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Capítulo 9: Análise de mercados competitivos
CAPÍTULO 9
ANÁLISE DE MERCADOS COMPETITIVOS
OBSERVAÇÕES PARA O PROFESSOR
Com exceção do Capítulo 1, o Capítulo 9 é o de mais fácil compreensão no livro. O
capítulo começa com uma revisão dos conceitos de excedente do consumidor e do produtor, na
Seção 9.1. Caso tais conceitos não tenham sido discutidos antes, é importante que se explique
cuidadosamente a definição de cada um. A Seção 9.2 discute o conceito básico de eficiência em
mercados competitivos comparando os resultados de um mercado competitivo com aqueles onde
ocorrem falhas de mercado. Uma discussão mais detalhada sobre eficiência é apresentada no
Capítulo 16.
As seções 9.3 a 9.6 mostram exemplos de políticas de governo que conduzem o mercado a
um resultado diferente do equilíbrio competitivo (eficiente). Dentre elas, a escolha das seções a
serem discutidas em sala de aula fica a critério do professor, podendo variar de acordo com as
restrições de tempo e as preferências pessoais. Tais seções apresentam um formato padrão:
primeiro, discutem-se em termos gerais as razões pelas quais a intervenção governamental gera um
peso morto; em seguida, analisa-se um exemplo de política. O tópico de cada seção é abordado em
uma questão para revisão e, pelo menos, em um exercício. O Exercício (1) trata da questão do
salário mínimo, apresentada na Seção 9.3. Os Exercícios (4) e (5) discutem os suportes de preço e
as quotas de produção, analisados na Seção 9.4. Os Exercícios (3), (6), (7), (8), (11) e (12) abordam
a questão da escolha entre impostos de importação e quotas, apresentada na Seção 9.5. Os
Exercícios (2), (9) e (14) tratam dos efeitos de impostos e subsídios, discutidos na Seção 9.6. O
Exercício (10) apresenta uma revisão do Exemplo 9.1, relativo aos controles de preço do gás
natural, que, por sua vez, é uma continuação do Exemplo 2.7. O Exercício (4) é semelhante ao
Exemplo 9.4 e pode ser discutido como uma extensão do Exemplo 2.2.
QUESTÕES PARA REVISÃO
1. Qual é o significado de peso morto? Por que razão a implementação de um preço máximo
geralmente resulta em peso morto?
O peso morto se refere ao bem-estar perdido por consumidores ou produtores
quando os mercados não operam de forma eficiente. O termo "peso morto" indica
que o bem-estar perdido por um indivíduo não é capturado por nenhum outro
indivíduo. A implementação de um preço máximo geralmente resulta em um peso
morto, pois para qualquer preço abaixo do preço de equilíbrio de mercado, a
quantidade ofertada será menor que a quantidade de equilíbrio, gerando uma perda
de excedente para os produtores. Os consumidores comprarão menos do que a
quantidade de equilíbrio, o que resultará em uma perda de excedente para os
consumidores. Os consumidores também comprarão menos do que a quantidade
demandada ao preço máximo. O excedente perdido pelos consumidores e pelos
produtores não é capturado por nenhum outro grupo, constituindo, portanto, o peso
morto.
2. Suponhamos que a curva da oferta de uma mercadoria seja completamente inelástica. Se o
governo impusesse um preço máximo inferior ao preço de mercado, isso resultaria em um
peso morto? Explique.
132
Capítulo 9: Análise de mercados competitivos
Quando a curva da oferta é completamente inelástica, a fixação de um preço
máximo inferior ao preço de mercado transfere todo o excedente perdido pelos
produtores para os consumidores. O excedente do consumidor aumenta devido à
diferença entre o preço do mercado e o preço máximo vezes a quantidade de
equilíbrio. Os consumidores capturam toda a redução na receita total. Logo, não há
peso morto.
3. De que maneira o preço máximo pode melhorar a situação dos consumidores? Sob quais
condições ele poderia torná-la pior?
Se a curva da oferta é perfeitamente inelástica, um preço máximo aumenta o
excedente do consumidor. Se a curva da demanda é inelástica, controles de preço
podem resultar em perda líquida de excedente do consumidor, pois os consumidores
dispostos a pagar um preço mais elevado não conseguem adquirir o bem ou serviço
cujo preço é controlado. A perda do excedente do consumidor é maior do que a
transferência do excedente do produtor para os consumidores. Se a demanda é
elástica (e a oferta é relativamente inelástica), os consumidores auferem um
aumento no excedente do consumidor.
4. Suponhamos que o governo regulamente o preço de uma mercadoria de modo que não
possa ser inferior a determinado nível mínimo. Será que tal preço mínimo tornará pior a
situação dos produtores como um todo? Explique.
Dado que um preço mais elevado aumenta a receita e diminui a demanda, parte do
excedente do consumidor é transferida para os produtores, mas parte da receita dos
produtores é perdida, pois os consumidores compram menor quantidade do produto.
O principal problema de uma política de preços mínimos refere-se aos sinais
equivocados que transmite aos produtores. O aumento no preço incentiva os
produtores a aumentar sua produção além do nível que os consumidores estão
dispostos a comprar. Os custos adicionais associados a esse aumento de produção
podem anular todos os ganhos decorrentes do aumento de receita. Logo, a menos
que todos os produtores reduzam sua produção, uma política de preço mínimo pode
piorar a situação dos produtores como um todo.
5. De que modo são utilizadas, na prática, as limitações de produção para os seguintes bens e
serviços: (a) corridas de táxi; (b) bebidas em um restaurante ou bar; (c) trigo ou milho?
Em geral, as autoridades municipais regulam o número de táxis através da
concessão de licenças. Quando o número de táxis é menor que o nível que
prevaleceria na ausência de regulamentação, os táxis no mercado podem cobrar um
preço mais alto que o nível competitivo.
As autoridades estatais geralmente regulam o número de licenças para
comercialização de bebidas alcoólicas. O requisito de que qualquer bar ou
restaurante que sirva bebidas alcoólicas possua uma licença, acoplado ao número
limitado de licenças concedidas, implica significativas barreiras à entrada de novos
bares ou restaurantes em seus respectivos mercados. Os estabelecimentos que
possuem uma licença podem cobrar preços mais elevados pelas bebidas alcoólicas.
