1 PERFIL DO ÍNDICE DE MASSA CORPORAL E TAXA METABÓLICA BASAL EM UMA POPULAÇÃO DE DIABÉTICOS TIPO II SEDENTÁRIOS Evelyze Teixeira de Souza Acadêmica CEDF/UEPA [email protected] Moisés Simão Santa Rosa de Sousa Orientador do CEDF/UEPA [email protected] Resumo O Diabetes Mellitus é uma síndrome de etiologia múltipla caracterizada pela presença de hiperglicemia crônica acompanhada de dislipidemia, hipertensão arterial e disfunção endotelial. Este estudo teve como objetivos descrever o perfil de Índice de Massa Corporal (IMC) e da Taxa Metabólica Basal (TMB), estudar as correlações existentes entre o IMC e a TMB e relatar os benefícios do Treinamento Resistido sobre a saúde de diabéticos tipo II sedentários. A pesquisa caracterizou-se como descritiva. Aleatoriamente selecionou-se 34 indivíduos dos 340 voluntários iniciais. O IMC foi obtido pela relação entre as medidas da massa corporal (Kg) e da estatura (m) e a composição corporal e a TMB foram avaliadas através de bioimpedância. Os dados obtidos encontram-se na forma de tabelas e foram analisados através do programa estatístico SPSS 16.0, adotando-se um nível de significância de p≤0.05. Os resultados demonstram o elevado nível de obesidade entre os indivíduos diabéticos, devido ao alto IMC e baixa TMB, pois o gasto energético diário é baixo devido o sedentarismo. Concluiu-se também que há correlação significativa entre as mudanças da TMB e do IMC em pacientes diabéticos. Constatou-se que o treinamento resistido é eficaz por apresentar muitos benefícios para a vida do diabético tipo 2. Palavras – chave: Diabetes. Índice de massa magra. Taxa metabólica basal. Sedentarismo. 1. INTRODUÇÃO Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes - SBD (2003), o Diabetes Mellitus (DM) é uma síndrome de etiologia múltipla, decorrente da falta de insulina e da incapacidade da mesma de exercer adequadamente seus efeitos, resultando em resistência insulínica. Caracteriza-se pela presença de hiperglicemia crônica, frequentemente, acompanhada de dislipidemia, hipertensão arterial e disfunção endotelial. O indivíduo com DM2 geralmente apresenta as seguintes condições: nefropatia com possível evolução para insuficiência renal; retinopatia que pode evoluir para cegueira; neuropatia com risco de úlceras nos pés; amputações; artropatia de Charcot e disfunção sexual. Além disso, há um aumento no risco de desenvolver doenças vasculares ateroscleróticas, como doença coronariana, arterial periférica e vascular cerebral e em longo prazo podem aparecer alterações vasculares que levam a disfunção, dano ou falência de vários órgãos (SBD, 2009). 2 A Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2) está diretamente associada à obesidade e ao acúmulo de gordura visceral (ERIKSSON e LINDGARDE, 1996). Além disso, é importante destacar que o tecido muscular esquelético é o grande responsável por uma maior captação de glicose mediada pela insulina, fator que está diretamente relacionado à massa muscular total e inversamente relacionada à massa total gorda (YKI-JARVINEN e KOIVISTO, 1983). A avaliação do estado nutricional requer o conhecimento das reservas energéticas e da massa metabolicamente ativa dos indivíduos, o que se obtém através da avaliação da composição corporal. Existem vários métodos para avaliação da composição corporal, como por exemplo, a avaliação do Índice de Massa Corporal (IMC). O IMC, também conhecido como índice de Quételet, em homenagem ao seu criador Adolphe Quételet, utilizado na avaliação do estado nutricional de populações, é obtido a partir da divisão da massa corporal em quilogramas, pela estatura em metro, elevada ao quadrado (kg/m 2). Em seus estudos, Quetelét observou que após o término do crescimento, ou seja, na vida adulta, o peso de indivíduos de tamanho normal era proporcional ao quadrado da estatura. Assim, Keys et al.