Um mundo cego e irracional

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FILOSOFIA
3ª. Unidade Letiva
CURSO ACADÊMICO
CURSO TÉCNICO
3ºs ANOS
Arthur Schopenhauer - o pessimismo
Friedrich Wilhelm Nietzsche
As interpretações de Ubermench
Marx, - a desvalorização do marxismo
PROF.: ROSEMARIE CASTANHO SANCHES
2015
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Arthur Schopenhauer
Arthur Schopenhauer nasceu a 22 de fevereiro de 1788 em Gdansk, na Polônia. Sua mãe,
Johanna, foi escritora, e seu pai Heinrich Floris Schopenhauer, foi negociante e era um
homem irascível e dominador. Quando em 1793 a família mudou-se para Hamburgo onde
estudou em uma escola particular de comércio as doutrinas econômicas dos iluministas. A
ideia era que ele continuasse as especulações financeiras do pai.
Com 15 anos acompanhou os pais em viagem pela Europa, em um giro contrário aos
ponteiros do relógio: Bélgica, França, Suíça e Áustria. Passou à prática comercial, ao falecer
seu pai em 1805. A mãe, viúva aos 38 anos, e a irmã do filósofo foram para Weimar. Ele
permaneceu em Hamburgo para cuidar de negócios e somente em maio de 1807 foi juntar-se
à família em Weimar.
Pessimista em sua visão do mundo considerou ser a Vontade o último e mais fundamental
força da natureza, que se manifesta em cada ser no sentido da sua total realização e
sobrevivência. O conceito de Vontade deste filósofo diz respeito a algo infinito, uno,
indizível, e não a uma vontade finita, individual, ciente. Ela estaria presente no homem, como
em toda a natureza. Para Schopenhauer, a realidade é vontade irracional, onde o finito nada
mais é que mera aparência da realidade. A vontade infinita traz com ela a característica da
insaciabilidade, sendo então algo conflituoso que geraria dor e sofrimento ao homem.
Em 1820, Schopenhauer fez concurso para professor da Universidade de Berlim. Hegel fez
parte da banca examinadora. Obteve o lugar na Universidade e começou uma competição
com Hegel pelos alunos que pagariam seu salário. Conseguiu apenas nove estudantes.
Permaneceu dois anos ligado à Universidade, mas somente lecionou no 1º semestre do
primeiro ano.
Os estudantes preferiam as aulas de Hegel. De índole beligerante ( estado de quem esta em
guerra) e cheia de ressentimentos, a partir de então Schopenhauer combateu
implacavelmente Hegel e seus colegas amigos daquele filósofo, chamando-os fanfarrões,
charlatães e iletrados, atacou os professores de filosofia em geral no seu ensaio “Sobre a
filosofia na universidade”. Depois de uma segunda viagem à Itália (1823 e 1824), foi por um
ano professor em Munique. Traduziu então “O oráculo manual”, do jesuíta espanhol Baltazar
Gracián, cujo estilo autoritário e abundante em máximas morais ele admirava. A partir de 1831
passou a residir em Frankfurt.
Um seu biógrafo conta que Schopenhauer havia herdado uma participação na firma do pai e a
renda que isso lhe proporcionava permitiu-lhe viver com relativo conforto. Comenta que ele
investiu seu dinheiro com uma sabedoria que não condiz com um filosofo. Quando uma
empresa da qual ele havia adquirido ações faliu, e os outros credores concordaram com um
acerto na base de 70%, Schopenhauer lutou pelo pagamento integral, e ganhou. Ficou com o
suficiente para alugar dois quartos numa pensão; ali viveu os últimos trinta anos de sua vida.
Nos últimos anos, sempre sustentado por rendas com origem na herança recebida dos pais,
quando não estava escrevendo despendia o tempo em observações no Museu de Ciências
Naturais, frequentava teatros e concertos, ocupava-se da leitura dos clássicos, de mestres
espanhóis e literatos franceses, e mantinha pouco contacto social. Sem nenhum amigo, tinha
por companheiro um cachorro, um pequeno poodle ao qual deu o nome de Atma (o termo
brâmane para indicar a Alma do Mundo). Caminhava solitário com seu cachorro e falava
sozinho na rua, em seus passeios ao fim da tarde. O filósofo morreu em 21 de setembro de
1860, em Frankfurt.
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Um filósofo sem público
Em 1814, Schopenhauer rompeu definitivamente com a família e quatro anos depois concluiu
sua principal obra, O Mundo como Vontade e Representação. Em 1819, o livro foi
publicado, mas um ano e meio após haviam sido vendidos apenas cerca de 100 exemplares.
A crítica também não foi favorável à obra.
Durante os anos de 1818 e 1819, Schopenhauer passou uma temporada na Itália: ao voltar,
sua situação econômica não era das melhores. Solicitou então um posto de monitor na
Universidade de Berlim, valendo-se de seu título de doutor e passando por uma prova que
consistia numa conferência. Admitido em 1820, encarregou-se de um curso intitulado “A
Filosofia Inteira”, ou “O Ensino do Mundo e do Espírito Humano”. O título do curso devia-se,
provavelmente, a Hegel (1770-1831), que na época era um dos mais reputados professores
da Universidade de Berlim. Tentando competir com Hegel, Schopenhauer escolheu o mesmo
horário utilizado pelo rival, mas a tentativa redundou em fracasso completo.
Em 1821, envolveu-se em um acidente que teve desagradáveis consequências econômicas e,
sobretudo, viria causar-lhe periódica crise de depressão psicológica. Nessa época, o filósofo
residia numa pensão, cujos principais locatários, em sua grande maioria, eram senhoritas de
idade avançada. Essas pensionistas tinham o desagradável hábito de espionar a chegada de
supostas amantes, recebidas por Schopenhauer em seus aposentos. Certa noite, quando
uma costureira chamada Caroline-Louise Marquet dedicava-se a esse mister, Schopenhauer,
perdendo a paciência, atirou-a escada abaixo. Como resultado, foi processado e acabou
sendo condenado a pagar trezentos thalers de despesas médicas. Além disso, ficava
obrigado a pagar sessenta thalers anuais, até a morte de Caroline, que somente veio a falecer
vinte anos depois. Durante todo esse tempo, Schopenhauer entrava em depressão nervosa,
uma vez por ano, todas as vezes que era obrigado a pagar a pensão. Sua revolta dizia
respeito menos à quantia desembolsada do que àquilo que sentia como injustiça cometida
pelas autoridades.
Dedicado exclusivamente à reflexão filosófica, Schopenhauer trabalhou intensamente em
Frankfurt, redigindo e publicando diversos livros. Em 1836, veio a lume o ensaio Sobre a
Vontade na Natureza, que deveria completar o segundo livro de O Mundo como Vontade e
Representação. Na mesma época, redigiu também dois ensaios sobre moral. O primeiro,
escrito para concorrer a um concurso da Academia de Ciências de Drontheim (Noruega),
intitula-se Sobre a Liberdade da Vontade. O segundo, O Fundamento da Moral, concorreu
ao concurso da Academia de Copenhague e continha verdadeiros insultos a Hegel e a Fichte,
que provocaram escândalo; embora fosse o único concorrente, o livro não foi premiado.
Posteriormente, os dois ensaios seriam reunidos sob o título de Os Dois Problemas
Fundamentais da Ética e publicados em 1841. Três anos depois, surgiu a segunda edição
de O Mundo como Vontade e Representação, enriquecida com alguns suplementos. Apesar
disso, não teve sucesso.
