Construindo um conceito de consciência baseado na obra de

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Construindo um conceito de
consciência baseado na obra de
Damásio, Carey e Castoriadis
Apresentação
Apresentação
“Construindo um conceito de consciência
baseado na obra de António Damásio,
Susan Carey e Cornelius Castoriadis”
José Monserrat Neto
Depto. Ciência da Computação
Universidade Federal de Lavras – MG
Roteiro
Roteiro
Introdução e motivação
Ideia inicial
Cornelius Castoriadis
António Damásio
Susan Carey
Construindo o conceito de consciência
Algumas consequências
Perspectivas
Conclusão
Introdução
Introdução
Alcançar um conceito de 'consciência' coerente, com
maior poder expressivo e explicativo
Um conceito sem as contradições atuais
Redefinir os termos 'mente', 'consciência', 'objetivo',
'subjetivo', 'verdade', fenômeno 'físico', 'mental', etc
Um conceito de 'consciência' que abra maiores
perspectivas para as atuais pesquisas
Motivação
Motivação
Um conceito que ajude a melhorar o mundo
Motivação original:
Questão da evolução futura da sociedade
Nó das Ciências Sociais:
“São as estruturas sociais 'objetivas' que determinam a
consciência e o comportamento das pessoas, ou são as suas
ações livres 'subjetivas' que determinam as estruturas sociais?”
Dicotomias: “Estrutura vs. Ação”
“Objetividade vs. Subjetividade”
Cérebro vs. Mente
Ideia
Ideia Inicial
Inicial
Ponto de Partida
“Consciência é um resultado dinâmico do fluxo mental,
gerado na interação contínua e complexa entre um
organismo com cérebro e os objetos do meio ambiente”
Ideia
Ideia Inicial
Inicial
António Damásio: fluxo mental
níveis do fluxo mental
emoção e marcador somático
consciência do self como autoemergente
Susan Carey: os níveis do sistema cognitivo
cognição perceptiva, básica e ampliada
mecanismo de 'bootstrapping' de conceitos e teorias
Cornelius Castoriadis: o imaginário instituinte
fluxo simbólico “enlouquecido”
mundo simbólico construído socialmente
António
António Rosa
Rosa Damásio
Damásio
Nascido em Portugal, 1944
Formado como médico neurologista em Lisboa
Radicado nos EUA desde 1974
Professor of Neuroscience, University of California, 2005
Principais obras:
Descartes' Error: Emotion, Reason, and the Human Brain, 1994
The Feeling of What Happens: Body and Emotion in the
Making of Consciousness, 1999
Looking for Spinoza: Joy, Sorrow, and the Feeling Brain, 2003
Self Comes to Mind: Constructing the Conscious Brain, 2010
António
António Rosa
Rosa Damásio
Damásio
Susan
Susan Carey
Carey
Nascida nos EUA, 1942; formada em psicologia, 1964
Professor of Psychology at Harvard University, 2001
Especialista em desenvolvimento conceitual
Introduziu o conceito de 'fast mapping', e fez a
integração de pesquisas sobre mudança conceitual:
Com a história da ciência
Com o processo de aprendizagem de crianças
Principais obras:
Conceptual Change In Childhood – Learning,
Development, and Conceptual Change, 1987
The Origin of Concepts, 2009
Susan
Susan Carey
Carey
Cornelius
Cornelius Castoriadis
Castoriadis
Grego nascido na Turquia, 1922; e falecido em 1997
Radicado na França desde 1945
Filósofo, Economista e Psicanalista
Influenciado pelo filósofo Merleau-Ponty
Suas idéias-força são 'Autonomia' e 'Imaginário'
Principais obras:
A Instituição Imaginária da Sociedade, 1975
O Mundo em Fragmentos – Escritos em Política,
Sociedade, Psicanálise, e a Imaginação, 1987
As Encruzilhadas do Labirinto, Vols. 1, 2, 3 e 4
Cornelius
Cornelius Castoriadis
Castoriadis
Ideias
Ideias de
de Damásio
Damásio
Mente constituída por um fluxo contínuo de imagens
As imagens “provêm da atividade do cérebro, e este é parte dos
organismos vivos que interagem com meios físicos, biológicos e
sociais. Assim, as imagens originam-se de padrões neurais...
formados em populações de células nervosas, ... que constituem
circuitos ou redes”
Imagem é um padrão mental dinâmico, não apenas visual, “com
uma estrutura construída com sinais provenientes de cada uma das
modalidades sensoriais – visual, auditiva, olfativa, gustatória, e
sômato-sensitiva”. Esta última inclui as sensações de tato, dor,
temperatura, tempo, bem como os afetos, como medo, ódio, amor e
alegria. “As imagens de todas as modalidades “retratam” processos
e entidades de todos os tipos, concretos e abstratos”
Ideias
Ideias de
de Damásio
Damásio
Metáfora da mente como um “filme no cérebro”:
O filme-no-cérebro é formado por “um fluxo contínuo de imagens...
