CONDIÇÕES DE SAÚDE BUCAL DOS ALUNOS DO 1º AO 5º ANO

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UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ODONTOLOGIA
DOUTORADO EM ODONTOLOGIA
ALICE PFISTER SARCINELLI
CONDIÇÕES DE SAÚDE BUCAL DOS ALUNOS DO 1º AO 5º ANO
DO ENSINO FUNDAMENTAL DAS ESCOLAS MUNICIPAIS DA
SERRA-ES INVESTIGADASA PARTIR DO ÍNDICE DE
NECSSIDADES DE TRATAMENTO ODONTOLÓGICO - INTO
SÃO PAULO
2015
2
ALICE PFISTER SARCINELLI
CONDIÇÕES DE SAÚDE BUCAL DOS ALUNOS DO 1º AO 5º ANO
DO ENSINO FUNDAMENTAL DAS ESCOLAS MUNICIPAIS DA
SERRA-ES INVESTIGADAS A PARTIR DO ÍNDICE DE
NECSSIDADES DE TRATAMENTO ODONTOLÓGICO - INTO
Tese apresentada ao Programa de PósGraduação em Odontologia, Universidade
Cruzeiro do Sul, como requisito parcial
para obtenção do título de Doutor em
Odontologia.
Orientadora: Profa.
de Almeida
SÃO PAULO
2015
Dra. Eliete Rodrigues
ALICE PFISTER SARCINELLI
CONDIÇÕES DE SAÚDE BUCAL DOS ALUNOS DO 1º AO 5º ANO
DO ENSINO FUNDAMENTAL DAS ESCOLAS MUNICIPAIS DA
SERRA-ES INVESTIGADAS A PARTIR DO ÍNDICE DE
NECSSIDADES DE TRATAMENTO ODONTOLÓGICO - INTO
Tese apresentada ao Programa de PósGraduação em Odontologia, Universidade
Cruzeiro do Sul, como requisito parcial para
obtenção do título de Doutor em
Odontologia.
BANCA EXAMINADORA:
Profa. Dra. Eliete Rodrigues de Almeida
Presidente
Prof. Dr. Urubatan Vieira de Medeiros
Profa. Dra. Sandra Kalil Bussadori
Profa. Dra. Wanessa Souza Zaroni
Profa. Dra. Giselle Rodrigues de Sant’Anna
4
DEDICO ESTETRABALHO
Aos meus pais e a Hercules,
por todo AMOR.
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente aos meus pais, Roberto e Solange, por desde a mais
tenra infância me passar confiança neles e em mim mesma através de seus
olhares de carinho, estímulo e admiração. Pessoas realmente fantásticas,
obrigada Deus!
Ao meu amado e admirado Hercules, marido-amigo-fiel, a quem só de pensar
me emociono pela oportunidade de dividir a vida e um filho querido que está a
caminho. É único e mágico sentir-se segura em um encontro!
A meu irmão Gabriel e à minha cunhada Graciela, pelo conforto do
companheirismo fraterno e pelo presente em minha vida, meu querido sobrinho
Davi.
A todos meus amigos que dividiram comigo momentos de anseio e empolgação
ao longo dessa jornada. Em especial a Gija e Déia, as irmãs que a vida ainda
criança me deu.
À Laura da Silva Coutinho - Laurinha, exemplo ímpar na Odontologia e na
Saúde Coletiva, que traz as convicções profissionais, humanas, filosóficas à flor
da pele, agradeço muitíssimo pelo estímulo e defesa, além de toda viabilidade
técnica para que este estudo fosse possível. Ainda me presenteou com sua
amizade e de sua filha, Thaita, encontros de vida.
À minha Orientadora, Professora Eliete R. Almeida, minha muitíssimo obrigada
por me acompanhar de mãos dadas nessa jornada desafiadora, e por
compreender minhas limitações de maneira tão carinhosa.
A Rodrigo Brandão, um companheiro profissional na execução da pesquisa, mas
do tipo que só os amigos o são: generoso, disposto, empolgado e cuidadoso.
À Equipe de Saúde Bucal do Escolar do município da Serra-ES, em especial
Marisa Galvão Lima e Maíra Gama, e aos estagiários de odontologia da UFES,
pela colaboração em diversas etapas do trabalho.
6
Aos escolares, professores e diretores das Escolas que participaram da
pesquisa, pela acolhida.
À Flavia Bridi, enquanto bolsista do Projeto de Extensão Serra Sorrindo, pela
brilhante dedicação às orientações na fase de análise dos resultados; enquanto
amiga, pela prontidão e carinho, serei eternamente grata a toda ajuda que me foi
dispensada.
À Katrini e Fabiano, por toda ajuda estatística dispensada. Katrini em especial
pela prontidão nos momentos urgentes, sem jamais deixar de suprir e contribuir
às solicitações.
À Morgana Andrade, também pela prontidão nos momentos urgentes.
À Alessandra Marim e Bruna Pirola, fiéis escudeiras, anjos da guarda do meu
dia a dia.
Aos professores Danilo A. Duarte e Wanessa S. Zaroni pelas contribuições
apresentadas na qualificação do trabalho.
Á profa. Giselle Rodrigues de Sant’Anna, pro sua disponibilidade, cordialidade e
contribuição ao aceitar o convite para participar da banca de defesa da tese.
A todos os professores que me marcaram, desde a pré-escola, e minha memória
me permitiria nomear um a um, por inspirarem e trazerem o diferencial de
acender em minha mente a chama de um ideal: seguir em frente escalando a
montanha do conhecimento rumo aos frutos que só a dedicação e persistência
nos permitem colher. Em especial aos Mestres Urubatan Vieira de Medeiros,
Sandra Kalil Bussadori e Eliete Rodrigues de Almeida.
SARCINELLI, A. P. Condições de saúde bucal dos alunos do 1º ao 5º ano do
ensino fundamental das escolas municipais da Serra-ES investigadas a
partir do índice de Necessidades de Tratamento INTO. 2015. 107 f. Tese
(Doutorado em Odontologia) – Universidade Cruzeiro do Sul, São Paulo, 2015.
RESUMO
O município da Serra, localizado no estado do Espírito Santo, possui o projeto
pedagógico denominado “Serra Sorrindo”, desenvolvido pelas Secretarias de
Saúde e Educação da Prefeitura Municipal da Serra-ES em parceria com a
Universidade Federal do Espírito Santo e tem como objetivo promover ações
contínuas de saúde bucal coletiva em escolas públicas municipais de ensino
fundamental. O presente estudo foi planejado com o objetivo de investigar as
condições de saúde bucal de alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental das
escolas municipais atendidas pelo Projeto, no ano de 2013. Trata-se de um
estudo transversal descritivo, conduzido em amostra de 3.197 escolares de 5 a
16 anos de idade, de ambos os sexos. Para a avaliação das condições de saúde
bucal foi utilizado o Índice de Necessidades de Tratamento Odontológico,
considerando-se a prevalência da cárie dentária em coroa, dor dentária, cálculo
e sangramento gengival. Foram calculadas as frequências absolutas e
relativas, média, mediana e desvio padrão para as variáveis estudadas, a partir
do programa Epi Data versão 3.1. Observou-se idade média= 8,66 anos
(mediana=9; dp=1,6 anos de idade); 48,0% da amostra composta por escolares
do gênero masculino e 52% feminino; 86,7% apresentavam dentição mista;
60,8% de escolares sem cárie visível; dos 39,2% com cárie visível: 31,4%
apresentavam 1 a 3 dentes acometidos, 7,9% com 4 a 8 dentes acometidos e
0,5% com 8 ou mais dentes acometidos; dor e cálculo/sangramento gengival
apresentaram baixas prevalências (0,3% e 0,9%, respectivamente). Estes
achados permitem concluir que os participantes da amostra apresentaram boas
condições de saúde bucal, com maior proporção de escolares livres de cárie e
baixas prevalências de dor dentária, cálculo e sangramento gengival. Espera-se,
ainda, que este estudo possa contribuir para a organização e implementação do
projeto “Serra Sorrindo”.
8
Palavras-chave: levantamento de necessidades, saúde bucal, necessidades de
tratamento, escolares e odontologia.
SARCINELLI, A. P.Oral health status of 1st- 5th grade students from
elementary public schools in Serra, ES evaluated by the Dental Treatment
Needs Índex (DTNI). 2015. 107 p. Thesis – Cruzeiro do Sul University, São
Paulo, 2015.
ABSTRACT
The educational program called “Serra Sorrindo” or “Smiling Serra” has been
developed at elementary public schools of Serra municipality (ES, Brazil), wich
was planned by the cooperation of the Municipal Department of Health and
Education and the Federal University of Espírito Santo, in order to promote oral
health continuous actions inthese public schools. So this descriptive crosssectional study aim to investigate oral health status of 1st-5th grade students
enrolled at these schools, in 2013. Oral health status was evaluated by the
Dental Treatment Needs Índex (DTNI), considering dental cavity on crowns
prevalence, dental pain, gingival bleeding and calculus. EpiData version 3.1
software was used for calculate quantitatives variables, as absolute and relative
frequencies, mean, median and standard deviation. Results showed mean age =
8.6 years old (median = 9.0; SD = 1.6 years old); 48.0% males and 52.0%
females; 86.7% presented mixed dentition; and 60.8% with no visible cavities.
Regarding students with visible cavities (39.2%): 31.4%, 7.9% and 0.5%
presented one to three, four to eight, and
more than eight affected teeth,
respectively; low prevalenceswere observed among students with dental pain=
0.3% and gingival bleeding/calculus=0.9%. Sampleparticipants presented good
oral health status, witha high proportion of caries free students, and a low
prevalence of dental pain, andof gingival bleeding and calculus. Furthermore,
these findings may contribute to the organization and implementation of the
"Serra Sorrindo" porgram.
Keywords: dental needs assessment, oral health, dental treatment needs,
students, dentistry.
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
Aboprev - Associação Brasileira de Odontologia de Promoção da Saúde
ACS
- Agente Comunitário de Saúde
AFRC
- Abordagem do Fator de Risco Comum
AIS
- Agentes Indígenas de Saúde
AMAS
- Associação Municipal de Assistência Social
APA
- Área de Proteção Ambiental
APS
- Atenção Primária em Saude
ART
- tratamento restaurador atraumático
ASB
- auxiliar em saúde bucal
ATF
- aplicação topica de fluor
CAIC
- Centro de Atenção Integral à Criança
CBMF
- cirurgia bucomaxilofacial
CD
- cirurgião-dentista
CEO
- Centro de Especialidades Odontológicas
ceo-d
- dentes decíduos cariados, perdidos e obturados
Child-OIDP - oral health-related quality of life in children
CESAN - Companhia Espírito Santense de Saneamento
COHAB - Companhia Habitacional do Espírito Santo
CNDSS - Comissão Nacional sobre Determinantes Sociais de Saúde
CPO-D - dentes permanentes cariados, perdidos e obturados
CPITN
- Community Periodontal Index for Treatment Needs
CRFA
- Common Risk Factor Approach
CROMG - Conselho Regional de Odontologia de Minas Gerais
CSDH
- Comission on Social Determinants of Health
CS NAR - Centro de Saúde Novo Aarão Reis
CST
- Companhia Siderúrgica de Tubarão
CVRD
- Companhia vale do Rio Doce
Dp
- Desvio padrão
DSS
- Comissão sobre Determinantes Sociais da Saúde
ES
- Espírito Santo
ESB
- Equipe de Saúde Bucal
10
EMEFs - Escolas Municipais de Ensino Fundamental
ENATESPO - Encontro Nacional de Administradores e Técnicos do Serviço Público
Odontológico
SB
- Sorria Brasil
SB2
- Equipe de Saúde Bucal 2
FDI
- Federação Dentária Internacional
FUNASA
- Fundação Nacional de Saúde
IBGE
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
ICDNT
- Índice de Cárie Dentária e Necessidade de Tratamento
ICSB
- Indicador Comunitário de Saúde Bucal
IDB
IDH
- Dados Básicos para a Saúde
- Índice de Desenvolvimento Humano Municipal
INOCOOP
- Instituto de Orientação às Cooperativas Habitacionais no Espírito
Santo
INTO
- Índice de Necessidades de Tratamento Odontológico
LDB
- Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
MS
- Ministério da Saúde
NESF
- Núcleo de Estratégia de Saúde da Família
OHRQoL- oral health related quality of life
OMS
- Organização Mundial de Saúde
PMS
- Prefeitura Municipal da Serra-ES
PNE
- Pacientes com necessidades especiais
RMGV
- Região Metropolitana da Grande Vitória
SEDU
- Secretaria Municipal de Educação da Serra
SIEX
- Sistema de Informação da Extensão
SMSA-BH
- Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte
SUS
- Sistema único de Saúde
TCC
- trabalho de conclusão de curso
TSB
- técnico em saúde bucal
UFES
- Universidade Federal do Espírito Santo
UFMG
- Universidade Federal de Minas Gerais
LISTA DE TABELAS
Tabela 1. Distribuição da amostra segundo idade (n=3.197). Serra, ES. 2015
...............................................................................................................
