O sistema urinário

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O sistema urinário
A eliminação da urina é feita através do sistema urinário. A urina é composta de
aproximadamente 95% de água. Os principais elementos excretados na urina humana são: a
uréia, o cloreto de sódio e o ácido úrico. Os órgãos que compõe o sistema urinário são os rins e
as vias urinárias. As vias urinárias compreendem o ureter, a bexiga e a uretra.
Rins - Néfrons: unidade funcional; Ureteres: conduzem a urina p/a bexiga; Bexiga - órgão oco
muscular. Capacidade de 300 a 600 ml de urina. Uretra
Funções dos rins: formação da urina, excreção de produtos residuais, regulação de eletrólitos,
regulação do equilíbrio ácido-básico, controle do equilíbrio hídrico, controle da pressão
arterial, regulação da produção de eritrócitos, síntese de vitamina D.
Etapas de formação da urina: filtração glomerular (fluxo sanguíneo normal é de 1200ml/min.),
reabsorção tubular e secreção tubular.
Achados clínicos: anemia inexplicada, dor, alterações da micção, sintomas gastrintestinais.
Avaliação diagnóstica: exame de urina (EAS, cultura), provas de função renal (densidade e
osmolalidade), clearence de creatinina, sangue – U/C), Rx abdome ou rim, USG, USG bexiga,
Tc, RNM, Cintilografia renal, Urografia intravenosa (urografia excretora, pielografia
intravenosa) , pielografia retrógrada, angiografia renal. Biópsia.
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Assistência de Enfermagem ao Cliente com Problemas Renais
A insuficiência renal ocorre quando os rins são incapazes de remover as escórias
metabólicas do corpo ou realizar suas funções reguladoras. As substâncias normalmente
eliminadas na urina acumulam-se nos líquidos corporais em conseqüência do comprometimento
da excreção renal e levam a uma ruptura das funções endócrina e metabólica, assim como
distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-básicos. A IR é uma doença sistêmica e uma via final
comum de várias e diferentes doenças renais e do trato urinário.
Insuficiência Renal Aguda (IRA)
A IRA é uma perda súbita e quase completa da função renal causada por insuficiência
da circulação renal ou por disfunção glomerular ou tubular. Manifesta-se por súbita oligúria
(abaixo de 400 ml/24 h) ou anúria (abaixo de 50 ou 100ml/24 h). Cerca de 5% de todos os
clientes hospitalizados desenvolvem IRA – Interrupção súbita da função renal resultante de
obstrução, diminuição da circulação ou doença do parênquima renal.
A insuficiência pode ser classificada como pré-renal (mais comum), intrínseca ou pós-renal
(95% dos casos) e geralmente passa por três fases diferentes: oligúria, diurética e
recuperação. Em geral, a insuficiência renal é reversível com o tratamento clínico. Se não for
tratada pode evoluir para doença renal terminal (IRC), uremia e óbito. Cada tipo de
insuficiência renal aguda tem uma causa diferente. Ver quadro a seguir.
Alguns dos fatores que levam a insuficiência renal aguda podem ser reversíveis se
identificados e tratados imediatamente, antes que a função renal seja comprometida. Isso
ocorre nas seguintes condições que reduzem o fluxo sangüíneo para o rim e prejudicam a
função renal: hipovolemia, hipotensão, redução do débito cardíaco, insuficiência cardíaca
congestiva, obstrução do rim ou das vias urinárias baixas por tumor, coágulo sangüíneo ou
cálculo renal e obstrução bilateral das artérias ou veias renais.
O período de oligúria é acompanhado por uma elevação da concentração sérica dos
elementos geralmente excretados pelos rins (uréia, creatinina, ácido úrico, ácidos orgânicos e
os cátions intracelulares – potássio e magnésio). A fase oligúrica dura aproximadamente dez
dias.
No período de diurese ou poliúria o paciente apresenta um débito urinário
gradualmente crescente, que indica o início da recuperação da filtração glomerular. Embora o
volume urinário possa atingir níveis normais ou elevados, a função renal pode ser
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significativamente anormal na fase diurética. Portanto, ainda são necessários cuidados
médicos e de enfermagem especializados.
O período de recuperação indica melhora da função renal e pode levar três a doze
meses. Geralmente, há uma redução parcial permanente da taxa de filtração glomerular e da
capacidade de concentrar urina.