O mesmo não ocorreu com a última obra escrita e publicada por Schopenhauer. Intitulava-se
Parerga e Paralipomena e continha pequenos ensaios sobre os mais diversos temas: política,
moral, literatura, filosofia, estilo e metafísica, entre outros. A obra alcançou inesperado
sucesso, logo depois de ser publicada em 1851. A partir daí, a notoriedade do autor espalhouse pela Alemanha e depois pela Europa. Um artigo de Oxenford, publicado na Inglaterra, deu
início à grande difusão de sua filosofia. Na França, muitos filósofos e escritores viajaram até
Frankfurt para visitá-lo. Na Alemanha, a filosofia de Hegel entrou em declínio e Schopenhauer
surgiu como ídolo das novas gerações.
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Assim, os últimos anos da vida de Schopenhauer proporcionaram-lhe um reconhecimento
que ele sempre buscou. Artigos críticos surgiram em grande quantidade nos principais
periódicos da época. A Universidade de Breslau dedicou cursos à análise de sua obra e a
Academia Real de Ciências de Berlim propôs-lhe o título de membro, em 1858, que ele
recusou.
Dois anos depois, a 21 de setembro de 1860, Arthur Schopenhauer, que Nietzsche (1844 –
1900) chamaria "o cavaleiro solitário", faleceu, vítima de pneumonia com ataque cardíaco.
Contava, então, 72 anos de idade.
Um mundo cego e irracional
O ponto de partida do pensamento de Schopenhauer encontra-se na filosofia kantiana.
Immanuel Kant (1724 – 1804) estabelecera distinção entre os fenômenos e a coisa-em-si (que
chamou noumenon), isto é, entre o que nos parece e o que existiria em si mesmo. A coisaem-si (noumenon) não poderia, segundo Kant, ser objeto de conhecimento científico, como
até então pretendera a metafísica clássica. A ciência restringir-se-ia, assim, ao mundo dos
fenômenos, e seria constituída pelas formas a priori da sensibilidade (espaço e tempo) e pelas
categorias do entendimento. Dessas distinções, Schopenhauer concluiu que o mundo não
seria mais do que representações, entendidas por ele, num primeiro momento, como síntese
entre o subjetivo e o objetivo, entre a realidade exterior e a consciência humana. Como afirma
em O Mundo como Vontade e Representação, “por mais maciço e imenso que seja este
mundo, sua existência depende, em qualquer momento, apenas de um fio único e
delgadíssimo: a consciência em que aparece”. Em outra passagem de sua principal obra,
Schopenhauer deixa mais clara essa idéia: “O mundo como representação, isto é; unicamente
do ponto de vista de que o consideramos aqui, tem duas metades essenciais, necessárias e
inseparáveis. Uma é o objeto; suas formas são o espaço e o tempo, donde há pluralidade. A
outra metade é o sujeito; não se encontra colocada no tempo e no espaço, porque existe,
inteira e indivisa em todo ser que percebe: daí resulta que um só desses seres junto ao objeto
completa o mundo como representação, tão perfeitamente quanto todos os milhões de seres
semelhantes que existem: mas, também, se esse ser desaparece, o mundo como
representação não mais existe”.
Não se pode dizer que essas ideias expressem exatamente o pensamento kantiano, mas,
seja como for, Schopenhauer chegou a essas conclusões, partindo do mestre que tanto
admirava. Schopenhauer, contudo, separa-se, explicitamente, de Kant em um ponto essencial
e, a partir daí, constrói uma filosofia original. Para Kant, a “coisa em si” é inacessível ao
conhecimento humano, pois se encontra além dos limites das estruturas do próprio ato
cognitivo, entendido como síntese dos dados da intuição sensível, síntese essa realizada
pelas categorias a priori do entendimento. Schopenhauer, ao contrário, pretendeu abordar a
própria “coisa em si”. Essa “coisa em si”, raiz metafísica de toda a realidade, seria a Vontade.
Segundo o autor de O Mundo como Vontade e Representação, a experiência interna do
indivíduo assegura-lhe mais do que o simples fato de ele ser “um objeto entre outros”. A
experiência interna também revela ao indivíduo que ele é um ser que se move a si mesmo,
um ser ativo cujo comportamento manifesto, expressa diretamente sua vontade. Essa
consciência interior que cada um possui de si mesmo como vontade seria primitiva e
irredutível: A vontade revelar-se-ia imediatamente a todas as pessoas como o “em si” e a
percepção que as pessoas têm de si mesmas como vontades seria distinta da percepção que
as mesmas têm como corpo. Mas isso não significa que Schopenhauer tinha esposado a tese
de que as ações corporais e as ações da vontade constituem duas séries de fatos, entendidas
as primeiras como causadoras das segundas. Para Schopenhauer, o corpo humano é apenas
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objetivação da vontade, tal como aparece sob as condições da percepção externa. Em outros
termos, o que se quer e o que se faz são uma e a mesma coisa, vistos, porém, de
perspectivas diferentes.
O filósofo ainda discutia o porquê de todo ser humano ter a vontade de continuar vivendo.
Qual seria o princípio a impelir os homens à continuação da vida e da espécie? Chegou a
conclusão de que nosso corpo é o único objeto que conseguimos conhecer no universo, pois
não o reconhecemos de fora, mas sim de dentro. Assim, diz que o Eu é a própria vontade de
viver. Segundo ele, nosso instinto de sobrevivência é cego, mesmo sabendo que o que nos
aguarda é a morte certa, nós continuamos a buscar a sobrevivência.
Da mesma forma como nos homens, a vontade seria o princípio fundamental da natureza.
Para Schopenhauer, na queda de uma pedra, no crescimento de uma planta ou no puro
comportamento instintivo de um animal afirmam-se tendências, em cuja objetivação se
constitui os corpos. Essas diversas tendências não passariam de disfarces sob os quais se
oculta uma vontade única, superior, de caráter metafísico e presente igualmente na planta que
nasce e cresce, e nas complexas ações humanas. Essa vontade, para Schopenhauer, é
independente da representação e, portanto, não se submete às leis da razão. Ao contrário de
Hegel, para quem o real é racional, a filosofia de Schopenhauer sustenta que o real é em si
mesmo cego e irracional, enquanto vontade. As formas racionais da consciência não
passariam de ilusórias aparências e a essência de todas as coisas seria alheia à razão: "A
consciência é a mera superfície de nossa mente, da qual, como da terra, não conhecemos o
interior, mas apenas a crosta". O inconsciente representa, assim, papel fundamental na
filosofia de Schopenhauer.
O próprio Freud reconheceu a importância das ideias de Schopenhauer; em um de seus
escritos afirma que certas considerações sobre a loucura, encontradas no Mundo como
Vontade e Representação, poderiam "rigorosamente, sobrepor-se à doutrina da repressão".
Razão e emoção se contrapõem.
Por: Daniel Pansarelli1
Somos obrigados diariamente a fazer escolhas que a razão e emoção se contrapõem sempre
que estas escolhas envolvem sentimentos quase sempre nos pedem para pensar friamente
no problema para não deixar que as emoções influenciem a razão. Pois só pensando
objetivamente poderemos tomar decisões acertadas, mas é realmente possível ter razão sem
emoção e tomar decisões sem sentimento?
Para Schopenhauer os homens são manipulados como fios de marionetes, esse fio invisível
se chama “vontade” uma força incontrolável que segundo Schopenhauer movem o mundo. O
que isso quer dizer?
