Obesidade - Câmara Municipal de Curitiba

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Seminário aborda
causas da obesidade
Foi realizado na tarde desta sexta-feira (27) o II Seminário sobre
Obesidade na Câmara de Curitiba, por iniciativa do presidente da Comissão de
Saúde, Bem-Estar Social e Meio Ambiente, vereador Angelo Batista (PP).
Foram quatro palestras, no auditório do Anexo II, com diferentes profissionais,
sobre a obesidade, doenças acarretadas, tratamento e cirurgia. Os presentes
também puderam tirar dúvidas.
“No conjunto das informações obtidas nas palestras, resume-se uma das
realidades do mundo moderno: a obesidade é uma epidemia mundial. Quanto
melhor a qualidade de vida e o padrão social da população, maior é o seu
sobrepeso”, resumiu Angelo Batista.
Obesidade
O professor de endocrinologia e metabologia da UFPR, Henrique Suplicy,
abordou as causas e conseqüências da obesidade, comparando, inicialmente, o
aumento anual dos casos no Brasil e nos Estados Unidos, onde os obesos
chegam a ter 25% a mais de gordura. No Brasil, a região Nordeste tem o
menor índice em comparação à demais, embora o problema atinja todas as
classes sociais e idades, sendo detectado principalmente em jovens e crianças.
“O organismo estoca gordura gradativamente, para eventuais faltas.
Hoje em dia, a maioria dos indivíduos possui 45% do corpo composto por
gordura, quando o normal seria 20%”, alertou Suplicy. O número de horas que
a criança passa em frente à televisão, o trabalho doméstico manual e a
genética também são fatores que influenciam no gasto energético e a
conseqüente obesidade.
Foram destacadas as doenças que a má alimentação pode desenvolver e
que ocasionalmente tornam-se câncer. Entre elas, diabetes, hipertensão
arterial, cálculo biliar, esteatose hepática e apnéia do sono. Suplicy lembrou
que a melhor maneira de prevenção é a prática de atividade física e a
reeducação alimentar.
Ações e programas
A coordenadora do Departamento de Vigilância Nutricional da Secretaria
Municipal de Saúde, Angela Lucas de Oliveira, explicou a visão da Prefeitura
sobre a obesidade da população e as iniciativas de combate. “O município tem
se preocupado há vários anos com estudos nutricionais, sem medo de
encontrar problemas e gerar ações”, disse.
Uma das pioneiras no assunto, Curitiba implantou nas unidades de
saúde um sistema que diagnostica o estado nutricional da população. A idéia é
divulgar os dados colhidos através de boletins, para combater a obesidade e a
desnutrição. Angela ressaltou que os indicadores da desnutrição no Brasil e em
Curitiba são muito parecidos, diminuindo a desnutrição e aumentando a
obesidade, principalmente nos adultos jovens.
A coordenadora destacou que muitas das ações são desenvolvidas em
parceria com a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer, como o Mutirão da
Cidadania, Gibi Curitibinha, Ônibus do Adolescente Saudável, iniciativas nas
escolas, capacitações e programas em educação alimentar, materiais
educativos e a inserção da idéia no cronograma escolar.
“As unidades de saúde fazem mais de um milhão de atendimentos por
ano. Não são dados ao acaso. A população avaliada é muito grande”,
acrescentou.
Tratamento
O programa de tratamento à obesidade do Instituto Curitiba de Saúde
(ICS), Prevencor, foi comentado pelo coordenador médico do Núcleo de
Programas Especiais, Fernando Cezar de Oliveira. É voltado à prevenção,
resultando na melhoria da saúde e da qualidade de vida do servidor municipal.
Segundo o médico, metade dos mais de 10 mil usuários do Prevencor
apresentam fatores de risco cardiovascular. Criado em 2001, o programa
acompanha e trata os pacientes de obesidade mórbida, visando o
emagrecimento. É feita uma avaliação da saúde com atendimento
multidisciplinar, nunca voltado à intervenção cirúrgica, mas à prevenção da
evolução de doenças, além de reduzir os custos das complicações crônicas das
patologias.
“Não adianta participar esperando a cirurgia”, comentou Oliveira,
completando que o paciente com obesidade mórbida geralmente tem alguma
outra doença. Ele é acompanhado por dois anos, com psicóloga especializada e
programa específico, recebendo tratamento com endocrinologista e
nutricionista e participando de palestras. Após este período, se não houver
resultado, será encaminhado, após avaliações, à cirurgia bariátrica. “A cirurgia
é 100% coberta pelo ICS e o paciente recebe visita domiciliar do médico e de
assistente social no período de um ano”, explicou Oliveira.
Cirurgia
A médica Solange Cravo Bettini abordou o tratamento cirúrgico realizado
em pacientes com obesidade mórbida, sendo a procura mais feminina do que
masculina. Segundo a cirurgiã, só pode realizar a cirurgia quem estiver com o
Índice de Massa Corporal (IMC) entre 35 e 40 e alguma doença grave. O
paciente deve ter mais de 18 anos, estar com a obesidade estável há pelo
menos cinco anos, ter realizado tratamento clínico não eficaz há dois anos,
além de passar por avaliações clínica, psicológica, nutricional e exames préoperatórios.
Solange explicou os tipos de cirurgia realizadas (restritiva, disabsortiva e
mista) e comentou sobre outras intervenções cirúrgicas de diminuição do
estômago e suas conseqüências. Para ela, a principal causa da procura pela
cirurgia é a falha no tratamento de emagrecimento com
milagrosos”. “Operar um obeso é o seu renascimento”, resumiu.
“remédios
Legendas –
Foto 01 – A iniciativa do II Seminário sobre Obesidade foi do vereador Angelo
Batista, presidente da Comissão de Saúde, Bem-Estar Social e Meio Ambiente
da Câmara de Curitiba. (Foto – Andressa Katriny)
Foto 02 – “A morte súbita é muito mais comum em obesos do que em pessoas
com peso normal”, alertou o endocrinologista Henrique Suplicy. (Foto –
Andressa Katriny)
Foto 03 - “A Prefeitura tem se preocupado há vários anos com estudos
nutricionais, sem medo de encontrar problemas e gerar ações”, disse Angela
de Oliveira. (Foto – Andressa Katriny)
Foto 04 – O médico Fernando Cezar de Oliveira comentou que não adianta
querer a cirurgia para diminuir o estômago. “O paciente deve ter obesidade
mórbida e alguma doença relacionada”. (Foto – Andressa Katriny)
Foto 05 - “Operar um obeso é o seu renascimento”, resumiu a cirurgiã Solange
Bettini. (Foto – Andressa Katriny)
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