80
Tabela 2. Distribuição da amostra segundo o ano escolar (n=3.197). Serra, ES.
2015
...............................................................................................................
80
Tabela 3. Distribuição das condições de saúde bucal na amostra, segundo
idade (n=3.197). Serra, ES. 2015
...............................................................................................................
82
12
LISTA DE FIGURAS
Figura 1. Processo de planejamento em saúde
...............................................................................................................
33
Figura 2. ICSB, segundo Saintrain, no ano de 2000
...............................................................................................................
62
Figura 3. Distribuição das condições de saúde bucal na amostra (n=3.197).
Serra,
ES.
2015.
...............................................................................................................
81
LISTA DE QUADROS
Quadro 1.
Número médio de CPO-D aos 12 anos de idade, por escolar
examinado, segundo Região do Brasil, nos anos de 1986, 1996,
2003
e
2010
...............................................................................................................
38
Quadro 2.
Classes de risco de cárie dentária e critérios para inclusão segundo
a situação individual, segundo a Prefeitura Municipal de Mundo
Novo,
Goiás,
nos
anos
de
2005
a
2008
...............................................................................................................
57
Quadro 3.
Ações de saúde bucal, segundo grupo de risco para doenças bucais,
segundo a Prefeitura Municipal de Mundo Novo, Goiás, nos anos de
2005
a
2008.
MUNDO
NOVO,
GO.
2014
...............................................................................................................
58
Quadro 4.
Critérios de classificação de risco em saúde bucal, segundo a
Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais, em 2006. Minas
Gerais.
2014
...............................................................................................................
59
Quadro 5.
Modelo para obtenção dos dados em saúde bucal pelo agente
comunitário de saúde, segundo Saintrain, Fortaleza, no ano de 2007
...............................................................................................................
61
Quadro 6.
Classificação das necessidades bucais do usuário, segundo a
Prefeitura
Municipal
de
Londrina,
Paraná,
em
2009
...............................................................................................................
64
Quadro 7.
Classes de risco de cárie dentária, segundo a situação individual,
segundo a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, no ano de
2009.
São
Paulo,
SP.
2009
14
...............................................................................................................
65
Quadro 8.
Classificação do inquérito para identificação de necessidade,
segundo a Secretaria Municipal de Porto Alegre, no ano de 2014.
Porto
Alegre,
RS.
2014
...............................................................................................................
66
Quadro 9. Classificação de necessidade odontológica referida segundo a
Secretaria Municipal de Porto Alegre, no ano de 2014. Porto Alegre,
RS.
2014
...............................................................................................................
67
Quadro 10. Códigos e critérios de classificação do INTO segundo Castilho et al.
em 2000 e Dumont et al. em 2008. Belo Horizonte, MG. 2008
...............................................................................................................
70
Quadro 11. Códigos e critérios de classificação das condições de saúde bucal,
segundo
Castilho
et
al.,
em
2000.
...............................................................................................................
71
Quadro 12. Cálculo
amostral
do
estudo.
...............................................................................................................
75
Quadro 13. Distribuição das crianças de 5 a 12 anos da Serra-ES no ano de
2010
...............................................................................................................
75
Quadro 14. Códigos e critérios de classificação das condições de saúde bucal
...............................................................................................................
77
Quadro 15. Comparação dos resultados de levantamentos de necessidades
nacionais em escolares com os resultados encontrados neste
estudo.
Serra,
ES.
2015
...............................................................................................................
86
Quadro 16. Comparação dos resultados de levantamentos de necessidades
nacionais em escolares com os resultados encontrados neste
estudo.
Serra,
ES.
2015
...............................................................................................................
.88
16
SUMÁRIO
17
1 INTRODUÇÃO
O Programa de Saúde Bucal do Escolar é um programa da Prefeitura Municipal da
Serra-ES e está inserido nas Unidades de Ensino (infantil, fundamental e médio) da
rede pública do município, onde são realizadas atividades educativas, preventivas e
curativas. Seu principal componente é o projeto “Serra Sorrindo”, um projeto
pedagógico que tem como objetivo promover ações contínuas de saúde bucal
coletiva em escolas públicas municipais de ensino fundamental do 1º ao 5º ano,
realizado pelas Secretarias de Saúde e Educação da Prefeitura Municipal da SerraES (PMS) em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo.
Iniciado em 2010, no Centro de Atenção Integral à Criança (CAIC) de Feu Rosa,
este projeto foi implementado em 30 escolas públicas de Ensino Fundamental do
município, abrangendo cerca de 14.700 crianças.
O conjunto de atividades do projeto visa à estimular e incorporar a prática de hábitos
de higiene bucal no ambiente escolar, para que se tornem hábitos permanentes.
Entretanto, não há no município da Serra-ES uma política de integração entre ações
de promoção de saúde, prevenção de doenças e as ações em saúde bucal nas
Unidades de Saúde, constituindo-se em um entrave comum no âmbito dos serviços
de saúde, o qual fere o princípio da integralidade, colocando muitos programas
escolares em descrédito. Assim, a demanda para o atendimento aos escolares, nas
unidades municipais de saúde, permanece livre e desorganizada, dificultando o
acesso dos pacientes ao tratamento odontológico, mesmo com a identificação das
suas necessidades.
Neste contexto, torna-se necessária a implementação de uma ferramenta que
permita à equipe odontológica mensurar a prevalência dos principais agravos bucais
entre os escolares matriculados em escolas atendidas pelo Projeto, facilitando a
integração entre as ações preventivas em campo e as ações nas Unidades de
Saúde, tornando rápido e funcional o planejamento e o sistema de referência e
contra-referência entre serviços. Este fato pode ser constatado a partir da análise
dos entraves para a implementação de ferramentas clássicas propostas pela OMS
para levantamento epidemiológico básico em saúde bucal, como o Índice de Cárie
18
Dentária e Necessidade de Tratamento (ICDNT), escassez de recursos humanos,
dificuldades de calibração e tempo de aplicação.
Diante da realidade local, a ferramenta proposta para mensurar agravos em saúde
bucal (cárie dentária em coroa, dor dentária, cálculo e sangramento gengival) entre
estes alunos foi o Índice de Necessidades de Tratamento Odontológico (INTO)
(BELO HORIZONTE, 2004), a partir de uma experiência partilhada pela Secretaria
de Estado de Saúde de Minas Gerais e a Universidade Federal de Minas Gerais
com a Universidade Federal do Espírito Santo. Este índice foi também escolhido
pela sua simplicidade e o reduzido tempo de aplicação.
19
2 REVISÃO DA LITERATURA
2.1
Organizacão da Saude Bucal na Atencão Basica: Planejamento em Saude e
Organizacão da Demanda
Desde o surgimento na Declaração de Alma-Ata, o conceito de Atenção Primária em
Saude(APS) tem sofrido diversas interpretaçoes. No Brasil, o Ministerio da Saude
tem denominado Atenção Primária como Atenção Básica, e constitui “um conjunto
de açoes de saude, no ambito individual ou coletivo, que abrange a promoção e
proteção da saude, a prevenção de agravos, o diagnostico, o tratamento, a
reabilitação e a manutenção da saude, situadas no primeiro nivel de atenção do
sistema de saude” (BRASIL, 2008).
Para efetivação do Sistema unico de Saude (SUS), e necessário o fortalecimento da
Atenção Básica, entendendo-a como o contato preferencial dos usuários com o
sistema de saude. É fundamental, no entanto, a garantia do acesso dos usuários
aos serviços de media e alta complexidade, assegurando a integralidade da
atenção. A Saude da Familia e a estrategia prioritária para reorganização da
Atenção Básica no Brasil (BRASIL, 2008).
Na organização da Atenção Básica, um aspecto fundamental e o conhecimento do
territorio. Conhecer o territorio implica em um processo de reconhecimento e
apropriação do espaço local e das relaçoes da população da área de abrangencia
com a Unidade de Saude, levando em consideração dados como perfil demográfico
e epidemiologico da população, contexto historico e cultural, equipamentos sociais
(associaçoes, igrejas, escolas, creches), lideranças locais, e outros considerados
relevantes para intervenção no processo saude-doença (BRASIL, 2008).
2.1.1 Vigilância em Saúde
Entende-se por vigilância em saúde um conjunto de ações que proporcionam o
conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores
determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de
recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos
20
(BRASIL, 1990).Seu propósito é fornecer orientação técnica permanente para os
que têm a responsabilidade de decidir sobre a execução de ações de controle de
doenças e agravos. Tem como funções, dentre outras: coleta e processamento de
dados, análise e interpretação dos dados processados, divulgação das informações,
investigação epidemiológica de casos e surtos; análise dos resultados obtidos e
recomendações e promoção das medidas de controle indicadas (BRASIL, 2009a). É
uma prática contínua de detecção de danos, riscos, necessidades e determinantes
dos modos de vida e saúde articulada a um esquema operacional que faz os
encaminhamentos necessários (BELO HORIZONTE, 2006).
A vigilância em saúde desenvolve ações de monitoramento contínuo do
país/estado/região/município/equipes, por meio de estudos e análises que revelem o
comportamento dos principais indicadores de saúde, priorizando questões
relevantes e contribuindo para um planejamento de saúde mais abrangente.
Abrange as ações de vigilância, promoção, prevenção e controle de doenças e
agravos à saúde, devendo constituir espaço de articulação de conhecimentos e
técnicas. Seus componentes são: a vigilância e controle das doenças transmissíveis;
a vigilância das doenças e agravos não transmissíveis; a vigilância da situação de
saúde, vigilância ambiental em saúde, vigilância da saúde do trabalhador e a
vigilância sanitária (BRASIL, 2009a).
As distintas vertentes do debate em torno da vigilância se expressam na utilização
de variações terminológicas como Vigilância da Saúde, Vigilância à Saúde e
Vigilância em Saúde (TEIXEIRA; PAIM; VILASBÔAS, 1998). Em comum há a
relação com a epidemiologia, tanto no que diz respeito à sua contribuição para a
análise dos problemas de saúde que ultrapasse simplesmente a sistematização de
indicadores gerais, quanto em relação ao debate sobre planejamento e organização
de sistemas e serviços (SCHRAIBER, 1995).
Até meados do século XIX, a saúde pública dispunha de poucos instrumentos para o
controle de doenças. Os mais utilizados eram o isolamento e a quarentena. O
desenvolvimento das investigações no campo das doenças infecciosas e da
microbiologia resultou no aparecimento de novas e mais eficazes medidas de
controle, entre elas a vacinação. Surge então, em saúde pública o conceito de
vigilância, definido pela específica, mas limitada função de observar contatos de
21
pacientes atingidos pelas denominadas “doenças pestilenciais”. Seu propósito era
detectar a doença em seus primeiros sintomas e, somente a partir desse momento,
instituir o isolamento. Em síntese, esse conceito envolvia a manutenção do alerta
responsável e da observação para que fossem tomadas as medidas indicadas.
Portanto, constituía uma conduta mais sofisticada do que a prática restritiva de
quarentena. No Brasil, a medicina higienista começava a ganhar força e a pautar o
planejamento urbano da maioria das cidades. Os problemas de saúde que
apareciam como preocupação maior do poder público eram as endemias e as
questões gerais de saneamento nos núcleos urbanos e nos portos (BATISTELLA,
2014).
A partir da década de 1950, o conceito de vigilância foi modificado, deixando de ser
aplicado no sentido da observação sistemática de contatos de doentes para ter
significado mais amplo, o de acompanhamento sistemático de eventos adversos à
saúde na comunidade, com o propósito de aprimorar as medidas de controle
(BATISTELLA, 2014).
Após a constituição de 1988, o sistema de saúde brasileiro vem buscando construir
modelos de atenção que respondam de forma eficaz e efetiva às reais necessidades
da população brasileira, seja em sua totalidade, seja em suas especificidades locais.
Os modelos ainda hegemônicos atualmente – o médico-assistencial, pautado na
assistência médica e no hospital, e o modelo sanitarista, baseado em campanhas,
programas e em ações de vigilância epidemiológica e sanitária – não conseguem
mais responder à complexidade e diversidade dos problemas de saúde que
circunscrevem o cidadão comum (TEIXEIRA; PAIM; VILASBÔAS, 1998).
A vigilância em saúde, entendida como rearticulação de saberes e de práticas
sanitárias, indica um caminho fértil para a consolidação do ideário e princípios do
SUS. Apoiada no conceito positivo do processo saúde-enfermidade, ela desloca
radicalmente o olhar sobre o objeto da saúde pública – da doença para o modo de
vida (as condições e estilos de vida) das pessoas (BATISTELLA, 2014).
Na Odontologia, a partir da visão sobre os fatores de risco para as principais
doenças bucais e do processo de territorialização, é possível um acompanhamento
de como a população adscrita está exposta a esses fatores (BELO HORIZONTE,
2006).
