COLÉGIO ESTADUAL PROFESSORA ALCINA RODRIGUES LIMA Estudo Dirigido Disciplina: Filosofia Professor: Lucas Leitão 2º Ano 3º bimestre Foco: Epistemologia e Teorias do Conhecimento Habilidades e Competências: Relacionar os diversos tipos de conhecimento; Situar a especificidade da Filosofia Ciência e relação ao Senso Comum e a Religião; Analisar e discutir o problema da questão do método em Filosofia e na Ciência. ESTUDO DIRIGIDO 1 Objetivos: identificar e relacionar os diversos tipos de conhecimento; 1ª atividade: leia o texto a seguir: Você sabe o que significa método? Você possui algum método nas suas atividades cotidianas como, por exemplo, um método de estudo? Será mesmo necessário um método? A filosofia possui um método? E a ciência, também possui? Essas e outras perguntas serão o seu desafio a partir de agora. A questão do método é uma discussão existente desde a época do pensamento grego. Você se lembra de Sócrates, mestre de Platão? Ele já utilizava um método para filosofia. Era a maiêutica que significa “dar à luz”, “parto das ideias”, pois Sócrates defendia a ideia que o próprio discípulo (aluno) “descobriria” o conhecimento pelo seu esforço próprio. Mas foi na modernidade que esse assunto do método adquiriu maior importância. Nesse momento, vamos pedir auxílio a um famoso filósofo francês que marcou fortemente o pensamento moderno e até hoje suas ideias são intensamente discutidas. Ele também era matemático e você já deve ter ouvido falar dele. Esse filósofo se chama Descartes. A Idade Moderna é marcada por uma série de transformações tanto na área cultural, religiosa, política e social quanto na área econômica. Tais transformações possibilitaram um novo modo do homem europeu conceber o mundo. O período moderno da história do pensamento filosófico marca uma reviravolta, tanto na maneira de se produzir o conhecimento e as técnicas, quanto na maneira de as nações se organizarem comercial e socialmente. Com a dúvida metódica, Descartes, em o “Discurso do Método”, procura estabelecer os princípios de um método, de análise e de desenvolvimento do conhecimento, que não esteja apoiado nas orientações flutuantes dos sentidos, mas que se apoiem no uso ordenado da razão, no ato de cogitar. Assim, as regras do método são: 1° regra da evidência: “jamais admitir coisa alguma como verdadeira se não reconheço evidentemente como tal”; a não ser que se imponha a mim como evidente, de modo claro e distinto, não me permitindo a possibilidade de dúvida. Em outras palavras, precisamos evitar toda precipitação e todos os preconceitos. Só devo aceitar o que for evidente, quer dizer, aquilo do qual não posso duvidar. 2° regra da análise: “dividir cada uma das dificuldades em tantas parcelas quantas forem possíveis”. 3° regra da síntese: “concluir por ordem meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de serem conhecidos para, aos poucos, como que por degraus, chegar aos mais complexos”. 4° regra da revisão: “Para cada caso, fazer enumerações as mais exatas possíveis... a ponto de estar certo de nada ter omitido” (Cf. Discurso do Método, II Parte). As partes da obra “Discurso do Método” são seis partes. Na primeira, encontramos diversas considerações referentes às ciências. Na segunda, as principais regras do método. Na terceira, algumas das regras da moral que tirou desse método. Na quarta, as razões pelas quais prova a existência de Deus e da alma humana, que são o fundamento de sua metafísica. Na quinta, a ordem das questões de física que investigou, e, particularmente, a explicação do movimento do coração e algumas outras dificuldades que concernem à Medicina, e depois, também a diferença que há entre nossa alma e a dos animais. E, na última, que coisas ele, Descartes, crê necessárias para ir mais adiante do que foi na pesquisa da natureza e que razões o levaram a escrever. Assim, a dúvida cartesiana não é qualquer tipo de dúvida, ela é metódica; bem diferente das dos céticos. A dúvida é o método de sua filosofia. É preciso pôr em dúvida todas as coisas, pelo menos uma vez na vida, diz Descartes. E