos uma (re) descoberta corporal,
em que o aluno poderá sentir, pensar, expressar-se por seus movimentos,
permitindo uma breve construção nas relações humanas e descobertas pessoais
(SANTIN, 1987).
Refletindo sobre essa busca e auxilio na descoberta de movimentos é que se
buscou com o tema EDUCAÇÃO FISICA, MÚSICA E INFANCIA: REFLEXÕES
ACERCA DA INDÚSTRIA CULTURAL uma pequena janela para que houvesse um
entendimento a respeito da utilização da música nas aulas de Educação Física e a
forma com que a Mídia vem utilizando um tema extremamente valioso para nossas
aulas, a Música, buscou-se perceber de que forma ela esta influenciando nossas
crianças da Educação Infantil.
Percebendo que as práticas escolares trazem em seu cotidiano marcas da
influência social, em que somos diretamente atingidos enquanto receptor da cultura
dominante. A escola busca, muitas vezes sem se perceber, controlar e disciplinar o
corpo, alcançando uma ação racional procurando eliminar as reações involuntárias e
movimentos diferenciados (GONÇALVES, 2000).
Buscando um caminho para que a escola se desprenda da ação de
simplesmente reproduzir gestos e ações, e passe a atuar com um pensamento de
associação em que o corpo também sente e não apenas age. Partindo do
pressuposto de que professores e demais profissionais de uma escola devem ter um
conhecimento da aprendizagem do e com o corpo, definimos em nosso estudo a
seguinte Problemática: Como trabalhar a música nas aulas de Educação Física
12
Infantil?
E para auxiliar nessa resposta, teremos dois eixos que nos ão que foram as
Questões norteadoras:
- Quais as possibilidades e limites de estar incluir a música nas aulas de
educação física infantil?
- Em que medida a mídia influencia no gosto musical das crianças da
educação Infantil e que relação essa influencia tem com as aulas de educação
física?
No que concerne aos objetivos do presente estudo, temos o seguinte Objetivo
Geral: Analisar as possibilidades e limites no ensino da musica enquanto tema da
Educação física nas aulas da educação física na educação infantil, Objetivos
Específicos:
- Analisar historicamente a Educação Física na Educação Infantil
- Verificar a relação da música com a educação infantil
- Buscar um conhecimento sobre a indústria cultural
- Analisar de que forma a mídia utiliza a música e se esta influencia as
crianças
- Estudar as formas de apropriação da música na Educação Física infantil
Para que atingíssemos os objetivos propostos e conseqüentemente
obtivéssemos respostas para problemática em questão, buscou-se atrás de um
estudo bibliográfico analisar dados e proposta para que viessem cobrir o tema em
questão.
Andrade (2007) ressalta que toda pesquisa tem a finalidade de buscar um
conhecimento e uma compreensão de determinado assunto, buscando responder,
dúvidas e indagações, fazendo um paralelo com teoria e dados analisados
utilizando-se de raciocínio lógico, soluções e/ou entendimento para um problema
proposto.
De acordo com Cervo e Bervian (2002), uma pesquisa de cunho bibliográfico
procura explicar um problema a partir de referenciais teóricos, buscando-se
embasamento no que já foi publicado.
13
A pesquisa desenvolve-se em capítulos e sub-capítulos, em que se buscou
abordar conceitos e entendimento relacionado com a Educação Física na Educação
Infantil, buscando observar as influências da mídia quando se utiliza a música em
sala de aula.
14
2 EDUCAÇÃO FÍSICA E EDUCAÇÃO INFANTIL
2.1 Reflexões sobre a Educação e a Educação Física
A Educação Física desde a sua incorporação nos currículos escolares vem
buscando sua própria identidade, o que resultou, e ainda resulta em uma série de
mudanças significativas para a compreensão da Educação Física. (BRACHT, 2003).
Santin (1987), ressalta que ao longo de sua historia a Educação Física
depara-se com seus próprios conceitos, em que na Educação toma uma posição
indefinida, estando dentro do pedagógico, porém sendo vista como uma disciplina
mediadora para as demais áreas educativas, utilizada como um instrumento para se
alcançar objetivos que, em alguns casos, não fazem parte da Educação Física.
Santin destaca que alguns dos motivos de a Educação Física não se “achar”
como área pedagógica são as suas várias correntes filosóficas que interferiram em
seu desenvolvimento como disciplina educativa, ganhando em sua formação
características das condições sociais e históricas na qual essa prática veio a
realizar-se, tendo na sociedade brasileira fortes características de tendências muito
citadas por Ghiraldelli Jr. (1988), sendo elas: Tendências Higienista, é vista como o
inicio da Educação Física, pois foi ela a pioneira de estudos e pesquisas da área.
Tendo como principal função a formação de pessoas dispostas para as ações
diárias. Pensa em programas de Educação Física, que se forem corretamente
aplicados alcançarão um padrão de sociedade. Apesar de um pensamento de
melhoria social, a tendência higienista pensa que cada pessoa é responsável por
sua saúde, que independente de sua condição social esta tem, por responsabilidade
manter ou adquirir saúde.
Já a Militarista almeja movimentos estereotipados para a sociedade,
preocupando-se também com a saúde individual e coletiva, no entanto seu maior
objetivo é preparar a população jovem para o combate, guerras, lutas, tornando-se
assim uma concepção rígida, exigindo sempre muita disciplina, pois estariam
preparando os futuros defensores de sua pátria.
A Tendência Pedagogicista deu início ao pensamento de Educação Física
além da promoção da saúde, e defensores da pátria, e sim como uma disciplina que
deveria fazer parte dos currículos escolares, sendo usada como uma prática
15
educativa, preocupando-se assim com aqueles que freqüentam o âmbito escolar.
Pensa que a Educação Física deveria colaborar com a formação da juventude para
que esta possa adquirir hábitos fundamentais, preparo vocacional e racionalização de
suas horas de lazer.
A Tendência Competitivista possui uma relação forte com a militarista, pois
ambas têm um aspecto de elitização social, classificação, porém, seu objetivo
principal é a caracterização da competição e superação individual como principais
valores desejados por toda sociedade moderna, dando destaque ao atleta - herói,
reduzindo a Educação Física ao desporto de alto nível, que deve este ser trabalhado
para que possam presentear o país com muitas medalhas olímpicas.
A Tendência popular não nos permite uma abundante produção teórica , visto
que seu acesso torna-se restrito, no entanto "Boa parte dos documentos(jornais,
revistas, etc.) do Movimento Operário Popular, que poderia conter uma teorização ou
pelo menos um relato sobre as práticas da Educação Física autônoma dos
trabalhadores, não escapou aos olhos e garras incineradoras das classes
dominantes." (GHIRALDELLI JR, 1994, p.21).
