Doenças Exantemáticas e a Atuação da Enfermagem

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Doenças Exantemáticas e a Atuação da Enfermagem
Introdução
Existem várias doenças infecciosas que provocam, entre as suas manifestações um
exantema, ou seja, a erupção de pontos ou manchas e outras lesões na pele. Embora
algumas dessas doenças possam se manifestar em outras idades afetam essencialmente
as crianças, por isso, o sarampo, a rubéola, a varicela, a escarlatina, o eritema infeccioso
e o exantema súbito são considerados como típicas doenças exantemáticas infantis. O
fato destas doenças serem tão comuns na infância deve-se à especial sensibilidade que
as crianças tem ao ataque dos respectivos agentes causadores, determinados vírus e
bactérias, mas especialmente devido ao fato destes serem extremamente contagiosos e
facilmente transmissíveis tanto por via aérea como através do contato com indivíduos
ou objetos contaminados. Caso não se adote medidas específicas, como a administração
sistemática de vacinas que consigam prevenir algumas dessas patologias, estas acabam
por afetar praticamente todas as crianças. 4
Podemos dividir as doenças exantemáticas em dois grandes grupos: Erupções
Maculopapulares e Erupções Papulovesiculares.1
 Maculopapulares
Sarampo: É uma enfermidade em plena erradicação, causado por um vírus do grupo
Paramixovirus. A transmissão ocorre de pessoa para pessoa (por secreções, gotículas,
etc). A maioria das pessoas já teve contato com o vírus e, por tanto, provavelmente, esta
imunizada. A doença ocorre mais frequentemente em crianças com mais de seis meses e
menores de quatorze anos. Crianças com menos de seis meses não são acometidas, por
que estão protegidas pela imunidade transplacentária. A pessoa portadora do vírus tem
um período de maior transmissão, que é de três a quatro dias antes do aparecimento do
exantema até quatro a cinco dias após o seu surgimento. 3
No quadro clínico apresenta-se febre alta (39º - 40º), coriza, conjuntivite, tosse,
vômitos, dores abdominais, inapetência, exantema maculopapular, inicialmente
retroauricular, e que se distribui céfalo-caudalmente, com uma descamação fina, podem
aparecer as manchas de Köplik (máculas avermelhadas com um pequeno ponto
esbranquiçado central e brilhante, localizados na mucosa oral), costumam acompanhar o
quadro, diarréia, adenomegalia, laringite, otite média, sinusite, broncopneumonia. O
diagnóstico pode ser feito laboratorialmente realizados na fase aguda e repetidos duas
semanas após, os achados são leucopenia e vírus no sangue e nasofaringe. É uma
doença autolimitada que não requer tratamento específico, somente trata-se os sinais e
sintomas. A vacina anti-sarampo deve ser aplicada na rotina no 9º mês de vida ou se
contato até 72 horas após a exposição. Lactentes cujas mães tiveram a doença ou foram
vacinadas, possuem geralmente, uma imunidade transitória durante os seis primeiros
meses de vida. 1
O tratamento e assistência de enfermagem deve ser apenas sintomático, manter o quarto
do paciente arejado, livre de correntes de ar, banho quente com sabão neutro, higiene
ocular (com água boricada a 2%), nasal (com solução fisiológica), bucal (com água
boricada a 3%) e aplicação de vaselina nos lábios, administrar líquidos em abundância,
por via oral e/ou parenteral, controle do balanço hídrico, dieta hipercalórica e
hipervitaminada (começando com alimentação líquida ou pastosa), observar fezes, urina
e vômitos, controle dos sinais vitais a cada seis horas. Realizar notificação compulsória
dos casos hospitalares, isolamento total e rigoroso. 2
Rubéola: É uma doença viral aguda benigna e que afeta, sobretudo as crianças com
menos de dez anos, embora sua incidência seja atualmente reduzida nos paises onde se
procede a vacinação infantil sistemática. Após um período de incubação de duas ou três
semanas, a doença começa a manifestar-se através de febre ligeira, catarro, congestão
ocular, cefaléia, mal estar e hipertrofia dos gânglios linfáticos, a que se segue a erupção
de inúmeras pequenas manchas rosadas, de início apenas na cabeça, mas que depois se
estende a todo o corpo ao longo de um ou dois dias, acabando por desaparecer na
mesma ordem ao fim de um ou dois dias, à medida que os restantes sinais e sintomas
vão desaparecendo. 4
A rubéola tem maior importância quando atinge gestantes podendo provocar aborto ou
anomalias congênitas (surdez, retardo do crescimento intra-uterino, catarata e
cardiopatia) em crianças nascidas de mães infectadas durante os primeiros meses de
gestação. 1
A transmissibilidade ocorre através de contato direto, através de gotículas de saliva, ou
indireto, por meio de objetos recentemente contaminados por secreções nasofaríngeas.