As autoridades federais geralmente regulam o número de acres de trigo ou milho
produzidos através da criação de programas de limitação do uso das terras, que
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Capítulo 9: Análise de mercados competitivos
procura incentivar os agricultores a manterem parte de sua terra ociosa. Isso tende a
reduzir a oferta e, conseqüentemente, aumentar o preço do trigo ou milho.
6. Suponhamos que o governo queira elevar a renda dos agricultores. Por que o suporte de
preços ou os programas de limitação de área de plantio custam à sociedade mais do que a
simples doação de dinheiro aos produtores?
Os suportes de preço e as limitações de área de plantio custam à sociedade mais do
que o custo desses programas em dólares, porque, devido à elevação dos preços em
cada caso, a quantidade demandada diminuirá e o excedente do consumidor
aumentará. Isso levará a um peso morto porque o produtor não é capaz de capturar a
perda de excedente. A doação de dinheiro aos produtores não resulta em nenhum
peso morto, mas é meramente uma redistribuição do excedente de um grupo para
outro.
7. Suponhamos que o governo queira limitar as importações de determinada mercadoria.
Seria preferível a utilização de quota de importação ou de tarifa de importação? Por quê?
As mudanças no excedente dos produtores e consumidores internos são as mesmas
quando da utilização de quotas ou de tarifas de importações. Haverá uma perda no
excedente total (interno) nos dois casos. Entretanto, com a tarifa, o governo obtém
uma receita igual à multiplicação da tarifa pela quantidade de mercadorias
importadas, e essa receita pode ser redistribuída na economia interna para
compensar o peso morto interno; por exemplo, reduzindo impostos. Logo, há menos
perda para a sociedade interna como um todo. Com a quota de importação, os
produtores estrangeiros podem capturar a diferença entre o preço interno e o preço
mundial multiplicada pela quantidade de mercadorias importadas. Assim, com a
quota de importação, há perda para a sociedade interna como um todo. Se o governo
nacional estiver tentando aumentar o bem-estar, deve utilizar a tarifa.
8. A carga fiscal decorrente de um imposto é compartilhada por produtores e por
consumidores. Sob quais condições os consumidores pagarão a maior parte do imposto? Sob
quais condições isso será feito pelos produtores? O que determina a parcela do subsídio que
beneficia os consumidores?
A carga fiscal decorrente de um imposto e os benefícios de um subsídio dependem
das elasticidades da demanda e da oferta. Se a razão entre a elasticidade da demanda
e a elasticidade da oferta for pequena, a carga fiscal recairá principalmente sobre os
consumidores. Por outro lado, se a razão entre a elasticidade da demanda e a
elasticidade da oferta for grande, a carga fiscal recairá principalmente sobre os
produtores. Da mesma forma, o benefício de um subsídio será maior para os
consumidores (produtores) se a razão entre a elasticidade da demanda e a
elasticidade da oferta for pequena (grande).
9. Por que um imposto cria um peso morto? O que determina o tamanho desse peso?
Um imposto cria um peso morto por aumentar artificialmente os preços acima do
nível do livre mercado, reduzindo, assim, a quantidade de equilíbrio. Essa redução
na demanda diminui tanto o excedente do produtor como o do consumidor. O
tamanho do peso morto depende das elasticidades da oferta e da demanda. À
medida que a elasticidade da demanda aumenta e a elasticidade da oferta diminui,
isto é, a oferta se torna mais inelástica, o peso morto aumenta.
134
Capítulo 9: Análise de mercados competitivos
EXERCÍCIOS
1. Em 1996, o Congresso norte-americano aprovou um aumento do salário mínimo de $4,25
para $5,15 por hora. Algumas pessoas sugeriram que um subsídio do governo concedido
aos empregadores poderia ajudar a financiar os salários após o aumento. Esse exercício
examina o aspecto econômico de um salário mínimo e dos subsídios salariais. Suponhamos
que a oferta de mão-de-obra pouco qualificada seja expressa pela equação:
S
L = 10 w
S
onde L é a quantidade de trabalho (em milhões de pessoas empregadas a cada ano) e w é
taxa de remuneração (em dólares por hora). A demanda por trabalho é expressa pela
equação:
D
L = 80 - 10 w .
a.
Quais serão, respectivamente, a taxa de remuneração e o nível de emprego com livre
mercado? Suponhamos que o governo defina um salário mínimo de $5 por hora.
Quantas pessoas poderiam ser empregadas?
No equilíbrio de livre mercado, LS = LD. Resolvendo, obtém-se w = $4 e LS = LD
= 40. Se o salário mínimo é de $5, logo, LS = 50 e LD = 30. O número de pessoas
empregadas será dado pela demanda de mão-de-obra; então, os empregadores
contratarão 30 milhões de trabalhadores.
W
LS
8
5
4
LD
30
b.
40
50
80
L
Suponhamos que, em vez de definir um salário mínimo, o governo pagasse um
subsídio de $1 por hora a cada empregado. Qual seria agora o nível total de emprego?
Qual seria o salário de equilíbrio?
Digamos que w seja o salário recebido pelo empregado. Então, o empregador, que
recebe $1 de subsídio por hora trabalhada, paga apenas w-1 para cada hora
trabalhada. Como mostrado na figura anterior, a curva da demanda de trabalho se
desloca para:
135
Capítulo 9: Análise de mercados competitivos
LD = 80 - 10 (w-1) = 90 - 10w,
onde w representa o salário recebido pelo empregado.
O novo equilíbrio será dado pela interseção da curva da oferta original com a nova
curva da demanda, ou seja, 90-10W** = 10W**, ou w** = $4,5 por hora e L** =
10(4,5) = 45 milhões de pessoas empregadas. O custo real para o empregador é de
$3,5 por hora.
s
W
L = 10w
9
salário e emprego
após o subsídio
8
(subsídio)
4.5
4
D
L = 90-10w
D
L = 80-10w
40
45
90
80
L
2. Suponhamos que o mercado de certo bem possa ser expresso pela seguintes equações:
Demanda: P = 10 - Q
Oferta: P = Q - 4
onde P é o preço em dólares por unidade e Q é a quantidade em milhares de unidades. Então:
a.
Quais são, respectivamente, o preço e a quantidade de equilíbrio?
O preço e a quantidade de equilíbrio podem ser encontrados igualando a oferta à
demanda e resolvendo, primeiro, QEQ:
10 - Q = Q - 4, ou QEQ = 7.
Em seguida, insira o valor calculado de QEQ na equação de demanda ou na equação
de oferta para obter PEQ.