Esta concepção nega todas as anteriores e se volta para as classes populares
desvinculando-se das práticas elitistas o que mostra mais uma vez a Educação
Física vinculada a uma ideologia. A Educação Física foi compreendida se voltando
para a organização das classes trabalhadoras que condenavam a competição,
pregando o esporte por lazer.
É importante ressaltar que essa tendência tinha um caráter qualitativo, já que
a classe trabalhadora era desinformada e sem tempo, por isso prega a
conscientização, sem enfatizar o aspecto quantitativo; havia a preocupação de
conscientizar as pessoas do "por que" estarem fazendo atividades, das condições
que os levaram aquilo, para direcionar os seus pensamentos, levando-as
questionarem/refletiram sobre as coisas, não simplesmente aceitando-as.
Para que possamos compreender o que é ou pode vir a ser a Educação
Física, buscando uma ideologia para a prática educativa dessa disciplina, buscando
vê-lá a partir de uma prática humana, buscando um posicionamento mais crítico
para com as práticas educativas da Educação Física. (GONÇALVES, 2000).
16
2.1.1 Tendências Pedagógicas da Educação Física
De acordo com Busso e Junior (2005), a Educação Física no Brasil tem sua
história baseada em contextos de transformações educacionais sempre imbricadas
com mudanças políticas e sociais. Desde a década de 1980, a Educação Física tem
passado por uma renovação nos seus conhecimentos científicos, produzidos por
referenciais das ciências naturais e das ciências humanas, o que proporcionou
novos significados para o âmbito escolar e acadêmico da área. As Concepções
Pedagógicas da Educação Física são frutos desta re-significação.
Durante todo esse período, “a Educação Física sofre críticas e denúncias a
respeito do modelo hegemônico dos esportes: a "esportivização" da Educação
Física” (PAES, 2002, p.93). Esse modelo é caracterizado pela soberania absoluta do
esporte perante todas as outras formas de expressão corporal contidas no conteúdo
da
Educação
Física,
principalmente
nas
padronizações
pedagógicas
e
sistematizações no contexto educacional, que mantinha a supremacia das práticas
esportivas como conteúdo principal a ser transmitido nas aulas escolares,
desprovida de objetivos, planejamento e relação com o contexto escolar.
Devido a essas críticas e estudos que surgiram acerca das novas
realidades escolares desde a década de 80, surgiram duas concepções críticas para
o ensino da Educação Física, a Crítico Superadora que é representada pela obra do
Coletivo de Autores Metodologia do Ensino de Educação Física, 1992. E a
concepção Crítica Emancipatória que é fundamentada pela obra de Elenor Kunz,
Educação Física Ensino e Mudança 1991 e Transformação Didático Pedagógico do
Esporte, 1994.
2.1.2 Concepção Crítico Emancipatória
De acordo com Kunz (1994) as mudanças mais concretas com a Educação
Física começaram a surgir no inicio dos anos 70, quando os graduados foram
tomando o espaço na educação física escolar, antes ministrada por militares ou exatletas.
Apesar dessa substituição significativa, não houve muitas alterações nos
métodos de ensino, pois é possível perceber em nossos dias grande influência das
antigas práticas de Educação Física.
17
Uma das novas concepções educacionais tem como grande influência as
propostas alemãs, conhecida como Pedagogia Critico Emancipatória.
De acordo com kunz (1994), Emancipação seria um processo interminável de
liberação do aluno das condições limitantes de suas capacidades racionais críticas
e, com tudo isso todo o seu agir no contexto sócio cultural e esportivo. Já o critico
seria entendido como a capacidade de analisar as condições e a complexidade de
diferentes realidades de forma fundamentada. Onde num processo de ensino seria
trabalhado sob três competências, comunicativa, que assume um processo reflexivo
responsável por desencadear o pensamento crítico, ocorre através da linguagem,
que pode ser de caráter verbal, escrita e/ou corporal, competência social, referente
aos conhecimentos e esclarecimentos que os alunos devem adquirir para entender o
próprio contexto sócio-cultural, e competência objetiva, que visa desenvolver a
autonomia dos alunos através da técnica.
A estrutura básica deve estar apoiada em pressupostos teóricos com base em
critérios de uma ciência humana e social, formando alicerces do conhecimento para
um agir racional-comunicativo; e na teoria instrumental, que deve fornecer os
elementos específicos de uma pedagogia crítico emancipatória nas suas seqüências
e nos seus procedimentos regrados.
Kunz (1994) reforça que a emancipação pode ser entendida como o processo
que mede o uso da razão crítica e todo o seu agir social, cultural e esportivo,
desenvolvidos pela educação. Ao induzir à auto-reflexão, a concepção crítico
emancipatória, deverá possibilitar aos alunos um estado de maior liberdade e
conhecimento de seus verdadeiros interesses, ou esclarecimento e emancipação,
fazendo com que os aluno se tornem cientes de seus atos. Em vez de ensinar os
esportes na Educação Física, pelo simples desenvolvimento de habilidades e
técnicas, deverão ser incluídos conteúdos de caráter teórico-prático que tornam o
fenômeno esportivo transparente, permitindo aos alunos a melhor organização da
realidade, dos movimentos e dos jogos de acordo com as suas possibilidades e
necessidades; a interação solidária e social em princípios de autodeterminação; e se
expressar como Ser capaz de mudar a realidade em que vive. Para o autor, o
homem conhece o mundo através do se-movimentar, o que estabelece a relação
homem-mundo no mundo vivido.
Na perspectiva da concepção critica emancipatória, os conteúdos do trabalho
pedagógico da Educação Física têm caráter teórico-prático, permitindo aos alunos a
18
melhor organização da realidade do esporte, movimento e jogos com as suas
possibilidades e necessidades.
Giram em torno de um objeto central que é o movimento humano por meio
das atividades lúdicas, da dança e principalmente através do esporte, que para
serem trabalhados na escola, necessitam priorizar menos o rendimento, a
competição e o treinamento precoce, do que os significados dos movimentos
esportivos para cada aluno, devendo sempre ser tematizados para que o aluno se
perceba enquanto sujeito histórico cultural da atividade em que vive.
Kunz (1994) conceitua a Educação Física como a busca pelo alcance de
objetivos primordiais do ensino, através das atividades com o movimento humano, o
desenvolvimento de competências como a autonomia, a competência social e a
competência objetiva.
2.1.3 Concepção Crítico Superadora
A Pedagogia Crítico-Superadora foi elaborada por um Coletivo de Autores e
têm como tema principal o conhecimento da Educação Física quanto à cultura
corporal que se desenvolvem por meio dos conteúdos da própria Educação Física,
sendo eles: dança, jogos, esportes, ginásticas, através desses conteúdos levantam
questões que devemos considerar não somente o como ensinar, mas também como
adquirimos conhecimento, valorizando a contextualização dos fatos e do resgate
histórico.