O que rompe estes fios, o que rompe o elemento que direciona a vida do ser humano para
Schopenhauer não é a razão ele encontra caminhos diferentes de ruptura dessa vida
controlada da vida regida do ser humano pela vontade, mas ele busca essa ruptura em
momentos de transcendência, ou seja, um estado de nirvana2 (evasão da dor) de transe
poderia dar ao ser humano momentos de liberdade em relação a este domínio da vontade
outra forma de se fazer isso poderia ser pela estética, pela arte. Quando o sujeito contempla
uma obra de arte ele fica maravilhado, quando ele consegue manter uma relação com aquilo
1
Daniel Pansarelli: doutor em filosofia e educação pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em educação e graduado
em Filosofia, Professor da Universidade Federal do ABC (UFABC).
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Para Schopenhauer é: a renúncia ao “querer viver e a serenidade que daí resulta: a vida é apenas uma ilusão e vaidade.
Dicionário Básico de Filosofia, Hilton Japiassú e Danilo Marcondes.
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que ele esta analisando o sujeito matem uma relação que poderíamos chamar de sublime
algo talvez assemelhado com este estado de nirvana, nesse momento ele se deleita. São
estes dois elementos que Schopenhauer encontra para nos livrar do julgo da vontade não são
elementos racionais e para esse filósofo nós passamos a vida sofrendo pelas nossas
vontades. Os momentos que nos libertamos do massacre são esses momentos pontuais
alcançados por esses dois elementos e nenhuma delas é racional, nós precisamos justamente
romper com a racionalidade para poder atingir essa certa liberdade e para ele cabe a nós
buscar esses bons momentos para a vida valer a pena.
Viver é sofrer
No sistema de Schopenhauer, a vontade é a raiz metafísica do mundo e da conduta humana;
ao mesmo tempo, e a fonte de todos os sofrimentos. Sua filosofia é, assim, profundamente
pessimista, pois a vontade é concebida, em seu sistema, como algo sem nenhuma meta ou
finalidade, um querer irracional e inconsciente. Sendo um mal inerente à existência do
homem, ela gera a dor, necessária e inevitavelmente, aquilo que se conhece como felicidade
seria apenas a interrupção temporária de um processo de infelicidade e somente a lembrança
de um sofrimento passado criaria a ilusão de um bem presente. Para Schopenhauer, o prazer
é momento fugaz de ausência de dor e não existe satisfação durável. Todo prazer é ponto de
partida de novas aspirações, sempre obstadas e sempre em luta por sua realização: “Viver e
sofrer”.
Mas, apesar de todo seu profundo pessimismo, a filosofia de Schopenhauer aponta algumas
vias para a suspensão da dor. Num primeiro momento, o caminho para a supressão da dor
encontra-se na contemplação artística. A contemplação desinteressada das ideias seria um
ato de intuição artística e permitiria a contemplação da vontade em si mesma, o que, por sua
vez, conduziria ao domínio da própria vontade. Na arte, a relação entre a vontade e a
representação inverte-se, a inteligência passa a uma posição superior e assiste à história de
sua própria vontade; em outros termos, a inteligência deixa de ser atriz para ser espectadora.
A atividade artística revelaria as ideias eternas através de diversos graus, passando
sucessivamente pela arquitetura, escultura, pintura, poesia lírica, poesia trágica, e, finalmente,
pela música. Em Schopenhauer, pela primeira vez na história da filosofia, a música ocupa o
primeiro lugar entre todas as artes. Liberta de toda referência específica aos diversos objetos
da vontade, a música poderia exprimir a Vontade em sua essência geral e indiferenciada,
constituindo um meio capaz de propor a libertação do homem, em face dos diferentes
aspectos assumidos pela Vontade.
No Nada, a salvação.
A libertação proporcionada pela arte, segundo Schopenhauer, não é, contudo, total e
completa. A arte significa apenas um distanciamento relativamente passageiro e não a
supressão da Vontade. Para que atinja a libertação, é necessário que o homem ascenda ao
nível da conduta ética, a qual representa uma etapa superior no processo de superação das
"dores do mundo". A ética de Schopenhauer não está, contudo, presa à noção de "dever";
Schopenhauer rejeita as formas imperativas de filosofia que são, para ele, formas de
coerção.
Sua ética não se apóia em mandamentos, antes na noção de que a contemplação da verdade
é o caminho de acesso ao bem. Para Schopenhauer, o egoísmo, que faz do homem o inimigo
do homem, advém da ilusão de vontades independentes que afirmam seus ímpetos
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individuais. A superação do egoísmo somente seria possível mediante o conhecimento da
natureza única universal da Vontade. Como consequência moral do desaparecimento de sua
individualidade, o homem pode tornar-se bom; ao espírito de luta contra os semelhantes
segue-se o espírito de simpatia. Libertado, pela etapa ética, o homem atinge o princípio que é
o fundamento de toda verdade moral: "Não prejudiques pessoa alguma, sê bom com todos".
Essa ética da piedade e da comiseração, segundo Schopenhauer, encontrou sua mais
acabada expressão nos evangelhos, onde "ama a teu próximo como a ti mesmo" constitui o
princípio fundamental da conduta. Mas nem mesmo a ética da piedade possibilitaria ao
homem atingir a felicidade última. Para Schopenhauer, a mais completa forma de salvação
para o homem somente pode ser encontrada na renúncia quietista ao mundo e a todas as
suas solicitações, na mortificação dos instintos, na auto-anulação da vontade e na fuga para o
Nada: “... desviemos um instante os olhos de nossa própria indigência e de nosso limitado
horizonte; levemo-lo sobre esses homens que venceram o mundo nos quais a vontade,
atingindo a perfeita consciência de si, se reconheceu em tudo que existe e livremente
renunciou a si mesma...”.
Então, “em vez desse tumulto de aspirações sem fim, em vez dessas passagens constantes
do desejo ao medo, da alegria ao sofrimento, em vez dessas esperanças sempre
inalcançadas e sempre renascentes, que fazem da vida humana, enquanto animada pela
vontade, um sonho interrompido, não perceberemos mais do que esta paz, mais preciosa que
todos os tesouros da razão, a calma absoluta do espírito, esta serenidade imperturbável, tal
como Rafael e Corregio a pintaram nas figuras de seus santos e cujo brilho deve ser para nós
a mais completa e verídica anunciação da boa nova: a vontade desapareceu; subsiste apenas
o conhecimento".
http://www.culturabrasil.org/schopenhauer.htm> Acesso em 28 de agosto de 2011.
Schopenhauer e o amor.
Por: Alain de Botton, escritor suíço de filosofia para o dia a dia (vídeo).
Schopenhauer parece entender sabiamente a intensidade do que sentimos quando nos
apaixonamos, ele achava que estávamos certos em viver em função do amor e que não havia
coisa mais importante. Nosso erro, segundo ele, era achar que a felicidade tinha algo a ver
com isso. Schopenhauer, com uma vida amorosa desastrosa dizia que o amor não é um
assunto banal, que não devemos vê-lo como distração de assuntos mais sérios ou adultos.
Não é por acaso que se trata de um sentimento tão avassalador, capaz de tomar conta de
nossa vida e de todos os momentos de nosso dia. Schopenhauer diz que não devemos nos
culpar tanto pelo estado de desespero e obsessão em que entramos se o amor fracassa.
Ficar surpreso com a dor da rejeição é ignorar o quanto de entrega a aceitação exigiria.