(1972) propuseram que o peso dividido pela estatura ao quadrado fosse chamado de índice de massa corporal, embora algumas vezes seja referido como índice de Quételet, hoje muito usado como um índice de adiposidade. Outra variável importante, além da massa magra corporal e o índice de massa corporal é a taxa metabólica basal (TMB) que é a quantidade de energia necessária para a manutenção das funções vitais do organismo, sendo medida em condições padrão de jejum, repouso físico e mental em ambiente tranquilo com controle de temperatura, iluminação e sem ruído (GARROW, 1988). Isso nos leva a evidenciar a importância em melhorar a composição corporal (reduzir a gordura e aumentar a massa muscular) a fim de promover uma melhor captação de glicose pelo organismo, para um efetivo controle e tratamento desta síndrome. Estudos epidemiológicos sugerem que a atividade física pode diminuir de 30 a 58% o risco de desenvolver diabetes, sendo que a musculação tem sido recomendada pelas principais organizações desportivas e de saúde do mundo como uma forma de tratamento da DM2. Inclusive o número de pesquisas envolvendo 3 esse tema vem aumentando consideravelmente (CAUZA, 2005; CASTANEDA, 2002; DUNSTAN, 2002;). KOOPMAN (2005) demonstrou que uma sessão de musculação com intensidades adequadas pode melhorar a captação de glicose pelo músculo. QUESTÕES NORTEADORAS: a) Qual o perfil do IMC e da TMB em diabéticos tipo II sedentários? b) Quais as correlações existentes entre o IMC, massa magra e a taxa metabólica basal em indivíduos diabéticos tipo II sedentários? c) Quais os benefícios da adesão a um programa de treinamento resistido por esta população? OBJETIVOS: Descrever o perfil de IMC e da TMB em uma população de diabéticos tipo II sedentários. Estudar as correlações existentes entre o IMC e a TMB em diabéticos tipo II sedentários. Descrever os benefícios do TR sobre a saúde de para os diabéticos tipo II sedentários. 2. REVISÃO DE LITERATURA 2.1. Epidemiologia do diabetes tipo II: O Diabetes Melittus (DM) é um grupo de doenças metabólicas caracterizadas por uma incapacidade do organismo em manter a glicemia dentro dos limites normais, levando à hiperglicemia e a um metabolismo alterado de outras fontes de energia, como os lipídeos. Segundo Sherwin (1996), o estado hiperglicêmico dos diabéticos é secundário à deficiência na produção de insulina pelo pâncreas endócrino – parcial, total ou relativa quando associada à resistência periférica e à sua ação. A falta de insulina é o principal causador do desequilíbrio metabólico no DM e a hiperglicemia crônica é o principal responsável pelas complicações tardias, como disfunção e falência de vários órgãos-alvo, especialmente olhos, rins, nervos, coração e vasos. A Organização Mundial de Saúde (OMS), afirmou que o número de diabéticos irá aumentar dos 285 milhões (em 2010) para 435 milhões até 2030 no mundo (BAZOTTE, 2012). Essas estimativas indicam um número absurdo de casos de DM, caracterizando essa doença como extremamente preocupante para a população mundial. 4 Afirma Bazotte (2012), que no Brasil, os dados relacionados à doença revelam que, até 2025, o país deverá ter 17,6 milhões de diabéticos, ou seja, quase duas vezes mais que os 8 milhões (2010) de portadores da doença, saltando do oitavo para o quarto lugar em termos de número total de diabéticos. A SBD (2009) calculou que no país os valores gastos diretos com o DM equivalem para os cofres públicos valores estimados entre 2,5% e 15% dos gastos anuais em saúde, pois o governo fornece medicações hipoglicemiantes orais, insulinas, dentre outros. Mas o que mais remete também aos pacientes são aqueles ditos intangíveis, como as dores, a ansiedade, a perda de qualidade de vida para o indivíduo, causando um impacto na vida dos portadores e de seus familiares. Estes dados mostram a necessidade da existência de acompanhamento contínuo durante toda a vida, resultando no desenvolvimento de uma política assistencialista e de prevenção, a fim de que se possa trabalhar na redução do número de pessoas afetadas com tal patologia. Segundo Brasil (2006), a OMS estimou em 1997 que, após 15 anos de doença, ou seja, até 2012, cerca de 2% dos indivíduos acometidos pelo DM estarão cegos, 10% terão deficiência visual grave e que 30% a 45% terão algum grau de retinopatia. 10% a 20% desenvolverão nefropatia, 20% a 35% de neuropatia e 10% a 25% terão desenvolvido doença cardiovascular. Bazotte (2012) acrescenta ainda que pacientes diabéticos também apresentam maior incidência de catarata, impotência sexual, hipertensão, acidente vascular cerebral e infarto do miocárdio. 