Impactos ambientais de pisciculturas em tanques - IBB

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Capítulo 9
Impactos ambientais de pisciculturas em tanquesrede sobre águas continentais brasileiras:
revisão e opinião
Igor Paiva Ramos1; Augusto Seawright Zanatta1; Érica de Oliveira Penha Zica1;
Reinaldo José da Silva2; Edmir Daniel Carvalho3*
1
Curso de Pós-Graduação em Biologia; Instituto de Biociências de Botucatu – UNESP, Rubião Jr. s/n;
18618-000 - Botucatu - SP
2 Instituto de Biociências de Botucatu – UNESP, Departamento de Parasitologia
3*Instituto de Biociências de Botucatu – UNESP, Departamento de Morfologia;
* autor correspondente: [email protected]
Resumo
Historicamente o homem é dependente dos rios e dos seus recursos pesqueiros. Entretanto, esta
interação com os ecossistemas aquáticos interiores acarretam impactos sobre a biota local. Atualmente
uma nova forma de interação entre o homem e os ecossistemas aquáticos, a piscicultura em tanques-rede,
está crescendo. Diversos autores relatam os impactos da atividade de pisciculturas em tanques-rede sobre
o ecossistema aquático. Estes impactos podem causar interferências na qualidade da água, nas
comunidades bentônicas, planctônicas e peixes. Ainda, há relatos de que a falta de fiscalização por parte
dos órgãos competentes levou a instalação descontrolada de tanques-rede, acarretando desequilíbrio na
comunidade planctônica e rápido processo de eutrofização artificial em lagos na Indonésia. Entretanto,
na história recente desta atividade em represas da região sudeste do Brasil há poucas evidências da perda
da qualidade da água em decorrência destes empreendimentos. Desta forma, neste controverso contexto,
estudos integrados e multidisciplinares na vertente limnológica (qualidade de água e capacidade suporte
ambiental), ictiológica (fauna agregada) zootécnica e econômica são pertinentes, visto que podem elucidar
os reais impactos e danos desta atividade, no sentido de nortear diretrizes para os órgãos de gestão
ambiental.
Environmental impacts of inland cage fish farming on Brazilian
continental waters: Review and opinion
Abstract
Historically the man is dependent on rivers and their fisheries resources. However, this interaction with
aquatic ecosystems leads to impacts on local biota. Currently a new form of interaction between man and
aquatic ecosystems, fish farming, is growing. Several authors report the impacts of the activity in cage fish
farms on the aquatic ecosystem. These impacts cause interference in water quality, benthic communities,
planktonic and fish. Still, there reports that the lack of supervision by the competent organs has led to
uncontrolled installation of tanks, which in turn resulted in imbalance in the plankton community and a
rapid process of artificial eutrophication in lakes in Indonesia. However, the recent history of activity in
dams in the region southeast of Brazil there is little evidence of loss of water quality as a result of this
activity. Thus, in this controversial context, multidisciplinary and integrated studies in limnological
(quality of water and environmental support capacity), ichthyological (fauna aggregate) zootechnical and
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economical aspects are relevant because they can elucidate whether there is damage and impacts of this
activity, to guide the national guidelines for environmental management.
1. Introdução
Historicamente o homem é dependente dos rios e dos seus recursos pesqueiros.
Entretanto, esta interação com os ecossistemas aquáticos interiores leva a impactos
sobre a biota local. Atualmente uma nova forma de interação entre o homem e os
ecossistemas aquáticos interiores, a piscicultura em tanques-rede, está crescendo.
Neste contexto, tem-se de um lado, o homem extrativista/coletor, hoje representado
pelo o pescador artesanal que explora os recursos pesqueiros de forma integrada e
pouco impactante e de outro, o piscicultor, teoricamente habilitado a manejar de
maneira utilitarista, os recursos pesqueiros visando à produção de alimento de origem
animal.
Esta situação não é diferente nas águas interiores das diferentes bacias
hidrográficas brasileiras. Novas políticas públicas incentivam a substituição da pesca
extrativista por atividades de aqüicultura, que se expande nas grandes represas ou
águas públicas abertas, sob o domínio da União (Seap, 2008). Atualmente, a taxa de
crescimento anual desta atividade no território brasileiro, é maior do que qualquer
outra atividade zootécnica. Segundo Conepe (2008), a produção total de pescado em
2006 foi estimada em mais de 1.000.000 toneladas, com a aqüicultura continental
respondendo por 18,2% deste montante, apresentando taxa de crescimento 6% maior
em relação a 2005.
