vikings

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Vikings:
Mais que um povo, um ideal
1 – Introdução:
Este é meu segundo trabalho para a revista Klepsidra. No trabalho
anterior, realizei uma abordagem bem ampla sobre a História da civilização
Inca. Minha área de interesse em História é justamente como surgiram, se
desenvolveram, evoluíram e, algumas vezes, se extinguiram as civilizações
dos períodos Antigo e Medieval, como os próprios Incas.
Neste trabalho, continuarei a desenvolver minha área de interesse,
porém agora escrevendo sobre um outro povo, cujo brilho social, cultural e
militar também foi imenso, mas que assim como os Incas (só que de
maneira bem diversa) acabou por perder sua cultura própria e, sendo assim,
deixou de ser um povo em particular, para se mesclar ao cenário do
Ocidente mundial.
Bem como os Incas, os Vikings não foram totalmente exterminados
(ainda existem descendentes de Incas por toda a cordilheira dos Andes, e
os descendentes dos Vikings são os povos Escandinavos de hoje), mas sua
cultura foi aos poucos se perdendo em detrimento da Religião e dos
costumes da Europa Cristã.
Pretendo aqui, não apenas mostrar de um ponto meramente
descritivo como se desenvolveu o povo Viking, mas sim explicar o
fenômeno que suas incursões causaram na Europa, discutir o fato de os
verdadeiros descobridores da América terem sido estes navegadores (por
volta de 500 anos antes de Colombo) e, por fim, explicar a seguinte
afirmação: “Os Escandinavos deixaram de serem Vikings ao se tornarem
Cristãos”.
Antes de iniciar meu texto, quero deixar claro que ele não visa ser um
trabalho completo como seria o feito por um especialista no tema, mas
apenas intenta familiarizar um pouco mais o estudante brasileiro com este
tema tão pouco conhecido: Os Vikings. No entanto é bem possível que meu
texto seja uma das mais abrangentes e completas obras sobre este povo
escrita em Português, uma vez que tive imensa dificuldade em encontrar
dados e obras sobre este tema em nossa língua. Inclusive, quando pedi
indicações bibliográficas sobre o tema para a professora de Idade Média da
USP, ela não só não me indicou com precisão nenhum livro, como também
disse que toda a bibliografia disponível sobre o povo estava em Inglês,
Francês, Alemão ou outras línguas Européias. Sendo assim, talvez meu
trabalho seja mais importante ainda do que foi o dos Incas, uma vez que
existem diversas obras sobre aquele povo traduzidas para o Português ou
mesmo feitas no Brasil.
2 – Localização Espacial e Contextualização Racial:
Neste trecho do trabalho irei descrever algumas das levas migratórias
que se dirigiram para a Europa ao longo dos séculos, dando ênfase ao
período final da Antigüidade e inicial da Idade Média.
Acredito que a melhor maneira de explicar um fato histórico é, antes
de mais nada, contextualizá-lo geograficamente. Pois bem, neste trecho irei
diferenciar a nossa noção atual de Escandinávia daquilo que era a
Escandinávia na época do surgimento dos Vikings.
2.1 – A Escandinávia:
A Escandinávia atual é composta por duas penínsulas: a Escandinava
e a Jutlândia. Na península Escandinava situam-se a Noruega, a Suécia e a
Finlândia, e na península da Jutlândia situa-se a Dinamarca. Portanto, o
termo Escandinavo refere-se aos habitantes de um desses quatro países.
No entanto, a situação não era a mesma no final da Antigüidade e princípio
da Idade Média.
Na realidade, esses quatro países ditos Escandinavos são formados
por três povos diferentes (muitos não sabem, mas ao longo da História,
centenas de povos diferentes migraram, guerrearam e, às vezes se
miscigenaram na Europa, sendo assim, o conceito de Raça pura é um
absurdo completo, mesmo em se tratando dos loiríssimos Escandinavos),
os Fineses, os Teutões (ou Teutos) e os Escandinavos propriamente ditos.
Os Fineses constituíram uma leva migratória provavelmente oriunda
do norte da Ásia, que aos poucos foi se aproximando da Escandinávia, até
se sedentarizar, no final da Antigüidade, na atual Finlândia e em algumas
regiões do norte e nordeste da Suécia.
Os Teutões são uma leva migratória muito mais antiga, desde os mais
remotos tempos eles já habitavam a Europa e moveram-se muito pouco até
se estabelecerem na Jutlândia, nas ilhas do mar Báltico e no sudoeste da
Suécia. Entretanto, os Teutões não são muito conhecidos pois tinham
divisões internas entre “raças”. As principais “raças” Teutônicas eram os
Saxões, os Anglos, os Frísios, os Jutos (cuja “raça” deu nome à Jutlândia) e
os Danos.
Por fim, os Escandinavos também são um povo muito antigo na
região, cuja presença remonta talvez aos mais longínquos tempos da Pré-
história. Eles se estabeleceram inicialmente no noroeste da Noruega, mas
depois se espalharam por toda a Noruega e pela maior parte da Suécia.
No início do século V, os Romanos estavam em franca decadência, e
em 410, visando proteger a própria cidade de Roma dos ataques das
hordas bárbaras, o Imperador retirou as tropas que guardavam a Britânia
(ilha onde atualmente se situam Inglaterra, Escócia e País de Gales). Sendo
assim, os habitantes da península da Jutlândia começaram a atacar a
Britânia, pois as condições de sobrevivência no lugar eram terríveis (terras
estéreis e frio intenso). Foi assim que Anglos, Frísios, Jutos e muitos
Saxões transferiram-se para a Britânia, onde sua miscigenação com os
Britânicos (nativos da Britânia) deu origem aos Ingleses. Depois dessa leva
migratória que perdurou pela primeira metade do século V, a Jutlândia se
viu semi abandonada, e foi ocupada pelos Danos (ao norte e centro), que
residiam no sul da Suécia e ilhas do Báltico, e pelos Saxões (ao sul).
As comunidades nessa época eram muito divididas e é provável que
cada pequeno povoado constituísse um Reino de fato.
O leitor deve estar se perguntando: “Mas por que o autor está me
falando sobre todos esses povos?” Bem, a resposta é simples. Acontece
que os Danos, foram o único povo Teutão que não migrou para a Britânia,
pelo contrário, a migração dos outros deu-lhes mais espaço, pois mesmo os
Saxões migraram em grande parte para a Britânia. Sendo assim, os Danos
se espalharam e ocuparam a Jutlândia, sem abandonar nem as ilhas do
Báltico, nem o sul da Suécia. Isso é importante para delimitar o tema de
meu trabalho, pois ao contrário do que muito acham, os Vikings não eram
os Noruegueses, os Dinamarqueses e os Suecos, pois os Suecos,
juntamente com os Danos que habitavam a Suécia compuseram, na época
Viking, o povo Varegue ou Varangiano, não sendo portanto os Suecos,
Vikings. Estes se compuseram pelos Escandinavos da Noruega e pelos
Danos da Jutlândia e ilhas Bálticas.
3 – Termos Gerais da Civilização Viking:
Esta parte da obra remete-se a explicar melhor os conceitos básicos
dos povos Norueguês e Dano, conhecidos como Vikings. Veremos aqui
como era sua forma de governo, sua religião, seus hábitos, suas
características populacionais e até seu desenvolvimento sócio-econômico.
3.1 – Miscelânea de Reinos:
Como já havia mencionado, no início do processo de ocupação da
Jutlândia pelos Danos, provavelmente cada povoado formava um Reino
distinto, sendo portanto praticamente impossível precisar quantos Reinos
haviam de fato na Jutlândia e ilhas Bálticas (no mais das vezes não me
referirei mais aos Danos da Suécia, nem tão pouco aos Suecos), é certo
que havia dezenas deles, todos muito atrasados, com suas populações
vivendo num sistema político Monárquico, semelhante a uma Monarquia
Parlamentarista, o qual explicarei mais adiante.
Já na Noruega, existiam três grandes regiões: os fiordes Ocidentais,
mais ao norte; Bergen, no oeste e sudoeste; e o fiorde Vik, no sudeste e sul.
A situação dos fiordes Ocidentais e do fiorde Vik era bem semelhante a
situação da Jutlândia e das ilhas Bálticas, apenas na região de Bergen
parece ter havido uma centralização mais precoce dos povoados locais sob
o domínio da cidade de Bergen.
No início do século VI, no fiorde Vik, foi fundada a cidade de Oslo
(atual capital da Noruega). Era uma cidadezinha agrícola, mais próxima de
um vilarejo feudal do que de um burgos. No entanto, seu povo começou a
exercer certa influência sobre os povos vizinhos e gradualmente os foi
submetendo ao seu domínio, o que provocou no final do século VII e
começo do VIII, a centralização da região sob o domínio de Oslo. Tanto que
o fiorde Vik também é chamado de Oslo.
Porém, o frio intenso e a conseqüente semi-esterilidade do solo, além
da superpopulação (a população Norueguesa chegava a cerca de dois
milhões de habitantes no início da Era Viking) fizeram com que os povos do
fiorde Vik quisessem sair de lá, rumo a lugares mais quentes e de solo mais
fértil.
A palavra Viking propriamente dita quer dizer: o habitante do fiorde
Vik. Portanto, se analisarmos sob esta perspectiva, apenas estes seriam
Vikings. Porém como os reides eram realizados por Noruegueses
(inicialmente do fiorde Vik, mas depois também das outras regiões da
Noruega) e Danos (posteriormente chamados Dinamarqueses), então
muitos tentam justificar a palavra Viking de outras formas, como por
exemplo a palavra Islandesa vik, que quer dizer baía, ou regato, sendo
assim, um Viking é alguém que vive numa baía ou regato. Há também a
palavra anglo-saxônica wic, que quer dizer acampamento, sendo assim, um
Viking seria alguém que acampa de tocaia.
De qualquer forma, os Vikings não adotavam esta denominação, eles
se chamavam pelo seu respectivo lugar de origem (podia ser o fiorde Vik, a
Dinamarca, ou até mesmo uma simples aldeia). Nem mesmo os povos da
época os chamavam de Vikings. Os povos que lhes eram contemporâneos
lhes chamavam de Nórdicos.
3.2 – Política:
Os povos conhecidos como Vikings manifestavam uma forma política
semelhante. Não se sabe se esta forma de governo era própria de todos os
Escandinavos e depois se difundiu também para os Danos, ou se ela era
própria da cidade de Oslo e difundiu-se segundo sua expansão. Porém, a
primeira hipótese é mais aceitável, visto que Oslo não chegou a formar um
verdadeiro Império, pois não dominou a Escandinávia.
A característica mais marcante dos povos Vikings no que diz respeito
a sua política é que todos eles adotavam a Monarquia, mas na grande
maioria dos casos, uma Monarquia em moldes atuais, ou seja, semelhante
às Monarquias Parlamentares de hoje em dia.
Os Reis tinham poder absoluto no que dizia respeito às guerras,
regiões dominadas e tudo que tivesse ligação com os domínios de seu
Reino. Porém, ele não podia criar leis, ou mesmo julgar pessoas, estas
tarefas eram delegadas às Althings, ou simplesmente Things. As Althings
eram uma reunião de todos os homens (mulheres não participavam) livres
(escravos não participavam) e adultos (crianças não participavam) do
Reino. Em cada localidade do Reino existia uma Althing, o que significa que
mesmo no caso de domínios pequenos, as leis e o sistema judicial poderia
variar de uma cidade ou região, para outra, dentro de um mesmo Reino. O
Rei só poderia tratar da economia e de assuntos militares das regiões
dominadas.
Na realidade, as sociedades Vikings tinham um sistema político
semelhante às Democracias Gregas, pois salvo a exceção da existência de
um Rei, cada região se autogovernava através de seus cidadãos (como na
Grécia antiga, o termo cidadão não tem o mesmo significado que hoje, pois
nem todos os habitantes eram cidadãos).
A sucessão Real era sempre conturbada, os homens mais poderosos
do Reino travavam guerras de influência e, às vezes de fato, para ver quem
iria suceder o Rei morto, já que a sucessão hereditária só foi instituída no
século XIV. Entretanto, o fato de os poderosos escolherem o novo Rei não
implicava, como veremos a seguir, na exclusão dos filhos do Rei da sua
linha de sucessão. Pelo contrário, muitas vezes o filho do Rei morto herdava
seu trono, ou por se acreditar que ele teria os mesmos valores admirados
no pai, ou então porque este (o Rei) deixara homens de confiança que
assegurariam ao filho o trono após sua morte. Essa situação era mais
comum quando o Rei morria em campo de batalha, pois devido a
necessidade de se coroar outro Rei rapidamente (para não desorganizar as
tropas), escolhia-se o filho do Rei como seu sucessor.
3.3 – As sociedades Vikings:
Os povos Vikings, assim como tinham uma mesma organização
política, também compartilhavam uma mesma composição sociocultural.
A língua falada pelos Vikings era a mesma, seu alfabeto também era
o mesmo: o Alfabeto Rúnico.
As sociedades estavam divididas, de um modo geral, da seguinte
maneira: O Rei estava no ápice da Pirâmide; abaixo dele estavam os karls,
homens ricos e grandes proprietários de terras (os karls não eram nobres,
pois nas sociedades Vikings não havia nobres); abaixo dos karls havia os
jarls, ou seja, o povo, livres, mas sem posses ou com poucas propriedades,
geralmente pequenos comerciantes ou lavradores. Os jarls compunham o
grosso dos exércitos Vikings e tinham participação nas Althings; abaixo dos
jarls, havia os thralls, escravos. Eles geralmente eram prisioneiros de
batalhas, mas podiam ser (dependendo da decisão da Althing da região)
escravos por dívidas ou por crimes, seus proprietários tinham direito de vida
e morte sobre eles.
A maior parte dos povoados Vikings eram fazendas pequenas, com
entre cinqüenta e quinhentos habitantes. Nessas fazendas, a vida era
comunitária, ou seja, todos deviam se ajudar mutuamente. O trabalho era
dividido de acordo com as especialidades de cada um. Uns eram ferreiros,
outros pescadores (os povoados sempre se desenvolviam nas proximidades
de rios, lagos ou na borda de um fiorde), outros cuidavam dos rebanhos,
uns eram artesãos, outros eram soldados profissionais, mas a maioria era
agricultora.
As semeaduras ocorriam tão logo a primavera começava, pois os
grãos precisavam ser colhidos no final do verão para que pudessem ser
armazenados para o outono e inverno. Durante o inverno, as principais
fontes de alimentos eram a carne de gado e das caças que eles obtinham.
No verão o gado era transportado para as montanhas para pastar longe das
plantações.
Nas fazendas, as pessoas moravam geralmente em grandes
casarões comunitários. Geralmente esses casarões eram habitados pelas
famílias. Por exemplo: três irmãos, com suas respectivas esposas, filhos e
netos.
As mulheres tinham a função de ajudar os maridos, além de
cozinharem e fazerem as roupas para toda a família. Quando os maridos se
ausentavam caçando ou guerreando (não só os soldados profissionais
lutavam nas guerras, o grosso dos contingentes era de homens do povo),
as mulheres se tornavam as chefes do lar, não só defendendo-o contra
invasores e bandidos, mas também comerciando com os mercadores.