que avança no tempo, rápido ou lento, ordenadamente ou aos
trambolhões, e às vezes segue não uma, mas várias sequências. Às
vezes as sequências são concorrentes, outras vezes convergentes e
divergentes, ou ainda sobrepostas”
“imagens são construídas quando mobilizamos objetos... de fora do
cérebro em direção ao seu interior, e também quando reconstruímos
objetos a partir da memória, de dentro para fora, por assim dizer. A
tarefa de produzir imagens nunca cessa enquanto estamos acordados
e continua até mesmo durante parte do nosso sono, quando
sonhamos”
Ideias
Ideias de
de Damásio
Damásio
Emergência do self como processo autoemergente
“autopercepção é na verdade parte do filme e cria assim, dentro do
mesmo quadro, o “que é visto” e o “que vê”, o “pensamento” e o
“pensador”. Não existe um espectador independente para o filmeno-cérebro. A idéia de espectador é construída dentro do filme, e
nenhum homúnculo fantasmagórico assombra o cinema”
Maturana, Varela, Kauffman, Thomson, etc, etc
Fluxo mental é afetivo/emotivo
Razão não funciona sem emoção
Teoria do marcador somático
Ideias
Ideias de
de Damásio
Damásio
Os dois “atores” que geram o fluxo de imagem:
Organismo com cérebro
Objetos do meio ambiente
Os níveis do fluxo de imagens:
1o. nível: mapeamento do corpo e dos objetos “lá
fora” por meio dos 5 sentidos
2o. nível: mapeamento do corpo interagindo com
os objetos do meio ambiente
(mapeamento do mapeamento)
Ideias
Ideias de
de Damásio
Damásio
O 1o. Nível:
“O fluxo de imagens de 1a. ordem continuamente mapeia, por um
lado, o organismo internamente, de modo que qualquer alteração
que ameace a integridade física do corpo possa ser prontamente
respondida para restabelecer o equilíbrio homeostático do
organismo”.
Ele “mapeia, simultaneamente, as alterações do organismo em
relação às mudanças provocadas pelo objeto nas partes do corpo
responsáveis por perceber objetos, os cinco sentidos sensoriais”.
Esse mapeamento primário de imagens já existe nos
animais mais simples e corresponde ao proto-self.
Ideias
Ideias de
de Damásio
Damásio
O 2o. nível:
“O fluxo de 2a ordem mapeia as relações entre objeto e organismo em um
segundo nível, quando algum objeto está interagindo com o organismo
naquele momento, e então gera uma segunda representação, a do
organismo interagindo com o objeto, chamada de self-central”
“a consciência central ocorre quando os mecanismos cerebrais de
representação geram um relato imagético, não verbal, de como o próprio
estado do organismo é afetado pelo processamento de um objeto pelo
organismo, e quando esse processo realça a imagem do objeto causativo,
destacando-o em um contexto espacial e temporal”
O fluxo mental de 2o nível gera o self central (core self)
Ideias
Ideias de
de Damásio
Damásio
“The Feeling of What Happens”:
“Processos cerebrais objetivos costuram a subjetividade da mente
consciente a partir do tecido do mapeamento sensorial. E como o
mais fundamental destes [processos] pertence a estados físicos e é
representado como sentimento, o senso do ‘eu’ no ato do
conhecimento surge como um tipo especial de sentimento – o
sentimento do que acontece em um organismo apanhado no ato de
interagir com um objeto”
Consciência do self surge como um sentimento
Ideias
Ideias de
de Damásio
Damásio
Resumo:
“O fluxo de imagens de 2a. ordem do self central requer a presença
do proto-self. A essência biológica do self central é a representação,
em um mapa de 2a ordem, do proto-self sendo modificado. O ‘eu’
transitório da consciência central é gerado então a partir de qualquer
objeto com que o vivente interaja. Como há permanente
disponibilidade de objetos incitadores, o self central é gerado
continuamente e, assim, o senso do ‘eu’ parece contínuo no tempo”.
Alguma coisa permanece após a sequência de surgimentos
efêmeros do self central
Memória e self autobiográfico
Ideias
Ideias de
de Damásio
Damásio
Questões problemáticas:
Qual a origem das representações do self biográfico?
Como surgem, em termos biológicos,
as ideias, formas e conceitos abstratos?
Ideias
Ideias de
de Damásio
Damásio
Status do fluxo mental das representações:
“Os padrões neurais e imagens mentais
correspondentes são criações do cérebro tanto quanto
produtos da realidade externa que levou à sua
criação”
Pausa
Pausa
Ideias
Ideias de
de Castoriadis
Castoriadis
Mente constituída por fluxo representativo (imaginário)
O imaginário é formado por um fluxo dinâmico e ininterrupto de
representações geradas na mente, a partir da percepção dos sentidos,
até os níveis mais altos de abstração, no caso humano. Este fluxo
representativo do imaginário apresenta ainda a característica de ser
gerado pelo vivente e, simultaneamente, de ser constitutivo do
próprio vivente. Assim, o imaginário, como poder de criação e
como representação criada, constitui e representa o vivente, bem
como seu mundo próprio.
Ideias
Ideias de
de Castoriadis
Castoriadis
Fluxo tem poder de criação (imaginação radical)
O imaginário é dito ‘radical’ porque cria em primeira instância a
representação (imagem, forma, idéia, qualidade) de determinado
objeto, seja concreto ou abstrato. Esta radicalidade do imaginário
significa que o ato de interação do vivente com o ambiente exterior,
que gera um fluxo representativo, precede a distinção que ele faz
entre o ‘real’ e o ‘fictício’.
É somente a partir da interação efetiva do vivente com o ambiente
que ele irá atestar em si mesmo o status da representação criada e
distinguir o real do fictício.
Ideias
Ideias de
de Castoriadis
Castoriadis
Fluxo é representativo, afetivo e intencional
Presente em animais, porém é fixo e limitado
“A capacidade de criação de representações está regulada
biologicamente para a satisfação das necessidades mais imediatas de
sobrevivência – busca de alimentos, autopreservação, procriação da
espécie. Um sapo, por exemplo, já nasce “sabendo” instintivamente
o que é alimento. Já os mamíferos têm de aprender o que é alimento,
em geral observando a própria mãe. Porém, uma vez que tenha
aprendido o que é alimento, o imaginário já cumpriu sua função
instintiva; uma raposinha, por exemplo, que já tenha criado a
‘imagem’ do coelho como possível fonte de alimento, irá mantê-la
por toda a sua vida”.
