O OLHAR DA ESCOLA VOLTADA PARA A LINGUAGEM DO ALUNO

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O OLHAR DA ESCOLA VOLTADA PARA A LINGUAGEM DO ALUNO
PAES, Daniele Cristine Antunes1
SOUZA, Gildeth Costa de2
RESUMO
O presente artigo aborda a importância do aprimoramento dos professores de língua
portuguesa na sala de aula, apresenta e discute alguns problemas de aprendizagem enfrentados
pelos alunos devido à falta de preparo desses professores. Enfatiza a necessidade de se
respeitar a linguagem de cada aluno, sem menosprezar a norma culta tal qual é ensinada nas
escolas, de acordo com as normas gramaticais. Por fim destaca a as vantagens de a escola ter
seu olhar voltado para a linguagem de seus alunos, vantagens essas que beneficiam alunos e
professores quanto ao ensino-aprendizagem.
Palavras-chave: Educação. Linguagem. Aprimoramento. Respeito.
ABSTRAT
This article discusses the importance of the improvement of English language teachers in the
classroom, presents and discusses some learning problems faced by students due to the lack of
preparation of these teachers. Emphasizes the need to respect the language of each student,
without belittling the cultured standard as it is taught in schools, according to grammatical
rules. Finally highlights the advantages of the school have their gaze returned to the language
of their students, these advantages that benefit students and teachers about teaching and
learning.
Words-Key: Education. Language. Improvement. Respect.
“É perfeitamente possível aprender uma língua sem
conhecer os termos técnicos com os quais ela é analisada.”
Sírio Possenti.
Na área da educação encontram-se problemas no ensino e na forma com que os
professores de língua portuguesa ensinam a língua materna ao aluno, e como são referencias
de ensino elaboram diversos experimentos teóricos e conseqüentemente fracassados na
maioria das vezes, os quais prejudicam o desenvolvimento dos alunos transformando-os em
objeto teórico de ensino, tempo e trabalho que se perde em busca de métodos que funcione.
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Universidade de Cuiabá (UNIC). Cuiabá, Mato Grosso. CEP: 78065-900 [email protected]
Universidade de Cuiabá (UNIC). Cuiabá, Mato Grosso. CEP: 78065-900, [email protected]
Ou seja, problemas com inúmeras conseqüências e mínima pratica significativa. Segundo
Possenti3, para que o ensino mude não basta recomendar alguns aspectos, é necessária uma
revolução, mudar a concepção de língua e de ensino de língua na escola.
Para que possamos refletir o assunto, sugiro a questão: Para que a importância da boa
linguagem? Vejamos a resposta do lingüista Mattoso Camara Jr.:
é pela posse e pelo e uso da linguagem, falando oralmente próximo ou
mentalmente a nós mesmos, que conseguimos organizar o nosso pensamento
e torná-los articulado, concatenado e nítido; é assim que, nas crianças, a
partir do momento em que, rigorosamente, adquirem o manejo da língua dos
adultos e deixam para trás o balbucio e a expressão fragmentada e difusa,
surge um novo e repentino vigor de raciocínio, que não só decorre do
desenvolvimento do cérebro, mas também da circunstância de que o
individuo dispõe agora da língua materna, a serviço de todo seu trabalho de
atividade menta.. (CAMARA JR, 1973)
Seguindo esse raciocínio, a linguagem é um instrumento que desenvolve e aperfeiçoa
a capacidade de pensar e de expor tais pensamentos, de acordo com a forma e ferramenta que
a sociedade manipula sobre o ser humano. A boa linguagem está em empregar no ensino do
aluno a língua padrão, para que ele possa se juntar aos grupos sociais que usam desse tipo de
dialeto como a forma mais correta de aprendizado. Sabe-se que a grande maioria de alunos é
de escola publica, muitos são alunos de classes sociais populares, os quais têm mais
dificuldade no manejo da fala e escrita. O dialeto adotado por esses alunos é de linguagem
popular, tornando-os menos favorecidos diante ao único dialeto válido, a língua padrão. Com
base na tese de natureza político-cultural, diz que é uma injustiça impor a um grupo social os
valores de outro grupo. Para Possenti, isso é um equívoco, pois os menos favorecidos
socialmente só têm a ganhar com o domínio de outra forma de falar e escrever. Desde que se
aceite que a mesma língua possa servir a mais de uma ideologia, a mais de uma função, o que
parece hoje evidente. Com base nessa teoria, explicasse o aprendizado do desconhecido e
também, uma nova língua como a estrangeira. Em resumo, quaisquer pessoas têm a
capacidade de aprender outros dialetos e línguas estrangeiras, desde que sejam expostas
constantemente a elas.
Podemos afirmar que o foco do problema está na forma que a escola impõe a língua
padrão ao aluno que não o fala usualmente e que sua realidade social não tem o convívio
cotidiano com tal língua. Como Agir diante desse impasse?
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Os limites do discurso: questões para analistas do discurso, Língua na mídia, Malcomportadas
Línguas, Humor, língua e discurso (Contexto). Traduziu, entre outros trabalhos de Dominique
Maingueneau, Gênese dos discursos.