Os autores apontam que a Pedagogia Crítico Superadora, enquanto reflexão
pedagógica tem algumas características específicas, denominadas de Diagnóstica,
pois faz uma leitura da realidade, de acordo com a perspectiva de classe de quem
julga; Judicativa, porque julga a partir de uma ética que representa o interesse de
uma determinada classe social e Teleológica porque busca uma direção, um objetivo
a ser alcançado, também dependendo da perspectiva de classe, pode ser
conservadora ou transformadora, daquilo que foi diagnosticado e julgado.
Coletivo de Autores (1992), esclarece que tratar dos problemas sócio-políticos
atuais, não pode ser considerado um doutrinamento. Defende-se uma proposta para
a escola, de modo que as aulas viabilizem uma leitura da realidade, para que se
reflita e que possibilitem, assim, projetos políticos com objetivos de mudanças
sociais.
19
Os autores ainda apontam que os conteúdos devem possuir princípios
metodológicos, que devem ser organizados, sistematizados e fundamentados e
assim serem selecionados como constituinte curricular. São princípios: a relevância
social dos conteúdos, o qual implica em compreender o sentido e significado do
mesmo para a reflexão pedagógica escolar; a contemporaneidade dos conteúdos, a
qual oferece aos alunos um conhecimento contemporâneo do que mais existe de
moderno no mundo; a adequação às possibilidades sócio-cognocitivas do aluno,
sendo que o professor deve perceber as possibilidades de aprendizagem dos
alunos, ao seus próprios conhecimentos e também as possibilidades enquanto
sujeito histórico; simultaneidade dos conteúdos enquanto dados da realidade, sendo
que os conteúdos estudados são apresentados de maneira simultânea; espiralidade
da incorporação das referências do pensamento, onde significa compreender
diferentes formas de organizar o conhecimento afim de ampliá-los; e a
provisoriedade do conhecimento afirma que o conhecimento não termina, ele é
contínuo, transformado e ampliado.
Os princípios da lógica dialética são constituídos pelo movimento, pela
totalidade, pelas mudanças qualitativas e pela contradição, que são confrontados
com os princípios da lógica formal, a fragmentação e a terminalidade. Estes não
favorecem, como os princípios iniciais, a formação do sujeito histórico à medida que
lhe permite construir, por aproximações sucessivas, novas e diferentes referencias
sobre o real do seu pensamento. (COLETIVO DE AUTORES, 1992).
Essa concepção trabalha com o conceito de cultura corporal, que se opõe
portanto ao conceito de aptidão física enquanto objetivo final da disciplina, e propõe
o trato com o conhecimento sistematizado em ciclos de escolarização.
Os autores também especificam os princípios avaliatórios dessa concepção, a
partir
de
um
projeto
histórico
que
privilegie
a
superação
das
práticas
mecânico/burocráticas, a partir de uma reinterpretação e redefinição de valores e
normas, de uma síntese qualitativa da nota e de uma avaliação baseada no fazer
coletivo.
2.2 Educação Infantil: Considerações Históricas
A Educação Infantil é uma área que vem ganhando força desde a década de
80, a partir da criação da constituição de 1988, ganha atenção dentre os
20
profissionais da área da Educação, com isso mais e mais a Educação Infantil passa
a receber respeito pois é o ponto inicial para a Educação Básica.
Entende-se por Educação Infantil aquela que venha abranger crianças de 0 a
6 anos de idade, onde o Estado tem a responsabilidade com esta Educação sendo
efetivado mediante a garantia de (...) atendimento em creche e pré-escola às
crianças de zero a seis anos (CONSTITUIÇÃO DE 1988).
Segundo a LDB – Resolução CEB no 01, de 07 de abril de 1999, artigo 3º,
inciso III, “as instituições de Educação Infantil devem promover a educação e o
cuidado, promovendo a integração entre os aspectos físicos, emocionais, afetivos,
cognitivos/lingüísticos e sociais da criança, entendendo que ela é um ser completo,
total e indivisível”. O inciso IV dessa mesma constituição apresenta as propostas
pedagógicas das instituições que devem “reconhecer as crianças como seres
íntegros, que aprendem a ser e conviver consigo próprios, com os demais e o
próprio ambiente de maneira articulada e gradual”.
No entanto vemos que na realidade esse reconhecimento de ser integro fica
sendo deixado de lado, e as creches acabam tendo seu papel não mais de uma via
para que haja um reconhecimento quanto ser, mais como uma instituição de
assistência social, onde estas instituições são responsáveis pela proteção e amparo
dessas crianças pois as mães tem que trabalhar o dia todo. (CUNHA e CARVALHO,
2002).
Posteriormente, a pré-escola assumia um caráter educativo em que a
instituição tinha funções educativas, com funcionamento em turno parcial, e regidas
por professores (CUNHA; CARVALHO, 2002). Ou seja, a pré-escola era uma
“preparação” para a escola.
Essa preparação para o mundo dos estudos vai contra a LDB que nos coloca
no inciso V
que as Propostas Pedagógicas para a Educação Infantil devem
organizar suas estratégias sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao
ensino fundamental. O que mais uma vez não é levado em consideração por nossas
instituições de Educação Infantil, onde Crianças que devem estar se descobrindo e
descobrindo o seu mundo e suas ações nesse mundo é obrigada a abrir mão de sua
infância
para
iniciar
os
estudos,
pois
já
esta
“grandinha”
e
deve
ter
responsabilidades de um/a mocinho/a deixando na de experimentar experiências
que os auxiliariam em sua vida escolar.
21
2.3 Educação Física na Infância
O Movimento sempre fez parte da vida do ser humano, antes mesmo de
nascermos
os movimentos funcionam como
canais
que
permitem nossa
comunicação, ao nascermos os movimentos mobilizam os adultos a reconhecerem e
atenderem as necessidades das crianças. (WALLON, apud METZNER, 2006).
Os movimentos corporais possibilitam descobrir o que está em volta,
permitindo que haja um reconhecimento e uma interação com outras pessoas e
crianças podendo criar seus próprios movimentos e intensificando sua própria
cultura corporal, cultura esta que está embasada em valores como a ludicidade, e
criatividade sendo adquiridas através de experiências de movimento (SAYÃO,
2002).
Para Mello (1996), o Movimento precisa ser trabalhado de uma maneira que
desenvolva o indivíduo integralmente em todas as suas formas de movimento e
expressão, por isso as atividades com Movimento precisam ter como eixo central a
intencionalidade, na qual toda a ação humana tem um significado e uma intenção.
Trabalhar o Movimento de forma consciente propiciará ao indivíduo refletir, fazer
associações, exercer e desenvolver sua autonomia, questionar, confrontar-se com
situações-problema e encontrar soluções por si próprio.
A Educação Física, como uma disciplina que trata de uma área denominada
cultura corporal, busca em seus estudos compreender/aprender a expressão do
corpo como uma linguagem, linguagem esta que pode ser interpretada como um
patrimônio dinâmico historicamente conquistado pela humanidade (SOARES apud
SAYÃO 1996).