As sociedades Vikings eram monogâmicas e o núcleo familiar era
como o das sociedades Cristãs, com o homem ocupando o lugar de chefe
da casa, tendo inclusive um assento diferenciado (aonde somente ele podia
sentar).
As campanhas militares eram geralmente no inverno, pois assim os
homens do povo podiam integrar os exércitos sem terem prejuízos maiores,
pois teriam feito as colheitas em suas fazendas.
A arquitetura variava de acordo com a região ocupada, ou seja,
dependendo do frio e dos recursos naturais disponíveis as casas e outras
construções eram feitas com um ou outro tipo de madeira. Aliás, a madeira
era a principal matéria prima para as construções Vikings (o que dificultou
as chances de achados arqueológicos, pois a madeira se decompõe), por
ser extremamente abundante, principalmente na Noruega, mas também nas
regiões colonizadas posteriormente, como Islândia, Groenlândia e ilhas
Britânicas.
Porém, nem só em fazendas viviam os Vikings. Existiam também
grandes cidades em seus domínios, e eles fundaram outras também. As
principais cidades da Noruega e Dinamarca na Era Viking eram: Oslo,
Kaupang, Gokstad, Bergen e Trondheim, na Noruega; e Jelling e Hedeby,
na Dinamarca. Estas cidade eram na maioria das vezes localizadas ao
redor de fiordes e protegidas com altas e largas muralhas de terra batida.
Nelas as casas eram bem menores, morando apenas o núcleo familiar em
si (homem, mulher e filhos). As obrigações eram semelhantes, mas as
cidades não dependiam da agricultura local para sobreviverem, elas podiam
fazer isso através do comércio que era a sua principal fonte de lucros.
Talvez a mais importante cidade Viking tenha sido Hedeby, na
Dinamarca. O comércio na região era tão intenso que chegava a atrair até
mesmo os Árabes da Espanha. Os Vikings vendiam e compravam de tudo,
mas um de seus principais produtos de venda eram os escravos, no mais
das vezes prisioneiros feitos em reides às ilhas Britânicas.
Sabe-se que para um Viking, o dia do nascimento era muito
importante, sendo nele definido o nome que o bebê teria. O nome da
pessoa, segundo a crença, determinava seu caráter.
Os Vikings também se preocupavam com a educação de seus filhos.
Geralmente, nas fazendas um homem velho reunia as crianças para contar
a História dos antepassados, explicar o funcionamento das Althings, dizer
que devem louvar o Rei e os Deuses, além de iniciá-las na Religião e,
algumas vezes, no conhecimento das Runas. Nas cidades não se sabe
como era realizada a educação das crianças.
Sempre que imaginamos os Vikings, lembramos de homens bárbaros,
muito maus, trajando roupas peludas e elmos com chifres. Pois bem, esta
visão está no mínimo equivocada.
Comecemos por desmistificar os elmos com chifres ou asas.
Muitos dizem que os Vikings os usavam pois tinham medo de que o
céu lhes viesse a cair nas cabeças. Na realidade, os Vikings nunca
utilizaram tais elmos, eles não passam de uma invenção artística das
óperas do século XIX, que visavam resgatar a imagem dos Vikings, sem
saber ao certo com eles eram. Os verdadeiros capacetes Vikings eram
cônicos e sem chifres, como o da foto.
Quanto às roupas peludas, é certo que no seu cotidiano eles
realmente utilizavam roupas bem grossas, devido ao frio das regiões que
habitavam, mas apenas uma minoria dos guerreiros as utilizavam, nas
batalhas, pois preferiam (por razões óbvias) as malhas de aço e ferro, uma
vez que estas protegiam-nos dos golpes.
Já o fato de serem maus e bárbaros é de fácil explicação. Os
primeiros ataques Vikings foram reides a mosteiros na costas e ilhas
Britânicas (no final do século VIII), mesmo depois, os Vikings continuaram
gostando muito de realizar ataques a mosteiros devido ao fato de estes não
serem tão bem protegidos quanto as cidades e guardarem tesouros da
Igreja Católica, além de vinho, bebida muito apreciada por habitantes de
regiões frias. Esse costume de atacar mosteiros fez com que a Igreja
rapidamente condenasse os Vikings e os visse como verdadeiros enviados
do inferno. Uma oração comum em finais do século IX dizia o seguinte: “Da
fúria dos Nórdicos livrai-nos, ó Senhor”.
Talvez a grande vantagem que os Vikings tenham tido sobre os
demais povos da Europa que lhes foram contemporâneos tenha sido sua
alta tecnologia de construção naval. Os Noruegueses e Dinamarqueses
desenvolveram no início da Idade Média um tipo de embarcação que só
veio a ser superada cerca de seiscentos anos mais tarde pelos
Portugueses, com a invenção das Caravelas e Naus (que na época
funcionavam, não eram como as de hoje).
As embarcações Vikings eram de dois tipos básicos: as de transporte
e comércio; e as de guerra. Ambas tinham em comum o fato de serem
longas, estreitas e com quilhas (parte de baixo do navio) que penetravam
muito pouco na água. Sendo assim, elas podiam navegar com estabilidade
tanto no mar profundo, quanto em rios rasos, podendo chegar até a praia
para que os guerreiros descessem e atacassem o lugar. A supremacia das
embarcações Vikings não estava somente na estabilidade, mas também na
utilização combinada de remos e velas. Os navios geralmente navegavam
com o vento através de velas (foram os primeiros navios da História a
usarem o vento como principal fonte de movimento), só utilizavam os remos
quando não havia vento.
Existiam, como já mencionei, dois tipos de embarcações, a diferença
entre elas era que as mercantes e de transporte, as chamadas knorrs, eram
maiores e mais largas que as destinadas a guerra, as chamadas drakkars.
Uma knorr precisava ser maior do que uma drakkar pelo fato de que
transportava produtos, algumas vezes elas levavam até gado, era também
nelas que as pessoas comuns se mudavam para colônias recém
estabelecidas.
Tantos as drakkars quanto as knorrs eram enfeitadas com cabeças de
dragões ou serpentes em suas proas e com velas listradas (ou xadrezes)
em misturas de verde, vermelho ou azul com branco. Nas drakkars, cada
homem ia sentado em cima de um pacote que continha suas armas e
armadura, este pacote servia-lhe de banco, cada um também tinha um
remo, e o último homem era o encarregado do leme, que dava direção ao
navio. Quando o navio estava para chegar ao local do ataque, os homens
desfaziam seus pacotes e se preparavam para o ataque. Cada drakkar
transportava em média quarenta guerreiros, uma knorr transportava muito
mais pessoas ainda. Foi graças as drakkars e as knorrs que os Vikings
conseguiram colonizaram grande parte das ilhas Britânicas, assaltar a
Europa e descobrir a Islândia, a Groenlândia e a América.
3.4 – Religião e Mitos:
Os Vikings não eram criaturas enviadas pelo demônio, ou mesmo
homens sem religião, como pensavam alguns homens da época. Apesar de
seu costume (que desagradava em muito a Igreja Católica e que lhes
proporcionou tais famas) de saquear mosteiros, os Vikings eram
extremamente religiosos e desenvolveram uma religião muito peculiar por
ser, além de semelhante às doutrinas Protestantes que lhe foram
posteriores por cerca de quinhentos anos, um dos maiores, senão o maior
incentivo que os Nórdicos tiveram para realizar sua expansão.
Além de uma religião muito evoluída (no sentido de ser adaptada às
necessidades de sua população), os Vikings também possuíam vários
mitos, como Anões, Dragões, Duendes, Serpentes Marinhas, Gnomos,
Elfos e Sereias. Todos estes mitos, por sinal, hoje em dia povoam os
chamados RPGs, que foram a febre dos adolescentes da década de 90. O
interessante em se estudar tais mitos é justamente entender como, quando
e porque surgiram suas idealizações.
Sendo assim abordarei inicialmente as idealizações da mitologia
Viking, passando depois às suas crenças religiosas propriamente ditas.
Os Vikings acreditavam que os homens podiam ser perturbados por
Elfos e Duendes, que segundo eles seriam criaturas pequenas e com
capacidades de se tornarem invisíveis (ou de se esconderem das pessoas
de tal forma que não podiam ser encontradas). Os Duendes, segundo as
crenças Vikings eram sabotadores natos, gostavam de roubar coisas e
escondê-las dos homens. Podiam até provocar naufrágios caso sabotassem
um navio. Já os Elfos eram muito parecidos com os humanos, só que bem
menores, com orelhas puxadas e poderes mágicos. Alguns rituais de
bruxaria invocavam estas entidades para pedir ajuda ou prejudicar outras
pessoas (os Elfos são um pouco semelhantes ao que representa o Saci
Pererê no folclore Brasileiro do interior).
Os Gnomos eram parecidos com os Duendes, porém, com
características boas. Eles protegiam os animais e as florestas, além de
guardarem o pote de ouro de Asgard (o céu dos Vikings).
Mitos como os das Serpentes Marinhas e Sereias são de fácil
compreensão, à medida que os Vikings (principalmente os Noruegueses)
adentravam no oceano, o medo dos naufrágios se tornava mais presente,
sendo assim a crença em criaturas que os proporcionavam era lógica. As
Sereias eram temidas pelos navegadores, pois segundo a lenda, elas
ficariam sentadas sobre os rochedos próximos do litoral e com seu canto
hipnótico atrairiam os homens para lá, fazendo o navio bater nas rochas e
afundar, matando a todos, além disso, elas também podiam aparecer no
meio do mar, onde com seu canto podiam fazer os homens se atirarem na
água para pegá-las, morrendo afogados. No entanto, as Sereias não são
uma criação da Mitologia Viking, uma vez que já existem lendas de Sereias
em contos antigos como a Odisséia, do Grego Homero. Já as Serpentes
Marinhas (comuns em representações artísticas de mapas da Idade Média)
eram criaturas que habitavam as água profundas, algumas vezes elas
podiam querer se alimentar dos homens, sendo assim subiam à superfície e
tentavam virar as embarcações para depois devorar os tripulantes.
Justamente para se protegerem das Serpentes Marinhas e de outros
perigos imaginários, os Vikings utilizavam na proa de seus barcos cabeças
de Dragão, pois assim, estariam protegidos, uma vez que acreditavam que
o Dragão era o animal mais poderoso e, portanto, mais temido do mundo.
A crença na existência de Dragões, no entanto, não é de origem
Viking. Ela remonta a um passado muito mais remoto, e teria surgido na
China, cerca de cinco mil anos antes de Cristo, quando os Chineses
encontravam esqueletos de dinossauros e tentavam explicar de onde teriam
surgido ossadas tão enormes. De um forma desconhecida, esta crença (a
dos Dragões) se difundiu pelos séculos e pelas regiões até atingir a
Escandinávia. No entanto, os Vikings foram os responsáveis pela instituição
do mito dos Dragões na Europa. Quando vemos filmes sobre histórias de
Dragões, ou jogamos RPGs com Dragões, aqueles animais não são os do
imaginário Chinês, mas sim os do imaginário Viking.
Por fim, não podemos nos esquecer dos Anões. Se pensarmos
novamente nos jogos de RPG, lembraremos que os Anões nesses jogos
são sempre representados com a imagem que temos dos Vikings (imagem
que, como já expliquei, é falsa), ou seja, utilizam elmos com chifres, botas e
roupas peludas e sua arma preferida é um machado (o machado era
realmente a principal arma Viking, mas o machado de mão, não o machado
de batalha que é muito maior e que necessita da utilização das duas mãos
em sua operação, não usavam este machado, pois gostavam de usar
escudos), a imagem dos Anões de RPGs também pode ser a de outros
povos Medievais, como Árabes e até Cristãos. Pois bem, não é que na
Idade Média não existissem as pessoas com baixa estatura, que hoje são
conhecidas como anões, mas os Anões mitológicos são criação da
Mitologia Viking. Os Nórdicos acreditavam que esses seres eram imortais e
viviam embaixo da terra, eles eram mineiros, e apesar de desprezados
pelos Deuses, sempre que podiam, ajudavam os homens.
Mas falemos agora sobre a Religião Viking propriamente dita. Ela era
uma seita complexa, com um panteão (conjunto de deuses) muito
semelhante ao da Mitologia Grega (talvez inspirado nela), o comportamento
dos Deuses em suas interações com os homens também eram muito
semelhante ao da Mitologia Grega, porém, a motivação social desta religião,
diferentemente da Grega, não era apenas explicar fenômenos e reações
inexplicáveis, mas também, e principalmente, estimular o povo que a adota
a melhorar de vida; tal qual as doutrinas Protestantes do século XVI.
A Religião Viking se chamava Ásatrú, ou Vanatrú. Não havia nela
uma explicação própria para a criação do mundo, como na maioria das
religiões, bem como, diferentemente da maioria das religiões, o culto aos
Deuses não era realizado em templos, pois os Vikings não os construíam.
Os cultos eram realizados em locais onde as pessoas se sentiam em total
sintonia com a natureza, ou seja, normalmente próximo a cachoeiras, lagos,
florestas ou até na beira do mar; desde que o lugar fosse afastado da
civilização.
O Ásatrú é baseado na renovação (digo é, pois ainda hoje existem
seguidores dessa religião), ou seja, num passado remoto teriam existido
outros deuses que não os atuais, que numa guerra foram vencidos e
destruídos pelos atuais que ocuparam seu lugar. Porém, os próprios deuses
atuais também virão a ser destruídos numa guerra e, portanto, substituídos
por outros deuses num futuro distante. Essa guerra entre os deuses é
conhecida como Ragnarök.
No Ragnarök, todos os deuses velhos morrerão e junto com eles,
também a humanidade, serão então os deuses velhos substituídos por
novos e a humanidade recomeçará do zero. Esse mito é uma clara alusão
ao Apocalipse da Bíblia, onde todos serão julgados, os bons serão salvos e
os maus punidos, no fim do mundo.
Os Vikings acreditavam que o mundo, bem como o céu (lugar onde os
deuses moravam), chamado de Asgard existia não devido aos deuses, mas
sim a uma árvore mágica chamada Yggdrasill. Esta árvore teria as raízes
tão profundas que apenas as criaturas hostis (rejeitadas pelos deuses
(como os Anões)) viviam à sua volta; ao redor do caule de Yggdrasill estava
o mundo dos homens, ou seja, o nosso mundo, chamado de Midgard; e
acima das folhas mais altas localizava-se Asgard.
Para os Nórdicos também existia uma alma, que eles chamavam
Filgia. A Filgia só se separava do corpo em duas ocasiões: na morte e ao
dormir. Em ambas as ocasiões, a alma ia “dar um passeio” no Reino dos
mortos (que depois explicarei com era) e se encontrava com as pessoas
falecidas, sendo assim, os Vikings acreditavam que ao dormirem podiam ter
presságios de coisas que estavam por acontecer, sendo os sonhos, por
isso, considerados muito importantes.
O ponto mais importante da Ásatrú, no entanto era a doutrina que
julgo semelhante à doutrina Protestante. Entendam: a Escandinávia era
extremamente fria o ano todo, por isso, a agricultura é muito difícil.