Insuficiência pré-renal
Insuficiência renal ou intrínseca
Insuficiência pós-renal
Distúrbios
cardiovasculares
 Arritmias
 Tamponamento cardíaco
 Choque cardiogênico
 Insuficiência cardíaca
 Infarto do Miocárdio
Necrose tubular aguda (85%)
 Lesão isquêmica do
parênquima renal, causada por
insuficiência pré-renal nãodiagnosticada ou tratada
inadequadamente
 Nefrotoxinas – analgésicos
(como fenacetina), anestésicos
(como metoxifluorano),
antibióticos (como gentamicina),
metais pesados (como chumbo),
contrastes radiográficos,
solventes orgânicos
 Complicações obstétricas –
eclâmpsia, insuficiência renal
pós-parto, abortamento séptico,
hemorragia uterina
 Liberação de pigmentos – lesão
por esmagamento, miopatia,
sepse, reação transfusional
Obstrução vesical
 Agentes anticolinégicos
 Disfunção do sistema
nervoso autônomo
 Infecção
 Tumor
Hipovolemia
 Queimaduras
 Desidratação
 Hemorragia
 Choque Hipovolêmico
 Traumatismo
Septicemia
 Choque séptico
Obstrução renovascular
 Trombose arterial/ venosa
 Embolia arterial
Vasoconstrição grave
 Eclâmpsia
 Hipertensão maligna
Diagnóstico: exame físico,
exame de urina, relação U/C
>40, Na urinário
<20,osmolalidade urinária
>500
Tratamento; correção da
causa, tratar a hipercalemia
e diálise SOS.
Manifestações clínicas
 Letargia;
Exames laboratoriais:
Outros distúrbios do
parênquima renal
 Glomerulonefrite aguda
 Nefrite interstical aguda
 Pielonefrite aguda
 Trombose bilateral das veias
renais
 Nefrosclerose maligna
 Necrose papilar
 Pariarterite nodosa
 Mieloma renal
 Doença Falciforme
 Lúpus eritematoso sistêmico
 Vasculite
Obstrução ureteral
 Coágulos sangüíneos
 Cálculos
 Edema ou inflamação
 Papilas renais
necróticas
 Fibroses ou hemorragia
retroperitoneal
 Cirurgia
 Tumor
 Cristais de ácido úrico
Obstrução uretral
 Hiperplasia ou tumor
prostático
 Estenoses
Diagnóstico: exame físico –
bexigoma, USG, Tc, RNM
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Exames laboratoriais: Elevação de escórias (creatinina
hiperfosfatemia, acidose metabólica, anemia, hipercalemia.
e
uréia),
hipocalcemia,
Alteraçãoes no ECG: ondas T em pico (↑K), pr alargado, QRS largo (↓Ca), desaparecimento da
onda P, arritmias ventriculares
Manifestações clínicas
 Letargia;
 Náuseas, vômitos e diarréia;
 Pele e mucosas secas;
 A respiração pode ter o odor da urina;
 No SNC incluem sonolência, cefaléia, abalos musculares e convulsões;
 Débito urinário pequeno e pode apresentar sangue;
 Baixa densidade urinária (1010, comparado a 1025 normalmente);
 Aumento do nível sérico de creatinina e de potássio;
 A hipercalemia pode levar às arritmias e parada cardíaca;
 Redução do poder de combinação do dióxido de carbono e do pH sangüíneos, podendo
ocorrer acidose metabólica progressiva.
A anemia acompanha inevitavelmente a insuficiência renal aguda por perdas de sangue
devido a lesões gastrointestinais urêmicas, redução da vida das hemácias e redução da
produção de eritropoetina.
Tratamento com hemodiálise ou diálise peritoneal para evitar complicações graves. A duração
destes tratamentos varia conforme a causa e a extensão da lesão dos rins.
Hemodiálise ou diálise peritoneal deve ser instituída com urgência nas seguintes situações:
a) Hipercalemia com arritmias cardíacas;
b) Hiper – hidratação em paciente anúrico;
c) Acidose metabólica refratária.
Complicações tardias: Disfunção Renal crônica.
Diagnóstico de enfermagem
 Risco para volume de líquidos desequilibrados relacionados com IRA;
 Eliminação urinária prejudicada por disfunção renal;
 Intolerância a atividade relacionada com letargia e sonolência.
Assistência de enfermagem:
● Controle do balanço hidroeletrolítico, especialmente hipercalemia e hiponatremia.
● Corrigir fatores contribuintes, como hipovolemia e hipertensão.
●Monitorização cuidadosa das doses de drogas potencialmente nefrotóxicas, se forem
absolutamente necessárias.
●Administrar furosemida endovenosa nas doses de 250 mg ( ate 1 g/dia) ; em crianças 2 a 5
mg/kg ( até 1 mg/kg/dia).
●Iniciar dopamina em infusão endovenosa contínua ( Até 3mg/kg/minuto) – uso controverso.
