006 1001 Discos BR 50s . 5/29/07 2:57 PM Page 20 5/29/07 2:57 PM Page 21 . • Fidel Castro se torna presidente de Cuba • O Havaí passa a ser o 50o estado dos Estados Unidos • Hitler é oficialmente declarado morto • O primeiro satélite é lançado • O bambolê é inventado Anos 1950 006 1001 Discos BR 50s 006 1001 Discos BR 50s 5/29/07 2:57 PM Page 22 . Frank Sinatra | In The Wee Small Hours (1955) Selo | Capitol Produção | Voyle Gilmore Projeto gráfico| Tommy Steele Nacionalidade | EUA Duração | 50:25 No início dos anos 50, Frank Sinatra estava acabado – incapaz de conseguir um contrato regular com uma casa noturna, quanto mais com uma gravadora. Seu salvador chegou bem a tempo. Alan Livingston, vice-presidente de A&R (artist and repertoir) da Capitol Records e fã de Sinatra, o contratou por sete anos em 14 de março de 1953, contrariando o conselho de seus colegas. O Oscar que Sinatra recebeu, no mesmo ano, por A Um Passo da Eternidade comprovou a clarividência de Livingston. O prêmio também deu ao cantor uma segunda chance, que ele agarrou com unhas e dentes em Songs For Young Lovers e Swing Easy. Ambos são grandes discos, mas viraram um marco por terem Lista de músicas apresentado Sinatra – inicialmente, contra sua vontade – a um jovem arranjador chamado Nelson Riddle. In The Wee Small Hours foi lançado pouco depois de o romance entre Sinatra e Ava Gardner ter terminado, e esse rompimento talvez tenha tornado este o melhor álbum de todos os tempos 01 In The Wee Small Hours Of The Morning (Hilliard•Mann) 02 3:00 Mood Indigo (Bigard•Ellington•Mills) 3:30 03 Glad To Be Unhappy (Hart•Rodgers) 2:35 sobre o tema da separação.O Sinatra do imaginário popular,aquele 04 I Get Along Without You Very Well (Carmichael) 3:42 sujeito meio malandro,sempre com uma piada na ponta da língua, 05 Deep In A Dream (De Lange•Van Heusen) 2:49 não aparece aqui – ele é um homem, apenas. Os vendedores de 06 I See Your Face Before Me (Dietz•Schwartz) 3:24 discos que costumavam colocar Sinatra na prateleira de easy 07 Can’t We Be Friends? (James•Swift) 2:48 08 When Your Lover Has Gone (Swan) 3:10 listening certamente nunca o tinham ouvido cantar as confissões de bêbado de “Can’t We Be Friends?”, e muito menos suplicar como em “What Is This Thing Called Love”, de Cole Porter. E “Mood Indigo”, de Duke Ellington,nunca havia soado tão melancólica. Riddle enquadra essa amargura toda em arranjos delicados naquele que hoje é considerado o primeiro disco em que a parceria realmente funcionou. Outros se seguiriam, embora num novo formato, exótico para a época. Inicialmente lançado em dois discos de 10 polegadas, In The Wee Small Hours foi logo depois reeditado em 12 polegadas, antecipando, sem querer, a era do LP. WF-J 22 | 23 Anos 1950 09 What Is This Thing Called Love (Porter) 10 Last Night When We Were Young (Arlen•Harburg) 11 I’ll Be Around (Wilder) 12 Ill Wind (Arlen•Koehler) 2:35 3:17 2:59 3:46 13 It Never Entered My Mind (Hart•Rodgers) 2:42 14 Dancing On The Ceiling (Hart•Rodgers) 2:57 15 I’ll Never Be The Same (Kahn•Malneck) 3:05 16 This Love Of Mine (Parker•Sanicola•Sinatra) 3:33 006 1001 Discos BR 50s 5/29/07 2:57 PM Page 23 . 006 1001 Discos BR 50s 5/29/07 2:57 PM Page 24 . Elvis Presley | Elvis Presley (1956) Selo | RCA Produção | Não consta Projeto gráfico| William V. Robertson Nacionalidade | EUA Duração | 28:42 Não é nenhuma jóia rara. De fato, quando tocado para os ouvidos do século 21, habituados à arte e à técnica da produção de um bom álbum, o primeiro LP de Elvis Presley mostra-se frustrante e inconsistente. O repertório, montado a partir de várias sessões, é composto por sete faixas registradas no início de 1956 – às vésperas do lançamento do álbum, em 13 de março – e cinco que eram, virtualmente, sobras da Sun Records, de 1954 e 1955, gravadas antes do contrato de Elvis com a RCA. O vocal bem trabalhado de “I’ll Never Let You Go (Little Girl)”, uma das heranças da Sun, chega tinha uma imagem pública que pudesse ser imitada. Uma curio- “Cara, eu era um bobo comparado com as coisas que fazem agora.” sidade é que,embora todo relançamento em CD inclua “Heartbreak Elvis Presley, 1972 ao limite da autoparódia: naquela época, por ironia, Elvis não Hotel” – a música que catapultou o garoto de 21 anos da celebridade local em Memphis à fama mundial em algumas semanas –, essa faixa não consta do disco original. Lista de músicas No entanto, o álbum tem magia, e muita; revoluções já aconteceram por menos do que isso. O gospel branco de “I’m Counting On You” e o ressoar nervoso de “I Got A Woman”, de Ray Charles, formam uma seqüência forte logo no início; perto do 01 Blue Suede Shoes (Perkins) 02 03 2:00 I’m Counting On You (Robertson) 2:25 I Got A Woman (Charles) 2:25 fim, encontra-se a versão definitivamente solitária de “Blue 04 One-Sided Love Affair (Campbell) 2:11 Moon”. Mas a faixa que se destaca é a impressionante “Trying To 05 I Love You Because (Payne) 2:43 Get To You”, que coloca Presley um patamar acima de um menino 06 Just Because (Robin•B. Shelton•J. Shelton) 2:34 da roça, a caminho de virar uma estrela. É uma gravação 07 Tutti Frutti (LaBostrie•Penniman) inesquecível. A capa é também inesquecível. A foto, creditada a William V. “Red” Robertson e tirada em 31 de julho de 1955, num show em Tampa, na Flórida, é uma das mais simbólicas do cantor. O The Clash concordou, subvertendo a imagem para a capa de London’s Calling,de 1979. WF-J 24 | 25 Anos 1950 08 Trying To Get To You (McCoy•Singleton) 1:59 2:31 09 I’m Gonna Sit Right Down (And Cry Over You) (Biggs•Thomas) 2:01 10 I’ll Never Let You Go (Little Darlin’) (Wakely) 2:24 11 Blue Moon (Hart•Rodgers) 12 Money Honey (Stone) 2:40 2:36 006 1001 Discos BR 50s 5/29/07 2:57 PM Page 25 . 