Crescimento e produção de óleo essencial da sálvia (Salvia offi

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Crescimento da couve-da-malásia ao longo do ciclo e sob estresse
nutricional.
Carlos R. Rodrigues1; Robertta N. Ferreira2; Kenia A.Diniz2; Marli Aparecida Ranal2.
UFLA – Departamento de Ciência do Solo,
1
C. Postal 37, 37.200-000 Lavras-MG,
e-mail:
[email protected]; 2UFU – Instituto de Biologia, Campus Umuarama Bloco 2D, 38.400902 Uberlândia-MG.
RESUMO
O experimento foi realizado com o objetivo de avaliar o crescimento da couve-da-malásia [Brassica
chinensis var. parachinensis (Bailey) Sinskaja] na ausência de nutrientes. Os tratamentos utilizados
foram ausência de Ca, Mg, B, Fe, Mn e Mo, e testemunha e cinco períodos de coleta, 9, 16, 23, 30 e
37 dias após a semeadura - DAS. O delineamento experimental foi o inteiramente casualizado em
esquema fatorial 7x5 e com cinco repetições, sendo sete tratamentos e cinco coletas durante o ciclo
de crescimento da cultura. Foram avaliadas a massa fresca (MF), seca (MS) da parte aérea da planta
e área foliar (AF) em cada coleta. Observou-se aumento na área foliar (AF) e na massa seca
(MS) para todas as plantas, com exceção daquelas mantidas com ausência de boro, as
quais apresentaram valores similares para as duas AF e MS, durante todo o ciclo. Não
houve diferença entre os tratamentos até a segunda semana após a semeadura. Observouse, também, a partir do 23o dia após a semeadura, aumento na massa fresca (MF) para
todos os tratamentos, com exceção das plantas mantidas com ausência de boro, que
apresentaram massa fresca constante. Os maiores valores de MF (17,18 e 16,61 g planta-1)
foram registrados para as plantas dos tratamentos testemunha e na ausência de magnésio,
respectivamente e os menores valores para as plantas dos tratamentos com ausência de
boro e cálcio (0,27 e 9,32 g planta-1, respectivamente).
PALAVRA CHAVE: Brassica chinensis var. parachinensis (Bailey) Sinskaja, produção, área
foliar.
ABSTRACT
Brassica chinensis var. parachinensis (Bailey) Sinskaja growth along the development
cycle under nutrients stress.
This study aimed to evaluate the Brassica chinensis var. parachinensis (Bailey) Sinskaja growth upon
the nutrients stress. The trataments was Ca, Mg, B, Fe, Mn and Mo absence and control, and five
days of harvest 9, 16, 23, 30 and 37 Days After Seeding – DFS. The experimental design was entirely
randomized in 7x5 factorial scheme and with five replications, being seven treatments and five harvest
along the cycle of culture growth were evaluated. Were determined the shoot fresh matter and dry
matter and leaves area. Increase was observed in the leaves area (LA) and dry matter (DM) for
all the plants, except for those maintained with boron absence, which presented LA and DM
similar values during the growth cycle. There was not difference among the treatments until
the second week after the seeding. It was observed, also, starting from the 23rd days after
the seeding, increase in the fresh mass (FM) for all the treatments, except for the plants
maintained with absence of boron, that presented a constant fresh matter whole it growth
cycle. The largest values (17.18 e 16.61 g planta-1) were registered for the control and
magnesium absence treatments plants and the smallest values (0,27 e 9,32 g planta-1) for
boron and calcium absence treatments plants.
KEY-WORDS: Brassica chinensis var. parachinensis (Bailey) Sinskaja, growth, area leaves.
INTRODUÇÃO
Para bom desenvolvimento da planta é necessário que se conheçam as doses
adequadas e a época de aplicação de nutrientes. Para isso, são necessários estudos para
se determinar a marcha de absorção de nutrientes, em que se avalia o crescimento e
absorção de nutrientes ao longo do ciclo da planta.
Brassica chinensis var. parachinesis (Bailey) Sinskaja, denominada couve-da-malásia
por W.E. Kerr que a introduziu no município de Uberlândia em 1992, é própria para o
consumo de folhas, talos e flores e destaca-se por apresentar excelente nível nutricional,
com aproximadamente 4600 UI de caroteno/100g de parte utilizável, valor que ultrapassa
em muito os níveis encontrados em couve-flor, repolho e brócolos (Dantas, 1997).