Decorrente da opção energética brasileira, atualmente existe no Brasil 768
empreendimentos hidroelétricos (pequenas, médias e grandes usinas hidrelétricas),
representando 75,39% (77.523 106 MW) da potência total instalada para geração de
energia elétrica, além das termoelétricas, eólicas e outras formas. Somente o Estado de
São Paulo é responsável por aproximadamente 20% da energia hidrelétrica produzida
no país. Para tanto, utilizou os recursos hídricos da bacia do Alto Paraná, para
construção de represas, que estão presentes em seus principais rios e sub-bacias (Rio
Grande, Tiete, Paranapanema e o próprio Paraná) (ANEEL, 2009). Estas represas
alteram as características ecológicas dos ambientes aquáticos, terrestres e adjacentes
(Agostinho et al., 2007; Tundisi, 1999). Entre estas mudanças pode-se citar a criação
de novos habitats, como bancos de areia, galhadas submersas, banco de macrófitas e
principalmente o surgimento da zona pelágica e destruição de outros como, lagoas
marginais, canais, poções e corredeiras (Agostinho et al., 2007). Ainda, são
considerados ecossistemas complexos, pois, incorporam em seus vários componentes
ambientais, os efeitos decorrentes dos impactos nas bacias hidrográficas e usos
múltiplos da água (Tundisi, 2003).
Os barramentos dos rios afetam severamente a hidrologia local, implicando em
novos processos ecológicos “naturais” com tendência à simplificação da teia trófica,
na qual grande parcela da biota local é prejudicada (Agostinho et al., 2007). Os peixes
são os elementos da biota mais afetados pelas mudanças geradas após o represamento,
principalmente nos primeiros anos, pois são submetidos rapidamente aos novos
processos limnológicos dos ambientes semi-lênticos (Agostinho et al., 1999;
Agostinho et al., 2007). Durante o processo de colonização desses novos ambientes,
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há depleção de algumas populações, geralmente de hábito migratório, alta longevidade
e baixo potencial reprodutivo, para as quais as novas condições são restritivas e
explosão de outras, que têm no novo ambiente condições favoráveis. Essa
proliferação massiva é constatada entre as espécies de pequeno porte, sedentárias, com
alto potencial reprodutivo e baixa longevidade, para as quais a disponibilidade
alimentar é elevada (Agostinho et al., 1994; Carvalho e Silva, 1999; Zocchi, 2002).
Assim, a maioria das represas brasileiras possui baixa produção pesqueira, devido às
espécies peixes de pequeno porte e baixo valor econômico serem as que melhor se
ajustam e proliferam nestes novos ecossistemas, por apresentarem táticas de vida
compatíveis com o novo ambiente (Carvalho e Silva, 1999).
Em especial, para os estoques pesqueiros, além desse grande impacto primário,
o barramento dos rios, outras ações antrópicas também os diminuem qualiquantitativamente, com acentuada redução da biodiversidade lato sensu dos peixes. São
elas: introdução de espécies de peixes não nativas, contaminação ambiental devido a
efluentes agroindustriais/domésticos, perda de vegetação ripária, desmatamento,
assoreamento das margens/lagoas marginais e erosão devido à exploração
agrícola/mineral em seu entorno (Agostinho et al., 2007; Paiva, 1983; Torloni et al.,
1986). Entre esses impactos podem-se destacar a introdução de espécies de peixes não
nativas, que acarreta grandes impactos sobre a biota local, deplecionando ainda mais
os estoques pesqueiros, um importante recurso natural (Latini e Petrere, 2004; Orsi e
Agostinho, 1999; Santos e Formagio, 2000).
Especificamente, a controvertida legislação ambiental previa a mitigação dos
impactos ambientais devidos aos barramentos dos rios, de duas formas básicas: 1) as
estações de piscicultura, fazendo a reprodução de peixes em cativeiro e a reposição
dos estoques por meio de repovoamento; e/ou 2) a construção de mecanismos de
transposição (escadas, elevadores e canais para peixes), sendo a eficácia desses
procedimentos discutível (Agostinho et al., 2007). Assim, durante a execução dos
repovoamentos ocorreram muitas falhas e pelo menos vinte espécies de peixes não
nativos foram introduzidas propositalmente nas represas brasileiras, em especial na
região Sudeste. Destaca-se entre elas, a corvina (Plagioscion squamosissimus) e os
tucunarés (Cichla sp.) que são peixes de boa aceitação na pesca artesanal e esportiva.
