"Para fora, para cima ou para baixo".

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Castro, Antonio Barros de. “Para fora, para cima ou para baixo”. São Paulo: Folha de São
Paulo, 10 de outubro de 2001. Jel: L.
Para fora, para cima ou para baixo.
Antonio Barros de Castro.
Fiéis ao ciclo que há muitos anos rege o funcionamento desta economia, saímos recentemente da
posição de retomada e voltamos à posição de retranca.
O solavanco foi comparável em intensidade e guarda diversas semelhanças com episódios
anteriores de súbito desaquecimento. Assim, por exemplo, a parte mais atingida da economia foi a
indústria e, no seu interior, mais uma vez, a grande vítima foram os duráveis de consumo.
Do ponto de vista das empresas, contudo, a situação é hoje profundamente diferente.
Primeiramente, porque elas não mais se encontram, como ao longo dos anos 1990, sob forte pressão
competitiva das importações. E isso não apenas porque já concluíram (as que sobreviveram,
evidentemente) a sua reestruturação como porque o dólar de ouro que aí está (e que, aparentemente,
veio para ficar) flagrantemente as sobreprotege.
Segundo porque, no tocante a técnicas e organização do trabalho (ou seja, dos portões das fábricas
para dentro), as empresas industriais se encontram hoje, frequentemente, próximas à fronteira. O
que as diferencia é sobretudo o grau (menor) de automação e de digitalização -o que seguramente se
justifica pelo custo mais baixo da mão-de-obra e pelas deficiências características da infra-estrutura
doméstica.
Finalmente, porque -assim como ao ser anunciada a abertura comercial- as empresas produtoras de
bens transacionáveis estão hoje colocadas ante a necessidade de reposicionar-se estrategicamente.
Isto é, precisam definir rumos e, possivelmente, a sua própria identidade. Nesse sentido, devem
escolher entre três posições.
A mais óbvia possibilidade consiste em aumentar, proporcionalmente, as vendas no mercado
externo. Na medida em que esse movimento for concebido como permanente, implicará mudanças
de estrutura, gerenciamento, financiamento etc. Sumariamente referido, equivale a mover-se "para
fora".
Uma outra escolha tem como tônica o esforço no sentido de agregar valor aos produtos. Como
direcionamento ante o mercado, esse seria um movimento "para cima". Tanto para a empresa
quanto para o país, fazem em princípio sentido -sobretudo na medida em que contribuam para a
redução do peso das commodities na pauta de exportações. É preciso ter em conta, no entanto, duas
ponderações.
Em produtos tecnologicamente maduros (como os que vieram a ser produzidos neste país), a
agregação de valor pode ser um caminho já superexplorado. A sofisticação de produtos, por
exemplo, tem acarretado situações por vezes referidas como de excesso ("overshooting") de
atributos.
Finalmente há o caminho "para baixo", por meio do qual se tenta alcançar camadas de mais baixo
poder aquisitivo usando para tanto as mais avançadas técnicas. Pode ser uma solução interessante
para empresas e certamente o é para o país. Não apenas por integrar novos consumidores ao
mercado doméstico como pelas possibilidades entreabertas no resto da América Latina e na Ásia.
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