Nos últimos 100 anos nunca esteve tão calmo

Propaganda
O SOl
Informativo do GOA #4 ­ Departamento de Física ­ Centro de Ciências Exatas ­ UFES ­ Novembro/Dezembro 2009 ­ www.cce.ufes.br/goa
N o s ú l t i mo s 1 0 0 a n o s n u n c a e s t e v e t ã o c a l mo
Foto: Força Aérea dos Estados Unidos
Apesar da proximi­
das Auroras Boreais e Austrais (Veja
dade, o Sol ainda esconde
a foto e a próxima página). A data
mistérios
sobre
o
seu
também chama a atenção devido a
comportamento. Ao contrário do
antiga polêmica em torno do
que parece, o Sol é um astro
calendário Maia, entretanto, não
muito dinâmico. No seu interior
existe
nenhuma
evidência
do
e na superfície ocorrem diversas
conhecimento Maia sobre os ciclos
atividades,
variando
entre
solares.
Modelos
alternativos
período de máximos e mínimos.
prevêem que o novo ciclo seja fraco,
Desde o começo de 2008,
gerando apenas 75 manchas por dia
astrônomos esperam um novo
no seu auge.
período de máximo, marcado
As relações da atividade solar
pelas manchas solares (regiões
com o clima na Terra ainda estão
Foto de aurora boreal sobre o Alasca, em 2005.
mais frias que o restante da
sendo pesquisadas. Evidências indicam
o Sol não esteve tão calmo.
superfície solar). Porém, até o momento
que em épocas de baixa atividade solar
Como será o futuro do Sol ainda
quase nenhuma mancha foi observada.
levam a um resfriamento global, como é o
é uma incógnita. Diferentes modelos
Em 1843, o astrônomo alemão
caso do período entre 1645 a 1715,
matemáticos
fazem
previsões
com
Samuel Heinrich Schwabe descobriu que
conhecido como “Pequena Era Glacial”,
divergências significativas de resultado.
este ciclo varia de aproximadamente onze
ou Mínimo de Maunder, época em que
Segundo o modelo de Mausumi Dikpati e
anos. Entretanto, alguns ciclos podem
poucos manchas solares foram observadas.
colegas, o Sol atingirá o máximo em 2012
variar de 9 a 14 anos, como já foi
Porém, nada pode ser afirmado devido à
com impressionante atividade, gerando
observado.
Um
contemporâneo
de
escassez de dados observacionais.
cerca de 150 manchas por dia. Tais
Schwabe, o astrônomo Rudolf Wolf,
previsões são importantes,
utilizou antigos dados observacionais para
pois as manchas solares
remontar o passado dos ciclos solares.
são
fontes
de
Wolf, então, nomeou
Alguns relacionam ejeções de matéria
a época entre 1755 e a Pequena Era Glacial
do Sol, conhecidas
1766 de ciclo um.
às baixas atividades como
ventos
Assim nós estarmos
solares, mas isso não é solares, que, se
entrando agora no 24º
fortes o suficiente,
confirmado.
ciclo solar. Mesmo
podem
queimar
antes, em 1610, Galileu Galilei e outros
vários satélites em órbita
contemporâneos observavam manchas
da Terra, prejudicando
solares pelo telescópio.
bruscamente as nossas
Durante 266 dias de 2008, 73%
telecomunicações.
do ano, nenhuma mancha solar foi
Por outro lado, ao
observada na superfície do Sol. Em 2009,
entrar em contato com o
a calmaria continuou. A baixa de atividade
campo magnético da Terra
solar é comparada a de 1913, em cem anos
Imagem, fora de escala, ilustrando a interação da massa ejetada
proporcionam o espetáculo
pelo Sol com o campo magnético da Terra.
Imagem: SOHO (ESA & NASA)
O C É U D A E S TA Ç Ã O
Observativo #4, página 02
C h u v a d e m e t e o ro s é q u e n t e
los? O ápice da Leonídeas
acontecerá no dia 17 de
novembro, por volta das
04h da madrugada e a
Geminideas será no dia 14
de
dezembro,
aproximadamente às 3h, e
podem ser vistas a olho
nu. Serão cerca de 40
meteoros
por
hora,
podendo chegar a 100 nos
seus ápices. Para tanto, o
céu deve estar limpo de Constelação de Gêmeos: local de onde a parece sair os meteoros
nuvens e longe a Poluição
durante a Geminídeas.