Pois bem, o mundo do mortos estava dividido em duas partes: uma
chamada Walhalla, análoga à nossa noção de Paraíso e outra chamada
Hel, análoga à nossa noção de Inferno. Walhalla tinha o clima ameno e o
solo extremamente fértil, além de o sol brilhar o tempo todo, coisa que não
acontece no Círculo Polar Ártico, pois durante boa parte do ano, as pessoas
são submetidas a chamada noite eterna, e em outras épocas, o sol nasce à
meia-noite. Já Hel (nome que inspirou nos Ingleses a palavra Hell, que em
inglês quer dizer Inferno) era gélido, com terras estéreis e noite perpétua, ou
seja, um retrato da Escandinávia. Isso (a semelhança de sua terra natal
com Hel) incentivava as pessoas a quererem deixá-la, rumo a um lugar
mais quente, de terras mais férteis e onde o dia e a noite se eqüivalessem
(ver item 4 – O Ser Viking).
Somente essa comparação entre a Escandinávia e o Hel já seria
suficiente para incentivar as pessoas a colonizar outras regiões, no entanto,
havia um outro motivo mais forte que empurrava as pessoas a isso.
Quando realizavam reides a outras regiões, mesmo que não as
colonizassem, os Vikings roubavam muitas riquezas e, por tanto,
melhoravam de vida. Pois bem, Walhalla estava reservada para os
corajosos, ou seja, os que morreram lutando; para os saudáveis, os
escolhidos dos deuses; e para os ricos e bem sucedidos. Em contraposição,
Hel estava reservado aos doentes, aos medrosos e aos pobres. Por isso,
todos lutavam para melhorar de vida, pois assim, ainda que mortos, iriam
para o tão sonhado lugar melhor.
É inevitável que se façam comparações entre as religiões Ásatrú,
Luterana e Calvinista. Uma vez que a doutrina Calvinista prevê a salvação
pela predestinação, ou seja, os que forem escolhidos pelos deus (ou por
Deus) para se tornarem ricos, receberam um sinal divino de que serão
salvos, e doutrina Luterana diz que a salvação é dada pela fé, tanto que ela
pode ser claramente ilustrada na seguinte frase: “Filha, peca forte. Mas crê
mais ainda, e serás salva”. A semelhança é óbvia, uma vez que não
importava aos Vikings as boas obras que tivessem deixado na terra, ou
mesmo a correção de suas vidas, o que importava era que acreditassem em
seus deuses (pois se não acreditassem, não teriam estímulo para lutar),
pois se fossem escolhidos por eles para serem bem sucedidos (ganhassem
as lutas e, por isso, enriquecessem) seriam salvos, caso contrário, a
danação os esperava.
Cabe ,depois de tal comparação, questionar se Lutero e Calvino não
conheciam o Ásatrú, pois se o conheciam, podemos então dizer que não
passavam de plagiadores de uma doutrina muito mais antiga. Sendo assim,
a única coisa que teriam feito na realidade foi adaptá-la à fé Cristã.
Sei que já me alonguei muito no que diz respeito às crenças Vikings,
mas, como veremos mais adiante, elas serão importantíssimas para a
compreensão do que era ser Viking e além disso, constituem talvez um dos
mais importantes legados Vikings aos nossos dias.
Abaixo segue a lista das principais divindades do Ásatrú,
especificadas com seus poderes e algumas curiosidades.
Odin: Era o principal Deus Viking. Ele governava Asgard e também
Midgard. Vivia montado em seu cavalo negro de oito patas chamado
Sleiphir, e seguido por seus dois lobos de estimação: Geri e Freki. Era o
Deus da Magia, da Morte e da Guerra, empunhava a lança Gungnir, que
nunca erra o alvo. Ele também era o Protetor dos Estadistas (governantes)
e dos Poetas. Segundo o imaginário Viking, o principal presente de Odin
aos homens foi a sabedoria, representada pelo Alfabeto Rúnico, entretanto,
Odin teve que fazer um grande sacrifício para poder criar este alfabeto.
Sacrifício este que lhe custou o olho direito. Odin era celebrado na quartasfeiras, e por isso, este dia ficou conhecido como Odinsday, que depois,
tornou-se em inglês a Wednesday (quarta-feira). O possível análogo de
Odin na mitologia Grega é Zeus, por se tratar do Deus dos deuses.
Frigg: Era a esposa de Odin, conhecida por saber de todos os
segredos do Universo, entretanto, ela não contava estes segredos para
ninguém, nem mesmo para Odin. É a deusa da Fertilidade e suas possíveis
análogas na Mitologia Grega são Era, por se tratar da mulher de Zeus e
Deusa dos Partos, ou Gaia, por se tratar da Mãe Terra, a Fertilidade em
pessoa.
Thor: É com certeza o Deus mais conhecido do Ásatrú. Isso devido, é
claro, ao famoso desenho de nome “Thor, o Deus do Trovão”. Na verdade,
Thor não era apenas o Deus do Trovão, mas também o Deus da Chuva, do
Relâmpago e da Vingança. Ele era o melhor entre todos os guerreiros de
Asgard, mas não era o Deus da Guerra, nem dos Guerreiros. Empunhando
seu mítico martelo de pedra chamado Mijollnir, ele era invencível em
qualquer batalha. Os guerreiros Vikings costumavam usar réplicas em
miniatura do Mijollnir penduradas em seus pescoços durante as batalhas,
pois acreditavam que assim também seriam invencíveis, como o Deus.
Apesar disso, Thor era o menos inteligente de todos os deuses. O possível
análogo de Thor na Mitologia Grega é Apolo, por ser filho de Zeus, bem
como Thor é filho de Odin, além disso, Apolo é o Deus do Sol, e Thor
também é Deus de entidades celestes. Este Deus era reverenciado todas
as quintas-feiras, sendo este dia chamado de Thorsday, que deu origem ao
nome da quinta-feira em inglês, ou seja, Thursday.
Loki: Também é filho de Odin, e irmão de Thor, era um Deus curioso,
por ser ao mesmo tempo o Deus do Bem e do Mal. Ele era conhecido com o
trapaceiro de Asgard, pois sempre tentava enganar os outros deuses. Seu
dia de reverência era o sábado, que era conhecido como Lokisday, mas
este dia, por não se tratar de um Deus de tanta relevância no contexto
Viking, não deu origem ao nome atual do sábado em inglês.
Tyr: Era o Deus dos Guerreiros e do Combate (não da Guerra). Era o
líder do exército dos deuses, apesar de não ser nem de longe o melhor
guerreiro. Seu possível análogo na Mitologia Grega é Marte, que apesar de
ser o Deus da Guerra, também não é nem de longe o melhor guerreiro do
Olimpo. Tyr era muito celebrado principalmente pelos soldados
profissionais, e seu dia era a terça-feira, que ficou conhecida como Tyrsday,
palavra que em inglês deu origem à Tuesday (terça-feira).
Frey: Trata-se de um dos principais Deuses do Ásatrú. Ele é o Rei
dos Duendes e o Deus masculino da Fertilidade. Ele é sempre representado
com o pênis ereto, para demonstrar que é fértil.
Freya: Irmã de Frey, é a mais importante entre as Deusas do Ásatrú,
superando até mesmo Frigg. Ela também é uma Duende e é a Deusa do
Amor e da Magia. Era celebrada nas sextas-feiras, por isso este dia era
chamado de Freyasday, o que deu origem em inglês ao dia Friday (sextafeira).
Heimdal: Era o porteiro de Asgard, ele guardava a única forma de
acesso ao Reino dos deuses: o arco-íris.
Njord: É um Deus muito importante para os Vikings, por se tratar do
Deus dos Mares, era também o Protetor dos Marinheiros e Pescadores.
Idun: Deusa da Saúde, possuía uma caixa de madeira mágica, onde
guardava um infinito número de maçãs as quais tinha a obrigação de servir
a todos os deuses, todos os dia. Estas maçãs é que lhes garantiam a força
e a eterna juventude. Na Mitologia Grega existia a crença de que os deuses
se mantinham fortes e jovens porque comiam Ambrósio e bebiam Néctar
todos os dias. Quem servia Néctar aos deuses Gregos era Baco, o Deus do
Vinho, por isso ele é o possível análogo de Idun.
Nornes: Eram três irmãs responsáveis pela guarda e preservação da
árvore Yggdarsill. Elas deveriam mantê-la longe das vistas dos homens e
fazer chover hidromel (bebida alcoólica a base de mel fermentado, típica
dos Vikings) sobre suas raízes todos os dias, para que ela nunca morresse,
o que seria o fim do mundo. Urd era a irmã mais velha e vivia olhando para
trás, por cima do ombro; é a Deusa do Passado. Verdandi é bem jovem e
gosta de olhar para o chão; é a Deusa do Presente. Já de Skuld, não se
pode precisar a idade, pois ela vive enrolada em panos negros e com um
capuz na cabeça, além disso, ela leva um pergaminho nas mãos,
pergaminho esse que contém os segredos do Futuro, do qual ela é a
Deusa.
Dvalin: É o Rei dos Anões, além de ser o Deus do mundo
subterrâneo.
Valkyrias: São entidades femininas que aparecem para os homens
que estão prestes a morrer. Apenas estes podem vê-las, para os demais
elas são invisíveis. Elas têm a missão de conduzir os mortos até Walhalla
ou Hel.
4 – O Ser Viking:
Bem, agora que o leitor já está bem familiarizado com os Vikings, eu
explicarei o porquê do título deste trabalho. Como podem ver, no título eu
afirmo que os Vikings não eram apenas um povo, eram muito mais, ou seja,
eram um ideal.
Mas como? Você mesmo disse que os Vikings eram os habitantes do
fiorde Vik, não disse? O leitor deve estar perguntando.
Pois eu respondo. Todos conhecem pelo menos um pouco da História
da Roma. Pois então, Roma, como todos sabem é um cidade, a atual
capital da Itália, mas no passado já controlou um dos maiores Impérios que
o mundo já teve. Nesta época dizia-se Romano a um conjunto de situações
e a Cultura que foi estabelecida por aquele povo, mesmo que fosse o
Romano de Alexandria, no Egito ou de Córdoba, na Espanha. Tudo
pertencia ao estilo próprio de Roma, que surgiu na cidade de Roma. Sendo
assim, é mais fácil explicar o porque do nome Viking, basta compreender
que foi um estilo de vida que surgiu no fiorde Vik.
No entanto, os Romanos conquistaram um grande Império, enquanto
que os Vikings tiveram pouquíssimos períodos de união. O que caracteriza
os Vikings como um grupo não é a raça, pois como vimos os Danos são
Teutões e os Noruegueses são Escandinavos. Não é um Império, pois salvo
durante o reinado de Canuto os Vikings não foram totalmente unidos. O que
os caracteriza como um grupo então?
Poderia ser a mesma língua, mas não é. Poderia ser a mesma forma
de governo, mas não é. Poderia ser o mesmo estilo de embarcações,
roupas, alimentação, armas e guerras. Mas também não é. Poderia, é
verdade, serem todas essas coisas juntas, formando então uma mesma
Cultura. É, poderia, inclusive esta hipótese chega bem perto do que é de
fato ser Viking. Mas o ser Viking não é apenas ter uma mesma cultura, nem
sequer religião, porém, o Ásatrú esta diretamente ligado ao que é ser
Viking, mas não é o único motivo, quero dizer. Não bastava seguir o Ásatrú
para ser Viking, pois o Ásatrú foi, provavelmente, criado com o intuito de
incutir em todos os Vikings aquilo que podemos definir como: o ideal Viking.
Mas o que seria este ideal?
Bem, chega de enrolação, o ser Viking é ser movido pelo ideal de
fugir do frio e da esterilidade do solo a qualquer custo. Não importa se o
indivíduo terá de matar, roubar, destruir e até morrer (indo para Walhalla).
Desde que ele consiga sair do triste inferno gelado e estéril onde vive para ir
habitar terras melhores, tudo bem.
Partindo destas afirmações podemos então finalmente discorrer sobre
o pensamento que lancei no início da obra: “Um Escandinavo deixa de ser
um Viking quando ser torna Cristão”.
É simples a dissertação sobre esta frase. Os Vikings tinham o Ásatrú
como uma espécie de manual de instruções de seu ideal (como expliquei no
item 3.4). Sua religião não só os obrigava a procurar um lugar melhor para
viver, como também justificava tudo o que fizessem para chegar a ele.
Portanto, a instituição dos valores Cristãos nas cabeças dos Escandinavos
foi incutindo neles o medo de que se pecassem (matando, saqueando
mosteiros, roubando, comercializando com os Árabes...) poderiam ser
punidos. Além disso, a doutrina Católica diz que os homens devem se
resignar com a situação a que Deus os submeteu, pois tudo não passa de
uma provação Divina.
Sendo assim, depois de pouco mais de um século da conversão do
primeiro Rei da Noruega ao Cristianismo, a chamada Era Viking chegou ao
fim. Pois em um século, uma religião preparada para dominar o povo, como
o Catolicismo, pode se enraizar em uma população de tal forma que as
crenças antigas podem chegar à beira do esquecimento. Podemos então
afirmar que o Catolicismo destruiu os Vikings.
5 – Como os Danos se tornaram Dinamarqueses:
Como já fiz referência no item 2.1, os Danos eram um dos povos
Teutões e se estabeleceram na Jutlândia, ilhas do Báltico e sudoeste da
Suécia. Como também fiz referência nesse mesmo item, os Danos que
habitavam a Suécia, bem como os próprios Suecos, não eram Vikings, eram
Varegues. Mas como e quando os Danos da Jutlândia e ilhas do Báltico
começaram a ser conhecidos como Dinamarqueses.
Bem, esta é uma História que remonta aos tempos de Carlos Magno.
Para melhor esclarecimento façamos uma breve contextualização para
explicar quem foi Carlos Magno.
Desde o final do Império Romano, os Francos se estabeleceram
como um Reino, com o legendário Rei Clóvis de Reims. Ele foi o fundador
da Dinastia Merovíngia, que governou o Reino Franco do século V até o
século VIII. Entretanto, os Reis Merovígios tinham o costume de eleger um
Prefeito do Palácio, que funcionava como uma espécie de Primeiro Ministro
do Reino. Aos poucos, os Prefeitos do Palácio começaram a se tornar mais
influentes e importantes que o próprio Rei Franco, no entanto, não davam o
golpe e se tornavam Reis, pois não teriam apoio o suficiente.
No princípio do século VIII, Carlos Martel foi escolhido como Prefeito
do Palácio e em 732, conteve a expansão Árabe que visava tomar a cidade
de Poitiers. À partir daí, os Prefeitos do Palácio ganharam mais poder junto
ao papado, uma vez que um deles conteve a invasão dos terríveis Mouros
(como eram conhecidos os Árabes). Carlos Martel tornou-se muito influente
também entre a população Franca, e conseguiu que o Rei lhe permitisse
que seus filhos herdasses dele o posto de Prefeitos do Palácio.