22
A análise territorial implica uma coleta sistemática de dados que vão informar sobre
situações-problema naquela população e naquele território, indicando suas interrelações espaciais. Possibilita, ainda, identificar vulnerabilidades, populações
expostas e a seleção de problemas prioritários para as intervenções. Isto permite a
escolha de ações mais adequadas, apontando estratégias e atores que foram
identificados no processo de pesquisa, que melhor as operacionalizem, e viabiliza o
uso da epidemiologia como ferramenta poderosa para o planejamento por
intermédio da microlocalização dos problemas de saúde (BATISTELLA, 2014).
A promoção de espaços saudáveis faz com que, principalmente em lugares onde os
problemas de saúde das populações atingem grande visibilidade, seja desenvolvido
um olhar que permita instrumentalizar o entendimento dos problemas de saúde e
promover as soluções possíveis (BATISTELLA, 2014).
A vigilância em saúde deve estar cotidianamente inserida em todos os níveis de
atenção da saúde. A partir de saberes e práticas de epidemiologia, da análise de
situação de saúde e dos determinantes e condicionantes sociais da saúde, as
equipes de saúde da atenção primária podem programar e planejar ações, de
maneira a organizar os serviços, aumentando o acesso da população a diferentes
atividades e ações de saúde (BRASIL, 2009a).
2.1.2 Planejamento em Saude: levantamentos epidemiológicos e levantamento de
necessidades imediatas
Na organização das açoes e serviços de saude, o planejamento cria a possibilidade
de se compreender a realidade, os principais problemas e necessidades da
população, buscando elaborar propostas capazes de solucioná-los, resultando em
um plano de ação (BRASIL, 2008).
Para o planejamento das atividades de Saude Bucal na Atenção Básica e
necessário destacar a importancia da utilização da Epidemiologia. Com ela, pode-se
conhecer o perfil da distribuição das principais doenças bucais, monitorar riscos e
tendencias, avaliar o impacto das medidas adotadas, estimar necessidades de
recursos para os programas e indicar novos caminhos (BRASIL, 2008).
Para subsidiar o planejamento com dados da realidade populacional, recomenda-se
a realização de levantamentos epidemiologicos, levantamento de necessidades
23
imediatas e a avaliação de risco (Figura 1). Esse processo, no entanto, precisa ser
acompanhado utilizando um sistema de informação que disponibilize os dados,
produzindo informaçoes consistentes, capazes de gerar novas açoes (BRASIL,
2008).
Figura 1. Processo de planejamento em saúde
Assim, também no planejamento das atividades de Saúde Bucal na Atenção Básica,
é necessário destacar a importância da utilização da Epidemiologia. Os estudos
epidemiológicos permitem identificar os fatores que facilitam ou dificultam a
disseminação da doença, contribuindo para a prevenção e/ou controle (PERRONE,
2010). Com ela pode-se conhecer o perfil da distribuição das principais doenças
bucais, monitorar riscos e tendências, avaliar o impacto das medidas adotadas,
estimar necessidades de recursos para os programas e indicar novos caminhos
(BRASIL, 2008).
A OMS vem estimulando a realização de levantamentos epidemiológicos em saúde
bucal para o conhecimento da prevalência e tipologia das doenças bucais no mundo
desde a década de 1960, principalmente por meio da publicação do Oral Health
Surveys Basic Methods, através da qual esforça-se em padronizar os procedimentos
de coleta de dados sobre saúde bucal nas populações, permitindo a confiabilidade e
comparabilidade dos dados obtidos em diferentes regiões do planeta. A primeira
edição do Oral Health Surveys Basic Methods foi publicada em 1971, a segunda
edição em 1977, a terceira em 1987, lançada no Brasil em 1991, e a quarta edição
em 1997, publicada no Brasil em 1999, com o título Levantamentos Básicos em
Saúde Bucal. (RESENHAS, 2003).
Desde a primeira edição do manual, mais de 130 organizaçoes de saude realizaram
levantamentos em saude bucal de acordo com os metodos básicos recomendados.
Estes levantamentos mostraram que ocorreram mudanças significativas na saude
bucal em muitas populaçoes, como resultado de mudanças nas tendencias das
doenças e novas tecnicas de tratamento, bem como de mudanças na estrutura
etária populacional (OMS, 1999).
24
O grande número de variáveis a serem observadas nos manuais da OMS pode, em
muitos casos, prejudicar a realização do levantamento, aumentando o tempo de
execução, dificultando a análise dos dados, elevando os custos, e tornando árduo o
processo de calibração entre os examinadores. Nestes casos, seria interessante
eleger as variáveis a serem incluídas no levantamento, levando em consideração as
características da população estudada, os objetivos do levantamento, o número de
profissionais disponíveis, a logística necessária, os custos, o tempo de execução,
etc. Este ajuste à realidade local poderia viabilizar a execução dos levantamentos de
acordo com os recursos disponíveis e dentro dos critérios preconizados pela OMS,
garantindo a qualidade dos dados obtidos (RESENHAS, 2003).
A Federação Dentária Internacional (FDI) propôs um conjunto de metas globais em
saúde bucal para o ano 2000. A reunião que formalizou a proposição das metas
aconteceu no Rio de Janeiro, em 1981, com participação de representantes da
OMS. Com a adoção destes objetivos, ficaram conhecidas como metas OMS-FDI
(NARVAI, 2002). Foi neste ano, então, que a FDI e a OMS estabeleceram as
primeiras ‘Metas Globais de Saúde Bucal’, para serem alcançadas até o ano de
2000 (HOBDELL, 2003), como forma de avaliação e de estabelecer parâmetros para
a melhoria da saúde bucal das populações (FDI, 1982).
Essas metas estão baseadas na avaliação padrão de dentes cariados, perdidos e
obturados (CPO-D). Para o ano de 2000, foram estabelecidas as seguintes marcas a
serem atingidas pelos países (FDI, 1982):
a) 50% das crianças de cinco anos de idade livres de cárie;
b) valor do índice CPO-D menor ou igual a três aos 12 anos de idade;
c) aos 18 anos de idade, 85% das pessoas devem apresentar todos os dentes
permanentes irrompidos presentes (P = 0);
d) na faixa etária de 35-44 anos, 75% das pessoas devem apresentar pelo menos 20
dentes em condições funcionais; e
e) na faixa etária de 65-74 anos, 50% das pessoas devem apresentar pelo menos 20
dentes em condições funcionais (FDI, 1982).
25
Na medida em que se aproximava o ano 2000, especialistas de todo o mundo
começaram a se perguntar sobre novas metas — menos naquela perspectiva global
e muito mais de olho em seus problemas (NARVAI, 2002).
Uma revisão dessas metas, realizada pouco antes do final do século XX,
estabeleceu que elas haviam sido úteis, e para muitas populações, tinham sido
alcançadas ou ultrapassadas. No entanto, para uma parte significativa da população
do mundo, permaneceu apenas uma tentativa remota de alcançá-las. Apesar disso,
as Metas de Saúde Bucal tinham estimulado a consciência da importância da saúde
bucal entre os governos nacionais e locais e agiu como um catalisador para a
obtenção de recursos para a saúde bucal em geral. Portanto, mesmo que nem todos
os países tenham atingido os objetivos, eles forneceram um foco chave para o
esforço (HOBDELL, 2003).
No final de 1993, começaram a circular no Brasil informações sobre metas que a
OMS teria definido para 2010. As informações foram confirmadas pela Aboprev em
sua publicação oficial, o Jornal da Aboprev, na página 5 da edição de out/dez de
1993 (NARVAI, 2002).
Foram incluídas metas relacionadas à melhoria das condições periodontais (da
gengiva) da população, medidas pelo CPITN ou, em português, Índice Comunitário
de Necessidade de Tratamento Periodontal. As metas de saúde bucal para 2010
foram as seguintes (NARVAI, 2002):
a) 90% de pessoas sem cárie na idade de cinco a seis anos;
b) CPO-D menor que um aos 12 anos de idade;
c) aos 15 anos de idade, não mais que um sextante com CPITN um ou dois;
d) não haver perda dental, aos 18 anos de idade, devido à cárie ou doença
periodontal;
e) na idade de 35 a 44 anos não mais que 2% de desdentados;
f) 96% de pessoas com no mínimo 20 dentes funcionais;
g) não mais que 0,25 sextante com CPITN de nível quatro;
26
h) não mais que 5% de desdentados; e
i) não mais que 0,50 sextante com CPITN de nível quatro na idade de 65 a 74 anos.
No Brasil, a utilização da epidemiologia em saúde bucal tem tido, historicamente,
uma atuação pouco expressiva. Enquanto alguns países como a Inglaterra e os
países nórdicos detêm bases de dados de prevalência da cárie dentária desde as
primeiras décadas do século XX, no Brasil o primeiro levantamento de saúde bucal
de base nacional só foi realizado em 1986, pelo Ministério da Saúde.
Posteriormente, ocorreram mais três experiências em nível nacional: o levantamento
conduzido pelo Ministério da Saúde em associação com entidades da categoria
odontológica envolvendo as capitais dos estados brasileiros em 1996, e os Projetos
SB Brasil 2003 e 2010, todos seguindo diretrizes padronizadas pela OMS,
considerando o índice CPO-D (OLIVEIRA, 2006).
É caracteristico da atenção prestada nos serviços de Atenção Básica que estes se
ocupem das patologias mais prevalentes nas comunidades. Dentre os principais
agravos que acometem a saude bucal e que tem sido objeto de estudos
epidemiologicos em virtude de sua prevalencia e gravidade, está a cárie dentária.
Seus principais fatores de risco são fatores culturais e socioeconomicos; falta de
acesso ao fluor; deficiente controle mecanico do biofilme (placa bacteriana);
consumo excessivo e freqüente de açucar; e xerostomia (BRASIL, 2008).
O conhecimento da epidemiologia da cárie dentária permanece relevante, dada a
sua caracteristica de importante fonte de dor e desordens funcionais e esteticas da
boca. Apesar de passivel de prevenção, continua sendo a mais prevalente doença
bucal na infancia. O estudo da experiencia de cárie na infancia compreende tres
dimensoes: a prevalencia do agravo, sua gravidade e o acesso da população ao
tratamento
odontologico.
Prevalencia
refere-se
à
proporção
de
crianças
manifestando a doença, independentemente de quantos dentes tenham sido
afetados, e de ter ou não recebido tratamento; gravidade do ataque de cárie referese ao numero de dentes afetados; e o acesso a tratamento odontologico pode ser
avaliado nos estudos de dados agregados pela análise da proporção de dentes
tratados em relação ao total de dentes afetados pela doença (ANTUNES; PERES;
MELLO, 2006).
27
Os levantamentos epidemiologicos em saude bucal realizados pelo Ministerio da
Saude em nivel nacional, demonstram a importancia desse agravo, entre outros, e
reforçam a necessidade de que os serviços de saude estejam organizados para
intervir e controlá-lo (BRASIL, 2008). O Ministerio da Saude, atraves dos IDB,
demonstra resumidamente o número médio de CPO-D aos 12 anos de idade, por
escolar examinado, segundo Região do Brasil, nos anos de 1986, 1996, 2003 e
2010 (Quadro 1) (BRASIL, 2015). Esse declinio no indice CPO-D brasileiro
observado ao longo dos anos, que não e uniforme nem homogeneo pelo vasto
territorio brasileiro, e atribuido à fluoretação da água de abastecimento publico e dos
dentifricios, alem de uma extensa reforma no sistema de saude, que propiciou a
promoção de iniciativas de educação em saude bucal e a provisão de tratamentos
preventivos e de restauração dentária para crianças (NARVAI; FRAZÃO;
CASTELLANOS, 1999).
28
Quadro 1 - Número médio de CPO-D aos 12 anos de idade, por escolar
examinado, segundo Região do Brasil, nos anos de 1986, 1996,
2003 e 2010
Região
Total
Norte
Nordeste
Sudeste
Sul
Centro-oeste
1986
6,7
7,5
6,9
6,0
6,3
8,5
1996
3,1
4,3
2,9
2,1
2,4
2,9
2003
2,8
3,1
3,2
2,3
2,3
3,2
2010
2,1
3,2
2,7
1,7
2,0
2,6
Fonte: BRASIL (2015)
No Brasil, o percentual de indivíduos aos 12 anos livres de cárie (CPO-D = 0) era de
menos de 5% em 1986, passando para mais de 25% em 1996, chegando a mais de
30% em 2003 e a 43,5% em 2010 (OLIVEIRA, 2006; BRASIL, 2004, 2012).
Os resultados do SB Brasil 2010 demonstram que a proporção de indivíduos livres
de cárie (ceo-d/CPO-D = 0) diminui em função da idade, um fenômeno que é
comum, considerando-se o caráter cumulativo dos índices utilizados. Aos cinco anos
de idade, 46,6% das crianças brasileiras estavam livres de cárie na dentição decídua
e, aos 12 anos, 43,5% apresentavam a mesma condição na dentição permanente.