006 1001 Discos BR 50s 5/29/07 2:57 PM Page 26 . The Louvin Brothers | Tragic Songs Of Life (1956) Selo | Capitol Produção | Ken Nelson Projeto gráfico| Não consta Nacionalidade | EUA Duração | 35:58 Não é preciso ser maluco, assassino, bêbado, compulsivo, solitário, intratável ou melancólico para cantar música country... mas ajuda. Ira Louvin não era tudo isso, mas possuía algumas dessas características. Surgidos na década de 40, Charlie e Ira Louvin se encaixaram perfeitamente na tradição country da dupla de irmãos harmoniosos – seguindo os passos dos The Delmore Brothers e servindo de modelo aos The Everly Brothers. Este primeiro álbum dos Louvins é uma das pedras fundamentais do country. A voz de barítono de Charlie e o tenor alto de Ira dialogam e se fundem num estilo alegre e gracioso. É o melhor do bluegrass tirado do fundo do coração. A capa mais conhecida do disco mostra Charlie e Ira superpostos à imagem de uma loura triste, segurando uma carta “A palavra ‘tolerante’se soletra: p-e-c-a-d-o.” The Louvin Brothers, 1952 amassada, como numa fotonovela barata. Essa ilustração foi feita para lançamentos posteriores e romantiza a verdade.De fato,para Ira e Charlie, essas músicas sobre pecado e fraqueza, tragédia e tentação eram muito reais.Nada neles era intencional ou kitsch. Porém, foi a tendência autodestrutiva de Ira que emprestou à dupla o viés cortante. Charlie era uma pessoa estável, mas o Lista de músicas 01 Kentucky (Davis) 2:39 irmão bebia muito, era mulherengo e propenso a explosões 02 I’ll Be All Smiles Tonight (Carter) 3:14 violentas. Em 1963, Charlie se cansou disso e decidiu seguir 03 Let Her Go God Bless Her (Trad. ) 2:55 carreira solo. Ira sobreviveu mais do que se supunha – mesmo 04 What Is Home Without Love (Trad. ) 3:00 tendo levado um tiro de sua terceira mulher, Faye –, mas, em 05 A Tiny Broken Heart (Hill•C. Louvin•I. Louvin) 2:34 1965, acabou morrendo (ao lado da noiva) num acidente de carro no Missouri. Alguns anos mais tarde, Gram Parsons fez renascer o interesse na música dos irmãos e, desde então, o mito dos Louvins continua a crescer. RF 06 In The Pines (Riggs) 07 08 Alabama (Hill•C. Louvin•I. Louvin) Katie Dear (Bolick) 09 My Brother’s Will (Nelson) 10 11 Knoxville Girl (Trad. ) 2:34 3:16 3:49 Take The News To Mother (Callahan•Caloway) 2:48 12 Mary Of The Wild Moor (Turner) 26 | 27 Anos 1950 3:15 2:43 3:11 006 1001 Discos BR 50s 5/29/07 2:57 PM Page 27 . Louis Prima | The Wildest! (1956) Selo | Capitol Produção | Voyle Gilmore Projeto gráfico| Não consta Nacionalidade | EUA Duração | 32:00 Cantor e trompetista popular nos clubes nas décadas de 30 e 40, inicialmente em sua terra natal, Nova Orleans, depois em Nova York, Prima se viu sem trabalho em 1954. Acompanhado de sua nova mulher e companheira de palco, Keely Smith – ele, um desgastado homem de 43 anos; ela, em seus inocentes 22 –, ele conseguiu de favor umas apresentações no lounge do Sahara, em Las Vegas, e contratou o jovem saxofonista de Nova Orleans, Sam Butter, para liderar a banda. O sucesso foi imediato; essa brilhante meia hora, gravada ao vivo no estúdio em abril de 1956, foi a cereja no bolo. apenas uma imitação italianizada de Louis Armstrong, talvez “Já fiz discos de sucesso,mas não gostei de nenhum (...). Mas este é diferente.” pelos três sucessos de Satchmo aqui incluídos:“You Rascal You” e Louis Prima, 2002 Os apaixonados pelo jazz muitas vezes consideram Prima um medley unindo a contida “Basin Street Blues” e a anti-soporífera “When It’s Sleepy Time Down South”. Mas esta não é a questão: a música de Prima é simplesmente irreprimível e combina totalmente com sua alegria gloriosa na foto de capa. Ele está radiante, cheio de gás e irresistível, sacudindo a banda em “Oh Marie”, com Smith num delicioso e bem amarrado contraponto. Lista de músicas 01 Medley: Just A Gigolo—I Ain’t Got Nobody (Brammier•Caesar•Casucci•Graham•Williams) 4:42 Butera e seus colegas, enquanto isso, envolvem os dois em um 02 (Nothing’s Too Good) For My Baby (Budston•Falcon) 2:36 dos mais fervilhantes jump-jives já gravados. Esse som é 03 The Lip (Klages•Knight) 2:15 constantemente imitado, como na versão de Brian Setzer de 04 Body And Soul (Eyton•Green•Heyman•Sour) “Jump, Jive, An’ Wail” para um comercial da GAP. Butera, que teve seus arranjos originais apropriados pelo anúncio, se queixou de ter ganho três pares de calças em troca do privilégio. Prima morreu em 1978, mas o seu legado continua vivo através de sua filha Lena – que se apresentou recentemente no Sahara – e da dublagem “jive” do orangotango Rei Louie, do desenho Mogli, O Menino Lobo, seu último trabalho. Na verdade, Prima era o rei dos swingers. WF-J 05 Oh Marie (Dicapua, arr. Prima) 06 Medley: Basin Street Blues — When It’s Sleepy Time Down South (L. Rene•O. Rene•Williams) 07 08 Jump, Jive, An’ Wail (Prima) Buona Sera (De Rose•Sigman) 3:22 2:25 4:12 3:28 2:58 09 Night Train (Forrest) 2:46 10 (I’ll Be Glad When You’re Dead) You Rascal You (Theard) 3:13 Anos 1950 26 | 27 006 1001 Discos BR 50s 5/29/07 2:57 PM Page 28 . Fats Domino | This Is Fats (1956) Selo | Imperial Produção | Dave Bartholomew Projeto gráfico| Não consta Nacionalidade | EUA Duração | 27:11 Seis anos antes de Bill Haley gravar “Rock Around The Clock”, o jovem Antoine “Fats” Domino, aos 21 anos, escreveu a cançãobase do rock ’n’ roll,“The Fat Man”, em 1949. A partir do sucesso desse single de estréia, que vendeu um milhão de cópias, o vocalista e pianista nascido em Nova Orleans compôs mais hits do que qualquer outro da era do rock dos anos 50, à exceção de Elvis Presley, incluindo uma impressionante série de 39 singles que ocuparam os primeiros lugares das paradas, entre 1954 e 1962. Ao vender algo em torno de 65 milhões de discos naquela ponte entre o R&B e o rock – embora Little Richard possa dispu- “Minha maior ambição é obedecer aos Dez Mandamentos.” tar o título. O que está fora de discussão é a influência exercida Fats Domino, 2002 década, Domino foi, sem dúvida, o responsável por fazer uma por seu trabalho nos anos 50, que se espalhou por toda a música pop, atingindo de Pat Boone aos Beatles. This Is Fats, o terceiro álbum do cantor pela Imperial, foi lançado no auge da carreira de Domino e tornou-se o mais poderoso retrato de sua genialidade, graças a maravilhas do boogiewoogie como “Blue Monday” e “Honey Chile” e a obras-primas da tristeza como “So Long”e “Poor, Poor Me”. A triunfante “Blueberry Hill”, que abre o álbum, foi um sucesso de Glenn Miller em 1940, mas, apesar de seu charme e calor, a música acabou sendo surpreendentemente difícil de gravar. Lista de músicas 01 02 Blueberry Hill (Lewis•Rose•Stock) 2:21 Honey Chile (Bartholomew•Domino) 1:48 03 What’s The Reason (I’m Not Pleasing You?) 04 05 (Grier•Hatch•Poe•Tomlin) 2:03 Blue Monday (Bartholomew•Domino) 2:18 So Long (Bartholomew•Domino) 2:13 Ninguém conseguia achar a partitura e Domino esquecia o tem- 06 La-La (Bartholomew•Domino) 2:15 po inteiro a sua parte. Não foi possível completar sequer um take 07 Troubles Of My Own (Bartholomew•Domino) 2:15 e o estúdio teve de emendar o material gravado. O resultado do 08 You Done Me Wrong (Domino) 2:05 esforço foi um single que chegou ao primeiro lugar das paradas 09 Reelin’ And Rockin’ (Domino•Young) 2:20 de R&B nos Estados Unidos e ao segundo lugar nas de pop – a 10 The Fat Man’s Hop (Domino•Young) 2:26 melhor colocação de Domino nessa categoria. JiH 11 2:11 Poor, Poor Me (Domino) 12 Trust In Me (Domino•Jarrett) 28 | 29 Anos 1950 2:50 006 1001 Discos BR 50s 5/29/07 2:57 PM Page 29 . 