O trevo-da-pérsia-de-flores-grandes (T. suaveolens) é uma planta

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O T. suaveolens é originário da Pérsia, Afeganistão e Norte do Paquistão,
e da Índia. É cultivado como planta forrageira na sua região de origem,
e a partir da década de 60 em países da Bacia Mediterrânica e na
Austrália (onde foi introduzido em 1966 ido de Portugal). É também
cultivado como planta para siderar antes da cultura de trigo na
Alemanha. Frequentemente é confundido com o T. resupinatum
«trevo-da-pérsia» ou «trevo-resupinado-de-sementes-duras». Em
Portugal, tanto as plantas cultivadas, como as plantas eventualmente
(e temporariamente) assilvestradas, têm origem em amostras de
sementes de luzernas provenientes do Afeganistão, recebidas pela
Estação Agronómica Nacional na década de 1950.
O trevo-da-pérsia-de-flores-grandes (T. suaveolens) é uma planta
anual, glabra (sem pelos), de caules ocos, ereta ou ascendente (caules
inicialmente paralelos ao solo e depois eretos), que sobe, facilmente,
à altura do joelho. Quando intensamente pastoreado persiste rente
ao solo, formando densas rosetas de folhas curtas, pequenas, mais
escuras e espessas. Nas folhas das plantas não pressionadas pela
herbivoria, encimam longos pecíolos (até 18 cm) três folíolos obovados
(em forma de ovo ao contrário), até 50 x 25 mm. Os pedúnculos
irrompem da axila das folhas e erguem acima do corpo da planta
inflorescências até 3 cm de diâmetro, ligeiramente achatadas, com
flores marginais maiores do que as interiores. O cálice tem dois lábios:
é bilabiado. A corola é rosada a branca e resupinada. Diz-se resupinada
porque sofre uma rotação de 180 graus. Consequentemente, no T.
suaveolens e espécies similares (e.g. T. resupinatum), ao invés da
maioria das leguminosas, o estandarte, a maior peça da corola, tem
uma posição inferior de modo a melhor amparar, supõe-se, a visita
dos polinizadores (vd. imagem).
O T. suaveolens pertence a um grupo peculiar de trevos – da secção
Vesicaria – cujos cálices incham na frutificação, coalescem, tomando
a infrutescência a aparência de uma bola compacta e fofa, facilmente
arrastada pelo vento (dispersão anemocórica). Pertencem a este
grupo dois outros trevos indígenas de grande interesse agronómico:
o T. fragiferum «trevo-morangueiro» e o T. resupinatum «trevo-dapérsia».
O T. suaveolens é muito semelhante ao T. resupinatum. A Flora Iberica
(Muñoz Rodríguez et al., Trifolium 7: 647-719, 2005) diz que se
diferenciam do seguinte modo: T. suaveolens – estandarte 6,5-8 mm
e sementes 1,8-2 mm; T. resupinatum – estandarte 4-6 mm e sementes
1,1-1,4 mm. Geralmente, nos capítulos do T. suaveolens encontramse em simultâneo flores rosa e flores esbranquiçadas, respectivamente
no exterior e no interior da inflorescência, enquanto que no
T. resupinatum as flores são todas cor-de-rosa.
À semelhança dos demais trevos mediterrânicos, germina com as
primeiras chuvas outonais. Suporta bem a geada. Quando comparado
com outras espécies apresenta um significativo crescimento invernal.
No entanto o clima mediterrânico concentra os seus crescimentos
na Primavera, quando faz calor e o solo ainda está húmido. As
abelhas são o seu principal polinizador. Para as atrair, as flores
libertam um intenso e forte odor, como acontece em muitas outras
espécies de Trifolium.
Está bem adaptado a climas mediterrânicos (com uma estação seca
longa) e continentais (de verões quentes e invernos frios). Suporta
bem o corte e o pastoreio. Prefere solos de baixa, húmidos, não
demasiado encharcados no Inverno, com uma toalha freática próxima
da superfície nos primeiros meses da estação seca, de textura fina
e ricos em matéria orgânica, por vezes compactados pelo pisoteio
animal, suficientemente providos de fósforo e de acidez pouco
acentuada a neutros. Ao contrário do T. resupinatum quase não
tem sementes duras.