Grandes diversidades regionais e entre as capitais e os municípios do interior
também foram percebidas em todas as idades. Percentuais de ceo-d/CPO-D = 0
foram sempre inferiores nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste quando
comparados com os das regiões Sul e Sudeste (BRASIL, 2012).
Considera-se, hoje, que os estágios anteriores da doença antes da cavidade podem
ser paralisados por açoes de promoção à saude e prevenção. Portanto, somente o
tratamento restaurador da cavidade de cárie não garante o controle do processo da
doença, sendo necessário intervir tambem sobre os seus determinantes para evitar
novas cavidades e recidivas nas restauraçoes (BRASIL, 2008).
A abordagem coletiva da cárie dentária deve incluir açoes educativas e preventivas,
alem de açoes de Promoção de Saude.
Açoes educativas e preventivas: exame epidemiologico; educação em saude bucal;
escovação dental supervisionada; entrega de escova e dentifricio fluoretado e,
29
sempre que possivel, de fio dental; e ATF. Para se instituir a aplicação topica de fluor
de forma coletiva deve ser levada em consideração a situação epidemiologica dos
grupos populacionais locais em que a ação será realizada. Sua utilização com
abrangencia universal e recomendada somente para populaçoes nas quais seja
constatada uma ou mais das seguintes situaçoes: exposição à água de
abastecimento sem fluor ou com teores abaixo de 0,4 partes por milhão de fluor e
sem acesso à dentifricio fluoretado, CPO-D maior que tres aos 12 anos de idade e
menos de 30% dos individuos livres de cárie aos 12 anos de idade. A ATF pode ser
realizada na forma de bochechos fluorados semanais ou diários ou aplicação
trimestral de fluor gel na escova, moldeira ou com pincelamento (BRASIL, 2008).
Açoes de Promoção de Saude, como medidas de saude publica intersetoriais e
educativas, que possibilitem acesso à alguma forma de fluor, redução do consumo
do açucar e disponibilidade de informação sistemática sobre os fatores de risco e
autocuidado. São tambem determinantes as politicas relacionadas à melhoria das
condiçoes socioeconomicas, da qualidade de vida, do acesso à posse e uso dos
instrumentos de higiene e estimulo à manutenção da saude (BRASIL, 2008).
A abordagem individual da cárie dentária deve incluir diagnóstico, tratamento,
restauração/reabilitação e manutenção (BRASIL, 2008).
2.1.3 Levantamento de Necessidades Imediatas em Saúde Bucal versus Levantamentos
Epidemiológicos
Os levantamentos básicos de saúde bucal são usados para a coleta de informações
sobre o estado de saúde bucal e as necessidades de tratamento de uma população,
e posteriormente, para monitorar as mudanças nos níveis e padrões da doença.
Desta maneira, é possível avaliar a conveniência e a eficácia dos serviços que estão
sendo fornecidos, e planejar ou modificar os serviços de saúde bucal e programas
de treinamento quando necessário (OMS, 1999). Configuram-se instrumentos de
vigilância epidemiológica, mensurando as necessidades individuais e coletivas em
saúde bucal. Trata-se de recurso de planejamento local, útil para vigilância da saúde
e a organização do serviço, pois permite o diagnóstico, planejamento das ações,
acompanhamento e avaliação (FRANÇA NETO, 2009).
30
A ação coletiva de exame bucal com finalidade epidemiológica introduz o princípio
da equidade na atenção à saúde bucal, pois define uma priorização do atendimento
a partir da identificação do risco sob os pontos de vista biológico, social e subjetivo,
com atenção priorizada para a clientela com maior necessidade ou vulnerabilidade
(BELO HORIZONTE, 2006). O planejamento e a programação desenvolver-se-ão a
partir das informações epidemiológicas e da definição de critérios de risco.
Na coleta de informações, os levantamentos epidemiológicos produzem dados mais
precisos que os inquéritos/levantamentos de necessidades; no entanto, são mais
complexos quanto à execução. Os inquéritos requerem menos treino dos
profissionais para sua realização, são mais fáceis e mais rápidos de serem
executados. Os inquéritos podem ser feitos no próprio serviço, nos domicílios dos
usuários, em escolas ou creches, dentre outros (RESENDE, 2010).
Na execução de levantamentos (sejam eles levantamentos epidemiológicos ou de
necessidades/inquéritos), define-se a priori os critérios de diagnóstico, desde os
mais complexos, comuns aos levantamentos epidemiológicos que utilizam índices
que identificam a menor expressão da doença cárie, até os mais simples, utilizados
normalmente nos chamados inquéritos ou levantamentos de necessidades, que
identificam apenas a presença ou ausência de doença. A ação se dá geralmente em
ambiente coletivo, em fase pré-clínica. Em seguida, parte-se para definição dos
critérios de risco para a definição da classificação de risco a partir dos dados obtidos
no diagnóstico. Pode-se então desenvolver o planejamento e a programação do
atendimento individual e coletivo. Trata-se de um indicador individual que gera uma
classificação coletiva. Possibilita uma configuração quantificada e qualificada das
necessidades de atenção dos grupos, dividindo as necessidades da população em
categorias de acordo com a complexidade e o tipo de recurso humano requerido
(CD, ACS, ASB e TSB) (BELO HORIZONTE, 2005).
Para a realização destes levantamentos o estabelecimento de uniformidade
metodológica de critérios e de procedimentos facilita a viabilização de sua
reprodutibilidade, validade e confiabilidade nas mesmas condições, em qualquer
situação ou lugar, por profissionais da área de Saúde Bucal ou Saúde Coletiva
(OLIVEIRA et al., 1998).
31
Os objetivos da padronização e calibração são garantir uniforme interpretação,
compreensão e aplicação por todos os examinadores dos códigos e critérios das
diferentes doenças e condições que devem ser observados e registrados e garantir
que cada examinador possa examinar de forma consistente (OMS, 1999).
Embora os examinadores possam diferir nas suas avaliações do estado de saúde
bucal dos indivíduos, eles devem estar de acordo sobre a avaliação das condições
dos grupos da população. Quando um levantamento epidemiológico é realizado por
uma equipe, é necessário que os examinadores sejam treinados para apresentar
consistência nos julgamentos clínicos, podendo ainda passar por calibração. Os
objetivos
da
calibração
são:
assegurar
a
uniformidade
de
interpretação,
compreensão e aplicação dos critérios para as várias doenças e condições a serem
observadas e registradas; assegurar que cada profissional possa examinar de
maneira uniformemente padronizada; e minimizar variações entre os diferentes
examinadores. Não é possível dar uma definição precisa de consistência aceitável.
Em geral, a concordância para a maioria das avaliações deve estar em torno de 85 a
90% (BRASIL, 2014).
Mesmo nos casos em que tais dados não apresentem o rigor de um estudo
acadêmico, constituem-se em importante instrumento de avaliação sobre o impacto
das ações o que, até há alguns anos, era impraticável na maioria dos municípios.
Outro ponto a destacar é a perspectiva da expansão das ações de saúde bucal que
contemplem o princípio da integralidade (articulando atividades promocionais,
preventivas e curativo-reabilitadoras) para vários grupos populacionais vivendo em
um território determinado (BRASIL, 2001).
2.1.4 Organizacão da Demanda e Avaliacão de Risco em Saude Bucal
Os principais modos de acesso para a atenção em saúde bucal são a demanda
espontânea, o encaminhamento pela equipe de saúde e os grupos prioritários.
Demanda espontânea refere-se aos usuários que procuram o serviço com uma
necessidade percebida, como uma urgência. No caso do encaminhamento pela
equipe de saúde, são considerados sinais de risco em saúde bucal utilizados na
rotina de trabalho da equipe de saúde, por exemplo, manchas nos dentes, cavidades
nos dentes ou lesões em tecidos moles.
32
Já os grupos prioritários são aqueles formados por pessoas que merecem atenção
especial devido a sua condição. São divididos em risco social, de acordo com
fatores sociais, econômicos, estrutura familiar, entre outros; risco por ciclo de vida,
como crianças e idosos; e risco sistêmico, no caso de diabéticos, imunodeprimidos
ou pacientes com necessidades especiais, por exemplo (BELO HORIZONTE, 2006).
Os grupos prioritários demandam atenção especial, devendo ser, portanto,
classificados quanto ao risco, a fim de organizar a atenção, sem com isso dedicarlhes atendimento exclusivo, mas sim visando à cobertura gradual de toda
comunidade com base na equidade. Casos de urgência/emergência devem ser
atendidos prontamente, de preferência no início do turno de trabalho e da forma
mais resolutiva possível, evitando o prolongamento do sofrimento do usuário ou
retornos desnecessários. Com esse processo de reorganização da demanda a
tendência é que haja uma diminuição gradual desses casos (RESENDE, 2010).
Um dos principais problemas enfrentados no cotidiano dos serviços de saude bucal
e a organização da demanda, em especial nas atividades assistenciais. Dentre os
desafios na organização da atenção em saude bucal estão:
a)
a garantia do acesso à demanda espontanea: os serviços de saude bucal devem
ser organizados de forma a acolher a demanda espontanea e os casos de
urgencia, e dar respostas às necessidades sentidas da população. A ordem de
chegada não deve ser o principal criterio para o atendimento dos casos, mas a
sua gravidade ou o sofrimento do paciente. Neste sentido e que se prioriza o
atendimento a qualquer urgencia, quando esta estiver ocasionando dor ou
sofrimento ao usuário (BRASIL, 2008); e
b) o desenvolvimento de açoes programadas: açoes de Promoção da Saude,
Prevenção de Doenças e de Assistencia voltadas ao controle das patologias
cronicas e/ou às populaçoes mais vulneráveis do territorio. Os grupos prioritários
são definidos a partir de criterios de risco social, levantamento de necessidades
odontologicas entre outros (BRASIL, 2008).
A atenção programada inclui açoes individuais e/ou coletivas de promoção da saude,
prevenção de agravos e de intervençoes cirurgico-restauradoras ofertadas de forma
organizada. Cabe às equipes em conjunto com a comunidade, a partir da realidade
33
social, definir a estrategia e os grupos prioritários para atenção em saude bucal
programada (BRASIL, 2008).
As açoes programadas de assistencia devem levar em conta o risco de
adoecimento, seja ele individual ou familiar (BRASIL, 2008).
A avaliação de risco é a metodologia através da qual a Equipe de Saúde Bucal pode
selecionar os usuários ou famílias para a atenção odontológica programada
(LONDRINA, 2009). É uma ferramenta fundamental para o planejamento de ações
coletivas e de assistência, propiciando assim a equidade na Atenção em Saúde
(VASCONCELOS; FRATUCCI, [2013]).
A avaliação de risco permite que o serviço de saúde estabeleça como critério para
definição de prioridade no atendimento o agravo à saúde e/ou grau de sofrimento –
individual, familiar, social e não mais a ordem de chegada. Deve ser realizada por
profissional da saúde que identifica os usuários que necessitam de atenção
priorizada. Os protocolos tecnicos podem contribuir para a definição de prioridades.
Cada municipio deve, em conjunto com os trabalhadores, definir os protocolos mais
adequados sob a otica da intervenção multiprofissional, legitimando a inserção de
todos os profissionais (BRASIL, 2008).
Crianças e famílias expostas a privações econômicas e sociais apresentam maior
prevalência de agravos. Assim sendo, a incorporação de critérios de risco no
diagnóstico e no tratamento das necessidades é fundamental para agilizar ações e
otimizar recursos, assim como a avaliação do risco individual para doenças bucais é
instrumento valioso na organização dos serviços (VASCONCELOS; FRATUCCI,
2014).
Em muitos casos, elegem-se variáveis clínicas para classificação de risco à cárie,
como história passada de cárie, lesão incipiente com atividade de cárie e época de
erupção do dente. Isso se deve à facilidade de manejo, de modo a proporcionar ao
administrador de serviço e ao clínico uma possibilidade de controlar o processo e
planejar o tratamento de forma mais racional.
Para definição das atividades educativo-preventivas e curativas é importante
considerar também a atividade da doença. A adoção deste critério, embora priorize
34
esta situação, não significa a exclusão dos indivíduos sem atividade de doença dos
grupos de controle ou manutenção coletiva (BRASIL, 2008).
2.1.5 Campo da Atencão na Saude Bucal
O atual conceito dos Determinantes Sociais da Saúde, demonstram que as
condiçoes sociais de vida e trabalho dos individuos e de grupos da população estão
diretamente relacionadas com sua situação de saude (BUSS; PELEGRINO FILHO,
2007). Em março de 2005, a OMS criou a DSS ou CSDH, com o objetivo de
promover, em âmbito internacional, uma tomada de consciência sobre a importância
dos determinantes sociais na situação de indivíduos e populações e sobre a
necessidade do combate às iniquidades em saúde por eles geradas. Em 2006,
através de Decreto Presidencial, foi criada no Brasil a CNDSS. Seus objetivos são:
gerar informações e conhecimentos sobre os determinantes socias da saúde no
Brasil; contribuir para a formulação de políticas que promovam a equidade em
saúde; mobilizar diferentes instâncias do governo e da sociedade civil sobre este
tema (COMISSÃO, 2008). Para a CNDSS, os DSS são os fatores sociais,
economicos,
culturais,
etnicos/raciais,
psicologicos
e
comportamentais
que
influenciam a ocorrencia de problemas de saude e seus fatores de risco na
população (BUSS; PELEGRINO FILHO, 2007).
