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ANÁLISE DE REAÇÕES ADVERSAS E INTERAÇÕES
MEDICAMENTOSAS COM ANTIMICROBIANOS NA CLÍNICA
ENDÓCRINA DE UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO NA PARAÍBA
Autores: 1Maria Caroline Rodrigues Bezerra; 2Laryssa Mirelle da Silva; 3Alana Kalina de Oliveira
Moura; 4 Renam Fellipe da Silveira Muniz; 5Alessandra Teixeira (Orientadora)
1
Universidade Estadual da Paraíba – [email protected]
2
Universidade Estadual da Paraíba - - [email protected]
3
Universidade Estadual da Paraíba - [email protected]
4
Universidade Estadual da Paraíba - [email protected]
5
Professora Doutora na Universidade Estadual da Paraíba - [email protected]
Os medicamentos são fundamentais para o restabelecimento da saúde. No âmbito hospitalar, os antibióticos
figuram entre as principais classes terapêuticas mais prescritas. Entretanto, estes medicamentos são
considerados como um dos grupos medicamentosos que mais causam eventos adversos. As reações adversas
podem ser definidas como um efeito nocivo e indesejável que ocorre em doses terapêuticas e as interações
(IM), como um evento clínico em que os efeitos de um fármaco são alterados pelo uso concomitante ou
anterior a ingestão de outro fármaco, alimento ou bebida. O presente estudo tem como principal objetivo a
realização de um levantamento epidemiológico de prescrições, identificando os principais problemas
relacionados à terapia antimicrobiana. Trata-se de um estudo transversal, com coleta retrospectiva de dados,
que está sendo desenvolvido desde outubro de 2015, com pacientes internos na Ala C e D endócrina em um
Hospital Universitário na Paraíba. Durante o período de outubro de 2015, até o presente momento, foram
analisadas 80 prescrições de pacientes do sexo feminino e 120 prescrições de pacientes do sexo masculino. A
maioria dos internos apresentou tratamento poli medicamentoso, com uma média de 12 medicamentos por
prescrição. Foram prescritos 260 antibióticos, dentre os principais fármacos dessa classe verificou-se que o
Ciprofloxacino, Cefepime e Vancomicina eram os antibióticos mais prescritos. O uso racional de
antimicrobianos traz benefícios para os pacientes que estão internados e ainda reduzem riscos de
complicações e possíveis resistências a antimicrobianos, proporcionando qualidade de vida e bem estar ao
paciente, uma vez que esse é o objetivo do tratamento antimicrobiano.
Palavras chave: Antimicrobianos, Medicamentos, Hospital, Terapia.
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internações,
INTRODUÇÃO
complicações
e
óbitos
(PINHEIRO, PEPE, 2011). Os eventos
Os medicamentos são fundamentais
adversos a medicamentos envolvem as
para o reestabelecimento da saúde do
reações adversas (RAMs), que podem ser
indivíduo, além de contribuir com a
resultantes dos riscos intrínsecos do uso do
resolubilidade dos problemas envolvendo o
medicamento
serviço de saúde. No âmbito hospitalar, os
medicamentosas.
antibióticos figuram entre as principais
podem ser definidas como um efeito
classes
prescritas.
nocivo e indesejável que ocorre em doses
Segundo Rodrigues e Bertoldi (2010),
terapêuticas e as interações (IM), como um
cerca de 40% dos pacientes que se
evento clínico que os efeitos de um
encontram internos submetem-se à terapia
fármaco
antimicrobiana, cujo uso destina-se a
concomitante ou anterior a ingestão de
profilaxia ou tratamento de infecções.
outro
Lucena e Araújo (2015) julgam que a
(AIENZTEIN, TOMASSI, 2011). Dessa
grande incidência das prescrições destes
forma, as consequências das IM por uso de
fármacos
está
antibióticos podem repercutir tanto para os
associada com a finalidade de eliminar ou
microrganismos, quanto para o hospedeiro,
impedir o desenvolvimento de um agente
aumentando-se
infeccioso, de modo a não prejudicar e
hospitalizações e custos, ou, resultando em
causar
do
sérios problemas relacionados à toxicidade,
estes
ou danos fisiológicos (PIEDADE, SILVA,
terapêuticas
na
mais
Farmácia
danos
maiores
hospedeiro.
