A noção de problema social

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TPSSC: A noção de problema
social
Problema social ≠ Problema sociológico
“Um problema social é uma alegada situação
incompatível com os valores de um significativo número
de pessoas, que concordam ser necessário agir para a
alterar”.
Earl Rubington e Martin Weinberg, The Study os Social Problems – seven perspectives, Oxford University Press: Oxford and New York, 1995
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Os problemas sociais estão imbuídos de um significado social
↓
O crivo científico dá-lhes significado sociológico
Problema social ≠ Problema sociológico
• Um problema social é uma violação de
expectativas morais
• As questões sociológicas derivam das
preocupações sociais
• Um problema social pressupõe uma
solução → solução social→ Nascimento e
desenvolvimento das Ciências Sociais
Posição positivista e relativista face aos problemas sociais
• A Sociologia positivista defende a procura
de leis sociais a partir de um método
indutivo-quantitativo e advoga uma
separação absoluta entre a ciência e a
moral → Estudam-se as causas para
chegar a leis que regem o fenómeno
Posição positivista e relativista face aos problemas
sociais
• Segundo a posição relativista não existe
nenhum critério universal para o
conhecimento e para a verdade. Todos os
critérios são internos ao sistema e, por
isso, relativos e não universais → um
problema social será um rótulo colocado
a determinada situação
Relativismo cultural
(…) para dormir os japoneses deitam a cabeça em duro cepo. No Japão considerase delicado julgar os homens mais velhos do que parecem (…). (…) O homem retira
também do meio as atitudes afectivas típicas. Entre os Maoris, onde se chora à
vontade , as lágrimas correm só no regresso do viajante e não à sua partida. (…) A
piedade para com os velhos varia consoante os lugares e as condições económicosociais: alguns índios da Califórnia estrangulam-nos, outros abandonam-nos nas
estradas. Nas ilhas Fiji os indígenas enterram-nos vivos. O respeito pelos pais sofre
igualmente flutuações geográficas. O pai conserva o direito de vida e de morte em
certos lugares do Togo, dos Camarões (…). Entre os Esquimós o casamento faz-se
por compra. Nos Urabima da Austrália um homem pode ter esposas secundárias que
são as esposas principais de outros homens. No Ceilão reina a poliandria fraternal: o
irmão mais velho casa-se e os mais novos mantêm relações com a cunhada. A
proibição do incesto encontra-se em todas as sociedades, mas não há duas que o
definam da mesma maneira e lhe fixem de modo idêntico as determinações
exclusivas. O amor e os cuidados da mãe pelos filhos desaparecem nas ilhas do
estreito de Torres nas ilhas Andaman, em que o filho ou a filha são oferecidos de
boa vontade aos hóspedes da família, como presentes, ou aos vizinhos, em sinal de
amizade. (…) entre os Mundugumor as mães odeiam os filhos, têm horror de os
alimentar e mostram a sua hostilidade até no modo de os conduzir sem os segurar,
deixando-os agarrar ao seu pescoço e cair, como podem, para as costas. (…)
Lucien Malson (1988) As Crianças Selvagens. Mito e Realidade, Porto: Livraria Civilização-Editora.
O Processo de institucionalização do problema social
• Faz-se em três dimensões:
- Uma dimensão mediática
- Uma dimensão associativa
- Uma dimensão política (partidária, governativa e
legislativa)
A censura no Estado Novo
8. É expressamente proibida a narração circunstanciada por
qualquer forma gráfica de publicidade de casos de
vadiagem, mendicidade, libertinagem e crime ou suicídio,
cometidos por menores de 18 anos, bem como de
julgamentos em que sejam réus.
(…)
O relato de crimes ou do respectivo julgamento deve ser
dado em páginas interiores e nunca com excessivo relevo.
O mesmo se observará com notícias de suicídios no país
ou no estrangeiro.
Instruções sobre a Censura à Imprensa
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