Ideias
Ideias de
de Castoriadis
Castoriadis
No ser humano o fluxo representativo “enlouquece”
“O imaginário radical sofre uma ruptura por meio de um
crescimento desmedido do cérebro e uma organização distinta de
seus componentes. Ele se autonomiza e se disfuncionaliza em
termos da satisfação das necessidades estritamente biológicas”
“O imaginário humano torna-se então capaz de se desligar do X
externo da coisa percebida e, com isso, se voltar sobre si mesmo,
num ciclo recursivo interminável. O objeto do imaginário pode
então ser o próprio imaginário. O ser humano torna-se capaz de
criar imagens das próprias imagens”.
O prazer de representação se sobrepõe ao prazer de órgão
Ideias
Ideias de
de Castoriadis
Castoriadis
Consequência da ruptura do imaginário:
“A ruptura do imaginário resultou num relativo desligamento entre
a representação e os objetos relacionados às necessidades biológicas
mais ou menos imediatas. Essa autonomização tornou possível o
investimento em objetos sem pertinência biológica (deuses,
mercadoria, pátria, etc), e tornou possível a existência de atividades
da psique que se tornassem, em si mesmas, “objetos psíquicos”.
Assim, o imaginário humano passou a estar relativamente liberado
das pulsões estritamente biológicas, e tornou-se capaz de oferecer à
psique humana objetos sociais como objetos de investimento,
gerando, assim, novas pulsões, as propriamente humanas, como a
pulsão do saber, ou da busca de sentido do mundo”
Ideias
Ideias de
de Castoriadis
Castoriadis
“Homeostase social”:
“O fluxo representativo enlouquecido é “domado” através da
linguagem, cultura e sociedade, através dos quais os significados/
valores instituídos socialmente são transmitidos aos jovens seres
humanos desde a sua infância, por meio da socialização”
Necessidades sociais:
“O relativo desligamento entre imaginário radical e objeto exterior,
e a preponderância do prazer de representação sobre o biológico,
deslocaram o objeto (da representação e investimento) das
necessidades estritamente biológicas para as “necessidades” sociais,
ou seja, aquelas criadas socialmente.
Ideias
Ideias de
de Castoriadis
Castoriadis
Consciência humana:
“a emergência da consciência humana, de si e do mundo, surge
como resultado da interação recíproca e recursiva entre o fluxo
representativo autonomizado, de cada ser humano singular, e o
imaginário já instituído, prévia e coletivamente, na linguagem,
cultura e sociedade”.
Algo crucial nesta ruptura:
“A ruptura do imaginário somente pôde ocorrer quando
simultaneamente surgiram linguagem, cultura e sociedade. São estas
que re-estabelecem uma função para o imaginário “enlouquecido”,
porém como ‘função social’ ”.
Ideias
Ideias de
de Castoriadis
Castoriadis
Resumo:
“O ser humano passou então a criar e a dar sentido a sua vida por meio de
formas e representações simbólicas da realidade, tais como palavra,
triângulo, número, conceito, nação, valor, tabu, clã, propriedade, amor,
mercadoria, família, Deus, casamento, arte, liberdade, ciência, democracia,
etc, e, com isso, passou a instituir de forma imaginária a linguagem, a
cultura e a sociedade”.
“Em síntese, tanto o sujeito social como a linguagem, cultura e sociedade
são frutos de um interminável processo interativo e recursivo, em que eles
se constróem mutualmente através das gerações. A consciência humana
atual, portanto, é o resultado de uma construção individual e coletiva de
gerações e gerações de humanos, desde que surgiu a espécie humana com
a característica biológica do imaginário autonomizado”.
Ideias
Ideias de
de Castoriadis
Castoriadis
Questões problemáticas:
Capacidade de pensar e linguagem quase como
sinônimos
É enigmática e pouco plausível a ruptura do
imaginário com surgimento simultâneo de
linguagem, cultura e sociedade
Pausa
Pausa
Ideias
Ideias do
do Monserrat
Monserrat
Ideias:
3o nível do fluxo de imagens (baseado em Damásio e
Castoriadis): fluxo de imagens simbólico
Ruptura gradual do 3o nível do fluxo de imagens
Psicólogo Merlin Donald: evolução bio-cultural
Ruptura final aconteceria com o surgimento da
linguagem totalmente simbólica
Artigos:
Asas da Imaginação – o elo perdido na origem da consciência? (2004)
Asas da Imaginação – porque há tantas teorias sobre a consciência? (2006)
Ideias
Ideias do
do Monserrat
Monserrat
http://www.dcc.ufla.br/~monserrat/tucson2006/poster.html
Ideias
Ideias do
do Monserrat
Monserrat
Questões problemáticas:
Quais os dados empíricos que permitiriam comprovar
o fluxo de imagem de 3o nível? (o simbólico)
Como, em termos cognitivos, funcionaria a criação de
ideias, formas e conceitos?