Por outro lado, por possuírem hábito alimentar carnívoro, alimentando-se desde
insetos até peixes, causam depleção e até mesmo extinção local de espécies de peixes
nativas (Agostinho et al., 2007; Pelicice e Agostinho, 2008).
Conforme enfatizado, nos últimos anos, registra-se um crescimento
considerável na implantação de sistemas de pisciculturas em tanques-rede nas grandes
represas brasileiras, decorrente de vantagens zootécnicas sobre a piscicultura em
tanques escavados. Neste sentido, a utilização de sistemas de criação de organismos
aquáticos em gaiolas ou tanques-rede iniciou-se há mais de 50 anos, no Delta do rio
Mekong, na Ásia (Beveridge, 1984; Castagnolli, 2000; Medeiros, 2002). Em nosso país,
este sistema ganhou impulso em meados da década de 1990, principalmente na região
Sudeste (Brandão et al., 2004; Medeiros, 2002; Ono, 1998), tendo como modelo
zootécnico, as tilápias (Oreochromis niloticus e suas linhagens). Entretanto, seus impactos
ou danos sobre o ecossistema aquático ainda não foram totalmente elucidados,
requerendo ainda, estudos para uma melhor compreensão dos seus efeitos sobre a
biota e qualidade de água (Agostinho et al., 2007; Ramos et al., 2008).
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Neste contexto, o presente trabalho pretende contribuir para melhor percepção
e entendimento dos impactos e/ou danos ambientais, que a atividade de pisciculturas
em tanques-rede pode acarretar ao ecossistema aquático. Assim, a seguir é apresentada
uma revisão temática dos principais impactos ou danos ambientais decorrente da
atividade de piscicultura em represas brasileiras.
2. Impactos sobre o ecossistema aquático
2.1. Qualidade da água e eutrofização
O principal fator que possibilita a criação intensiva de organismos em sistemas
de tanques-rede é sua estrutura física, que permite fluxo contínuo de água,
aumentando a oxigenação, remoção das excretas e de outros resíduos metabólicos dos
peixes, além de propiciar a retirada das sobras de alimento (Beveridge, 1996).
Contudo, de modo similar aos sistemas de tanques escavados, no sistema de tanquesrede há entrada contínua de matéria orgânica decorrente do arraçoamento e saída de
matéria representada pela conversão em biomassa de pescado (Sipaúba-Tavares,
1995). Autores como Beveridge (2004) e Pillay (2004) relatam que até 30% da matéria
orgânica (ração) destinada à produção do pescado nesses sistemas de produção, não
são aproveitados. Assim, quantidade considerável de matéria orgânica é
disponibilizada no ecossistema aquático na forma da ração não aproveitada pelos
animais e efluentes (excretas e metabólitos) (Munday et al., 1992; Persson, 1988; Pillay,
2004). Estes efluentes, ao serem disponibilizados, podem gerar danos ao ecossistema
aquático local, como o aumento do grau de trofia da água (sensu índice de Carlson
(Henry et al., 2006) com reflexos na qualidade das águas, sendo esta situação um dos
aspectos mais preocupantes para os ambientalistas, ecólogos e gestores dos recursos
hídricos. Desta maneira, um aspecto relevante é o processo de eutrofização
(Beveridge, 2004; Pillay, 2004), uma vez que o fósforo é um dos elementos chave para
indução deste processo juntamente com o nitrogênio (Esteves, 1998; Pillay, 2004).
Esta preocupação justifica-se, pois no caso de rações comerciais brasileiras, onde o
percentual de fósforo orgânico varia entre 0,50 a 3% (Carvalho et al., 2008a),
quantidades relativamente altas deste nutriente associado à outras formas de
nitrogênio, são disponibilizadas no meio aquático e podem alavancar a produtividade
primária local.