●Controlar oferta hídrica.
●Controlar oferta calórica.
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Insuficiência Renal Crônica (IRC)
É uma deterioração progressiva, irreversível da função renal na qual a capacidade do
organismo de manter o equilíbrio metabólico e hidroeletrolítico falha, resultando em uremia
(uma síndrome decorrente do excesso de uréia e de outros produtos nitrogenados no sangue).
Pode ser causada por glomerulonefrite crônica, pielonefrite, hipertensão não-controlada,
lesões hereditárias como na doença renal policística, distúrbios vasculares, obstrução do trato
urinário, doença renal secundária à doença sistêmica (diabetes), infecções, medicamentos, ou
agentes tóxicos. Agentes ambientais e ocupacionais incluem chumbo, cádmio, mercúrio e
cromo. Eventualmente torna-se necessária a diálise ou transplante renal para manutenção da
vida.
Manifestações clínicas:
Embora algumas vezes o início da IRC seja súbito, na maioria dos
pacientes começa com um ou mais sintomas.
 Fadiga e letargia; Cefaléia;
 Fraqueza geral, sintomas gastrointestinais (anorexia, náuseas, vômitos, diarréia);
 Tendências hemorrágicas; Confusão mental;
 Diminuição do fluxo salivar, sede, um gosto metálico na boca, perda do olfato e do paladar,
e estomatite.
Se iniciado logo o tratamento, os sintomas podem regredir. De outra forma tornam-se
mais acentuados, e outros surgem na medida em que as anormalidades metabólicas da uremia
afetam praticamente todos os sistemas orgânicos. Não tratado o paciente torna-se mais
sonolento com convulsões ou espasmos graves, semelhante ao da epilepsia. Uma substância
branca em forma de pó “gelo urêmico” composta principalmente de uratos aparece sobre a
pele. Se o tratamento não for iniciado logo a morte ocorre.
Diagnóstico de enfermagem
 Excesso de volume líquido e desequilíbrio eletrolítico relacionado a redução do débito
urinário e restrições da dieta e líquidos;
 Alteração a nutrição: menor que a necessidade do organismo relacionada à anorexia, ao
desconforto gastrointestinal e a restrições da dieta;
 Déficit de conhecimento sobre a condição e esquema de tratamento;
 Intolerância a atividade relacionada a fadiga;
 Perturbação da auto-estima relacionada a dependência e alterações de vida.
Tratamento
Existem três métodos de tratamento que substituem as funções do Rim:
● A Diálise peritoneal.
● A hemodiálise.
● Transplante Renal
■ Diálise: é um processo artificial que serve para retirar por filtração todas as substâncias
indesejáveis acumuladas pela insuficiência renal através da membrana peritoneal.
Para realizar a mesma função de um rim normal trabalhando durante quatro horas, são
necessárias 24 horas de diálise peritoneal ou 4 horas de hemodiálise.
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Diálise peritoneal
Esse tipo de Diálise aproveita toda a membrana peritoneal que reveste a cavidade abdominal,
para filtrar o sangue.
■ Para realizar a diálise peritoneal, devemos introduzir um cateter especial dentro da
cavidade e, através dele, fazer passar uma solução aquosa semelhante ao plasma. A solução
permanece por um período necessário para que se realizem as trocas.
■ Cada vez que uma solução nova é colocada dentro do abdômen e entra em contato com o
peritônio, ele passa à solução todos os tóxicos que devem ser retirados do organismo,
realizando a função de filtração, equivalente ao rim.
■
1. Diálise peritoneal ambulatorial contínua (CAPD): é o tipo mais comum de diálise
peritoneal. Não precisa de nenhuma máquina. O dialisado (banho) passa de uma bolsa de
plástico pelo cateter para o abdome por gravidade. Cerca de 4 horas depois se escoa a
solução (efluente) de volta para a bolsa. Em seguida o abdome do paciente é re-enchido
com solução fresca pelo mesmo cateter.
2. Diálise peritoneal clínica contínua (CCPD): é uma técnica automática projetada para
dialisar enquanto o paciente dorme. O tratamento dura de 9 a 10 horas com 3 a 4 ciclos
de diálise cada noite. No final da diálise, 2 litros da solução são mantidos na cavidade
peritoneal até a noite seguinte quando o paciente conecta-se novamente à máquina e é
drenado pelo ciclo de trocas da noite seguinte. Necessita de uma máquina que se
conecta ao cateter e automaticamente enche e drena o dialisado do abdome.
