artigo elaborado pelo pesquisador José Tadashi

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CONTROLE DA FERRUGEM "ASIÁTICA" DA SOJA NA SAFRA 2006/07
José Tadashi Yorinori, PhD
Embrapa Soja, C. P. 231, CEP: 86001 970; Londrina, PR. Fone: (0xx43)-3371-6000
e-mail: [email protected]; [email protected]
Introdução - A importância da ferrugem “asiática” no Brasil pode ser avaliada pela
sua rápida expansão, pela agressividade e pelo montante de perdas causado. Em
apenas três anos (2001 a 2003), disseminou-se por todas as regiões produtoras de
soja do País e, em quatro anos, atingiu todo o Continente Americano, sendo
detectada nos Estados Unidos em novembro de 2004. O custo da doença no Brasil,
estimado no período de 2002 a 2006, já atingiu aproximadamente US$7,7 bilhões.
Na atual falta de cultivares resistentes, o controle químico é a forma mais eficaz
e imediata. Todavia, na safra 2005/06, em diversas propriedades, essa eficácia não
foi viabilizada por falhas técnicas, pelo elevado número de aplicações e pela
inadequação (alta densidade) das lavouras que reduziram a eficiência da cobertura
foliar pelos fungicidas.
A ferrugem da soja é uma doença que, sob condições climáticas favoráveis,
pode causar perda total da produção. Por ser causada por um fungo facilmente
disseminado pelo vento, exige vigilância, treinamento e capacitação contínuos na
identificação precoce da doença. O seu controle não permite descuidos ou falhas no
manejo da cultura e nas estratégias adotadas.
A cada ano a severidade da doença tem aumentado nas regiões de clima mais
favorável. Do mesmo modo, também tem aumentado o custo do controle, apesar da
redução dos preços da maioria dos fungicidas.
Situação da ferrugem na safra 2005/06. O aumento do custo de controle da
ferrugem, nos últimos três anos (2004 – 2006), foi devido ao crescente número de
aplicações exigido pela ocorrência da doença cada vez mais cedo. Com isso,
aumentou também o número de reclamações alegando a redução da eficiência e do
período residual dos fungicidas. Em 2005/06, muitas pulverizações foram feitas a
intervalos de nove a doze dias, mesmo com produtos com residual comprovado de
25-30 dias.
As irregularidades das condições climáticas e a contínua presença do fungo nas
distintas zonas de cultivo de soja no Brasil tornam difícil, senão impossível, fazer uma
recomendação genérica de controle que satisfaça a todas as regiões. Nas atuais
condições de cultivo da soja não é possível elaborar uma “receita” que facilite o
controle da ferrugem.
Observações na última safra mostraram que as deficiências no controle da
ferrugem estavam relacionadas a um grande número de fatores. Para o controle
eficiente da doença é fundamental que haja o máximo de cobertura da folhagem com
fungicidas que tenham maior período residual e com proteção da planta desde o início
da ocorrência da doença. A deficiência no controle inicial irá permitir a multiplicação
do fungo na parte inferior da folhagem, tornando cada vez mais difícil o acesso do
fungicida a essa parte da planta, à medida que elas crescem. Por outro lado, o
controle eficiente ou menor presença da doença em uma lavoura, muitas vezes, não é
1
mérito apenas do capricho ou da eficiência na pulverização, mas, da soma da
eficiência de aplicação com a circunstância climática que a possibilitou e a baixa
disponibilidade de inóculo. De qualquer forma, embora a eficiência dos fungicidas
tenha sido demonstrada por diversos produtores, muitos ainda estão sofrendo
pesadas perdas ou incorrendo em altos custos para controlar a doença, devido ao
elevado potencial do fungo na vizinhança.
Apesar da convicção de muitos produtores e da assistência técnica, quanto à
eficiência da aplicação, diversas falhas têm sido observadas e que podem ser
atribuídas a vários fatores. Um questionamento importante é se as pulverizações com
diferentes volumes de calda e tecnologias de aplicação, feitas durante todo o dia e
nas mais variadas condições climáticas, estão atingindo toda a folhagem com
quantidade adequada de fungicida. Algumas falhas são inevitáveis, como nos casos
de grandes áreas onde as aplicações acabam sendo feitas sob condições adversas:
vento excessivo, temperaturas elevadas e umidade relativa muito baixa, solo
encharcado ou chuvas contínuas. Na maioria dos casos, esses fatores necessitam
ser analisados com seriedade e verificados no campo.