Pepino e seu irmão Carlomano (filhos de Carlos Martel) herdaram
então o posto de Prefeitos da Palácio. Em 747, Carlomano renunciou
deixando Pepino como único Prefeito do Palácio. Porém Pepino tinha
ambições maiores do que ser apenas o Prefeito do Palácio, realizou um
acordo com o Papa Zacarias e, em 751, depôs o Rei Merovíngio Childerico
III e foi coroado Rei dos Francos, com o nome de Pepino III, o Breve. A
Dinastia de Pepino recebeu o nome de Dinastia Carolíngia, em homenagem
a seu pai, Carlos Martel. Em troca pela coroação, Pepino reconquistou para
a Igreja as terras em volta de Roma (o Exarcado de Ravena e o Ducado de
Roma). O Reinado de Pepino III iniciou de fato o período dos Reis Francos
Cristãos. Quando Pepino III morreu, em 768, seu Reino foi dividido entre
seus dois filhos: Carlos e Carlomano. Porém, Carlomano morreu em 771,
deixando Carlos reinar sozinho.
Carlos veio a ser conhecido como Carlos Magno (ou seja, Carlos, o
Grande). Ele dedicou os primeiros anos de seu Reinado a expandir os
domínios do Reino Franco, pois queria Cristianizar o mundo. Tentou
retomar a Espanha aos Árabes mas, como fracassou, estabeleceu na divisa
entre o Reino Franco e a Espanha uma Marca, ou seja, uma região
governada por um Marquês. A Marca era extremamente militarizada e
visava ser uma zona tampão para impedir o avanço dos Mouros. A idéia de
instituir Marcas nas regiões fronteiriças agradou Carlos Magno, pois dessa
forma ele não precisaria manter um exército nacional, bastariam os
exércitos dos Marqueses. Por seu poderio crescente e esforços em prol da
disseminação da fé Cristã, em 800, Carlos Magno foi coroado pelo Papa
como Imperador Romano (alguns julgam que nasceu aqui o Sacro Império
Romano-Germânico, mas na realidade ele só nasceu mesmo no final do
século X, sob Oto I).
Como eu já havia mencionado no item 2.1, os Saxões não rumaram
todos para a Inglaterra, muitos ficaram na região sul da Jutlândia e outros
rumaram mais para o sul ainda, numa região que ficou conhecida como
Saxônia. Os Saxões eram pagãos e por isso, Carlos Magno iniciou ataques
a seu território já no ano de 772, com o objetivo de conquistá-lo e converter
os Saxões (da Saxônia) à fé Cristã, missão que finalmente concluiu em 803.
Sendo assim, Carlos Magno estabeleceu uma Marca na Saxônia, mas
ordenou a ela a anexação da Jutlândia, região onde moravam os Danos.
Nessa época, os Danos da península da Jutlândia estavam unificados
sob um Rei Herói (os Reis Heróis são Reis que antes da época da
unificação definitiva do país, conseguiram uma unificação temporária,
graças a seus feitos heróicos ou gloriosos, entretanto, tão logo esses Reis
morriam, o país se fragmentava novamente) chamado Godofredo (porém
Godofredo não dominava os Danos das ilhas Bálticas e da Suécia), que era
de origem Norueguesa. A Marca Franca desfechou alguns ataques contra
os Reino de Godofredo, mas teve o azar de que os Danos lutavam todos
juntos, como se fossem um país de fato, por estarem passando por um
período temporário de centralização Monárquica. Sendo assim, os Franco
fracassaram em seus ataques contra os Danos e estabeleceram uma nova
Marca que foi batizada de Marca dos Danos, depois Marca Dana, depois
Dana Marca e por fim Dinamarca.
Portanto Dinamarca era o nome da região tampão localizada entre o
Império de Romano de Carlos Magno e a Jutlândia de Godofredo. No
entanto, os Danos da Jutlândia e depois os das ilhas Bálticas começaram a
se chamar de Dinamarqueses para se diferenciarem dos Danos da Suécia.
Só para complementar quanto a Carlos Magno, depois de sua morte,
em 814, seu filho não conseguiu manter o Império tão forte quanto era, e
com seus netos (de Carlos Magno), finalmente ele se fragmentou em três
Reinos inicialmente, depois em mais. Porém, a Dinamarca também se
fragmentou novamente após a morte de Godofredo, mas Jelling se
estabeleceu, durante o Reinado de Godofredo e perdurou depois, como
centro de poder da Dinamarca, tanto que mais tarde, quando o país foi
unificado definitivamente, a capital se tornou Jelling. Copenhague só se
tornou a capital da Dinamarca em 1443.
6 – A História dos Vikings:
Esta parte do trabalho se remete a narrar os fatos mais importantes
da História Viking. É claro que não se tratará de uma sessão completa, visto
que a complexidade de uma civilização é muita para que se pretenda
esgotar seus fatos. Mas darei um panorama geral dos principais Reis,
batalhas, conquistas e fatos da História Viking.
Para melhor compreensão dividirei a sessão em três partes, e cada
parte em duas sub-partes, para assim explicar mais didaticamente os feitos
e fatos de Dinamarca e Noruega nos períodos estudados em cada sessão.
6.1 – Os Vikings da segunda metade do século VIII até a primeira
metade do século IX:
Aqui relatarei os principais acontecimentos que deram origem aos
povos Vikings, além de narrar o início da Era Viking, com o famoso saque
ao Mosteiro de Lindisfarne, na Inglaterra.
Neste período Noruegueses e Dinamarqueses estavam ainda se
estabelecendo como povos navegadores e conquistadores. Foi nesta época
que os Vikings estabeleceram suas primeiras colônias e bases militares fora
de suas terras natais.
6.1.1 – Os Noruegueses no Período de 750 a 850:
Por volta de 750, os povoados e cidadezinhas do fiorde Vik já
estavam unificados sob o controle do Rei Viking de Oslo. Esses povos
sobreviviam através da caça, da agricultura e da pesca. Mas tinham o
sonho de obterem as riquezas das quais os viajantes falavam.
Os Reis de Oslo haviam, com o intuito inicial de se protegerem de
ataques dos Suecos e de Bergen, incentivado a criação de um exército
profissional. Estes homens eram da mais alta classe social: os karls, e eram
sustentados pelo governo para treinarem técnicas de combate. Eles
compravam suas armas e vestimentas com recursos próprios, e estavam
sempre prontos para o combate.
No ano de 793, alguns navios carregados de soldados profissionais
deixaram o fiorde Vik e rumaram para as ilhas Britânicas. Seu destino era a
atual Holy Island, na Inglaterra. Na época esta ilha se chamava Lindisfarne
e havia nela um feudo da Igreja, com um Mosteiro de relativa importância.
É bom que se esclareça que a Inglaterra havia sido convertida à fé
Cristã pelos Romanos no século IV, mas com sua saída, no século V, ela foi
invadida pelos povos Teutônicos (Frísios, Jutos, Anglos e Saxões), que
perseguiram os nativos Britânicos (que haviam sido convertidos pelos
Romanos). Mais ao norte, na atual Escócia, havia os Celtas, que já
praticavam o Cristianismo também desde os tempos Romanos.
Os Britânicos foram caçados pelos Teutônicos e foram obrigados a se
refugiar em pontos do extremo ocidente da ilha: a Cornualha, mais ao sul;
Gales mais ao centro; e Strathclyde, mais ao norte, perto dos Celtas e dos
Pictos que habitavam a região da atual Escócia. Os Celtas, junto com os
Britânicos tornaram Cristã a Irlanda, mas não tiveram o mesmo sucesso na
Inglaterra em si. Porém, em 597, uma missão enviada por Roma e chefiada
por Santo Agostinho (este é o segundo Santo Agostinho, antes dele existiu
um outro que viveu no século IV) chegou ao Reino Teutônico de Kent (na
região sudeste da Inglaterra) e conseguiu convertê-lo ao Catolicismo, Santo
Agostinho teve sua missão facilitada pelo fato de que a esposa do Rei de
Kent era Celta, e por isso, Cristã. No entretanto existiam vários outros
Reinos Teutônicos na Inglaterra, tais como: Wessex, Sussex, Essex,
Mércia, Anglia Oriental, Lindsey, Deira e Bernícia (estes dois últimos depois
foram unificados formando a chamada Nortúmbria).
Em 625, Edwin, Rei da Nortúmbria, quis se casar com Ethelburga,
princesa de Kent. Porém, seu pai (o pai da princesa) exigiu, como condição
para conceder a mão da filha, que Edwin se deixasse batizar e abrisse seu
Reino para a conversão ao Cristianismo. Edwin então consentiu que o
pupilo de Santo Agostinho, o monge Paulino o batizasse em York, no ano
de 627. Depois disso, ele permitiu que Paulino pregasse para o povo ao
lado do palácio Real, na cidade de Yeavering, construindo, inclusive, para
Paulino uma igreja monumental em York (onde foi celebrado o casamento).
Em 633, Edwin morreu e seu filho, Oswald ascendeu ao trono já
sendo Cristão. Entretanto Paulino havia retornado para Kent, então Oswald
pediu que lhe fosse enviado outro missionário para ocupar o lugar de
Paulino. O enviado foi Aidan. No entanto, Aidan não tinha uma formação
sacerdotal nos moldes Romanos, ele era Celta e pertencia ao Cristianismo
das Igrejas Britânica e Celta (legadas pelos Romanos). Aidan ergueu na ilha
de Lindisfarne o Mosteiro de Lindisfarne, além de convencer o Rei Oswald a
construir vários Mosteiros por toda a Nortúmbria (que fazia divisa com os
Reinos Celtas e Pictos do norte). A influência de Aidan sobre o povo da
Nortúmbria foi tão grande que, com efeito, ele converteu o Reino ao
Catolicismo. A Nortúmbria junto com os Celtas e o Reino de Kent
evangelizaram toda a Inglaterra e a Escócia, além de enviarem missionários
para as ilhas próximas (conhecidas como ilhas Britânicas). Em 664, em
Whitby, na Nortúmbria, foi assinada a união das Igrejas Católicas Celta e
Romana.
Toda esta explicação serviu para mostrar que em 793, quando os
Vikings se dirigiram para a ilha de Lindisfarne, a Inglaterra já era Cristã a
algum tempo.
Pois bem, num certo dia, logo depois do amanhecer, aportaram na
ilha de Lindisfarne as drakkars Vikings, e delas desceram centenas de
guerreiros, soldados profissionais, que operaram um verdadeiro massacre
na população do feudo, mataram facilmente os poucos guerreiros do
Mosteiro, assassinaram vários monges, aprisionaram outros (para vender
como escravos), adentraram no Mosteiro, roubaram as peças em ouro e
pedras preciosas e por fim atearam fogo à construção.
Partiram de volta para Oslo deixando para trás um rastro de
destruição e iniciando na população inglesa um medo terrível de novos
ataques, pois os sobreviventes do reide abandonaram Lindisfarne e
espalharam a história.
Nos anos que se seguiram, os Vikings realizaram diversos outros
reides a Mosteiros em ilhas e na costa inglesa e Escocesa, principalmente
na Nortúmbria.
Quanto a Escócia é interessante que se diga como esta se formou.
Os Romanos jamais dominaram a região norte da Britânia devido a
ferocidade com que se defendiam seus habitantes: os Pictos. Não se sabe
muito sobre eles. Sabe-se apenas que existiam duas língua nesse povo (os
do sul, próximos à Inglaterra, falavam a língua dos Britânicos (que não é
muito semelhante ao inglês, é mais parecida com o Galês), e os do norte,
um dialeto desconhecido). Na realidade, a sociedade Píctica era
inicialmente agrícola (semelhante às sociedades feudais), mas um SuperReino (no Feudalismo, quando um Senhor impõe sua suserania a vários
outros, o Reino resultante de todos os Reinos que lhe prestam vassalagem
é chamado Super-Reino) parece ter se desenvolvido, evoluindo, nos
séculos VII e VIII, para uma Monarquia centralizada. Uma curiosidade sobre
os Pictos era que a sucessão Real não era pelo filho mais velho do Rei,
mas sim pelo sobrinho mais velho do Rei que fosse filho de alguma de suas
irmãs, sendo assim, os homens mandavam, mas as mulheres é que
estabeleciam a linhagem de sucessão.
Os Celtas que habitavam a Irlanda, chamados Irlandeses, também
compunham uma parte da população da atual Escócia, inclusive o termo
Escocês era sinônimo de Irlandês, somente depois de muito tempo de
ocupação dos Irlandeses na Escócia é que o termo Escocês passou a
designar exclusivamente os Irlandeses da Escócia.
Por volta do começo do século VIII a família Real Píctica iniciou uma
política de alianças matrimoniais com a família Real Escocesa (os
Irlandeses da Escócia também já haviam realizado sua unificação
Monárquica), resultando em príncipes aspirantes aos tronos dos dois
Reinos. Em 843, finalmente o Reino Píctico e o Reino Escocês se uniram na
formação da Escócia, estabelecendo um sistema de sucessão partilinear,
ou seja, cada vez o descendente de um dos Reinos governava. Entretanto,
na região conhecida hoje como Escócia havia também o Reino Britânico de
Strathclyde, que à partir da fusão Celto-Píctica na Monarquia Escocesa,
começou a ser impiedosamente atacado até ser totalmente anexado à
Escócia em finais do século IX.
Os Noruegueses atacavam não só a Nortúmbria e a Escócia, como
também as ilhas Britânicas e a Irlanda. Nos ataques às pequenas ilhas os
Vikings da Noruega conquistaram neste período as primeiras colônias de
sua História. Entre os anos de 800 e 810, eles capturaram os arquipélagos
de Shetland, Orkney (Órcadas) e Faeroer (Faroe), estabelecendo colônias
de povoamento nesses lugares.
Os guerreiros não encontravam muita dificuldade para dominar
arquipélagos pequenos como os referidos, devido ao fato de serem mal
protegidos, uma vez que além de missionários, havia apenas pequenos
povoados agrícolas nessas regiões. Dificilmente os Vikings encontravam
alguma tropa de cavalaria ou mesmo guerreiros Cristãos profissionais
(nobres). Nessas campanhas começaram a ser utilizados membros das
classes mais pobres da população, ou seja, os jarls, que iam às expedições
em busca de riquezas e motivados pelos preceitos do Ásatrú.
Os ataques à Irlanda eram curiosos, pois devido à divisão em que a
ilha se encontrava, muitos guerreiros Vikings acabavam se desviando de
seus objetivos iniciais durante os ataques. Vejamos. A Irlanda era uma ilha
de população Celta, eles haviam chegado lá antes mesmo da era Cristã,
mas haviam sido (como já mencionei) convertidos ao Cristianismo.
Inicialmente, haviam vários Reinos feudais na ilha, porém, com o passar do
tempo, através de guerras, os pequenos Reinos foram jurando vassalagem
uns aos outros até formarem os quatro Super-Reinos da Irlanda: os Uí
Dúnlainge, no sudeste; os Eógannachta (ou Munster), no sudoeste; os Uí
Briúin (ou Connaught), no noroeste; e os Uí Néill (ou O’Neill), no nordeste.
À partir de 795, os Vikings Noruegueses começaram a realizar reides
nas costas Irlandesas, mas as lutas entre os Super-Reinos acabaram por
desviar vários soldados profissionais de seu objetivo, ou seja, o saque. Isso
por que os Super-Reinos contratavam-nos como mercenários para lutarem
contra os outros Super-Reinos. Mesmo assim, os reides Vikings
continuaram e na maioria das vezes causavam pânico e resultavam em
saques valiosos.