2.2. Fisiopatologia do diabetes tipo II: Segundo Dorival (2011), para manter um nível constante de glicose no sangue, o pâncreas produz insulina e glucagon. A insulina tem como principais alvos as células do fígado, células adiposas e células musculares, agindo da seguinte forma: estimulando as células do fígado e dos músculos a armazenar glicose em forma de glicogênio; estimulando as células adiposas a formar gorduras a partir de ácidos graxos e glicerol; estimulando as células do fígado e dos músculos a fazer proteínas a partir dos aminoácidos e impedindo as células do fígado e dos rins de fazer glicose a partir de compostos intermediários de vias metabólicas. A resistência à ação da insulina (RI) é uma anormalidade primária e precoce no curso da doença. Esta se caracteriza pela diminuição da habilidade da insulina 5 em estimular a utilização da glicose pelo músculo e pelo tecido adiposo, prejudicando a supressão da lipólise mediada por esse hormônio. De acordo com Dean (1998), a resistência à ação da insulina (RI) no fígado leva ao aumento da produção hepática de glicose. Numa fase inicial, a elevação nos níveis de glicemia é compensada pelo aumento da secreção de insulina, mas, à medida que o processo persiste por períodos prolongados, associa-se um efeito glicotóxico. Entende-se como efeito glicotóxico o aumento da resistência à ação da insulina e diminuição da função da célula beta, devido à hiperglicemia crônica. O DM2 é uma doença metabólica complexa, que se caracteriza por uma diminuição pancreática de insulina nos tecidos periféricos, que por sua vez acarreta num aumento compensatório da secreção de insulina, levando a uma influência negativa do metabolismo dos glicídios, gorduras, água, proteínas, minerais e vitaminas, ocasionando a evolução da doença. (MARCONDES, 2003). O aumento da concentração plasmática de insulina ocorre como resposta de compensação das células betas do pâncreas, em decorrência a diminuição do armazenamento e utilização dos carboidratos e a consequente elevação da glicemia, ocasionando a hiperglicemia (GUYTON, 2002). Na presença de obesidade abdominal, a resistência à insulina impede a utilização adequada da glicose, promovendo um aumento da lipólise, favorecendo a elevação plasmática de ácidos graxos livres (VOLP, 2008). Embora, por vezes, seja difícil caracterizar qual dos mecanismos fisiopatológicos predomina em um determinado paciente, a característica principal do diabetes tipo 2 é a resistência periférica. A resistência à insulina é inicialmente observada no tecido muscular, onde a concentração crescente de insulina é necessária para permitir a captação de glicose pelo miócito. A resistência à insulina é influenciada por fatores adquiridos (elevação da concentração de LDL e triglicérides e redução de HDL), hipertensão arterial e obesidade abdominal. (MARCONDES, 2003). A fisiopatologia do Diabetes Mellitus Tipo II, evidencia as irregularidades que ocorrem nas pessoas acometidas pelo diabetes, sendo estas: o padrão anormal da secreção de insulina e consequentemente a modificação de sua ação no organismo, captação celular diminuída de glicose e aumentada em relação à glicose pósprandial e a maior liberação de glicose pelo fígado (gliconeogênese) nas primeiras horas da manhã. 6 Além disso, os sintomas mais evidentes encontrados em indivíduos com esta enfermidade são: hiperglicemia, sede excessiva, micção frequente, polifagia e perda de peso. A hiperglicemia se manifesta por sintomas como poliúria, polidipsia, perda de peso, polifagia e visão turva ou por complicações agudas que podem levar a risco de vida. A hiperglicemia crônica está associada a dano, disfunção e falência de vários órgãos, especialmente olhos, rins, nervos, coração e vasos sanguíneos (GROSS et al. 2002). O critério de diagnóstico do Diabetes foi modificado em 1997 pela American Diabetes Association (ADA) e posteriormente aceito pela OMS e pela SBD. As modificações foram realizadas com a finalidade de prevenir de maneira eficaz as complicações micro e macrovasculares do DM. Atualmente são três os critérios aceitos para o diagnóstico de DM: Sintomas de poliúria, polidipsia e perda ponderal acrescidos de glicemia casual acima de 200mg/dl. Compreende-se por glicemia casual àquela realizada a qualquer hora do dia, independentemente do horário das refeições. Glicemia de jejum ≥ 126mg/dl (7milimois). Em caso de pequenas elevações da glicemia, o diagnóstico deve ser confirmado pela repetição do teste em outro dia. Glicemia de 2 horas pós-sobrecarga de 75g de glicose acima de 200mg/dl. Atualmente a glicose em 100 mg/dl já é suficiente para causar