006 1001 Discos BR 50s 5/29/07 2:57 PM Page 30 . Duke Ellington Ellington At Newport 1956 (1956) Selo | Columbia Produção | George Avakian Projeto gráfico| Não consta Nacionalidade | EUA Duração | 44:00 Frank Sinatra Songs For Swingin’ Lovers! (1956) Selo | Capitol Produção | Voyle Gilmore Projeto gráfico| Não consta Nacionalidade | EUA Duração | 45:00 Depois de um período de estagnação,quando as bandas de swing Em meados dos anos 50, Frank Sinatra estava de volta ao auge saíram de moda, a popularidade de Duke Ellington recrudesceu não apenas de seu talento, mas das paradas, desmentindo a com sua apresentação no Festival de Jazz de Newport, em julho máxima de F. Scott Fitzgerald: “Não existe uma segunda chance de 1956. É irônico que o disco lançado apressadamente pela para os americanos.” No final de 1955, novamente com Nelson Columbia para capitalizar o sucesso do show não tenha sido Riddle, Sinatra planejou um disco com um sabor diferente. gravado realmente em Newport. O que surgiu dessas sessões, realizadas um mês depois de o Quando souberam que a gravação no festival não havia cantor completar 40 anos, foi o oposto do trabalho anterior. ficado boa, os executivos da Columbia enviaram Ellington a um Comparado com The Wee Small Hours e seu clima de bêbado- estúdio em Nova York para refazer a apresentação, na segunda- num-bar-às-duas-da-manhã, o eufórico Songs For Swingin’ Lo- feira após o show. O álbum é, portanto, uma colcha de retalhos vers! parece um passeio numa tarde ensolarada de domingo, dos registros ao vivo e em estúdio, e de aplausos gravados. E se literalmente transbordando de joie de vivre. Sinatra está à vonta- tornou o maior sucesso de vendas da carreira de Duke. de como nunca, ágil em “You Make Me Feel So Young”, cantando Um relançamento brilhante, em 1999, finalmente consertou “How About You?” como se estivesse pedindo alguém em as coisas. O disco original foi mantido, mas, graças a um casamento ou piscando o olho, daquele seu jeito, em “Makin’ complicado trabalho de pós-produção, utilizando os masters do Whoopee”. Mas nada disso teria valor sem a gloriosa orquestra- álbum de 1956 e uma gravação de rádio há anos considerada ção de Riddle. Reza a lenda que seu insuperável arranjo para “I’ve perdida, o show completo foi recuperado e, por fim, é possível Got You Under My Skin”, terminado às pressas na noite anterior à entender por que causou tanto impacto. As três partes da suíte gravação, foi espontaneamente aplaudido pelos músicos duran- do Festival de Jazz de Newport – algo tão novo que, segundo te a sessão, em 12 de janeiro de 1956. Ellington, “nem tivemos tempo de dar um nome à música” – Este álbum talvez chegue perto de ser o grande songbook apresentam os sons agudos típicos do trompete de Cat Ander- americano. No entanto, os estudiosos mais atentos da música son. Mas a fama do show e do álbum se deve ao blues eferves- pop podem reparar que há uma simetria nas 15 faixas que cente de “Diminuendo And Crescendo In Blues” e, mais cravam os 45 minutos do disco. A arte de fazer canções de três especificamente, aos inacreditáveis 27 refrões que o saxofonista minutos começa e termina ali. WF-J Paul Gonsalves transformou em um dos solos mais celebrados da história do jazz. WF-J 30 | 31 Anos 1950 006 1001 Discos BR 50s 5/29/07 2:57 PM Page 31 . The Crickets The “Chirping” Crickets (1957) Selo | Brunswick Produção | Norman Petty Projeto gráfico| Não consta Nacionalidade | EUA Duração | 25:59 Count Basie The Atomic Mr. Basie (1957) Selo | Roulette Produção | Teddy Reig Projeto gráfico| Não consta Nacionalidade | EUA Duração | 39:30 É surpreendente que este marco da história do rock dure menos Em 1957, os melhores dias do grupo de Bill Basie, formado em de meia hora. Isso prova as virtudes da concisão – 12 grandes 1930, haviam ficado duas décadas para atrás; as mudanças nos músicas, muitas familiares a qualquer museólogo do pop, e gostos musicais o haviam forçado a desistir de sua big band por nenhuma que chegue perto dos mágicos três minutos de uns tempos, no início dos anos 50. Felizmente, foi a última vez que duração. ficou sem uma banda. Tudo o que Basie precisava, ele descobriu, Buddy Holly formou a banda com um colega de escola, o era de um pouco de sangue novo, que encontrou nas veias do baterista Jerry Allison. O misto de rockabilly, blues, R&B e uma jovem arranjador Neal Hefti. Apenas cinco anos depois de seu profunda sensibilidade pop firmou os The Crickets na vanguarda primeiro trabalho para o grupo,Hefti foi chamado para orquestrar do primeiro fluxo do rock ’n’ roll. Este álbum de estréia (o único todo o disco que Basie lançaria por seu novo selo,Roulette. LP de Holly lançado em vida) inclui seus três primeiros clássicos, “Nunca me gabei de nada”, escreveu Basie, sempre modesto, assim como duas músicas escritas em parceria com Roy Orbison. em sua autobiografia,“mas poderia ter me gabado dessa banda”. Muitos aspirantes a guitarrista se esforçaram para imitar a Estava certo. lmpulsionados pelo saxofonista Eddie “Lockjaw” introdução de “That’ll Be The Day” – o título, dado por Holly, é Davis e um naipe estelar de trompetes liderados por Thad Jones, uma expressão usada por John Wayne no filme Rastros de Ódio, os 12 instrumentos de metal alternam fogo (“Whirly-Bird”) e gelo de 