Entretanto, estudos realizados em represas das bacias do rio Tietê e do rio
Paranapanema em sistemas de tanques-rede com menos de cinco anos de atividade e
com escala de produção de médio porte, mostraram situações similares em termos de
condições limnológicas. Para a represa eutrófica (sensu Carlson in Henry et al., 2006) de
Nova Avanhandava (baixo rio Tietê), Carvalho (2006) e Paes (2006) demonstraram
que as pisciculturas em tanques-rede ainda não estão alterando as variáveis físicoquímicas da água, uma vez que não foram detectadas diferenças significativas nesses
parâmetros (pH, clorofila a, condutividade iônica, nutrientes totais, dentre outros) em
relação a trechos sem influência do sistema de criação de peixes em tanques-rede.
Resultados similares foram encontrados por Zanatta (2007) para represa de Jurumirim
(alto rio Paranapanema) também em sistemas de médio porte (80 tanques-rede) e por
Carvalho et al. (2008b) para represa de Chavantes (médio rio Paranapanema) em
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sistema maiores (entre 200 à 400 tanques-rede), que evidenciam não haver diferenças
significativas nas condições físico-química da água e nutrientes entre trechos utilizados
para pisciculturas em tanques-rede e trechos sem a interferência desta atividade.
Contudo, nesta abordagem um fato comum em todas essas pisciculturas é a presença
de muito perífiton (popularmente chamado de lodo) junto aos tanques que são limpos
periodicamente por alguns piscicultores.
Outros autores demonstram a presença de alterações na comunidade
planctônica nos locais utilizados por esta atividade. Por exemplo, Hermes-Silva et al.
(2004) constataram na represa de Machadinho (Rio Uruguai) uma maior abundância
zooplanctônica nas áreas mais próximas aos tanques-rede, como também observado
por Dias (2008), para comunidade zooplanctônica na represa de Rosana (Rio
Paranapanema). Diaz et al. (2001) na represa de Alicura (Argentina), relata incremento
na biomassa de algas e mudanças na abundância da comunidade fitoplanctônica na
área utilizada para piscicultura em tanques-rede. Estes estudos demonstram que
dependendo da escala de produção de pescado, as pisciculturas em tanques-rede
podem induzir a mudanças na comunidade planctônica, o que pode levar a problemas
locais na qualidade da água. Reforçando essa tese, na literatura destaca-se o trabalho
de Costa-Pierce e Soemarwoto (1990) que demostram esse problema ecológico nas
represas Sauling e Cirata na Indonésia. Esses autores relatam que a falta de fiscalização
por parte dos órgãos competentes levou a instalação descontrolada de sistemas de
tanques-rede, que acarretou um desequilíbrio na comunidade planctônica e a um
rápido processo de eutrofização artificial, tendo como conseqüência perda da
qualidade da água.
Assim, a determinação da capacidade de suporte ambiental é um dos
parâmetros mais importantes para questão de qualidade das águas e seu estado trófico.
Estudos mais aprofundados, com o aprimoramento do clássico modelo de Dilon and
Rigler (1975) usado para a estimativa da capacidade suporte ambiental em nossas
represas (Carvalho et al., 2008b) devem ser executados, visto que o estabelecimento
dos limites quantitativos de tanques-rede numa determinada área aquícola são de
fundamental importância no contexto da aqüicultura responsável (Beveridge, 2004).
Neste sentido, Kubitza (1997), discute que a capacidade suporte está na dependência
dos seguintes fatores, em escala de importância: 1) quantidade de alimento; 2)
qualidade nutricional e física do alimento; 3) níveis críticos de oxigênio dissolvido; 4)
concentração de substâncias tóxicas como a amônia e o nitrito.
De maneira geral, observa-se que o manejo zootécnico das pisciculturas em
tanques-rede das represas da região sudeste do Brasil (caso do médio Tietê e alto
Paranapanema, vide Carvalho et al. 2006 e 2008a), ainda não estão interferindo
significantemente sobre a qualidade da água e estado trófico destes ecossistemas. Os
resultados indicam que devido a pequena quantidade de tanques-rede e
empreendimentos ainda recentes nessas represas, a biota está sendo capaz de mitigar
os impactos desta atividade, reciclando na coluna d`água os efluentes aportados. Esta
hipótese torna-se plausível desconsiderando-se o modelo simplificado de Dilon and
Rigler (1975), fundamentado apenas no aporte e sedimentação do fósforo gerado pelo
sistema de piscicultura e observa-se de maneira mais holística e integrada o
ecossistema aquático e sua capacidade de responder a interferências antrópicas. Para
tanto, os estudos de Ramos et al. (2008) e Ramos (2009) servem de respaldo para essa
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nova hipótese, visto que várias espécies de peixes agregam-se aos sistemas de
piscicultura, criando novas teias alimentares, sustentadas pelo aporte de efluentes e
sobra de rações. No tocante as sobras de rações, Ramos (2009) demonstra grande
aproveitamento destas por uma espécie nativa (Pimelodus maculatus, popular mandiúva)
abundantes no entorno dos tanques-rede.