Pausa
Pausa
Ideias
Ideias de
de Susan
Susan Carey
Carey
Origem dos Conceitos
Sistemas Cognitivos Especializados
Mudança Conceitual
Ideias
Ideias de
de Susan
Susan Carey
Carey
Mudança conceitual pode ser contínua e descontínua
Três teses principais:
Core cognition é uma estrutura cognitiva intermediária
entre a 'sensorial/ perceptiva' e a 'cognição abstrata'
Ser humano é capaz de ir além da cognição sensorial/
perceptiva e da cognição básica (core cognition)
Representações conceituais abstratas são
descontínuas em relação as perceptivas e básicas, e
podem ser compreendidas por meio do mecanismo
de 'Bootstrapping' de Quine
Cor, forma são representações sensoriais/perceptivas
Ideias
Ideias de
de Susan
Susan Carey
Carey
Cognição básica (core cognition):
Representação/Conceito de:
●
●
●
●
Objeto
Número (quantidade e/ou tamanho)
Agente
Causalidade
Características comuns da representação sensorial/
perceptiva e da cognição básica:
Inatas
Mecanismos modulares (analizadores específicos)
Domínios específicos
Ideias
Ideias de
de Susan
Susan Carey
Carey
Sistemas da cognição básica com conteúdo numérico:
1) Individuação paralela
2) Magnitude analógica
3) Quantificação baseada em conjuntos
Exemplo de mecanismo inato e modular da cognição
básica:
Cognição perceptiva e básica já estão presentes em
animais e em bebês de poucos meses
Ideias
Ideias de
de Susan
Susan Carey
Carey
Exemplo de choque entre sistemas cognitivos
Ideias
Ideias de
de Susan
Susan Carey
Carey
Ideias
Ideias de
de Susan
Susan Carey
Carey
Definição de conceito:
Conceitos “constituem apenas uma parte do nosso estoque de
representações mentais, ... discussões sobre eles devem distinguir entre os
tipos de representações mentais, discriminando quais deles são conceitos”
“representações são estados do sistema nervoso que tem conteúdo, que se
referem a entidades, propriedades e eventos, concretos ou abstratos
(mesmos os fictícios)”
“Conceitos são unidades de pensamento, os constituintes das crenças e
teorias, e aqueles conceitos que me interessam aqui são de forma
simplista os grãos de itens léxicos únicos. De fato, as representações dos
significados de uma palavras são exemplos paradigmáticos de conceito”
Ideias
Ideias de
de Susan
Susan Carey
Carey
Dois tipos de representações conceituais:
As embutidas nos sistemas da cognição básica
(por exemplo, de objeto, agente, número, causalidade)
As embutidas nos sistemas de conhecimento explícito
(por exemplo, de teorias intuitivas e científicas)
Exemplos de conceitos abstratos típicos dos seres humanos:
Números naturais
Números racionais (reais ou fracionários)
Matéria, peso, volume e densidade
Ideias
Ideias de
de Susan
Susan Carey
Carey
Exemplos de conceitos abstratos científicos:
'Grau de quente/frio' versus 'Temperatura' e 'Calor'
Força 'vis-motriz' de Kepler (precursor da força da gravidade)
'Matéria', 'Força', 'Aceleração', 'Velocidade', 'Inércia'
Força eletromagnética de Maxwell
Cognição ampliada dos seres humanos permite a criação de
novos recursos conceituais com maior poder expressivo/
explicativo do que os recursos representacionais a partir dos
quais os novos recursos são criados
Estruturas conceituais diferentes são incomensuráveis
Ideias
Ideias de
de Susan
Susan Carey
Carey
A mudança conceitual duma estrutura conceitual para outra
Caracterização da mudança: (CS1 –> CS2)
Incomensurabilidade
Diferenciação
Coalescência
Surgimento de novo conceito
Dois sistemas CS1 e CS2 são incomensuráveis quando não são
traduzíveis mutuamente, isto é, eles são individualmente teorias
coerentes, mas localmente incomensuráveis uma com a outra.
Ideias
Ideias de
de Susan
Susan Carey
Carey
Como é construída a nova estrutura conceitual?
CS2 é socialmente construída; a construção individual
também é construída socialmente
CS2 é construída via análise das contradições e incoerências
da CS1, ou ainda no exame do grau de sucesso com que a
CS1 se aplica ao mundo
CS2 é construída por meio do desenvolvimento cognitivo de
domínio geral, que ajuda a criar os recursos que o cientista
precisa para montar o novo sistema conceitual
(por isso, é importante aprender várias áreas da ciência e
diferentes modos de pensar)
Ideias
Ideias de
de Susan
Susan Carey
Carey
Resumo do mecanismo de 'Quining Bootstrapping':
(1) Relações entre os símbolos ou termos, da estrutura conceitual são
construídos diretamente, em termos recíprocos entre si;
(2) Os símbolos ou termos da CS2 são inicialmente interpretados de forma
parcial em relação aos conceitos disponíveis da CS1;
(3) Os símbolos ou termos da CS2 servem, inicialmente, como uma 'estrutura
de lugares reservados' (placeholder structures);
(4) Processos de modelagem como: as analogias e inferências indutivas a partir
de outros domínios de conhecimento (a partir de outras estruturas
conceituais); experiências de pensamento; análises de casos limites;
'abduction in reasoning'; são utilizados para fornecer os suportes conceituais
para dar os novos significados a cada um dos símbolos ou termos conceituais
da estrutura de lugares reservados do novo sistema conceitual (CS2);
Ideias
Ideias de
de Susan
Susan Carey
Carey
Resumo do mecanismo de 'Quining Bootstrapping':
(5) Tais processos de modelagem combinam e integram distintas representações
de diferentes sistemas conceituais de outros domínios específicos (os
domínios-fonte), de modo a gerar gradualmente os novos significados da
nova estrutura conceitual, a CS2;
(6) Estes processos criam então representações explícitas do conhecimento,
previamente embutidas nas restrições das computações, definidoras sobre os
símbolos, em um ou mais dos sistemas que estão sendo integrados.