No Brasil, os poucos resultados referentes ao efeito de nutrição mineral em couve-damalásia apresentados indicam que a falta de alguns macronutrientes pode causar danos
irreversíveis ao desenvolvimento da planta (Sousa, 1997). O autor observou que a ausência
de enxofre, fósforo, potássio e nitrogênio causa redução da área fotossintética e no porte da
planta, sendo observada clorose generalizada naquelas cultivadas sem nitrogênio. Por outro
lado, o autor relata que a ausênciua de magnésio e de cálcio, durante todo o ciclo da
cultura, não causou sintomas característicos às plantas.
Kimoto (1993) menciona que o boro e o molibdênio são os micronutrientes mais
exigidos pelas brássicas, sendo o molibdênio essencial às Brassicas. Para a couve-damalásia, apenas o boro parece ser essencial para o desenvolvimento, que é interrompido
logo nos primeiros dias de cultivo (Mota, comunicação pessoal). No metabolismo vegetal, os
micronutrientes são caracterizados como ativadores enzimáticos, participando efetivamente
nas reações de fotossíntese, transporte de açúcares, decomposição fotoquímica da água,
respiração, fixação de nitrogênio, síntese protéica, dentre outros (Malavolta et al., 1997). Os
autores destacam ainda que na ausência dos micronutrientes estas reações podem ser
comprometidas, prejudicando portanto o desenvolvimento normal das plantas.
O presente trabalho teve como objetivo analisar o crescimento da couve-da-malásia,
durante o ciclo das plantas, mantidas na ausência de macro e de micronutrientes.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi realizado em casa de vegetação do Instituto de Biologia da
Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Uberlândia-MG, no período de 06/09 a
29/10/1998. Os tratamentos foram ausência de Ca, Mg, B, Fe, Mn e Mo, e testemunha e
cinco dias de coleta, sendo 9, 16, 23, 30 e 37 dias após a semeadura – DAS. O
delineamento experimental foi o inteiramente casualizado em esquema fatorial 7x5, sendo
sete tratamentos e cinco coletas durante o ciclo de crescimento da cultura. As plantas para
o experimento foram obtidas da semeadura diretamente nos sacos plásticos para mudas
com capacidade para 3 L, mantidos em espaçamento de 30 x 30 cm. Semanalmente,
durante cinco semanas consecutivas, foram feitas coletas de 35 plantas (cada planta foi
considerada uma parcela) para análise, totalizando 175 plantas para o experimento todo. O
substrato utilizado foi areia grossa lavada em água corrente e posteriormente com água
destilada. Foi utilizada a solução nutritiva segundo Meyer et al. (1963). Foram adicionados
100 mL de solução de cada tratamento diariamente nos sacos. No dia da coleta das plantas
foram tomadas as medidas de largura e comprimento de todas as folhas para a
determinação da área foliar (AF), após, coletadas a parte aérea, pesadas para a
determinação da massa fresca (MF) e em seguida secas em estufa de circulação forçada de
ar a 65-70oC, até atingirem peso constante, pesadas e determinadas a massa seca (MS) de
parte aérea. As características analisadas foram submetidas à análise de variância e teste
de médias (Tukey a 5%), com o auxílio do programa SANEST.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Observou-se aumento na área foliar (AF) e na massa seca (MS) da parte áerea para
todas as plantas ao longo do ciclo, com exceção daquelas mantidas com ausência de boro,
as quais apresentaram valores similares para AF e MS (Tabela 1). Não houve diferença
entre os tratamentos até a segunda semana após a semeadura. A partir da terceira semana
começaram a aparecer diferenças entre tratamentos. As plantas mantidas na ausência de
boro apresentaram os menores valores de AF e MS, quando comparados aos demais
tratamentos. Na quinta semana após semeadura, as plantas mantidas na ausência de cálcio
apresentaram, juntamente com as deficientes em boro, os menores valores das
características avaliadas.
Avaliando a produtividade agronômica, representada pela produção da matéria fresca
(MF), observou-se diferença significativa para as plantas mantidas nos sete tratamentos e
durante todo o ciclo de desenvolvimento das mesmas (Tabela 1). Observou-se, a partir do
23o dia após a semeadura, aumento na massa fresca para todos os tratamentos, com
exceção das plantas mantidas com ausência de boro, que apresentaram massa fresca
constante. Os maiores valores foram registrados para as plantas dos tratamentos
testemunha e na ausência de magnésio e os menores valores para as plantas dos
tratamentos com ausência de boro e cálcio.
