história de campo grande - Colégio Alexander Fleming

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A ECONOMIA E A SOCIEDADE CAMPO-GRANDENSE
Texto adaptado por:
Profº. Lindomar
Economia
Localizada próxima aos Campos de Vacaria, região centro-sul do estado, a Cidade
Morena, é assim chamada pela poeira avermelhada na época do inverno.
Segundo BRITO (2001, p. 98), “o clima é agradável sem o calor do norte do
Estado de Mato Grosso e sem o frio do Sul do país. A terra, com matas férteis e campos
abertos para criação, com água abundante e a localização ideal” que proporcionou à cidade
condições para o desenvolvimento da economia agropastoril (cf figura 01), sendo a região
passagem obrigatória para os rebanhos que deslocavam do Pantanal rumo a região sudeste.
“A pecuária propiciou o primeiro núcleo de atividade comercial da vila. Pelo
crescimento dos rebanhos vizinhos, os compradores fizeram de Campo Grande o ponto de
reunião das grandes boiadas que eram levadas para o Triângulo. A presença constante de
boiadeiros, com as grandes comitivas, criou necessidade de pensões para abrigo e
alimentação dessa gente, armazéns fornecedores e lazer – bares e cabarés” (BARROS,
1999, p. 22).
A posição estratégica, o clima e a terra possibilitaram a Campo Grande surgir
como centro econômico antes de se tornar capital, desviando para a região a economia,
antes voltada para o eixo Corumbá-Cuiabá e despertando interesse de muitos,
principalmente mineiros que seguindo o exemplo de seu conterrâneo (José Antônio
Pereira), aqui se achegam atraídos pelo desenvolvimento do município, ficando conhecidos
como mudanceiros (Cf. figura 02). Além dos mineiros, outros migrantes são os paraguaios.
“Mineiros também eram em maioria os mudanceiros vindos da Vacaria, Rio
Brilhante, Maracaju; mais do sul vieram gauchos e em maior escala paraguaios. Estes
formando o contingente da peonada das fazendas e trabalhadores braçais no campo e na
cidade [...]”. (BARROS, 1999, p. 23).
Figura 01 – Gado Bovino
FONTE: Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul
A Sociedade
Tendo em vista que as cidades formam-se a partir das pessoas que nelas residem,
seja por aquelas que lá nasceram ou as que de outras cidades a ela migraram por algum
motivo, percebe-se que em muitas a identidade está relacionada aos vários povos e culturas
que nelas residem, habitantes das regiões vizinhas ou de outras regiões do país. Esse
fenômeno ocorreu na capital do Mato Grosso do Sul.
Como afirma Cabral “a migração está presente na gênese de Campo Grande, como
de outras cidades brasileiras. Aqui, porém, tem sido fatores recorrentes, surgindo nas
diferentes fases de sua evolução, quando recebeu e continua recebendo pessoas de todas as
partes, que a ela se integram, na construção de seu desenvolvimento” (CABRAL 1999, p.
29).
FIGURA 02 - MUDANCEIROS PARAGUAIOS
FONTE: Campo Grande 100 anos de Construção. Matriz Ed. 1999
Segundo COSTA (1999), população de Campo Grande desde o início foi
expressiva para a época, sendo em 1899 de 600 habitantes e dez anos depois o dobro, 1.200
habitantes.
O crescimento populacional e o desenvolvimento econômico ocorridos na capital
de Mato Grosso do Sul na segunda e terceira década do século vinte se explica basicamente
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pela chegada da estrada de ferro, em 1914, e pela transferência, em 1921, do Comando da
Circunscrição Militar, até então sediado em Corumbá, e a construção que essa transferência
ensejou, dos quartéis e outros estabelecimentos militares, na cidade, foi outra iniciativa que
contribuiu para o desenvolvimento de Campo Grande e para a afirmação de sua liderança
(CORRÊA. 1999, p. 66).
Esses fatores unem-se para promover o desenvolvimento da capital firmado-a
como grande pólo econômico e político.
Para CABRAL (1999), Campo Grande chega em 1920 com uma população de
21.360 habitantes, resultado expressivo para a época, e esse crescimento populacional se
confirma pelo censo de 1950, quando Campo Grande supera Cuiabá no número de
habitantes, com 31.708 habitantes para 23.745 habitantes da capital.
Esse rápido crescimento populacional de Campo Grande deve-se a migração, que
desde a fundação da cidade esteve presente, fato comprovado pelos recenseamentos
realizado na cidade.
Segundo o censo demográfico de 1920, a Capital Morena possuía um total de
21.360 pessoas, sendo desta 1.948 estrangeiros, representando 9,12% da população, número
que dobrou em apenas vinte anos. Em 1940 a população da cidade era de 49.629 habitantes,
sendo 3.511 pessoas estrangeiras, representando 7,1% da população “morena”. Na mesma
data, “[...] em Campo Grande, conta-se 120 espanhóis, 146 italianos, 168 alemães, 290
portugueses e 977 japoneses. Árabes, paraguaios e bolivianos e demais imigrantes estão
entre os 1.810 estrangeiros agrupados na categoria outros [...]” (CABRAL, 1999, p. 42).
