CULTIVO DE EUCALIPTO E POTENCIAL DE AQUECIMENTO

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CULTIVO DE EUCALIPTO E POTENCIAL DE AQUECIMENTO GLOBAL
NO BIOMA PAMPA(1)
Izabela da Silva Mendes(2), Cristiano Carvalho da Silva(3), Rosângela Silva Gonçalves
Nunes(3), Alisson de Mello Deloss(3) Mirla Andrade Weber(3), Frederico Costa Beber
Vieira(4)
(1)
Trabalho executado com recursos dos Editais AGP-2014, AGP-2015, FAPERGS 2014 - PROBIC e edital UniversalCNPq processo 473484/2012-9.
(2) Acadêmica do curso de Engenharia Florestal, bolsista Fapergs PROBIC; Universidade Federal do Pampa
(UNIPAMPA) - Av. Antônio Trilha, 1847, Centro, São Gabriel, RS, 97300-000, [email protected];
(3) Acadêmicos do curso de Engenharia Florestal, Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) - Av. Antônio Trilha,
1847, Centro, São Gabriel, RS, 97300-000, [email protected]; [email protected]
(3) Doutoranda do Programa de Pós Graduação em Ciências Biológicas; Universidade Federal do Pampa, ) - Av. Antônio
Trilha, 1847, Centro, São Gabriel, RS, 97300-000, [email protected]
(3) Professora adjunta, co-orientadora; Universidade Federal do Pampa, [email protected];
(4) Professor adjunto, Orientador; Universidade Federal do Pampa, [email protected].
Palavras-Chave: óxido nitroso, silvicultura, metano.
INTRODUÇÃO
O termo “efeito estufa” vem ganhando cada vez mais visibilidade, e os fatos decorrentes deste
fenômeno tem sido cada dia mais vistos pela sociedade, e pela comunidade científica. O solo tem a
capacidade de atuar como mitigador de emissões de gases contribuintes para o efeito estufa, mas também
pode a tornar-se emissor, dependendo do uso e do manejo realizados nesse solo. Para se obter uma
estimativa é realizada a análise do Potencial de Aquecimento Global (PAG) que permite comparar o efeito
potencial da emissão e auxiliam nas formulações de políticas públicas, em relação às mudanças do clima. A
redução na utilização de combustíveis fósseis, diminuição das taxas de desmatamento, uso inadequado do
solo e, por fim, práticas de maximização do sequestro de C no solo é imprescindível para a redução dessas
emissões (CERRI et al., 2007). O bioma Pampa vem apresentado alto crescimento na monocultura do
eucalipto nos últimos anos (ZARTH; GERHARDT, 2009.), porém pouco se sabe ainda sobre o efeito desta
mudança de uso do solo nos fluxos de CH4 e N2O. Este trabalho objetivou avaliar a introdução de Eucaliptus
saligna e os efeitos decorrentes em relação aos fluxos de CH4 e N2O do solo em área de campo nativo, e
avaliar as emissões destes gases em mata nativa adjacente no Pampa Gaúcho.
METODOLOGIA
O estudo ocorreu em um período de três anos, entre os anos de 2011 a 2014, em uma área de
plantios florestais de eucalipto, no município de Cacequi, RS. Foram analisados cinco tratamentos, sendo:
Eucalipto com quatro anos com serrapilheira (E4-C); Eucalipto com quatro anos e retirada manual da
serrapilheira (E4-S); Eucalipto com dois anos (E2); Campo natural (tratamento de referência) (CN); e Mata
nativa (MN). Para coleta dos gases foram utilizadas três câmaras estáticas por tratamento, em um
delineamento inteiramente casualizado. As coletas de ar ocorreram aproximadamente a cada 15 dias. Em
cada coleta de gases, foi coletado solo para análise de umidade e teores de nitrogênio mineral (amônio NH 4
e nitrato NO3). A concentração de CH4 e N2O foi determinada por cromatografia gasosa. A emissão
acumulada de gases foi submetida à análise de variância e teste de Tukey (P<0,10). O cálculo do Potencial
de Aquecimento Global Parcial (PAGp) foi realizado com base nos fluxos dos gases nos três anos de
avaliação, segundo IPCC (2007).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
As taxas de emissão acumulada de CH4 (figura 1;A) foram estatisticamente semelhantes quando
comparados os tratamentos com eucalipto em relação à vegetação de campo natural, que era o uso do solo
antes da conversão para silvicultura nestes locais. Estes tratamentos apresentaram absorção de CH4 pelo
solo (tratamentos com valores negativos) ou, no máximo, emissão de cerca de 1000 kg CE ha -1. Na MN, no
entanto, houve a maior emissão de CH4, o que se deve ao fato da mata avaliada ser de área ripária e,
portanto, com maior umidade do solo. Não houve diferença significativa (P<0,10) entre os tratamentos
Anais do 8º Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão – Universidade Federal do Pampa
quanto à emissão acumulada de N2O (figura 1;B). No entanto, há uma tendência de que solo com CN
apresente mitigação de N2O, enquanto os demais apresentaram valores de emissão líquida deste gás, com
média de aproximadamente 1100 kg CE ha-1 ano-1.
Ao observar conjuntamente a contribuição do CH4 e do N2O para o PAGp (figura 1;C), verifica-se que o solo
com campo natural apresentou o maior potencial de mitigação, No entanto, as áreas com eucalipto
apresentaram valores de PAGp pequenos e que, se comparados com a taxa de sequestro de C na
biomassa de eucalipto (cerca de 10 toneladas C ha-1 ano-1; dados não demonstrados), tais taxas são
totalmente compensadas e o plantio das árvores acaba sendo o tratamento mais mitigador entre os
avaliados.
Figura 1 – Emissão acumulada de Metano (CH4; A) e óxido nitroso (N2O; B) do solo avaliados em 3
anos, Estimativa do Potencial de Aquecimento Global Parcial (PAGp;C), Médias seguidas pela
mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey (P<0,10, NS= não significativa)
(Fonte: Elaborado pelo autor)
CONCLUSÕES
O solo com campo natural apresentou maior potencial de mitigação, tanto para CH4 quanto para N2O
e PAGp, comprovando o potencial do Bioma Pampa de mitigação de gases do efeito estufa evidenciando a
importância de se preservar o bioma característico da região sul do Brasil. No entanto, a inserção do
eucalipto não diferiu significativamente em relação ao solo com campo natural.
REFERÊNCIAS
CARVALHO, J. L. N. et al. Potencial de sequestro de carbono em diferentes biomas do Brasil. Rev. Bras.
Ciênc. Solo, Viçosa, v. 34, n. 2, p. 277-290, abr. 2010
CERRI, C.C. & CERRI, C.E.P. Agricultura e aquecimento global. Boletim Informativo. Sociedade
Brasileira Ciência do Solo, 23:40–44, 2007.
IPCC – Intergovernmental Painel on Climate Change. Climate Change 2007: The Physical Science
Basis, 2007.
Anais do 8º Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão – Universidade Federal do Pampa
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