3. Diálise Peritoneal Intermitente (IPD): é uma técnica que utiliza o mesmo tipo de
máquina da CCPD para infundir e escoar o dialisado. Pode ser feita em casa, mas é
normalmente feita no hospital. É realizada de 3 a 4 vezes por semana, com um total de
30 a 42 horas semanais. As sessões podem durar até 24 horas. Os tratamentos com
esta técnica levam muito mais tempo que a CCPD, e são empregados para insuficiências
renais leves.
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Complicações
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





da diálise peritoneal
Peritonite.
Perfuração de alças ou bexiga.
Hiperglicemia
Hipovolemia e hipervolemia.
Sangramento (em torno do cateter)
Náusea, distensão abdominal e edema.
Disfunção do cateter, obstrução do cateter e extravasamento do dialisado.
Assistência de enfermagem na diálise peritoneal
Fase Preparatória:
■ Preparar o paciente emocionalmente e fisicamente para o procedimento.
■ Pesar o paciente antes da Diálise e a cada 24 horas, preferivelmente em balança de leito.
■ Verificar sinais vitais antes da Diálise.
■ Fazer o paciente esvaziar a bexiga.
■ Posicionar o paciente em decúbito dorsal.
Durante o procedimento:
■ Verificar a pressão arterial e o pulso a cada 15 min. Durante a primeira troca e a cada hora
depois disso. Monitorar a freqüência cardíaca para sinais de arritmia.
■ Verificar a temperatura do paciente 4/4hs (especialmente após a retirada do cateter).
■ Manter um registro exato do equilíbrio hídrico do paciente durante o tratamento.
Promover o conforto do paciente durante a diálise: massagens, mudança de decúbito, elevar a
cabeceira.
■Observar para: Dor abdominal, extravasamento do dialisado ( trocar curativo com
freqüência).
■ Manter registros exatos: Hora exata do início e final de cada troca; horário do início e
término da drenagem; Quantidade de solução infundida e drenada; Equilíbrio hídrico; números
de trocas; medicamentos adicionados à solução dialisante; peso pré e pós diálise; peso diário;
avaliação dos sinais vitais.
Hemodiálise
Na Hemodiálise é usada uma membrana dialisadora, formada por um conjunto de tubos finos,
chamados capilares.
■ Para realizar a hemodiálise, é necessário fazer passar o sangue pelo filtro capilar. Para isso,
é fundamental ter um vaso resistente e suficientemente acessível que permita ser puncionado
três vezes por semana com agulhas especiais.
■ O vaso sanguíneo com essas características é obtido através de uma fístula artéria venosa
(FAV). A FAV é feita por um cirurgião vascular unindo uma veia e uma artéria artificial do
braço de modo a permitir um fluxo de sangue superior a 250 ml/minuto.
■Esse fluxo de sangue abundante passa pelo filtro capilar durante 4 horas
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Possíveis Complicações da Hemodiálise
Complicação
Causa
Febre
Bactérias ou substâncias causadoras de febre (pirógenos)
na corrente sangüínea Dialisado superaquecido
Reação alérgica com risco
Alergia a alguma substância no aparelho
de vida (anafilaxia)
Baixa pressão arterial
Remoção de líquido em excesso
Ritmos cardíacos anormais
Níveis sangüíneos
substâncias
Êmbolo de ar
Ar que entra no sangue através da máquina
anormais
de
potássio
e
outras
Sangramento no intestino,
Uso de heparina para evitar coagulação no aparelho
cérebro, olhos ou abdome
Transplante Renal O transplante é a substituição dos rins doentes por um rim saudável de
um doador. É método mais efetivo e de menor custo para a reabilitação de um paciente com
insuficiência renal crônica terminal
■ quem pode fazer transplante renal? Todo paciente renal crônica pode se submeter a um
transplante desde que apresente algumas condições clinicas como: suportar uma cirurgia, com
duração de 4 a 6 horas; não ter lesões em outros órgão que impeçam o transplante, Como
cirrose, câncer ou acidentes vasculares; não ter infecção ou foco ativos na urina, nos dentes,
tuberculose ou fungos; e não ter problemas imunológicos adquiridos por muitas transfusões ou
varias gestações.
■ quem pode doar um rim? Podem doar rim pessoas vivas e pessoas em morte cerebral. O
doador vivo pode ser da família (pai, mãe, irmão filhos), ou de outra pessoa relacionada com o
receptor. Todos os doadores vivos devem estar em plena consciência do ato que estão
praticando. Após serem examinados clinica e laboratorialmente e se não apresentarem
nenhuma contra-indicação podem doar.