Básica
à
saúde
Entretanto,
medicamentos são considerados como um
dos grupos medicamentosos que mais
causam
eventos
adversos
e
de
ou
são
fármaco,
de
As
interações
reações
alterados
alimento
as
adversas
pelo
ou
uso
bebida
resistências,
2015).
O
presente
estudo
tem
como
principal objetivo a realização de um
apresentarem uso inapropriado em cerca de
levantamento
50% dos casos (PIEDADE, SILVA, 2015).
prescrições, identificando os principais
Entretanto, um dos problemas que
problemas
epidemiológico
relacionados
à
de
terapia
assolam a saúde pública, frequentemente
antimicrobiana, no que se refere as reações
ocorrido
a
adversas e interações medicamentosas,
adversos,
quantificando e classificando-as de acordo
incidência
no
campo
de
hospitalar,
eventos
é
responsáveis por um acentuado número de
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com sua potencialidade.
Micromedex®,
disponível
pelo
portal
Capes. As interações foram classificadas
segundo a intensidade dos seus efeitos:
Contraindicadas:
METODOLOGIA
interações
potencialmente letais; Graves: interações
Trata-se de um estudo transversal,
potencialmente ameaçadoras à vida ou
com coleta retrospectiva de dados, que está
capazes de causar danos permanentes -
sendo desenvolvido desde outubro de
moderadas: interações cujo efeito causa
2015, com pacientes internos na Ala C e D
deterioração clínica do paciente, exigindo
endócrina em um Hospital Universitário na
tratamento adicional, hospitalização ou
Paraíba. Como instrumento para coleta de
aumento no tempo de internação.
dados, foi utilizado um formulário para o
registro das variáveis farmacoterapêuticas
(medicamentos utilizados, dose, posologia,
reações
adversas
medicamentosas),
e
interações
obtidas
através
da
consulta nos prontuários e prescrições.
As
reações
RESULTADOS E DISCUSSÃO
2015, até o presente momento, foram
coletadas
analisadas 80 prescrições de pacientes do
foram classificadas segundo a proposta de
sexo feminino, internos na ala C endócrina
Rawlins e Thompson, nas categorias (A e
e 120 prescrições de pacientes do sexo
B).
masculino, internos na ala D endócrina,
Sendo
adversas
Durante o período de outubro de
elas:
farmacológico
Tipo
A:
Efeito
aumentado,
qualitativamente
características,
normal;
essas
quanto
comuns
e
reversíveis;
tipo
são
totalizando
200
pacientes.
A
grande
às
maioria dos internos apresentou tratamento
são
polimedicamentoso, com uma média de 12
normalmente
medicamentos por prescrição, equivalente
reações
previsíveis,
B:
mas
as
reações
totalmente inesperadas e imprevisíveis, em
ao observado no estudo de Cedras e Santos
(2015).
desacordo com o mecanismo de ação do
Foram prescritos 260 antibióticos,
fármaco, de ocorrência rara; podem ser
sendo 81 na ala C endócrina e 179 na ala D
graves e irreversíveis.
endócrina. Dentre os principais fármacos
Para as interações medicamentosas,
utilizou-se para sua identificação a base de
dados
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dessa
classe
verificou-se
que
o
Ciprofloxacino, Cefepime e Vancomicina,
respectivamente
das
subclasses,
Quinolona, Cefalosporinas e Glicopeptídio,
administrados
vida
predominantemente
endovenosa
(91,9%),
pela
eram
os
antibióticos mais prescritos. (Gráficos 1 e
2)
Alvin et.al. (2015) justifica que a
predominância da via de administração
intravenosa está relacionada diretamente
com a clínica do paciente, o qual necessita
de uma via rápida para obtenção de efeitos
clínicos imediatos. Neves e Colet (2015)
enfatizam,
ainda,
administração
que
endovenosa
a
via
favorece
de
a
Em
relação
medicamentosas,
às
70%
dos
cujas
especialmente
Ciprofloxacino/Ondasetrona,
há
pacientes
apresentaram interações medicamentosas,
ocorrência de interações medicamentosas,
quando
interações
principais
foram
incompatibilidade entre as substâncias e/ou
Ciprofloxacino/Insulina
não se leva em consideração o intervalo de
Ciprofloxacino/Sinvastantina,
administração.