esses questionamentos de Descartes influenciaram e muito a discussão do método nas ciências. Outro pensador importante que já havia antecipado também algumas discussões relativas ao método para se fazer ciência foi Francis Bacon que postulava leis universais com base em casos observados na experiência, os quais apresentam regularidade. Responda: a) Pesquise o significado da palavra método. b) Explique a importância de se ter um método para guiar as nossas ações e nossos pensamentos em busca de um conhecimento seguro. c) Dê exemplos de situações cotidianas onde aplicamos métodos para melhorar o resultado de nossas ações. d) Pesquise os passos do 'método científico' 2ª atividade: Leia o texto abaixo: Da Antigüidade até o início do Renascimento, embora tenham surgido várias teorias a respeito de como se efetua o conhecimento, não há discordância sobre a possibilidade de o homem conhecer o real. Do ponto de vista epistemológico, esta é a posição realista, em que os objetos correspondem plenamente ao conteúdo da percepção. O Renascimento, entretanto, vai trazer grandes modificações, dentre as quais vale destacar: • a separação entre fé e razão, que vai levar ao desenvolvimento do método científico para o estudo das ciências naturais; • o antropocentrismo, que estabelece a razão humana como fundamento do saber; • o interesse pelo saber ativo, em oposição ao saber contemplativo, que leva à transformação da natureza e ao desenvolvimento das técnicas. No rastro dessas mudanças, os pensadores do século XVII abordam a temática do conhecimentode modo inteiramente novo, colocando em questão a própria possibilidade do conhecimento. Não se trata mais de saber qual é o objeto conhecido. Deve-se, agora, indagar sobre o sujeito do conhecimento: quais as possibilidades de engano e acerto? quais os métodos que podemos utilizar para garantir que o conhecimento seja verdadeiro?A primeira tarefa que os modernos se deram foi a de separar fé de razão, considerando cada uma delas destinada a conhecimentos diferentes e sem qualquer relação entre si. A segunda tarefa foi a de explicar como a alma-consciência, embora diferente dos corpos, pode conhecê-los. Consideraram que a alma pode conhecer os corpos porque os representa intelectualmente por meio das idéias e estas são imateriais como a própria alma. A terceira tarefa foi a de explicar como a razão e o pensamento podem tornar-se mais fortes do que a vontade e controlá-la para que evite o erro. O problema do conhecimento torna-se, portanto, crucial e a Filosofia precisa começar pelo exame da capacidade humana de conhecer, pelo entendimento ou sujeito do conhecimento. A teoria do conhecimento voltase para a relação entre o pensamento e as coisas, a consciência (interior) e a realidade (exterior), o entendimento e a realidade; em suma, o sujeito e o objeto do conhecimento. Os dois filósofos que iniciam o exame da capacidade humana para o erro e a verdade são o inglês Francis Bacon e o francês René Descartes. O filósofo que propõe, pela primeira vez, uma teoria do conhecimento propriamente dita é o inglês John Locke. A partir do século XVII, portanto, a teoria do conhecimento torna-se uma disciplina central da Filosofia. Bacon e Descartes Os gregos indagavam: como o erro é possível? Os modernos perguntaram: como a verdade é possível? Para os gregos, a verdade era aletheia, para os modernos, veritas. Em outras palavras, para os modernos trata-se de compreender e explicar como os relatos mentais – nossas idéias – correspondem ao que se passa verdadeiramente na realidade. Apesar dessas diferenças, os filósofos retomaram o modo de trabalhar filosoficamente proposto por Sócrates, Platão e Aristóteles, qual seja, começar pelo exame das opiniões contrárias e ilusórias para ultrapassá-las em direção à verdade. Antes de abordar o conhecimento verdadeiro, Bacon e Descartes examinaram exaustivamente as causas e as formas do erro, inaugurando um estilo filosófico que permanecerá na Filosofia, isto é, a análise dos preconceitos e do senso comum. Bacon elaborou uma teoria conhecida como a