Observação: Agenda da CS1 é diferente da Agenda da CS2
Ideias
Ideias de
de Susan
Susan Carey
Carey
Diferença fundamental entre as transições CS1 → CS2:
No ensino de crianças: CS2 é imposta pelo sistema
educacional vigente
Na construção da ciência: CS2 é criada por cientistas
insatisfeitos com a CS1
Outra diferença fundamental:
Casos históricos de mudança CS1 → CS2
Casos em que a CS2 ainda não existe
Usar a teoria de Susan Carey sobre a mudança conceitual como
ferramenta para auxiliar na construção de um novo sistema
conceitual é proposta original deste trabalho
Ideias
Ideias de
de Susan
Susan Carey
Carey
Exemplo de mudança conceitual: Números Naturais
Crianças de 4 anos não sabem contar até 10, mas elas conseguem
contar até 2 (às vezes até 3 ou 4); elas têm a CS1
Crianças de 6 anos já sabem; elas mudaram para CS2
Porém, as crianças de 4 anos já sabem “falar” a contagem, sem saber o
que significa os termos “três”, “quatro”, “cinco”, “seis”, etc
CS1 é a “contagem” dos números até 2 (3 ou 4), que é proporcionada
pela cognição básica 'número' (individuação paralela, magnitude
analógica, e quantificação baseada em conjuntos)
A 'placeholder strutucture' pode ser a listagem sequencial dos números
“falados” verbalmente, e às vezes representadas fisicamente
Função “mais um” é repetida inúmeras vezes (modelagem física) até
dar o “clique” e a criança aprender o significado de contagem
Ideias
Ideias de
de Susan
Susan Carey
Carey
Outros exemplos:
Transição dos Nos inteiros para os Nos racionais
'Pesabilidade' para 'Volume, Peso, Densidade'
Exemplos de transição na ciência:
Conceitos de 'movimento e força' da Física Aristotélica para
os conceitos de 'movimento, força, aceleração e inércia' da
Física Newtoniana
Conceito térmicos de 'grau de quente/frio' de Galileo (e seus
estudantes) para os conceitos de 'temperatura e calor' de
Black (teoria do calórico, 1762)
Ideias
Ideias de
de Susan
Susan Carey
Carey
Exemplos de funcionamento do 'Quining Bootstrapping':
Criação do conceito de Força Vis-Motrix por Kepler
●
Copérnico: teoria heliocêntrica
●
Supernova e cometa foram observados nesta época
●
Tyco Brahe: dados acurados e órbita elíptica de Marte
●
CS1: força “anima motrix” dos planetas (dos Estóicos)
●
Hipótese abdutiva de Kepler: “alguma coisa do sol
causa o movimento dos planetas”
(que serviu como placeholder structure da CS2)
●
Analogia com a luz do Sol
●
Construção gradual da CS2 da Força Vis-Motrix
Pausa
Pausa
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
Passos:
Caracterização da CS1 (Conceptual Structure 1)
Significados de 'consciência' e dos termos co-relacionados
('mente', 'subjetivo', 'objetivo', 'experiência', 'verdade')
Identificação das limitações, contradições e/ou paradoxos
Formulação de uma 'placeholder structure' (estrutura de
lugares reservados) como ponto de partida inicial
Modelagem da estrutura de lugares reservados para iniciar o
processo de 'bootstrapping' dos novos significados dos
termos 'consciência', 'mente', 'objetivo', subjetivo', etc
Criação por tentativa e erro da CS2 (Conceptual Structure 2)
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
Dificuldade de caracterizar a CS1
Existe uma estrutura conceitual do fenômeno 'consciência'?
Existem várias!
Modelo padrão do filósofo da mente 'Jonh Searle'
Senso comum
Questão clássica do 'Explanatory Gap' (hiato explicativo)
Caracterização pelos conceitos de Subjetivo e Objetivo
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
Diferença entre Subjetivo e Objetivo no senso comum:
http://www.differencebetween.net/language/difference-between-objective-and-subjective/
Em histórias e jornais, pessoas do mundo todo tentam convencê-lo a
pensar como elas. Bombardeam com fatos, números, opiniões, projeções.
Cabe a você criar ordem dentro do caos e encontrar os padrões que irão
ajudá-lo a compreender o que é verdadeiro, o que poderia ser verdade, e o
que é completamente falso. A fim de criar ordem, você precisa ter um
controle firme sobre o que é objetivo e o que é subjetivo.
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
Definição de objetivo e subjetivo:
Objetiva – é uma declaração que é completamente imparcial.
Não é tocada por experiências anteriores do falante ou por
gostos. O objetivo é verificável, observando-se os fatos
concretos ou realizar cálculos matemáticos.
Subjetiva – é uma declaração que foi influenciada pelo gosto
ou opinião do falante. Muitas vezes tem uma base na
realidade, mas reflete a perspectiva através da qual a pessoa
vê a realidade. O que é subjetivo não pode ser verificado
usando fatos e números concretos.
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
Maneiras fáceis de identificar Objetivo e Subjetivo:
Objetivo: soa como a palavra objeto. Você deve ser objetivo
quando você está discutindo um objeto, algo concreto que
você pode segurar ou tocar. Os fatos que compõem a sua
declaração objetiva também devem ser concretos, tais como
os objetos sólidos.
Subjetivo: é exatamente o oposto. Você não pode apontar
para questões subjetivas. Elas estão em sua cabeça e suas
experiências passadas. Opiniões subjetivas são efêmeras e
sujeitas a um grande número de fatores, que podem variar
de fatos até emoções.
