Potencializando - Prof. Thiago França

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Potencializando a Hipertrofia Muscular
Para que o processo de aumento da massa muscular ocorra com eficiência não basta
oferecer o estímulo do treinamento físico. Também é necessário manter o organismo em
situação metabólica favorável. Esta situação é a predominância do anabolismo sobre o
catabolismo ou seja, das reações de síntese sobre as reações de degradação de matéria.
Quando ocorre mais anabolismo do que catabolismo o balanço nitrogenado torna-se positivo,
com retenção de nitrogênio e aumento da massa muscular. O nitrogênio é utilizado nessa
situação como um marcador na proteína, e quando o seu balanço está positivo, indica que
está havendo incorporação de proteína alimentar em tecido orgânico, na sua maior parte,
músculo esquelético. As drogas anabolizantes agem positivando o balanço nitrogenado,
explicando o seu efeito sobre a massa muscular. Devido aos inconvenientes de seu uso, é
importante que sejam divulgadas outras formas de estimular o anabolismo e reduzir o
catabolismo.
Os mais importantes hormônios anabolizantes do organismo são a testosterona (hormônio
sexual masculino), produzido pelos testículos, o GH (hormônio do crescimento), produzido
pela hipófise, e a insulina, produzida pelo pâncreas. A testosterona é estimulada pelos
exercícios, principalmente pelos exercícios de força, e pela ingestão adequada de gorduras,
visto que este hormônio é sintetizado a partir do colesterol. O GH é um hormônio sintetizado
a partir de aminoácidos, sendo estimulado pela proteína alimentar, e também pelo
treinamento, em particular pelos exercícios de força. Durante o sono também ocorre
liberação de GH, sendo assim importante o descanso adormecido para o esportista. A
insulina também é sintetizada a partir de aminoácidos e é estimulada pela ingestão de
carboidratos. Recentemente se demonstrou que a maior produção de insulina decorrente da
ingestão freqüente de carboidratos ao longo do dia consegue aumentar a síntese proteica,
aumentando a positividade do balanço nitrogenado.
Assim sendo, para estimular ao máximo o anabolismo devemos treinar com pesos,
descansar o mais possível, ingerir proteínas em quantidades adequadas (cerca de 2 gramas
por quilo por dia), não restringir totalmente as gorduras da alimentação, e ingerir carboidratos
várias vezes por dia. Pode ser oportuno lembrar que nas duas horas após os exercícios a
ingestão de carboidratos é particularmente importante devido à facilitação metabólica para a
síntese de glicogênio.
O catabolismo muscular ocorre em toda situação de estresse orgânico ou emocional devido
ao aumento da produção de cortisol, hormônio da glândula supra-renal. As pessoas tensas e
angustiadas produzem maiores quantidades de cortisol durante todo o dia. Durante os
exercícios também ocorre grande aumento na produção de cortisol. Também contribuem
para a degradação de tecido muscular a desidratação dos músculos durante os exercícios, e
o aumento da concentração de amônia decorrente das reações químicas que liberam energia
a partir da molécula de ATP.
Para reduzir o catabolismo devemos procurar manter as emoções sob controle e realizar
treinos curtos. Dessa forma a desidratação e a produção de cortisol e de amônia não serão
excessivas. Recentemente foi verificado que a creatina é uma substância que pode favorecer
o aumento de massa muscular. Entre as hipóteses para explicar esse efeito estão o já
documentado efeito ergogênico dessa substância (imagina-se que treinos mais pesados
devem estimular mais hipertrofia), o aumento da hidratação dos músculos, e a redução de
amônia devido à maior disponibilidade de ATP. Outra substância que talvez favoreça a
redução do catabolismo é a glutamina, devido ao seu efeito de neutralizar quimicamente a
amônia, e por também estimular a hidratação dos músculos. No entanto, apesar da situação
promissora, a utilização de creatina e glutamina com o objetivo de estimular a massa
muscular ainda está em fase experimental, e as doses e esquemas de administração atuais
são totalmente empíricos. Um esquema coerente com a fisiologia, embora de eficácia ainda
não estabelecida, é a utilização antes do treino de duas ou três gramas de creatina e a
mesma quantidade de glutamina; após o treino, duas gramas de glutamina, e mais duas
tomadas de uma grama de glutamina a cada 3 ou 4 horas.
Considerando todos os aspectos anteriormente abordados podemos verificar que existem
muitas atitudes a nível de treinamento, alimentação e suplementação que podem e devem
ser tentadas para maximizar o aumento da massa muscular. A compreensão e dedicação a
essas condutas talvez possam trazer muito progresso em termos de massa muscular, e
mesmo para os mais ambiciosos atletas, podem ser alternativas seguras para as perigosas
drogas anabolizantes.
Dr. José Maria Santarem
Diretor Científico da Federação Paulista de Culturismo e Musculação.
Médico Pesquisador Doutor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Coordenador do CECAFI - Centro de Estudos em Ciências da Atividade Física / FMUSP.
Fonte: http://www.saudetotal.com/saude/musvida/artigos.htm
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