Em 841, uma expedição gigantesca aportou no sul da Irlanda e
arrasou o Super-Reino dos Uí Dúnlainge, no sudeste. Terminaram por
estabelecer uma base permanente na ilha com a conquista da cidade
fortificada de Dublin (atual capital da Irlanda). Entretanto, os Vikings não
colocaram o território dos Uí Dúnlainge sob sua autoridade direta. Deixaram
seus aliados O’Neill administrarem a região, e guardaram para si apenas os
direitos comercias dela, mesmo assim muitos Noruegueses migraram para
a Irlanda, onde estabeleceram vários povoados. Posteriormente também
Dinamarqueses migraram para as terras Norueguesas da Irlanda. Mas o
centro Viking da Irlanda continuou sendo Dublin, e todos os três SuperReinos restantes lhe respeitavam e temiam.
6.1.2 – Os Dinamarqueses no Período de 750 a 850:
Há cerca de mil e duzentos anos atrás, ou seja, por volta do ano 800,
os Dinamarqueses entraram em sua Era Viking. Como já mencionei, até
esta época eles não se reconheciam como sendo Dinamarqueses, mas
apenas como Danos.
Após 803, quando repeliram as tentativas de Carlos Magno de
conquistar a Jutlândia, os Danos passaram a se reconhecer gradativamente
mais como Dinamarqueses.
Como eu disse (nos itens 2.1 e 5), a região sudoeste da Suécia
também era habitada por Danos, mas estes não eram Vikings. Apesar
disso, mais tarde foram também anexados àquilo que se tornou a
Dinamarca.
Apesar de terem repelido os ataques de Carlos Magno, os
Dinamarqueses, governados na época por Godofredo, sabiam que outros
ataques poderiam vir a ser desfechados contra seu povo. Por isso,
Godofredo ordenou por volta de 805 ordenou a construção de uma muralha
de terra para separar a Jutlândia do Império de Carlos Magno. Essa
muralha recebeu o nome de Danevirke e sua finalidade primordial era
proteger a cidade de Hedeby, que era o mais importante centro de comércio
da Dinamarca.
Enquanto Carlos Magno reinou os Dinamarqueses não se atreveram
a atacar seu Império; contentando-se em atacar apenas a região sul da
Inglaterra, ou seja, os Reinos de Kent, Essex, Wessex, Sussex, Mércia,
Lindsey e Anglia Oriental; mas após sua morte, em 814, iniciaram seus
reides na Europa continental.
Os Dinamarqueses também são considerados Vikings, porém suas
rotas de ataques não eram as mesmas dos Noruegueses (ver mapa no final
do item 2.1). Eles costumavam ir até a foz de rios como o Sena e o Reno e
à partir daí subi-los e saquear as cidades e vilas em suas margens. Depois
retornavam para sua terra natal com o produto dos saques.
Entretanto, o maior feito dos Dinamarqueses no período referido foi
realizado no ano de 851 (sei que o período em teoria iria até 850, mas
preferi enquadrar este ato aqui para não inflar demais a próxima cronologia
Dinamarquesa).
Mas voltemos, em 851 uma grande esquadra Viking deixou a
Dinamarca rumando para a Inglaterra. Eles se dirigiam para a região de
costume, ou seja, o sul e sudeste da ilha. Porém não havia apenas drakkars
na esquadra, pelo contrário, havia muitos knorrs (navios de transporte)
carregando inclusive mulheres e crianças. Isso caracterizava uma
expedição atípica, pois as expedições que realizavam reides levavam em
média apenas um ou dois knorrs (às vezes mais, dependendo do tamanho
do lugar a ser saqueado), mas estes iam para trazer os saques de volta,
portanto não levavam mulheres, nem crianças.
Mas por que esta expedição levava mulheres e crianças? Simples,
porque ela não visava realizar apenas um reide, mas sim se estabelecer na
Inglaterra, ou seja, criar lá uma base para os Dinamarqueses (assim como a
cidade de Dublin era para os Noruegueses, na Irlanda).
Os navios se dirigiram para o Reino de Kent e, numa ilha chamada
Sheppey, na foz do rio Tâmisa (a menos de 50 km de Londres),
desembarcaram. Eles exterminaram o povoado que havia ali e sem muita
resistência iniciaram uma povoação Viking na Inglaterra.
A escolha da ilha Sheppey não foi por acaso, se tratava de um lugar
estratégico, pois por se situar na foz do principal rio da Inglaterra, permitia
que os Vikings atravessassem boa parte da ilha, saqueando-a. Bastava que
o povoado fosse bem fortificado, o que os Dinamarqueses trataram de fazer
o mais rápido possível, para evitar os ataques Ingleses.
6.2 – Os Vikings da segunda metade do século IX até a primeira
metade do século X:
Podemos dizer que esta é a chamada Época de Ouro dos Vikings.
Eles já estavam bem organizados e possuíam colônias (os Noruegueses
apenas) e bases militares fora da Escandinávia. Neste trecho veremos
como, à partir ou não de tais pontos, os Vikings ampliaram seus domínios
chegando a conquistar muitas áreas na Inglaterra e França, além de
descobrirem a Islândia. Porém, também foi neste período que o Catolicismo,
o germe da destruição dos Vikings,
começou a ser plantado nas
sociedades Escandinavas, com a conversão de alguns Reis.
6.2.1 – Os Noruegueses no Período de 850 a 950:
Os Noruegueses continuavam suas navegações desenfreadas e, em
860, navegando para noroeste das ilhas Faroe, encontraram a Islândia. Na
verdade é incorreto afirmar que os Vikings descobriram a Islândia, pois
quando lá chegaram a terra não estava deserta, ou habitada por nativos,
mas sim por monges Irlandeses eremitas. Entretanto, tais monges, a
exemplo de Lindisfarne, foram ou mortos ou aprisionados para serem
vendidos como escravos. O que deixou o caminho livre para a colonização
de mais esta ilha. Porém, logo os Noruegueses perceberam que o lugar era
tão frio quanto sua terra natal (por isso o nome Terra do Gelo, em inglês
Iceland). Mesmo assim eles fundaram na região alguns povoados e uma
pequena cidade: Reykjavik, tornando a Islândia mais uma colônia
Norueguesa. Apesar disso, posteriormente Dinamarqueses também
habitaram a região, mas isso depois da Era Viking.
Por volta de 870, com apenas dez anos de idade, Haraldo I, o Louro,
assumiu o trono de Oslo. Nesta época, o fiorde Vik já estava totalmente leal
ao domínio do Rei de Oslo mas, por outro lado, Bergen também se
fortalecera muito na porção ocidental da Noruega. Tanto assim que havia
imposto seu domínio a região dos Fiordes Ocidentais, transferindo sua
capital (a de Bergen) para Trondheim.
Haraldo I tinha um sonho: conquistar para sua coroa toda a Noruega,
unificando-a não como os Reis Heróis, mas definitivamente. À partir desse
desejo, o Rei empreendeu todos os esforços de seu Reino entre os anos de
885 e 890 para submeter Bergen ao seu poder.
A maior arma que os Vikings tinham contra Bergen eram as drakkars,
pois Bergen não sabia construí-las e por isso, seus navios de guerra eram
muito inferiores. Sendo assim, Haraldo I esforçou-se em se tornar invencível
nos mares e tão logo conseguiu, começou a atacar os portos de cidades
como Bergen e Trondheim, desencadeando uma guerra dentro da Noruega.
Bergen através de sua nobreza, revidava como podia aos cercos
navais dos Vikings, mas por seus navios serem inferiores, se viu
encurralada por volta do ano 890. Ocorreu então a chamada Batalha de
Hafrsfjord, no fiorde Hafrs. Nesta batalha, exclusivamente naval, os Vikings
impuseram a Bergen a derrota definitiva e anexaram, de uma vez por todas,
a região aos domínios de Oslo.
Depois da unificação da Noruega por Haraldo I, a capital do país
deixou de ser Oslo, para passar a ser Trondheim, que era na época a
principal cidade Norueguesa.
Ainda no Reinado de Haraldo I, um ataque nos moldes do realizado à
Irlanda, em 841, foi realizado no extremo norte da Escócia, partindo das
ilhas Órcadas. Esse ataque, no qual o próprio Haraldo I tomou parte,
anexou a região aos domínios Noruegueses. Essa região juntamente com
os arquipélagos de Shetland, Órcadas e Faroe formou o chamado Condado
das Órcadas.
O sonho de Haraldo I estava concretizado. Ele não só havia unificado
a Noruega, como também podia vangloriar-se de ser um dos maiores
Monarcas da Europa, pois além de seu país, ele controlava as ilhas
Órcadas, Shetland e Faroe, além de um quarto da Irlanda, o norte da
Escócia e a Islândia.
No entanto, o poder demasiado de Haroldo I acabou se tornando uma
faca de dois gumes. Pois ao mesmo tempo que em seu longo Reinado (de
870 a 945) ele ampliou muito os domínios territoriais de Oslo, seu excesso
de autoritarismo colocou as Althings mais distantes contra ele, fazendo, em
muitos casos, suas ordens não serem cumpridas, o que provocou uma
violenta crise política entre os Vikings Noruegueses, proporcionando aos
Dinamarqueses deixarem de serem os coadjuvantes no cenário Viking para
se tornarem os personagens principais.
A crise era tão violenta que com a morte de Haraldo I em 945, apenas
a Noruega estava sob a autoridade de Oslo, tendo o Condado das Órcadas
se tornado praticamente independente. A Islândia e Dublin seguiram esse
exemplo, mas continuavam sob a autoridade (pelo menos simbólica) da
Noruega, coisa que foi deixando de acontecer cada vez mais ao Condado
das Órcadas, que estava cada vez mais sob a influência da Escócia.
Depois da morte de Haraldo I seu filho caçula, Erik, o Machado
Sangrento, reclamou o trono, mas seu filho (filho de Haraldo I) mais velho,
Haakon retornou da Inglaterra, onde havia crescido como filho adotivo do
Rei Athelstan de Wessex (que era Cristão), e reclamou o trono para si. Os
karls, com medo de que Erik, por ter convivido com o pai, continuasse com
seus desmandos, resolveram apoiar Haakon, dando-lhe o trono de Oslo.
Haakon tornou-se então Haakon I, Rei da Noruega.
Haakon I foi o primeiro Rei Cristão da Noruega. Por ter sido criado
numa corte Cristã, ele acreditava e seguia os preceitos do Catolicismo, e
sua meta de governo foi converter a Noruega a essa doutrina. Para isso ele
construiu Catedrais nas principais cidades, ou seja, em Oslo, Trondheim e
Bergen. Também restaurou as Althings de toda a Noruega para colocá-las
sob seu domínio, coisa que não acontecia antes, pois como já mencionei,
as Althings tinham autonomia em relação ao Rei.
6.2.2 – Os Dinamarqueses no Período de 850 a 950:
Depois de dominarem a ilha Sheppey, na Inglaterra, os
Dinamarqueses se converteram no pior pesadelo dos povos Ingleses.
Através da ilha, e de outras ilhas próximas às fozes de rios (ilhas que eles
vieram a conquistar depois), os Dinamarqueses penetravam no interior da
Inglaterra e realizavam saques às diversas cidades, por mais fortificadas
que fossem.
Geralmente os saques funcionavam da seguinte maneira: os
Dinamarqueses chegavam a uma determinada região e exigiam uma certa
quantidade de ouro e outras riquezas para não atacá-la. Esse tributo exigido
se chamava Danegeld. Se o povoado pagasse o tributo, os Vikings iam
embora, mas voltavam dentro de alguns meses exigindo novo tributo, de tal
maneira que os recursos do povoado iam se esgotando até que ele não
pudesse mais pagar o Danegeld. Quando isso acontecia, ou seja, os
Ingleses não pagavam o tributo, os Vikings saqueavam a vila e, por vezes,
conquistavam-na criando uma nova base de operações. Com efeito os
Danegeld serviram para melhorar a máquina de guerra Dinamarquesa.
Por volta de 850 (as fontes são confusas entre 845 e 865), um líder
Dinamarquês chamado Ragnar Lothbrok subiu o rio Sena com uma
expedição gigantesca e saqueou Paris. Parece que havia por volta de trinta
mil homens em sua expedição. Reides como este demonstram o apogeu
Dinamarquês.
Neste período, um outro chefe Dinamarquês também saqueou o
Reino Franco, ele se chamava Hastein, e depois de três anos saqueando os
Francos, partiu de lá, em 862, com sessenta e dois navios (entre knorrs e
drakkars). Entretanto, ele rumou para o sul, em direção à Espanha Árabe,
aportando perto de Cádiz. Ele entrou em luta com os Mouros, mas foi
derrotado e acabou perdendo parte do que havia roubado dos Francos.
Sendo assim, reuniu os homens e navios que lhe restavam e continuou
navegando rumo ao oriente, penetrando no mar Mediterrâneo. No caminho
ele atacou as cidades Árabes de Ceuta e Tânger, no norte da África, mas se
dirigiu para o nordeste da Espanha, onde entrou novamente em luta contra
os Sarracenos (Árabes), mas desta vez, venceu-os e saqueou seus
territórios. Depois disso, ele voltou a saquear o Reino Franco (mas agora
sua porção sul, banhada pelo Mediterrâneo). Passou então o inverno numa
ilhota da foz do rio Ródano (no próprio Reino Franco), para depois seguir
sua viagem Mediterrâneo adentro, pois seu objetivo era saquear Roma.
Após o inverno, Hastein e seus homens levantaram acampamento e
seguiram com cerca de quarenta navios (os que haviam sobrado da derrota
frente aos Árabes do sul da Espanha) rumo a península Itálica, onde
esperavam enfim saquear Roma. Por volta de 863, eles avistaram a
majestosa cidade de Luna, na Itália, e a confundiram com Roma, por isso a
atacaram. Inicialmente foram repelidos, mas Hastein armou um plano muito
inteligente: fingiu ter sido gravemente ferido na batalha e aceitou receber o
batismo e extrema unção (bênção que se dá aos mortos) dos sacerdotes de
Luna (que ele ainda pensava ser Roma). Sendo assim, quando ele fingiu
estar morto, o povo da cidade permitiu que seu corpo fosse levado para
dentro para ser sepultado. Uma vez em Luna, Hastein “ressuscitou” e
liderou seus homens na pilhagem da cidade. A expedição de Hastein foi
uma das mais impressionantes incursões Vikings no mar Mediterrâneo.
Já na Inglaterra, aos poucos os Dinamarqueses foram tomando todos
os Reinos abaixo da Nortúmbria, ou seja: Kent, Lindsey, Anglia Oriental,
Mércia, Essex e Sussex. Faltava-lhe apenas o Reino de Wessex, que a
essa época já dominava também a Cornualha Britânica.