Situações da ferrugem na entressafra e na safra atual - A adoção do vazio
sanitário na entressafra de 2006 deve reduzir drasticamente a fonte de inóculo da
ferrugem, para a safra 2006/07. A constatação é resultado de um levantamento
técnico1 para avaliar a adoção do vazio sanitário em Mato Grosso. A presença da
ferrugem foi constatada, em possíveis plantas hospedeiras, nos municípios de
Primavera do Leste, Pedra Preta (Serra da Petrovina), Rondonópolis, Itiquira, Lucas
do Rio Verde e Canarana, em Mato Grosso. O levantamento mostrou que houve total
adesão dos irrigantes ao vazio sanitário. Nenhum pivô foi utilizado para produção de
grãos ou de semente, durante o período de restrição. Contudo, plantas guaxas secas,
com grãos viáveis e plantas verdes foram encontradas na Serra da Petrovina, em
Rondonópolis, Itiquira e Lucas do Rio Verde. Em todas as áreas onde foram
encontradas plantas verdes, foi constatada presença de lesões mortas da ferrugem,
sem esporulação. Folhas verdes coletadas e mantidas em sacos plásticos por vários
dias não apresentaram novos sintomas ou esporulação em lesões velhas. Ao que
tudo indica, a ausência da soja irrigada e o clima seco e quente, que impediu a
sobrevivência do fungo nas plantas guaxas, durante o período do vazio sanitário,
deverá retardar o início das primeiras ocorrências da ferrugem na safra 2006/07, pelo
menos no Mato Grosso. Todavia, em virtude da ocorrência de duas chuvas em agosto
e a presença de plantas guaxas verdes em diversas propriedades nos municípios
citados é importante que levantamentos e vigilância permanente sejam mantidos
sobre as plantas guaxas. O mesmo deve ser feito em todas as regiões de soja do
País. Além disso, grãos que caem dos caminhões ao longo das rodovias germinam
nos acostamentos e podem ser as primeiras plantas infectadas no início da nova
safra.
No momento (22.09.2006), fontes potenciais do fungo são as plantas de soja
infectadas do cultivo de inverno na Bolívia, nas várzeas do Tocantins (Projeto
Formoso, Gurupi, Lagoa da Confusão, ...) e plantas guaxas infectadas na Argentina,
no Paraguai, no sul do Brasil e em Senador Canedo (Goiás). Plantas de kudzu
1
Participaram do levantamento técnico: José Tadashi Yorinori (Embrapa Soja), Valto Gabriel da Silva
(Indea), Wanderlei Dias Guerra (CDSV-MT/MAPA), Luiz Nery Ribas (Aprosoja) e Sérgio Otiama (Du
Pont).
2
(Pueraria lobata) mantiveram folhas infectadas na Argentina, no Paraguai e no sul do
Brasil (Palmeira, PR). Em Tocantins, apesar do controle rigoroso com fungicidas, não
foi possível eliminar totalmente a ferrugem dos cultivos comerciais. Essa situação é
preocupante e exige levantamentos contínuos da ferrugem desde as primeiras
semeaduras da safra que se inicia, a fim de avaliar o seu efeito sobre a safra que se
inicia. Neste primeiro ano (2006) de prática do vazio sanitário, é importante coletar o
máximo de informações sobre a existência de plantas guaxas e a presença ou não da
ferrugem e o levantamento das primeiras ocorrências da doença, na safra 2006/07.
Essas informações permitirão avaliar o impacto do vazio sanitário sobre a ferrugem e
a definição de novas estratégias de controle que possibilitem conviver com a doença
no futuro.
Como melhorar a eficiência do controle - O controle químico deve fazer parte do
manejo integrado da cultura e seu planejamento deve ser iniciado antes da
semeadura da soja. Para um controle eficiente da doença, é necessário implementar
medidas que envolvam: a. treinamento e capacitação dos inspetores de campo na
correta identificação da ferrugem; b. vistoria freqüente da lavoura para identificação
precoce da ferrugem; c. acompanhar as informações sobre a evolução e os locais de
ocorrência da doença a cada safra (acessar: www.cnpso.embrapa.br/alerta); d.
acompanhar permanentemente as condições climáticas e a previsão do tempo para a
região envolvida; e. adequar o tamanho da área cultivada com a capacidade de
pulverização; f. manter nível adequado de fertilidade do solo; g. dar preferência a
cultivares precoces e com menor densidade foliar; h. concentrar a semeadura no
início da época indicada para cada região de modo que as plantas atinjam o máximo
de desenvolvimento quando o fungo ainda não esteja presente ou esteja com baixo
potencial de inóculo no ar e as condições climáticas menos favoráveis para a
ferrugem, com maior oportunidade de pulverização no momento correto; i. semear a
soja com espaçamento e densidade de plantas que permita o máximo de penetração
do fungicida no interior do dossel foliar; j. oferecer treinamento e capacitação em
tecnologia de aplicação; l. seguir, criteriosamente, as recomendações técnicas de
aplicação: escolha do fungicida, momento correto de aplicação, volume da calda e
tipo(s) de bico(s) para cada situação; m. fazer freqüentes avaliações da eficiência da
aplicação através da medição da deposição do fungicida nas diferentes alturas do
dossel foliar com o uso do papel sensível; n. reduzir ao mínimo as perdas na colheita,
para redução das plantas guaxas; o. eliminar as plantas guaxas; p. seguir as normas
do vazio sanitário e, q. no caso de alguma dúvida, buscar imediatamente informação
para adoção da medida correta.
Como parte do manejo integrado, é importante evitar a semeadura ao longo das
bordas das lavouras, ao redor dos postes de energia elétrica e onde haja obstáculos
que dificultem a pulverização e a colheita. Essas áreas que ficam desprotegidas
multiplicam o fungo, dificultando o controle da doença em áreas vizinhas,
principalmente em períodos chuvosos que impedem ou atrasam a pulverização, além
de produzirem plantas guaxas.
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