Luminosa das cidades.
cima durante a noite e procure uma
Chegando no verão, temos no
"estrela" maior que as outras e que não
lado Leste do céu, o surgimento cada vez
emita tantas pulsações de luz, ou seja, que
mais cedo da grande constelação de Órion,
não pisque tanto quanto as estrelas ao seu
famosa por ter as "Três Marias" como
redor. Isso mesmo. Essa é uma boa forma
referência, representantes do cinturão de
de diferenciar um planeta de uma estrela a
Órion, o grande caçador da mitologia
olho nu, caso se tenha uma atmosfera livre
grega. O planeta Júpiter continua visível
de poluição.
até o fim do ano. Para quem ainda não o
observou, é fácil distingui­lo. Olhe para
Fonte: apolo11.com
No mês de novembro teremos um
belíssimo espetáculo no céu, a chuva de
meteoros chamada Leonídeas, denominada
assim por ser visível na região celeste da
constelação de Leão. Uma chuva de
meteoros acontece quando a Terra se
aproxima de uma zona por onde passou
algum cometa. Seus detritos, deixados no
caminho, ao se aproximarem do planeta se
tornam bonitos de se observar devido ao
atrito com a atmosfera, que os fazem
brilhar. Percebemos, então, que se o
fenômeno ocorre aqui nas nossas
redondezas, ele não acontece lá no espaço,
próximo às estrelas. A constelação de
Leão é usada apenas como referência
visual, e por isso como uma forma de
classificar esta famosa chuva de meteoros.
Falando ainda em chuva de meteoros,
teremos outra chuva, a Geminideas,
famosa por seus meteoros apresentarem
diferentes colorações no céu.
Ficou interessado nos eventos e
quer saber como, onde e quando observá­
Dicionário de
A s t ro n o m i a
C r u z a d a s A s t ro n ô m i c a s
AURORA: nascer do Sol, ou
Horizontais:
Encontre as palavras nos textos...
1.Exposição que marcou o Ano Internacional da Astronomia 2009;
4.Chuva de meteoros famosa por manter seu padrão de elevadas
taxas;
6.Relativo ao Norte, setentrional;
7.Nome popular dado aos litometeoros, plural;
9.Estrela mais próxima da Terra;
10.Fenômeno atmosférico, comum nas regiões próximas aos
pólos, ligado a atividade solar;
11.Nome atribuído à época de baixa atividade solar ocorrida há
cerca de 300 anos;
12.Projeto do GOA que leva uma equipe até seu bairro,
estimulando o interesse pela Astronomia.
Verticais:
a claridade que o p r e c e d e .
Aurora Polar: Fenômeno
luminoso causado pela interação das
partículas do vento solar com os gases
da atmosfera da Terra. Muito
apreciado como belo espetáculo da
natureza (veja foto na capa), ocorre
nas regiões de convergência do campo
magnético terrestre: próximo ao Pólo
Norte (aurora boreal) ou ao Pólo Sul
(aurora austral) e pode durar de
segundos a horas. Fenômenos
semelhantes ocorrem também em
outros planetas.
2.Relativo ao Sul, meridional;
3.Mês de aniversário do GOA, mesmo mês do solstício de verão
para o Hemisférios Sul;
5.Sigla do novo Laboratório de Ensino, Pesquisa e Extensão em
Astrofísica;
8.Chuva de meteoros que terá seu radiante próximo a Regulus.
...e confira as respostas em nosso sítio:
www.cce.ufes.br/goa
A a
h é o ca m l
il n lha ípti mbé o So ente
l a
e
m a ec u t que ntam ais.
r
ve o d ra o nte , ju iac
o od
a n e r re
pl a T apa o an es z
d a
õ
e
sto tóri rant elaç
i
v j e u st
d n
ra
a t orre s co
a
rc
pe c om
As
2
Pe m a n
qu
ch
M ena e as n
ag
a ad
vis alhãe Gra ireç
nd ão
ív
s
P o e i s s ( P N M e N u S ud
lui om
ve e s
da ção ente e GN m d te sã
s c Lu
e
oa
ida mi long M),
n
e
de
s. osa da
C A RTA C E L E S T E
Observativo #4, página 03
St
os ge Ca
ra rt
p
ell rogr da a
ar am com
i
In um, as l
ks
c a G I M i vr e
s
pe
. Pe
Como usar a Carta Celeste
Para boa parte do Brasil, esta carta representa a posição aproximada dos astros
no céu nas seguintes datas:
Início de Novembro
23h00min
Novembro para Dezembro
21h00min
Final de Dezembro
19h00min
Para entender a carta, posicione­a sobre a cabeça e observe de baixo para cima.
A linha azul (o Equador Celeste) representa o limite entre o Hemisfério
Celeste Sul e o Hemisfério Celeste Norte, é a projeção da Linha do Equador terrestre
no céu.