Schopenhauer dizia que: “Nada na vida é mais importante que o amor, porque o que esta em
jogo é a sobrevivência da espécie”.
Criamos histórias de amor para nós mesmos, imaginando que nos apaixonaremos por um
parceiro que nos fará felizes. Mas Schopenhauer via isso de maneira diferente. Para ele, nós
nos submetemos a telefonemas ansiosos e jantares caríssimos à luz de vela, por uma única
razão: o impulso biológico para perpetuar a espécie. Ele o chamava de “impulso de vida”. O
amor é uma tática da natureza para nos levar a ter filhos. Por mais que gostemos de nos
imaginar como seres românticos, somos todos, basicamente, escravos do “impulso de vida”.
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O fundamento da tese de Schopenhauer é que o “impulso de vida” pode atuar de forma
bastante inconsciente. Conscientemente as pessoas podem querer ir a bares, “baladas” ,
tomar um drinque e encontrar com os amigos, mas inconscientemente, o que as move é a
necessidade de se reproduzirem. Se questionadas a respeito, elas obviamente negam. Mas
para Schopenhauer, isso não queria dizer que não eram movidas por essa necessidade. O
impulso de vida precisa ser inconsciente para ser eficaz.
Sua tese explica a intensidade da atração e porque nos sentimos atraídos por umas pessoas
e não por outras?
Um dos maiores mistérios do amor é “por que ele?” ou “por que ela?” Por que nos
apaixonamos por quem nos apaixonamos? Inúmeras pessoas não provocam qualquer reação
em nós, mesmo sendo, em tese, nossos pares ideais. E acabamos nos apaixonando por
outras com quem a convivência pode ser difícil. Schopenhauer tinha uma resposta:
“apaixonamos por uma pessoa quando sentimos inconscientemente, que ela pode nos ajudar
a produzir herdeiros saudáveis. O amor é apenas nosso impulso de vida descobrindo alguém
que ele considere o pai ou a mãe ideal para nossos filhos”.
Isso levou Schopenhauer a reflexões interessantes sobre a regra da atração. Atraímo-nos por
pessoas capazes de contrabalançar nossas imperfeições, garantindo, assim, filhos
fisicamente e mentalmente equilibrados. Ele acreditava que a busca pelo equilíbrio se
estendia até pelo tom de pele. Algumas ideias de Schopenhauer podem parecer descabidas
hoje e há muitos tipos de vínculos emocionais e sexuais aos quais sua tese não se aplica.
Entretanto, uma geração antes de Darwin e cerca de 60 anos antes de Freud, ele foi o
primeiro a apontar razões inconscientes e biológicas para o amor.
Schopenhauer tem mais uma ideia a respeito do amor que pode nos ajudar quando somos
rejeitados: muitas vezes, não entendemos porque o parceiro quer romper e nos sentimos
rejeitados Schopenhauer diz que: “quem termina a relação, não está rejeitando o parceiro”.
Não sou eu que não mereço o amor, mas é o impulso de vida do meu parceiro (a) que
considerou que ela poderá ter filhos mais saudáveis com outro! Talvez você estivesse feliz
com a pessoa que o rejeitou, mas a natureza não estava. Por isso terá de aprender a se
desapegar.
O que Schopenhauer diz é que, de certa forma, o que o outro procura não é o seu “eu
psicológico”, mas seu “eu biológico” . Que toda relação termina, conscientemente, com a ideia
de que a pessoa não ama mais o parceiro, mas que na verdade, a questão é que “ela não
serve para ter meus filhos”. Nesse nível a coisa é muito animal e nós não devemos levar para
o lado pessoal. De certa forma, há um consolo em tomar consciência das forças trágicas que
regem a natureza e enxergar que “esse é o mundo louco em que vivemos”. É um alento se o
amor nos trouxe tristezas, ouvir que a felicidade não fazia parte da equação inicial. Às vezes
os pensadores mais pessimistas podem ser os que nos oferecem maior consolo.
“A existência humana”, ele escreveu, “só pode ser algum erro”. “Pode - se dizer que, se hoje
ela está ruim, as coisas só tendem a piorar até que o pior de tudo aconteça.” “É mais seguro
confiar no medo do que na esperança”, uma frase com o pessimismo típico de Schopenahuer.
Ele dizia que: “se um deus criou este mundo não gostaria de ser esse deus, pois sua miséria
e seu infortúnio me partiriam o coração”.
"A glória deve ser conquistada; a honra, por sua vez, basta que não seja perdida."
"A fé é como o amor: não há nada que a force.”
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“A virtude não se ensina, como tão pouco o gênio.”
“O que torna as pessoas sociáveis é a sua incapacidade de suportar a solidão e, nela, a si
mesma.”
“Do mesmo modo que no início da primavera todas as folhas têm a mesma cor e quase a
mesma forma, nós também, na nossa tenra infância, somos todos semelhantes e, portanto,
perfeitamente harmonizados.”
“Na verdade, só existe prazer no uso e no sentimento das próprias forças, e a maior dor é a
reconhecida falta de forças onde elas seriam necessárias.”
Arthur Schopenhauer
Friedrich Wilhelm Nietzsche3
(Filósofo alemão)
15/10/1844, Rökken
25/08/1900, Weimar
Nietzsche é um dos pensadores mais originais do século XIX e um dos que mais influenciou o
pensamento contemporâneo, sobretudo na Alemanha e na França.
Suas principais obras são: O nascimento da tragédia (1872), A filosofia na época da tragédia
grega (1873), A gaia ciência (1882), Assim falou Zaratustra (1883-1885), Além do Bem e do
Mal (1886), A Genealogia da Moral (1887), O Caso Wagner (1888), O Crepúsculo dos Ídolos
(1889), Os Ditirambos de Dionísio (1891) e A Vontade de poder (1911).
Friedrich Nietzsche tornou-se filósofo, segundo ele mesmo diz, devido à leitura de
Schopenhauer. Ele concordava com a visão de mundo deste filósofo em três questões
essenciais:
a) a inexistência de Deus;
b) a inexistência de alma;
c) a falta de sentido da vida, que se constitui de sofrimento e luta impelida por uma força
irracional, que podemos chamar de vontade.
Na ideia da morte de Deus o filósofo esclarece que quem o matou fomos nós mesmos, ou
seja, trata-se de um acontecimento cultural. Desse modo, teríamos destruído os fundamentos
transcendentais (assentados em Deus) dos valores mais caros de nossas vidas.
No entanto, ao contrário de Schopenhauer, Nietszche não vê a realidade repartida em duas,
o fenômeno e a coisa em si. Considera que este mundo é a única parte da realidade e que
não devemos rejeitá-lo ou nos afastarmos dele, mas viver nele com plenitude. Como, porém,
fazer isso num mundo sem Deus e sem sentido?
Nietszche começa a resolver o problema fazendo um ataque à moral e aos valores existentes
na sociedade que lhe é contemporânea. Segundo o filósofo, esses valores derivam de
civilizações já inexistentes, como a grega e a judaica, e de religiões em que muitos - senão a
maioria - já não têm fé. Precisamos, portanto, de uma nova base para assentar nossos
valores.
3
Acesso em 20 de agosto de 2011 http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_778.html
10
Justiça dos fracos
A civilização, de acordo com o Nietzsche, foi criada pelos fortes, pelos inteligentes, pelos
homens competentes, os líderes que se destacaram da massa. Moralistas como Sócrates,
porém, negaram essa realidade em nome dos fracos.