Na rubéola congênita o vírus pode se manter presente por longo tempo em secreções
nasofaríngeas, nas fezes e na urina. O período de incubação varia entre quatorze e vinte
e um dias. O período de transmissão é de aproximadamente uma semana antes do
aparecimento da erupção a pelo menos uma semana depois de seu desaparecimento. 2
Como ocorrem sintomas e exantemas semelhantes em muitas outras infecções virais a
rubéola é uma doença de difícil diagnóstico clínico. Os exames de diagnósticos incluem
o isolamento do vírus de diversos tecidos e testes sorológicos. 3
A profilaxia deve ser feita através da imunização ativa por vacina de vírus atenuado, em
dose única, entre os quinze meses de idade e a puberdade. Não se deve vacinar crianças
menores de um ano e mulheres grávidas, a gravidez deve ser evitada dois a três meses
após a vacinação. Deve ser feita notificação a autoridade sanitária local. A rubéola
requer pouco ou nenhum tratamento, os cuidados de enfermagem são os mesmos
empregados no caso de sarampo. 2
Escarlatina: É uma doença infecciosa provocada pelo Estreptococo Beta-Hemolítico
do grupo A, uma bactéria muito contagiosa, igualmente responsável por outras doenças,
como a Erisipela, que afeta, sobretudo as crianças entre seis e dez anos de idade. 4
Abrange a faixa etária escolar e pré-escolar. O período de incubação é de três a cinco
dias e sua transmissão pode ocorrer vinte e quatro horas antes do sintoma até três
semanas após. 1
O início da doença é aguda e se caracteriza por febre, vômitos, cefaléia, faringite,
calafrios e, as vezes, dor abdominal. Em geral, a temperatura aumenta abruptamente e
pode atingir 39,6º a 40ºC no segundo dia, normalizando-se dentro de cinco a sete dias.
As amigdalas ficam hiperemiadas e cobertas por exudato branco, o dorso da língua
exibe um revestimento branco, descamando-se após vários dias observando-se uma
língua vermelha com aspecto de morango, o palato e úvula se mostram avermelhados e
cobertos por petéquias, o exantema no corpo é vermelho e empalidece com a
compressão. Na doença intensa, pequenas lesões vesiculares podem aparecer no
abdômen, nas mãos e nos pés, pode ocorrer descamação da pele. 3
O diagnóstico pode ser realizado laboratorialmente através da cultura de secreções
orofaríngeas. O tratamento é feito com antibióticoterapia. 1
Exantema Súbito: É uma patologia provocada por um vírus do grupo herpes, afeta
essencialmente os bebês entre os seis meses a dois anos de idade. 4
O período de incubação é de 7 a 17 dias. A doença caracteriza-se por um exantema
febril (até 41ºC), às vezes com convulsão. 3
O exantema é semelhante ao da rubéola, podendo durar apenas horas, inicia-se
geralmente no tronco, espalhando-se para os braços, pescoço, pernas e face,
desaparecendo em 24 horas, sem descamação. 1
É importante também investigar a ingestão prévia de drogas (brometos, iodetos, cloral,
barbitúricos, antibióticos, arsenicais), exposição ao sol, contato com indivíduos
enfermos, animais, mudanças de ambientes, imunizações prévias, alergias. O
diagnóstico deve ser feito por meio da sorologia, pela presença de anticorpos. O
tratamento em geral, não é necessário. 3
Eritema Infeccioso: É uma doença comum, contagiosa, que aparece esporadicamente
ou em epidemias, tendo como agente etiológico o Parvovírus B19. A incubação varia de
4 a 18 dias. A transmissão ocorre por contato direto com indivíduos infectados, sangue
e secreções respiratórias. Caracteriza-se por exantema facial em forma de borboleta,
com palidez peribucal, prurido, febre, mal estar, dor de garganta e até dores articulares.