Os nomes dos Astros estão com inicial maiúscula e os das CONSTELAÇÕES
em caixa alta. As principais estrelas das constelações ocidentais visíveis nesta carta
estão unidas por linhas.
A "mancha azulada" é a Via Láctea, a nossa galáxia, que infelizmente não
conseguimos vizualizar das cidades devido à Poluição Luminosa.
Observativo #4, página 04
Uma das exposições mais vistas do Brasil pode ser levada para sua escola.
Quase um milhão de pessoas já apreciaram os 20 painéis com impressionantes
Em dezembro comemora­
mos um ano de atividades do GOA
(Goiapaba­açu
Observatório
Astronômico). Foi naquele mês de
2008 que conseguimos o primeiro
apoio do CNPq. Em março veio
outro, que selaria nosso objetivo de
construir um observatório operado
remotamente.
Para
criar
as
estruturas necessárias ao seu
funcionamento, elaboramos este
informativo, montamos um novo
laboratório no Departamento de
Física, o LASTRO (Laboratório de
Ensino, Pesquisa e Extensão em
Astrofísica),
e
desenvolvemos
atividades de divulgação da
Astronomia, pois é o lema que
carregamos: não acreditamos na
pesquisa separada da divulgação e
do ensino.
Os atendimentos do projeto
Visitas ao GOA
“Telescópios nos Bairros”
não foram como o esperado.
Muitos dias passaram em branco
pois não tivemos solicitações. Faça
a sua ainda este ano (veja ao lado).
Mesmo assim foram cerca de 1000
estudantes e interessados, além da
exposição "Paisagens Cósmicas".
Mas, como os números não são as
melhores formas de avaliação,
acreditamos
no
potencial
qualitativo. Foram várias pessoas
que
se
aproximaram
da
Astronomia e, como nós, estão
usando esta ferramenta para suas
atividades. Também realizamos
diversas sessões temáticas de
Astronomia e o Astrocine.
O grande sucesso do Ano
Internacional
da Astronomia
(AIA) foi a exposição “Paisagens
Cósmicas: da Terra ao Big Bang”.
O Parque Natural do Goiapaba­açu, onde
se localiza o GOA, em Fundão, está
aberto a visitação. Você pode fazer trilhas
na mata, contemplar o visual dos mirantes
e aos sábados e domingos lanches e
almoço em restaurante panorâmico.
Como chegar?
de Fundão, seguindo pela Rod. para Santa
Teresa, entrar no km 6, à direita. A partir
daí seguir as placas do Parque por mais
7,5km. No km 6 pode­se observar a
silhueta ilustrada
no mapa ao lado.
Expediente
fotos e textos auto-explicativos. Ligue e marque um período!
Já expomos nas bibliotecas da
UFES e do IFES. Milhares de
pessoas já viram e você também
pode levá­la para sua escola.
Acredita­se que em todo o Brasil
quase um milhão de pessoas já
apreciaram os 20 painéis com
impressionantes fotos e textos auto­
explicativos.
Te l e s c ó p i o
n o s B a i r ro s
Se sua escola ou grupo
não pode visitar o observatório,
o GOA leva telescópios e
palestras
com
projeção
multimídia até você. O serviço é
gratuito, basta oferecer o
transporte. Ligue: 4009 2484.
O lado ruim é que algumas
coisas
não
correram
como
programado. Pela UFES, o setor de
importação levou 4 meses para
encaminhar um documento. Pelo
lado da Prefeitura de Fundão, já se
foram 6 meses para realizar uma
pequena reforma e ainda não
começou.
Contudo, em 2010, após
chegarem os equipamentos, bons
céus nos esperam! Até lá!
Receba o Observativo!
Cadastre­se e receba em casa o
Observativo: www.cce.ufes.br/goa.
Realização Parceria
Apoio
Equipe GOA: Bolsistas: Rodrigo Hulle, Conrado Adverci, Karina Costa, Lívia Melina, Mário De
Prá, Nikolai B. S. Neves e Coordenação: Marcio Malacarne.
Textos, projeto gráfico e diagramação: Equipe GOA.
Revisão: Flávio Alvarenga.
Contato: (+55 27) 4009 2484 www.cce.ufes.br/goa [email protected], Av. F.Ferrari, 514, Cep 29075­910, Vitória­ES.
Este impresso foi criado usando ecofontes e programas livres: Ubuntu, Gimp, Scribus, Inkscape, OpenOffice, etc. Tiragem: 2000 cópias.
Observativo #4, página 05
P O R U M N O V O PA RA D I G M A C I E N T Í F I C O
A ciência moderna nutre um
círculo de auto­referência.