Propagando uma moral que protegia os fracos dos fortes, os mansos dos ousados, que
valorizava a justiça em vez da força, eles inverteram os processos pelos quais o homem se
elevou acima dos animais e exaltaram como virtudes características típicas de escravos:
abnegação, auto-sacrifício, colocar a vida a serviço dos outros.
Por: Paulo Ghiraldelli Jr. Portal Brasileiro de Filosofia.
Um dos bons ensinamentos de Nietzsche é sua análise da linguagem para investigar
questões éticas. No livro Genealogia da moral ele assim age considerando as palavras:
“bom”, “mau” e “ruim” como elementos de análise. Ele as associa a uma tipologia psicológica,
de caráter não empírico, de cunho estritamente filosófico. Ele diz que a palavra, “bom” é
utilizada com conotação avaliativa específica a partir da moral dos “fracos” ou “doentes” ou
“escravos” (os “modernos”, etc.). Nesse sentido, o oposto de “bom” é “mau”. Os “fracos” são
os que, sofrendo com a passagem dos fortes por sobre eles, se denominam bons – os que
não fazem nenhum malfeito –, e assim agem por o que insistem que é uma escolha.
Aproveitam a liberdade e agem como sujeitos, isso é, se auto-determinam e só fazem o bem.
Nietzsche lembra que os “fortes” não entendem que possa haver opção. Na verdade a
liberdade é uma invenção dos “fracos”. Os “fortes” não teriam opção de ser outra coisa. Por
isso mesmo, eles não usam da valoração doentia e escrava para falar de seus adversários.
Eles qualificam o oposto de “bom” como “ruim”. Eles, fortes, são bons – lutam bem e se saem
bem no que fazem. Os adversários inaptos são os ruins – tecnicamente imperfeitos, se por
acaso agem de modo imperfeito na luta.
Não é necessário levar ao pé da letra a tipologia psicológica envolvida nessa questão. O
importante é considerar que Nietzsche chama a atenção para o fato de que a condição de
sujeito depende da liberdade, mas esta é uma invenção dos fracos para poder corroer os
fortes, fazendo-os naufragar na má consciência. Eles são mordidos pelo veneno moral dos
fracos e começam, então, a achar que efetivamente possuem liberdade para mudar, que
podem ser bons. A má consciência é isto: culpa por serem o que são. A partir daí, estão
aptos para usar o par de palavras que até então não fazia nenhum sentido no vocabulário
que tinham: não é mais “bom e ruim”, e sim “bom e mau”, o par de opostos que adotam, e
então já estão no reino dos que acreditam que não ser “mau’ é opcional e, enfim, uma
decisão – uma decisão moral.
Para serem “bons”, nessa nova acepção, precisam não fazer bem as coisas, mas fazer o
bem, ou seja, não ferir – não passar por cima dos fracos. Quando começam a pensar assim,
já sucumbiram à moral dos fracos. Há aí uma “revolução na moral”. A moral dos fracos tornase a moral de todos e, enfim, assim, o modo de vida dos fracos impera, se torna hegemônico.
Essa análise da linguagem levada a cabo por Nietzsche está prenhe de uma posição que é
altamente valorativa e, enfim, não só ética, mas política. Todavia, a análise não deixa de ser
uma análise da linguagem das melhores.
11
Ubermensch – além do homem - Super-homem4
Uma de suas obras mais conhecidas é "Assim falava Zaratustra" na qual desenvolve sua
doutrina do “super-homem” e do “eterno retorno”. Zaratustra é apresentado como um herói,
como um anunciador do super-humano e a “morte de Deus”, ao qual pode converter-se o
homem quando libertar-se de tudo que o mutila. O eterno retorno é a outra face do superhumano, outro nome da “vontade de potência”, desta vontade de libertar-se de todas as
determinações para só obedecer ao princípio. “Torna-te o que tu és”.
Segundo Nietzsche, o homem superior, “indivíduo soberano, indivíduo que não se parece
senão consigo mesmo, livre da moral e dos costumes. O super-homem é, assim, o indivíduo
autêntico, que cria seus próprios valores, “afirmativos da vida”, que não é condicionado pelos
hábitos e valores sociais de uma época, porque “o homem existe apenas para ser superado”
Ele evoca o passo à frente que a humanidade deve empreender a partir do momento em que
ela se desembaraçar da ideia de Deus. Porque a crença em Deus, segundo Nietzsche,
aprisionava a humanidade em falsos valores e limitava seu poder de conhecimento trazendo
uma resposta apaziguadora às suas ignorâncias.
Os estudiosos em Nietzsche classificam a sua obra como uma crítica aos valores ocidentais,
da tradição cristã e platônica. Desde seus primeiros textos, as ideias do filósofo grego Platão
eram condenadas como decadentes. Ao mesmo tempo, o filósofo repudiava o cristianismo e o
classificava como 'platonismo para o povo'. A sua proposta era o resgate de um super-homem
criador, que ficasse além do bem e do mal.
Sua conclusão foi de que não existem as noções absolutas de bem e de mal. Para Nietzsche,
as concepções morais são elaboradas pelos homens, a partir dos interesses humanos, ou
seja, são produtos históricos – culturais. No entanto as religiões, como judaísmo e o
cristianismo, impõem esses valores humanos como se fossem produtos da “vontade de
Deus”.
Para o filósofo, grande parte das pessoas acomoda-se a uma “moral”, baseada na submissão
refletida aos valores dominantes da civilização cristã e burguesa. Considerando que tais
valores não têm origem divina ou transcendente, Nietzsche afirma que somos livres para
negá-los e escolher nossos próprios valores. Ao "tu deves" devemos responder com o "eu
quero". É a vontade de poder que permite ao indivíduo que se auto-elegeu, desenvolver seu
potencial máximo de modo a tornar-se um super-homem ou um ser além-do-homem - isto é,
que se coloca acima da massa.
A noção de super-homem é que: se fosse alguma coisa “super” seria o homem elevado a
uma potência máxima e nisso não há nada de humano, não é alguém que vai continuar a
dizer: isso é bom ou ruim, esta além das pequenas coisas mundanas, ele é um ser que não
foge da vida, ele vive a vida com suas coisas boas e ruins, ele celebra a vida, então não pode
ser o homem, assim ele está para além do homem.
Nietzsche identifica o "super-homem" em personagens como Sócrates (não por suas ideias,
mas pela coragem de levá-las às últimas consequências). Enfim, no líder que tem vontade de
poder, que ousa tornar-se o que realmente é.
É assim que se afirma a vida e se pode atingir a auto-realização.
4
*Antonio Carlos Olivieri: escritor, jornalista e diretor da Página 3 Pedagogia & Comunicação. [email protected]
12
Naturalmente, o filósofo sabe que isso não vai abolir os conflitos e nem se preocupa com isso,
pois considera os conflitos como um estímulo. De resto, querer abolir a competição, a derrota
e o sofrimento são o mesmo que pretender abolir a lei da gravidade.
Desafio e resposta5
O pensamento nietzschiano pode ser avaliado sob duas perspectivas. Por um lado, ele
postula um supremo desafio ético ao propor uma reavaliação radical dos valores morais da
humanidade.