2.2. Sedimento e comunidade bentônica
As áreas próximas aos sistemas de pisciculturas em tanques-rede recebem
grande parte dos efluentes gerados por esta atividade, que irão ser depositados na
forma de sedimentos orgânicos (Beveridge, 2004). Neste sentido, Alves et al. (2004),
relatam que 66% do fósforo aportado pelo arraçoamento será depositado no
sedimento, podendo causar mudanças em suas características físico-químicas e
conseqüentemente mudanças na comunidade bentônica. Devido a estes fatos, a
análise do sedimento é uma boa ferramenta para detectar mudanças limnológicas
induzidas por pisciculturas em tanques-rede.
Sob este enfoque, há na literatura poucos registros abordando os impactos das
pisciculturas em tanques-rede sobre a qualidade do sedimento em represas brasileiras.
Alves et al. (2004) observaram que no Córrego do Arribada (baixo rio Tietê, SP)
houve aumento nos processos de sedimentação e na concentração de nutrientes no
sedimento próximo aos tanques, após um curto período de tempo da implantação da
piscicultura. Hermes-Silva et al. (2004) constataram na represa de Machadinho (Rio
Uruguai) uma maior abundância de macroinvertebrados bentônicos na área mais
próxima aos tanques-rede, devido ao maior acúmulo de matéria orgânica no local.
Resultado semelhante também foi registrado por Menezes e Beiruth (2003) ao estudar
a comunidade bentônica de Guarapiranga (São Paulo), que apresentou maior
abundância em áreas próximas as pisciculturas, entretanto menor diversidade de
espécies. Enfatiza-se que o mesmo foi observado por Kelly (1993) em lagos da
Escócia e por Kutti (2008) em um fiorde Norueguês, demonstrando que este fato
pode ocorrer independente do ecossistema aquático analisado.
Estes fatos demonstram que a pisciculturas, em menor ou maior escala, estão
modificando o sedimento e conseqüentemente a comunidade bentônica das represas
brasileiras, embora não haja relatos sobre danos na qualidade do sedimento e
comunidade bentônica para estes locais. Entretanto, na aqüicultura marinha, de maior
porte (milhares de tanques) e já consolidada algumas mudanças preocupantes quanto à
qualidade do sedimento são observadas. Nesta questão, Carrol et al. (2003), ao estudar
salmoniculturas na Noruega, registraram que aproximadamente 32% das pisciculturas
estudadas apresentaram padrão de qualidade de sedimento ruim ou péssimo no
entorno dos tanques, enquanto que 10% apresentaram a mesma condição em
distâncias intermediárias. Ainda, segundo Wu (1995) os maiores impactos da
aqüicultura marinha sobre o sedimento são a alta demanda de oxigênio, sedimento
anóxico, produção de gases tóxicos e o decréscimo da diversidade bentônica. Desta
maneira, impactos semelhantes podem ser esperados para piscicultura em represas
brasileiras, caso esta atividade continue a crescer sem a devida ordenação e
planejamento ambiental.
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2.3. Ictiofauna
A ictiofauna dos rios brasileiros, por apresentar grande diversidade de espécies,
que possuem táticas de vida diferenciadas, vem conseguindo se ajustar precariamente
aos contínuos distúrbios ambientais, tais como o represamento (Agostinho et al.,
2007). Atualmente, a atividade de piscicultura em tanques-rede, encontra-se em
expansão nas represas brasileiras, sendo que seus impactos sobre a ictiofauna ainda
são desconhecidos. Assim, devido a alterações ambientais como mudanças na
comunidade planctônica e bentônica, causadas por esta atividade, pode-se inferir que
também haja impactos quali-quantitativos sobre a ictiofauna das represas brasileiras.