A cultura infantil se expressa pelo brincar, pelo faz-de-conta, pelos jogos de
imitação e a criação de ritmos, linguagens e movimentos, levando a uma
(re)produção de cultura. Tais elementos tornam-se essenciais na educação infantil,
conseqüentemente a Educação Física com os conhecimentos da cultura corporal
auxilia na elaboração das ações educativas que compreendem esta fase da
escolarização na sua integralidade. (CASTILHO e PEDROZA, 2009)
Portanto o que torna a Educação Física importante em uma instituição de
educação é o movimento humano, ou a sua cultura de movimentos, no entanto nem
todo movimento humano deve ser visto como tema da Educação Física, mais sim
22
aquele movimento com significado/ sentido, “que por sua vez, lhe é conferido pelo
contexto histórico-cultural” (BRACHT apud SAYÃO 1996 p.28).
Com isso percebe-se que as experiências obtidas na escola devem ser
voltadas a uma descoberta de movimentos, respeitando e compreendendo o
universo cultural infantil, dando-lhes acesso a outras formas de produzir
conhecimentos que são fundamentais para o seu desenvolvimento.
A Educação Física como componente curricular da Educação Infantil exerce
um papel fundamental, pois proporciona às crianças uma diversidade de
experiências através de situações que lhes permite criar, inventar e descobrir
movimentos novos, elaborar e reelaborar conceitos sobre os movimentos e suas
ações. Sendo este um espaço que permita através de experiências obtidas, sejam
elas com o corpo, com materiais e de interação social, que as crianças descubram e
enfrentem seus desafios e medos, conheçam e valorizem o próprio corpo,
relacionem-se com outras pessoas, percebam a origem do movimento, expressem
sentimentos, utilizando a linguagem corporal. Dessa forma, essa área do
conhecimento poderá contribuir para a efetivação de um programa de Educação
Infantil, comprometido com os processos de desenvolvimento da criança e com a
formação de sujeitos emancipados. (BASEI, 2008)
Mello, (1996) acredita que:
Uma Educação Física que visa o desenvolvimento da criança como um
todo, a intencionalidade ou conscientização do movimento torna-se
imprescindível, principalmente na idade pré-escolar, para que a criança
possa conhecer a si própria, testar seus limites, modificar seus gestos,
compreender a função de seus movimentos e criar novos movimentos que a
auxiliem a superar suas dificuldades (p.127).
Sobre isso Mello (2001, p. 98) mostra que “o foco é sempre a criança por
inteiro, com emoções, com sentimentos, com expressões, com dificuldades, com
facilidades, com expectativas, ávida em dar sua opinião, com sugestões e vontades,
com medos, com limites, com timidez, com agressividade, etc”.
No entanto há uma preocupação quanto ao ensino dos movimentos, e
espera-se que a cultura corporal não se firme em um modelo escolarizante que
objetiva preparar a criança para futura fase escolar,
23
A dimensão que a cultura corporal assume na vida do cidadão atualmente é
tão significativa que cabe a escola e a Educação Física o papel de não
reproduzi-la simplesmente, mas permitir que o indivíduo se aproprie dela
criticamente, para poder efetivamente exercer sua cidadania. (BRACHT,
1999, p.82)
Simão (2006), compreende que a brincadeira quando concebida como eixo
principal do trabalho e como linguagem característica das crianças pequenas,
perpassa todos os momentos do trabalho pedagógico não devendo ser utilizada de
maneira funcionalista, como uma atividade que “serve para alguma coisa já
planejada”.
Os movimentos corporais são entendidos pelas crianças pequenas como um
meio de comunicação, de expressão e de interação social, é preciso encarar que,
para as crianças, “a brincadeira serve, simplesmente, para que a ela brinque”.
(SAYÃO, 2000, p.7)
A mesma autora seleciona para projetos de trabalho coletivos três eixos da
Educação Física que devem estar dentro da Educação Infantil: a brincadeira, de
diferentes formas, com construções de brinquedos, utilização e recriação dos
espaços disponíveis para brincar, a utilização de materiais culturais, discussão
quanto às regras da brincadeira e a ocupação dos espaços no qual se realizará a
brincadeira enfim atividade que favoreçam a linguagem oral e expressiva durante as
brincadeiras são algumas formas possíveis de inclusão das dimensões humanas no
trabalho pedagógico que consideram as especificidades da infância.
O interagir seja com crianças que estejam dentro ou fora do seu grupo
escolar, étnico, etário e social, com adultos, com as famílias, e com a própria
comunidade onde se localiza a creche, essa infinita capacidade de interação, troca e
produção de conhecimento e cultura é o que diferencia o ser humano de outras
espécies. Quanto às crianças pequenas, “é a interação com outros sujeitos humanos
que lhes possibilita “serem humanos” (p.16), e por fim as linguagens, a
manifestação por diferentes linguagens significa permitir e reconhecer que a
oralidade, a escrita, o desenho, a dramatização, a música, a mímesis, o toque, a
dança, a brincadeira, o jogo, as formas de movimentos corporais, são todas elas
expressão das crianças que não podem ficar limitadas a um segundo plano.
Esses eixos são formas de manifestações das culturas infantis, sendo
necessário que os profissionais que atuam com as crianças tenham em si estas
24
formas de manifestação e programem atividades de forma a ampliar estes
referenciais.
Uma educação infantil que considera a criança como sujeito social com
múltiplas dimensões em que “a interação, a brincadeira e as diferentes linguagens
da criança são os pontos fundamentais num processo educativo”. (p.15), não
atribuem funções específicas e programadas para cada profissional e para cada
hora que a criança tem na creche, mas começa a observar a criança como um todo
indissociável. (SAYÃO, 2000).
25
3 MÚSICA, INFÂNCIA E EDUCAÇÃO FÍSICA
3.1 Linguagem musical
Compreendemos que os movimentos corporais são para as crianças, um
meio de comunicação, de expressão e de interação social. São movimentos,
olhares, gargalhadas, desenhos, falas e silêncio. Por vezes não estão separadas,
mas numa mistura que possibilita que a comunicação entre elas flua e dê sentido às
suas criações.
A música é uma linguagem muito expressiva e as canções são veículos de
emoções e sentimentos, e podem fazer com que a criança reconheça nelas seu
próprio sentir. (FERREIRA ET AL, 2007).
Nesse sentido, linguagem se traduz em interação. As mensagens expressas
em múltiplas linguagens na infância se decodificam quando o outro que se comunica
com as crianças, é capaz de interpretá-las, de compreendê-las.
Daí a linguagem ser central na produção cultural na infância, o sentido que
ela carrega tem em si os traços específicos da cultura infantil e das relações
travadas nesta produção.