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
Exemplos de Objetivo e Subjetivo:
Objetivo: os fatos científicos são objetivos como são as
provas matemáticas; essencialmente qualquer coisa que
possa ser apoiada por dados sólidos
Subjetivo: opiniões, interpretações e qualquer tipo de
apresentação, são todas subjetivas
Objetivos são fatos que podem ser verificadas por terceiros,
enquanto que o Subjetivo pode ou não ser inteiramente
verdadeiro, já que depende da opinião de uma pessoa
Objetividade é comumente encontrado nas hard ciências, ao
passo que a Subjetividade é geralmente usada nas artes
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
The Explanatory Gap: (questão clássica da filosofia da mente)
Filosófo Ned Block:
“nothing that we now know, indeed nothing that we have been able to
hypothesize or even fantasize, gives us an understanding of why the
neural basis of the [phenomenological] experience of green that I now
have when I look at my screen saver is the neural basis of that experience
as opposed to another experience or no experience at all.
Nagel puts the point in terms of the distinction between subjectivity and
objectivity: the experience of green is a subjective state, but brain states
are objective, and we do not understand how a subjective state could be
an object state or even how a subjective state could be based in an
objective state”
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
O Hiato Explicativo:
Filósofo Ned Block:
“Nada do que sabemos agora, de fato nada que fomos capazes de supor,
ou mesmo fantasiar, nos dá uma compreensão de por que as bases neurais
da experiência [fenomenológica] de ver o verde, que tenho agora quando
olho para o screen saver, é a base neural desta experiência, como oposta a
de uma outra experiência, ou de nenhuma experiência.
Nagel coloca a questão em termos da distinção entre subjetividade e
objetividade: a experiência do verde é um estado subjetivo, mas os
estados cerebrais são objetivos, e não entendemos como um estado
subjetivo pode ser um estado objetivo, ou mesmo como um estado
subjetivo pode basear-se em um estado objetivo”
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
Resumo:
A experiência fenomenológica mental é subjetiva
A consciência é mental, logo ela é subjetiva
O conhecimento da ciência é objetivo, não depende
da subjetividade das pessoas
Logo, há duas formas de se conhecer a realidade:
●
Pela experiência mental subjetiva
●
Pelo conhecimento científico objetivo
(dualismo epistemológico)
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
Passos:
Caracterização da CS1 (Conceptual Structure 1)
Significados de 'consciência' e dos termos co-relacionados
('mente', 'subjetivo', 'objetivo', 'experiência', 'ideia')
Identificação das limitações, contradições e/ou paradoxos
Formulação de uma 'placeholder structure' (estrutura de
lugares reservados) como ponto de partida inicial
Modelagem da estrutura de lugares reservados para iniciar o
processo de 'bootstrapping' dos novos significados dos
termos 'consciência', 'mente', 'objetivo', subjetivo', etc
Criação por tentativa e erro da CS2 (Conceptual Structure 2)
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
Questões problemáticas:
Como a mente subjetiva capta a realidade objetiva?
Dualismo entre a mente subjetiva e a realidade
objetiva
Se o cérebro, como órgão material e biológico, é
responsável pela emergência da consciência,
como a mente subjetiva se liga ao cérebro
objetivo?
Como os cientistas, com suas mentes subjetivas,
conseguem os dados objetivos e por aí construir
teorias e conceitos objetivos das ciências?
Etc, etc, etc...
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
Uma metáfora visual para o paradoxo Mente-Cérebro
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
Passos:
Caracterização da CS1 (Conceptual Structure 1)
Significados de 'consciência' e dos termos co-relacionados
('mente', 'subjetivo', 'objetivo', 'experiência', 'ideia')
Identificação das limitações, contradições e/ou paradoxos
Formulação de uma 'placeholder structure' (estrutura de
lugares reservados) como ponto de partida inicial
Modelagem da estrutura de lugares reservados para criar os
novos significados (bootstrapping) dos termos
'consciência', 'mente', 'objetivo', subjetivo', 'verdade', etc
Criação por tentativa e erro da CS2 (Conceptual Structure 2)
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
Placeholder structure (estrutura de lugares reservados):
(Domínio Alvo)
“Consciência é um resultado dinâmico do fluxo mental,
gerado na interação contínua e complexa entre um
organismo com cérebro e os objetos do meio ambiente”
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
Domínios fontes (autores):
Damásio
Castoriadis
Susan Carey
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
Domínios fontes (autores):
Damásio
Castoriadis
Susan Carey
Merlin Donald
Steven Mithen
Boaventura do Santos
Nicos Mouzelis
Alan Chalmers
Max Velmans
Gerald Edelman
Maturana & Varela
Evan Thompson
Nancy Nersessian
Melanie Mitchell
Stuart Kauffman
Steven Horst
Terrence Deacon
Robert Bishop
Anthony Giddens
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
Damásio:
Fluxo de imagens dinâmico e em níveis
Interação entre os “atores” da mente (do seu fluxo):
Organismo com seu corpo/cérebro (Sujeito)
● Objetos do meio ambiente
(Objeto)
Fluxo de imagens e autoconsciência é fruto de um
processo autorganizado (Maturana e Varela)
●
Castoriadis:
Fluxo de imagens simbólico (imaginação radical)
Fluxo representativo fundante da realidade própria do
organismo/sujeito (o “para si” de Merleau-Ponty)
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Conceito de
de Consciência
Consciência
Susan Carey:
Desenvolvimento conceitual realizado por cada ser
humano é contínuo e descontínuo
Sistemas cognitivos em níveis:
●
●
●