O reduzido tamanho das sementes (1 kg de semente contém
800 000-1 200 000 sementes) obriga a um cuidado extremo na
preparação da cama de sementeira e no enterramento das sementes
(a 1,0 cm de profundidade, no máximo). Semeado extreme
recomendam-se densidades de 6-8 kg/ha em sequeiro e de 9-15
kg/ha em regadio. Em misturas com azevém ou aveia devem aplicarse 4 a 5 kg/ha. Embora não apresente problemas de nodulação
recomenda-se a inoculação das sementes com rizóbio, de modo a
obter maior produção e incorporação de azoto no solo.
Na edição de 2012 do catálogo comum de espécies agrícolas estão
inscritas 25 cultivares de T. resupinatum s.l. (sensu lato, incluíndo
T. resupinatum e T. suaveolens), embora poucas, na realidade,
sejam de T. suaveolens. As mais difundidas desta última espécie
são a ‘Maral’, a ‘Resal’, a ‘Lightning’, a ‘Morbulk’ e a ‘Laser’.
O T. suaveolens é mais usado como planta para culturas forrageiras
anuais por não ter, ou ter muito poucas sementes duras, enquanto
o T. resupinatum é recomendado para prados permanentes por ter
uma elevada percentagem de sementes duras. A manutenção do T.
suaveolens nas pastagens obriga a sementeiras anuais. Deste modo,
não há indicações específicas quanto ao maneio dos animais em
pastagens com esta espécie. Verifica-se que apresenta um
crescimento invernal razoável e que, em determinadas variedades
e condições agro-ecológicas, é possível um corte para feno, fenosilagem ou silagem nas pastagens pastoreadas no cedo.
A cv. Maral é considerada semi-tardia e indicada para regiões com
precipitações anuais iguais ou superiores a 600 mm, tendo um
bom crescimento durante o Inverno. Considerada boa para pastoreio
directo e para feno, apresenta um bom recrescimento após o
pastoreio. Adapta-se a solos moderadamente ácidos a alcalinos e
apresenta uma tolerância razoável à salinidade e ao encharcamento.
Apresenta uma muito reduzida percentagem de sementes duras,
pelo que a sua regeneração natural é pouco significativa obrigando
a sementeiras anuais. A cv. Resal apresenta sensivelmente as
mesmas características que a ‘Maral’, distinguindo-se desta por ter
um ciclo semi-precoce. A cv. Lightning é mais precoce que a ‘Maral’,
sendo indicada para regiões com menor precipitação anual (a partir
de 450 mm). Aguenta solos encharcados e moderadamente salinos,
desenvolvendo-se adequadamente num intervalo de pH que vai
de 5,5 a 8,5. É considerada adequada para pastoreio, produção de
feno e de silagem.
As cultivares ‘Maral’ e ‘Resal’ são obtenções portuguesas que
constam do nosso Catálogo Nacional de Variedades desde 1993;
as restantes cultivares foram obtidas na Austrália.
O T. suaveolens pode ser usado em pastoreio ou corte: é indicado
para pastoreio directo, para produção de feno (extreme ou consociado
com azevém ou aveia) e para feno-silagem ou silagem. Em qualquer
das utilizações esta espécie apresenta elevados valores de
palatibilidade e digestibilidade. Em feno apresenta valores de proteína
bruta (16 a 21%) idênticos aos do feno da luzerna e valores de
digestibilidade superiores (63 a 78% contra 60-70% para a luzerna).
As cultivares ‘Morbulk’ e ‘Laser’ também são indicadas para regiões
com menor precipitação (a partir de 500 mm), sendo a ‘Morbulk’
8 a 10 dias mais precoce que a ‘Maral’, e a ‘Laser’ ligeiramente
mais tardia que esta última. Estas duas variedades crescem bem
durante os Invernos frios, podendo dar um corte de feno no final
da Primavera, mesmo depois de algum pastoreio durante o início
do ciclo. Ambas resistem melhor à ferrugem (Uromyces trifoliirepentis) que a ‘Maral’, sendo de aconselhar em regiões onde surge
com frequência esta doença. As 3 variedades australianas descritas
quase não têm sementes duras (0 a 2%), pelo que não há qualquer
regeneração natural.
As densidades de sementeira relativamente elevadas que se
recomendam permitem competir com as infestantes o que, aliado
ao rápido crescimento invernal, possibilitam a obtenção de pastagens
e forragens sem ervas daninhas, pelo que se considera esta espécie
uma óptima “break-crop”.
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Quando o objectivo é a produção de semente, é possível obter, em
regadio, valores superiores a 1.000 kg/ha, embora a média ronde
os 300 a 500 kg/ha.
SPPF - FICHA TÉCNICA nº4
Autores: Francisco Mondragão Rodrigues, Ana Barradas
& Carlos Aguiar
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