As crianças em geral apresentam grandes dificuldades na forma de expressar
seus sentimentos, daí a necessidade de conhecer melhor as linguagens que
poderemos usar como recursos no processo de ensino aprendizagem, em especial a
linguagem musical, visto que a musica está presente na vida dos seres humanos e
há muito tempo faz parte da educação podendo contribuir para um bom
desenvolvimento dos aspectos afetivo, cognitivo, social e cultural. (FERREIRA ET
AL 2007).
Os mesmos autores nos colocam que no período da alfabetização a criança
beneficia-se do ensino da linguagem musical quando as atividades propostas
contribuem para o desenvolvimento da coordenação viso motora, da imitação de
sons e gestos, da atenção e percepção, da memorização, do raciocínio, da
inteligência, da linguagem e da expressão corporal. Rosa (1990) afirma que a
simples atividade de cantar uma música proporciona à criança o treinamento de uma
série de aptidões importantes.
Por meio da música a educação se realiza de maneira tranqüila, prazerosa,
levando a criança à compreender a importância das relações, da socialização,
26
vivenciando o respeito ao próximo, desenvolvendo a autonomia, o senso crítico.
Compreendem o raciocínio lógico matemático, a necessidade de perceber e
respeitar os limites, fazendo crescer o senso rítmico no aprimorar dos movimentos,
construindo a dicção, a linguagem, a comunicação, enfim, a integralização da
criança. (CARVALHO e ROJAS 2006)
A música faz com que a educação seja um processo natural de movimento,
envolvimento e desenvolvimento e, não algo maçante e massacrante, imposto à
criança. A criança tem, interesse e sente necessidade desse movimento, dessa
expressividade por atividades manuais e corporais. Ela necessita de uma
comunicação que faça com que aprenda, sinta e viva, orientando-se, e a vivência da
linguagem musical, permite à criança habitar e habilitar sua ludicidade e
experiências. (CARVALHO e ROJAS 2006)
3.2 Música e Infância
A música está presente em nossas vidas em todo o momento, acompanhando
a história da humanidade, exercendo as mais diferentes funções, estando presente
em todas as culturas e manifestações populares sendo uma linguagem universal
que ultrapassa barreiras de época, tempo e espaço.
Sayão (2002) reforça a importância da utilização das diferentes linguagens
para que haja uma manifestação corporal por parte das crianças, no qual precisa-se
descobrir juntamente com os/as alunos/as as diferentes linguagens no qual eles/as
podem estar utilizando-se, aos professor/a para o uso dessa linguagem deve-se
obter o entendimento de que essas variadas formas de movimentos corporais são
todos frutos de expressões formadas pelas próprias crianças, que possuem uma
riqueza inquestionável.
Para se ouvir uma música não é necessário fazer muitos esforços, basta ligar
a televisão ou o rádio e lá esta ela, logo ao acordar já pode-se ouvi as canções
entoadas pelos pássaros, sendo a música, utilizada na maior parte de nossa vida,
tanto para expressar movimentos corporais, seja ela na dança ou no teatro,
permitindo-se expressar sentimentos como alegria/tristeza, ou simples apreciando-a
em sua forma técnica.
27
Sabe-se que a música está por toda parte mais qual o significado da palavra
Música?
Pretende-se trabalhar a música como uma linguagem corporal, precisa-se
entender o seu significado, de acordo com Ferreira (1995), música é Arte e a ciência
de combinar os sons de modo agradável ao ouvido. Se pensar-se em música de
uma forma mais técnica se terá a explicação de partindo-se de ondas sonoras que
se propagam, se fará a observação de que as mesmas são sentidas corporalmente.
Podendo-se entender a “percepção musical como um fenômeno corporal em sua
essência, sendo recebido e acolhido pelo corpo-sujeito, em comunhão com o
universo musical que o envolve”. (MOSCA, 2008, p.3).
Desde o ventre materno a criança já esta em contato com a música, com o
ritmo, através das batidas do coração de sua mãe. Após seu nascimento ela
encanta-se por acompanhar a música com movimentos corporais, sendo através
desses movimentos que a criança constrói seu conhecimento sobre a música e
sobre seu próprio corpo, utiliza-se de derivados materiais para produzir sons que
lhes são agradáveis. (JEANDOT, 1997).
A criança sente, canta, toca e produz a música mediante movimentos
corporais, explorando as possibilidades sonoras, isso acontece porque a música lhe
dá prazer e permite que se expresse de forma espontânea a livre. (STAVRACAS,
2008).
As Crianças usam a sua espontaneidade e seus gestos de acordo com as
sensações que lhes são despertadas, podendo pesquisar e improvisar livremente
quando lhes é proporcionado ambiente e condições para que haja a harmonia entre
Música – Movimento. (JEANDOT, 1997).
Crianças não podem ser consideradas artistas músicas, mais também estão
longe de serem seres meramente contemplativos, elas podem ser vistas como seres
que usam da sua espontaneidade, seus gestos, de acordo com as sensações que
lhes são despertadas podendo pesquisar e improvisar livremente quando lhes é
proporcionado ambiente e condições para a musicalização. (JEANDOT, 1997).
A música pode ser entendida e sentida de váriadas formas, para esses
estudos veremos a música como uma forma de linguagem e expressão. “A música
quando utilizada como uma forma de comunicação/expressão possui infinitas
possibilidades, sendo capaz de despertar os mais sublimes sentimentos” (GAINZA,
apud TARGAS, 2003, p. 24).
28
Sayão (2002), nos alerta para a interação existente entre adulto/criança, e
que a partir dessas vivências as crianças aprendem e internalizam saberes e
experiências na qual deve-se levar em consideração na hora de criar e experimentar
novos movimentos.
A corporeidade, na qual buscamos essa descoberta individual, está a serviço
da educação, e vendo a aprendizagem como um processo corporal, percebe-se que
a busca do conhecimento deve se pautar na essência do corpo vivo. (ASMANN,
1998).
Para a busca de uma (re) descoberta corporal através da música pensa-se
em uma educação que emerge de um pensar e um agir, buscando ver um sujeito
concreto, com sua própria corporeidade, buscando se conhecer como ser corporeo,
com experiências significativas que envolvam o sujeito de uma forma prazerosa.
(MOSCA, 2006).
“O sentir a música deve estar em todos os momentos da aula, e a produção
criteriosa de estratégias deve contemplar o viver musical para os alunos.” (MOSCA,
2008, p.3).
A mesma autora explica que o fazer musical na escola deve ir além de
pensamentos
de
que
ensinar
música
deve
partir
da
idéia
de
leitura,
instrumentalização e do desempenho. Precisa-se oportunizar aos alunos a vivência
musical, divida em momentos, porém momentos significativos que dêem prazer a
quem o está desenvolvendo, fazendo do aprender a conhecer e do fazer um
movimento conjunto, visto que a educação deve ser vivida, (Mosca, 2008),
pensando-se pelo caminho de que “incorporar o conhecimento não é verbalizar nem
intelectualizar – é corporalizar” (HELLER, 2006 apud MOSCA, 2008, p.2).
