Partidos do «centro/direita» reunidos nas Canárias

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Partidos do «centro/direita» reunidos nas Canárias
Relacionam fraude eleitoral em África com imigração na Europa
“Nós os africanos, no encontro das Canárias, fizemos ver aos
nossos parceiros europeus, o quão a Europa, como maior
financiador do continente africano, era um dos principais culpados
do fenómeno imigração que atinge aquele continente. É que os
europeus, como principais doadores, são eles que alimentam
regimes corruptos e ditaduras que resultam na falta de Justiça,
falta de respeito pelos Direitos Humanos, corrupção, e outros
males que fazem os africanos optarem por fugir dos seus países à
busca de paz e boa vida. É preciso uma mensagem muito forte dos
doadores para se por termo à fraude”, Afonso Dhlakama
Maputo (Canal de Moçambique) – Os partidos de «centro/direita» europeus associados em torno
do «IDC» (organização internacional que congrega partidos da direita e centro) decidiram a
semana passada fazerem «lobby» junto da União Europeia para que no futuro o financiamento de
eleições nos países africanos seja condicionado à demonstração pelo respectivo país de que o
processo será transparente, disse Afonso Dhlakama à comunicação social, à sua chegada a
Maputo proveniente das Ilhas Canárias (Espanha) onde participou na reunião do «IDC»,
organização de que é vice-presidente.
Segundo Dhlakama, o «IDC» chegou a essa conclusão após análise do crescente e preocupante
problema de imigração na Europa, protagonizado, também por cidadãos de países africanos. De
acordo com o líder da Renamo o IDC constatou que o maior problema – fora as razões sócioeconómicas – que instiga os africanos a emigrar de África para outros continentes designadamente
para a Europa é o défice de democracia e direitos humanos nos seus respectivos países.
“Os regimes ditatoriais em África sustentam os seus regimes através de fraude eleitoral”, refere
Afonso Dhlakama. Adianta que por isso, ao nível da cimeira da IDC nas Canárias “chegámos à
conclusão de que combater a fraude é o principal meio para a promoção da Democracia e respeito
pelos Direitos Humanos, para que se crie uma melhor e mais justa distribuição da riqueza
nacional, e, assim diminuir com o desejo ou necessidade de emigrar”.
“Não há quem não goste da sua casa, sua terra! Se alguém imigra, deixando para trás os seus, é
porque tem razões fortes para fazê-lo. Se alguém foge do seu país é porque algo não está lá bem.
Quem tem boa vida, raramente emigra”, afirma Afonso Dhlakama.
“Nós os africanos, no encontro das Canárias fizemos ver aos nossos parceiros europeus, o quão a
Europa, como maior financiador do continente africano, era um dos principais culpados do
fenómeno imigração que atinge aquele continente. É que os europeus, como principais doadores,
são eles que alimentam regimes corruptos e ditaduras que resultam na falta de Justiça, falta de
respeito pelos Direitos Humanos, corrupção, e outros males que fazem os africanos optarem por
fugir dos seus países à busca de paz e boa vida”, disse e acrescentou: “É preciso uma mensagem
muito forte dos doadores para se por termo à fraude”.
Dhlakama vs Salomão Moyana
A última edição do semanário «Zambeze» traz um “Editorial” crítico à actuação de Afonso
Dhlakama, a quem caracteriza como pouco actuante, entanto que líder da oposição, e na
sociedade moçambicana.
Reagindo ao editorial assinado por Salomão Moyana e director do semanário «Zambeze», o
presidente da RENAMO diz: “não sei se é preciso pegar em armas e voltar para guerra para que o
Salomão Moyana veja que estamos a trabalhar”.
“O problema de Moyana é que se ele nos propõe algo que nós não acolhemos, sempre nos tem
atacado. Ele não pode andar a dar instruções ao partido e exigir que as sigamos
incondicionalmente”, afirmaria Afonso Dhlakama.
O líder da Renamo acrescentaria: “Nós respeitamos o ponto de vista do «Zambeze». Isso é
liberdade de expressão. Se não fosse isso poderíamos pensar em boicotar o «Zambeze». Temos
capacidade para mobilizar os nossos eleitores para boicotar esse jornal. Mas nós não queremos
fazer isso porque acreditamos que isso é o custo da Democracia. O que não podemos tolerar é que
os jornais, nos dêem instruções e nos obriguem que as acatemos incondicionalmente”.
(João Chamusse) – CANAL DE MOÇAMBIQUE – 11.12.2006
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