lesões nas paredes das artérias, o que leva às doenças cardiovasculares. Além disso, é grande o risco de pessoas desse grupo desenvolverem complicações crônicas do diabetes, sendo os efeitos colaterais mais devastadores o infarto, derrame, insuficiência renal, cegueira, amputação de pernas ou pés e impotência sexual. (NASHIMURA et al, 2001 ; DANEMAN, 2001) 2.3. Composição corporal, saúde e diabetes: A grande variabilidade existente entre as populações quanto à alimentação, genética, idade, grau de atividade física e sexo influenciam na saúde das pessoas, dessa forma, influenciam também a vida de pacientes diabéticos. De acordo com Santos e Ferreira (2011) a síndrome metabólica (SM), também denominada síndrome X, síndrome plurimetabólica ou até síndrome de resistência à insulina, apresenta-se como um distúrbio metabólico complexo, de causa ainda obscura, que acomete milhares de pessoas no mundo e apresenta 7 como principais gravidades a obesidade e o desequilíbrio do metabolismo de glicose e insulina. Suas divergências de diagnóstico e de tratamento influenciam as chances de cura e de prevenção. O excesso de tecido adiposo, particularmente o de concentração abdominal, tem sido associado com hipertensão, alterações lipídicas plasmáticas, resistência à insulina, estados inflamatórios e trombóticos. Esses fatores de risco normalmente ocorrem em indivíduos obesos ou com sobrepeso, porém a obesidade por si só não explica estas alterações: a provável causa é a predisposição dessa morbidade à resistência à insulina. Outra variável importante para a composição corporal é a massa magra. Nos estudos de Monteiro e Conde (1999), apontam que em 2025 haverá uma prevalência de aproximadamente de 20% da população brasileira com obesidade. A obesidade pode ser caracterizada pelo excesso de gordura corporal e causar prejuízos no estado geral de saúde, como dificuldades respiratórias, distúrbios do aparelho locomotor e aumentar o risco de adquirir doenças dislipidêmicas, cardiovasculares, diabetes, câncer entre outras. 2.3.1. Índice de Massa Corporal O IMC mostra uma alta correlação com o peso corporal baseado em estudos realizados em diversos grupos populacionais. Em uma série de análises comparativas, a correlação do IMC com a estatura variou de 0,0 a 0,2. Assim, o IMC é altamente correlacionado com peso corporal, que tem uma proximidade com os estoques de energia corporal e é relativamente independente da estatura. A maior parte do diferencial de peso corporal entre os adultos é devida à gordura, sendo essa uma das razões de o IMC ser considerado um indicador de adiposidade (CERVI; CASTRO; PRIORE, 2005). Pode-se dizer que o IMC possui dois objetivos teóricos maiores: promover facilmente estimativas comparáveis e interpretáveis de peso corporal padronizado pela estatura e promover estimativa de gordura e composição corporal (MICOZZI, 1990). No entanto, alguns autores vêm discutindo a utilização desse índice como um indicador do estado nutricional de adultos e também de idosos. Garn et al (1986). enumeraram três limitações para o uso do IMC: a correlação com a estatura, que apesar de baixa ainda é significativa; a correlação com a massa livre de gordura, principalmente nos homens; e a influência da proporcionalidade corporal 8 (relação tamanho das pernas/tronco). Essas limitações poderiam pôr em risco a utilização do IMC como indicador de gordura corporal. 2.3.2. Taxa Metabólica Basal: A TMB é o principal componente do gasto energético diário, podendo representar de 50% (nos indivíduos muito ativos fisicamente) a 70% (normais sedentários) do total de energia gasta diariamente (CLARK e HOFFER, 1991). Baseado nesta evidência, o gasto energético (GE) diário deveria nortear necessariamente as recomendações energéticas. O uso da TMB no estabelecimento das necessidades energéticas, por si só, já seria motivo suficiente para sua determinação dos vários segmentos da população da forma mais exata possível, seja em avaliações clínicas ou epidemiológicas. Além disso, seu uso em estudos epidemiológicos sobre a ingestão alimentar e a determinação do nível de atividade física, também demonstra sua importância. Por exemplo, usualmente, avalia-se o grau de confiabilidade na informação sobre a ingestão energética de indivíduos dividindo-se o valor de energia ingerida, pela TMB. Quando em pessoas obesas, o valor desta razão é menor do que 1,2 costuma-se dizer que os indivíduos subestimaram a ingestão, visto que, os mesmos não poderiam ser obesos ingerindo somente 1,2 vezes a TMB (MACDIARMID e BLUNDELL, 1997) valor que é considerado como de manutenção (JAMES e SCHOFIELD, 1990). 