PEQ = 10 - 7 = 3,
ou
PEQ = 7 - 4 = 3.
b.
Suponhamos que o governo crie um imposto de $1 por unidade, a fim de reduzir o
consumo desse bem e elevar a própria receita. Qual passará a ser a nova quantidade
de equilíbrio? Qual o preço que o comprador passará a pagar? Qual o valor que o
vendedor passará a receber por unidade vendida?
136
Capítulo 9: Análise de mercados competitivos
A cobrança de um imposto de $1,00 por unidade desloca a curva de demanda para a
esquerda. Para cada preço, o consumidor deseja comprar menos. Em termos
algébricos, a nova função de demanda é:
P = 9 - Q.
A nova quantidade de equilíbrio pode ser calculada da mesma forma que no item
(2a):
9 - Q = Q - 4, ou Q* = 6,5.
Para determinar o preço pago pelo comprador, PB* , use o valor de Q* na equação de
demanda:
PC* = 10 - 6,5 = $3,50.
Para determinar o preço recebido pelo vendedor, PV* , use o valor de Q* na equação
de oferta:
PV* = 6,5 - 4 = $2,50.
c.
Suponhamos que o governo mude de opinião a respeito da importância desse bem
para a satisfação do público. Dessa maneira, o imposto é removido, e um subsídio de
$1 por unidade é concedido a seus produtores. Qual passará a ser a nova quantidade
de equilíbrio? Qual o preço que o comprador passará a pagar? Qual o valor que o
vendedor passará a receber (incluindo o subsídio) por unidade vendida? Qual será o
custo total para o governo?
A curva da oferta original era P = Q - 4. Com um subsídio de $1,00 para os
produtores, a curva da oferta se desloca para a direita. Lembre-se de que a curva da
oferta de uma empresa é sua curva de custo marginal. Com um subsídio, a curva de
custo marginal se desloca para baixo de acordo com o valor do subsídio. A nova
função de oferta é:
P = Q - 5.
Para obter a nova quantidade de equilíbrio, considere a nova curva da oferta igual à
curva da demanda:
Q - 5 = 10 - Q, ou Q = 7,5.
O comprador paga P = $2,50, e o vendedor recebe esse valor mais o subsídio, isto é,
$3,50. Com a quantidade de 7.500 e um subsídio de $1,00, o custo total do subsídio
para o governo será de $7.500.
3. Os produtores japoneses de arroz têm custos de produção extremamente elevados, em
parte por causa do alto custo de oportunidade da terra e por sua capacidade de tirar
proveito da produção em grande escala. Analise as duas seguintes políticas, cujo objetivo é a
preservação da produção de arroz pelos japoneses: (1) concessão de um subsídio para cada
libra de arroz produzido pelos agricultores ou (2) criação de um imposto incidindo sobre
cada libra de arroz importado. Ilustre com diagramas da oferta e da demanda o preço e a
quantidade de equilíbrio, o nível da produção interna de arroz, a receita ou o déficit
governamental e o peso morto decorrente de cada política. Qual será a política que o governo
137
Capítulo 9: Análise de mercados competitivos
japonês provavelmente preferirá? Qual será a política que os agricultores japoneses
provavelmente preferirão?
A primeira figura, a seguir, mostra os ganhos e perdas gerados por um subsídio por
libra produzida. S é a oferta interna, D é a demanda interna, PS é o preço subsidiado,
PC é o preço pago pelos compradores, e PEQ é o preço de equilíbrio na ausência de
subsídio, supondo que não haja importações. Com a concessão do subsídio, os
compradores demandam Q1. Os agricultores ganham quantias equivalentes às áreas
A e B  que correspondem ao aumento no excedente do produtor. Os consumidores
ganham o equivalente às áreas C e F  que correspondem ao aumento no
excedente do produtor. O peso morto é igual à área E. O governo paga um subsídio
igual às áreas A + B + C + F + E.
A segunda figura mostra os ganhos e perdas gerados por um imposto de importação
por libra do produto. PW é o preço mundial e PEQ é o preço de equilíbrio. Com o
imposto, dado por PEQ - PW, os compradores demandam QT,, os agricultores ofertam
QD, e QT - QD é a quantidade importada. Os agricultores obtêm um excedente
equivalente à área A. Os consumidores perdem o equivalente às áreas A, B e C  o
que corresponde à redução no excedente do consumidor. O peso morto é igual às
áreas B e C.
Preço
S
PC
A
B
E
PEQ
C
F
PS
D
QEQ
138
Q1
Quantidade
Capítulo 9: Análise de mercados competitivos
Preço
S
PEQ
A
B
C
PW
D
QD
QEQ
QT
Quantidade
Na ausência de informações adicionais acerca da magnitude do subsídio e do
imposto, bem como das equações de oferta e demanda, parece razoável supor que o
governo japonês preferiria a adoção do imposto de importação, enquanto os
agricultores japoneses prefeririam o subsídio.
4. Em 1983, o governo Ronald Reagan lançou um novo programa agrícola baseado no
pagamento em espécie (denominado Payment-in-Kind Program). Para examinar como
funciona esse programa, vamos considerar o mercado do trigo.
a.
D
S
Suponhamos que a função de demanda seja Q = 28 - 2P e a função de oferta seja Q =
4 + 4P, onde P seja o preço do trigo em dólares por bushel e Q seja a quantidade em
bilhões de bushels. Descubra o preço e a quantidade de equilíbrio para o livre
mercado.
D
S
Igualando a demanda e a oferta, Q = Q , obtemos
28 - 2P = 4 + 4P, ou P = 4.
Para determinar a quantidade de equilíbrio, usamos o valor de P = 4 na equação de
oferta ou na equação de demanda:
S
Q = 4 + 4(4) = 20
e
D
Q = 28 - 2(4) = 20.
b.
Agora suponhamos que o governo queira reduzir a oferta de trigo em 25%, a partir
do equilíbrio de livre mercado, pagando aos produtores para que suas terras não
sejam cultivadas. Entretanto, o pagamento será feito com trigo em vez de dólares, daí
decorre o nome do programa. Esse trigo virá da vasta reserva governamental
resultante dos programas de suporte de preços anteriormente praticados. A
quantidade de trigo paga será igual à que poderia ter sido colhida nas terras que
deixaram de ser cultivadas. Os produtores encontram-se livres para vender esse trigo
no mercado. Qual será a quantidade produzida pelos agricultores de agora em diante?
