Manipular palavras para manipular vidas

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Manipular palavras para manipular vidas
15-Feb-2001
Pela indefinição semântica se trata de ocultar a realidade biológica de um acto médico concreto. Para o grande público não
é o mesmo actuar sobre um embrião humano ou sobre um hemocitoblasto. Da mesma forma, ao aborto foi atribuído o
nome de Interrupção Voluntária da Gravidez à pílula abortiva RU-486, reguladora da menstruação, etc. O mesmo será
dizer que existe uma intencionada tendência de disfarçar aquelas palavras que em si mesmas promovem o debate ético
mediante outras que, obscurecendo o verdadeiro significado da natureza do acto que se realiza, mitiguem o juizo ético.
O acto manipular, e sobretudo o destruir, um embrião humano antes da implantação no útero - até ao 14º dia
aproximadamente - tem uma carga ética altamente negativa, pois na realidade não é outra coisa senão o manipular ou
destruir uma vida humana nas suas primeiras etapas. Por isso, os que utilizam as técnicas de reproducção assistida ou a
clonagem estão a fazer um grande esforço para retirar ao embrião, nesses primeiros dias da sua vida, todo o valor
ontológico que tem uma vida humana, para assim actuar sobre ele sem nenhuma responsabilidade ética. E nessa tarefa
uma das principais armas é a indefinição semântica.
O primeiro grande passo semântico deu-se em 1987 quando a Comissão Warnock (Inglaterra) aplicou o termo préembrião para designar o embrião humano na sua etapa pré-implantatória. Este é um termo absolutamente convencional,
pois, no que se refere à sua realidade biológica, não existe nenhuma diferença entre um embrião de 14 dias e outro de 16,
dois dias depois da sua implantação.
Recentemente, tendo em conta as recomendações da Comissão Donaldson ao governo britânico, para que permitisse a
clonagem terapêutica, dá-se mais um passo para disfarçar semânticamente a natureza do embrião humano. Assim, o
terceiro ponto dessa comunicação afirma. "As pessoas cujos óvulos ou espermatozóides estejam implicados na criação do
embrião destinado a experimentação deverão dar o seu consentimento por escrito, autorizando a que se utilizem os
hemacitoblastos para investigação". Como se comprova, o embrião ainda não implantado é aqui denominado de
hemacitobalsto, que na realidade não é mais nem menos do que o nome atribuído a um embrião nas suas etapas
iniciais, quando tem aproximadamente 12 células mas, sem dúvida, para o grande público não é o mesmo actuar
sobre um embrião humano ou sobre um hemocitoblasto. Sobre aquele existem graves problemas éticos para actuar
sobre este não parece que existam berreiras éticas definidas, pela simples razão de que não se sabe bem o que significa
esse nome, e sobre tudo, porque não se relaciona com um ser humano vivo. É este portanto, outra nova tentativa
semântica de obscurecer a natureza biológica do embrião humano.
De todas as formas, não é este o único campo onde, pela indefinição semântica se trata de ocultar a realidade biológica de
um acto médico concreto. Assim, ao aborto foi-lhe atribuído o nome de Interrupção Voluntária da Gravidez à pílula abortiva
RU-486, reguladora da menstruação, etc. É dizer que existe uma intencionada tendência de disfarçar aquelas palavras que
em si mesmas promovem o debate ético mediante outras que, obscurecendo o verdadeiro significado da natureza do
acto que se realiza, mitiguem o juizo ético. Assim, há que estar precavidos, pois atentar contra um embrião de 12 dias
é o mesmo que o fazer sobre um pré-embrião ou um hemocitoblasto, e em todos os casos não é outra coisa que
atentar contra uma vida humana, e isto todos sabemos que valoração ética merece.
Fonte: Zenit
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Data de impressão: 4 January, 2016, 00:33
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