A definição do campo da prática das Equipes de Saude Bucal na Atenção Básica
extrapola, e muito, os limites da boca, o que exige na composição que suas açoes
integrem diferentes áreas de conhecimento, com base nos Determinantes Sociais da
Saude. São açoes que devem integrar a prática das Equipes de Saude Bucal na
Atenção Básica (BRASIL, 2008):
a) açoes intersetoriais
Significam intervençoes para mudar circunstancias sociais e ambientais que
afetam a saude coletivamente e que possam conduzir a ambientes saudáveis.
Envolvem estabelecimento de parcerias com setores e atores fora da área da
saude. Como exemplo cita-se o apoio a açoes e politicas que:
 promovam desenvolvimento social;
35
 possibilitem o acesso a saneamento básico e incentivem a fluoretação das
águas de abastecimento;
 contribuam para o combate ao fumo e uso de álcool;
 incentivem dietas mais saudáveis;
 contribuam para garantir proteção no trabalho;
 contribuam para o trabalho transversal de conteudos de saude bucal no
curriculo escolar, atraves do aproveitamento da LDB, entre outras.
Especificamente em relação à LDB, significaria discutir a saude bucal em vários
momentos e disciplinas escolares, de acordo com a realidade de cada escola,
contribuindo para a construção de escolas saudáveis (BRASIL, 2008);
b) açoes educativas
As práticas de educação em saúde bucal convencionais não têm se mostrado
eficazes nem eficientes. Muitos programas de saúde bucal são desenvolvidos e
implementados de forma isolada de outros programas de saúde. Isso muitas
vezes leva, na melhor das hipóteses, a uma duplicação de esforços, ou pior, a
mensagens conflitantes a serem entregues ao público. Além disso, os programas
de saúde bucal tendem a concentrar-se na mudança de comportamento individual
e em grande parte ignorar a influência de fatores sócio-políticos como os
principais determinantes da saúde (SHEIHAM; WATT, 2000).
Em uma era de cuidados de saúde baseados em evidências, existem inúmeras
razões para pôr em questão a eficácia de métodos de educação em saúde atuais,
dentre elas: os possíveis aumentos das desigualdades em saúde bucal onde tem
sido efetivada a educação em saúde bucal; a escassez de recursos para a
promoção
da
saúde
bucal
tanto
em
países
industrializados
quanto
subdesenvolvidos; o custo desses métodos que não são somente ineficazes, mas
caros em termos de dinheiro e de recursos humanos; a frequente duplicação de
intervenções de saúde bucal com demais programas executados por profissionais
de saúde de outras áreas, fazendo com que o público se torne cada vez mais
cético e cansado de mensagens de saúde; se basearem na teoria da mudança de
36
comportamento individual em contraponto aos determinantes sociais (SHEIHAM;
WATT, 2000).
Com base na promoção de saude, a educação em saude bucal deve fornecer
instrumentos para fortalecer a autonomia dos usuários no controle do processo
saude-doença e na condução de seus hábitos, com vistas à melhoria da sua
qualidade de vida. Em geral, o conteudo para as açoes educativas coletivas deve
abordar: as principais doenças bucais, como se manifestam e como se previnem;
a importancia do autocuidado, da higiene bucal, da escovação com dentifricio
fluoretado e o uso do fio dental; os cuidados a serem tomados para evitar a
fluorose; as orientaçoes gerais sobre dieta; a orientação para auto-exame da
boca: os cuidados imediatos apos traumatismo dentário; a prevenção à exposição
ao sol sem proteção; e a prevenção ao uso de álcool e fumo. O planejamento das
açoes educativas deve ser feito em conjunto com a equipe de saude,
principalmente em relação às açoes propostas por ciclo de vida, condição de vida,
e por fatores de risco comuns para várias doenças (BRASIL, 2008).
Salienta-se a importancia da revisão das práticas pedagogicas, especialmente em
se tratando de abordagem para educação para adultos e jovens, que
necessariamente difere da educação para crianças. São aspectos importantes a
serem observados na educação em saude bucal: respeito à individualidade,
contextualização nas diversas realidades, incluindo as possibilidades de
mudança, respeito à cultura local, respeito à linguagem popular para encaminhar
uma construção conjunta da prática, etica, autopercepção de saude bucal,
reflexão sanitária: o processo de educação em saude deve capacitar os usuários
para participar das decisoes relativas à saude, uso de metodologias adequadas a
cada situação e a cada grupo etário (BRASIL, 2008).
As açoes educativas no nivel coletivo podem ser feitas com os seguintes
enfoques:
 População: atividades educativas voltadas para a população como um todo.
Existem fatores de risco comuns a várias doenças, tais como tabagismo,
alcoolismo, exposição ao sol sem proteção e dieta inadequada, entre outros, e
que devem ser abordados em conjunto, de forma multiprofissional;
37
 Grupos e espaços sociais: identificar no territorio possiveis grupos para serem
trabalhados a partir de criterios de risco, possibilidade de atuação e recursos
disponiveis;
 Grupos operativos na unidade
de saude: grupos formados para
a
problematização das questoes de saude bucal, integração e a democratização
do conhecimento a partir de um encaminhamento individual. Nesses grupos
devem ser trabalhadas minimamente a causalidade dos agravos, formas de
prevenção, a revelação de placa e a escovação supervisionada;
 Familias: incluir as atividades educativas na rotina do trabalho dos agentes
comunitários de saude e da Equipe Saude da Familia, a partir de criterios de
risco ou da identificação do nucleo familiar como um fator determinante no
processo saude-doença;
 Individuos: realizada em todas as etapas do tratamento, de forma
particularizada, para atender a necessidades individuais, visando à autonomia
no cuidado (BRASIL, 2008).
c) açoes de promoção de saude
A efetivação da Atenção Básica pressupoe a Promoção de Saude, que e uma
estrategia de articulação transversal que objetiva a melhoria na qualidade de vida
e a redução da vulnerabilidade e dos riscos à saude, por meio da construção de
politicas publicas saudáveis, que levem a população a ter melhorias no modo de
viver: condiçoes de trabalho, habitação, educação, lazer, cultura, acesso a bens e
serviços essenciais (BRASIL, 2008).
Sendo um dos principios da Promoção de Saude o foco na população como um
todo, a seleção da abordagem deve estar orientada para reduzir as desigualdades
sociais. Intervenções isoladas que se concentram apenas nas mudanças de
comportamento de saúde bucal, não sustentam melhorias na saúde bucal (WATT,
2005). A estrategia de base populacional e a ação apropriada para lidar com
problemas que estão difundidos na população, buscando a melhoria das
condiçoes gerais de saude (BRASIL, 2008).
38
Uma alternativa para a política de saúde bucal sediada sobre os princípios gerais
da promoção da saúde é a Abordagem do Fator de Risco Comum (AFRC) ou
Common Risk Factor Approach (CRFA). Nessa abordagem, a logica e a atuação
sobre um determinado fator que pode estar concorrendo simultaneamente para o
desenvolvimento ou agravamento de diferentes doenças ou agravos, dentro de
um contexto socioambiental mais amplo. Se a saúde bucal é determinada pela
dieta, higiene, tabagismo, uso de álcool, estresse e trauma e essas causas são
comuns a uma série de outras doenças crônicas, a adoção de uma abordagem
colaborativa é mais racional do que aquela em que se aborda uma doença
específica (SHEIHAM; WATT, 2000). Tanto em países desenvolvidos quanto em
desenvolvimento, estratégias de saúde pública com base na abordagem de risco
comum são mais prováveis de serem eficazes na obtenção de ganhos
significativos em saúde bucal (WATT, 2005).
A Abordagem do Fator de Risco Comum pode ser implementada de diversas
maneiras. Assim, por exemplo, a cárie dentária, a diabete e a obesidade tem a
dieta como um fator de risco comum. Para tanto, depende de açoes intersetoriais,
articuladas e coordenadas pelos diferentes setores da sociedade, do Estado, do
sistema de saude e outros parceiros. A promoção de saude pode ser entendida,
então, como um desfecho positivo decorrente da implementação de politicas
publicas saudáveis (BRASIL, 2008).
O conceito da AFRC foi originalmente baseado em recomendações de políticas
de saúde da OMS na década de 1980, que incentivaram uma abordagem
integrada para prevenção de doenças crônicas. Em 2000, o conceito geral foi
ainda mais desenvolvido e aplicado à saúde bucal, enfatizando ações
direcionadas a fatores de risco comuns à doenças crônicas, incluindo as doenças
bucais. Desde então, a AFRC formou a base teórica para a maior integração de
estratégias de saúde bucal e geral. O progresso no sentido da luta contra o
isolamento e a compartimentalização da saúde bucal tem sido considerável, sem
dúvida. No entanto, a investigação sobre as políticas de redução das
desigualdades em saúde
recentemente
desenvolvidas,
sugere
que
tais
intervenções têm se limitado muitas vezes a fatores intermediários, tais como
comportamentos de saúde. Portanto, agora é o momento de atualizar de maneira
crítica a AFRC, em termos de uma abordagem mais politizada que reconheça os
39
determinantes sociais subjacentes e estruturais, e consequentemente, as causas
das desigualdades de saúde bucal (WATT; SHEIHAM, 2012).
A promoção de saude tambem vem respaldando as atuais discussoes de um novo
modelo voltado para a Defesa da Vida, que tem por base:

a qualidade de vida e a consciencia das pessoas sobre sua saude;

definição de prioridades a partir de indicadores e variáveis preditoras,
centradas nas populaçoes;

reconhecimento das diferenças sociais, economicas e culturais, nas diferentes
populaçoes, como definidoras das condiçoes de saude;

niveis de atenção com fluxos de referencia e contra-referencia, trabalho em
equipe, interdisciplinaridade e intersetorialidade;

territorios como espaços sociais em que tendem a se agrupar pessoas que
compartilham caracteristicas similares de natureza cultural e socio-economica;

promoção da saude por meio da assistencia, da participação ativa dos sujeitos
e modificação das condiçoes objetivas de vida (BRASIL, 2008).
Em consonancia com o Pacto em Defesa da Vida, a Politica Nacional de
Promoção de Saude, aprovada pela Portaria no 687/GM, de 30 de março de
2006, propoe que as intervençoes em saude ampliem seu escopo, tomando como
objeto os problemas e necessidades de saude e seus determinantes e
condicionantes, de modo que a organização da atenção e do cuidado envolva, ao
mesmo tempo, as açoes e serviços que operem sobre os efeitos do adoecer e
aqueles que visem o espaço para alem dos muros das unidades de saude e do
sistema de saude, incidindo sobre as condiçoes de vida e favorecendo a
ampliação de escolhas. Estabelece, ainda, como diretrizes:

reconhecer na Promoção de Saude uma parte fundamental da busca da
equidade, da melhoria da qualidade de vida e de saude;

estimular as açoes intersetoriais, buscando parcerias que propiciem o
desenvolvimento integral das açoes de Promoção de Saude;
40

fortalecer
a
participação
social,
entendendo-a
como
fundamental
na
consecução de resultados de Promoção de Saude, em especial a equidade e o
empoderamento individual e comunitário;

promover mudanças na cultura organizacional, com vistas à adoção de práticas
horizontais de gestão e estabelecimento de redes de cooperação intersetoriais;

incentivar a pesquisa em Promoção de Saude, avaliando eficiencia, eficácia,
efetividade e segurança das açoes prestadas;

divulgar e informar as iniciativas voltadas para a Promoção de Saude aos
profissionais
de
saude,
gestores
e
usuários
do
SUS,
considerando
metodologias participativas e o saber popular e tradicional (BRASIL, 2008).
d) açoes de assistencia
Significam intervençoes clinicas curativas, de cunho individual ou coletivo,
ofertadas de maneira a impactar os principais problemas de saude da população.
A organização da assistencia deve abranger açoes que respondam à demanda
organizadamente, compatibilizando a demanda espontanea e a programada
(BRASIL, 2008).