Qual a quantidade indiretamente fornecida ao mercado pelo governo? Qual será o
139
Capítulo 9: Análise de mercados competitivos
novo preço de mercado? Qual será o ganho dos produtores? Os consumidores sairão
ganhando ou perdendo?
Tendo em vista que, no livre mercado, a oferta dos agricultores é de 20 bilhões de
bushels, a redução de 25% estabelecida pelo programa de pagamento em espécie
implicaria uma produção de 15 bilhões de bushels. Para incentivar os agricultores a
deixar de cultivar a terra, o governo deveria dar a eles 5 bilhões de bushels, que eles
venderiam no mercado.
A oferta total de mercado continua sendo de 20 bilhões de bushels; logo, o preço de
mercado não se altera, permanecendo em $4 por bushel. Os agricultores recebem do
programa governamental $20 bilhões, ou seja, ($4)(5 bilhões de bushels), que
correspondem a um ganho líquido, pois eles não incorrem em nenhum custo para
ofertar no mercado o trigo recebido do governo. O programa governamental não
afeta os consumidores no mercado de trigo, pois eles continuam comprando a
mesma quantidade e pagando o mesmo preço de livre mercado.
c.
Se o governo não tivesse devolvido o trigo aos agricultores, precisaria tê-lo
armazenado ou, então, destruído. Será que os contribuintes ganham com a
implementação desse programa? Quais são os potenciais problemas criados pelo ele?
Dado que o governo não precisa manter estoques de trigo, os contribuintes ganham
com o programa. Aparentemente, todos ganham com o programa; entretanto, essa
situação só pode perdurar enquanto as reservas de trigo do governo não são
exauridas. O programa pressupõe que as terras que deixaram de ser cultivadas
poderão voltar a ser utilizadas na produção de trigo assim que as reservas
governamentais acabarem. Entretanto, caso isso não aconteça, é possível que os
consumidores passem a pagar mais caro pelos produtos à base de trigo no futuro.
5. Cerca de 100 milhões de libras de confeitos são anualmente consumidos nos Estados
Unidos, e seu preço é de cerca de $0,50 por libra. Entretanto, como os produtores desse bem
acham que seus rendimentos estão muito baixos, conseguiram convencer o governo de que
uma política de suporte de preços seria adequada. Conseqüentemente, o governo passará a
adquirir a quantidade necessária de confeitos para que o preço seja mantido no nível de $1
por libra. Mas a equipe econômica do governo está preocupada com o impacto desse
programa, pois não dispõe de nenhuma estimativa para as elasticidades da oferta ou da
demanda dos confeitos.
a.
Será que esse programa poderia custar ao governo mais de $50 milhões por ano? Sob
quais condições? Esse programa poderia custar menos de $50 milhões por ano? Sob
quais condições? Faça uma ilustração por meio de um diagrama.
O custo do programa é dado por (QS-QD)*$1. Se as quantidades demandadas e
ofertadas forem muito sensíveis a mudanças no preço, é possível que o programa do
governo custe mais do que $50 milhões. De fato, nesse caso a mudança no preço
causará grandes variações nas quantidades ofertadas e demandadas, sendo provável
que QS-QD seja maior do que 50 milhões, e que, portanto, o governo pague mais do
que 50 milhões de dólares  conforme mostra a figura a seguir. Por outro lado, se a
oferta e a demanda forem relativamente inelásticas em relação ao preço, a mudança
no preço resultará em pequenas variações nas quantidades ofertadas e demandadas,
de modo que (QS-QD) será inferior a $50 milhões, conforme mostrado na segunda
figura.
140
Capítulo 9: Análise de mercados competitivos
P
S
1.00
.50
D
Q
QD
QS
100
P
S
1.00
.50
D
QD
b.
100
QS
Q
Será que esse programa poderia custar aos consumidores (em termos de perda de
excedente do consumidor) mais de $50 milhões por ano? Sob quais condições? Esse
programa poderia custar aos consumidores menos de $50 milhões por ano? Sob quais
condições? Novamente, faça uma ilustração por meio de um diagrama.
Se a curva de demanda for perfeitamente inelástica, a perda no excedente do
consumidor será de $50 milhões, igual a ($0,5)(100 milhões de libras), que
representa a maior perda possível para os consumidores. Se a curva de demanda não
for perfeitamente inelástica, a perda no excedente do consumidor será menor que
$50 milhões. Na figura a seguir, a perda no excedente do consumidor é dada pela
141
Capítulo 9: Análise de mercados competitivos
área A mais a área B, no caso da curva de demanda ser D, e dada apenas pela área
A, no caso da curva de demanda ser D’.
P
D
1.00
A
S
B
.50
D’
Q
100
6. No Exercício 4 do Capítulo 2, consideramos determinada fibra vegetal comercializada em
um mercado mundial altamente competitivo, a qual é importada pelos Estados Unidos ao
preço mundial de $9 por libra. Na tabela que se segue, apresentamos as quantidades
ofertadas e demandadas nos Estados Unidos para diversos níveis de preços:
Preço
3
6
9
12
15
18
Oferta nos EUA
Demanda nos EUA
(milhões de libras)
(milhões de libras)
2
4
6
8
10
12
34
28
22
16
10
4
Responda às seguintes questões relativas ao mercado nos Estados Unidos:
a.
Verifique se a curva da demanda é dada por QD  40  2P e a curva da oferta, por
2
QS  P .
3
Para determinar a equação da demanda, é necessário encontrar uma função linear
QD = a + bP tal que a reta que ela representa passe por dois dentre os pontos
apresentados na tabela, tais como (15,10) e (12,16). A inclinação, b, é igual à
variação na quantidade dividida pela variação no preço:
142
Capítulo 9: Análise de mercados competitivos
Q 10  16

 2  b.
P 15  12
Inserindo, na função linear, o valor de b acima e os valores de Q e P para um dos
pontos  por exemplo, (15, 10) , podemos resolver para a constante, a:
10  a  215, ou a = 40.
Logo, QD  40  2P.
De forma análoga, podemos calcular a equação de oferta QS = c + dP que passa por
dois pontos da tabela, tais como (6,4) e (3,2). A inclinação, d, é dada por
Q 4  2 2

 .
P 6  3 3
.
Resolvendo para c:
2 
4  c   6, ou c = 0.
3
2
Logo, QS   P.
3 
b.
Certifique-se de que, se não existissem restrições no comércio internacional, os
Estados Unidos importariam 16 milhões de libras.