Estudos recentes nas bacias do médio Tietê e no Alto Paranapanema (Carvalho
et al., 2006 e 2008) demonstram que as pisciculturas em tanques-rede afetam de
diferentes formas a ictiofauna residente. Quanto ao número de espécies ou
“diversidade”, Paes (2006) relata para a represa eutrófica de Nova Avanhandava,
maior diversidade de espécies de peixes no entorno dos tanques, no entanto, há
dominância de poucas espécies (Plagioscion squamosissimus, Astyanax altiparanae e Metynnis
maculatus), o que demonstra um desequilíbrio em relação aos trechos sem pisciculturas
(“ecossistema natural”). Na represa oligotrófica de Jurumirim, resultado equivalente
foi registrado por Zanatta (2007) que também observou uma maior diversidade de
peixe no entorno dos tanques, mas com dominância por poucas espécies. Estes fatos
são semelhantes aos reportados na literatura para aqüicultura em ecossistemas
costeiros marinhos, onde também é constatado o efeito da atratividade destes sistemas
(grande número de animais e dominância por poucas espécies no entorno do sistema
de criação) (Boyra et al., 2004; Dempster et al., 2003; Håkanson, 2005).
Outra interferência induzida por esse tipo de piscicultura em relação à
ictiofauna é a mudança nas táticas alimentares dos peixes residentes. Ramos et al.
(2008), para a represa de Nova Avanhadava, relata que as espécies mais abundantes ao
redor da piscicultura estudada (Plagioscion squamosissimus, Astyanax altiparanae e Metynnis
maculatus), apresentaram mudanças em sua dieta em relação a exemplares capturados
nos trechos sem influência desta atividade. Neste sentido, o autor registra que Metynnis
maculatus (pacu-prata), alimentou-se quase que exclusivamente de restos de ração em
áreas próximas aos tanques-rede, mudando seu hábito alimentar, que no ambiente
natural é herbívoro. Ainda, demonstrou que para as três espécies estudadas, o
comprimento padrão e peso total foram maiores nos exemplares coletados próximos
aos tanques de piscicultura. Conclui que as pisciculturas em tanques-rede podem levar
a mudanças na dieta de algumas espécies de peixes, tendo isto reflexos sobre a cadeia
alimentar local. Sob esta mesma vertente, Eche (2008), relata que a espécie
Auchenipterus osteomystax (bagre) na represa de Rosana (baixo Paranapanema),
apresentou maiores valores no fator de condição e na densidade calórica em
exemplares das áreas próximas aos tanques-rede. Este fato é um indício que a
piscicultura pode estar alterando quali-quantitativamente os alimentos disponibilizados
para esta espécie, com reflexos em suas condições somáticas.
Sob esta óptica, conclui-se que as pisciculturas em tanques-rede ao alterar a
dieta dos peixes residentes em áreas próximas, estarão interferindo em toda a dinâmica
ecológica local, em especial na teia alimentar, visto que estarão estabelecendo novas
relações ecológicas na biota local, como inferido por Eche (2008), Håkanson (2005) e
Ramos et al. (2008). Desta forma, infere-se que este tipo de atividade zootécnica, em
Impacto da piscicultura continental em tanques-rede
94
ecossistemas aquáticos amplos e abertos, promove impactos que ainda não estão
totalmente elucidados para as condições das bacias hidrográficas brasileiras.
2.4. Introdução de patógenos
A piscicultura é considerada um dos principais meios de introdução de espécies
exóticas em novos ecossistemas, favorecendo a dispersão de doenças parasitárias entre
as espécies nativas (Welcomme, 1988). No Brasil, o impacto ecológico da introdução
de espécies exóticas de peixes tem sido analisado e foi demonstrado que uma das
principais conseqüências deste processo ecológico são a introdução de patógenos e
parasitos em peixes nativos (Agostinho e Júlio Jr, 1996).
Diversos exemplos sobre esta prática podem ser citados no Brasil. O mais
importante é a lerneose, doença caracterizada pela presença do copépodo Lernea
cyprinacea ao longo do corpo do hospedeiro, causando hemorragias e processos
inflamatórios, com posterior necrose do tecido circundante (Alexandrino et al., 1999).