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ROTINA E PROTOCOLO NACIONAL PARA DOADOR POR MORTE CEREBRAL:
1- Constatar a morte cerebral;
2-afastar qualquer doença que inviabilize o transplante;
3-reconhecer a viabilidade do órgão a ser doado;
4-realizar as provas de compatibilidade;
5-procurar o receptor mais compatível;
6-enviar o órgão ao local da cirurgia do receptor.
TRANSPLANTE DE DOADOR VIVO:
1-são afastadas as contra-indicações de ordem física e de fundo emocional;
2-compara-se o grupo sanguíneo do doador e do receptor que devem ser compatível;
3-verifica-se a compatibilidade (HLA) antígenos dos glóbulos brancos, semelhança entre o
receptor e o doador;
4-estuda-se o doador para verificar se pode doar sem prejuízos esse não tem alguma doença;
5-estuda-se o receptor para verificar se não está sensibilizado para evitar crise aguda de
rejeição contra o rim doado;
6-deve-se começar antes da cirurgia o tratamento com os imunossupressores.
Glomerulonefrite Difusa Aguda (GNDA)
Refere-se a um grupo de doenças renais nas quais há uma reação inflamatória nos
glomérulos. Não é uma infecção do rim por si, mas o resultado de efeitos colaterais
indesejados do mecanismo de defesa do corpo. Na maioria dos tipos a IgG, a principal
imunoglobulina (anticorpo) encontrada no soro dos homens, pode ser detectada nas paredes
dos capilares glomerulares. Em conseqüência de uma reação antígeno-anticorpo são formados
agregados de moléculas que circulam por todo o corpo. Alguns desses complexos alojam-se nos
glomérulos, leito filtrante do rim, e induzem uma resposta inflamatória.
Na maioria dos casos, o estímulo da reação é a infecção da garganta por estreptococos
do grupo A, o que comumente precede o início da GNDA em um intervalo de duas a três
semanas. O estreptococos atua como um antígeno, estimula os anticorpos circulantes e que
resultam em complexos depositados nos glomérulos produzindo a lesão renal. Ex: escarlatina e
impetigo e infecções virais agudas.
Manifestações clínicas História anterior de faringite ou amigdalite com febre; Na forma
mais grave apresenta cefaléia, mal-estar, edema facial e dor no flanco; Hipertensão de leve a
grave; Dor a palpação costovertebral.
Glomerulonefrite Crônica
Tem seu início na forma de GNDA ou pode representar um tipo mais leve de reação
antígeno-anticorpo, tão leve que podem nem ser percebidos. Os rins reduzem seu tamanho até
um quinto do tamanho normal, consistindo principalmente em tecido fibroso. Vários glomérulos
e seus túbulos tornam-se fibrosados e os ramos da artéria renal são espessados.
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Manifestações clínicas
Alguns pacientes com doença grave não apresentam sintomas
durante longo período.
Hipertensão; AVC ou uma convulsão;
Hemorragias retinianas; Epistaxe súbita e intensa;
Discreto edema de seus pés à noite; Perda de peso e da força;
Crescente irritabilidade; Nictúria.
À medida que a glomerunefrite crônica evolui o paciente desenvolve sinais e sintomas de
insuficiência renal crônica.
Infecções Urinárias
A IU é a presença de microorganismos em alguma parte do trato urinário. Quando surge no
rim, chama-se pielonefrite; na bexiga, cistite; na próstata , prostatite e na uretra, uretrite.
A maioria das infecções urinárias ocorre pela invasão de alguma bactéria da flora bacteriana
intestinal no trato urinário. A bactéria Escherichia coli, representa 80-95% dos invasores
infectantes do trato urinário. O acesso dos microorganismos ao trato urinário se dá por via
ascendente, ou seja, pela uretra, podendo se instalar na própria uretra e próstata, avançando
para a bexiga e, com mais dificuldade, para o rim. Pacientes hospitalizados (infecção
hospitalar) apresentam germes diferentes, como a Pseudomonas aeruginosa, geralmente mais
resistentes aos antibióticos. Dificilmente, as bactérias podem penetrar no trato urinário pela
via sangüínea. Isto ocorre apenas quando existe infecção generalizada (septicemia) ou em
indivíduos sem defesas imunitárias como aidéticos e transplantados.