Na ausência de restrições no comércio, o preço nos Estados Unidos seria igual ao
preço mundial de $9,00. A partir da tabela, podemos ver que, ao preço de $9,00, a
oferta interna seria de 6 milhões de libras, e a demanda interna seria de 22 milhões
de libras. As importações seriam a diferença entre a demanda interna e a oferta
interna: 22 - 6 = 16 milhões de libras.
c.
Se os Estados Unidos criassem uma tarifa de importação para esse produto igual a $3
por libra, qual seria o preço nos Estados Unidos e qual seria o nível das importações?
Qual a arrecadação obtida pelo governo por meio dessa tarifa? Qual seria o valor do
peso morto?
Com uma tarifa de $3,00, o preço nos Estados Unidos seria de $12 (preço mundial
mais a tarifa). Com esse preço, a demanda seria de 16 milhões de libras, a oferta
seria de 8 milhões de libras e as importações, de 8 milhões de libras (16-8). O
governo arrecadaria $3*8=$24 milhões. O peso morto seria igual a
0,5(12-9)(8-6)+0,5(12-9)(22-16) = $12 milhões.
d.
Se os Estados Unidos não criassem a tarifa de importação e, em vez disso,
estabelecessem uma quota de importação de 8 milhões de libras, qual seria o preço no
mercado interno dos Estados Unidos? Qual seria o custo dessa quota para os
consumidores norte-americanos da fibra? Qual deveria ser o ganho dos produtores
norte-americanos?
Com uma quota de importação de 8 milhões de libras, o preço no mercado interno
seria $12. A esse preço, a diferença entre a demanda interna e a oferta interna seria
143
Capítulo 9: Análise de mercados competitivos
de 8 milhões de libras, isto é, 16 milhões de libras menos 8 milhões de libras.
Observe que o preço de equilíbrio também poderia ser encontrado igualando-se a
demanda à soma da oferta mais a quota, isto é:
2
40  2P  P  8.
3
O custo da quota para os consumidores é igual à área A+B+C+D na figura a seguir,
que é
(12 - 9)(16) + (0,5)(12 - 9)(22 - 16) = $57 milhões.
O ganho dos produtores internos é igual à área A na figura, que é
(12 - 9)(6) + (0,5)(8 - 6)(12 - 9) = $21 milhões.
P
S
20
15
12
A
B
9
D
C
D
6
8
10
16
22
40
Q
7. Atualmente, os Estados Unidos importam todo o café que consomem. A demanda anual
de café por parte dos norte-americanos é dada pela curva da demanda Q = 250 – 10P, onde
Q é a quantidade (em milhões de libras) e P é o preço de mercado por libra de café. Os
produtores mundiais podem colher e enviar café aos distribuidores norte-americanos a um
custo marginal constante (= médio) de $8 por libra. Os distribuidores norte-americanos
podem, por sua vez, distribuir café por uma constante de $2 por libra. O mercado de café
nos Estados Unidos é competitivo, e o Congresso norte-americano está pensando em
estabelecer uma tarifa sobre as importações de café, no valor de $2 por libra.
a.
Na ausência de tarifa, quanto os consumidores pagam por uma libra de café? Qual é
a quantidade demandada?
Na ausência de tarifa, os consumidores pagariam $10 por libra de café — valor
obtido ao se adicionar os $2 de distribuição do café nos Estados Unidos aos $8 de
custo por importação. Em um mercado competitivo, o preço é igual ao custo
marginal. Se o preço for $10, a demanda será de 150 milhões de libras.
144
Capítulo 9: Análise de mercados competitivos
b.
Se for imposta uma tarifa, quanto os consumidores pagarão por uma libra de café?
Qual será a quantidade demandada?
Deve-se adicionar, agora, $2 por libra ao custo marginal. Logo, o preço será de
$12 por libra e a demanda será Q=250-10(12)=130 milhões de libras.
c.
Calcule o excedente perdido do consumidor.
O excedente perdido do consumidor é (12-10)(130)+0,5(12-10)(150-130)=$280
milhões.
d.
Calcule a receita oriunda da tarifa que o governo auferirá.
A receita da tarifa é igual à tarifa de $2 por libra multiplicada pelo número de
libras importadas, que é de 130 milhões de libras. A receita, então, é de $260
milhões.
e.
Para a sociedade como um todo, a tarifa vai resultar num ganho líquido ou numa
perda líquida?
Haverá uma perda líquida para a sociedade porque o ganho ($260 milhões) é
menor que a perda ($280 milhões).
8. Determinado metal é comercializado em um mercado mundial altamente competitivo ao
preço mundial de $9 por onça. A esse preço, quantidades ilimitadas encontram-se disponíveis
para importação por parte dos Estados Unidos. A oferta desse metal a partir das empresas de
S
S
mineração norte-americanas pode ser representada pela equação Q = 2/3P, onde Q é a
produção norte-americana em milhões de onças e P, o preço no mercado interno. A demanda
D
D
desse metal nos Estados Unidos é expressa pela equação Q = 40 – 2P, onde Q é a demanda
interna em milhões de onças.
Nos últimos anos, a indústria norte-americana tem sido protegida por uma tarifa de
importação de $9 por onça. Devido à pressão exercida por outros governos, os Estados
Unidos planejam reduzir para zero essa tarifa de importação. Sob a ameaça dessa mudança,
a indústria norte-americana pleiteia que seja aprovado um acordo de restrição voluntária
capaz de limitar as importações norte-americanas a 8 milhões de onças por ano.
a.
Havendo a tarifa de importação de $9, qual é o preço desse metal no mercado norteamericano?
Com uma tarifa de $9, o preço do metal importado no mercado norte-americano
seria de $18, igual ao preço mundial de $9 mais a tarifa. Para determinar o preço
interno de equilíbrio, iguale a oferta interna à demanda interna:
2
P = 40 - 2P, ou P = $15.
3
A quantidade de equilíbrio é obtida inserindo-se o preço de $15 encontrado acima
na equação da demanda ou da oferta:
Q  40  215  10
D
e
145
Capítulo 9: Análise de mercados competitivos
S
Q 
2 
3 15  10.
A quantidade de equilíbrio é igual a 10 milhões de onças. Dado que o preço interno
de $15 é menor do que o preço mundial mais a tarifa, $18, não há importações.
b.
Caso os Estados Unidos venham a eliminar a tarifa de importação e seja aprovado o
acordo de restrição voluntária, qual será o preço no mercado interno norteamericano?