2.1.6 Levantamentos nacionais de Necessidades de Tratamento Odontológico
Rocha (2009) realizou um levantamento de necessidades em saúde bucal entre 78
crianças e adolescentes de zero a quinze anos de idade do Programa Bolsa Família
em residentes em área de abrangência das equipes um e dois do Centro de Saúde
Miramar em Belo Horizonte, Minas Gerais. O exame visual dos participantes foi
realizado pelo cirurgião-dentista na UBS. Não foi citado se houve treinamento nem
calibração. Os problemas de saúde bucal foram medidos por meio dos critérios
estabelecidos para a codificação do Levantamento de Necessidade em Saúde
Bucal, desenvolvido pela Coordenação Técnica de Saúde Bucal da SMS de Belo
Horizonte: 0 = não apresenta dente com cavidade. Não necessita restauração ou
extração; 1 = apresenta até três dentes com cavidades evidentes, necessitando de
restauração e/ou extração; 2 = apresenta de quatro a oito dentes com cavidades
evidentes, necessitando de restauração e/ou extração; 3 = apresenta mais de oito
dentes com cavidades evidentes, necessitando de restauração e/ou extração; 5 =
41
apresenta a cárie dentária sob controle, a doença periodontal apresenta-se como o
maior problema. Verificou-se que a maioria (64%) das crianças e adolescentes
estudados de zero a quinze anos não apresentava dentes com cavidades no
momento da realização do levantamento. Na faixa etária de zero a cinco anos, 70%
das crianças não apresentava dentes com cavidades. Entre as crianças de seis a
doze anos esse percentual caiu para 49%, enquanto para mais de 12 anos foi de
73%.
Entre os participantes de zero a quinze anos que apresentaram alguma
necessidade, predominou (31%) o código 1 (até três elementos com cavidade
evidente), indicando uma baixa necessidade de tratamento odontológico. Entretanto,
o fenômeno da polarização da cárie dentária pôde ser observado visto que 5% dos
participantes apresentavam mais de quatro elementos dentais atacados por cárie
(ROCHA, 2009). A metodologia não cita treinamento e calibração. Os critérios de
diagnóstico consideraram presença, ausência e quantidade de lesões de cárie,
alterações gengivais e limitação funcional (dor). O estudo não cita os critérios de
classificação de risco e organização da demanda a serem utilizados póslevantamento.
Com o objetivo de organizar o serviço da SB2 do CS NAR, situado na região norte
de Belo Horizonte, foi realizado, também em 2009, um levantamento de
necessidades em saúde bucal elaborado por cirurgiões-dentistas da Prefeitura
Municipal de Belo Horizonte, como no trabalho anterior. A amostra foi composta por
268 crianças de seis a doze anos e 146 crianças de zero a cinco anos, com o total
de 414 crianças de zero a doze anos. Os exames foram executados por ACS (o
trabalho não cita a quantidade de profissionais) treinados, não sendo citado o tipo de
treinamento e se os examinadores passaram por calibração. O ambiente de exame
foi coletivo, na Unidade de Saúde, não citando se houve escovação prévia. Os
critérios de classificação para o diagnóstico foram: quantidade de dentes com
cavidades evidentes de cárie (um a três, quatro a oito, mais de oito); quantidade de
dentes sem cavidades evidentes de cárie; dor. Os resultados demonstraram que,
das crianças de zero a cinco anos, 46,3% não apresentavam dentes com cavidades
evidentes de cárie, enquanto 53,7% apresentavam dentes com pelo menos uma
cavidade: 34,7% apresentavam de um a três dentes com cavidades (representando
64,61% dos dentes diagnosticados com cavidades); 15,6% apresentavam de quatro
a oito dentes com cavidades (representando 29,05% dos dentes diagnosticados com
42
cavidades); e apenas 3,4% apresentavam mais de oito dentes com cavidades de
cárie (representando 6,33% dos dentes diagnosticados com cavidades). Das
crianças de seis a doze anos, 25,7% não apresentavam dentes com cavidades
evidentes de cárie, enquanto 74,2% apresentavam dentes com pelo menos uma
cavidade: 56,3% apresentavam de um a três dentes com cavidades (representando
75,87% dos dentes diagnosticados com cavidades); 16,8% apresentavam de quatro
a oito dentes com cavidades (representando 22,64% dos dentes diagnosticados com
cavidades); e apenas 1,1% apresentavam mais de oito dentes com cavidades de
cárie (representando 1,48% dos dentes diagnosticados com cavidades). Não houve
descrição de resultados para dor. Como era esperado um grande volume
de necessidade de atendimento, foi elaborado um critério de prioridade para o
índice, no qual os quadros de urgência detectados pelos profissionais onde não
houvesse queixa do paciente, eram considerados “prioridade média” e quando o
paciente apresentava queixa era considerado “prioridade alta” e os demais
“prioridade baixa”. Dessa forma, desejava-se garantir que quadros mais avançados
e urgências fossem detectados para atendimento prioritário independente do código
(FRANÇA NETO, 2009). Os critérios de diagnóstico consideraram apenas a
quantidade de lesões de cárie e limitação funcional (dor). O estudo cita os critérios
de classificação de risco e organização da demanda a serem utilizados póslevantamento: queixa de dor pelo paciente era prioridade alta para encaminhamento
para tratamento, percepção de gravidade pelo profissional era prioridade média, e os
demais, prioridade baixa.
Guidetti e Almeida (2013) propuseram um modelo de formulário estruturado com o
objetivo de realizar um levantamento de necessidades em saúde bucal em
estudantes do município de Fortaleza, Ceará, no Bairro de Passaré. A amostra foi
composta por 156 crianças de seis a quinze anos, matriculados em escolas
municipais. Os exames foram executados por um estudante de Odontologia
supervisionado pelo cirurgião-dentista da Unidade de Saúde, treinado e calibrado,
não sendo citado o tipo de treinamento ou detalhamento da calibração. O ambiente
de exame foi coletivo, na escola, após escovação. Os critérios de classificação para
o diagnóstico foram: quantidade de dentes com cavidades evidentes de cárie (um a
três ou mancha branca; quatro ou mais); quantidade de dentes sem necessidades
de tratamentos (inclui cárie, sangramento e raiz residual); presença de raiz residual;
43
presença de sangramento. Os resultados demonstraram que, 42,3% dos escolares
não
apresentavam
qualquer
necessidade
de
tratamento,
enquanto
40,3%
apresentavam pelo menos um dente com cavidade de cárie ou mancha branca:
33,9% apresentavam dentes com pelo menos uma cavidade ou mancha branca
(representando 84,11% dos dentes diagnosticados com cavidades ou mancha
branca); 6,4% apresentavam dentes com quatro ou mais cavidades de cárie
(representando 15,88% dos dentes diagnosticados com cavidades ou mancha
branca); e 16,6% apresentavam raiz residual. Apenas 0,6% apresentavam
sangramento gengival. Um terceiro momento consistiu na análise dos dados obtidos,
para posteriormente encaminhar os escolares que apresentavam maior necessidade
de tratamento, ou seja, atividade de cárie/mancha branca e presença de raiz
residual, para atendimento odontológico na Unidade de Saúde, enquanto os demais
alunos receberam instrução de higiene oral para reverter o quadro apresentado,
como no sangramento gengival. O que chama atenção nos resultados é que a soma
do total de diagnósticos coincide com o número total da amostra, fazendo parecer
que cada paciente só poderia ter um critério de classificação. Se tivesse dentes
cavitados e sangramento, possivelmente somente um dos dois critérios foi
priorizado. O estudo também não cita a quantidade de pacientes sem lesões
cavitadas, apenas sem necessidades de tratamento, que incluía cárie, sangramento
e raiz residual. Os critérios de diagnóstico consideraram apenas a quantidade de
lesões de cárie e limitação funcional (dor). O estudo cita os critérios de classificação
de risco e organização da demanda a serem utilizados pós-levantamento: os
escolares que apresentaram maior necessidade de tratamento, ou seja, atividade de
cárie/mancha branca e presença de raiz residual, foram encaminhados para
atendimento odontológico na unidade de saúde, enquanto os demais alunos
receberam instrução de higiene bucal para reverter o quadro apresentado, como no
sangramento gengival.
A Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte e a AMAS realizaram, em 2005,
um levantamento de necessidades em saúde bucal elaborado por eles com os
objetivos de identificar as crianças com necessidade acumulada e encaminhá-las
para atendimento individual nas Unidades Básicas de Saúde ou no ônibus
odontológico (BELO HORIZONTE, 2005). A amostra foi composta por 11.193
crianças, de zero a seis anos, de 166 creches municipais. Os exames foram
44
executados por 12 ASB, não sendo citado se os examinadores passaram ou não por
treinamento e calibração. O ambiente de exame foi coletivo, nas creches, após
escovação. Os critérios de classificação para o diagnóstico foram: quantidade de
dentes com cavidades evidentes de cárie (um a três, quatro a oito, mais de oito);
quantidade de dentes sem cavidades evidentes de cárie; dor. Os resultados
demonstraram que 64,12% das crianças não apresentavam dentes com cavidades
evidentes de cárie, enquanto 35,87% apresentavam dentes com pelo menos uma
cavidade: 22,72% apresentavam de um a três dentes com cavidades (representando
63,45% dos dentes diagnosticados com cavidades); 10,45% apresentavam de
quatro a oito dentes com cavidades (representando 29,13% dos dentes
diagnosticados com cavidades); e apenas 2,66% apresentavam mais de oito dentes
com cavidades de cárie (representando 7,41% dos dentes diagnosticados com
cavidades). Não houve descrição de resultados para dor. A metodologia não cita
treinamento e calibração. Os critérios de diagnóstico consideraram quantidade de
lesões de cárie e limitação funcional (dor). O estudo não cita os critérios de
classificação de risco e organização da demanda a serem utilizados póslevantamento (BELO HORIZONTE, 2005).
Ainda em 2005, a Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal sugeriu um
modelo de ficha que tem como critério para a prioridade de tratamento curativo a
presença de dor, a quantidade e o tamanho da cavidade de cárie dentária que
necessita de tratamento restaurador, segundo a situação individual (TERRERI;
SOLER, 2008). O critério possui três códigos para classificar a situação encontrada
durante o exame de triagem: código 1 (sem necessidade de tratamento); código 2 (o
número de cavidades nesse código é de uma a cinco); e código 3 (mais de cinco
cavidades, e/ou dor e/ou uma cavidade grande). Os indivíduos de código 3 têm
prioridade de tratamento sobre os indivíduos classificados com o código 2. As
crianças que não apresentam cavidades de cárie com necessidade de tratamento
odontológico curativo (código 1) são eliminadas das comparações entre os critérios
de priorização do tratamento curativo (TERRERI; SOLER, 2008). A metodologia não
cita profissional executante, treinamento e calibração, nem ambiente de exame. Os
critérios de diagnóstico consideraram apenas a quantidade de lesões de cárie e
limitação funcional (dor). O estudo cita os critérios de classificação de risco e
organização da demanda a serem utilizados pós-levantamento: os escolares que
45
apresentaram maior necessidade de tratamento (quantidade de cavidade), dor, ou
uma cavidade grande têm prioridade de tratamento.
A Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo (2005) propôs um critério que
apresenta seis códigos para classificar a situação encontrada durante o exame de
triagem: código A (ausência de lesão); código B (história de dente restaurado);
código C (cavidade de cárie crônica); código D (presença de placa, gengivite e
mancha branca ativa); código E (cavidade de cárie aguda) e código F (presença de
dor) (TERRERI; SOLER, 2008). Nesse modelo de cadastramento, a determinação
do atendimento clínico individual para a cárie, na unidade de saúde da família, tem
como prioridade os indivíduos classificados como código F, seguidos, conforme a
possibilidade, pelos classificados como código E (alto risco) e, finalmente, os
classificados como código C (risco moderado). A presença de cavidade aguda e
crônica na mesma criança foi classificada a pior situação de risco (cárie aguda)
(RESENDE, 2010).A metodologia não cita profissional executante, treinamento e
calibração, nem ambiente de exame. Os critérios de diagnóstico consideraram
presença de cárie, cárie incipiente, história pregressa de cárie, alteração gengival e
limitação funcional (dor). O estudo cita os critérios de classificação de risco e
organização da demanda a serem utilizados pós-levantamento: aqueles que
apresentaram dor e cárie aguda têm prioridade de atendimento.
No período de 2005 a 2008, a Prefeitura Municipal de Mundo Novo, Goiás, propôs
uma classificação para avaliação do risco de cárie de crianças nas escolas do
município, dentro de um programa de prevenção baseado no levantamento do risco
de cárie. A avaliação visual do risco de cárie é feita a partir de um exame clínico
intrabucal de todos os elementos dentários. Durante esse exame também é avaliada
toda a cavidade bucal da criança. Essa avaliação fornece parâmetros para elaborar
um programa preventivo específico para cada criança dependendo do seu risco.
Seguem os quadros (Quadros 2 e 3) para a classificação de risco de cárie e para as
ações de saúde bucal conforme o grupo de risco (MUNDO NOVO, 2014). A
metodologia não cita profissional executante, treinamento e calibração. Os critérios
de diagnóstico consideraram presença de cárie, placa, cárie incipiente, história
pregressa de cárie, alteração gengival e limitação funcional (dor). O estudo cita os
critérios de classificação de risco e organização da demanda a serem utilizados pós-
46
levantamento: aqueles que apresentaram dor e cárie aguda têm prioridade de
atendimento.
47
Quadro 2 . Classes de risco de cárie dentária e critérios para inclusão segundo
a situação individual, segundo a Prefeitura Municipal de Mundo
Novo, Goiás, nos anos de 2005 a 2008. Mundo Novo, GO. 2014
Fonte: MUNDO NOVO, 2014.