Geralmente os sintomas estão relacionados ao órgão (bexiga, rim) afetado. Quando a bexiga
(cistite) ou a próstata (prostatite) estão envolvidas é comum: Aumento da freqüência urinária
(polaciúria). Dor para urinar (disúria). Micção imperiosa (urgência). Febre (na prostatite)
Sangue na urina (hematúria). Quando o rim está envolvido, além dos sintomas acima, poderão
ocorrer: dor lombar, febre, calafrios, náuseas, vômitos e mal estar geral. Como a urina é
estéril, existem fatores que facilitam a contaminação do trato urinário, tais como:
obstrução urinária: próstata aumentada, estenose de uretra, defeitos congênitos e outros
corpos estranhos: sondas, cálculos (pedras nos rins), introdução de objetos na uretra
(crianças). fístulas genito-urinárias e do trato digestivo,
doenças neurológicas: traumatismo de coluna, bexiga neurogênica do diabetes. doenças
sexualmente transmissíveis e infecções ginecológicas
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Pielonefrite
É uma doença de origem infecciosa que afeta o rim. Existem dois tipos de pielonefrite:
■ Pielonefrite Aguda: É uma infecção supurativa. É quase sempre causada por bactérias e
raramente por vírus ou fungos como ( Candida Albicans).
Epidemiologia: Afeta mais freqüentemente três populações: Bebês com menos de um ano e
anomalias congênitas do sistema urinário; mulheres de meia idade e homens idosos com
hiperplasia da próstata.
Fisiopatologia: A pielonefrite é freqüentemente causada por bactérias Gram – negativas
(escherichia coli, enterobacter, proteus, mirabillis. Klebsiella). As Pielonefrites são quase
sempre complicações decorrentes destas infecções da uretra, bexiga ou ureteres.
Sintomas: O início é abrupto, com dor na micção (disúria) e maior freqüência e urgência a
noite ( nictúria). Como em qualquer infecção, há febre, suores, mal- estar. São detectáveis
leucócitos em massas cilíndricas na urina (piúria).
Tratamento: A resolução inicia-se após alguns dias de terapia com antibióticos.
Infrequentemente, e principalmente em indivíduos debilitados ou diabéticos podem ocorrer
complicações. Estas incluem a septicemia, multiplicação bacteriana no sangue grave,
freqüentemente mortal, ou a necrose de pelve renal, com insuficiência renal crônica.
Pielonefrite crônica: É derivada de múltiplos ataques de pielonefrite aguda, que podem ser
mais ou menos graves, e que ocorrem freqüentemente durante um período alargado.
Fisiopatologia: A causa mais freqüente é a insuficiência dos mecanismos anti – refluxo, com
refluxo de urina de bexiga para o rim. Outra causa é a litíase renal, com cálculos obstrutivos
ao fluxo da urina.
Sintomas: O início pode ser gradual ou dar-se ataque de pielonefrite aguda. Podem complicar
com surgimento de hipertensão arterial de causa renal; síndrome nefrótica, e insuficiência
renal.
Patologia: Macroscopicamente há atrofia do rim afetado. A pelve e os cálices ficam
danificados e por vezes obstruem a passagem da urina. Com o microscópio, vê-se extensa
fibrosação do rim, uma resposta provocada pelo sistema imunitário à infecção constante. Há
atrofia de alguns túbulos, dilatação de outros, com conteúdo hialino devido à proteína retida;
Tratamento:A pielonefrite crônica não raramente resulta em insuficiência renal crônica, com
necessidade de diálise. A terapia com antibióticos resolve os episódios agudos, mas não
impede a sua recorrência.
Avaliação de enfermagem:
■ Avaliar o paciente para febre, calafrios, dor no flanco, náuseas e vômito.
■ Obter os sinais vitais; monitorar para a sepse eminente.
Intervenções de enfermagem:
■ Administrar ou ensinar a auto – administração de antibiótico e analgésicos de acordo com a
prescrição, e monitorar para eficácia e efeitos colaterais.
■ Monitorar a ingesta e débito; administrar os medicamentos antieméticos para controlar a
náusea e vômito.
■ Administrar medicamentos antitérmicos de acordo com a prescrição e a temperatura.
■Monitorar os resultados da urinocultura, para resolver a infecção.
■Usar medidas de conforto, como posicionamento, para alívio local as dor no flanco.
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Urolitíase
Refere-se à presença de cálculos no sistema urinário. Os cálculos são formados pela deposição
de substâncias cristalinas (oxalato de cálcio, fosfato de cálcio, ácido úrico) excretadas na
urina. Podem ser encontradas em qualquer ponto, do rim a bexiga e variam de tamanho desde
pequenos depósitos granulares denominados areia até cálculos vesicais do tamanho de uma
laranja. Os diferentes locais de formação de cálculos são bexiga, ureteres e parênquima.
Alguns fatores favorecem a formação desses cálculos incluindo a infecção, estase urinária e
períodos de imobilidade (produz lentificação da drenagem renal e alteração do metabolismo do
cálcio). A maioria dos cálculos é radiopaca e pode ser detectada por radiografia.