Sob o acordo de restrição voluntária, a diferença entre a oferta interna e a demanda
D
S
interna estaria limitada a 8 milhões de onças, isto é, Q - Q = 8. Para determinar o
D
S
preço interno do metal, encontre P a partir da equação Q - Q = 8:
2
40  2 P  P  8, ou P = $12.
3
D
S
Para um preço de $12, Q = 16 e Q = 8; a diferença de 8 milhões de onças será
suprida por importações.
9. Entre as propostas fiscais examinadas pelo Congresso norte-americano, existe um imposto
adicional sobre bebidas alcoólicas destiladas. Esse imposto não incidiria sobre a cerveja. A
elasticidade de preço da oferta de bebidas alcoólicas é de 4, e a elasticidade de preço da
demanda é de –0,2. A elasticidade cruzada da demanda da cerveja em relação ao preço das
bebidas alcoólicas é de 0,1.
a.
Se o novo imposto for criado, a maior parte dessa carga fiscal recairá sobre os
produtores ou sobre os consumidores de bebidas alcoólicas? Por quê?
A Seção 9.6 fornece uma fórmula para o "repasse" do imposto, isto é, a fração do
imposto que recai sobre o consumidor. Essa fração é
ES
, onde ES é a
ES  E D
elasticidade de preço da oferta e ED é a elasticidade de preço da demanda.
Substituindo ES e ED, a fração do ‘repasse’ é
4
4

 0,95.
4   0, 2  4, 2
Logo, 95% do imposto é repassado aos consumidores porque a oferta é
relativamente elástica e a demanda é relativamente inelástica.
b.
Ao considerar que sua oferta é infinitamente elástica, de que maneira o novo imposto
afetaria o mercado da cerveja?
Com o aumento de preço das bebidas alcoólicas (devido ao grande repasse do
imposto), alguns consumidores passarão a consumir cerveja, deslocando a curva da
demanda da cerveja para a direita. Com uma oferta infinitamente elástica para a
cerveja (uma curva de oferta horizontal), o preço de equilíbrio da cerveja não
mudará.
10. No Exemplo 9.1, calculamos os ganhos e perdas decorrentes do controle de preços
exercido sobre o gás natural, e descobrimos a existência de um peso morto de $1,4 bilhão.
Esse cálculo baseou-se em um preço de $8 por barril de petróleo. Se o preço do petróleo fosse
de $12 por barril, qual seria o preço do gás natural no livre mercado? Qual seria o valor do
146
Capítulo 9: Análise de mercados competitivos
peso morto resultante caso o preço máximo permitido para o gás natural fosse de $1 por mil
pés cúbicos?
No Exemplo 9.1, vimos que as curvas da oferta e da demanda para o gás natural nos
anos 70 podem ser aproximadas de:
QS = 14 + 2PG + 0,25PP
e
QD = -5PG + 3,75PP,
onde PG é o preço do gás e PP é o preço do petróleo.
Com o preço do petróleo a $12 por barril, essas curvas se tornam,
QS = 17 + 2PG
e
QD = 45 - 5PG.
Considerando a quantidade demandada igual à quantidade ofertada,
17 + 2PG = 45 - 5PG, ou PG = $4.
A esse preço, a quantidade de equilíbrio é de 25 mil pés cúbicos (mpc).
Se um limite de $1 fosse imposto, os produtores ofertariam 19 mpc e os
consumidores demandariam 40 mpc. O peso morto é igual à área abaixo da curva da
demanda e acima da curva da oferta, entre as quantidades de 19 e 25 mpc. Isso pode
ser calculado assim:
0,5(5.2-4)(25-19)+0,5(4-1)(25-19)=$12,6 bilhões.
11. O Exemplo 9.5 descreve os efeitos da quota do açúcar. Em 2001, as importações
estavam limitadas a 3 bilhões de libras, o que elevou seu preço no mercado norteamericano para $0,215 por libra. Suponhamos que as importações tivessem sido
expandidas a 6,5 bilhões de libras.
a.
Qual seria o preço resultante nos Estados Unidos?
Dadas as equações da demanda total de mercado para o açúcar nos Estados
Unidos e da oferta dos produtores dos Estados Unidos:
QD = 26,53 - 0,285P
QS = -8,70 + 1,214P.
A diferença entre a quantidade demandada e ofertada, QD-QS, é a quantidade de
açúcar importado restringida pela quota. Se a quota for expandida de 3 bilhões de
libras para 6,5 bilhões de libras, teremos QD - QS = 6,5 e poderemos resolver para
P:
(26,52-0.285P)-(-8,70+1,214P)=6,5
35,23-1,499P=6,5
P=19,2 centavos por libra.
147
Capítulo 9: Análise de mercados competitivos
Para um preço de $19,2 por libra, QS = -8,70 + (1,214)(19,2) = 14,6 bilhões de
libras e QD = QS + 6,5 = 21,1 bilhões de libras.
b.
Quanto ganhariam os consumidores e quanto perderiam os produtores?
P
94,7
S
22
21,2
12
a
b
e
c
f
d
g
D
14,8 15,71
21,07 21,3
Q
O ganho do excedente do consumidor é o equivalente à área a+b+c+d na figura. A perda
dos produtores internos é igual à área a.
Em termos numéricos:
a = (21,5-19,2)(14,6)+(17,4-14,6)(21,5-19,2)(0,5)=36,8
b = (17,4-14,6)(21,5-19,2)(0,5)=3,22
c = (21,5-19,2)(20,4-17,4)=6,9
d = (21,5-19,2)(21,1-20,5)(0,5)=0,69.
Esses números estão expressos em bilhões de centavos, ou dezenas de milhares de
dólares.
Logo, o excedente do consumidor aumenta em $476,1 milhões, enquanto o excedente do
produtor interno diminui em $368 milhões.
c.
Qual seria o efeito sobre o peso morto e sobre os produtores estrangeiros?
Quando a quota era de 3 bilhões de libras, o lucro obtido pelos produtores estrangeiros
era a diferença entre o preço interno e o preço mundial (21,5-8,3) multiplicada pelas 3
bilhões de unidades vendidas, totalizando 39,6 ou $396 milhões. Quando a quota passa
para 6,5 bilhões, o preço interno cai para 19,2 centavos por libra e o lucro obtido pelos
estrangeiros é de (19,2-8,3)*6,5=70,85, ou $708,50 milhões. O lucro obtido pelos
produtores estrangeiros, então, aumentaria em $312,5 milhões. Na figura mostrada
148
Capítulo 9: Análise de mercados competitivos
anteriormente, seria a área representada por (e+f+g)-(c+f)=e+g-c. O peso morto da quota
diminui o equivalente à área b+e+d+g, que é igual à $420,6 milhões.