Em 870, os Vikings chefiados por Ivar, o Desossado e por Hubba
(ambos filhos de Ragnar Lothbrok) atacaram o Reino de Wessex, que era
governado por Etelred. Mas este os repeliu. Novamente, em 871, os
Dinamarqueses, agora chefiados por Guthrum, voltaram a atacar Wessex,
por ocasião da morte de Etelred. Porém, seu irmão e sucessor, Alfred voltou
a expulsá-los.
Os Dinamarqueses se retiraram para Reading e organizaram novo
ataque contra Wessex em 876, mas foram derrotados novamente. Então
armaram uma estratégia inteligente de ataque. Na meia-noite de ano novo
de 878, desfecharam um forte ataque contra Wessex, forçando Alfred a
bater em retirada para a cidade de Athelney. A Inglaterra abaixo da
Nortúmbria estava toda tomada pelos Vikings da Dinamarca.
No entanto, Alfred não estava morto e de Athelney organizou seu
contra-ataque. Ainda em 878, reuniu um exército entre os povos dominados
de Wessex, Sussex, Kent e Mércia, e enfrentou os Escandinavos na
Batalha de Edington. Alfred venceu e obrigou os Vikings a se retirarem para
o leste. Sendo assim, nas regiões de Lindsey, Essex, Anglia Oriental e boa
parte da Mércia, foi estabelecido o chamado território de Danelaw, a colônia
Dinamarquesa na Inglaterra.
Alfred continuou desfechando ataques a Danelaw, até que em 880
ocupou Londres e estabeleceu ali o marco divisório entre Danelaw e
Wessex (que agora dominava também Sussex, Kent e boa parte da Mércia,
além dos seus antigos territórios e da Cornualha). Como parte do tratado
entre Wessex e os Vikings, o líder Dinamarquês Guthrum foi obrigado a ser
batizado e se comprometer a propagar o Catolicismo no território de
Danelaw. Foi a conversão dos Vikings da Inglaterra ao Catolicismo.
Os sucessores de Alfred; Eduardo, o Velho (899 a 925), Athelstan
(925 a 939), Edmund (939 a 946) e Eadred (946 a 955); continuaram
desfechando ataques a Danelaw, além de atacarem também os Reinos da
Nortúmbria e da Escócia. A expulsão dos Dinamarqueses da cidade de York
(ponto estratégico, por se situar no centro da Inglaterra), por Eadred,
somada aos outros atos dos Reis de Wessex proporcionaram a que Edgar
fosse coroado, em 973 como o primeiro Rei de toda a Inglaterra, ou seja, as
lutas de Wessex contra Danelaw proporcionaram a unificação da Inglaterra.
Entretanto, Danelaw não foi inteiramente conquistada, bem como não o foi a
Escócia. A presença Viking na Inglaterra continuou até 1066.
Até agora falamos dos Dinamarqueses na Inglaterra, mas agora
vamos falar do que eles fizeram na Europa continental.
Os Dinamarqueses, bem como os Noruegueses (aqueles mais do que
estes) sempre atacaram os Francos através do rio Sena, por ser uma
entrada estratégica, e próxima da Escandinávia, para esse Reino (o Reino
Franco (após a morte de Carlos Magno, e de seu filho, seus netos dividiram
o Império em três partes inicialmente: uma delas consistia na norte da Itália,
a outra naquilo que depois seria, junto com a primeira parte, o Sacro
Império Romano-Germânico, e a terceira parte tornou-se o Reino Franco.
Mais tarde, uma região entre o Reino Franco e o Reino Germânico tornouse a Borgonha)).
Pois bem, um Viking de origem Norueguesa, mas no comando de
tropas Dinamarquesas, chamado Rolf Gangr estava atacando o Reino
Franco havia muito tempo, mas em 911, ele foi derrotado nos arredores de
Chartres, pelas tropas do Rei Carlos III, o Simples. Caído prisioneiro, Rolf
Gangr foi levado à presença de Carlos III, em Saint-Clair-sur-Epte, que
surpreendentemente não o condenou, mas fez-lhe uma proposta
irrecusável. O chefe Viking teria que aceitar ser batizado e converter-se ao
Catolicismo, para ganhar as terras de ambas as margens da foz do Sena.
Rolf Gangr teria que jurar vassalagem a Carlos III e prometer ser os
guardião do Reino Franco contra os Vikings, tanto Noruegueses, quanto
Dinamarqueses.
O raciocínio de Carlos III foi óbvio, contra um Viking, nada melhor que
outro. Rolf Gangr aceitou a proposta e em 912 foi batizado e nomeado
Duque da Normandia (a região até então não se chamava assim, este nome
lhe foi dado em alusão à população que a habitava, ou seja, Dinamarqueses
e Noruegueses descendentes dos Nórdicos). Depois disso, Rolf Gangr
passou a ser conhecido como Rollon. Uma curiosidade: segundo as Sagas
Vikings escritas por Islandeses no século XIV, Rollon tinha o apelido de “o
Andarilho”, mas não porque gostava de andar, e sim porque segundo tais
Sagas, suas pernas eram tão compridas que não havia cavalo em que ele
pudesse montar.
A Normandia, apesar de ter origens Vikings, rapidamente se
converteu em uma região do Reino Franco propriamente dita. Pois em 950
a migração de Escandinavos para o território foi proibida e, no século XI, o
idioma Escandinavo também. Sendo assim, a Normandia não pode ser
considerada uma colônia Dinamarquesa, mas apenas uma área de
povoamento Viking, uma vez que prestava vassalagem ao Reino Franco.
Durante o Reinado de Gorme, o Velho (de 936 a 950), a Dinamarca
foi também definitivamente unificada. Gorme estabeleceu a capital do país
na cidade de Jelling, na Jutlândia, onde ergueu em homenagem a sua
mulher uma estela memorial (monolito, ou coluna, destinada a ter uma
inscrição), que junto com a que seu filho Haroldo Dente Azul ergueu para
ele (para Gorme), é o mais belo monumento da Era Viking.
6.3 – Os Vikings da segunda metade do século X até o fim da Era
Viking:
Aqui será relatada a decadência Viking, ela veio junto com o
Catolicismo e pois um fim às incursões de um povo tão avançado nas
tecnologias náuticas e bélicas, que conseguiu empreender, quase
quinhentos anos antes de Colombo, a descoberta da América, não só pela
Groenlândia (que apesar de muitos não saberem, pertence à América), mas
também por Vinland, que ao contrário do que muitos pensam, foi realmente
descoberta.
Veremos também nesta parte do trabalho a série de guerras entre os
próprios Vikings, Noruegueses contra Dinamarqueses e vice-versa, que
enfraqueceram ainda mais os povos Nórdicos, dando a impressão
temporária de fortalecimento de um dos lados, como no Império de Canuto,
mas que acabaram por levar a, já exaurida, civilização Viking a perda quase
total de sua importância deixando, inclusive, os Escandinavos de serem os
Vikings.
6.3.1 – Os Noruegueses no Período de 950 a 1066:
Haakon I era o Rei da Noruega em 950, quando esta foi atacada
pelos Dinamarqueses chefiados por seu Rei Haroldo Dente Azul, filho de
Gorme, o Velho, que unificou a Dinamarca.
Haroldo Dente Azul atacou a Noruega com seus drakkars e seus
guerreiros, mas Haakon I teve muito sucesso na defesa do Reino,
expulsando o invasor.
Porém, dez anos se passaram, ou seja, em 960, Haroldo tornou a
atacar a Noruega. Desta vez, Haakon I foi pego de surpresa e morto na
batalha. Resultado, a Noruega foi conquistada pela Dinamarca de Haroldo
Dente Azul.
Depois da conquista da Noruega por Haroldo Dente Azul, a História
dos acontecimentos de Dinamarca e Noruega se mistura muito, por isso
deixarei para contá-la quando falar da Dinamarca neste período, porque
sobre a Noruega há outras coisas para contar, entretanto sobre a
Dinamarca, não há.
Bem, já que exclui da pauta de temas deste trecho a situação políticomilitar da Noruega, então me remeterei a contar fatos importantes ocorridos
nas possessões marítimas deste país, que apesar de estarem parcialmente
independentes desde o final do governo de Haraldo I, continuaram a
receber sua influência.
Contarei aqui a História de um homem muito rico pertencente ao karl,
chamado Erik, o Vermelho.
Com certeza muitos já ouviram falar a respeito deste Viking, mas
garanto que a maioria não tem nem idéia do porquê de sua fama. É este o
objetivo aqui, contar quem foi ele.
Erik nasceu por volta de 940, na Noruega. Cresceu lá, e por volta de
970, numa discussão na Althing, matou um outro notável Norueguês. Ele foi
julgado, mas sua pena não foi a morte, e sim o banimento para a Islândia.
Chegando na Islândia, como era muito rico, Erik logo se tornou o
proprietário de um fazenda, e junto com sua família estava reconstruindo
sua vida. Entretanto, por razões desconhecidas, em 980 ele matou outro
homem, agora um notável da Islândia. Sua pena foi novamente o
banimento, mas não para um lugar definido. Agora ele já não mais podia
pisar nem na Noruega, nem na Islândia. Restavam-lhe poucas opções de
onde ir, então, por dois anos ele navegou com um grupo de seguidores
seus, deixando sua família na Islândia.
Em 982, ele encontrou uma terra cheia de rochedos a noroeste da
Islândia. Desembarcou lá e viu alguns campos verdes (era verão), na hora
ele percebeu que havia descoberto novas terras.
Erik viu nisso a chance de criar seu próprio Reino, independente da
Noruega, que tanto o perseguia. Ele retornou para a Islândia dizendo que
havia descoberto a Gröenland (que em inglês ficou Greenland, ou Terra
Verde). Ele sabia que com esse nome atrairia para seu empreendimento
muitas pessoas em busca da tão sonhada terra fértil.
Quatro anos mais tarde, em 986, ele finalmente conduziu uma
esquadra de vinte e cinco knorrs até a Groenlândia. Lá, ele se radicou na
região sul, que ficou conhecida como Colônia Oriental (por ser mais perto
da Europa). Fundaram a cidade de Gardar e a vila, ou fazenda de
Brattahlid, da qual Erik se tornou o chefe. Aos poucos foram chegando mais
pessoas e a Groenlândia foi sendo povoada. A cidade de Gardar chegou a
ter uma Catedral, um Mosteiro Beneditino, um Convento de monjas e doze
Paróquias. Mais tarde, mas ainda no século X, foi edificada mais a noroeste
a chamada Colônia Ocidental, mas nela só havia o pequeno povoado de
Gothabfjord (mapa da Groenlândia, com as Colônias Oriental e Ocidental
destacadas no item 2.1).
Não é nem preciso mencionar, devido ao imenso número de Igrejas,
que a Groenlândia sempre foi Católica, desde seus primórdios. Há indícios
que mostram que a conversão da Groenlândia ao Catolicismo ocorreu entre
990 e 1000.
No ano 1000, Erik, o Vermelho (também dito Erik, o Ruivo) morreu e
foi sucedido no governo de Brattahlid por seu filho Leif Eriksson (Eriksson =
Erik + son (filho de Erik)), que teve que desistir de seu empreendimento
marítimo (explicado detalhadamente no item 7 – Vinland) para suceder o
pai.
6.3.2 – Os Dinamarqueses no Período de 950 a 1066:
Como já havia mencionado, Haroldo Dente Azul conquistou a
Noruega em 960, mas vejamos melhor como ocorreram os fatos.
Haroldo atacou o Reino de Haakon I, em 950, mas não se saiu bem,
foi repelido. Em 960, Haroldo atacou novamente a Noruega, e desta vez a
conquistou. A Noruega já estava infiltrada pelo Catolicismo, apesar de a
maioria de sua população ser ainda pagã (adepta do Ásatrú), e lá, Haroldo
Dente Azul tomou contato direto com os sacerdotes Católicos, uma vez que
Haakon I era Católico, ele havia se cercado de uma elite clerical Cristã.
Diz a lenda que, depois de tomar o poder na Noruega, Haroldo
submeteu os sacerdotes leais a Haakon I a uma sessão de tortura, porém
sua fé era tão grande que eles não sentiam dor. Vendo aquilo, Haroldo se
convenceu de que o Deus dos Católicos era de fato poderoso e se
converteu ao Catolicismo, deixando-se batizar logo em seguida.
A conversão de Haroldo Dente Azul iniciou a propagação da fé Cristã
também na Dinamarca. O Rei esforçou-se para converter tanto
Dinamarqueses quanto Noruegueses ao Catolicismo, e incentivou a
construção de igrejas por todo o seu Reino. As igrejas que os Vikings
construíam eram de um estilo particular, muito diferentes das igrejas
tradicionais da Europa. Eram as chamadas Igrejas de Aduelas, feitas
inteiramente de madeira trabalhada com imagens da História Viking (muitas
dessas imagens eram pagãs). O mais belo nessas igrejas era o estilo da
construção. Elas eram pequenas, mas muito altas, com vários telhados
escalonados e sobrepostos o que produzia um efeito muito bonito tanto
externa quanto internamente.
Em 974, o Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Oto II
atacou a Jutlândia e conquistou-a, deixando a Dinamarca reduzida às suas
ilhas e ao sudoeste da Suécia. Doze anos depois, em 986, Haroldo Dente
Azul foi destronado por seu filho Swein Barba Bifurcada, e morreu no exílio,
pouco depois.
O primeiro objetivo de Swein foi o de retomar a Jutlândia ao Sacro
Império Romano-Germânico. Para isso, ele desfechou diversos ataques
contra seus inimigos, até que em 990 ele conseguiu expulsá-los, durante o
governo do Imperador Oto III. Porém, os mais de quinze anos de dominação
pelo Sacro Império concluíram na Jutlândia o que Haroldo Dente Azul havia
começado, ou seja, a conversão do povo a fé Cristã.
Em 994, Swein Barba Bifurcada junto com seu amigo Olaf
Tryggvesson, um membro do karl Norueguês, desfechou um grande ataque
contra Londres, visando retomá-la de Wessex. Mas o ataque fracassou.
Quando retornaram da Inglaterra, Swein resolveu entregar a coroa da
Noruega para Olaf Tryggvesson. Ele queria reconstruir a Dinamarca, que
julgava estar em frangalhos após a saída Germânica.
No entanto, no ano 1000, Olaf e Swein se desentenderam e este
declarou guerra àquele. A Dinamarca era muito mais poderosa do que a
Noruega (pois Swein tinha dividido o poder, mas não o poderio econômico e
militar) e, portanto, a guerra se resolveu logo, com a derrota e morte de Olaf
Tryggvesson na Batalha de Svolder. Swein retomou a coroa da Noruega e a
manteve até sua morte, em 1014. Mas as atenções dele estavam voltadas
para a Inglaterra, que desde a expansão de Wessex (iniciada por Alfred em
878), estava engolindo o território Dinamarquês de Danelaw.
Aproveitando-se do que restara desse território, Swein invadiu a
Inglaterra em 1001 e, em 1002, conseguiu uma grande vitória sobre o Rei
Inglês (nesta época a Inglaterra já era um país, como mencionei no item
6.2.2), denominada o Massacre do dia de São Brice, quando conseguiu um
bom fortalecimento de Danelaw.