Após quatro dias, aparecem erupções simétricas, em braços, tronco e nádegas. O
diagnóstico é difícil quando os sintomas mais clássicos estão ausentes. O tratamento é
basicamente sintomático. 3
Acomete indivíduos entre cinco a quatorze anos de idade. 4
Mononucleose: É uma doença benigna. Acomete crianças e adultos jovens, pelo
contato direto com saliva de indivíduos contaminados. O período de incubação é de dez
a cinquenta dias. Caracteriza-se por febre prolongada, mal estar, cefaléia, calafrios, dor
de garganta e o exantema é mais predominante no tronco. As complicações podem ser
esplenomegalia, hepatomegalia, petéquias no palato, faringe com eritema, exudativo
branco-acinzentado. O diagnóstico é feito laboratorialmente através de sorologia. Como
profilaxia deve-se evitar contatos íntimos durante a fase aguda da doença. O tratamento
é feito com repouso por três semanas, e se complicações o uso de corticosteróides e
antibióticos. 1
 Papulovesiculares
Varicela: É uma doença contagiosa provocada pelo vírus Varicela-Zóster (igualmente
responsável pelo Herpes Zoster), muito freqüente nas crianças dos dois aos nove anos
de idade. 4
É raro se manifestar antes dos três meses de idade, devido à imunidade conferida pelas
imunoglobulinas transmitidas pela placenta materna. A varicela apresenta um período
de incubação de duas a três semanas. 3
Sua transmissão pode ocorrer de forma direta, por gotículas de muco ou saliva, e
indireta, através de objetos recentemente contaminados por secreções de indivíduos
infectados. O período de transmissão geralmente ocorre no máximo cinco dias antes e
até seis dias após o aparecimento do primeiro surto de vesículas. O quadro clínico
inicia-se subitamente com febre moderada, erupção cutânea nas primeiras horas com a
formação de crostas granulosas após três ou quatro dias. As vesículas localizam-se
principalmente nas partes do corpo habitualmente cobertas, podendo aparecer no couro
cabeludo e nas mucosas de vias aéreas superiores. As complicações podem ser
conjuntivite, otite média, encefalite, pneumonia, a moléstia raramente leva a morte. 2
O diagnóstico é realizado laboratorialmente através da presença do vírus no fluído da
vesícula e a profilaxia é feita com a imunização. 1
O tratamento e a assistência de enfermagem em casos leves deve-se administrar
medicamentos sintomáticos e em casos graves anti-histamínicos. Isolamento total,
alimentação e hidratação, banho de permanganato de potássio (duas vezes ao dia),
higiene oral (água bicarbonatada 3%), limpeza dos ouvidos (para prevenir a otite
média), limpeza dos olhos (água boricada 20%), limpeza das narinas, cortes da unhas
dos pés e das mãos (para evitar cocem as lesões), controle de sinais vitais, desinfecção
concorrente e terminal, recreação. 2
Herpes Simples: Infecção recorrente, na pele ou nas mucosas, caracterizada pelo
aparecimento de agrupamentos de pequenas vesículas preenchidas por líquido claro, em
bases inflamatórias. É causado pelo agente etiológico Herpes Vírus Hominis, o período
de incubação são de até duas semanas e o de transmissão ocorre enquanto obtiver a
lesão. A transmissibilidade pode ocorrer por contato direto com o vírus presente na
saliva dos portadores, lesões preexistentes no receptor favorecem a penetração do vírus,
o contato sexual também desempenha papel importante. A infecção primária
caracteriza-se geralmente assintomática e benigna, que ocorrem na primeira infância.