1956. (“After Supper”) e dão um efeito efervescente às 11 músicas O talento pioneiro de Holly para cantar e compor in- compostas por Hefti. Mas, como sempre acontece com Basie, o fluenciaria tremendamente outros artistas posteriores, como os melhor do disco está na seção rítmica: o baixista Eddie Jones, o Beatles e os Rolling Stones. Não há muitas músicas creditadas a baterista Sonny Payne, o guitarrista Freddie Green e o próprio Buddy Holly neste disco, porque, na realidade, ele assinava como Basie no piano, com seu típico estilo econômico, levam o swing Charles Hardin – seu nome verdadeiro era Charles Hardin até músicas suaves como “Li’l Darlin’”. Holley. Foi o último disco genial de Basie. Em meados da década de Há que se destacar também as versões de músicas de Chuck 60, ele já havia se acomodado à confortável posição de um dos Willis e Lloyd Price. Acusações póstumas de que Holly seria mais queridos da velha-guarda do jazz, papel que desem- racista são discutíveis. JT penharia até sua morte, em 1984. Hefti, enquanto isso, se livrou do jazz em prol de Hollywood, ficando famoso por suas trilhas sonoras para Batman e Um Estranho Casal. WF-J Anos 1950 30 | 31 006 1001 Discos BR 50s 5/29/07 2:57 PM Page 32 . Thelonious Monk | Brilliant Corners (1957) Selo | Riverside Produção | Orrin Keepnews Projeto gráfico| Paul Bacon Nacionalidade | EUA Duração | 43:08 Um dos mais reverenciados compositores do século 20, sem falar em sua influência universal como pianista, Thelonious Sphere Monk ocupava, porém, uma inexplicável posição marginal em 1957. Depois de ter exercido um papel fundamental na criação do bebop no clube Minton, no Harlem, em meados da década de 40, e de ter contribuído com vários clássicos para o cânone do jazz, ele acabou afastado dos jazz clubs de Manhattan por conta de uma falsa condenação por porte de drogas, e sua gravadora perdeu o interesse em seu trabalho. Monk ficou, então, fora de cena durante os anos 50. Foi só quando Orrin Keepnews – a alma por trás do selo de indie jazz Riverside – o contratou que ele começou a ter o devido reconhecimento. Keepnews reapresentou Monk ao público do jazz com duas sessões de trio, a primeira em cima da obra de Ellington e a segunda, de standards do pop. Brilliant Corners marcou seu retorno como um compositor de primeira ordem, acompanhado “Não estava tentando fazer algo difícil de tocar. Apenas compus uma música que se encaixava no que eu estava pensando. Eu sabia que os músicos iam se esforçar, porque era realmente boa.” Thelonious Monk, 1965 do quinteto formado pelo sax tenor de Sonny Rollins, o sax alto de Ernie Henry (que morreu cedo e tragicamente), o baixo de Oscar Pettiford e a bateria de Max Roach (o trompetista Clark Terry e o baixista Paul Chambres substituem Henry e Pettiford em “Bemsha”). A faixa-título, de cair o queixo, foi a responsável pela necessidade de troca de músicos – era tão difícil que, depois de 25 tentativas, não havia um único take completo. A tensão é palpável na gravação, mesmo depois da edição feita por Keepnews, mas o resultado foi a primeira obra-prima dessa fase da carreira de Monk. Outros destaques são a suave melodia de “Pannonica”, escrita para a amiga e patronesse de Lista de músicas 01 Brilliant Corners (Monk) 02 Ba-Lue Bolivar Ba-Lues-Are (Monk) 03 Pannonica (Monk) 7:47 13:21 8:52 Monk, a baronesa “Nica” Koenigswarter, e sua versão solo de 04 I Surrender Dear (Barris•Clifford) 5:27 “I Surrender Dear”. AG 05 Bemsha Swing (Best•Monk) 7:41 32 | 33 Anos 1950 006 1001 Discos BR 50s 5/29/07 2:57 PM Page 33 . Sabu | Palo Congo (1957) Selo | Blue Note Produção | Alfred Lion Projeto gráfico| Reid Miles Nacionalidade | EUA Duração | 40:52 Chano Pozo revelou a batida da conga afro-cubana ao jazz quando tocava na orquestra de Dizzy Gillespie, no final dos anos 40. Dessa forma, ele abriu a porta para talentosos percussionistas como Louis “Sabu” Martinez, que o substituiu na banda de Gillespie depois da morte de Pozo, em 1948. Equipado com mãos e espírito poderosos, Sabu triunfou como músico de estúdio da Blue Note Records, trabalhando nos discos Orgy In Rhythm e Holiday For Skins, de Art Blakey, entre outros. Como músico principal em Palo Congo, ele deliciou o público com uma variedade de batidas, se valendo de sua herança espanhola, africana e indígena. A gravação, coordenada pelo engenheiro de som Rudy Van Gelder, capta a fúria da rumba cubana e estilos afins. Martinez convidou uma banda que incluía a tres (uma guitarra cubana “Comecei tocando latas nos quintais. Então, quando eu tinha 11 anos, entrei para um trio e tocava na Rua 125 por 25 cents, a cada três noites.” com três cordas duplas) do produtivo Arsenio Rodriguez, um pilar da salsa moderna, e Ray Romero, que havia tocado com Sabu Martinez, 1968 Miguelito Valdes. Os músicos, na maioria oriundos da banda de Rodriguez, interagem com Sabu numa calorosa gravação analógica, sem distorções. Apesar de ser mono, é tão bem equilibrada que permite se ouvir individualmente a percussão, as vozes e o baixo acústico. Sabu abre cantando “El Cumbanchero”, de Rafael Fernandez, uma melodia contagiante. A genialidade de Arsenio permeia “Rhapsodia Del Maravilloso”, na qual introduz variações de “El Manisero”. Sua tres tem um quê de soul e funk. O próprio Sabu faz solos potentes de percussão em Palo Congo, em meio a orações de santeria, num álbum que ilumina suas raízes como nova-iorquino residente no El Barrio, no Harlem espanhol. JCV Lista de músicas 01 02 El Cumbanchero (Hernandez) 5:38 Billumba-Palo Congo (Martinez) 03 Choferito-Plena (Rios) 6:06 4:02 04 Asabache (Martinez) 4:22 05 Simba (Martinez) 5:55 06 Rhapsodia Del Maravilloso (Martinez) 07 Aggo Elegua (Martinez) 08 Tribilin Cantore (Martinez) 4:39 4:28 5:19 Anos 1950 32 | 33 006 1001 Discos BR 50s 5/29/07 2:57 PM Page 34 . Miles Davis | Birth Of The Cool (1957) Selo | Capitol Produção | Pete Rugolo Projeto gráfico| Não consta Nacionalidade | EUA Duração | 37:56 Ano de 1949: saído de baixo das asas de Charlie “Bird” Parker e Dizzy Gillespie, Miles Davies, aos 24 anos, percebe que está perdendo tempo ao tentar replicar os vôos harmônicos vertiginosos de seus mentores de bebop. A solução: juntar