Tabela 1 Efeito da ausência de nutrientes na massa fresca (MF) , seca (MS) e área foliar
(AF) de Brassica chinensis var. parachinensis (Bailey) Sinskaja, ao longo do ciclo.
Tratamento
Testemunha
- Ca
- Mg
- Fe
- Mn
- Mo
-B
Testemunha
- Ca
- Mg
- Fe
- Mn
- Mo
-B
Testemunha
- Ca
- Mg
- Fe
- Mn
- Mo
-B
9 D.A.S.2
0,0173  0,0028 a D3
0,0197  0,0018 a D
0,0231  0,0038 a D
0,0212  0,0023 a D
0,0210  0,0039 a D
0,0204  0,0023 a D
0,0125  0,0020 a A
9 D.A.S.2
0,0038  0,0008 a D3
0,0056  0,0015 a D
0,0056  0,0015 a D
0,0066  0,0015 a D
0,0054  0,0017 a D
0,0054  0,0015 a D
0,0042  0,0015 a A
9 D.A.S.
0,0558  0,0106 a D
0,0710  0,0156 a D
0,0808  0,0159 a D
0,0772  0,0103 a D
0,0748  0,0109 a D
0,0752  0,0136 a D
0,0488  0,0110 a A
Área Foliar – AF (dm3)1
23 D.A.S.
30 D.A.S.
0,8058  0,2658 ab C
1,9587  0,4405 a B
0,6315  0,2144 b C
1,5699  0,2677 c B
0,8124  0,1242 a C
1,7019  0,4114 bc B
0,7556  0,1274 ab C
1,6029  0,1147 c B
0,7855  0,2357 ab C
1,6165  0,4869 c B
0,7534  0,2381 ab C
1,8751  0,3599 ab B
0,0204  0,0071 c A
0,0349  0,0205 d A
Massa seca – MS (g/planta)1
16 D.A.S.
23 D.A.S.
30 D.A.S.
0,0332  0,0063 a CD
0,1922  0,0733 ab C
0,7928  0,2773 a B
0,0356  0,0074 a C
0,1436  0,0540 ab C
0,6320  0,0864 a B
0,0502  0,0110 a CD
0,1830  0,0352 ab C
0,6918  0,0964 a B
0,0410  0,2227 a CD
0,1982  0,0395 a C
0,6708  0,0607 a B
0,0382  0,0093 a CD
0,1854  0,0626 ab C
0,6506  0,2101 a B
0,0372  0,0098 a CD
0,1880  0,0654 ab C
0,7944  0,0978 a B
0,0060  0,0014 a A
0,0132  0,0058 b A
0,0207  0,0143 b A
Massa fresca – MF (g/planta)
16 D.A.S.
23 D.A.S.
30 D.A.S.
0,5390  0,0884 a D
3,1014  1,1902 a C
8,7620  2,1700 a B
0,5114  0,0980 a D
2,3832  0,8111 a C
6,8594  1,2306 c B
0,6982  0,1286 a D
3,1556  0,3455 a C
8,0826  1,5082 ab B
0,5842  0,2227 a D
3,0600  0,6244 a C
6,9124  0,8072 c B
0,5720  0,1386 a D
3,0688  0,8714 a C
7,3714  1,1187 bc B
0,5692  0,0829 a D
2,9062  1,0335 a C
8,3718  1,6611 a B
0,0796  0,0305 a A
0,1504  0,0717 b A
0,4520  0,2179 d A
16 D.A.S.
0,1632  0,0384 a D
0,1563  0,0264 a D
0,1877  0,0393 a D
0,1586  0,0562 a D
0,1622  0,0311 a D
0,1560  0,0890 a D
0,0163  0,0048 a A
37 D.A.S.
3,1872  0,4101 ab A
2,1242  1,0131 c A
3,1914  0,2114 ab A
3,2179  0,5495 ab A
3,1180  0,3335 b A
3,3060  0,4022 a A
0,0107  0,0015 d A
37 D.A.S.
1,8270  0,2934 a A
0,9862  0,5344 b A
1,7006  0,1546 a A
1,6778  0,4988 a A
1,6828  0,2059 a A
1,6780  0,3681 a A
0,0175  0,0064 c A
37 D.A.S.
17,1854  2,0047 a A
9,3250  0,0159 c A
16,6132  2,6027 a A
15,4326  4,4651 b A
15,3394  1,6914 b A
15,2422  2,3768 b A
0,2740  0,0707 d A
1 – Médias seguidas por letras distintas, minúsculas na vertical e maiúsculas na horizontal, diferem entre si a
5%, pelo teste de Tukey.