12. As curvas da demanda e da oferta internas de um tipo especial de feijão, o hula bean, são
as seguintes:
Oferta: P = 50 + Q Demanda: P = 200 - 2Q
onde P é o preço em centavos por libra e Q é a quantidade em milhões de libras. O mercado
doméstico norte-americano é pequeno quando comparado com o mercado mundial desse
feijão, no qual o preço corrente é de $0,60 por libra (preço mundial insensível a mudanças no
mercado norte-americano). O Congresso está estudando uma tarifa de importação de $0,40
por libra. Descubra qual seria o preço desse feijão no mercado doméstico norte-americano
resultante da implementação da tarifa. Também calcule o ganho ou a perda em dólares para
os consumidores e os produtores domésticos, e qual seria a arrecadação do governo mediante
essa tarifa de importação.
Para analisar a influência da tarifa de importação no mercado doméstico do feijão
hula bean, comece descobrindo o preço e a quantidade internos de equilíbrio.
Primeiro, iguale a oferta à demanda para determinar a quantidade de equilíbrio:
50 + Q = 200 - 2Q, ou QEQ = 50.
Logo, a quantidade de equilíbrio é de 50 milhões de libras. Substituindo QEQ = 50
na equação de demanda ou na equação de oferta para determinar o preço,
encontramos:
PS = 50 + 50 = 100 e PD = 200 - (2)(50) = 100.
O preço de equilíbrio P é $1 (100 centavos). Entretanto, o preço mundial de
mercado é de $0,60. A esse preço, a quantidade doméstica ofertada é de 60 = 50 QS, ou QS = 10, e, da mesma forma, a demanda doméstica ao preço mundial, é de 60
= 200 - 2QD, ou QD = 70. A importação é igual à diferença entre a demanda e a
oferta domésticas, ou 60 milhões de libras. Se o Congresso impusesse uma tarifa de
importação de $0,40, o preço efetivo dos importados aumentaria para $1. Ao preço
de $1, os produtores domésticos satisfazem a demanda interna e as importações
caem para zero.
Conforme mostrado na figura a seguir, o excedente do consumidor, antes da
imposição da tarifa de importação, é igual à área a+b+c, ou (0,5)(200 - 60)(70) =
4.900 milhões de centavos, ou $49 milhões. Após a imposição da tarifa, o preço
aumenta para $1,00 e o excedente do consumidor diminui para a área a, ou
(0,5)(200 - 100)(50) = $25 milhões, uma perda de $24 milhões. O excedente do
produtor aumentará o equivalente à área b, ou (100-60)(10)+(0,5)(100-60)(5010)=$12 milhões.
Finalmente, devido ao fato de a produção interna ser igual à demanda interna ao
preço de $1, nenhum hula bean é importado e o governo não obtém receita. A
diferença entre a perda no excedente do consumidor e o aumento no excedente do
produtor é o peso morto que, nesse caso, é igual à $12 milhões. Veja a figura.
149
Capítulo 9: Análise de mercados competitivos
P
S
200
a
100
b
c
60
50
D
Q
10
50
70
100
13. Atualmente, a contribuição para o seguro social nos Estados Unidos é dividida entre
empregados e empregadores. Os empregadores devem recolher 6,2% sobre o salário que
pagam, e os empregados, 6,2% dos salários que recebem. Suponhamos que as regras
mudem e os empregadores passem a pagar o total de 12,4% e os empregados nada paguem.
Será que estes estariam em uma situação melhor?
Se o mercado de mão-de-obra é competitivo, isto é, se empregadores e
empregados tomam o salário como dado, então a transferência do imposto dos
empregados para os empregadores não afetará a quantidade de trabalho
empregado e o salário líquido obtido pelos empregados. A quantidade de trabalho
de equilíbrio é determinada pelo imposto total pago por empregados e
empregadores, correspondente à diferença entre o salário pago pelo empregador e
o salário recebido pelo empregado. Se o imposto total não mudar, a quantidade de
trabalho empregada e o salário pago pelo empregador e recebido pelo empregado
(líquido de impostos) se mantêm inalterados. Logo, o bem-estar dos empregados
não aumentaria nem diminuiria se os empregadores passassem a pagar o total da
contribuição para a seguridade social.
14. Você sabe que, se um imposto passar a incidir sobre determinado produto, a
correspondente carga fiscal é compartilhada por produtores e consumidores. Você também
sabe que a demanda de automóveis envolve um processo de ajuste de estoques. Suponhamos
que um imposto de 20% passe subitamente a incidir sobre as vendas de automóveis. Será que
a proporção da carga fiscal paga pelos consumidores apresentaria uma elevação, uma
redução ou permaneceria a mesma ao longo do tempo? Explique de modo sucinto. Repita a
questão para o caso da incidência de um imposto de $0,50 por galão de gasolina.
No caso de produtos cuja demanda envolva um processo de ajuste de estoques, a
curva da demanda é mais elástica no curto prazo do que no longo prazo, pois os
consumidores podem postergar as compras desses bens no curto prazo. Por
exemplo, diante de uma elevação do preço, os consumidores podem continuar a usar
150
Capítulo 9: Análise de mercados competitivos
a antiga versão do produto, que eles já possuem; no longo prazo, porém, o novo
produto deve ser adquirido. Logo, a curva de demanda de longo prazo é mais
inelástica do que a curva de curto prazo.
Vejamos o que acontece no caso de um imposto de 20% sobre as vendas de
automóveis no curto e no longo prazo. Em primeiro lugar, o imposto causa um
deslocamento da curva da demanda, pois os consumidores devem pagar um preço
mais elevado pelo produto. Tendo em vista que se trata de um imposto ad valorem,
a curva da demanda não se desloca de forma paralela à curva original, pois o
imposto por unidade é relativamente mais elevado para preços mais elevados.