um bom time de músicos de estúdio de Nova York e tentar reconstruir e desconstruir o vocabulário bebop num espaço novo de improvisação. E espaço, para Miles, é o lugar fundamental de criação nesta sua primeira sessão de jazz como líder de banda. Entrelaçando os tons surdos de seu trompete com os arranjos orquestrais urbanos ao gosto de Gil Evans, Gerry Mulligan e John Lewis, Miles dá forma a um harmônico cool jazz, que bebe tanto da música clássica européia como do hot jazz do bebop ou do ragtime. Seu solo de trompa, sem vibrato, na música de abertura,“Move”, abre o caminho para uma série de poemas em tom impressionista, uma resposta velada ao excesso de acordes “Sempre tive curiosidade de tentar coisas novas na música.” Miles Davis, 1962 do bebop. Mas é uma música cool com balanço: é só ouvir Miles interagindo com o leve sax alto de Lee Konitz em “Jeru”. O fotógrafo Aram Avakian capta com precisão o jogo entre a frieza controlada e o poder emocional concentrado na música de Miles na simbólica foto da capa do disco. Os críticos também identificaram a “quietude audaciosa” do álbum – o público, no entanto, não gostou. O estilo cool foi deixado de lado até sua ressurreição no revisionismo feito na Costa Oeste dos grupos de Lista de músicas 01 02 Move (Best) Jeru (Mulligan) 03 Moon Dreams (MacGregor•Mercer) 04 05 2:33 3:13 3:19 Venus De Milo (Mulligan) 3:13 Budo (Davis•Powell) 2:34 meados dos anos 50. E Miles? Ele levou sua música cool para o 06 Deception (Davis) 2:49 cinema, no filme Ascensor Para O Cadafalso (1957),de Louis Malle, 07 God Child (Wallington) 3:11 apurando esse estilo até chegar à sua obra-prima Kind Of Blue 08 Boplicity (Henry) 3:00 (1959), numa carreira voltada para a colaboração musical e a 09 Rocker (Mulligan) 3:06 renovação da linguagem. MK 10 Israel (Carisi) 2:18 11 3:15 Rouge (Lewis) 12 Darn That Dream (DeLange•Van Heusen) 34 | 35 Anos 1950 3:25 006 1001 Discos BR 50s 5/29/07 2:57 PM Page 35 . Machito | Kenya (1957) Selo | Roulette Jazz Produção | Ralph Seijo Projeto gráfico| Não consta Nacionalidade | EUA Duração | 35:46 Nos anos 40, Machito e a sua orquestra criaram uma onda de mambomania, misturando os ritmos afro-cubanos com o jazz americano. Frank Grillo, conhecido como Machito, cantava e tocava maracas, enquanto o diretor musical Mario Bauza coordenava o cruzamento entre o som das primeiras big bands e a estrutura musical cubana. Bauza sonhava há muito tempo em fazer uma big band latina, que fundisse o fogo das tradicionais orquestras cubanas que ele ouvia em Havana, quando criança, com o balanço de Duke Ellington, que conheceu no Harlem (aos 19 anos, Bauza chegou ao Harlem e começou a tocar sax e trompete nas bandas de Chick Webb, Don Redman e Cab Calloway). Este álbum, uma jóia pouco valorizada, traz audaciosas “Quem tem ritmo tem tudo. Sem ritmo, não se tem nada.” Mario Bauza, 1992 composições originais e arranjos de Bauza, René Hernandez, que toca piano no disco, Chano Pozo e AK Salim (um destacado compositor de jazz e arranjador). Os convidados especiais Cannonball Adderley, Doc Cheatham e Joe Newman acrescentam o seu talento como improvisadores em riffs elegantes ao longo de refrões curtos mas belos. Na faixa de abertura, “Wild Jungle”, fica claro por que os percussionistas eram tão excepcionais. José Mangual (bongô), Uba Nieto (címbalos), Candido Camero (conga) e Carlos “Patato” Valdes (conga) impulsionam as músicas. “Holiday” e “Blues À La Machito” fundem o blues e o swing, mostrando uma excepcional coesão e interação da orquestra. “Tin Tin Deo” é uma vibrante versão do clássico do jazz latino composto por Pozo. A Machito Orchestra estabeleceu os marcos do que o jazz latino poderia ser. Seu disco mais fortemente inspirado nos ritmos africanos, Kenya, que é todo instrumental, atingiu o auge da musicalidade do grupo. JCV Lista de músicas 01 Wild Jungle (Bauza•Hernandez) 02 Congo Mulence (Salim) 03 2:55 Kenya (Bauza•Hernandez) 3:26 04 Oyeme (Salim) 05 06 3:11 Holiday (Bauza•Hernandez) 2:46 Cannonology (Salim) 2:29 07 Frenzy (Bauza•Hernandez) 08 2:40 Blues À La Machito (Salim) 3:01 09 Conversation (Bauza•Hernandez) 10 11 2:46 2:55 Tin Tin Deo (Pozo) 2:55 Minor Rama (Salim) 3:01 12 Tururato (Salim) 3:10 Anos 1950 34 | 35 006 1001 Discos BR 50s 5/29/07 2:57 PM Page 36 . Little Richard Here’s Little Richard (1957) Selo | Specialty Produção | Bumps Blackwell Projeto gráfico| Thadd Roark Nacionalidade | EUA Duração | 27:31 “A-wop-bop-a-Ioo-bop-a-Iop-bam-boom... tutti frutti, oh rootie!!” No verão de 1955, o rock ’n’ roll explodiu em toda parte, e Fats Domino, Ray Charles, Chuck Berry e Bo Diddly emplacavam um sucesso atrás do outro nas paradas. Ansioso para surfar nessa onda, Art Rupe, da Specialty Records, pediu a seu caçador de talentos, Bumps Blackwell, que encontrasse um novo Ray Charles. Sabendo onde procurar, Bumps rumou para o Sul e, no lendário Dew Drop Inn, em Nova Orleans, achou um cantor e pianista de jump blues extravagante (e assumidamente gay) chamado Little Richard Penniman. Pouco tempo depois, já tinha convencido Richard a gravar no pequeno estúdio de Cosimo Matassa, o J&M Studio, onde fizeram história. “Eu faria de tudo no palco.” Little Richard, década de 80 A palavra “transbordante” nem chega perto de descrever a energia irreverente, quase insana, gravada por Richard, Bumps, Cosimo e pelos músicos mais originais de Nova Orleans. “Tutti Frutti” começou a subir nas paradas no mês seguinte e foi seguida, em 1956, por “Long Tall Sally”, “Slippin’ And Slidin’”, “Ready Teddy” e “Jenny Jenny”. Essa série de músicas enlouquecedoras foi reunida em Here’s Little Richard, que ainda apresenta uma foto inesquecível de Richard na capa, em ação. Totalmente clássico, Here’s Little Richard é seu LP mais vendido. Pode ser difícil achá-lo em vinil, mas as músicas aparecem em vários CDs – o nome Specialty é a garantia de que se trata das gravações originais e não de versões inferiores feitas por Richard para muitos outros selos. Here’s Little Richard é a célula-tronco do rock ’n’ roll – a partir deste álbum (e de meia dúzia de outros incluídos neste livro) foi que o gênero floresceu. ML 36 | 37 Anos 1950 Lista de músicas 01 Tutti Frutti (LaBostrie•Lubin•Penniman) 2:24 02 True Fine Mama (Penniman) 2:41 03 Can’t Believe You Wanna Leave (Price) 2:23 04 Ready Teddy (Blackwell•Marascalco) 05 Baby (Penniman) 06 07 Slippin’ And Slidin’ (Bocage•Collins) Long Tall Sally (Blackwell•Marascalco•Penniman) 08 Miss Ann (Johnson•Penniman) 09 Oh Why? (Scott) 10 11 2:07 2:03 2:38 2:07 2:15 2:06 Rip It Up (Blackwell•Marascalco) 2:22 Jenny Jenny (Johnson•Penniman) 2:00 12 She’s Got It (Marascalco•Penniman) 2:25 006 1001 Discos BR 50s 5/29/07 2:57 PM Page 37 . Tito Puente And His Orchestra Dance Mania,vol.1 (1958) Selo | BMG Produção | Não consta Projeto gráfico| Não consta Nacionalidade | EUA Duração | 38:41 Quando Tito Puente morreu, em 2000, aos 77 anos, era conhecido pelas gerações mais novas como o autor de “Oye Como Va”, um clássico do rock/R&B regravado por Santana, e também por ter aparecido no episódio do final de temporada do desenho Os Simpsons. Mas, antes disso, o compositor, líder de banda e mestre dos címbalos, era o Rei do Mambo. E Dance Mania, seu disco mais vendido – e o primeiro que dedicou inteiramente à música para dançar –, mostra o porquê. Puente já tinha estado à frente de uma big band por mais de uma década quando foi a Nova York para gravar Dance Mania. Os amantes do jazz conheciam há tempos a síntese dançante que esse porto-riquenho-americano fazia dos ritmos afro-cubanos, dos princípios do jazz e das tradições musicais de seus ancestrais. Agora, o resto do mundo estava começando a entender sua música. Dance Mania também marcou a estréia do vocalista da banda de Puente, Santitod Colón, que, com sua voz sedutora, podia incendiar ou seduzir o público. “EI Cayuco”, a faixa de abertura, desliza pelas ruas dos subúrbios com um sincopado bem orquestrado, instigado pelo hipnótico trabalho de Puente nos címbalos e pelo toque destacado da trompa. Puente mostra seu talento de percussionista em várias outras faixas extraordinárias de estilos diversos: na instrumental “Hong Kong Mambo”, ele toca marimba como gosta, enquanto na majestosa “Estoy Lista de músicas 01 03 2:33 3:18 3-D Mambo (Mambo Jazz Instrumental) (Santos) 2:23 04 Llegó Miján (Son Montuno) (Puente) 3:10 05 Cuando Te Vea (Guaguanco) (Puente) 4:10 06 Hong Kong Mambo (Puente) 3:42 07 Mambo Gozón (Puente) 2:44 08 Mi Chiquita Quierre Bembé (Cha Cha Cha Bembé) (Puente) 3:55 09 Siempre Junto A Ti” enquadra toda a música em seu vibrafone fluido e, muitas vezes, contido. YK El Cayuco (Son Montuno) (Puente) 02 Complicación (Aguabella) 10 11 Varsity Drag (Mambo Jazz International) (Brown•DeSylva•Henderson) 2:48 Estoy Siempre Junto A Tí (Bolero) (Delgado) 3:10 Agua Limpia Todo (Guaguancó) (Aguabella) 12 Sacu Tu Mujer (Guaracha) (Puente) 2:55 3:02 Anos 1950 36 | 37 006 1001 Discos BR 50s 5/29/07 2:57 PM Page 38 . Billie Holiday | Lady In Satin (1958) Selo | Columbia Produção | Irving Townsend Projeto gráfico| Não consta Nacionalidade | EUA Duração | 39:10 Será que Lady In Satin é apenas um retrato voyeurista de uma artista em declínio ou um pedaço visceral da alma exposta de uma das mais talentosas cantoras de jazz? Admitindo qualquer uma dessas hipóteses, o fato é que o vigor das gravações da “Lady Day” para a Verve, em 1930, já ia de longe sendo substituído pela amargura de uma cantora lutando contra o sério vício em heroína. Holiday estava agora mais para uma senhora de 70 anos do que para uma estrela de 40 tentando aos poucos retomar a carreira, e o arranjador Ray Ellis não estava, a princípio, nada satisfeito com sua voz cheia de falhas. What Love Is” e “Glad To Be Unhappy” até sobrar apenas a emo- “Tenho que adaptar a melodia ao meu jeito de cantar.” ção, Holiday canaliza seu orgulho junkie para os blues mais Billie Holiday, 1939 No entanto, ao desnudar standards como “You Don’t Know sinceros já gravados. São canções-guia, diferentes de tudo que o jazz já havia cantado antes: o amor é pintado como loucura, desespero, resignação, com uma brutal honestidade. Não é surpresa que este seja o disco favorito de Holiday e tenha se tornado o testamento e o desejo final de um mito. Os arranjos de cordas “acetinados” de Ellis parecem querer expor as cicatrizes da voz de Holiday, mas, na verdade, acentuam sua habilidade singular para colocar swing em qualquer acompanhamento, mesmo os mais cafonas. Quando ela estica as Lista de músicas 01 02 For Heaven’s Sake (Bretton•Edwards•Meyer) 03 04 sílabas até um suspiro de reprovação em “I’m A Fool To Want You”, é como se estivesse perdida nas suas próprias freqüências do blues. Há algo de fascinantemente terrível neste álbum, tão hipnótico e angustiante como assistir a um viciado se drogando. Mas sem Lady In Satin não existiriam, nas décadas seguintes, divas como Nina Simone ou Janis Joplin, dispostas a abrir seu coração sem concessões. MK 38 | 39 Anos 1950 I’m A Fool To Want You (Herron•Sinatra•Wolf) 3:23 3:26 You Don’t Know What Love Is (Depaul•Raye) 3:48 I Get Along Without You Very Well (Carmichael) 2:59 05 For All We Know (Coots•Lewis) 2:53 06 Violets For Your Furs (Adair•Dennis) 3:24 07 08 You’ve Changed (Carey•Fisher) 3:17 It’s Easy To Remember (Hart•Rodgers) 4:01 09 But Beautiful (Burke•Van Heusen) 10 11 4:29 Glad To Be Unhappy (Hart•Rodgers) 4:07 I’ll Be Around (Wilder) 3:23 006 1001 Discos BR 50s 5/29/07 2:57 PM Page 39 . 