Sensorial/perceptivo
Básico (core cognition)
Simbólico/abstrato (processo de 'bootstrapping')
Merlin Donald (também Mithen, Deacon):
Capacidade simbólica ampliada distingue ser humano
dos demais animais
Evolução bio-cultural (cérebro e cultura co-evoluiram)
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
Boaventura dos Santos:
Sujeito e Objeto são inseparáveis
Objeto e Sujeito estão interpenetrados um no outro
Alan Chalmers (Nersessian, Velmans, Susan Carey):
Realismo crítico; teorias e conceitos da ciência evoluem
Verdade é histórica, se transforma ao longo do tempo
Nancy Nersessian (Susan Carey, Alan Chalmers):
Casos históricos de mudança conceitual
Processo de modelagem de novos conceitos e teorias,
por meio de analogias, metáforas, simulações,
transposição de domínios-fonte para domínios-alvo
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
Steven Horst:
Irreducibilidade entre níveis dos fenômenos (físicos,
químicos, biológicos, mentais, psicológicos, sociais)
Pluralismo cognitivo
Melanie Mitchell (Kauffman):
Sistemas complexos adaptativos
Evolução dependente do caminho (evolução biológica)
Nicos Mouzelis (Anthony Giddens):
Esferas sociais autônomas (evolução social/cultural)
Dualismos e dualidades, nas dimensões paradigmática
e sintagmática da interação entre sujeito e objeto
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
Passos:
Caracterização da CS1 (Conceptual Structure 1)
Significados de 'consciência' e dos termos co-relacionados
('mente', 'subjetivo', 'objetivo', 'experiência', 'ideia')
Identificação das limitações, contradições e/ou paradoxos
Formulação de uma 'placeholder structure' (estrutura de
lugares reservados) como ponto de partida inicial
Modelagem da estrutura de lugares reservados para criar
os novos significados (bootstrapping) dos termos
'consciência', 'mente', 'objetivo', subjetivo', 'ideia', etc
Criação por tentativa e erro da CS2 (Conceptual Structure 2)
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
Criando significados para os termos da placeholder structure
com os domínio fontes (bootstrapping):
“Consciência é um resultado dinâmico do fluxo mental,
gerado na interação contínua e complexa entre um
organismo com cérebro e os objetos do meio ambiente”
Não é um estado, o fenômeno mental é um processo
dinâmico, um fluxo ininterrupto, um contínuo vir a ser
Fluxo mental gerado em níveis (1o, 2o, 3o e 3o autonomizado)
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
“Consciência é um resultado dinâmico do fluxo mental,
gerado na interação contínua e complexa entre um
organismo com cérebro e os objetos do meio ambiente”
Interação física, química, biológica, neural, mental e social
Fenômeno mental é material mas irredutível aos níveis físico,
químico, biológico e neural; ele é mental
Interação gera um nível de complexidade próprio: o mental
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
“Consciência é um resultado dinâmico do fluxo mental,
gerado na interação contínua e complexa entre um
organismo com cérebro e os objetos do meio ambiente”
Interação contínua é histórica em 3 dimensões:
Evolução biológica
Evolução cultural (social)
Evolução individual no processo de aprendizagem (social)
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
“Consciência é um resultado dinâmico do fluxo mental,
gerado na interação contínua e complexa entre um
organismo com cérebro e os objetos do meio ambiente”
Interação contínua é complexa em 3 dimensões:
Transforma os sistemas cognitivos em termos biológicos
Transforma os sistemas conceituais em termos culturais
Transforma a consciência das pessoas em termos individuais
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
“Consciência é um resultado dinâmico do fluxo mental,
gerado na interação contínua e complexa entre um
organismo com cérebro e os objetos do meio ambiente”
Fluxo mental é resultado de uma interação específica:
Sujeito (organismo com cérebro)
Objeto (objetos, eventos, fenômenos do meio ambiente)
O nível mental subsume os níveis físico, químico, biológico e
neural.
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
“Consciência é um resultado dinâmico do fluxo mental,
gerado na interação contínua e complexa entre um
organismo com cérebro e os objetos do meio ambiente”
O Sujeito e o Objeto da interação são divididos em diversos
níveis (multidimensional, no tempo e no espaço)
Sujeito → níveis do fluxo mental e dos sistemas cognitivos
Objeto → níveis dos fenômenos de objetos e eventos
1o.Nível: Cognição
sensorial/ perceptiva
(seres vivos + simples)
2o.Nível: Cognição básica
(vários sistemas;
presente em animais)
Objetos e eventos do
meio ambiente
Níveis dos fenômemos:
Físicos
Químicos
3o.Nível: Cognição
simbólica (limitada)
Biológicos
4o.Nível: Cognição
simbólica abstrata
Mentais
- Ser humano
- Linguagem, cultura e
sociedade
Sistemas conceituais de
teorias intuitivas e
científicas
Neurais
Sociais
Objetos mentais e
sociais
Objetos introjetados
pelo Sujeito, em seus
sistemas cognitivos e
conceituais
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
“Consciência é um resultado dinâmico do fluxo mental,
gerado na interação contínua e complexa entre um
organismo com cérebro e os objetos do meio ambiente”
Objeto introjetado no Sujeito (em seu sistema cognitivo)
Objeto está no Sujeito, o Sujeito está no Objeto
Sujeito e Objeto são distintos e inseparáveis: interpenetrados
Analogia com a figura do 'Yin Yang'
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Conceito de
de Consciência
Consciência
Analogia com a condição do Elétron: é Onda ou é Partícula?
É onda, é partícula, e não é nenhum dos dois!
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Conceito de
de Consciência
Consciência
Condição da Mente: é Subjetiva ou é Objetiva?
Fenômeno Mental
É subjetiva, é objetiva, e não é nenhum dos dois, é mental!
