BIODIVERSIDADE E RELAÇÕES TRÓFICAS EM RIACHOS. Biól

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BIODIVERSIDADE E RELAÇÕES TRÓFICAS EM RIACHOS.
Biól. Thiago Tadeu Silva Polizei¹ e Dra. Mônica Ceneviva Bastos²
¹Mestrando do Programa de Pós-graduação em Entomologia da Faculdade de
Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto – USP.
²Pós-doutoranda do Programa de Pós-graduação em Biociências da Faculdade de
Ciências e Letras de Assis – UNESP
E-mails: [email protected]; [email protected]
Ecossistemas de riachos representam um importante ecossistema e sua grande
heterogeneidade, diferenças estruturais e propriedades físicas e químicas da água
influenciam diretamente na composição de espécies que os habitam. Esses fatores
podem ser considerados determinantes na abundância e distribuição de diferentes
organismos, como algas, macrófitas, crustáceos, anelídeos, moluscos, peixes e insetos.
São diversos os insetos que apresentam uma ou mais fase do seu ciclo de vida aquático,
de modo que esse ecossistema fundamental é para seu desenvolvimento. Dentre estes, as
principais ordens são Odonata, Ephemeroptera, Plecoptera, Trichoptera, Coleoptera,
Megaloptera e Diptera. A principal teoria ao se estudar relações funcionais em
ambientes lóticos é a do Rio Continuo (Vannote et al.1980), que tem como base o
conceito de um sistema gradiente no qual ocorre uma mudança no aporte de matéria
orgânica, de alóctone para autóctone, à medida que o riacho vai se distanciando da
nascente em direção à foz. As espécies de riachos estão distribuídas ao longo desse
gradiente, sendo que os consumidores primários mais próximos da nascente são, em sua
maioria, detritívoros e os mais próximos à foz, algívoros. A partir desses princípios é
possível classificar a biota aquática em grupos funcionais de alimentação, tendo como
base seus hábitos alimentares. Insetos, por exemplo, podem ser classificados como
filtradores (que se alimentam de partículas finas suspensas no meio, como as larvas de
borrachudos), predadores (que se alimentam de outros organismos, como as larvas de
libélulas), raspadores (que raspam algas e perifíton aderidos ao substrato, como muitos
coleópteros), e fragmentadores (que fragmentam partículas maiores, como folhas vindas
da mata ripária, como algumas larvas de tricópteros), podendo ainda haver subdivisões
dentro desses grupos.
Entender o uso de recursos alimentares pelas espécies é tido como o primeiro
passo para entender o funcionamento dos ecossistemas. Diferente da ideia de cadeia
alimentar, que leva em conta um sistema linear com produtor, consumidor, predador e
decompositor, as teias alimentares são aglomerados de cadeias, que formam redes de
ligações entre consumidores e recursos (Woodward & Hildrew, 2002), ilustrando quem
come quem na natureza. A abordagem de teias alimentares nos permite inferir acerca da
estabilidade, resistência (capacidade de manutenção da estrutura e funcionamento de um
sistema frente a um distúrbio) e resiliência (capacidade de retorno a um estado de
equilíbrio após um distúrbio) dos ecossistemas. Ela permite a identificação de espécieschave nos ecossistemas, que são aquelas de grande abundância ou com um grande
número de conexões, cujo impacto na comunidade é desproporcionalmente grande. A
perda de uma espécie-chave, por exemplo, pode ocasionar uma cascata trófica, que é a
propagação de um efeito indireto através de diferentes níveis tróficos. Essa propagação
pode, inclusive, afetar ecossistemas adjacentes quando se trata de ecossistemas
intimamente relacionados, como os riachos e suas matas ciliares. A remoção da mata
ripária, por exemplo, pode ocasionar uma cascata trófica no ambiente aquático pela
interrupção do fornecimento de recursos alóctones, como galhos e folhas, que são
detritos consumidos por insetos e crustáceos que os processam e disponibilizam em
partículas menores para outras espécies. Por outro lado, a perda de peixes predadores
que se alimentam de larvas de libélulas, por exemplo, pode levar a uma maior
emergência desses insetos que, por sua vez, predam insetos terrestres como abelhas,
diminuindo a taxa de polinização de plantas no entorno do corpo d’água. Assim, o
estudo de teias alimentares em ambientes aquáticos, onde os insetos têm papel de
destaque, pode revelar importantes informações acerca da biodiversidade, das interações
interespecíficas e do funcionamento ecossistêmico neste ambiente tão diverso.
Referências básicas
Vannote, R. L., Minshall, G. W., Cummins, K. W., Sedell, J. R., & Cushing, C. E.
(1980). The river continuum concept. Canadian journal of fisheries and aquatic
sciences, 37(1), 130-137.
Woodward, G. & A. G. Hildrew. 2002. Food web structure in riverine landscapes.
Freshwater Biology, 47: 777-798.
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