Por outro, a resposta que ele propõe a esse desafio - marcado pelo individualismo e pela “lei
do mais forte” (que pode ser também o mais inteligente ou o mais talentoso)
Não se pode falar de Nietzsche sem comentar o aspecto literário de sua obra. A maioria de
seus livros não é escrita no tipo de prosa dissertativa característica da filosofia, com
argumentos e contra-argumentos expostos na íntegra. Ao contrário, estão sob a forma
fragmentária de aforismos (uma máxima, isto é, uma sentença curta que exprime um conceito,
um conselho, ou um ensinamento), e parágrafos numerados separadamente, ou ainda como
epigramas ou na linguagem dos textos religiosos.
Órfão de pai aos cinco anos, Nietzsche passou a sua infância em Naumburg, uma pequena
cidade da Alemanha às margens do rio Saale, onde cresceu em companhia da mãe, tias e
avós.
Considerado por professores um aluno brilhante, recebeu dos colegas o apelido de "pequeno
pastor", profissão dos avós, que eram protestantes. Aos 14 anos, em conseqüência de sua
dedicação aos estudos, obteve uma bolsa na renomada escola de Pforta. Lá, ganhou fluência
em grego e latim e, ao mesmo tempo, começou a questionar os ensinamentos do
cristianismo.
Depois de Pforta, foi para Bonn estudar filosofia e teologia. Convocado para o Exército em
1867, escapou da atividade devido a uma queda durante uma cavalgada. Convencido por um
professor passou a morar em Leipzig para estudar filosofia. Com apenas 24 anos, conseguiu
ser nomeado professor de filosofia clássica na Universidade de Basiléia. Seu primeiro trabalho
acadêmico conhecido foi "A Origem e Finalidade da Tragédia", que escreveu em 1871.
Saúde debilitada 6
Em 1870, acontece a guerra franco-prussiana e Nietzsche participa como enfermeiro do
exército, mas uma crise de difteria e disenteria impede o filósofo de continuar trabalhando. A
partir daí, publica o seu primeiro livro, "O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música"
(1871), obra que recebeu grande influência de Wagner e Schopenhauer.
Com crises constantes de cefaléia, problemas de visão e dificuldade de expressar, fora
obrigado a interromper a sua carreira universitária por um ano, mas não deixou de escrever.
Quando tentou retornar às atividades acadêmicas, enfrentou sérios problemas em suas
cordas vocais que tornaram a sua fala quase inaudível.
Em 1879, quase cego, Nietzsche abandonou definitivamente a universidade, passando a
dedicar-se exclusivamente à escrita. Neste período, editou seus principais livros, mas a fama
somente chegou ao final do século XIX, perto de sua morte. Publicou, então, "Humano, muito
humano", e passou temporadas em Veneza e Gênova. Muito abatido com a rejeição por parte
5
6
Idem 1 e 2
Idem1,2,3
13
de Lou Andréas Salomé, jovem finlandesa com quem pretendia se casar, o filósofo voltou a
morar com a mãe e a irmã, sempre demonstrando solidão e sofrimento.
Na última década de vida, Nietzsche começou a apresentar sinais de demência e a escrever
cartas para muitas pessoas, teve o diagnóstico de paralisia cerebral progressiva, que segundo
os médicos, provavelmente foi causada pelo uso de drogas como ópio e haxixe, ingeridas
pelo filosofo como automedicação. O filósofo morreu em 25 de agosto de 1900, sem recuperar
a sua sanidade mental.
Nietzsche e o sofrimento
Por: Alain de Botton7 - Vídeo - Filosofia para o dia a dia.
“Não há conquista sem sofrimento, toda conquista é do esforço de superar as dificuldades”.
[…] Para essa conquista das mais autênticas virtualidades do ser é que Nietzsche ensina a
combater a complacência, a mornidão das posições adquiridas, que o conformismo intitula
moral, ou outra coisa bem consoante. (Candido, O portador, p. 411)
Nietzsche dizia que, sem dor, sem enfrentar a dor, ninguém consegue nada. Para conseguir
as “coisas” que valem à pena é preciso sofrer. Quando conquistamos algo que desejamos não
há dor que a ofusque.
A essência da filosofia de Nietzsche é que as dificuldades são normais. Não devemos entrar
em pânico nem desistir de tudo. Nossa dor vem da distância entre aquilo que somos e o que
idealizamos ser. Para não dominarmos a receita da felicidade, nos acabamos sofrendo, mas o
filósofo achava que não bastava sofrer. Se o único requisito para se sentir realizado fossem
as dificuldades, todos seriam felizes. O segredo esta em saber reagir bem ao sofrimento, ou
quem sabe, usá-lo para criar coisas belas.
Nietzsche foi um dos poucos filósofos a destacar o lado bom das dificuldades e do fracasso,
ele achava que todos nós podíamos nos beneficiar deles. Nietzsche dizia que o fracasso é um
tabu em nossa cultura, tratado como se só acontecesse a alguns coitados, mas ninguém fala
a respeito. E do outro lado, há o sucesso. Os dois são coisas distintas. O interessante é a
ideia de que na vida de qualquer um mesmo sendo uma boa vida, sempre haverá um grau de
fracasso. Como você pode apreciar o sucesso se não tiver fracassado antes?
Nietzsche dizia que devemos nos espelhar nos jardineiros, pois eles se deparam com plantas
de raízes feias e as cultivam até extrair a beleza que há nela “a flor, o fruto”. Para ele essa é
uma metáfora de como devemos agir na vida: pegar situações que nos parecem horríveis e
fazer nascer algo belo delas. Mesmo os sentimentos mais negativos podem dar belos frutos
se bem cultivados. Isso só depende de nós mesmos. A inveja, por exemplo, pode gerar só
amargura, mas se conduzida do jeito certo pode nos estimular a disputar com um rival e a
produzir algo maravilhoso.
A ansiedade pode nos deixar em pânico, mas também, pode nos levar a uma análise do que
está errado, gerando assim paz de espírito.
Nietzsche dedicou-se a pensar nas melhores reações aos problemas, ele também refletiu
sobre quais seriam mais desastrosas e concluiu que, uma das piores é afogar as mágoas.
Um dos traços mais marcantes de Nietzsche era seu horror pelo álcool. Era uma questão de
gosto pessoal. Ele dizia que qualquer pessoa que quisesse ser feliz não deveria chegar perto
7
Alain de Botton, escritor suíço de filosofia para o dia a dia (vídeo).
14
de bebidas alcoólicas. Ele dizia: “Os espíritos mais elevados devem se abster da bebida. A
água basta”. A água era sua bebida preferida.
Imaginar que seja bom escapar dos problemas tomando um ou dois drinques é uma visão
equivocada da análise entre o sofrimento e a felicidade. A felicidade não vem da fuga dos
problemas e sim do ato de cultivá-los para extrair algo positivo deles. A última coisa que esse
filósofo recomendaria seria afogar as mágoas. Nossas preocupações são pistas valiosas do
que está errado em nossa vida e podem apontar o caminho para torná-la melhor.
Nietzsche, filho de família cristã, crescido numa atmosfera extremamente religiosa, via com
reservas o tipo de ajuda que o cristianismo oferece em tempos de dificuldades pelo mesmo
motivo que condenava o álcool, para ele a fé cristã pode amortizar a dor, amortizando
também a energia que ela nos dá para superar os problemas e chegar à verdadeira felicidade.
Há diferenças inegáveis entre a igreja e o bar, mas para ele o tipo de consolo oferecido nos
dois locais é o mesmo, ou seja, não é nobre se esconder dos infortúnios da vida através do
álcool ou da fé, mas sim enfrentarmos os problemas que a vida nos apresenta e termos a fé
como uma alavanca para reagir e não algo como consolo que leva a energia para superar o
problema que a gerou.