2.4. Treinamento resistido e Diabetes: A atividade física é um fator importante do tratamento do diabetes mellitus, e contribui para melhorar a qualidade de vida do portador de diabetes. Mais ainda, atuando preventivamente e implantando um programa de promoção da atividade física, dieta sã e equilibrada, assistência médica, educação do paciente e da equipe sanitária, pode se reduzir significativamente a incidência do diabetes do tipo 2 e das complicações associadas. Segundo um estudo de Helmrich et al (1991), o risco de DM2 aumenta à medida que aumenta o IMC (índice de massa corporal), e, ao contrario, quando aumenta a intensidade e/ou a duração da atividade física, expressa em consumo calórico semanal, esse risco diminui, especialmente em pacientes com risco elevado de diabetes. Tal como ocorre em pessoas não diabéticas, a prática regular de exercício pode produzir importantes benefícios a curto, médio e longo prazo. 9 De acordo com Arrechea (2001) a prescrição da atividade física em paciente portador de DM2 não apresenta dúvidas e é hoje, junto com a perda de peso, uma das indicações mais apropriadas para corrigir a resistência à insulina e controlar a glicemia nesse tipo de diabetes (que representa 90% dos casos), ainda mais se está associado à obesidade. Hirsch (1997) afirma que o exercício melhora a sensibilidade à insulina, diminui a hiperinsulinemia, aumenta a captação muscular de glicose, melhora o perfil lipídico e a hipertensão arterial, além da sensação de bem-estar físico e psíquico decorrente; também pode contribuir para a perda de peso. Deve ser feita cuidadosa avaliação quanto à presença de complicações macro e microvasculares no DM, para definir os tipos de exercícios mais apropriados, se neuropatia, nefropatia e/ou retinopatia estiverem presentes. Os benefícios a médio e longo prazo, da prática regular de atividade física, contribuem para diminuir os fatores de risco para o desenvolvimento da doença cardiovascular (aumentado no paciente portador de diabetes), através das seguintes alterações: melhora do perfil lipídico, contribuição para a normalização da pressão arterial, aumento da circulação colateral, diminuição da frequência cardíaca no repouso e durante o exercício. No mais, independentemente das alterações fisiológicas que acompanham o exercício, também ocorrem alterações comportamentais que favorecem o cuidado e o autocontrole por parte do paciente, e consequentemente contribuem para melhorar sua qualidade de vida . Assim como outros elementos do tratamento, Mercuri (2001) afirma que a atividade física deve ser prescrita de maneira individual para evitar riscos e otimizar os benefícios. O tipo, frequência, intensidade e duração do exercício recomendado dependerá da idade, do grau de treinamento anterior e do controle metabólico, duração do diabetes, e presença de complicações específicas da doença. Por isso, antes de iniciar a prática sistemática da atividade física, o paciente portador de diabetes deve submeter-se a exame clínico geral e cardiovascular, incluindo na medida do possível uma prova de esforço (ergometria). O ajuste na prescrição do exercício será mais eficaz se os esforços forem coordenados por: paciente, família, médico e sua equipe de colaboradores. A educação em diabetes, que permite ao paciente combinar corretamente dieta, dosagem de insulina e 10 hipoglicemiantes orais com o exercício, diminui notavelmente os riscos de hipoglicemia e/ou hiperglicemia pós-exercício. Segundo a Associação Americana de Diabetes (ADA), a prática de atividade física é uma importante ferramenta no tratamento de indivíduos com diabetes do tipo 2. Castaneda (2001) sugere que programas de exercício físico têm demonstrado ser eficientes no controle glicêmico de diabéticos, melhorando a sensibilidade à insulina e tolerância à glicose e diminuindo a glicemia sanguínea desses indivíduos. Geralmente tem sido recomendada a realização de exercícios aeróbios para indivíduos com diabetes do tipo 2. No entanto, recentes estudos têm demonstrado que o exercício resistido também é benéfico no controle glicêmico de