48
Quadro 3 - Ações de saúde bucal, conforme grupo de risco para doenças
bucais, segundo a Prefeitura Municipal de Mundo Novo, Goiás, nos
de anos 2005 a 2008. MUNDO NOVO, GO. 2014.
Fonte: MUNDO NOVO, 2014.
Já em 2006, a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais propôs um modelo de
críticas no caderno de saúde bucal das linhas guias em atenção básica que é
bastante simples, de fácil aplicação e dá a dimensão do que se tem que enfrentar
49
em termos de atendimento. Ao contrário de outros modelos, não leva em
consideração o tamanho da doença, pois não divide o risco por quantidade de
elementos afetados, mas sim de acordo com a urgência (RESENDE, 2010). Os
critérios relacionados para avaliação de risco levam em consideração os riscos
biológicos em relação à saúde bucal e as necessidades percebidas pelo usuário.
São consideradas prioritárias as condições com risco de agravamento do Quadro 4,
abaixo (MINAS GERAIS, 2006).
Quadro 4 . Critérios de classificação de risco em saúde bucal, segundo a
Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais, em 2006. Minas
Gerais. 2014
Fonte: MINAS GERAIS 2006.
50
O CD avalia a situação de risco de cada usuário, priorizando o atendimento
programado aos usuários a partir do R1. Os grupos de risco R1 e R2 representam
os usuários com necessidade de ações educativas e preventivas e necessidade de
tratamento clínico/ cirúrgico/ restaurador/ reabilitador. O grupo R3 representa os
usuários de manutenção educativo-preventiva (RESENDE, 2010). A divisão nestas
três categorias de risco é muito pertinente, pois torna a classificação bem simples.
De modo geral, as diversas formas de doença são classificadas em aguda, crônica
ou estável, e ausente. Assim o paciente tem a prioridade medida pelo seu grau de
sofrimento. Como desvantagem, o método, por não medir a quantidade de doença, e
sim a intensidade, não oferece uma visão do volume de tratamento a ser realizado,
mas sim a necessidade acumulada da população (RESENDE, 2010). A metodologia
não cita treinamento e calibração, nem ambiente de exame. Os critérios de
diagnóstico consideram lesão de tecidos moles, presença de cárie, cárie incipiente,
alteração gengival, limitação funcional (dor), necessidade de prótese, necessidade
de tratamento de média/alta complexidade. Seu diferencial está em considerar as
limitações psicossociais (halitose, comprometimento estético) e limitações funcionais
(comprometimento na fala, deglutição e mastigação). O estudo cita os critérios de
classificação de risco e organização da demanda a serem utilizados póslevantamento: atividade de doença (cárie e doença periodontal), lesão de tecidos
moles e limitações funcionais e psicossociais.
Saintrain(2007) criou o Indicador comunitário em saúde bucal –ICSB (Figura 2), o
qual
surgiu da necessidade de se obterem dados epidemiológicos capazes de
facilitar ao cirurgião-dentista amenizar as desigualdades em saúde bucal da
população, baseado na demanda programada e norteado pelo princípio da
equidade. O objetivo do ICSB é auxiliar a alcançar as metas de saúde bucal
propostas pela OMS e FDI. Além disso, a proposta do ICSB também objetiva formar
ACS para realizar o levantamento, identificar a condição de saúde bucal da
população, de maneira eficaz, com rapidez e baixo custo para o Sistema de Saúde,
identificar a população de risco junto às famílias que estão sob a responsabilidade
de cada agente comunitário de saúde, organizar, com o auxílio dos ACS, assistência
odontológica e ações coletivas com demanda programada, mediante a identificação
e seleção dos grupos de riscos, de acordo com o princípio da equidade. Partindo da
premissa de que tanto a cárie dentária e doença periodontal, como agravos aos
51
tecidos moles são condições facilmente identificadas, busca-se categorizar os
principais problemas de saúde bucal advindos da comunidade, de forma simples e
clara, para que o ACS tenha condição de identificá-los. Além disso, devem ser
avaliadas as condições de saúde e qualidade de vida da população. São essenciais
estas informações para a equipe de saúde na elaboração coletiva do planejamento
em saúde. O agente comunitário de saúde, com o auxílio de uma espátula de
madeira, para afastar lábios e bochechas, faz um exame visual da cavidade bucal
para a obtenção dos seguintes dados presentes no Quadro 5 (SAINTRAIN, 2007).
Quadro 5. Modelo para a obtenção dos dados em saúde bucal pelo agente
comunitário de saúde, segundo Saintrain, Fortaleza, no ano de 2007
Fonte: Saintrain, M. V. L., 2007.
52
Figura 2. ICSB, segundo Saintrain, no ano de 2000
Fonte: Saintrain, M. V. L., 2007.
O agente comunitário de saúde, ao examinar o paciente, marca os dados
observados por meio de valores referentes à contagem de dentes, um X para os
53
dentes com cavidade e outros agravos, de acordo com a ficha de pesquisa (Figura
2). Mediante o exame da ficha, é feita a seleção para encaminhamento prioritário ao
serviço, tomando por base o grau de severidade. É observada a ordem de
severidade de um a sete, procedendo-se, também, às observações múltiplas, de
modo que, quanto maior a classificação, maior a prioridade, não excluindo a atenção
para o restante da população com menor risco. Os cirurgiões-dentistas, de posse
dos dados do levantamento de necessidade, elaboram, em equipe, o planejamento
das atividades curativas, preventivas e de Educação em Saúde (SAINTRAIN, 2007).
Apesar de ser fácil por separar os casos em três tipos tem a desvantagem de não
ser qualitativo, já que leva em consideração apenas a quantidade de doença e não
seu nível de gravidade (RESENDE, 2010).
A metodologia é bem detalhada, não inclui calibração. Os critérios de diagnóstico
consideraram lesão de tecidos moles, necessidade de próteses, presença e
quantidade de cárie, alteração gengival, necessidade de exodontia e capacidade
mastigatória (quantidade de dentes). O estudo cita os critérios de classificação de
risco e organização da demanda a serem utilizados pós-levantamento: situação
individual (lesão de tecido mole, raiz residual, quantidade de lesão de cárie,
alteração gengival, nessa ordem).
Em 2009, a Prefeitura Municipal de Londrina, Paraná, sugeriu a classificação a
seguir, conforme Quadro 6, como forma de facilitar a avaliação de risco pela equipe
de saúde bucal em parceria com ACS que deverão passar por capacitação, porém,
casos específicos ou que fujam dessa classificação devem ser analisados mais
detalhadamente pela equipe, que definirá uma nota a ser adotada. Devem ser
priorizadas micro áreas vulneráveis, usuários que apresentam situação de risco
biológico (pela presença de enfermidades crônicas, acamados, gestantes, etc.),
risco social e necessidades bucais que justifiquem um atendimento preferencial
(PREFEITURA MUNICIPAL DE LONDRINA, 2009). A metodologia não cita
calibração. Os critérios de diagnóstico consideraram quantidade e profundidade de
cárie, necessidade de exodontia, necessidade de prótese e alteração gengival. O
estudo cita os critérios de classificação de risco e organização da demanda a serem
utilizados pós-levantamento: risco biológico (presença de enfermidade crônicas,
acamados, gestantes), risco social, quantidade de necessidades bucais e lesão de
54
tecidos moles. Quando há pouca quantidade de necessidades bucais, mas há risco
biológico ou social, há prioridade.
Quadro 6.
Classificação das necessidades bucais do usuário, segundo a
Prefeitura Municipal de Londrina, Paraná, no ano de 2009. Londrina,
PR. 2009.
Fonte: PREFEITURA MUNICIPAL DE LONDRINA, 2009.
No ano de 2009, a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo propôs um modelo
de levantamento de necessidades no qual os indivíduos são classificados por risco,
segundo a situação individual mostrada no Quadro 7. Estabelecidos os grupos de
risco, as ações básicas de tratamento individual são planejadas de acordo com a
realidade local e organizadas a partir das necessidades encontradas, das maiores e
mais graves para as menores e de menor gravidade. A presença de dor e/ou
abscesso é o critério de prioridade para a cárie dentária e para a doença periodontal.
O grupo C (para a cárie) é a 3ª prioridade de ação curativa, tendo em vista a
necessidade de reabilitação dental, mas a ausência de atividade de doença
55
(cavidades crônicas). Os grupos com estágios reversíveis da doença - grupos D
(cárie), 1 e 2 (doença periodontal) - devem receber atenção individual ou em grupos
pequenos. Pode-se planejar terapia intensiva com gel fluorado enquanto condições
de alto risco forem detectadas. Para os grupos B (risco moderado de cárie) e A
(baixo risco de cárie), bem como 0 (baixo risco de doença periodontal), além da
atenção básica e reforço educativo dos ACS em domicílio ou nas UBS, em grupos
operativos, o acompanhamento e controle deve ser a cada dois anos (SÃO PAULO,
2009). A metodologia não cita treinamento e calibração. Os critérios de diagnóstico
consideraram presença de cárie, cárie incipiente, história pregressa de cárie,
alteração gengival, necessidade de exodontia e necessidade de prótese. O estudo
cita os critérios de classificação de risco e organização da demanda a serem
utilizados pós-levantamento: aqueles que apresentaram dor e cárie aguda têm
prioridade de atendimento, seguidos de história pregressa, placa e alterações
gengivais.
Quadro 7. Classes de risco de cárie dentária, segundo a situação individual,
segundo a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, no ano de
2009. São Paulo, SP. 2009.
Fonte: SÃO PAULO, 2009.
Em 2014, a Secretaria Municipal de Porto Alegre, RS propôs o ‘Protocolo de Atenção
à Saúde Bucal de Porto Alegre’, com o intuito de facilitar a organização institucional
do acesso aos serviços de saúde bucal através de condutas embasadas
cientificamente e pactuadas em colegiado, formado por gestores e trabalhadores da
Secretaria Municipal de Saúde. A utilização deste inquérito pela equipe de saúde
56
bucal, ou equipe de saúde, deverá ser orientada pelo cirurgião-dentista da própria
Unidade ou da Unidade de referência. Os critérios de classificação para o
diagnóstico devem incluir a presença ou ausência de necessidade clínica, se há
lesão de cárie incipiente, quantidade de lesões de cárie, necessidade de exodontia,
alteração de tecido mole, limitação funcional (dor) e alteração gengival (Quadro 8)
(PORTO ALEGRE, 2014).
Quadro 8. Classificação do inquérito para identificação de necessidade,
segundo a Secretaria Municipal de Porto Alegre, no ano de 2014.
Porto Alegre, RS. 2014.
Fonte: PORTO ALEGRE, 2014.
57
Para a definição dos critérios de classificação de risco, deve-se, inicialmente,
verificar se a necessidade do cidadão justifica que ele precise de atendimento do
tipo imediato (de até 24 horas), como no caso de traumatismo ou fratura dentoalveolar. Caso o atendimento possa ser programado, deve-se verificar se o paciente
possui queixas e a intensidade da dor relatada por ele (leve, moderada, intensa)
(PORTO ALEGRE, 2014). A metodologia não cita treinamento e calibração. Os
critérios de diagnóstico consideraram lesão de cárie incipiente, presença e
quantidade de cárie, necessidade de exodontia, alteração de tecido mole, limitação
funcional (dor) e alteração gengival. O estudo cita os critérios de classificação de
risco e organização da demanda a serem utilizados pós-levantamento: aqueles que
apresentaram dor, por intensidade (Quadro 9).
Quadro 9. Classificação de necessidade odontológica referida segundo a
Secretaria Municipal de Porto Alegre, no ano de 2014. Porto Alegre,
RS. 2014.
Fonte: PORTO ALEGRE, 2014.
2.1.7 Levantamentos internacionais de Necessidades de Tratamento Odontológico
Em 2006, um estudo conduzido na província de Suphanburi, Tailândia, avaliou 1.034
alunos do último ano da escola primária com idades entre 11 e 12 anos. Dentre eles,
52,4% eram do sexo masculino e 47,6% eram do sexo feminino; a média de idade foi
de 11,3 anos. Os dados foram coletados por meio de exame clínico e questionários. Os
exames clínicos, realizados por quatro CDs calibrados, incluíram o estado bucal e as
necessidades de tratamento para sete condições bucais: cárie dentária, gengivite,
defeitos de esmalte, lesões dentárias traumáticas, má oclusão, condições protéticas e
de emergência. Foi utilizado também um questionário comportamental, adaptado para
58
uso local e específico para a idade, por ser muito simples e poder ser facilmente
administrado para todas as crianças fazerem sozinhas em uma sala de aula. Esse
questionário facilitou a coleta de dados sobre qualidade de vida relacionada à saúde
bucal (OHRQoL), recomendado para ser combinado com medidas clínicas para avaliar
a saúde bucal e avaliar os resultados do tratamento. Um entrevistador treinado utilizou o
índice de Child-OIDP, o qual avalia os impactos das condições bucais nas atividades e
comportamentos diários, escolhido para avaliar OHRQoL, pois atribui os impactos nas
condições bucais específicas, facilitando a sua utilização na avaliação das
necessidades para as diferentes condições. Observou-se que 99,5% das crianças
apresentavam pelo menos um tipo de necessidade normativa; sendo mais comum
(84,4%) a raspagem periodontal (GHERUNPONG; TSAKOS; SHEIHAM, 2006).