Onze anos depois, agora ajudado por seu filho Canuto, Swein
derrotou o Rei Etelred, o Irresoluto, e só não conquistou a Inglaterra porque
este conseguiu fugir da batalha. Entretanto, Swein Barba Bifurcada morreu
em 1014, deixando seu trono na Noruega e na Dinamarca vagos, enquanto
seu filho, Canuto, se embrenhava na luta contra os Ingleses.
Devido a esta situação, na Noruega Olaf Haraldsson (ou Olaf II)
começou a governar interinamente, escolhido por uma Althing, enquanto
que na Dinamarca, a fragmentação política ressurgiu.
Canuto não era Rei de nada, mas os exércitos de seu pai
continuavam seguindo-o, pois em última instância ele seria, pelo menos, o
governante de Danelaw. Em 1016, finalmente Etelred, o Irresoluto tombou
em combate. O caminho para o trono Inglês estava aberto. Edmund Ironside
(um Duque Inglês) ainda tentou conter Canuto, mas seus homens (os de
Canuto) o derrotaram e ele foi coroado Rei da Inglaterra. Edmund Ironside
só conseguiu preservar Eduardo, filho de Etelred, enviando-o para a
Normandia, onde seria criado por Guilherme, o Duque da Normandia.
Finalmente os Vikings conquistavam a Inglaterra. Mas o preço foi alto,
Canuto havia perdido tudo o que seu pai conquistara na Escandinávia.
Os primeiros atos de Canuto como Rei da Inglaterra foram punir
severamente todos os Ingleses que se opusessem a ele, mas com seu
casamento, em 1017, com a viúva do Rei Etelred, o Irresoluto, ele mudou
sua política e passou o resto de seu Reinado se esforçando para que
Vikings e Ingleses convivessem em paz.
Depois que já havia assegurado sua posição na Inglaterra, Canuto
embarcou para a Dinamarca, em 1019, e rapidamente (com pouca
resistência) reunificou o país e no mesmo ano tomou para si a coroa
Dinamarquesa.
Na Noruega porém, as coisas estavam mais difíceis, Olaf Haraldsson,
que governava interinamente desde a morte de Swein Barba Bifurcada, em
1014, reivindicou o trono Norueguês em 1015 e, em 1016, foi coroado Rei
da Noruega.
Olaf Haraldsson era descendente de Haraldo, o Louro, e aceitou ser
batizado, em 1013, em Rouen, na Normandia, para poder ser candidato ao
trono, ou pelo menos ao governo interino da Noruega. Quando foi coroado
dedicou-se a enraizar ainda mais o Catolicismo na Noruega, pois percebeu
que a Igreja proporcionava uma excelente máquina de dominação popular.
Entretanto, Olaf II exagerou e suas medidas provocaram grande hostilidade
por parte das Althings Norueguesas.
Canuto não havia desistido do ideal de reconquistar para si o que fora
de seu pai, por isso, em 1028, invadiu a Noruega tomando Trondheim, onde
se proclamou Rei. Olaf Haraldsson estava extremamente impopular (desde
os ricos até o povo) e sua única opção foi fugir para a Rússia, buscando
refúgio no Principado de Kiev (fundado pelos Varegues e considerado por
muitos como o primeiro Reino da Rússia), onde reuniu um exército
mercenário (composto por pagãos) e retornou à Noruega para enfrentar
Canuto, em 1030. Porém, seus exércitos eram inferiores aos experientes
soldados de Canuto e ele foi derrotado e morto na Batalha de Stiklestad.
Após a morte de Olaf Haraldsson, começaram a surgir rumores de
milagres operados por ele (apesar de sua extrema impopularidade),
rumores estes que levaram à sua canonização como Santo Olavo, o
padroeiro da Noruega, em 1164.
Canuto enfim unificara sob seu poder a Inglaterra, a Dinamarca e a
Noruega, além de ter influência na Islândia e nos territórios de presença
Viking da Irlanda. Porém o Condado das Órcadas estava cada vez mais
distante dos acontecimentos políticos Escandinavos e já era muito mais
influenciado pelo Reino da Escócia do que pelos Vikings em si.
O único homem que pode ser chamado de “Imperador Viking”, ou
seja, Canuto, morreu em 1035 e o Império, que ele havia conquistado com
tanto esforço, se esfacelou. Na Noruega, assumiu o trono Magnus, filho
mais velho de Olaf Haraldsson. Já na Inglaterra, os filhos de Canuto
Reinaram, mas Haroldo, o Pé-de-Lebre (1035 a 1040) Reinou apenas cinco
anos e foi morto por conspiradores e Harthecnut (1040 a 1042) conseguiu
reinar apenas dois anos antes de também ser morto por conspiradores
Ingleses que aspiravam devolver o trono Inglês a um Inglês. Por isso,
trouxeram de volta da Normandia Eduardo, o Confessor, filho de Etelred, o
Irresoluto. Sob o pretexto de ser meio-irmão de Harthecnut (uma vez que
este era filho de Canuto com a viúva de Etelred), Eduardo assumiu o trono
da Inglaterra, em 1042.
Eduardo havia sido mandado por Edmund Ironside para a Normandia,
em 1016, quando seu pai morreu, com o objetivo de preservar a linhagem
dinástica Inglesa. Ele cresceu sob a tutela de Guilherme, Duque da
Normandia. Quando assumiu o trono, fez um pacto com Guilherme segundo
o qual, o que morresse primeiro deixaria seu trono para o outro. Eduardo
governou até 1066, e foi um dos mais Cristãos dentre todos os Reis da
Inglaterra, tanto assim que em 1161 foi canonizado como Santo Eduardo.
Uma de suas principais contribuições culturais foi a construção da Abadia
de Westmister.
Após a Batalha de Stiklestad, Haraldo Hardrada, irmão de Olaf
Haraldsson, fugiu de volta para Kiev, onde ingressou no exército Varegue.
Foi servir como mercenário Varegue no exército do Império Bizantino, mas
em 1045, a notícia da morte de Magnus (filho de Olaf Haraldsson, que havia
recebido o trono Norueguês após a morte de Canuto), o fez regressar à
Noruega, em 1046, e reclamar o trono para si. Acabou sendo coroado Rei
da Noruega, em 1047. Em seu Reinado, teve pulso de ferro, o que lhe
rendeu o apelido de Hardrada , que quer dizer “Conselheiro Duro”.
Em 1066, quando Eduardo, o Confessor, Rei da Inglaterra, morreu,
havia três pretendentes à sua sucessão: o Duque Guilherme (ou William),
da Normandia (de acordo com o pacto que citei acima); seu filho (filho de
Eduardo) Haroldo Godwinson; e Haraldo Hardrada (Haraldo III), Rei da
Noruega.
Como os Ingleses queria ser governados por um Inglês, nomearam
Haroldo Godwinson como Rei Haroldo II, o que causou insatisfação nas
duas outras partes.
Haraldo Hardrada foi o primeiro a se manifestar. Tão logo Haroldo
Godwinson foi coroado, em janeiro de 1066, ele atacou a Inglaterra. Os
Noruegueses tiveram grandes sucessos. Penetrando pela antiga
Nortúmbria, eles venceram o Duque de York e tomaram a cidade.
Entretanto, não conseguiram avançar mais e, em 25 de setembro do
mesmo ano, foram surpreendidos por um ataque Inglês e derrotados na
Batalha de Stamford Bridge, na qual o próprio Haraldo Hardrada morreu.
A derrota de Haraldo Hardrada na Batalha de Stamford Bridge (nos
arredores de York) marca o fim da Era Viking.
Quando a coroa Inglesa parecia assegurada para Haroldo
Godwinson, o Duque Guilherme da Normandia desembarcou na Inglaterra e
reclamou o trono para si, alegando ser seu direito devido ao pacto que
fizera com Eduardo, o Confessor. Como foi hostilizado, preparou-se para a
guerra e, no dia 14 de outubro do mesmo 1066, na Batalha de Hastings, na
antiga região do Sussex, as tropas de arqueiros e cavaleiros dos
Normandos derrotaram as tropas de espadachins e guerreiros com
machado de batalha dos Ingleses, pois as tropas Inglesas não estavam
acostumadas a enfrentar cavaleiros, nem tão pouco arqueiros.
Haroldo Godwinson foi morto e Guilherme, dito Guilherme, o
Conquistador, conquistou a Inglaterra, pondo um fim definitivo às linhagens
de Reis Ingleses descendentes dos Teutões e ligando profundamente o
Ducado da Normandia à Inglaterra, ligação essa que bem mais tarde, no
século XIV, deu origem à chamada Guerra dos Cem Anos, entre França e
Inglaterra.
Os Normandos, apesar de terem descendência Viking, não eram
Vikings (eram muito mais Francos), e sua ascensão marca o declínio dos
Vikings.
Haraldo Hardrada é considerado o último Rei ou chefe Escandinavo
com características Vikings.
7 – Vinland:
No ano de ocupação da Groenlândia por Erik, o Vermelho, e seus
seguidores, ou seja, 986, um navegador Norueguês chamado Bjarni chegou
à Islândia dizendo que havia avistado terras além da Groenlândia. Ninguém
acreditou nele. Todos achavam que ele estava mentindo, ou que havia visto
alguma parte da Groenlândia que não era habitada. Mesmo assim, o boato
se espalhou pelos povos da Islândia e, sendo assim (pois estes povos
povoaram-na), chegou à Groenlândia.
No início, todos achavam não passar de uma bobagem e não davam
muita importância para isso. Mas o filho mais velho de Erik, o Vermelho: Leif
Eriksson, começou a se interessar pela história de Bjarni.
Ele reuniu um grupo de aventureiros, em 999, e partiu rumo ao
desconhecido, para ver se encontrava a tal terra de que Bjarni falara.
Por volta do começo do ano 1000, ele e seus homens avistaram
terras. Eram muito frias, cobertas de gelo, por isso ele as batizou de
Helluland (em alusão a Hel, o inferno gelado de Ásatrú). Tratava-se da atual
ilha de Baffin, no Canadá.
Leif Eriksson tinha boas noções de navegação e sabia que não
existem terras sem fim, por isso, se havia terras naquele ponto, com certeza
haveria também mais abaixo, onde o frio era menos intenso. Sendo assim
ele resolveu costear a terra encontrada, rumando para o sul. Alguns meses
depois ele encontrou mais terras, desta vez, terras cheias de árvores, mas
sem nenhum sinal de povoamento. Ele chamou o lugar de Markland (em
alusão ao fato de aquele lugar ser um marco para sua expedição), e o tal
lugar consistia na atual península do Labrador.
Leif não quis voltar ainda para a Groenlândia, pois quis ir mais para o
sul. Nesta viagem, ele encontrou terras mais quentes e com sinal de
povoamento. Resolveu então desembarcar e fazer contato com os
habitantes do lugar.
Os Nórdicos eram muito claros (loiros ou até ruivos), e Leif Eriksson
havia acabado de encontrar índios norte-americanos, era natural que ele os
achasse diferentes, por isso os batizou de Skraelings, que quer dizer feios.
Naturalmente, a viagem havia sido desgastante e Leif Eriksson e seus
homens resolveram montar acampamento para passar alguns meses antes
de voltar para a Groenlândia. Neste tempo, eles conviveram com os nativos,
e sua convivência foi pacífica. Eles trocaram tecidos vermelhos por peles e
couros de animais e, quando retornaram a Groenlândia, contaram a História
dizendo que o lugar era maravilhoso. Batizaram-no de Vinland (terra das
vinhas), para atrair pessoas para o novo povoamento.
Ainda no ano 1000, Leif Eriksson retornou a Vinland e fundou a
cidadezinha de L’Anse-aux-Meadows, com cerca de trinta pessoas entre
homens, mulheres e crianças. Depois retornou à Groenlândia (ainda no ano
1000) para buscar mais pessoas, mas soube que seu pai havia morrido e
que ele precisava assumir a vila de Brattahlid em seu lugar.
Devido a este imprevisto, Leif Eriksson abandonou o projeto de
povoar Vinland, e nunca mais foi para L’Anse-aux-Meadows. Mesmo assim,
continuaram a ir knorrs carregados de pessoas para lá, até o ano 1003, mas
depois pararam, pois a própria população da Groenlândia já era escassa.
Por volta de 1009, a população de L’Anse-aux-Meadows beirava as
duzentas ou trezentas pessoas, mas começaram a ocorrer duas crises no
local.
A primeira era de ordem econômica, pois como não iam mais knorrs
para lá há seis anos, estavam começando a faltar coisas como tecidos,
gado e produtos que a região não tinha condições de produzir. Além disso,
os indígenas, antes amigáveis, estarem agora exercendo muita pressão
sobre os Vikings para que estes trocassem com eles suas armas por peles
de animais, coisa que os Vikings não queriam fazer, para não armar os
possíveis inimigos de amanhã.
O clima entre os Vikings e os Skraelings ficou cada vez mais tenso
nos três anos subseqüentes, até que, em 1012, os índios atacaram L’Anseaux-Meadows, mataram todos (ou pelo menos a grande maioria) de seus
habitantes, queimaram ou destruíram a maioria das casas (algumas
sobreviveram e foram encontradas, junto com resquícios de cerâmicas
Vikings, em escavações realizadas em 1962, o que provou de fato a
existência de Vinland) e assim puseram um fim às pretensões dos Vikings
de colonizar aquilo que viria a ser a América.
A Groenlândia continuou a enviar knorrs a Markland para pegar
madeira até 1035. Depois, as terras descobertas no ocidente começaram a
se tornar inviáveis economicamente e, por isso, foram abandonadas até
caírem no esquecimento inclusive do próprio povo da Groenlândia.
Desta aventura fica uma única questão:
Será que devemos reverenciar a Cristóvão Colombo por descobrir a
América, ou aos Vikings, que afinal o fizeram quase quinhentos anos antes
e com recursos muito menos avançados, pois não conheciam nem a
bússola, nem o astrolábio, nem mesmo desenhavam mapas dos oceanos,
ou seja, realizaram uma empreitada muito mais difícil e, por quê não,
corajosa. É uma coisa que devemos pensar. Se na realidade é tão
importante para nós fixarmos datas, marcos e reverenciarmos heróis (e não
os processos que ocorreram para que os fatos se desenvolvessem, o que
seria mais correto), então acho que temos mais do que a obrigação de
reverenciarmos os verdadeiros heróis e, neste caso, o herói (ou meramente
descobridor, como queiram) é Leif Eriksson.
8 – A União de Calmar, o Fim da Groenlândia e o Legado Viking:
Neste item falarei sobre os três temas acima descritos, que apesar de
não fazerem mais parte da chamada Era Viking, considero de suma
importância que sejam estudados, mesmo que superficialmente, para que
não tenhamos sobre os Vikings a mesma impressão que temos sobre a
Grécia após a morte de Alexandre, ou sobre Roma depois da adoção do
Cristianismo e antes de sua queda, ou seja, a impressão de que tudo
acabou e que nada mais resta do que havia. Essa é inclusive uma
impressão muito comum para nós, já que gostamos tanto de estabelecer
marcos.
