O filósofo como amante do espetáculo da verdade

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O filósofo como amante do espetáculo da verdade em
contraposição ao "filódoxo", amante da opinião (Platão,
República V)
Profa: Alice Bitencourt Haddad
Aluna: Elenira de Sousa Domiciano
Data: 12/07/08
Faculdade São Bento
Curso de Filosofia Geral – “ A verdade”
Nesse diálogo com Glauco, no livro A Republica, livro V, Platão fala que “o filósofo é
aquele que deseja provar de todas as ciências e se atira ao estudo com prazer e
sem se saciar” . Glauco questiona sobre filósofos que embora também sejam amantes
das audições, não gostariam de participar de uma discussão como essa que estão tendo,
mas que andam por todas as partes ouvindo todos os coros nas “Dionisias” ; a estes
podemos chamar de Filósofos?”
Ao que Platão retruca: de modo algum,
os
verdadeiros são aqueles
amantes
do espetáculo da verdade. Platão faz uma
comparação entre o belo e o feio, entre o justo e o injusto e como cada um sendo um,
aparece em combinação com as ações, corpos e umas com as outras, e que cada um se
manifesta em toda parte e aparenta ser múltipla. Platão enquadra nestes exemplos a
diferença dos dois tipos de filósofos; de um lado os amadores de espetáculos, amigos das
artes e homens de ação; e para outros aqueles que se pode considerar como únicos e que
podem ser chamados de filósofos. Os amadores de audições segundo Platão encanta-se
com belas vozes, cores e formas e todas as obras com tais elementos, embora seu
espírito seja incapaz de discernir e de amar a natureza do belo em si. Aquele que
entende o belo em si e é capaz de o contemplar na sua essência e nas coisas em que tem
participação, e sabe que as coisas não se identificam com ele, nem ele com as coisas,
vive na realidade. Então ele diz com razão que o pensamento deste homem é
conhecimento e do outro se baseia em opinião, visto que se funda nas aparências. Aqui
Glauco coloca que os filósofos que são capazes de subir até o belo em si e contemplam a
sua essência, não seriam muito raros? Platão concorda fazendo uma comparação com os
sonhos; durante o sono ou desperto, quando a pessoa sonha, julga que um objeto
semelhante a outro não é uma semelhança, mas o próprio objeto com que se parece. O
mesmo acontece com os filósofos “que não contemplam o belo em si na sua essência e nas
coisas que tem participação, e sabe que as coisas não se identificam com ele, nem ele com
as coisas”. Aqueles que fazem o contrario isto é contemplam o belo em si, vive na realidade
e pode se dizer que o pensamento deste homem é conhecimento ao passo que do outro é
opinião, pois se funda nas aparências. Neste trecho Platão questiona se pode e como
poderia persuadir estes homens que se dizem filósofos e se baseiam em opiniões e ainda
por cima , que o acusam de não dizer a verdade. Daí se inicia o discurso do que é
Opinião, e Glauco concorda que a opinião é diferente da ciência, dando a cada um o
significado de acordo com sua potência. “As potencias são um gênero de seres, pelos quais
podemos fazer aquilo que podemos, e tudo aquilo que se tenha capacidade de atuação.
Numa potência, apenas reparo no seu objeto e nos seus efeitos”; deste modo
Platão explica, potências idênticas às que se aplicam ao mesmo objeto e produzem os
mesmos resultados, e potências diferentes às que se aplicam a objetos diferentes e
operam outros efeitos. A ciência respeita a natureza do Ser, e se destina a conhecer o
que é o ser, e podemos considera-la uma potência pois é baseada em conhecimento e a
opinião é baseada em aparências.
No final, Platão chega a conclusão de que aqueles que contemplam a multiciplidade de
coisas belas, sem verem a beleza em si, e não são capazes de seguir outra pessoa que as
conduza até junto dela, e não vêem a justiça, e tudo da mesma maneira desses, diremos
que tem opinião sobre tudo, mas não conhecem nada daquilo sobre que as emitem. São
diferentes então daqueles que contemplam as coisas em si, as que permanecem sempre
idênticas, e tem entusiasmo e gosto pelas coisas que são objeto de conhecimento ao passo
que aqueles só o tem pelas que são do domínio da opinião.
A filosofia de Platão é baseada na teoria das formas, e o mundo das idéias. Idéias ou formas
são arquétipos imutáveis. De acordo com Platão só essas idéias/formas são constantes e
reais. Platão divide o mundo em duas partes – o mundo das idéias, onde tudo é constante e
real, e o mundo físico em que vivemos, onde o fluxo é constante e a realidade é relativa. As
formas então mantém a ordem e a estrutura das idéias do mundo.
Platão distinguiu entre dois níveis de saber: opinião e conhecimento. Afirmações
relacionadas com o mundo físico Platão as considerava uma opinião, mesmo que
estivessem baseadas na lógica ou na ciência. Segundo Platão, o conhecimento é derivado da
razão e não da experiência. Ele pregava que somente através da razão atingimos o
conhecimento das formas. Platão diz que as formas têm uma realidade que vai além do
mundo físico por causa de sua perfeição e estabilidade. O mundo físico se parece com as
formas, mas devido a constantes mudanças nunca chega a sua perfeição. Um exemplo para
entender a diferença entre o mundo das formas e o mundo físico é dado por Platão em
termos matemáticos. No mundo das formas temos a concepção de um círculo perfeito –
totalmente redondo, composto de uma série de pontos que apresentam exatamente a mesma
distancia do ponto central. No mundo físico, porem, essa figura não é vista. Círculos nunca
são desenhados perfeitamente. A idéia do círculo existe e é imutável, porem ela só pode ser
conhecida pela razão e não pela experiência do círculo perfeito no mundo físico. Platão
aplica sua teoria a conceitos como beleza, justiça, bondade, entre outros. A pessoa é bela ou
justa por que nela há algo que se parece com a forma do belo ou do justo, presente no
mundo das idéias. O amor no mundo das idéias também é perfeito, daí vem a expressão
amor platônico, utilizada nos dias de hoje.
Platão parte de um pressuposto muito difundido entre os filósofos gregos (e que ainda hoje
persiste): o de que a maioria dos humanos tem uma enorme dificuldade em exercitar (pôr
em marcha) o próprio cérebro. Ocorre que para isso carecem de iniciativa, de muito estudo,
de disciplina e de uma permanente dedicação. Isso é custoso, enquanto que as impulsões
afetivas corporais são em geral espontâneas, promovem a maior parte das inquietações,
levando a maioria a ocupar-se com elas, e não em filosofar (em se ilustrar ou instruir-se). A
maioria, com efeito, aplica de algum modo o intelecto, porém, não no que mais importa na
busca do maior de todos os bens, a sabedoria, a educação da razão e a qualificação do
humano. Todos se voltam preferencialmente para a administração de seus próprios
impulsos, de suas tensões afetivas, das riquezas ou da pobreza, e de muitos outros males e
bens. Eis aí, justamente, porque Platão exortava seus discípulos, em especial aqueles que se
dispunha a filosofar, sobre a eminente necessidade de se libertarem das "amarras do
sensível", e que, portanto, promovessem certa ascese das afecções, mas não a ponto de
eliminar por completo a potência ou capacidade humana natural de afetar-se; pois, afinal,
ninguém pode deixar de alimentar-se, assim como de uma dor de dentes ninguém está livre!
Se bem que com fome e com dor de dentes (também esse é outro lado importante da
questão), fica difícil de filosofar
.
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