gravidade maior. (Tabela 1). Neves e Colet
(2015)
estimam
NPH
que
as
todas
e
de
interações
farmacológicas sejam de 3 a 5% em
pacientes que possuem terapia com poucos
fármacos e que esse índice aumenta para
números acima de 20% quando são
utilizados
de
10
a
20
fármacos
simultaneamente, reforçando o índice que
foi encontrado nos resultados do presente
trabalho.
Tabela 1: Interações medicamentosas mais
frequentes na ala C e D endócrina
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Interações
(n)
%
Severidade
(n)
%
Ausente
42
21,8
Grave
170
88,1
Cip/Onda.
40
20,7
Moderada
22
11,4
Cip/Insul.
21
10,9
Leve
1
0,5
Cip/Sinvas.
19
9,8
Cip/Metro.
17
8,8
Outros
54
28
Total
193
100
riscos de interação concomitantemente
193
100
com
o
aumento
do
número
de
medicamentos prescritos, acarretando no
Neves e Colet (2015) chamam
agravo do quadro clínico do paciente
atenção para o uso concomitante de
(NEVES, COLET, 2015). Firmo (2014)
Ciprofloxacino/Insulina, no qual há risco
destaca que essa interação pode ocasionar
de hipoglicemia ou hiperglicemia. Eles
diminuição, anulação, ou aumento do
alertam que a hiperglicemia é um fator de
efeito de um fármaco, trazendo resultados
risco para o aumento da mortalidade
positivos através de um aumento da
hospitalar, falência de múltiplos órgãos,
eficácia,
infecções sistêmicas e aumento do tempo
diminuição da eficácia ou toxicidade. Em
de hospitalização. Entretanto, as demais
vista disso, em pacientes hospitalizados, os
interações
eventos adversos, em especial as interações
com
medicamentosas
maiores
encontradas
frequências
na
verificadas
não
literatura,
foram
apenas
justificadas pelo sistema de identificação
ou
negativos
medicamentosas,
politerapia
e
que
seria
aumentam
constituem
com
em
a
a
eventos
potencialmente graves na prática clínica.
das interações, disponível pela Capes,
MICROMEDEX,
2016.
Este
sistema
CONCLUSÕES
justifica, por exemplo, a interação entre
Ciprofloxacino/Ondasetrona como fator
O uso racional de antimicrobianos
aumentado de risco da ruptura do tendão
traz benefícios para os pacientes que estão
de mecanismo ainda não esclarecido e a
internados e ainda reduzem riscos de
interação entre Ciprofloxacino/Sinvastatina
complicações e possíveis resistências a
como fator aumentado de risco de miopatia
antimicrobianos,
de rabdomiólise, devido a inibição do
tempo de internação e custos para o
metabolismo da sinvastatina.
hospital,
diminuindo
proporcionando
assim
o
qualidade
A maioria dos medicamentos tem a
de vida e bem estar ao paciente, uma vez
capacidade de interagir entre si quando
que esse é o objetivo do tratamento
associados e esse aspecto deve ser levado
antimicrobiano.
em
de
conhecimento da terapia medicamentosa
prescrever um determinado medicamento.
no âmbito hospitalar leva-nos a contribuir
Essa cautela deve-se em relação ao
de forma efetiva para a integridade e
consideração
no
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momento
Diante
disso,
o
aumen
manutenção
to dos
possibilitando identificar os principais
da
saúde
do
indivíduo,
problemas relacionados ao uso desses
tes da Unidade de Terapia Intensiva de
medicamentos,
um hospital filantrópico. 2014. 33f.