Kunz (1994), defende que devemos oferecer vivências e experiências de
movimentos à nossos alunos, pois esses poderão possibilitar as crianças momentos
de vitória e conquista, o que irá promover uma enorme auto-estima e um
conhecimento de si próprio, dando chance e coragem para que essas crianças
possam realizar novas atividades no futuro.
Kunz e Santos (2005) nos levam a pensar na importância que temos para
com as crianças nas aulas de Educação Física, pois é nessa fase pode-se deixar
que as mesmas expressem-se através de seus diversos movimentos, possibilitandose o criar e o brincar com seus próprios movimentos, não levá-las a simplesmente
copiar e imitar gestos já preparados, mas lhes dar o conhecimento da grande
29
importância e a necessidade do se - movimentar, para que, quando adultos não se
tornem pessoas que sujeitam-se e acomodam-se perante a movimentos idealizados.
No dia em que for capaz de pensar e viver a realidade humana como um
todo unitário, não apenas como soma das partes, mas como um todo
orgânico, onde a parte não se compreende e não sobrevive a não ser no
todo e só nele identificando-se, neste dia não se falará mais,
provavelmente, em educação Física intelectual, moral, artística, etc..., mas
em Educação Humana (SANTIN, 1987, p.27).
3.3 Infância
No decorrer da história modificaram-se os modos com que se compreendia a
infância e as crianças, assim como a relação delas com seu meio.
Do século XII ao século XVIII, a infância toma diferentes conceitos dentro da
sociedade, a criança já foi vista como “um investimento pouco viável e substituível”,
sofrendo descaso dos pais, pois na época com a falta de higiene a mortalidade
infantil atingia índices absurdos, fazendo com que os pais não se preocupassem em
cuidar das crianças, pensando na possibilidade delas viverem por pouco tempo.
(CALDEIRA, 2009)
A mesma autora nos relata que os pequenos passaram também pela
distinção de tratamento entre crianças do sexo masculino, que eram recebidas com
muita alegria, e crianças do sexo feminino, que seu nascimento não era tão
festejado. Distinções que ainda surgem efeito nos dias de hoje, percebendo-se
muitas vezes a suposta superioridade que crianças/adultos do sexo masculino
sentem a respeito das crianças do sexo oposto.
As crianças eram atribuídos modos de pensar, sentir e agir, sendo de
responsabilidade dos adultos desenvolver o caráter e a razão, sem se preocupar
com as diferenças e as semelhanças entre uma e outra criança, mais entendendo
como se todas fossem iguais e deveriam ter o mesmo tratamento e ensinamento,
“pensava-se nelas como páginas em branco a serem preenchidas, preparadas para
a vida adulta”(CALDEIRA, 2009, p.3).
30
“Considerava-se que a criança, antes dos 7 anos de idade, não teriam
condições de falar, de expressar seus pensamentos, seus sentimentos” (CORDEIRO
e COELHO, 2006, p. 884)
Por volta do século XVII, de acordo com Caldeira, 2009 começa-se a
reconhecer que as crianças precisavam de tratamento diferenciado, antes de
integrar o mundo dos adultos. Foi ai que elas começaram a participar dos grupos
escolares.
A despeito das muitas reticências e retardamentos, a criança foi separada
dos adultos e mantida à distância numa espécie de quarentena, antes de
ser solta no mundo. Essa quarentena foi a escola, o colégio. Começou
então um longo processo de enclausuramento das crianças (como os
loucos, dos pobres e das prostitutas) que se estende até nossos dias e ao
qual se dá o nome de escolarização (ARIÉS, apud CORDEIRO e COELHO
2006, p. 885).
Entre os séculos XVIII e XIX com a explosão da Revolução Industrial, foi
direcionado um novo olhar sobre a infância. Passaram a ser vista como tendo um
valor econômico a ser explorado. Pois a urgência por mão-de-obra resulta na quebra
dos direitos infantis de acesso à escola, encaminhando as crianças direto ao
mercado de trabalho, sendo submetidas às explorações em nome dos ditames
econômicos. (CORDEIRO e COELHO, 2006).
Caldeira, (2009) relata que a mudança no conceito de infância está
diretamente ligada com o fato de que as crianças foram por longas datas
consideradas “adultos imperfeitos” (p. 4). Sendo uma etapa da vida com pouco
interesse e valores a serem considerados pelos adultos. Porém foram essas
pequenas mudanças de conceitos e visões do que é infância e o que é ser criança,
que hoje nos deparamos com novas maneira de se pensar a respeito dessa fase
sumamente importante na vida de todo ser humano.
A criança desse novo tempo possui características, tratamento, necessidades
bem distintas das do século passado, toda essa mudança só foram possíveis graças
a estudos mais aprimorados e um olhar mais voltado para a primeira fase de nossa
vida, a infância.
Sarmento e Pinto (apud SIMÃO, 2007) salientam que a criança sempre existiu
em todas as fases da humanidade, no entanto estudos e compreensões sobre a
criança e a infância são construções recentes, advindos de nosso meio social e
construído historicamente dia a dia, com colaborações familiares, sociais, políticas,
31
educacionais, enfim, tudo que nos rodeia e que de uma forma ou de outra nos
afetam e possibilitam uma mudança em nosso ser, deixando evidente a
particularidade existente entre o mundo da infância e o mundo adulto
Essa nova visão que a sociedade começou a ter sobre a infância
proporcionou uma intensificação quanto as pesquisas na área da infância, com isso
muitos estudiosos e pesquisadores têm se dedicado a respeito desses estudos,
preocupando-se sempre em conhecê-las em suas várias dimensões e em diferentes
áreas, objetivando avaliar as crianças e os processos de constituição da infância
numa perspectiva em que sejam respeitadas como sujeitos de direitos e produtoras
de conhecimentos e de cultura (SIMÃO, 2007).
A mesma autora defende a necessidade de grifar a existência de diferentes
tipos de infância, não somente a infância separada por idades, de que até dois anos
a criança deve fazer isso, até quando aquilo, mas uma infância que se destacará
através das condições e circunstâncias,sejam elas sociais, materiais, culturais,
étnicas e de gênero, a qual a criança está sendo submetida dia a dia que ira trazer
diferentes faces de uma mesma infância.
Estudos antropológicos sobre as crianças têm buscado aprender um pouco
mais sobre as formas de se ser criança e porque não como deixar de ser criança,
buscando uma analise mais voltada para a autonomia infantil, buscando
compreender seu vasto universo partindo do olhar de criança, não mais analisando
essa fase como um reflexo do mundo adulto, mais como uma fase que precisa ser
transposta para que se possa chegar ao tão temido “mundo de gente grande”
levando uma bagagem qualitativa para poder integrar-se ao novo universo dos
adultos (SIMÃO, 2007).
