Resistência de Plantas a Insetos

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NOTA DE AULA – Prof. Geraldo Andrade Carvalho
1. RESISTÊNCIA DE PLANTAS A INSETOS
1.1 INTRODUÇÃO – Raquel Carson (1957) – “ Primavera Silenciosa” – abordou
problemas futuros devido ao uso indiscriminado de pesticidas.
 1° caso de sucesso de resistência de plantas a insetos = controle da filoxera da
videira Daktulosphaira vitifoliae que no século XIX causou perdas na Europa. Na
França perdeu-se mais de 1.200.000ha videira.
 Solução = variedades européias sobre cavalo americano resistente ao pulgão
sugador de seiva das raízes e folhas dessa planta.
 Outro exemplos = Ostrinia nubilalis (milho); Maytiola destructr (trigo)
1.2 DEFINIÇÃO DE PLANTA RESISTENTE
 È aquela que devido à sua condição genotípica, é menos danificada que uma outra,
em igualdade de condições.
 A resistência é relativa = não existe escala absoluta para medi-la; exigindo
comparações entre plantas.
 A resistência é hereditária e específica a um determinado inseto.
1.3 GRAUS DE RESISTÊNCIA
A) Imunidade = não sofre nenhum dano causado pela praga sob qualquer condição.
B) Alta resistência = sofre pouco dano em determinadas condições.
C) Resistência moderada = sofre um dano menor que o dano médio causado nas
variedades em geral.
D) Suscetibilidade = sofre dano semelhante ao dano médio sofrido pelas variedades em
geral.
E) Alta suscetibilidade = dano bem maior do que a média das variedades em geral.
1.4 PSEUDORESISTÊNCIA
 Embora não sejam resistentes, são menos danificadas quando comparadas com outras
nas mesmas condições.
A) Escape = devido ao acaso não são infestadas. Deve-se fazer teste de progênie.
B) Evasão hospedeira = passa rapidamente pela sua fase de suscetibilidade ou quando
esta coincide com uma época de baixa densidade populacional da praga.
C) Resistência induzida = ocorre quando a manifestação da resistência é temporária
devido a condições especiais do ambiente que, uma vez suprimidas, fazem com que a
planta retorne à sua real condição de suscetibilidade. É resultante de um processo de
ativação qualitativa e quantitativa dos mecanismos responsáveis pela produção de
substâncias de defesa da planta por meio de fatores extrínsicos (bióticos e abióticos).
Exemplo = folhas com alta concentração de silício afeta a preferência, reprodução e
desenvolvimento do pulgão Schizaphis graminum (barreira física).
1.5 CONSTATAÇÃO DA RESISTÊNCIA NOS INSETOS
 Oviposição;
 Alimentação;
 Duração da fase larval e pupal;
 Longevidade e fecundidade dos adultos etc.
1.6 CONSTATAÇÃO DA RESISTÊNCIA NAS PLANTAS
 Mortalidade das plantas;
 Proporção das áreas foliares destruídas ou danificadas;
 Número de órgãos vegetais danificados;
 Produtividade;
 Qualidade do produto.
1.7 PRINCIPAIS TESTES PARA OVIPOSIÇÃO E ALIMENTAÇÃO
 Múltipla escolha ou com livre chance de escolha
 Confinamento ou sem livre chance de escolha
1.8 TIPOS DE RESISTÊNCIA
A) Antixenose ou não preferência = quando ela é menos utilizada para alimentação,
oviposição ou abrigo em comparação com outra em igualdade de condições.
 Estímulo para localização ou não da planta:
1. Atraente = orienta o inseto à planta
2. Repelente = orienta o inseto em direção contrária à planta
 Estímulos para interrupção ou não da movimentação:
1. Arrestante = cessa a locomoção quando em contato com o hospedeiro
2. Repelente ou estimulante da locomoção = leva o inseto a locomover-se do
hospedeiro
 Estímulo para início ou não da alimentação:
1. Incitante = o inseto inicia a alimentação
2. Supressor = impede o inseto de iniciar a sua alimentação
 Estímulo para manutenção ou não da alimentação:
1. Estimulante = faz o inseto continuar a ssua alimentação
2. Deterrente = impede o inseto de continuar a sua alimentação
B) Antibiose = ocasiona mortalidade nas fases larval, ninfal ou pupal, redução de peso e
tamanho de indivíduos. As plantas apresentam toxinas, presença de inibidores de
crescimento ou reprodução; impropriedades de nutrição (dieta).
C) Tolerância = não afeta o comportamento e nem a biologia do inseto. Suporta o ataque
através da regeneração de tecidos atacados, emissão de novos perfilhos etc. Exemplo:
ocorre em certas gramíneas quando atacadas pela lagarta elasmo.
1.9 TEORIA SOBRE A SELEÇÃO HOSPEDEIRA POR INSETOS FITÓFAGOS.
A) Princípio de Hopkins: um inseto que vive em mudas de uma espécie de planta terá
preferência para se reproduzir na espécie a qual se torna mais adaptada. Isto é, os
adultos dão preferência para ovipositar onde as larvas foram criadas.
B) Teoria das substâncias secundárias: Ex: taninos, alcalóides, saponinas, terpenos etc.
C) Teoria da discriminação dualística: o estímulo é dado por substâncias secundárias e
pelo estímulo nutritivo por nutrientes essenciais ou não.
2.0 CAUSAS DA RESISTÊNCIA
A) Causas físicas = cor, forma e tamanho do substrato vegetal – afetam a intensidade da
energia radiante. Exemplo: algodão vermelho repele Anthonomus grandis
B) Causas químicas:
1. Substâncias que afetam o comportamento dos insetos.
Exemplo: sinigrin (crucíferas) – estimulante de alimentação de Plutella maculipensis;
florizin (macieira) – deterrente de Myzus persicae; cucurbitacin (cucurbitáceas) – atraente
para crisomelídeos.
2. Substâncias que afetam o metabolismo dos insetos.
Exemplo: nicotina (Nicotiana sp.); piretro (Chrysantemum cinerariofolium) e a rotenona
(Derris sp.); o gossypol (Heliothis spp.), tanino (sorgo) inibidor de crescimento de
Contarinia sorghicola ; dimboa (trigo) afetam Schizaphis graminum.
C) Causas morfológicas
 Pilosidade, espessura e dureza da epiderme; textura, dimensão e disposição dos
órgãos vegetais.
Exemplo: a) variedade de algodão piloso = diminui a locomoção e sobrevivência
de lagartas recém-eclodidas de P. gossypiella
b) feijão com pêlos em formato de gancho aprisiona insetos como pulgões,
cigarrinhas e até ácaros.
c) espigas de milho com palha bem compactada e com comprimento além da ponta
da espiga são menos atacadas por Helicoverpa zea
3.0 VANTAGENS DA RESISTÊNCIA DE PLANTAS A INSETOS
 aumento da produção
 facilidade de utilização
 custo
 harmonia com o ambiente
 persistência
 não interfere nas outras práticas culturais
 compatibilidade
4.0 LIMITAÇÕES DA RESISTÊNCIA DE PLANTAS A INSETOS
 tempo para obtenção da variedade resistente
 limitação genética da planta
 ocorrência de biótipos
 características de resistências conflitantes. Ex: variedade de algodão piloso = aumenta
a oviposição de Heliothis spp. e diminui a locomoção e sobrevivência de lagartas
recém-eclodidas de P. gossypiella.
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