Quando ocorrem manifestações clínicas, estas se dão de forma grave como febre, mal
estar, gengivoestomatite, lesões vesiculares na orofaringe, vulvovaginite ou
meningoencefalite. A reativação da infecção latente resulta geralmente no herpes labial,
oral e/ou no herpes genital, sob a forma de vesículas claras, com base eritematosa, que
aparecem na face, nos lábios e/ou mucosas genitais, formam crostas e curam em alguns
dias. O diagnóstico é feito através da cultura de vírus das lesões, do líquor ou titulagem
de anticorpos. O tratamento e a assistência de enfermagem deve ser feito com
administração de agentes tópicos, antibióticos sistêmicos ou tópicos, cuidados de
higiene, com água e sabão, controle de temperatura, observação e anotação das lesões
vesiculares quanto a localização e aspectos, aplicação de xilocaína (geléia) na boca,
antes das refeições, para facilitar a alimentação, aplicação de compressas de éter
(durante cinco minutos) para secar as lesões vesiculares. 2
Herpes Zoster: Doença infecciosa do sistema nervoso central que acomete
primeiramente os gânglios da raiz dorsal e caracteriza-se por erupção vesicular. As
vesículas, com base eritematosa, acham-se limitadas às zonas cutâneas inervadas por
nervos sensitivos periféricos associados a gânglios dorsais. 2
Acomete maiores de dez anos. O agente etiológico é causado pelo vírus da Varicela
Zoster. 1
O período de incubação varia de doze a quinze dias e o período de transmissão estendese desde as 24 horas que precedem o aparecimento da erupção até três ou quatro dias da
sua vigência. Seu modo de transmissibilidade pode ser direta e indireta. 2
O indivíduo que já foi acometido pela varicela permanece com o vírus incubado, se
apresentar baixa da imunidade este vírus pode reaparecer. 1
É caracterizado por erupções vesiculosas com base eritematosa espalham-se apenas em
regiões cutâneas inervadas por um grupo ou por grupos de nervos sensoriais associados
a gânglios dorsais, podem produzir crostas e gangrena cutânea. As lesões são mais
profundas que na varicela e bem mais compactas, causam dores intensas e parestesias,
frequentemente ocorre hipertermia (38º), cefaléia. O diagnóstico pode ser feito através
de cultura das lesões e pesquisa de anticorpos. A profilaxia deve ser feita através de
isolamento total rigoroso (de 7 a 10 dias). O tratamento e a assistência de enfermagem é
medicamentoso (para diminuir a dor), banho ou compressas úmidas com permanganato
de sódio, higiene corporal com água corrente, sem esfregar as lesões, manter o quarto
arejado, sem correntes de ar, prover mudanças de decúbito no paciente. 2
Meningococemia: É uma doença causada pelo agente Neisseria meningitidis. Atinge a
faixa etária < cinco anos de idade. Apresenta período de incubação de um a dez dias.
Cujos sinais e sintomas é a febre por vinte quatro horas, mal-estar, vômito, cefaléia e
anorexia. Tem uma rápida progressão, podendo ser contagioso até vinte quatro horas
após início do antibiótico. As manifestações clínicas são erupções maculopapulosas
podendo tornar-se petéquias e purpúrica, comprometimento sistêmico. 1
Impetigo: Doença infecciosa da pele, causada por um micróbio (Estafilococo).
Geralmente ataca o rosto e o couro cabeludo, e é comum em crianças em idade pré
escolar e escolar. Uma pequena área da pele fica pruriente e inflamada (perto do canto
da boca) e começa a exudar e formas crostas amareladas. Se não for tratada, tende a se
espalhar rapidamente. A região afetada deve ser mantida seca, e deve-se fazer esforços
para evitar que o indivíduo coce, pois esse é um dos principais motivos da infecção se
espalhar. As roupas de cama, travesseiros, lençóis e matérias de banho devem ser
rigorosamente separados e bem fervidos antes de retornarem ao uso geral. É uma
doença que reage a antibióticos. Ocorre mais no verão devido ao banho abafado que é
um meio de cultura. 1
Vacina
Meningococo C
Tabela de Imunização
Nome Comercial Dose
Idade inicial
Meningitec
0,5ml 2 meses
Varicela
(Atenuada)
Varivax
0,5
ml
9 meses / 12 meses
Coxa IM - 9
meses
Braço - SC
SCR (Atenuada)
Priorix
0,5
ml
12 meses / 15 meses
Braço esquerdo
Via
Coxa IM
Número de doses
1ª dose: 2 meses
2ª dose: 4 meses
3ª dose: 6 meses
1º reforço: 1 ano e 3
meses
2º reforço: 5 anos
Dose Única
* Após a administração
a criança não deve
entrar em contato com
medicamentos que
contenham ácido
acetil salicílico por
6 semanas
1ª dose: 12 meses
2ª dose: 4 a 6 anos
Referência Bibliográfica
1. Doenças Exantemáticas.
2. Philippi MLS, Malavassi ME, Arone EM; Enfermagem em Doenças Transmissíveis
85-1,ed.3 – 1994.
3. Santana, Kipper, Fiore & Cols, Semiologia Pediátrrica cap. 18, 198-06.
4. Doenças Exantemáticas Infantis.
5. Calendário Vacinal - MS.
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