32
4 MÍDIA E INDUSTRIA CULTURAL
4.1 Mídia: Definições e conceitos
De acordo com Schmeling (2005) a palavra mídia vem do latim médium,
considerada por Pires (2000), como o conjunto dos meios de comunicação de
massa, Mass Media, expressão advinda do inglês.
Os meios de comunicação de massa, segundo Beltrão e Quirino (apud PIRES
2000, p.8), são como “instrumentos ou aparelhos técnicos mediante os quais se
difundem mensagens – pública, indireta e unilateralmente – a um público disperso,
denominado audiência”.
Toschi (2002) faz uma breve reflexão sobre o percurso da tecnologia e da
técnica até obtermos a mídia com a qual estamos habituados. A mesma autora nos
coloca que a técnica irá se caracterizar pela intenção ou necessidade de melhorar
algo, já a tecnologia é o conhecimento do porque da técnica e como os objetivos de
melhoria dessa técnica são alcançados. “As tecnologias não são apenas aparelhos,
equipamentos, não são puro saber - fazer, são cultura que tem implicações éticas,
políticas, econômicas e educacionais” (p.267).
O termo mídia começou a ser usado conforme foram surgindo novas
tecnologias, novos aparelhos, sendo esses aparelhos os conhecidos meios de
comunicação de massa que hoje possuímos em nossas casas. (TOSCHI, 2002).
Os meios de comunicação em massa são usados com diferentes formas,
recursos e técnicas para que as informações cheguem até o telespectador, estando
esta dividida em três grupos, mídia digital – internet e televisão digital, mídia
eletrônica – televisão, rádio, cinema e outros recursos audiovisuais, mídia impressa
– jornais, revistas, folder, catálogos (PIRES e HACK, 2004).
4.2 Industria cultural: Sentidos e significados
Indústria Cultural é um termo conhecido desde 1947 com o lançamento da
obra Dialética do Esclarecimento, de Adorno e Horkheimer. Os autores buscam
nessa obra alertar a respeito das relações de troca de mercadorias que se iniciavam
33
na época, permitindo que produtos com valores culturais perdessem seu brilho sua
especificidade de uso, dissolvendo a verdadeira cultura. (MEDRANO E VALENTIN,
2001).
O termo indústria cultural surge no período da revolução industrial, estando
ligada ao desenvolvimento industrial e tecnológico da sociedade no século XX e XXI,
estando envolvida no processo de industrialização que organiza a produção artística
e cultural no contexto das relações capitalistas de produção e que deve ser lançada
no mercado, vendida e consumida como qualquer mercadoria. Assim, valores
espirituais, artistas, pensadores, idéias, obras de arte passam por um nivelamento,
uma padronização e um ajuste que adéqua o valor de uso ao valor de troca.
(HORKHEIMER E ADORNO, apud SUBTIL S/D, p.7).
4.3 Mídia, industrial cultural, música e Educação Física
A Educação Física no meio escolar é vista como uma disciplina que se aplica
a prática de intervenções pedagógica sendo fundamental que absorva de seu
cotidiano
apontamentos
do
contexto
histórico
e
cultural. Implicando-se a
identificação e a reflexão de discursos e práticas existentes em outras áreas ou
campos de intervenção social a respeito de seus conteúdos. (BRACHT, 1999).
Sendo assim a Educação, em conjunto com a Educação Física, tornam-se
responsáveis por identificar as diversas práticas sociais de nossa cultura, buscando
uma tematização desses de assuntos atuais com as aulas.
A educação tem em primeira instancia promover mudanças desejáveis e que
venha a ser permanentes nos indivíduos, que favoreça o desenvolvimento integral
tanto do homem quanto da sociedade. Sendo assim a Educação fica responsável
por tornar um individuo mais independente, com opiniões e ações que mostrem sua
autonomia e suas reflexões pessoais no decorrer das aulas e de sua vida pessoal
(GOMES apud XAVIER, 2008)
Xavier (2008) esclarece que para refletirmos a educação é preciso falar-se de
intenções. Educação com intuitos e objetivos. Basta saber qual é o objetivo do
educador, qual sua visão de sociedade, qual sua intenção para saber-se que tipos
de cidadão poderão ser formados.
34
Luckesi (1994) compreende que para os projetos de educação serem bem
sucedidos ele depende da intenção do educador, pode ser conservador ou
transformador.
Volpato (2002) defende a idéia de que a educação vai muito além do passar
conteúdos, em meio às aulas os alunos demonstram seus sentimentos, sendo que
todos esses sentimentos possuem significados e devem ser percebidos pelo
professor.
Pensando em um educar com e para a sociedade, observa-se que esse meio
social em que estão inseridos nossos alunos reproduz sua própria cultura, suas
normas, valores e regras, como a Educação Física também esta inserida nessa
sociedade e, levando em consideração que os movimentos corporais são o centro
das aulas torna-se imprescindível ao professor fixar seu olhar a um conjunto de
posturas aliadas aos movimentos corporais, pensando nesses movimentos como
uma junção de valores (da sociedade com os da Educação Fisica), que representam
além dos sentimentos dos alunos toda a cultura de uma sociedade (FREIRE, apud
BELLONI, 2001).
É fundamental que a escola - um equipamento de enorme impacto na vida
das crianças e dos jovens - construa uma ponte entre o conhecimento estabelecido,
o patrimônio cultural da humanidade, e aquele conhecimento cultural que está
presente, circulando em nosso meio. Espera-se que a escola consiga articular esse
patrimônio com a cultura das pessoas que vivem no seu entorno e que a
freqüentam.
Compreendendo a forte relação da cultura com o meio escolar espera-se que
professores e profissionais do âmbito educacional estejam atentos a outro fato
presente em nosso meio, a indústria cultural, que mantêm uma forte ralação com a
educação através de seus meios de comunicação.
A indústria cultural pode ser definida como o conjunto de meios de
comunicação como, o cinema, o rádio, a televisão, os jornais e as revistas, que
formam um sistema poderoso para gerar lucros e por serem mais acessíveis às
massas, exercem um tipo de manipulação e controle social, ou seja, ela não só
edifica a mercantilização da cultura, como também é legitimada pela demanda
desses produtos. (COSTA ET AL 2003)
Com a industria cultural presente em nosso dia a dia percebe-se que a longo
prazo ela nos proporciona uma expansão global cultural, de estilos, de
35
comportamento, consumo, pensamento, de gostos e preferências, nos mostrando
uma popularização de fragmentos desconexos das culturas locais, onde culturas se
misturam formando um “emaranhado cultural” ganhando características advindas de
outros lugares e perdendo sua essência e traços que a caracterizam e dão
originalidade a determinados lugares. (MOREIRA, 2003)
A formação cultural agora se converte em uma semiformação socializada, na
onipresença do espírito alienado, que, segundo sua gênese e seu sentido, não
antecede à formação cultural, mas a sucede. Deste modo, tudo fica aprisionado nas
malhas da socialização (ADORNO apud MOREIRA, 2003 )
Com essas palavras Adorno nos leva a pensar que em um possível resgate
da formação cultural e cabendo aos indivíduos, grupos e classes destravarem essa
batalha evoluindo da semicultura para a formação cultural e junto com ela a
autonomia do espírito.