006 1001 Discos BR 50s 5/29/07 2:57 PM Page 40 . Jack Elliott Jack Takes The Floor (1958) Sarah Vaughan Sarah Vaughan At Mister Kelly’s (1958) Selo | Topic Produção | Bill Leader • Dick Swettenham Projeto gráfico| Não consta Nacionalidade | EUA Duração | 31:45 Selo | EmArcy Produção | Bob Shad Projeto gráfico| Não consta Nacionalidade | EUA Duração | 37:00 Este disco é uma faísca no motor da música moderna. Jack Takes Sarah Vaughan já era uma das mais adoradas divas do jazz The Floor (mais tarde relançado com o nome de Muleskinner) foi quando fez uma temporada de uma semana no Mister Kelly’s, gravado sem formalidades na Topic Records, em Londres. Jack uma badalada casa noturna de Chicago, no verão de 1957. Ella inicia cada música com introduções lentas e oblíquas, e só isso já Fitzgerald se embrenhava cada vez mais no swing e Billie Holiday vale o preço do disco. Sua técnica na guitarra era uma aula para mergulhava no lirismo, e nenhuma cantora de jazz se comparava os “cantores de folk” que arranhavam as cordas na época, mas a Vaughan em sua voz impecável e suntuosa sonoridade. Uma também deixou marcas, mais adiante, na música popular em si. virtuose com total controle de diapasão, timbre e dinâmica, ela O álbum junta um panteão de fontes então pouco conhe- usava sua rica voz de contralto como uma trompa, embelezando cidas – como Jesse Fuller, Reverend Gary Davis, canções dos as melodias com uma imaginativa estrutura de composição, trabalhadores negros das fazendas e blues de penitenciária – e é típica dos melhores improvisadores instrumentais do jazz. incrivelmente afiado. A beleza crua e sem enfeites de “Dink’s Conhecida como “Sassy” por sua irreverência, Vaughan foi Song” e “Black Baby” continua arrepiante. “Mule Skinner’s Blues” uma peça-chave na criação do bebop, embora nem sempre e “San Francisco Bay Blues” se tornaram a marca registrada do receba esse crédito. Ela funcionava melhor quando acompa- trabalho de Elliott. nhada por poucos músicos e nunca cantou com um trio tão bom Jack tocava com freqüência com Woodie Guthrie nos anos quanto o que levou para o Mister Kelly’s, composto pelo subesti- 50. Depois de se instalar em Nova York, em 1951, ele conheceu mado pianista Jimmy Jones, o monstro do baixo Richard Davis e um rapaz no quarto de hospital de Guthrie que, mais tarde, o moderno baterista de jazz Roy Haynes, que fazia um contra- anunciaria seu primeiro show na cidade em cartazes dizendo: ponto perfeito para Vaughan com suas entradas peculiares e “Filho de Jack Elliott – Bob Dylan.” Em Chronicles, Dylan descreve luminosas. a primeira vez que ouviu este disco: “Parecia que eu tinha sido O CD Sarah Vaughan At Mister Kelly’s, lançado em 1991 pela jogado de repente no inferno... sua voz salta de todos os lados... e EmArcy, justifica plenamente as reedições. Contém o dobro de ele toca a guitarra sem esforço, num estilo limpo e perfeito...” músicas do original. Vaughan está inefável em “September In Paul McCartney, Mick Jagger e Keith Richards também The Rain” e sensual em “Honeysuckle Rose”. Quando esquece a reconheceram a influência de Jack. Uma pequena maravilha: este letra em “How High The Moon”, tem presença de espírito e ofe- álbum continua tão atraente como em 1958. SJar rece alguns improvisos em homenagem a Ella Fitzgerald. AG 40 | 41 Anos 1950 006 1001 Discos BR 50s 5/29/07 2:57 PM Page 41 . Ella Fitzgerald Sings The Gershwin Song Book (1959) Ray Charles The Genius Of Ray Charles (1959) Selo | Verve Produção | Norman Granz Projeto gráfico| Bernard Buffet Nacionalidade | EUA Duração | 194:10 Selo | Atlantic Produção | Nesuhi Ertegun Projeto gráfico | Marvin Israel Nacionalidade | EUA Duração | 37:58 Em 1946, Norman Granz colocou Ella Fitzgerald, então com 28 Durante os anos 50, Ray Charles não conseguia sentar ao piano anos, sob sua proteção, escalando a cantora para participar de sem inventar um novo estilo de música. Embora tenha se uma série de shows organizada por ele só com estrelas do jazz, tornado conhecido do mainstream (ou melhor, dos brancos) com conhecida como Jazz At The Philharmonic. No entanto, a fama de o sucesso comercial de “What’d I Say”, Charles era um veterano do Ella só se tornou incontestável quando Granz a contratou, pelo circuito de música negra dos EUA e havia desenvolvido ao longo seu selo Verve, para fazer uma coleção de álbuns com a obra dos do caminho uma fusão revolucionária de blues, jazz, R&B e melhores compositores americanos – entre eles Richard Rodgers gospel. Quando ele lançou o seu terceiro LP, a soul music já tinha e Duke Ellington. as digitais desse monstro sagrado. Se um pouco da malícia de Cole Porter se perdeu na A classificação dos gêneros musicais parecia fútil, portanto, interpretação de Ella Fitzgerald, e nem todas as músicas de quando Charles entrou no estúdio, no final de 1959. Na essência, Rodgers e Hart mereceram sua atenção, as melodias incompará- ele era um inventor dos sentidos. The Genius... começa com força, veis de Gershwin e o jeito à vontade de cantar da diva foram com uma apimentada série de seis músicas ao melhor estilo das feitos um para o outro. A terna “Oh, Lady, Be Good!” é uma big bands, da qual se destacam os metais elegantes e as linhas de revelação, uma interpretação próxima às aulas de scat que Ella baixo de “Let The Good Times Roll”e “Alexander’s Rag Time Band”. daria em seus shows durante anos; a lenta “Embraceable You” é, Com arranjos de Quincy Jones e acompanhamento de alguns da mesma forma, envolvente. Mas é nas músicas rápidas que ela dos integrantes das bandas de Count Basie e Duke Ellington, este brilha. O swing que Ella emprestava, sem esforço, a tudo o que disco tornou Charles responsável pela música mais bem elabo- cantava encontra o seu melhor em “Clap Yo’ Hands”, “Bidin’ My rada da época. Time” e na deliciosa “‘S Wonderful”; vale ouro o tempero que ela No lado B, Charles pegou um rumo mais sedutor, com uma acrescenta à contraposição boba de salsaparilla/sasparella dos série de baladas ancoradas por um naipe de cordas deslum- versos de Ira Gershwin em “Let’s Call The Whole Thing Off”. Riddle, brante e um coro de vozes de sereias. Seu domínio musical em no auge de sua criatividade depois de vários discos com Frank clássicos como “Just For A Thrill”e “Come Rain Or Come Shine”era Sinatra, mostra-se inspirado. Este álbum é o melhor da coleção admirável para alguém ainda na casa dos 20 anos, e marcou Song Book e apresenta a seleção definitiva da obra daquele que tanto sua vontade como sua capacidade de transcender os é, talvez, o compositor americano definitivo. WF-J gêneros sem esforço. MO Anos 1950 40 | 41 006 1001 Discos BR 50s 5/29/07 2:57 PM Page 42 . Miles Davis | Kind Of Blue (1959) Selo | Columbia Produção | Irving Townsend Projeto gráfico| Jay Maisel Nacionalidade | EUA Duração | 45:52 Às vezes, a badalação exagerada em cima de um álbum o sufoca. Adjetivos fáceis como “clássico”, “inovador” ou “marcante” são atribuídos por aí com muita facilidade e, em meio a isso, pode-se perder o verdadeiro valor do material original. Ainda bem que Kind Of Blue não precisa dessa