Ele também falava de “satisfação” e, por ela, ele queria dizer algo mais abrangente do que a
sensação de bem-estar que talvez possamos imaginar. Chegou a escrever sobre pessoas que
são viciadas na região do conforto, ou seja, aquelas que se escondem dos problemas. Ele
chamava essas pessoas de “pequenas, mesquinhas que se escondem na floresta como
cervos amedrontados”. Mas aqueles que se aventuram a sair para a clareira podem apreciar a
vista e respirar brisa. Só então compreenderam a vantagem de abandonar o conforto em
busca da verdadeira realização.
Como diz a famosa frase de Nietzsche “Aquilo que não me mata só me fortalece”. Ele
acreditava que os extremos da dor eram um componente vital para chegar à felicidade que
tinha em mente. Nem tudo aquilo que nos faz sofrer é necessariamente ruim, assim como,
nem tudo que nos dá prazer necessariamente nos faz bem. “Considerar o sofrimento como
algo mau a ser abolido”, Nietzsche escreveu “é o cúmulo da idiotice”.
Nietzsche defendeu os valores afirmativos da vida, capazes de expandir as energias latentes
em nós. Talvez seja a grande indicação nietzschiana àqueles que buscam viver a “liberdade
da razão”, sem conformismo ou submissão.
“Ouse conquistar a si mesmo”.
“Só se pode alcançar um grande êxito quando nos mantemos fiéis a nós mesmos”.
“Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas.”
“Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar.”
“Sem a música, a vida seria um erro.”
“Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal.”
Nietzsche
15
Karl Marx
(Economista e filósofo alemão)
05/05/1818, Trier (Alemanha)
14/03/1883, Londres (Inglaterra
Teórico do socialismo, Karl Marx estudou direito nas universidades de Bonn e Berlim, mas
sempre demonstrou mais interesse pela história e pela filosofia. Quando tinha 24 anos,
começou a trabalhar como jornalista em Colônia, assinando artigos racial-democratas que
provocaram uma grande irritação nas autoridades do país.
Integrante de um grupo de jovens que tinham afinidade com a teoria pregada por Hegel, um
dos mais importantes, um dos mais influentes filósofos alemães do século 19, Marx começou
ater mais familiaridade dos problemas econômicos que afetavam as nações quando
trabalhava como jornalista.
Após o casamento com uma amiga de infância (Jenny von Westplalen), foi morar em Paris,
onde lançou os "Anais Franco-Alemães", órgão principal dos hegelianos de esquerda.
Na capital francesa, a produção de Marx tomou um grande impulso. Nesta época, redigiu
"Contribuição à crítica da filosofia do direito de Hegel". Depois, contra os adeptos da teoria
hegeliana, escreveu, com Engels, "A Sagrada Família", "Ideologia alemã" (texto publicado
após a sua morte).
Depois de Paris, Marx morou em Bruxelas. Na capital da Bélgica, o economista intensificou os
contatos com operários e participou de organizações clandestinas. Em 1848, Marx e Engels
publicaram o "Manifesto do Partido Comunista", o primeiro esboço da teoria revolucionária
que, anos mais tarde, seria denominada marxista.
Neste trabalho, Marx apresenta os fundamentos de um movimento de luta contra o
capitalismo e defendem a construção de uma sociedade sem classe e sem Estado. No
mesmo ano, foi expulso da Bélgica e voltou a morar em Colônia, onde lançou a "Nova Gazeta
Renana", jornal onde escreveu muitos artigos favoráveis aos operários.
Expulso da Alemanha, foi morar refugiado em Londres, onde viveu na miséria. Foi na capital
inglesa que Karl Marx intensificou os seus estudos de economia e de história e passou a
escrever artigos para jornais dos Estados Unidos sobre política exterior.
Em 1864, foi co-fundador da "Associação Internacional dos Operários", que mais tarde
receberia o nome de 1ª Internacional. Três anos mais tarde, publica o primeiro volume de sua
obra-prima, "O Capital" publicado em 1867, que tem como tema principal a economia. Seu
livro mostra estudos sobre o acúmulo de capital, identificando que o excedente originado
pelos trabalhadores acaba sempre nas mãos dos capitalistas, classe que fica cada vez mais
rica à custa do empobrecimento do proletariado.
Depois, enquanto continuava trabalhando no livro que o tornaria conhecido em todo o mundo,
Karl Marx participou ativamente da definição dos programas de partidos operários alemães. O
segundo e o terceiro volumes do livro foram publicados por seu amigo Engels em 1885 e
1894.
Desiludido com as mortes de sua mulher (1881) e de sua filha Jenny (1883), Karl Marx
morreu no dia 14 de março em Londres, Inglaterra. Foi então que Engels reuniu toda a
documentação deixada por Marx para atualizar "O Capital".
16
Embora praticamente ignorado pelos estudiosos acadêmicos de sua época, Karl Marx é um
dos pensadores que mais influenciaram a história da humanidade. O conjunto de suas ideias
sociais, econômicas e políticas transformaram as nações. Muitas de suas previsões ruíram
com o tempo, mas o pensamento de Marx exerceu enorme influência sobre a história.
http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_682.html
Ideias marxistas
Por: Gilberto Cotrim e Mirna Fernandes8.
Este filósofo alemão foi expulso da maior parte dos países europeus devido ao seu
radicalismo. Seu envolvimento com radicais franceses e alemães, no agitado período de
1840, fez com que ele levantasse a bandeira do comunismo e atacasse o sistema capitalista.
Segundo este economista, o capitalismo era o principal responsável pela desorientação
humana. Ele defendia a ideia de que a classe trabalhadora deveria unir-se com o propósito de
derrubar os capitalistas e aniquilar de vez a característica abusiva deste sistema que,
segundo ele, era o maior responsável pelas crises que se viam cada vez mais intensificada
pelas grandes diferenças sociais.
Até hoje, as ideias marxistas continuam a influenciar muitos historiadores e cientistas sociais
que, independente de aceitarem ou não as teorias do pensador alemão, concordam com a
ideia de que para se compreender uma sociedade deve-se entender primeiramente sua forma
de produção.
Para Marx não existe o indivíduo formado para fora das relações sociais. Ele enfatiza esse
ponto ao afirmar: “A essência humana [...] é o conjunto das relações sociais”. Isso significa
que as formas como os indivíduos se comportam, agem, sentem e pensam vincula-se à forma
como se dão as relações sociais. Essas relações sociais, por seu lado, são determinadas pela
forma de produção da vida material, ou seja, pela maneira como os seres humanos trabalham
e produzem os meios necessários para a sustentação material das sociedades.
Em A ideologia alemã, Marx desenvolve essa reflexão dizendo:
A forma como os homens produzem esses meios depende em primeiro lugar da
natureza, isto é, dos meios de existência já elaborados e que lhes é necessário
reproduzir; mas não devemos considerar esse modo de produção deste único ponto de
vista, isto é, enquanto mera produção da existência física dos indivíduos. Pelo
contrário, já constitui um modo determinado de atividade de tais indivíduos, uma forma
determinada de manifestar a sua vida, um modo de vida determinado. A forma como os
indivíduos manifestam a sua vida reflete muito exatamente aquilo que são. O que são
coincide, portanto com a sua produção, isto é, tanto com aquilo que produzem como
com a forma como produzem. Aquilo que os indivíduos são depende, portanto das
condições materiais da sua produção. (p.4).