Manifestações clínicas:
Dependem da presença de obstrução, infecção e edema. Alguns
cálculos causam pouco ou nenhum sintoma. Dor intensa com desconforto localizada na região
lombar; Esta dor pode ser tanto constante como descontínua e pode vir acompanhada de
náusea, vômito e sangue na urina. Devido à dor severa, um ataque agudo consiste em uma
verdadeira urgência.
Diagnóstico de enfermagem
Dor aguda relacionada à urolitíase;
Eliminação urinária prejudicada relacionada ao cálculo renal.
Tratamento
Litotripsia: diferentes formas de energia podem ser empregadas para se quebrar um cálculo
em partículas pequenas o suficiente para serem carregadas pela urina ou removidas; estas
formas de energia incluem eletricidade, ultrassom, raio laser e impactos mecânicos.
Referências:
Dr. Otto Busato - ABC Saúde http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?258
Brunner
Nettina
Manual Merk – saúde para a família –
http://www.msd-brazil.com/msd43/m_manual/mm_sec11_123.htm
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PROCEDIMENTOS DIAGNÓSTICOS:
• Provas de Função Renal:
- Clearance de creatinina: Fornece uma aproximação da taxa de filtração glomerular.
Valor Normal (VN): 65:t. 15 ml/min/m2 SC
Coleta: coletar toda a urina em um período de 24h; colher uma amostra de sangue dentro desse período.
• EAS (elementos anormais e sedimentoscopia):
Colher preferencialmente a primeira urina da manhã, desprezando a primeira porção, colher jato médio, em
frasco limpo e seco, entre 50 e 100 ml.
Caracteres gerais:
-Cor - varia do amarelo-citrino a amarelo-avermelhado, conforme o grau de concentração (normal). Está
característica depende principalmente de dois pigmentos: urocromo e urobilina (resultante da degradação
de bilirrubina) .
. amarelo-claro/incolor - ingestão excessiva de água, diabetes insípidus, diabetes mellitus, insuficiência
renal. .amarelo-escuro ou castanho - icterícias, estados oligúricos, estados febris .
. vermelho ou avermelhado - hematúrias, hemoglobinúrias, ingestão de beterraba . . alaranjado - ingestão
de certos medicamentos .
. escuro ou negro - hematúria, metemoglobinúria .
. verde a azulado - ingestão/ instilação de azul de metileno.
-Aspecto - normal: cristalino, translúcido (pH ácido). A urina alcalina pode ser turva (precipitação de fosfatos
insolúveis em soluções alcalinas), bem como quando permanece em repouso.
O aspecto turvo pode ser devido a: ácido úrico, uratos, oxalato de cálcio, precipitação de mucina ou
mucoproteína, excesso de células - leucócitos, hemácias, céls. epiteliais.
-Odor - É característico. Em repouso, pode ter odor amoniacal (hidrólise bacteriana da uréia que resulta em
amônia).
-Volume - normal: varia entre 1.000 a 2.000 ml nas 24 horas. O volume excretado durante o dia (8 às 20h) é
o dobro do produzido à noite (20 às 8h); em condições patológicas pode romper-se este ritmo, passando o
paciente a eliminar igual volume urinário nos dois períodos ou maior volume à noite(nictúria) .

oligúria - diurese menor que 30ml/h ou 500 ml nas 24h, no adulto .

anúria - menos de 50 ml nas 34 horas (adulto) .

poliúria - mais de 2500 ml nas 24 horas. Aumento do volume urinário diário

polaciúria - Micções muito freqüentes e pouco abundantes
- Densidade urinária - VN = 1010 a 1025 - (baixa < 1001; alta> 1040).
pH - normal: varia entre 5 e 6 - (ácida). A ingesta de proteínas origina os ácidos, aumentando a acidez e a
amônia urinária; ingesta de verduras e frutas diminui a acidez urinária(os ác. orgânicos formam bicarbonato
no org.).
-Elementos anormais:
São pesquisados albumina (proteínas), substâncias redutoras (açúcares), corpos
cetônicos, pigmentos biliares, excesso de urobilinogênio e urobilina.
a)Albuminúria - origem renal( glomerulonefrite aguda e crônica, síndrome nefrótica, nefropatias tóxicas,
litíase renal, pielonefrite, tuberculose renal, neoplasias renais benignas e malignas, trombose da veia renal);
origem pré-renal(albuminúria febril, coma acidótico, desidratação, mieloma múltiplo, doença de HOdgkin,
leucemia, ICC, doenças do colágeno, icterícias hepatocelulares graves, lesões intracranianas(hemorragia,
meningite, tumor, crise epilética), etc.