A população estrangeira em Campo Grande é formada por diferentes grupos, que
com sua cultura e seu modo de ser contribuiu para a formação da cultura campo-grandense,
muitos deles oriundos de outros países, como os japoneses e os árabes, também.
“[...] os portugueses, italianos e espanhóis que para cá se dirigiram em busca de
oportunidades. Chegam também os armênios e palestinos, além de paraguaios e de
bolivianos que dada à proximidade com seus países de origem, tinham aqui uma alternativa
para emigrar. Cada grupo, a seu modo, contribui para o caldeamento cultural que se
processa. Ao lado do sobá, do quibe e da esfirra, convivem a chipa, a saltenha o bacalhau e
a macarronada” (CABRAL, 1999, p. 36).
Essa população composta de vários povos, formou a cultura campo-grandense. A
cultura mineira trazida pelos colonos ao longo do tempo foi sendo esquecida e a população
passa assimilar aspectos de outras culturas, dentre estas, a paraguaia. Assim é comum hoje
ver na cidade a venda e o consumo maior de chipa, do que de pão de queijo.
Campo Grande, desde sua fundação, tem a característica de atrair habitantes de
vários estados brasileiros, assim como, imigrantes de outros países sobretudo da América
do Sul. Apesar dos estrangeiros não serem identificados em números na sua totalidade nos
primeiros censos, estes já se faziam presente na cidade a partir de sua fundação, outros
antes mesmo da fundação, como é o caso dos paraguaios.
“[...] eles são uma presença que se avoluma a cada censo, tendo em vista que é
muito fluída a linha de fronteira com aquele país vizinho, ensejando o entrelaçamento de
brasileiros e paraguaios pela via do matrimônio, sobretudo nas cidades fronteiriças. Assim,
desde os primórdios, esses irmãos latinos estiveram na formação da cidade”. (CABRAL,
1999, p. 51).
Fica assinalado que em vários momentos de instabilidade econômica e política ou
até mesmo outros motivos, como por exemplo, busca de melhores dias, condições de
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trabalho vivida pelos imigrantes seja estrangeiros ou nacionais ocasionaram a migração
dessa população para a capital de Mato Grosso do Sul, não só no passado, mas ainda hoje
continuam a chegar.
Esses migrantes presentes no Estado e na cidade de Campo Grande,
desempenhavam funções diferenciadas; entre outras eram agricultores, marceneiros,
artesãos, comerciantes, jogadores, empresários, profissionais liberais e muitas outras
profissões, e com seus costumes para cá trazidos influenciaram na cultura campograndense, fato que pode ser facilmente percebido no prato típico, na festa e devoção
religiosa, na música e dança dos campo-grandense.
Bibliografia Geral
ARCA – Revista de Divulgação do Arquivo Histórico de Campo Grande – MS. Campo Grande: Sergraph, 1993.
BÓIS, Lindomar J. A Presença Paraguaia em Campo Grande: O bairro Vila Popular (1966 – 2004). (Monografia).
UFMS, 2005.
COLETÂNEA / Fundação Municipal de Cultura, Esporte e Lazer. Ano I, Campo Grande: UFMS, 1999.
CAMPO GRANDE – 100 Anos de Construção. Campo Grande: Matriz, 1999.
CONGRO, Rosário. O Município de Campo Grande. Campo Grande: Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso
do Sul (IHG – MS) / Gibim, 2003.
GARDIN, Cleonice. Campo Grande: Entre o Sagrado e o Profano. Campo Grande: UFMS, 1999.
GOMES, Arlindo de Andrade. O Município de Campo Grande em 1922. Campo Grande: Instituto Histórico e
Geográfico de Mato Grosso do Sul (IHG – MS) / Gibim, 2004.
Há 105 Anos... Jornal de Domingo. Campo Grande, 26 Ago. 2004.
RODRIGUES, J. Barbosa. História de Campo Grande. Ed. do Autor, Campo Grande, 1980.
WEINGARTNER, Alisolete A. dos S. Campo Grande: da Emancipação Política à Atualidade. In: Coletânea /
Fundação Municipal de Cultura, Esporte ... ano I, Campo Grande: UFMS, 1999.
PESQUISA/TRABALHO
Escolher dois povos que migraram para Campo Grande (pode ser usado dois
povos do texto). A seguir, pesquisar como a cultura desses dois povos
contribuíram para formação da sociedade e o desenvolvimento político e
econômico da cidade.
Pesquisa dever ser feita:
- baseada em livros, revistas, jornais e internet;
- em dupla;
- o trabalho é todo manuscrito;
- as normas do trabalho estão no site da escola;
- entregue dia 19/06;
- valor da pesquisa/trabalho: zero a dez;
Título do Trabalho escrito: “A influência das culturas (nome dos povos) em Campo
Grande”
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