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Antes de prosseguir com a resposta, me refiro à língua padrão como adequada no
plano de ensino nas escolas, pois, é nas formas lingüísticas e o emprego da gramática segundo
a NGB4, que prepara as pessoas com nível culto nas expressões da fala e da escrita,
conseqüentemente a soma de estudos que formam pensadores. Enfatizo a idéia de formar
pensadores, pois é nessa formação que deveria ficar bem nítido perante o olhar do professor e
a escola. Sendo assim, coloco em destaque o ensino da escola Tradicional, a qual representa a
classe dominante de ensino que invés de formar pensadores, forma maquinas “receptoras” não
havendo um “feedback” de experiências. Com o fácil acesso à informação por meio de
ferramenta chamada internet e outros meios de informação levaram em consideração que esse
domínio imposto pelos educadores está sofrendo constantes mudanças, é o que podemos notar
no cotidiano da sociedade inserida na globalização.
Antigamente, procurava-se por
informação, hoje ela vem até a você por inovadoras ferramentas. Então, diante de constantes
evoluções porque não inserir métodos revolucionários de ensino na educação escolar? Em
resposta, Possenti sugere:
para que um projeto de ensino de língua seja bem sucedido, uma condição
deve necessariamente ser preenchida, e com urgência: que haja uma
concepção clara do que seja uma língua e do que seja uma criança (na
verdade, um ser humano, de maneira geral). (POSSENTI,Sírio)
Em análise a esse considerável pensamento definimos as suas concepções em partes.
Para Saussure a língua é um objeto da lingüística, ele a define como um “sistema de signos”,
o qual estuda a estrutura a partir do copus e a taxionomia de elementos dos sistemas.
Entretanto, no Dicionário de Comunicação (Ática-1987), define outra concepção vinda do
mesmo pensamento de Saussure, que a língua é o “produto social da faculdade da
linguagem”, ou seja, a língua é distinta da fala como a lingüística é distinta da gramática, os
quais são mecanismo que estão na função da linguagem. Nas escolas é de costume identificar
a linguagem como o estudo da gramática. Então, que seja claro ao professor que trabalha com
a linguagem, que as línguas se transformam com o tempo, é o caso atual da extensa fala
popular do país, não indo tão longe, exemplo disso é a falta de concordância na linguagem
dos próprios alunos e numero significativo dos falantes brasileiros. Observem, alguns trechos
na fala retirada da pesquisa sobre a concordância de numero no português falado no Brasil de
Maria Marta Pereira Scherre (UFRJ/UnB) e Anthony Julius Naro (UFRJ): a) ... eles ganham
demais da conta . b) ... eles ganha demais da conta
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Normas Gramaticais brasileira
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Nesse exemplo mostra a falta de concordância de verbo/sujeito. Pode-se imaginar o
real numero de Brasileiros que falam a língua popular dessa maneira? Certamente. A
distribuição da concordância e não concordância segundo o grau de escolaridade, isso porque
as pesquisas mostram que aproximadamente 82 % dos brasileiros são de linguagem popular.
Então, se nas escolas ensinam o português de norma culta, esse índice de erros deveriam de
ser mínimos perante essa alta porcentagem abordada. Sugiro um novo olhar diante dessa
educação brasileira, como Orlandi fala que as línguas estão em constantes transformações,
ensinamos então aos nossos alunos como trabalhar a língua padrão com a sua realidade
cultural, pois na língua que é um instrumento de comunicação não tem o certo e errado na
fala, porém nos estudos da linguagem sim, é o que temos que mostrar isso a eles, que fora da
sala de aula, o aluno pode falar com o seu amigo de forma que possam entender como é o
caso do uso de gírias, códigos e etc. Dependendo do meio em que vive. E, mostrar que na sala
de aula aprendemos a língua de norma culta para ler e escrever de forma correta, pois com
isso faremos a diferença em redigir um texto cientifico, leituras de palavras mais complexas
como nas literaturas e etc.
Enfim, que a escola tenha esse novo olhar agregado com afetividade no modo de
ensino, pois estamos lidando com pessoas acima de tudo com vidas. Para Skinner, educar é
estabelecer comportamentos que serão vantajosos para o individuo e para os outros no futuro.
Creio que a vantagem é tanto do aluno quanto do professor, pois ao ensinar a um aluno
estaremos contribuindo com o desenvolvimento de sua aprendizagem e conseqüentemente
aprendemos com sua experiência de vida, o que é muito importante para ambos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
POSSENTI, Sírio. porque (não) ensinar gramática na escola, Campinhas, São Paulo,
mercado de letras, 1996.
CORIA-SABINI, Aparecida Maria. Psicologia Aplicada à educação. São Paulo. EPU,1986.
ORLANDI, Puccinelli Eni., O que é lingüística. 2 ed. São Paulo: Brasiliense, 2009
CAMARA JR., Joaquim Mattoso. Principios de linguistica geral: como introducao aos
estudos superiores da lingua portuguesa. 4.ed Rio de Janeiro, Academica, 1973.
SAUSSURE, Ferdinand de. Curso de linguistica geral. 23 ed. Sao Paulo, Cultrix, 1989.
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