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Conceito de
de Consciência
Consciência
“Consciência é um resultado dinâmico do fluxo mental,
gerado na interação contínua e complexa entre um
organismo com cérebro e os objetos do meio ambiente”
Resumindo:
No ser humano, Sujeito e Objeto se transformam mutuamente nas
dimensões individual e coletiva, constituindo de forma gradual a
consciência pessoal e social
Pausa
Pausa
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Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
Reinterpretando o 'Hiato Explicativo':
(Descrição alternativa de Max Velmans)
Uma pessoa olha para algo verde e tem a experiência mental de ver o
verde. Um observador estuda os correlatos neurais da pessoa que olha
algo verde.
O conhecimento mental (fenomenológico) que a pessoa tem do objeto
verde é subjetivo e de 1a pessoa.
Já o conhecimento científico que o observador tem sobre os correlatos
neurais, a base física do ver o verde, é objetivo e de 3a pessoa.
Portanto → Dualismo Epistemológico
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Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
Reinterpretando o 'Hiato Explicativo':
Há duas interações Subjeito-Objeto distintas
1) Uma pessoa vendo algo “verde”
2) Outra pessoa examinando as bases neurais da
pessoa que está vendo algo “verde”
Conhecimento de um objeto não implica no do outro objeto
São duas experiências mentais, com Sujeitos e Objetos
distintos
As duas experiências mentais são subjetivas e objetivas
Qual a diferença entre elas então?
●
O nível do sistema cognitivo utilizado (cognição
perceptiva e cognição simbólica abstrata)
1o.Nível: Cognição
sensorial/ perceptiva
(seres vivos + simples)
2o.Nível: Cognição básica
(vários sistemas;
presente em animais)
Objetos e eventos do
meio ambiente
Níveis dos fenômemos:
Físicos
Químicos
3o.Nível: Cognição
simbólica (limitada)
Biológicos
4o.Nível: Cognição
simbólica abstrata
Mentais
- Ser humano
- Linguagem, cultura e
sociedade
Sistemas conceituais de
teorias intuitivas e
científicas
Neurais
Sociais
Objetos mentais e
sociais
Objetos introjetados
pelo Sujeito, em seus
sistemas cognitivos e
conceituais
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
“Consciência é um resultado dinâmico do fluxo mental,
gerado na interação contínua e complexa entre um
organismo com cérebro e os objetos do meio ambiente”
O fluxo mental gerado na interação Sujeito-Objeto é,
simultaneamente:
Subjetivo → organismo/cérebro criando o fluxo mental, com
seus diferentes sistemas cognitivos,
Objetivo → fluxo mental incitado e condicionado pelas
características e propriedades dos objetos do meio ambiente
Monismo Epistemológico
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Conceito de
de Consciência
Consciência
Resumo de alguns termos da CS2:
Mente é processo dinâmico, fluxo de imagens em vários níveis
Fluxo mental é físico, químico, biológico e neural
(monismo ontológico)
Fluxo mental é fruto da interação Sujeito-Objeto
(monismo epistemológico)
Consciência emerge do fluxo mental em seus níveis mais altos
Mente e Consciência são sempre Subjetivo e Objetivo
Construindo
Construindo oo Conceito
Conceito de
de Consciência
Consciência
Agenda da CS1:
Separação entre subjetividade e objetividade
Cisão Mente-Corpo
Controle racional sobre natureza e sociedade
Objetivo de reduzir o mental (e social) ao físico
Agenda da CS2:
Visão interpenetrada entre subjetividade e objetividade
Integração Mente-Corpo
Convivência racional com a natureza e em sociedade
Objetivo de compreender sem reduzir os vários níveis
dos fenômenos, naturais e sociais
Algumas
Algumas Consequências
Consequências
Sujeito e Objeto não são mais entidades totalmente
distintas e separáveis
Subjetivo não é mais marca registrada de uma
'experiência mental' de '1a pessoa'
Objetivo não é mais sinônimo de algo 'científico' e de
'3a pessoa'
Definição de consciência da CS2 unifica as ciências
naturais e sociais (ambas são objetivas e subjetivas,
simultaneamente)
Algumas
Algumas Consequências
Consequências
Questão problemática:
O que substitui o sentido de 'verdadeiro' no termo
'objetivo'?
O que é a 'verdade' ou o 'verdadeiro' então?
Se qualquer representação mental é subjetiva e
objetiva, ao mesmo tempo,
como distinguir o 'verdadeiro' do 'falso'?
Perspectivas
Perspectivas
Algumas respostas e questões em aberto:
'Verdade' como consenso histórico (teorias da ciência)
Como se forma o consenso histórico?
Foco de atenção do ser humano (Mouzelis, Bourdieu)
●
●
●
Habitual, cotidiana ou automática
Reflexiva teórica
Reflexiva estratégica
Domínio fonte da sociologia (Mouzelis, Giddens)
Dualismo e Dualidade no nível paradigmático
Dualismo e Dualidade no nível sintagmático
Conclusão
Conclusão
'Bootstraping' da CS2 ainda incompleto
Melhor caracterização da CS1 (John Searle)
Há lacunas e imprecisões na CS2
Questão da 'verdade' e da 'constituição do consenso'
Comparação com outras abordagens
CS2 abre nova perspectiva no estudo da 'consciência'
Definição simples
Maior poder expressivo e explicativo
Unifica todas as ciências
Agenda de pesquisas integrativa e não reducionista
Conclusão
Conclusão
Novo artigo:
The Wings of Imagination – bootstraping a
new concept of consciousness
Introdução
Mudança Conceitual e Incomensurabilidade
Hiato Explanatório e Atual Estrutura Conceitual da
Consciência
'Bootstraping' uma nova Estrutura Conceitual da
Consciência
Algumas Consequências e Perspectivas
Conclusão
Dúvidas?
Muito obrigado!
www.dcc.ufla.br/~monserrat [email protected]
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