As lesões ulcerosas provocadas pela estrutura em forma de âncora do copépodo
servem também como porta de entrada para fungos e bactérias, causando a morte do
hospedeiro parasitado (Querol et al., 2005). Segundo Fortes et al. (1998), a L. cyprinacea
foi introduzida no Brasil através da importação de carpas húngaras (Cyprinus carpio),
para a região Nordeste. Este parasita disseminou-se posteriormente para as regiões
Sudeste, Centro-Oeste e Sul, tendo sido encontrado parasitando diversas espécies de
peixes nativos, entre elas, Cyphocharax spilotus, Cyphocharax voga e Steindachnerina biornata
(Querol et al., 2005), o que representa um sério problema ecológico, bem como peixes
em pisciculturas (Alexandrino et al., 1999), causando importante impacto econômico.
Entretanto, o impacto do sistema de piscicultura em tanques-rede na dispersão
de parasitos ainda não foi efetivamente demonstrado. Zica (2008) realizou estudo
abordando esta temática em sistema implantado há menos de cinco anos na represa de
Chavantes e observou que tilápias-do-Nilo (O. niloticus), criadas em cativeiro
apresentavam altas taxas de infecção por Trichodina sp. e monogenéticos, sugerindo
que a espécie poderia estar introduzindo estes agentes no ecossistema. Porém, não foi
observado a ocorrência destes parasitas de tilápia infectando os peixes nativos. Por
outro lado, analisando-se as taxas de infecção por monogenéticos em mandis
(Pimelodus maculatus), capturados ao redor dos tanque-redes e comparando com os
peixes de pontos afastados desse sistema (grupo controle), observou significativa
redução dos parasitas nos peixes capturados ao redor da piscicultura, sugerindo um
efeito negativo do sistema de criação no ciclo biológico do parasita. Esse estudo
levanta o questionamento da possibilidade de alteração desta situação atual com o
decorrer dos anos e, portanto, sugere que a atividade de piscicultura em sistema de
tanques-rede deve ser exaustivamente monitorada no sentido de se avaliar o possível
potencial desta atividade na introdução de patógenos.
3. Considerações finais
Diversos autores relatam os impactos da atividade de pisciculturas em tanquesrede sobre o ecossistema aquático. Estes impactos causam interferências na qualidade
da água, nas comunidades bentônicas, planctônicas e peixes. Entretanto, na historia
recente desta atividade em represas da região sudeste do Brasil há poucas evidências
Impacto da piscicultura continental em tanques-rede
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da perda da qualidade da água em decorrência destes empreendimentos. Neste
sentido, com base nas informações apresentadas, pode-se inferir que os efluentes
emitidos por essa atividade certamente estão sendo aproveitados pela biota residente
em áreas próximas as pisciculturas. Assim, a biota destes ecossistemas está prestando
um importante serviço ambiental, uma vez que consumindo estes efluentes diminui os
efeitos da eutrofização artificial.
Ainda, este tipo de ação antrópica, com vista à produção de alimentos, possui
outras questões que merecem aprofundamentos e discussão. Entre eles pode-se citar a
utilização de espécies não-nativas, com seus inerentes escapes e inserção na ictiofauna
local, o uso de antibióticos nas rações, produtos para assepsias de instrumentos de
manejo, tratamentos in locu de doenças e parasitas, com uso de produtos químicos
nocivos à saúde ambiental e pública. Com base nessa situação, Agostinho et al. (2007)
argumenta que esta complexa atividade exige de seus executores e gestores, dentre
outros, aprendizados constantes, assistência técnica especializada e contínua e
principalmente suporte científico, para se evitar graves danos ambientais.
Desta forma, neste controverso contexto, estudos integrados e
multidisciplinares na vertente limnológica (qualidade de água e capacidade suporte
ambiental), ictiológica (fauna agregada) zootécnica e econômica são pertinentes, visto
que podem elucidar se há impactos e danos desta atividade, no sentido de nortear
diretrizes para os órgãos de gestão ambiental, visando o ordenamento da atividade.
Consequentemente, evitar os graves problemas relacionados à eutrofização artificial,
aos escapes de espécies alóctones ao meio aquático. Enfim, executar medidas que
preservem os recursos hídricos e aquáticos de nossas bacias hidrográficas e garantir a
aplicação da tríade (sustentabilidade e responsabilidade ambiental, social e econômica)
que pressupõe que a aqüicultura intensiva deve ser executada com planejamento,
gerenciada com suporte técnico-científicos e balizada por diretrizes legais (Ayroza et
al., 2006).
Referências Bibliográficas
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