14
b)Glicose e outros açúcares
glicosúria = eliminação de glicose na urina;
melitúria = eliminação de qualquer açúcar
.provas que acusam açúcares na urina(pela redução do ionte cúprico): Benedict, Clinitest. .provas
específicas para a glicose: Labistix, Multistix.
-resultados falso-positivos: vidros sujos, antibioticoterapia, salicilatos, ác. ascórbico, aminoácidos, contrastes
radiológicos, etc.
c:)Corpos cetônicos
Sabe-se que no diabetes (e nos estados de inanição), a deficiente metabolização da glicose provoca um
acúmulo de aceto-acetil-coenzima A e de seus derivados - acetoacetato, betahidroxibutirato e acetona.
Estas substâncias, que se formam no fígado, constituem os chamados "corpos cetônicos". A elevação do
teor destas substâncias no sangue, responsável pelo estado de cetose, acompanha-se da eliminação das
mesmas pela urina(cetonúria), onde podem ser identificadas.
Presentes nos quadros de cetoacidose diabética.
d)Bilirrubina
É um pigmento resultante do catabolismo da hemoglobina, após a destruição(normal ou patológica) das
hemáceas. A Bilirrubina(Bb) encontra-se no plasma sob duas formas distintas: Bb livre(indireta) e Bb
conjugada(direta)-4 ao passar pelo interior dos hepatócitos, a Bb conjuga-se ao ác. glicurônico. A forma
conjugada é solúvel em água, ao passo que a forma indireta é insolúvel, estando fortemente ligada às
proteínas plasmáticas. Portanto, somente a forma conjugada (Bb direta) elimina-se pelo rim. A Bilirrubina
direta dá à urina uma coloração escura, acastanhada(colúria).
-Nas icterícias motivadas por deficiente conjugação hepática ou por hiper-hemólise, não há eliminação
urinária de Bb, porque nesses casos o pigmento retido no sangue é do tipo indireto-não é solúvel em água.
-Nas icterícias causadas por dano hepatocelular ou hepatocanalicular, bem como na obstrução biliar
externa, está presente a eliminação urinária de bilirrubina, já que o pigmento retido é do tipo direto.
-Pode ser testada com Labistix, ou com o reagente de Fouchet.
• Análises sangüíneas: Creatinina sérica - VN = 1,0 a 1,5 mg/dl
Uréia (nitrogênio uréico) - VN = 10 a 45 mg/dl, pH (sangue arterial) - VN = 7,35 a 7,45
• Exames radiológicos:
- Raio - X de abdome : Determina o tamanho, o formato e poslçao dos rins; pode revelar quaisquer
anormalidades ,como cálculos nos rins ou trato urinário, hidronefrose, cistos, tumores, ou delocamento do
rim por anormalidades dos tecidos adjacentes.
- Urografia excretora (pielografia intravenosa): Permite a visualização dos rins, ureter e bexiga. Um meio de
contraste radiopaco é administrado por via EV e concentrado pelos rins; após, são realizadas várias
radiografias seriadas para visualização das estruturas de drenagem. É realizada como parte da avaliação
inicial de qualquer problema urológico, principalmente no diagnóstico de lesões nos rins e ureteres.
Também proporciona uma estimativa grosseira da função renal.
Obs:
O paciente deverá ser consultado sobre reações alérgicas ; o contraste poderá causar reações
anafiláticas.
- Angiografia renal: Permite a visualização das artérias renais. É introduzido um catéter através da artéria
femoral e ilíaca, até a aorta ou artéria renal. O material de contraste é injetado para opacificar o suprimento
15
arterial renal. A angiografia possibilita a avaliação dinâmica do fluxo sangüíneo, detecta vascularização
anormal e auxilia a diferençar os cistos renais dos tumores renais.
• Procedimentos endoscópicos:
-Cistoscopia: É um método de visualização direta da uretra e da bexiga, através da introdução do
cistoscópio por via uretral. Pode-se remover cálculos da uretra, bexiga e ureter, em alguns casos. O
procedimento é realizado com sedação e anestesia local.
-Nefroscopia (endoscopia renal): É a introdução de um fibroscópio na pelve renal, através de uma incisão
por via percutânea, para visualizar o interior da pelve renal, remover cálculos, biopsiar pequenas lesões e
ajudar no diagnóstico da hematúria renal e tumores renais selecionados.
• Biópsia renal:
É útil na avaliação da evolução da doença renal e na obtenção de amostras para microscopia eletrônica.
Pode ser realizada através de agulha, ou a céu aberto (procedimento cirúrgico).
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