Os marcos só nos servem para facilitar a contextualização dos fatos
no tempo, e não para que criemos a falsa idéia de que certa coisa existia, e
de um dia para o outro passou a não existir mais. Portanto, é errado
pensarmos que Roma caiu, pois apesar de ter sido capturada por Godos,
Roma já estava em decadência a vários anos, e sua captura só foi possível
graças a isso. O mesmo ocorre com os Vikings, uma vez que sua Era só
chegou ao fim devido aos erros (como a adoção do Catolicismo) de seus
governantes, já que isso descaracterizou o povo. Só adotamos o marco da
morte de Haraldo Hardrada na Batalha de Stamford Bridge como o final da
Era Viking, pois temos a necessidade de explicar para nossos próprios
cérebros quando devemos parar de chamar os Escandinavos de Vikings.
Mas como já expliquei, o mais correto é não chamar de Viking a um
Escandinavo Cristão.
Para melhor compreensão dos fatos neste trecho (já que um não é
diretamente ligado ao outro), acredito que seja melhor estudar cada um
deles isoladamente, como um item próprio, baseado na cronologia dos
fatos.
8.1 – Os Legados Vikings:
Apesar de ser um verdadeiro chavão, a frase a seguir descreve com
precisão o que foram os Vikings: “foram um povo à frente de seu tempo”.
É a mais pura verdade, talvez por isso tenham nos deixado tantos
legados, que no mais das vezes, nem sabemos que se tratam de legados
Vikings.
Durante os primeiros séculos da Idade Média, ou seja, durante a
chamada Alta Idade Média, quando o que chamamos de Feudalismo ainda
não existia, vários povos ditos Germânicos entraram no cenário Europeu e,
como disse, os Vikings (juntamente como os Varegues) foram os últimos.
O Feudalismo foi um fenômeno que ocorreu propriamente dito na
chamada Idade Média Central e, como é estudado, apenas na chamada Ilha
de França, região do Reino Franco. Suas bases foram lançadas pelos
Romanos, com leis como o Colonato acrescidas da moral Cristã. As
invasões dos Godos (Ostrogodos (na Itália) e Visigodos (na Espanha))
trouxeram ao cenário Europeu Ocidental a tradição da Vassalagem, que
somada às tradições romanas, embasaram Carlos Magno na divisão interna
de seu Império, uma vez que ele, ao conquistar novas terras, submetia o
Rei delas à sua suserania, sendo assim, a evolução dessa situação, que
ocorreu após a morte de Carlos Magno, deu origem ao feudalismo de fato,
que digamos, só principiou no século XI.
Devido a isso, podemos concluir que os Vikings existiram (no
esplendor de sua Era) no período imediatamente posterior à chegada Árabe
a Europa, e anterior ao estabelecimento do Feudalismo, como nós
conhecemos.
A época era de muitas transformações, pois como mencionei, vários
povos novos haviam entrado no contexto europeu recentemente, a Igreja
Católica tentava se afirmar (e estava começando a conseguir) em meio a
tantos povos não Cristãos, o ideal de restauração do Império Romano
permanecia vivo na mente dos grandes Reis do período (primeiro com
Justiniano, depois Carlos Magno e por fim Oto I), além de o comércio
marítimo europeu estar, senão morto, adormecido depois da entrada dos
Árabes na Espanha.
Foi nesse contexto que os Vikings existiram. Eles, com suas drakkars
punham medo em todas as populações Européias, desde Árabes até
Italianos, passando por Francos, Germânicos e principalmente Ingleses.
Seus reides, inicialmente apenas com o objetivo de realizar saques,
acabaram por criar colônias e bases militares, fundando e ampliando
dezenas de cidades e vilas em todo o ocidente Europeu (no oriente do
continente o fenômeno foi semelhante (mas em menor escala) em relação
aos Varegues).
Os Vikings eram exímios artesãos, sabiam trabalhar muito bem a
madeira, o marfim e o ferro. Criaram uma religião com preceitos tão
avançados que só foram de novo pensados (ou copiados) no século XVI,
por Lutero e Calvino. Suas técnicas de navegação eram tão avançadas que
só foram, de fato, superadas pelos Portugueses no século XV, ou seja, mais
de quatrocentos anos depois. Eles proporcionaram um renascimento, ainda
que temporário, do comércio marítimo Europeu, com rotas através dos
mares Báltico e do Norte, além de rios Europeus como o Ródano, o Reno, o
Sena e o Tâmisa. Além disso, algumas palavras e jogos (como os RPGs),
de hoje são baseados em palavras, atitudes e crenças Vikings. Apesar de
todos esses feitos serem impressionantes, eles não constituem os principais
legados Vikings. Vejamos então quais foram esses legados.
Digamos que, por causa dos Vikings, a Inglaterra se unificou, ou
passou a reconhecer um único Rei como sendo o Rei de toda a Inglaterra
(ainda que em períodos posteriores, este domínio não tenha sido tão forte,
devido ao Feudalismo, que apesar de não ter existido como o estudamos na
Inglaterra, também a atingiu) muito mais cedo do que o faria se não tivesse
recebido a pressão externa que recebeu.
Os descobrimentos Vikings, como a Islândia, a Groenlândia e a
América (com Vinland, Markland e Helluland) foram também tão
impressionantes que podemos chamar sua época de Primeira Era dos
Descobrimentos, sendo a chamada Era dos Descobrimentos, então, a
Segunda Era dos Descobrimentos.
Podemos também dizer que os Vikings auxiliaram na formação de um
povo: os Normandos. Inclusive, os Normandos tiveram sua Época de Ouro
imediatamente após o fim da Era Viking, uma vez que a conquista da
Inglaterra por Guilherme, o Conquistador, Duque da Normandia, o marco
(outra vez essa palavra) inicial da Era Normanda, ocorreu um mês depois
da derrota de Haraldo Hardrada na Batalha de Stamford Bridge, o marco
final da Era Viking. Sendo assim, podemos realmente dizer (apesar de os
Normandos já na época de Guilherme terem mais características Francas
do que Vikings), que os Normandos são os herdeiros dos Vikings.
8.2 – A União de Calmar:
Após a morte de Haraldo Hardrada, os povos Escandinavos que já
haviam reduzido suas incursões consideravelmente desde o início da
conversão ao Catolicismo, praticamente as pararam e Noruega, Dinamarca
e Suécia (agora citarei a Suécia porque ela também fez parte da União de
Calmar e porque os Varegues também entraram em declínio na mesma
época que os Viking, cerca de cinqüenta anos antes) limitaram-se a
manterem vivas as relações comercias com as regiões que colonizaram ou
dominaram no passado.
Entretanto, a Dinamarca começou a exercer certa preponderância
sobre as outra duas, passando a influir diretamente sobre a Suécia (e
consequentemente sobre a Finlândia que, na época, não passava de um
Ducado da Suécia), mas não tão efetivamente sobre a Noruega, que
mantivera suas relações com Islândia e Groenlândia (que aceitou a
soberania Norueguesa em 1261, antes porém, a Noruega já exercia
influência cada vez mais forte na região), apesar de ter perdido em definitivo
qualquer poder sobre o Ducado das Órcadas, que agora obedecia à
Escócia e também sobre a sua porção da Irlanda, que em 1170 foi
derrotada e em 1171 tomada pelos Ingleses, governados pelos Rei
Henrique II.
O glorioso passado Viking e Varegue já era muito mais distante nas
conseqüências do que no tempo, ou seja, os Reinos Escandinavos estavam
resumidos a uma pobreza muito grande, salvo pela Dinamarca que
aumentava cada vez mais seu domínio comercial no Báltico. Entretanto, em
1370, Lübeck venceu Valdemar IV, Rei da Dinamarca, após uma guerra de
nove anos, e estabeleceu o domínio do comércio no mar Báltico, pela Liga
Hanseática (Federação Comercial de cidades do norte da Alemanha).
Valdemar IV era pai de Alberto, Rei da Suécia, e de Margaret, Rainha
Consorte (esposa do Rei, quando quem governa é o Rei) da Noruega. Pois
bem, após sua derrota (a de Valdemar IV). Margaret começou a pensar
numa maneira de restabelecer o poder dos países Escandinavos frente ao
crescente poderio da Liga Hanseática.
Nessa mesma época, Alberto, da Suécia, morreu e quem herdaria
seu trono seria Érico, seu neto, uma vez que seu filho havia morrido. Porém
Érico era apenas uma criança, e sua parente mais próxima era a tia-avó
Margaret, agora também Rainha da Dinamarca, depois da morte do pai
Valdemar IV.
Aproveitando-se de toda esta confusão nas sucessões dinásticas dos
países Escandinavos, Margaret resolveu convencer todas as três nobrezas
a jurarem lealdade a seu sobrinho-neto Érico. As nobrezas se reuniram e
assinaram, em 1397, o que ficou conhecido como União de Calmar. À partir
dessa data, Suécia (e Finlândia), Dinamarca e Noruega (Islândia e
Groenlândia) estariam unidas sob uma só Monarquia, porém, as leis de
cada país continuariam a ser diferentes. Margaret utilizou os pretextos de
que Érico era uma criança e de que ela era sua parente mais próxima, para
governar em seu lugar (por toda sua vida (vida de Margaret)). Sendo assim,
a Noruega assumiu a preponderância na União de Calmar, com Margaret
reinando na Suécia e Dinamarca e seu marido reinando na Noruega.
Porém, após a morte de Margaret, em 1412, Érico assumiu o trono
Escandinavo de fato, mas o Rei da Noruega não quis abdicar de seus
privilégios, uma vez que por ser o marido de Margaret, ele além de
continuar governando seu país, ainda governava os outros. Sendo assim, a
Noruega passou a integrar a União apenas no papel, pois de fato não fazia
mais parte dela.
O fato de a Noruega não participar efetivamente da União de Calmar,
estimulou a Liga Hanseática, contra a qual a União de Calmar havia sido
criada, a se infiltrar no país, fazendo de Bergen um de seus principais
centros administrativos e assim, sob a proteção Norueguesa, podendo
exercer o comércio no Báltico com muita facilidade.
A influência da Liga Hanseática sobre a Noruega e a recusa desta em
integrar de fato a União de Calmar, aceleraram seu desmantelamento (da
União de Calmar), que ocorreu finalmente em 1523. Da extinção da União
de Calmar, surgiram os países Escandinavos da forma que os conhecemos
hoje, exceto a Finlândia, que só conseguiu sua independência total bem
depois, em 1917 (devido a Revolução Russa, pois a Rússia dominava o
país desde 1713, quando o Czar Pedro, o Grande o tomou da Suécia).
8.3 – O Fim da Groenlândia:
A Groenlândia nunca foi densamente povoada devido às suas
condições climáticas horríveis. Mesmo assim, havia pelo menos duas
cidades Gardar e Godthaab, além de vilas (ou fazendas), como Brattahlid.
Os Esquimós que habitavam as regiões central e do norte sempre
foram hostis aos Noruegueses, pois os consideravam inimigos. No entanto,
os contatos entre eles eram muito esporádicos devido a distância de suas
povoações.
Uma catástrofe da natureza porém, começou a colocar fim às
povoações da Groenlândia, por volta da metade do século XIV. Na
realidade, neste período ocorreu aquilo que os estudiosos chamam de
Pequena Glaciação, ou seja, um período como o Período Glacial, só que
com conseqüências bem mais brandas, talvez devido a um pequeno
afastamento da Terra em relação ao Sol.
Essa Pequena Glaciação levou a uma diminuição brutal das
temperaturas em toda a região Ártica, e também nas proximidades dela.
Sendo assim, a vida se tornou quase impraticável no norte de países como
a Groenlândia e os países Escandinavos. O que causou a morte de muitas
pessoas e a migração para o sul, de outras.
Como se pode notar no mapa de item 2.1, a chamada Colônia
Ocidental da Groenlândia, cuja capital era Godthaab, localizava-se muito
mais ao norte do que a Colônia Oriental, por isso, a vida lá se tornou muito
difícil, devido ao congelamento da água potável, e até de áreas da água do
mar, próximas a terra. Além disso, a agricultura se tornou impraticável na
região.
Como se não bastassem essas duas catástrofes para destruírem a
Colônia Ocidental, a Noruega começou a fazer contatos cada vez mais
esporádicos com a região, em virtude de suas relações com a Liga
Hanseática estarem sendo mais lucrativas do que o pobre comércio que
desenvolvia com a Groenlândia. Os contatos foram se tornando cada vez
mais raros, até que se enceraram por volta de 1370, com a Colônia
Ocidental e por volta de 1450, com a Colônia Oriental, mais próxima da
Noruega.
Além desta outra tragédia, os Esquimós, que viviam mais para o
centro e para o norte da ilha, começaram a procurar o sul e o litoral, por
serem menos frios. O que os levou por volta de 1390, a destruir com suas
incursões a cidade de Godthaab. Na verdade, eles não destruíram a cidade,
apenas mataram todos os seus habitantes (os poucos que haviam resistido
ao frio) e ocuparam suas casa, que eles consideravam mais quentes do que
seus iglus.
As ameaças do frio, do fim do interesse Norueguês e dos ataques
(cada vez mais freqüentes) dos Esquimós, estavam também atormentando
as populações de Gardar e Brattahlid, mas por essa região se situar mais
ao sul e também mais perto da Noruega, ela não só era menos fria como
também mais populosa do que a Colônia Ocidental, sedo assim, é provável
que seus habitantes tenham conseguido sobreviver até por volta de 1510,
mas depois disso, os Esquimós conquistaram totalmente a região,
terminando com aquele que havia sido o mais brilhante esforço colonizador
da Era Viking e de toda a Europa na Idade Média: a Groenlândia.
Mas a Groenlândia é conhecida e ocupada (mesmo que pouco) ainda
hoje, então como você pode dizer que sua povoação foi destruída e extinta
em 1510?
Bem, é simples, mais tarde, em 1721, um missionário Dinamarquês
chamado Hans Egede, acreditando no que diziam as Sagas Vikings,
escritas por autores Islandeses no século XIV, navegou rumo a Groenlândia
e qual não foi sua surpresa quando constatou que as Histórias eram
verdadeiras, ou seja, que existia de fato a ilha mencionada nas Sagas.
Sendo assim, ele tomou posse do território em nome da Dinamarca e ele
pertence a esta até hoje. A cidade de Godthaab foi encontrada e
reconstruída, sendo hoje a capital da província da Groenlândia, que é
também a maior ilha do mundo.
9 – Bibliografia e Fontes Visuais:
 CALVINO, João. Sobre o Governo Civil
 GIBSON, Michael. Os Vikings
 LUTERO, Martinho. Sobre a Autoridade Secular
 McEVEDY, Colin. Atlas da História Medieval
 PERRUDIN, Françoise. Civilizações Antigas
 TRIGGS, Tony D.. Os Saxões
 Dicionário da Idade Média. Organização: LOYN, Henry R.. Revisão
Técnica: FRANCO, Hilário Junior
 Vários. Grande Enciclopédia Delta Larousse
 Revista Veja de abril de 2000
Além da Bibliografia acima citada, ainda utilizei-me de diversos sites
em Português e Inglês sobre Vikigs e o Ásatrú. Para encontrar tais sites,
basta ir aos sites de busca e procurar por Vikigs, Viking, Vinland, Asatru,
Noruega, Dinamarca, Idade Média, Medieval Age...
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