crítica dos ídolos (a palavra ídolo vem do grego eidolon e significa imagem). Descartes, como já mencionamos, elaborou um método de análise conhecido como dúvida metódica. De acordo com Bacon, existem quatro tipos de ídolos ou de imagens que formam opiniões cristalizadas e preconceitos, que impedem o conhecimento da verdade: 1. ídolos da caverna: as opiniões que se formam em nós por erros e defeitos de nossos órgãos dos sentidos. São os mais fáceis de corrigir por nosso intelecto; 2. ídolos do fórum: são as opiniões que se formam em nós como conseqüência da linguagem e de nossas relações com os outros. São difíceis de vencer, mas o intelecto tem poder sobre eles; 3. ídolos do teatro: são as opiniões formadas em nós em decorrência dos poderes das autoridades que nos impõem seus pontos de vista e os transformam em decretos e leis inquestionáveis. Só podem ser refeitos se houver uma mudança social e política; 4. ídolos da tribo: são as opiniões que se formam em nós em decorrência de nossa natureza humana; esses ídolos são próprios da espécie humana e só pode ser vencidos se houver uma reforma da própria natureza humana. Bacon acreditava que o avanço dos conhecimentos e das técnicas, as mudanças sociais e políticas e o desenvolvimento das ciências e da Filosofia propiciariam uma grande reforma do conhecimento humano, que seria também uma grande reforma na vida humana. Tanto assim que, ao lado de suas obras filosóficas, escreveu uma obra filosófico-política, a Nova Atlântida, na qual descreve e narra uma sociedade ideal e perfeita, nascida do conhecimento verdadeiro e do desenvolvimento das técnicas. Descartes localizava a origem do erro em duas atitudes que chamou de atitudes infantis: 1. a prevenção, que é a facilidade com que nosso espírito se deixa levar pelas opiniões e idéias alheias, sem se preocupar em verificar se são ou não verdadeiras. São as opiniões que se cristalizam em nós sob a forma de preconceitos (colocados em nós por pais, professores, livros, autoridades) e que escravizam nosso pensamento, impedindo-nos de pensar e de investigar; 2. a precipitação, que é a facilidade e a velocidade com que nossa vontade nos faz emitir juízos sobre as coisas antes de verificarmos se nossas idéias são ou não são verdadeiras. São opiniões que emitimos em conseqüência de nossa vontade ser mais forte e poderosa do que nosso intelecto. Originam-se no conhecimento sensível, na imaginação, na linguagem e na memória. Como Bacon, Descartes também está convencido de que é possível vencer esses efeitos, graças a uma reforma do entendimento e das ciências. (Descartes não pensa na necessidade de mudanças sociais e políticas, diferindo de Bacon nesse aspecto.) Essa reforma pode ser feita pelo sujeito do conhecimento, se este decidir e deliberar pela necessidade de encontrar fundamentos seguros para o saber. Para isso Descartes criou um procedimento, a dúvida metódica, pela qual o sujeito do conhecimento, analisando cada um de seus conhecimentos, conhece e avalia as fontes e as causas de cada um, a forma e o conteúdo de cada um, a falsidade e a verdade de cada um e encontra meios para livrar-se de tudo quanto seja duvidoso perante o pensamento. Ao mesmo tempo, o pensamento oferece ao espírito um conjunto de regras que deverão ser obedecidas para que um conhecimento seja considerado verdadeiro. Para Descartes, o conhecimento sensível (isto é, sensação, percepção, imaginação, memória e linguagem) é a causa do erro e deve ser afastado. O conhecimento verdadeiro é puramente intelectual, parte das idéias inatas e controla (por meio de regras) as investigações filosóficas, científicas e técnicas. Responda: a) Para Descartes o que nos afasta da verdade, provocando o erro? b) Para Bacon o que nos afasta da verdade, provocando o erro? c) Porque, segundo Francis Bacon era importante uma reforma no intelecto humano? d) O novo modelo de conhecimento inaugurado na modernidade permitiu o surgimento de várias novas ciências e proporcionou avanço significativo nas técnicas e tecnologias. Dê exemplos que demonstrem esses avanços.