2 – Dias Após a Semeadura.
3 – Média  Desvio Padrão.
Para as plantas mantidas com ausência de magnésio, ferro, manganês e molibdênio,
pode-se observar que estas apresentaram desenvolvimento normal, similar aos registrados
para as plantas testemunhas. Esses valores, associados à inexistência de sintomas visuais
na ausência desses nutrientes mostraram que estes são essenciais para o desenvolvimento
da couve-da-malásia em pequenas quantidades. Essas afirmações também podem ser
comprovadas observando-se o constante aumento da área foliar, da massa da matéria seca
e da massa da matéria fresca durante todo o ciclo da planta, em relação às testemunhas.
Provavelmente esta variedade é capaz de sobreviver com concentrações menores desses
nutrientes, oriundos das sementes e presentes na área lavada, sendo eficientes em
translocá-los em diferentes órgãos.
Apesar de absorverem relativamente pequenas quantidades de nutrientes, quando
comparados com outras culturas, em função de seus ciclos, tido como curtos, as hortaliças
folhosas, como a couve-da-malásia, são consideradas exigentes em nutrientes. Tal
exigência torna-se cada vez maior à medida que se aproxima o final do ciclo, pois, após
uma fase inicial de crescimento lento, que perdura até cerca de dois terços do ciclo, elas
apresentam um rápido acúmulo de matéria seca e conseqüentemente, de nutrientes
(Castellane & Araujo, 1994). Resultado semelhante foi observado pela couve-da-malásia,
que apresenta crescimento lento até 23 dias após semeadura e adiante, houve crescimento
muito rápido.
Os sintomas de deficiência para o boro foram visíveis para a couve-da-malásia,
confirmando a importância destes como elemento nutricional para as brassicas (Kimoto,
1993).
Com os resultados apresentados conclui-se que a ausência do boro e do cálcio
reduziram significativamente a produtividade da couve-da-malásia. A necessidade de
nutrientes
para
a
couve-da-malásia
está
nas
primeiras
semanas
do
ciclo
de
desenvolvimento e nenhuma alteração foi observada para as plantas cultivadas na ausência
de magnésio, ferro, molibdênio e manganês.
LITERATURA CITADA
DANTAS, B.F.. Efeito do metanol na produtividade de couve-da-malásia (Brassica chinensis
var. parachinensis (Bailey) Sinskaja). Uberlândia. Universidade Federal de Uberlândia. 1997,
43 p. (Monografia).
CASTELLANE, P.D.; ARAÚJO, J.A.C. de. Cultivo sem solo: hidroponia. Jaboticabal:
FUNEP, 1994. 43p.
FERREIRA, W. R. Efeito de diferentes tipos de adubação e espaçamento na produtividade
de Brassica chinensis var. parachinensis (couve-da-malásia). Uberlândia: Universidade
Federal de Uberlândia, 1993. 50p (Monografia).
KIMOTO, T. 1993. Nutrição e adubação de repolho, couve-flor e brócolo. In FERREIRA,
M.E.; CASTELLANE, P.D.; CRUZ, M.C.P. (ed.) Nutrição e adubação de hortaliças.
Piracicaba. Associação Brasileira para Pesquisa da Potassa e do Fosfato. p. 149-178.
MALAVOLTA, E.; VITTI, G. C.; OLIVEIRA, S. A. de. Avaliação do Estado Nutricional das
Plantas. 2ª ed. Piracicaba: POTAFOS, 1997. 319p.
MEYER, B.S.; ANDERSON, D.B.; SWANSON, C.A. Curso prático de fisiologia vegetal. Trad.
F.M. Catarino. Lisboa. Fundação Calouste Gulbenkian. 1963, 301p.
SOUSA, E.R. 1997. Efeito da nutrição mineral na produtividade de couve-da-malásia
(Brassica chinensis var.parachinensis (Bailey) Sinskaja). Uberlândia. Universidade Federal
de Uberlândia. 29 p. (Monografia).
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