Seus resultados são validados
partindo do pressuposto que
ela está certa e é absoluta.
Não foram poucas as vezes
que a proposição de um
mundo que gira ao redor da
ciência foi colocada como um
fato inquestionável.
À partir da perspectiva de
Paul Feyerabend, onde ataca
que,
na
essência
do
surgimento da ciência e da
não ciência, não existe um
fato que realmente valide a
ciência como um elemento
superior a qualquer outra
questão. A proposição de
inquestionabilidade
da
ciência, segundo ele, é uma
prática elitista de um círculo
que impõe sua ideologia.
avanços ­ quando os métodos
acadêmicos tradicionalmente
aceitos são deixados de lado.
A proposta, que causou
surpresa no meio acadêmico
em medos da década de 1970,
está sintetizada já no próprio
nome da obra: "Contra o
Método".
Paul Feyerabend
Texto:
Murilo
Polese
(Estudante de Física­UFES) e
Equipe GOA
também, o fim
das muitas
divisões
Do ponto de vista de
Boaventura
de
Sousa,
sociólogo português, não há
sentido
em
criar
um
conhecimento
novo
e
autônomo em conflito com o
senso
comum
se
esse
conhecimento não visar a
transformação dele e a
transformar­se nele.
Quando
as
resoluções
científicas restringem­se ao
entendimento e acesso apenas
do círculo que as criam e ao
mesmo tempo são validadas
como um tipo de verdade
incontestável que serve de
referência, há a manutenção
do
afastamento
entre
sociedade e ciência, que
difere­se do senso comum e
não subjulga a uma condição
de ignorante aqueles que não
possuem o saber científico.
Postulando não apenas o
pluralismo metodológico mas,
existentes
entre
diferentes campos
do saber, o autor sugere a
utilização de contra­regras
para neutralizar a tendência
dos pesquisadores a preservar
tudo o que é antigo e familiar
­ vício acadêmico que
Feyerabend
chama
de
condição de coerência.
Para
Feyerabend,
os
paradigmas
somente
são
ultrapassados ­ e a ciência,
conseqüentemente,
faz
Ouroboros: uma cobra ou dragão
que come o próprio rabo simboliza
o circulo da evolução voltado para
si próprio, a continuidade e o
eterno retorno.
Para saber mais:
FEYERABEND, Paul, Contra o
Método. 3ªed . Rio de Janeiro:
Francisco Alves, 1989.
SOUZA, Boaventura de, Escrita
INKZ, Rio de Janeiro: Aeroplano,
2004.
Ou na Internet
V I S I TA S M O N I T O RA D A S A O G O A
Vista parcial do GOA, a 815m de altitude, durante sua construção. Nota­se ao
fundo o Mestre Álvaro e as cidades de Serra e Vitória.
Duas vezes por mês a
Equipe GOA faz
atendimento no Parque
do Goiapaba­açu, em
Fundão. Os atendimentos
são aos sábados, desde o
início da noite até 21h.
Durante o dia é possível
fazer trilhas e refeições
no restaurante
panorâmico. Para saber as
datas ligue: 4009 2484.
Veja mapa de como
chegar na página 04.
Observativo #4 ­página 06
Saturno I
Embora o observemos a muito tempo o Sistema
Solar sempre nos reserva novidades. Em outubro a NASA
divulgou que seu telescópio espacial infra vermelho
Spitzer havia fotografado um anel desconhecido do planeta
Saturno. Este anel está incrivelmente distante do planeta de
forma que seriam necessários 1 bilhão de planetas Terra
para preencher seu interior. Este gigantesco anel não havia
sido descoberto anteriormente por refletir pouquíssima luz
visível e ser provavelmente uma tênue nuvem de resíduos
de dois dos seus satélites, Phoebe e Iapetos.
Fonte: Nasa
Saturno II
Por falar em satélites de Saturno, mais um objeto
(S/2009 S 1) próximo a seus anéis passou a ser
considerado seu satélite. Assim sendo, o planeta passa a ter Ilustração mostrando a noção de escala do novo anel
oficialmente 62 satélites naturais. A descoberta é resultado
de Saturno.
da missão Cassini­Huygens (em homenagem a dois
grandes estudiosos do planeta).
Após a recente descoberta, a relação de satélites e seus respectivos planetas e planetas anões são:
Planetas
Terra: 1
Marte: 2
Júpiter: 63
Saturno: 62
Urano: 27
Netuno: 13
Total: 168
Foto compararando a Terra com Saturno.
Com certeza nossos vizinhos ainda nos reservam muitas surpresas.
Fonte: Wikipedia
Planetas Anões
Plutão: 3
Eris:1
Haumea: 2
Total: 6
Download