Paradoxos de A a Z - Revista Cientifica FACUnicamps

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Revista FACUNICAMPS Ciências
Artigo de Comunicação
PARADOXOS DE A a Z
Wania Majadas1
Quando assistimos a encontros oficiais, preocupados com o destino do planeta,
vem aquele discurso desencontrado: os países denominados “ricos” pedem ações sérias
dos países denominados “emergentes” ou “em desenvolvimento” relacionadas aos
cuidados com o meio ambiente, “mas não põem dinheiro na mesa”, palavras de um dos
componentes da cúpula.
Falam muito sobre o grande problema da violência no país, Woody Allen
impressiona-se com o Rio de Janeiro, para realizar um dos seus filmes maravilhosos,
mas, em entrevista à Folha de São Paulo, afirma ter medo da violência que é divulgada
internacionalmente, embora, procure amenizar, ao dizer que Nova York também era
famosa pela violência, mas, morando lá nunca via nada disso. Mas sabemos que a
violência está assustadora no país. Vivemos falando da necessidade de melhorar a
qualidade da segurança pública, mas não cuidamos da carreira profissional daquele que
é responsável pela integridade de todos.
E a Educação, como está? Até há pouco tempo, 56 universidades federais
estavam paralisadas pela greve. Reivindicações múltiplas. As imagens da TV mostram
estudantes de cara pintada, com sorriso desencantado, olhar de pouca esperança,
exigindo ensino de verdade, professores mais qualificados e melhores instalações. As
imagens de certos laboratórios da área de saúde são assustadoras. Os estudantes pedem
10% da renda total do país para a Educação. Eles ainda conseguem ser idealistas! Ainda
conseguem sonhar! E isso é bom!
Quando se fala em Educação, o paradoxo é maior. Os Cursos de Letras estão
minguando de forma assustadora nas universidades. Já pensaram estudar língua
portuguesa on line? Alunos mais interessados reclamam, mas são vozes minguadas, pois
a maioria considera boa saída, querem passar e estudar português é muito “chato”. Às
vezes, preferem estudar inglês, imaginem, se não sabem a língua materna, será difícil
aprender língua estrangeira sem conhecer a raiz dessa aprendizagem, a língua de
origem.
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- Professora Dra. da FACUNICAMPS.
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Volume 5, Agosto de 2013
Revista FACUNICAMPS Ciências
Artigo de Comunicação
Quando o professor é idealista e apaixonado pelo que faz, ainda consegue
resultados razoáveis, pois o futuro professor, aquele que irá ser professor na área de
linguagem e expressão terá chance de desenvolver um aprendizado mais substancial,
amará os livros, não desprezará as normas gramaticais, reconhecerá caminhos de
excelência para despertar em seus futuros alunos o interesse, a certeza da necessidade
de conhecer melhor o idioma nacional. Não estamos falando em desinteresse por
línguas estrangeiras, de forma alguma, pelo contrário, elas são importantes, estamos
falando do descaso pela língua pátria. Imaginem! Várias Instituições estão fazendo esta
pérfida substituição: aulas presenciais (que já apresentam dificuldades) por informações
on line ou cursos a distância. E, ironicamente, estas mesmas Instituições declaram-se
preocupadas com as deficiências de linguagem de seus alunos em todos os Cursos:
Direito, Administração, Medicina, Enfermagem, Fisioterapia, Engenharia, e tantos
outros. As Licenciaturas cada dia mais desprestigiadas.
Por isso, o Ensino Médio está em sérios apuros. Encontrar professores de
Geografia, História, Matemática, Literatura, Língua Portuguesa é procurar “agulha no
palheiro”.
Quem sabe, com tantos jovens estrangeiros chegando ao Brasil, principalmente,
europeus, à procura de Cursos de Português, devido ao bom mercado de trabalho, os
nossos estudantes tenham um certo apetite para aprender de forma mais comprometida o
idioma nacional!
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Volume 5, Agosto de 2013
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