diabéticos do tipo 2. Sendo bastante benéfico para diabéticos idosos, pois durante o envelhecimento há diminuição da força e massa muscular, a qual afeta o metabolismo energético de maneira indesejável. O aumento da força e massa muscular através da prática de exercício resistido pode reverter esse quadro, melhorando o controle glicêmico desses indivíduos. (CIOLAC. GUIMARÃES, 2002). Simões (2000) verificou que a glicemia aumenta ao longo do exercício de cargas progressivas na medida em que, intensidades acima do limiar anaeróbio são atingidas. Estudo realizado em homens obesos diabéticos tipo 2, com treinamento resistido de 3 sessões semanais, com intensidade moderada, constituído por 10 exercícios para grandes grupos musculares, durante 10 semanas, promoveu uma melhora no controle glicêmico e diminuição da insulinemia de jejum nestes pacientes, além de aumentar a massa muscular magra, força muscular e endurance (BALDI e SNOWLING, 2003). A melhora da glicemia verificada neste estudo pode estar associada, entre outros fatores, ao aumento de massa muscular que é um dos principais tecidos captadores da glicose. 3. MATERIAL E MÉTODO 3.1. Tipo de estudo: Esta pesquisa se caracterizou como descritiva, que segundo GIL (2008) é o tipo de pesquisa onde se descreve as características de determinadas populações ou fenômenos. Uma de suas peculiaridades está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como o questionário e a observação sistemática. 11 3.2. Universo Constituiu-se de 340, voluntários diabéticos, sedentários, de ambos os sexos, com idade média de (58.94 ± 10.66) anos, cadastrados e atendidos pelo programa de prevenção cardiovascular da Casa do Diabético, localizada no bairro do Marco em Belém do Pará. 3.3. Critérios de inclusão Adotou-se como critérios básicos, ser diabético tipo II, ser maior de 18 anos, não ter participado de programas de atividade física regular nos últimos seis meses, além de obter liberação (autorização) médica para a prática do treinamento resistido. 3.4. Critérios de exclusão Foram excluídos da amostra os sujeitos que não concordaram em participar voluntariamente da pesquisa, bem como aqueles que se recusaram a assinar o termo de consentimento livre e esclarecido. 3.5. Amostra Obedecendo aos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados aleatoriamente 34 indivíduos. 3.6. Aspectos éticos Esta investigação foi desenvolvida com base na resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde do Brasil, e o projeto aprovado em Comitê de Ética e Pesquisa, sob o número de protocolo CAAE – 0013.0.41200008, sendo os dados coletados utilizados para fins exclusivos desta pesquisa. 3.7. Local da investigação A investigação desenvolveu-se em Belém, capital do estado do Pará, República Federativa do Brasil, no laboratório multifuncional (LAMULT). - Procedimentos da coleta de dados O IMC foi obtido pela relação entre as medidas da massa corporal (Kg) e da estatura (m), expressas na equação abaixo (ACSM, 2007). Obteu-se a massa corporal pela pesagem em uma balança marca Fillizola, com capacidade de 0 a 100 kg, com precisão de 100 g, e a estatura foi verificada com auxílio de um estadiômetro da marca Sanny (modelo ES 2020), com medidas entre 0,40 a 2,20 m de altura e tolerância de dois milímetros. PC (kg) IMC = (estatura em m)2 12 A composição corporal e a Taxa metabólica foram avaliadas através de bioimpedância, por meio do equipamento ByodinamicsBodyCompositionAnalyzer – Model 310. A colocação dos eletrodos foi tetra polar: na superfície dorsal da mão direita sobre a articulação metacárpica e entre as proeminências distal e proximal do rádio e ulna no punho; na superfície dorsal do pé direito entre os maléolos medial e lateral no tornozelo, com os pacientes em decúbito dorsal, com membros superiores e inferiores afastados. A avaliação será feita com o paciente em jejum de 12h e após esvaziamento da bexiga. - Procedimentos de análise dos dados Os dados obtidos nesta investigação encontram-se na forma de tabelas e analisados estatisticamente para evidenciar as características da amostra e para testar as hipóteses anteriormente formuladas para o estudo. Para o tratamento estatístico utilizar-se-á o programa estatístico SPSS 16.0, por meio dos seguintes procedimentos: Estatística descritiva para caracterização da amostra; A correlação linear de Pearson para verificar a associação entre variáveis. Para a análise adotou-se um p≤0.05. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados encontram-se demonstrados em tabelas e são discutidos a partir do referencial da fisiologia do exercício, procurando estabelecer relações com resultados de outros estudos que já foram propostos. Tabela 1 - Características qualitativas da amostra Variável Sexo IMC Frequência Feminino 24 (70.6%) Normal 14.7% Sobrepeso 41.2% Masculino 10 (29.4%) Obesidade I 26.5% Obesidade II 17.6% Na tabela 1 verifica-se que a quantidade de mulheres é superior à quantidade de homens, sendo que a maioria encontra-se em estado de Sobrepeso seguido de Obesidade I, dados que são muito preocupantes e relevantes para entendermos as correlações existentes entre o IMC e a TMB em diabéticos tipo II sedentários. 13 Segundo Cunha (2006), nas últimas décadas, a prevalência de obesidade vem aumentando exponencialmente, atingindo homens e mulheres de todas as faixas etárias, já sendo caracterizada como uma epidemia mundial. Albrink (1967) e Robson (1979) relatam que a obesidade é um fator de aumento de morbidade no ser humano, com maior prevalência de doenças, principalmente cardiovasculares e outras, tais como as que causam problemas respiratórios, colecistites, orteoartrites, veias varicosas, hérnias ventrais e diafragmáticas, entre outras, além do diabetes, que tem uma forte associação com a diabetes. Tabela 2 - Estatística descritiva (valores médios, desvio padrão, variáveis etárias, antropométricas e de composição corporal antes do treinamento) Variável Média ± DP Idade 58.94 ± 10.66 Peso Corporal (kg) 71.62 ± 11.85 Estatura (m) 1.55 ± 0.08 IMC 29.64 ± 4.27 Massa corporal magra (kg) 46.01 ± 9.43 Taxa Metabólica Basal (kcal) 1399.82 ± 288.43 Na tabela número 2 encontram-se os valores médios, desvio padrão, variáveis etárias, antropométricas e de composição corporal notando um elevado valor do desvio padrão o que nos faz perceber a heterogeneidade da amostra. Notamos através da amostra que, diabéticos tipo II sedentários apresentam como média de IMC, 29.64 com desvio padrão de 4.27, o que nos faz perceber que número de indivíduos diabéticos acima do peso é bastante relevante. Enquanto que a Taxa Metabólica Basal que é o principal componente do gasto energético diário encontra-se em 1399.82 com desvio padrão de 288.43. Cambri e Santos (2006) aplicaram um programa com 12 semanas de treinamentos resistidos em diabéticos tipo II, composto por 3 séries de 12 a 15 repetições em três sessões semanais, para os grandes grupos musculares, e verificaram uma redução média de 24,50% (p<0,05) na glicemia capilar em 80% das sessões analisadas, variando entre 1,47% e 64,36% em relação à glicemia préexercício, e concluíram que os exercícios resistidos são efetivos para o aumento da massa corporal e massa magra, diminuição do percentual de gordura corporal e níveis de glicemia capilar, fatores esses importantes no controle a diabetes. 14 Castaneda et al (2002) ao estudarem os efeitos do TR progressivo de 16 semanas em homens e mulheres latinos com idade superior a 55 anos, verificaram uma diminuição de 2,2% na medida de circunferência da cintura (CC), mesmo com um aumento no peso corporal de 0,3%. Em ambos os estudos a redução da gordura corporal foi acompanhada de um aumento da massa magra, que são adaptações benéficas e desejáveis para a melhoria do estado de saúde, considerando que a obesidade está presente no DM tipo II. Gomes et al (2006) ao avaliarem aleatoriamente a prevalência de sobrepeso e obesidade em 2.519 pacientes ambulatoriais com diabetes mellitus tipo 2 (DM2) em diferentes regiões do Brasil, com idade média de 58,8 ± 11,6 anos, verificaram um IMC de 28,3 ± 5,2 kg/m2, sendo que 39% eram do sexo masculino. Constatou-se ainda que 75% não estavam na faixa de peso ideal, sendo que um terço tinha obesidade. A obesidade, particularmente aquela localizada na região abdominal, pode elevar o risco da ocorrência de Diabetes mellitus tipo II em dez vezes, sendo que 75% dos pacientes diabéticos não dependentes de insulina estão acima do peso desejável. Além disso, quando o Índice de Massa Corporal (IMC) (kg/m2) está acima de 35, aumenta o risco do desenvolvimento da obesidade em 93 vezes em mulheres e 42 vezes em homens (SOUZA, 2004). Tabela 3 - Correlação entre as variáveis de estudo CORRELAÇÃO