resolubilidade,
aumentando-se
através
de
sua
alternativas
Trabalho
de
Conclusão
de
Curso
terapêuticas mais eficazes e seguras, que
(Graduação em Farmácia)- Universidade
avalie
Estadual da Paraíba, Campina Grande,
criticamente
benefício.
a
relação
Evidencia-se,
necessidade
do
risco-
portanto,
a
incentivo
2014.
no
desenvolvimento de programas no âmbito
KLASKO, R.K. DRUGDEX System [base
hospitalar que busquem evidenciar a
de dados da internet]. Greenwood Village
importância da notificação de reações
(Colorado): Thomson MICROMEDEX;
adversas, contribuindo para a melhoria da
1974-2016.
saúde do paciente.
em:<http://www.periodicos.capes.gov.br>.
Disponível
Acesso em 20 de março de 2016.
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Nicolina
Silvana
Romano;
ALVIM, M. M; SILVA, L. A; LEITE, I.
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C.G; SILVÉRIO, M. S. Eventos adversos
medicamentos
por interações medicamentosas potenciais
atendimento na emergência hospitalar.
em unidade de terapia intensiva de um
Rev. bras. epidemiol, v. 15, n. 2, p. 265-
hospital
274, 2012
de
ensino.Rev.
Bras.
Ter.
Intensiva, v. 27, n. 4. p. 353-359, 2015.
levando
crianças
a
LOURO, E; LIEBER, R. S. N; RIBEIRO,
E.
Efeitos
adversos
a
antibióticos
CEDRAZ, K. N; SANTOS JR, M.C.
internados em um hospital universitário.
Identificação
Rev. Saúde pública, v. 41, n. 6, p. 1042-
e
caracterização
de
interações medicamentosas em prescrições
8, 2007.
médicas da unidade de terapia intensiva de
um hospital público da cidade de Feira de
LUCENA, P. L.; ARAÚJO, V. R.;
Santana, BA. Rev. Soc. Bras. Clin. Med.
ARAÚJO, L. L. N. Levantamento das
v. 12, n. 2, p. 112-117 abr-jun, 2015.
prescrições
de
antimicrobianos
dispensadas na farmácia básica, no
FIRMO,
B.
D.
de
medicamentosas
A.
Interações
potenciais
em
pacien
(83) 3322.3222
[email protected]
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município
de
Niquelândia-GO.
Faculdade Serra da Mesa – FASEM. 2015.
NEVES, C.; COLET, C.; Perfil de uso de
antimicrobianos
e
suas
v. 20, n.1, p. 57-64, jan-mar, 2011.
interações
medicamentosas em uma UTI adulto do
RODRIGUES, A. F; BERTOLDI, D. A.
Rio Grande do Sul. Rev. Epidemiol.
Perfil da utilização de antimicrobianos em
Control. Infect, v. 5, n. 2, p. 65-71, 2015.
um
hospital
privado.
Ciênc.
Saúde
coletiva, vol. 15, supl. 1, p. 1239-1247,
NICOLINI, P; et al. Fatores relacionados à
prescrição médica de antibióticos em
farmácia pública da região Oeste da
cidade de São Paulo. Ciência & Saúde
Coletiva, v. 13, sulp. 1, p. 689-696, 2008.
PASSOS, M. M. B. dos, et al. Interações
medicamentosas em pacientes internados
na clínica médica de um hospital de
ensino e fatores associados. Rev. Bras.
Farm, v. 93, n. 4, p. 450-456, 2012.
PIEDADE, D. V; SILVA, L, A. F;
LEMOS, G. S; VALASQUES JR, G.L;
LEMOS, L.B. Interações medicamentosas
potenciais
em
antimicronianos
prescrições
de
uso
contendo
restrito
de
pacientes internados em um hospital no
interior da Bahia. Medicina (Ribeirão
preto). v. 48, n.3, p. 295-307, 2015.
PINHEIRO, H. C. G; PEPE, V. L. E.
Reações
adversas
a
medicamentos:
conhecimento e atitudes dos profissionais
de saúde em um hospital sentinela de
ensino do Ceará-Brasil. Epidemiol. Serv.
Saúde,
(83) 3322.3222
[email protected]
www.conbracis.com.br
jun, 2010.
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