advertência – trata-se de um momento que definiu um gênero musical do século 20 e ponto final. Davis tocava com o saxofonista John Coltrane desde 1955 e, nos anos seguintes, eles afiaram sua música até chegar a Kind Of Blue. Gravadas no estúdio da Columbia, na 30th Street, em Nova York, as cinco faixas ocuparam duas sessões de nove horas, um tempo notável para uma banda que nunca tinha visto as partituras antes – um truque usado com freqüência por Davis para fazer os músicos se concentrarem mais em suas performances. Ele também acreditava em poucos ensaios e,assim,conseguia levar os instrumentistas a uma brilhante espontaneidade. “Não ligo para o que os críticos falam de mim, seja bem ou mal. Eu sou o meu crítico mais exigente... sou vaidoso demais para tocar qualquer coisa que não considere boa.” Miles Davis, 1962 Desde a abertura em meio-tempo de “So What”, o álbum apresenta um leque variado de estilos, como a espantosa “Blue In Green”, com Wynton Kelly tocando piano suavemente para acompanhar os lamentos do trompete de Davis, e a languidez da espanholada “Flamenco Sketches”. A banda estava tão afinada que foram necessários apenas seis takes para gravar as cinco faixas – apenas “Flamenco Sketches”precisou de uma nova rodada. O álbum foi celebrado desde o lançamento. Mas nem Miles é infalível. Três faixas foram gravadas no tom errado (o que seria Lista de músicas 01 So What (Davis) consertado mais tarde, nos relançamentos). Como se alguém 02 Freddie Freeloader (Davis) tivesse notado. SJac 03 Blue In Green (Davis) 04 All Blues (Davis) 05 42 | 43 Anos 1950 Flamenco Sketches (Davis) 9:25 9:49 5:37 11:35 9:26 006 1001 Discos BR 50s 5/29/07 2:57 PM Page 43 . 006 1001 Discos BR 50s 5/29/07 2:57 PM Page 44 . Marty Robbins Gunfighter Ballads And Trail Songs (1959) Selo | CBS Produção | Don Law Projeto gráfico| Howard Fritzson Nacionalidade | EUA Duração | 35:53 Martin Robinson reclamou muitas vezes de sua infância infeliz. Uma coisa boa que ela lhe ensinou, porém, foi amar o Oeste americano. Robinson foi criado na empoeirada Glendale, no Arizona, e saía escondido do irmão, com quem trabalhava como tratador de cavalos, para ver os filmes de Gene Autry. Depois de vários sucessos comerciais durante os anos 50 (incluindo “Singing The Blues”, que chegou ao primeiro lugar nas paradas ao mesmo tempo na voz de Robinson e na versão de Guy Mitchell), e rebatizado como Robbins, ele resgatou a influência do western para lançar este disco, que quebrou padrões e estabeleceu novas referências. Gravado num único dia com uma banda pouco conhecida “Eu desprezo o trabalho honesto.” Marty Robbins, 1982 mas bem azeitada, Gunfighter Ballads And Trail Songs é uma homenagem ao Velho Oeste. Algumas faixas cantam histórias tradicionais, em particular “Billy The Kid” e “The Strawberry Roan”. O que destaca este disco são as quatro músicas escritas por Robbins, cantadas daquele seu jeito suave e inconfundível. “Big Lista de músicas 01 Big Iron (Robbins) 4:03 02 Cool Water (Nolan) 3:16 mitológico das telas de cinema, que foi apresentado a Robbins 03 Billy The Kid (Trad., arr. Robbins) 2:25 por seu avô, um patrulheiro do Texas, quando ainda era criança. 04 A Hundred And Sixty Acres (Kapp) 1:47 “El Paso” é a história, contada na primeira pessoa, de como 05 They’re Hanging Me Tonight (Lowe•Wolpert) 3:11 lron” é uma canção que evoca de forma maravilhosa o Oeste Robbins atirou num forasteiro numa disputa pelo amor de uma mexicana. Essa música ganhou o primeiro Grammy concedido a 06 07 The Strawberry Roan (Trad.) 3:30 El Paso (Robbins) 4:26 uma canção country; o LP serviu de modelo para um sem- 08 In The Valley (Robbins) 1:53 número de álbuns country lançados depois. 09 The Master’s Call (Robbins) 3:13 10 Running Gun (J. Glaser•T. Glaser) 2:17 também como ator, apresentador de TV, escritor (lançou o livro 11 2:32 The Small Man) e piloto de stock-car. WF-J 12 Utah Carol (Trad.) Robbins continuou a fazer sucesso: nas paradas, claro, mas 44 | 45 Anos 1950 The Little Green Valley (Robinson) 3:18 006 1001 Discos BR 50s 5/29/07 2:57 PM Page 45 . The Dave Brubeck Quartet Time Out (1959) Selo | Columbia Produção | Teo Macero Projeto gráfico| Não consta Nacionalidade | EUA Duração | 38:21 A última coisa que Dave Brubeck esperava quando entrou no estúdio, em 1959, com uma pilha de músicas mal-ajambradas era fazer sucesso. O pianista de óculos já tinha construído um invejável império de fãs com seus concertos pioneiros em universidades. Um experimentador cheio de vida, que nunca deixou a popularidade interferir em sua inspiração, Brubeck gravou um dos mais populares discos de jazz de todos os tempos com um material que não valia muito, para dizer o mínimo. Na faixa “Take Five”, concebida previamente no compasso 5/4, pouco apropriado ao swing, o pianista se mantém num improviso percussivo permanente, enquanto o sax alto de Paul Desmond navega em uma linha sinuosa. Muitas vezes, Brubeck não é a estrela do trabalho. Poucos se lembram que Desmond – que, com seu estilo seco, teve um papel importante no sucesso “Espero pelo dia em que tiver gravado tudo o que compus, mas acho que esse dia não vai chegar.” Dave Brubeck, 2002 do quarteto – é o autor desse inesquecível hit. Da mesma forma, é fundamental a bateria segura de Joe Morello e a solidez do baixo de Eugene Wright, que transformaram um material difícil como “Blue Rondo À La Turk”, no compasso 9/8, e “Three To Get Ready”, que oscila entre 3/4 e 4/4, em uma matéria-prima fundamental do jazz. É bom lembrar que, nessa época, John Coltrane, Cecil Taylor e Ornette Coleman estavam abrindo os caminhos do free jazz. Na lógica defensiva dos críticos de jazz, Brubeck muitas vezes Lista de músicas 01 Blue Rondo À La Turk (Brubeck) 02 Strange Meadow Lark (Brubeck) 03 Take Five (Desmond) 6:44 7:22 5:24 foi considerado maldito, e perdeu ainda mais valor com o 04 Three To Get Ready (Brubeck) sucesso que Time Out fez entre o público em geral. Mas o álbum 05 Kathy’s Waltz (Brubeck) 5:24 4:48 continua vendendo bem até hoje e, apesar de seu uso excessivo 06 Everybody’s Jumpin’ (Brubeck) 4:23 em anúncios, representa um feito fascinante. AG 07 Pick Up Sticks (Brubeck) 4:16 Anos 1950 44 | 45