Dor Muscular Após a Atividade Física

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Dor Muscular Após a Atividade Física
Perguntaram outro dia na academia: Doutor porque o ácido Láctico causa dor após os exercícios? Porque o braço
fica inchado quando treino? Porque sinto dor somente algumas horas ou dias após fazer os exercícios?
Para um bom entendimento da questão e melhor compreensão, vou dividir a explicação em duas partes. Na
primeira vou tratar da dor muscular nos atletas que estão iniciando as suas atividades físicas ou que ficaram
muito tempo parados e estão retornando a fazer os exercícios e na segunda parte vou tratar da dor muscular nos
atletas que estão treinando consistentemente ou de atletas profissionais.
Para início de conversa um pouco de Citologia para podermos entender a explicação. A nossa musculatura é
formadas por células (ou fibras) musculares que contem oque chamamos de organelas, ou seja, são pequenos
componentes que estão dentro das células e que tem a função de fazer a célula muscular funcionar
corretamente. Todo esse conjunto de organelas está boiando em um líquido que chamamos de citoplasma e é
envolto pela parede da célula (membrana celular). Entre as células musculares há um líquido que contém os íons
(Na+, K+, Ca+, ...) e os nutrientes que fazem as trocas na membrana celular levando “alimento” de fora para
dentro das células e assim sucessivamente para que a contração muscular possa ocorrer.
Quando treinamos exercícios resistidos ou de alta intensidade, nós estamos causando pequenas lesões nas
membranas celulares. Essas lesões podem romper as paredes das células ocasionando o extravasamento do
citoplasma para o meio extracelular ou líquido intersticial.
Agora quero que vocês imaginem milhares de células musculares juntas,
formando pequenos conjuntos, que formam conjuntos maiores até formarem
o músculo que finalmente é envolto pela fáscia muscular (Epimisio). A fáscia
muscular tem a função de dar ao musculo um apoio e poder orientar o sentido
da contração e extensão muscular, por isso restringe o quanto o musculo pode
expandir aumentando a eficiência da contração.
No exercício há uma vasodilatação das artérias e das veias com a intenção de levar mais sangue e
consequentemente mais nutrientes para aquele músculo que está sendo solicitado. Automaticamente há um
aumento do volume muscular por si só. Quando fazemos um treinamento de alta intensidade e há um grande
número de lesões nas paredes das células musculares, o citoplasma vaza para o meio extracelular aumentando a
quantidade de líquido entre as células. Com a prática do exercício, o aumento da irrigação arterial continua
levando sangue e nutrientes para as células que estão lesionadas e o meio extracelular continua aumentando de
volume por causa do extravasamento. O aumento de volume interno faz com que todo o músculo aumente a
ponto de ficar “exprimido” dentro da fáscia muscular, causando dor.
Além disso, há o acumulo de fatores inflamatórios locais pela necrose de parte das células que romperam,
estimulando os nervos sensitivos, causando dor.
Portanto, em atletas iniciantes ou não treinados a causa de dor é pelo aumento do volume muscular que fica
contido pela fáscia muscular e pelo acúmulo de fatores inflamatórios que ficam em torno dos tecidos lesionados
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no treinamento. A dor se inicia algumas horas após a prática do exercício (dor causada pelo aumento de volume
muscular), atingindo um pico em 24 horas (dor causada pelo acúmulo de fatores inflamatórios) e começando a
melhorar em 48 horas após os exercícios. Após 72 horas da atividade física os níveis plasmáticos dos fatores
inflamatórios voltam ao normal melhorando o quadro de dor.
Porque isso não acontece ou acontece com uma menor intensidade nos atletas que treinam regularmente?
A explicação é que com o treino regular, a musculatura aumenta a vascularização, elevando o número de
arteríolas e venículas que fornecem e drenam mais eficientemente o sangue e nutrientes para as células
musculares, evitando o acúmulo de fatores inflamatórios no tecido, além disso, as próprias fibras musculares pelo
processo contínuo de lesão e reparação estão mais resistentes e fortes aos exercícios exigidos, aguentando mais
tempo de esforço, lesionando-se menos e em menor quantidade (resistência e hipertrofia muscular).
E o Ácido Láctico (AcLac)? O AcLac é um subproduto do metabolismo muscular que é produzido quando nossas
fibras trabalham além de sua capacidade aeróbica iniciando o processo de gasto de energia anaeróbico. O seu
acúmulo se deve ao esgotamento da capacidade de tamponamento do sistema Bicarbonato. Assim que o
exercício é interrompido há a suspensão do uso do sistema anaeróbico de geração de energia e
consequentemente a diminuição da produção do AcLac e sua degradação pelo sistema de tamponamento do
bicarbonato.
Em resumo:
1 - Iniciantes: o melhor tratamento para dor muscular apos o treino é treinar outro grupo muscular no dia
seguinte, pois isso aumentará o fluxo sanguíneo drenando os fatores inflamatórios e diminuindo o inchaço na
musculatura.
2 - Experientes: a dor muscular residual que sentem algumas horas apos os treinos deve-se as lesões das fibras
musculares, por isso o ideal é esperar 48 a 72 horas para fazerem um novo treino resistido de força para aquele
grupo muscular.
3 - Aqueles que puxam ferro para ficarem com os braços inchados antes da balada, lembrem-se que e o efeito
deve-se a vasodilatação arterial e venosa e seu efeito dura somente umas duas horas após o término do exercício.
4 - O acumulo de Ácido Láctico ocorre somente nos exercícios anaeróbicos de alta intensidade além do seu limiar
aeróbico. Existem treinos específicos para isso, aumentando a tolerância de tempo e intensidade de sua
concentração na musculatura.
5 - Quanto melhor seu alongamento menor será o efeito da dor causada pelo inchaço muscular pós-treino.
Dr. Leandro Gregorut Lima
Especialista em Medicina Esportiva
Membro da Associação Brasileira de Medicina Desportiva
Membro do American College of Sports Medicine
Médico da Seleção Brasileira de Handebol
www.movite.com.br
Artigos Sugeridos e Bibliografia:
1- Effects of Flexibility Training on Eccentric Exercise-Induced Muscle Damage Medicine & Science in Sports & Exercise:March 2011 - Volume 43 Issue 3 - pp 491-500
2- Concentric or eccentric training effect on eccentric exercise-induced muscle damage . Medicine & Science in Sports & Exercise:January 2002 Volume 34 - Issue 1 - pp 63-69
3- Muscle damage and resting metabolic rate after acute resistance exercise with an eccentric overload. Medicine & Science in Sports & Exercise:July
2000 - Volume 32 - Issue 7 - pp 1202-1207
4- Effects of Muscle Damage Induced by Eccentric Exercise on Muscle Fatigue. Medicine & Science in Sports & Exercise:July 2005 - Volume 37 - Issue 7
- pp 1151-1156
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