Esse é um ponto fundamental da filosofia de Marx. Ao falar da produção material da vida, ele
não se refere apenas à produção das inúmeras coisas necessárias à manutenção física dos
indivíduos. Considera também o fato de que, ao produzirem todas essas coisas os seres
humanos constroem a si mesmos como indivíduos. Isso ocorre porque, segundo o filósofo, “o
8
Gilberto Cotrim e Mirna Fernandes: Fundamentos de Filosofia, Volume único, 2010, p. 263.
17
modo de produção da vida material condiciona o processo geral de vida social, política e
espiritual” (Para a crítica da economia política, prefácio).
Compreende-se aí a importância que Marx deu à análise do trabalho. Ele reconhece o
trabalho como atividade fundamental do ser humano e analisa os fatores que o tornaram uma
atividade massacrante e alienada no capitalismo.
Essa demonstração desenvolve-se em vários textos, mas de forma mais rigorosa em O
capital, livro em que o filósofo expõe a lógica do modo de produção capitalista, em que a força
de trabalho é transformada em uma mercadoria como dupla face: de um lado , é uma
mercadoria como outra qualquer, paga pelo salário; de outro, é a única mercadoria que
produz valor, ou seja, que reproduz o capital.
Por: Paulo Ghiraldelli (vídeo – Filósofos essenciais):
O que ainda sobrevive e o que está morto do pensamento de Marx?
O que sobrevive é a teoria da ilusão, do engano e do auto - engano. Há uma maneira de
pensar na nossa sociedade de conferir vida ao que é morto e morte ao que é vida. Isso
funciona da seguinte maneira é a história da reificação (segundo a teoria marxista, a
reificação é o último estágio da alienação do trabalhador, no sentido de que sua força de
trabalho se transforma em valor de troca, escapando a seu próprio controle e tornando-se
uma coisa “autônoma”) e fetichismo (adoração ou culto ao objeto feito pelo homem, ao qual
se atribui poder sobrenatural e se presta culto) da mercadoria, fazemos uma inversão disso.
De que maneira isso ocorre? Exemplo: na compra de um produto, este é o morto e nós
somos o vivo. Na compra, o produto passa a ser o sujeito e nós passamos a ser o objeto, o
produto passa a ser o comandante e nós passamos a obedecer ao objeto. O produto passa a
ter uma grande influencia em nós, pois fazemos de tudo para adquirir este objeto que na
verdade somos o produtor dele. Isso, no Marx, se chama ideologia da sociedade capitalista.
Estamos sujeitos ao comando dos produtos ao desejo de tê-los.
O que não funciona mais na teoria de Marx?
Hoje ninguém acredita que se criarmos uma sociedade para eliminar o mercado estaremos
eliminando também a liberdade porque a liberdade econômica e política estão ligadas e aí
caímos na ditadura e para isso não conseguimos equacionar um socialismo democrático.
Qual a visão de Karl Marx sobre religião?
Ele não estava interessado em religião o engano vem do mercado a religião também cria uma
alienação parecida com esta, ou seja, nós criamos nossos deuses e o ser humano acredita
nestes deuses para se sentir melhor. Nós não somos tão religiosos quanto pensamos, nós
não perguntamos para Deus se nós podemos sair de casa, nós primeiro verificamos nossas
condições financeiras, o transporte do local que se está para aquele que se deseja ir, ou seja,
perguntamos para coisas práticas e não para Deus.
As ideias de Marx influenciaram cerca de um terço da população mundial e se diziam fiel a
sua doutrina.
18
Os filósofos, até agora, limitaram-se a interpretar o mundo; de agora em diante é preciso,
pelo contrário, transformá-lo.
Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social
que lhe determina a consciência.
O caminho do inferno está pavimentado de boas intenções.
A desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do
mundo das coisas.
Se uma pessoa ama sem inspirar amor, isto é, se não é capaz, ao manifestar-se uma pessoa
amável, de tornar-se amada, então o amor dela é impotente e uma desgraça.
De nada valem as idéias sem homens que possam pô-las em prática.
Karl Marx
Engels, Friedrich, (1820, 1895). Nasceu na Alemanha, estudou na Universidade de Berlim.
Principal colaborador de Marx e também seu amigo mais íntimo, tendo-o ajudado inclusive
financeiramente. Publicou com Marx A sagrada família. Torna-se por vezes difícil separar,
nas principais teses do marxismo, quais as ideias de Marx e quais as de Engels, já que
ambos escreveram sempre juntos desde que se conheceram. Considera-se que o
materialismo dialético, especialmente a dialética da natureza, é uma criação típica de Engels,
sendo, no entanto de grande importância, e influência no desenvolvimento da filosofia
marxista.
Dialética – Marx faz a ideia de um método. Insiste na necessidade de considerarmos a
realidade socioeconômica de determinada época como um todo articulado, atravessado por
contradições específicas, entre as quais a da luta de classes. A partir dele, mas graças,
sobretudo à contribuição de Engels, “a dialética se converte no método do materialismo e no
processo do movimento histórico como a sede das contradições internas, seus fenômenos
tendo um lado positivo e o outro negativo, um passado e um futuro, o que provoca a luta das
tendências contrárias que gera o progresso”. (Marx – Engels)9.
Hegel, Georg W. Friedrich10 (1779 – 1831). O mais importante filósofo do idealismo alemão
pós-kantiano e um dos que mais influenciou o pensamento de sua época e o
desenvolvimento posterior da filosofia. Hegel considerava que a análise da consciência,
realizada na perspectiva transcendental, ignorava a origem e o processo de formação dessa
consciência. A filosofia de Hegel é dialética, porém esta não deve ser vista como um método,
mas como uma concepção do real mesmo, a contradição constituindo a essência das
próprias coisas: “todas as coisas são contraditórias em si”. Segundo Hegel, portanto, em suas
lições sobre a história da filosofia (1819 – 1828), os grandes sistemas filosóficos do passado
não devem ser vistos como um conflito em si, mas como antecipando, de alguma forma, uma
parcela da verdade sobre o real. O seu sistema representaria assim o fim da filosofia, a
9
Dicionário Básico de Filosofia, Hilton Japiassú e Danilo Marcondes.
10
Idem 9
19
superação da oposição entre os diferentes sistemas e a síntese das verdades que todos
contêm resultado da sua análise das etapas do desenvolvimento do espírito.
Referências:
CHALITA, Gabriel, vivendo a filosofia, 2ª. Ed. 2005.
CHAUI, Marilena: Filosofia, volume único 2009.
Gilberto Cotrim e Mirna Fernandes: Fundamentos de Filosofia, Volume único, 2010, p. 263.
JAPIASSÚ, Hilton Marcondes Danilo: dicionário Básico de Filosofia, 3ª. Ed. 2001
http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_682.html
Acesso em 20 de agosto de 2011.
Antonio Carlos Olivieri: escritor, jornalista e diretor da Página 3 Pedagogia & Comunicação.
Acesso em 20 de agosto de 2011
http://www.netsaber.com.br/biografias/ver_biografia_c_778.html
Vídeo - Alain de Botton, escritor suíço de filosofia para o dia a dia.
Vídeo - Daniel Pansarelli: doutor em filosofia e educação pela Universidade de São Paulo
(USP), mestre em educação e graduado em Filosofia, Professor da Universidade Federal do
ABC (UFABC).
Vídeo – Filósofos essenciais: convidado Dr. Paulo Ghiraldelli Jr.
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