Zuin, (1999) relata que hoje pessoas que se dizem conhecer de tudo um
pouco, sem se aprofundar em nada, se desfazendo da teoria e se considerando
“cultos”, geram opiniões baseadas em opiniões populares já formadas. A partir daí é
importante ressaltar a importância da teoria que possui certa independência da
prática, porém uma não corre sem a outra.
Para Zuin a educação é emancipação, mas como produzir uma consciência
emancipada se hoje vivemos numa sociedade que nos impõe valores de uma
semicultura, se a indústria cultural manipula nossa consciência para aceitarmos e
reproduzimos o que a semicultura quer.
Infelizmente a semicultura e as mudança de valores vem se expandindo a
ponto de atingir as Artes (dança, música, artes plásticas).
Quanto a essa apropriação cultural artística Adorno coloca que:
O cinema e o rádio não precisam mais se apresentar como arte. A verdade
é que não passam de um negócio, sendo utilizados como veículos
ideológicos destinados a legitimar o lixo que propositadamente produzem.
Eles definem a si mesmos como indústrias e as cifras publicadas dos
rendimentos de seus diretores gerais suprimem toda dúvida quanto à
necessidade social de seus produtos. (ADORNO apud BERTONI 2001 p.76)
Adorno (apud BERTONI, 2001, p. 77), em seu ensaio “Sobre música popular”,
considera que “a Indústria Cultural prostitui os valores estéticos da arte, dando-lhe
uma falsa imagem”. A música tornou-se um fundo convencionalmente necessário e
repetitivo. O público a escuta de forma infantil ou não a escuta. Vemos que essa
36
crítica é muito atual quando sintonizamos qualquer emissora de rádio ou de
televisão preocupadas, tão somente, com o sentido mercadológico da arte musical.
Os ritmos e as letras das músicas são sempre idênticos, não acrescentando
absolutamente nada à nossa formação cultural e como pessoa. (BERTONI 2001)
Bertoni, (2001), nos coloca que as implicações das chamadas “música de
mercado” influenciam, tanto no aspecto cultural como no social, na formação das
crianças. De maneira especial, seduzem-nas pela sensualidade das danças e das
letras musicais, acarretando um desenvolvimento precoce de aspectos da
sexualidade que atropelam, de alguma forma, seu desenvolvimento afetivo.
Como conseqüência dessa massificação, podemos considerar que o fato de
se ter acesso somente à cultura de massa acaba por não permitir ao indivíduo a
aquisição do conhecimento de outros aspectos culturais que expressam a cultura do
povo, seus valores e suas lutas. Em nosso entender, a música é a expressão do
pensar e do sentir das pessoas de uma determinada época. Além de proporcionar
prazer, ela também pode informar e conscientizar. Portanto, para nós, esta postura
de consumo significa estar à margem da cultura como um todo. O indivíduo sente-se
marginalizado por não compartilhar da aquisição dos produtos ofertados pela
Indústria Cultural e, ao mesmo tempo, passa a ser discriminado por não se sentir
“idêntico”. Ele não percebe que partilhando da “cultura de massa” é que está se
colocando à margem do entendimento de sua própria cultura. (BERTONI 2001)
37
5 CONCLUSÃO
Pode-se concluir desta pesquisa que o elemento em questão, a música,
realmente está muito presente no nosso dia a dia chegando a tornar-se cultural na
vida das pessoas. Desde pequeninas, os ritmos e batidas produzidos por
instrumentos tradicionais ou improvisados influenciam as crianças, seja em suas
brincadeiras, de imitações ou nas de roda, em seu jeito de falar, característico de
canções regionalistas ou contemporâneas, em seu jeito de pensar, enfim no modo
em que elas se movimentam e expressam-se.
Por ser o movimento algo que expressa o que sentimos e o que queremos
consegue-se ver que mesmo sem ter noção do que é musica e como ela é
produzida o ser humano já se encanta e deixa-se levar pelas suas vibrações,
permitindo-se um movimentar-se livre, sentindo o que esta a sua volta e o seu
próprio corpo, sentindo-se a vontade para externalizar seus movimentos.
Na Educação Infantil percebemos que se buscam formas de deixar com que a
criança aprenda com isso as brincadeiras, os jogos, as cantigas tornam-se
fundamentais para os conhecimentos da cultura corporal.
A Educação Física por tratar diretamente do corpo e de seus movimentos
acaba por permitir que esses assuntos sejam explorados em aula, buscando
justamente estimular a linguagem denominada corporal, auxiliando em cada fase e
suas respectivas ações educacionais.
Sendo (devendo ser) a Educação Física componente curricular das
instituições de Educação Infantil cabe a ela propiciar as crianças oportunidades
adversas de experimentar novas descobertas e sensações, novos desafios e
barreiras a ser transposto por seus movimentos ainda primários mais que desejam
ser aprimorados em tudo, desde um simples salto a mais difícil cambalhota,
comprometendo-se a ser uma disciplina que forma cidadãos que conheçam suas
diversas formas de se movimentar.
No entanto, no decorrer da pesquisa deparamo-nos com um influente
fortíssimo em nosso mundo contemporâneo, as mídias, que hoje tem grande
influência na vida de todas as pessoas, pois de uma forma ou de outra todas as
pessoas estão expostas e prontas a receber todos os tipos de informações por
38
vários tipos de expositores, seja pela televisão, radio, internet, outdoor, enfim são
bombardeamentos de informações que chegam a cada minuto até nós.
Com relação a música percebe-se que a mídia realmente possui uma forte
influência sobre as crianças pois elas, e até mesmo os adultos, querem ouvir o que
passa de novo na TV, nos rádios, as bandas do momento, ou o cantor fofo que
encanta a garotada, ao meu ver não teria problema toda essa midiatização em cima
desde ou daquele artista, porém tanto nos como as mídias deveríamos selecionar o
que estão a nos passar, e nos professores incluir em nossos trabalhos em aula uma
analise de como a mídia se apropria ou produz o artista do momento, que os
conteúdos em si começassem a ser analisados, que as músicas fossem ouvidas e
não apenas escutadas, ou curtidas, como nos dizem os dialetos atuais.
Enfim, quanto a utilização da Música pela educação Física na Educação
Infantil pode-se perceber que há uma influência e uma forte recepção por parte das
crianças, pois como já foi visto a música encanta a qualquer um e deixa fluir nossa
imaginação permitindo ver o que nos rodeia com outros olhos, no entanto o
educador deve estar atento as necessidades de sua turma para que a atividade
realmente contribua para o desenvolvimento e não passe despercebido tornando-se
apenas mais uma atividade estereotipada.
39
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