A carga fiscal do imposto é transferida dos produtores para os consumidores à
medida que nos movemos do curto prazo (ver a primeira figura) para o longo prazo
(ver a segunda figura). Nessas figuras, PO é o preço ao consumidor, PS é o preço ao
produtor, e PO - PS é o valor do imposto. É razoável supor que os consumidores
tenham uma curva de demanda mais inelástica no longo prazo, pois eles são menos
capazes de ajustar sua demanda às variações no preço; conseqüentemente, eles
absorvem uma proporção maior da carga fiscal. Em ambas as figuras, a curva da
oferta é igual no curto e no longo prazos. Se a curva da oferta for mais elástica no
longo prazo, uma proporção ainda maior da carga fiscal será transferida aos
consumidores.
Curto Prazo
Preço
D
PO
S
D*
PEQ
PS
Q1
Q0
Quantidade
Longo Prazo
151
Capítulo 9: Análise de mercados competitivos
Preço
D
D*
S
PO
PEQ
PS
Q1 Q 0
Quantidade
Diferentemente do que ocorre no mercado de automóveis, a curva da demanda de
gasolina não é caracterizada por um processo de ajustamento de estoques. A curva
da demanda é mais elástica no longo prazo do que no curto prazo, pois no longo
prazo produtos substitutos da gasolina se tornam disponíveis (por exemplo, gasóleo
ou propano). O efeito do imposto sobre o mercado de gasolina também está
associado a um deslocamento da curva de demanda; nesse caso, porém, trata-se de
um deslocamento paralelo, pois o imposto é definido em termos de unidades.
Nas figuras a seguir, a carga fiscal é transferida dos consumidores para os
produtores à medida que nos movemos do curto para o longo prazo. A elasticidade
da demanda é relativamente maior no longo prazo (que é o caso mais comum), o
que resulta em menor consumo de gasolina e na transferência de parte da carga
fiscal de volta para os consumidores. Cabe observar que, nas figuras, foram
considerados apenas deslocamentos da curva da demanda, sob a hipótese de que a
carga fiscal recai sobre o consumidor. Os mesmos resultados poderiam ser obtidos
através do deslocamento da curva da oferta, supondo-se que as empresas paguem o
imposto.
152
Capítulo 9: Análise de mercados competitivos
Curto Prazo
Preço
S
PO
PEQ
PS
D* D
Q1 Q 0
Quantidade
Longo Prazo
Preço
S
PO
PEQ
PS
D
D*
Q1 Q 0
Quantidade
15. Em 1998, os norte-americanos fumaram 23,5 bilhões de maços de cigarros. Pagaram um
preço de varejo médio igual a $2 por maço.
a.
Dado que a elasticidade da oferta de 0,5 e a elasticidade da demanda é -0.4, derive
curvas da demanda e da oferta linear para os cigarros.
Suponhamos que as curvas da demanda e da oferta tenham, respectivamente, as
seguintes formas gerais: Q=a+bP e Q=c+dP, onde a, b, c, e d são constantes cujos
valores devem ser determinados a partir das informações acima. Em primeiro lugar,
lembre da fórmula da elasticidade de preço da demanda:
P Q
EPD 
.
Q P
153
Capítulo 9: Análise de mercados competitivos
Conhecemos o valor da elasticidade, P e Q, o que significa que podemos calcular a
inclinação da curva da demanda, b:
 0,4 
2 Q
23,5 P
Q
 23,5 
 0,4
  4,7  b
P
 2 
Para calcular a constante a, devemos inserir os valores de Q, P e b na equação da
curva dademanda: 23,5=a-4,7*2, de modo que a=32,9. A equação da demanda é,
portanto, Q=32,9-4,7P. Para encontrar a curva da oferta, podemos partir da fórmula
da elasticidade da oferta e seguir o mesmo procedimento acima:
P Q
Q P
2 Q
0,5 
23,5 P
E PS 
Q
 23,5 
 0,5
  5,875  d
P
 2 
Para calcular a constante c, devemos inserir os valores de Q, P e d na equação da
curva da oferta: 23,5=c+5,875*2, de modo que c=11,75. A equação da oferta é,
portanto, Q=11,75+5,875P.
b.
Em novembro de 1998, depois de 46 estados abrirem processo, as três maiores
empresas fabricantes de tabaco aumentaram o preço de varejo de um maço de cigarros em
$0,45. Quais é o novo preço e a nova quantidade de equilíbrio? Quantos maços a menos são
vendidos?
O novo preço do maço de cigarros é $2,45. Pela curva da demanda vemos que,
para esse preço, a quantidade demandada é de 21,39 bilhões de maços, o que
representa uma redução de 2,11 bilhões de maços. Observe que esse resultado
poderia ser obtido através da fórmula da elasticidade:
 pD 
%Q %Q

 %Q  9%.
%P 22,5%
A nova quantidade demandada é, então, 23,5*0,91=21,39 bilhões de maços.
c.
O cigarro é uma mercadoria sujeita a um imposto federal, que estava em torno de
$0,25 em 1998. Esse imposto aumentará em $0,15 em 2002. Como esse aumento afetará o
preço e a quantidade de equilíbrio?
O imposto de $0,15 causa um deslocamento da curva da oferta para cima nesse
mesmo valor. Para encontrar a nova curva da oferta, reescrevamos a equação
como uma função de Q em vez de P:
QS  11,75  5,875P  P 
A nova curva da oferta é, então:
154
QS
11,75

5,875 5,875
Capítulo 9: Análise de mercados competitivos
P
QS
11,75

 0,15  0,17QS  1,85
5,875 5,875
Para encontrar a quantidade de equilíbrio, devemos igualar a nova equação da
oferta à equação da demanda. Primeiro, precisamos reescrever a demanda como
uma função de Q em vez de P:
QD  32,9  4,7P  P  7  0,21QD
Iguale a oferta e a demanda e encontre a quantidade de equilíbrio:
0,17Q  1,85  7  0, 21Q  Q  23, 29 .
Inserindo a quantidade de equilíbrio na equação da demanda, obtemos um preço
de equilíbrio de $2,11.
Cabe observar que estamos supondo que os itens (b) e (c) desta questão sejam
independentes. Se a informação do item (b) fosse usada no item (c), a curva da
oferta passaria a ser $0,60 (0,45+0,15) mais alta do que a curva da oferta original.
d.
Quanto os consumidores pagarão de imposto federal? Que parte caberá aos
produtores ?
Dado que o preço aumentou em $0,11, os consumidores deverão pagar $0,11 dos
$0,15 de imposto, ou seja, 73% do imposto, e os produtores pagarão os restantes
$0,04, ou 27% do imposto.
155
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