r p Taxa Metabólica Basal X Índice de massa corporal 0.36 0.04* Taxa Metabólica Basal X Massa corporal magra 1.00 <0.01* Taxa Metabólica Basal X Peso corporal total 0.82 <0.01* Segundo Wahrlich (2001), A TMB, por definição, deve ser medida controlando-se vários fatores, alguns óbvios, como a atividade física prévia, a ingestão alimentar e a temperatura e o nível de ruído ambiental; outros mais sutis, como o tabagismo e o período no ciclo menstrual. Quando a medição é realizada sem o controle destes fatores, costuma-se chamar o valor obtido de taxa metabólica de repouso. Entretanto, algumas características inerentes aos indivíduos sendo avaliados, como a idade, a aptidão física e a dimensão e composição corporais, podem explicar as diferenças interindividuais na TMB. 15 Na Tabela 3 apresentamos a Correlação entre as variáveis do estudo que são a TMB, IMC, massa corporal magra e o peso corporal total. Notamos que os resultados obtidos foram significativos, pois TMB X IMC p=0.04, TMB X Massa corporal magra p=<0.01 e TMB X Peso corporal total p <0.01. Segundo Rodriguez (2002) há correlação significativa entre as mudanças da TMB e do IMC em pacientes diabéticos e também em pacientes que apresentam apenas a obesidade, porque o gasto energético diário (GED) influencia diretamente na composição corporal que é compreendida em massa corporal magra (MCM) e massa de gordura corporal (MGC), variáveis que podem ser modificadas com o treinamento. Mcardle (2001) afirma que a MCM é mais ativa metabolicamente do que o tecido adiposo, por isso tem sido proposto que o exercício físico pode aumentar o GED e preservar ou aumentar a MCM resultante da perda de peso, ajudando a manter ou aumentar a TMB o que corrobora o resultado da pesquisa onde a correlação da TMB e das variáveis da composição corporal apresentaram resultados significativos. CONCLUSÃO A partir da TMB e o IMC de diabéticos tipo 2 sedentários encontrados na pesquisa conclui-se que existe um elevado número de diabéticos obesos, o que pode ocasionar uma série de riscos à saúde da população, como aparecimento de doenças cardiovasculares e alterações no organismo que podem levar a disfunção e falência de vários órgãos. Notamos também que há correlação significativa da TMB e do IMC em pacientes diabéticos devido à influência direta do GED na composição corporal, variáveis que podem ser modificadas com o treinamento. Dessa forma, percebemos que programas de treinamento resistido são eficientes no controle glicêmico de diabéticos, melhorando a sensibilidade à insulina e tolerância à glicose e diminuindo a glicemia sanguínea desses indivíduos. Abstract: Diabetes mellitus is a syndrome characterized by multiple etiology accompanied by the presence of chronic hyperglycemia dyslipidemia, hypertension and endothelial dysfunction. This study aimed to describe the profile of Body Mass Index (BMI) and Basal Metabolic Rate (BMR), to study the correlation between BMI and BMR and report the benefits of Resistance Training on the health of type II diabetics sedentary 16 . The research was characterized as descriptive. Randomly selected 34 individuals to the initial 340 volunteers. BMI was obtained by the relationship between measures of body mass (kg) and height (m) and body composition and BMR were evaluated using bioimpedance. The data obtained are in the form of tables and were analyzed using the SPSS 16.0, adopting a significance level of p≤0.05. The results demonstrate the high level of obesity among diabetic patients due to the high BMI and low BMR, because the daily energy expenditure is low because of a sedentary lifestyle. It was also concluded that there is significant correlation between changes BMR and BMI in diabetic patients. It was found that resistance training is effective to present many benefits for the life of type 2 diabetic. Keywords: Diabetes. Lean mass index. Basal metabolic rate. Sedentary lifestyle. REFERÊNCIAS ALBRINK, M.J. Obesidad. In: Beenson, PB e McDermott. Tratado de medicina interna de Cecil Loeb. 12ª ed. México, Ed. Interamericana, 1967. AMERICAN DIABETES ASSOCIATION. Stand position: physical activity/exercise and diabetes mellitus. Diabetes Care 2003; 26:573-7. AVILA, Andrea Cely; SILVA, Camila Lira da. Exercício físico como forma de tratamento da Síndrome Metabólica. 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