No período de 1998 a 2000, foi realizada uma pesquisa na Pensilvânia – EUA, com
6.040 alunos de escolas públicas. As crianças de 6 a 8 anos foram avaliadas com
relação à presença de cárie dental não tratada, restaurações dentárias, dentes
permanentes em falta, selantes de fossas e fissuras, fluorose dentária, sinais de
trauma anterior no dente, necessidades ortodônticas e outras necessidades de
cuidados dentários urgentes e não urgentes. A situação socioeconômica da família,
a percepção da necessidade de tratamento odontológico e outras questões foram
abordadas em um inquérito por questionário de pais de uma subamostra de crianças
examinadas. Os resultados demonstraram que 47,7% das crianças de seis a oito
anos apresentavam experiência de cárie e 27,16% possuíam lesões de cárie não
tratadas (WEYANT, 2000).
2.2 Índice de Necessidade de Tratamento Odontológico
O Índice de Necessidades de Tratamento Odontológico encontra-se entre os
instrumentos propostos localmente para levantamentos de necessidades imediatas
em saúde bucal. Elaborado por cirurgiões-dentistas da Prefeitura Municipal de Belo
Horizonte para a triagem de grandes grupos e consiste em uma codificação na qual
se classifica o usuário pelo número de necessidades odontológicas presentes, como
forma de orientar o acesso ao serviço odontológico, auxiliando na organização da
demanda do mesmo (BELO HORIZONTE, 2004).
59
Ao nível local, trata-se de um indicador que gera a classificação coletiva,
possibilitando uma configuração quantificada das necessidades de atenção dos
grupos prioritários.
Seus objetivos básicos são detectar, com custo reduzido e metodologia
simplificada, utilizando apenas abaixadores de língua, grupos prioritários para
tratamento odontológico; classificar tais grupos de acordo com o grau de atenção
a ser recebida (primária ou secundária); planejar, a partir dos resultados, recursos
físicos e humanos apropriados para a resolução dos problemas; dimensionar os
custos requeridos para a execução de programas preventivos, curativos e
reabilitadores (CASTILHO et al., 2000).
É necessário ressaltar que esse índice permite apenas uma avaliação superficial da
condição bucal. O INTO não proporciona informações precisas sobre o tipo, grau e
localização de lesões cariosas, não detecta lesões cariosas proximais, nem lesões
periodontais que não sejam perceptíveis à inspeção visual. Entretanto, proporciona
à equipe odontológica uma ideia geral sobre a saúde bucal da população a ser
pesquisada, sem diagnósticos mais onerosos, como equipamentos odontológicos e
radiografias. Sua metodologia é simples e rápida, dispensando calibração. Desta
forma, considera-se que podem ser estimadas as necessidades de tratamento a
partir de exames feitos por pessoal auxiliar (CASTILHO et al., 2000; DUMONT et al.,
2008). O índice INTO é composto por seis escores a seguir apresentados (Quadro
10).
Quadro 10. Códigos e critérios de classificação do INTO segundo Castilho et
al. em 2000 e Dumont et al. em 2008. Belo Horizonte, MG. 2008.
Código Critérios
1
Não apresenta dentes com cavidade
2
Apresenta dor
3
Apresenta até 3 dentes com cavidade
4
Apresenta de 4 a 8 dentes com cavidade
8
Apresenta mais de 8 dentes com cavidade
5
Apresenta tártaro ou sangramento gengival
Fonte: BELO HORIZONTE, 2004.
Algumas alterações de classificação/definição dos critérios de diagnóstico são
encontradas nos diferentes estudos em que o INTO é utilizado, como mudança na
60
ordem dos códigos, de acordo com o público alvo, que muitas vezes não conseguem
relatar dor, levando em consideração a quantidade de lesões cavitadas, relato de dor
e condição periodontal aparente (cálculo e sangramento).
Castilho et al. (2000) descrevem uma modificação na classificação do INTO em sua
utilização para triagem numa população de indivíduos portadores de deficiências
neuropsicomotora e mental, realizada em 1998. Neste estudo a utilização de
afastadores de língua foi descartada logo nos primeiros exames devido aos
movimentos espásticos de alguns pacientes. As grandes destruições coronárias
foram consideradas como emergências devido à incapacidade de comunicação
verbal de grande parte dos pacientes e sua anotação tinha prioridade sobre
qualquer outra necessidade. Nos casos de detecção concomitante de lesões
cariosas e doença periodontal, o código referente a esta última condição era
considerado prioritário. Segundo os autores, a utilização do INTO foi satisfatória e
eficaz na medida em que permitiu uma rápida coleta de dados, levando em conta as
limitações na população em questão, e proporcionou a triagem dos pacientes de
acordo com o grau de urgência. Os dados clínicos obtidos referentes às urgências,
número de lesões cariosas aparentes, exodontias e cuidados periodontais,
contribuíram para o planejamento do consultório que estava sendo construído na
própria instituição. Além disto, com estes dados foi possível a seleção de indivíduos
com necessidades emergenciais para atendimento odontológico. Finalmente,
observou-se a necessidade de se introduzir um programa diário de escovação com
a finalidade de manter a saúde bucal daqueles 68,1% sem necessidade de
tratamento, e de se interferir no processo de doença dos demais. A partir dos
resultados apurados com o INTO, tornou-se mais fácil e rápido para a equipe
odontológica orientar-se, priorizando as suas ações, bem como equipar-se
devidamente para a abordagem do problema (CASTILHO et al., 2000) (Quadro 11).
Quadro 11. Códigos e critérios de classificação das condições de saúde
bucal, segundo Castilho et al., em 2000.
Código Critérios
0
Sem cárie aparente
1
De uma a três lesões cariosas aparentes (cavitações)
2
Acima de três lesões cariosas (cavitações)
3
Urgências (casos de dor e grandes destruições coronárias)
4
Doença periodontal
61
5
Exodontia indicada (restos radiculares)
Fonte: Castilho et al., 2000.
Dumont et al. (2008) utilizaram o INTO com a classificação clássica, para conhecer
as necessidades de tratamento odontológico de índios Xakriabá em Minas Gerais,
visando à organizar o acesso ao serviço de saúde bucal, segundo orientação do
departamento de saúde indígena da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA). Para
tanto, buscaram definir prioridades para tratamento odontológico, com foco na
equidade, isto é, priorizar aquelas pessoas cujos casos clínicos são mais
emergentes ou mesmo apresentam mais necessidade de tratamento. Os AIS foram
capacitados para fazer o levantamento. A capacitação contou com dois dias de
trabalho, nos quais foram projetados casos clínicos sobre cárie dentária,
sangramento gengival, presença de tártaro e de restos radiculares. Em seguida, os
próprios AIS examinaram-se em dupla, supervisionados por cirurgiões-dentistas,
dispensando calibração. Além dos exames, eles foram capacitados para preencher
a planilha de coleta de dados. Cada paciente foi classificado conforme a situação
clínica encontrada durante o exame. Para os casos em que o preenchimento foi
inadequado – ausência de idade e ausência de preenchimento dos exames clínicos
– foi criada a categoria ”outros”, além dos códigos utilizados (DUMONT et al., 2008).
Toda esta diferença metodológica encontrada entre os estudos demonstra não existir
um modelo fechado que atenda a todos, já que fatores como tamanho da população,
quantidade e formação de recursos humanos, disponibilidade de recursos físicos,
organização do serviço (ações individuais e coletivas, restauradores e de promoção
de saúde), entre outros, devam ser considerados ao se planejar o instrumento de
pesquisa que irá subsidiar o planejamento com dados da realidade populacional.
A partir da definição dos critérios de diagnóstico, de classificação de risco e
planejamento do serviço são criados protocolos técnicos para realização dos
levantamentos epidemiológicos ou inquéritos, que podem contribuir para a definição
de prioridades e organização da demanda para ações de promoção, prevenção e
reabilitação.
Cada município deve, em conjunto com os trabalhadores, definir os protocolos mais
adequados sob a ótica da intervenção multiprofissional, legitimando a inserção de
62
todos os profissionais. A construção da agenda deve estar pautada nas
necessidades da população a partir de critérios epidemiológicos das áreas de
abrangência e/ou de influência das unidades de saúde de forma equânime e
universal, devendo ser amplamente discutida com a comunidade, nos conselhos de
saúde em nível local e municipal (BRASIL, 2008).
63
3 OBJETIVOS
3.1 Objetivo Geral
Investigar as condições de saúde bucal dos alunos do 1º ao 5º ano do ensino
fundamental das escolas municipais da Serra-ES atendidas pelo Projeto Serra
Sorrindo no ano de 2013.
3.1.1 Objetivos Específicos
Estimar, na amostra estudada, as prevalências de cárie dentária em coroa; dor
dentária; cálculo e sangramento gengival.
64
4 CASUÍSTICA E MÉTODOS
4.1 Comitê de Ética em Pesquisa
De acordo com a Resolução do Conselho Nacional de Saúde nº 196, de 10 de
outubro de 1996 (BRASIL 1996), foram seguidos todos os procedimentos para
submissão de projetos para o Comitê de Ética em Pesquisa – Humanos, da
Universidade Cruzeiro do Sul, tendo sido o presente projeto de pesquisa aprovado
em 30 de setembro de 2013, sob o número CE/UCS-115/2013 (ANEXO A).
4.2 Delineamento do estudo
Estudo epidemiológico transversal descritivo.
4.3 Local do estudo
Escolas públicas municipais de ensino fundamental do município da Serra - ES,
onde o projeto Serra Sorrindo estava inserido, no ano de 2013.
O município da Serra representa 1,2% do território do estado do Espírito Santo e
possui uma área total de 554km2. Em sua faixa urbana de 222,141km2 estão
situados 124 bairros. Destaca-se em seu espaço, com altitude de 833m, um dos
cartões-postais do município, o monte Mestre Álvaro, que também constituiu a maior
Área de Proteção Ambiental (APA) do município, com 3.470 hectares (SERRA,
2010).
Segundo dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) - Censo 2000, apresentou uma população de 321.181 (SERRA, 2010). Com
o ajuste realizado pela equipe da prefeitura em parceria com o IBGE, que inclui os
bairros Conjunto Carapina I, Bairro de Fátima e Hélio Ferraz, ora contabilizados para
o município de Vitória, o município da Serra apresentou em 2000 uma população de
330.874 habitantes, valor que representa 10,7% da população do Estado do Espírito
Santo e 23% da Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV) (SERRA, 2010).
Nos últimos trinta anos, o município da Serra passou por transformações
econômicas e políticas, deixando de ser tipicamente rural, provinciano e
65
tradicionalista, passando a ser o principal apoio industrial do Espírito Santo e a
segunda economia do Estado, sendo superado apenas pela capital Vitória (SERRA,
2010).
Seu Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH) (uma medida composta de
informaçoes sobre renda, niveis de instrução e longevidade) é de 0,739, ocupando a
7ª posição em relação aos municípios do Espírito Santo. No ranking nacional é o
795° colocado (NAÇÕES UNIDAS, 2003; SERRA, 2014).
O serviço de abastecimento de água é realizado pela CESAN, distribuindo água
clorada e fluoretada a 97% das residências do município (SERRA, 2014).
O município da Serra possui 61 escolas de ensino fundamental e 49 centros de
educação infantil municipais em funcionamento (SERRA, 2010).
O serviço odontológico do município da Serra-ES está presente na Rede de Atenção
Primária e Secundária e nos Pronto-Atendimentos. O município possui 83
consultórios odontológicos distribuídos em 29 unidades de saúde. O número de
profissionais é de 82 clínicos gerais, 58 odontopediatras, 146 auxiliares e técnicos
em saúde bucal e 14 outros especialistas (SERRA, 2013).
Na gestão de fevereiro de 2010 a novembro de 2013, a Gerência de Odontologia do
município da Serra-ES esteve sob a responsabilidade da cirurgiã-dentista Dr a. Laura
Maria da Silva Coutinho. Neste período, os setores de assessoria direta à Gerência
eram Setor de Saúde Bucal do Escolar, Setor de Recursos Humanos, Setor de
Logística, e Setor Acadêmico.
O Setor de Saúde Bucal do Escolar tem com funções: organizar, monitorar e avaliar
as atividades dos profissionais envolvidos; articular a interface Secretaria de
Saúde/Secretaria de Educação; visitar novas escolas visando ampliação dos
Programas; Levantar dados estatísticos; registrar dados de produção e frequência
dos profissionais; e organizar atividades de
Promoção de Saúde Bucal
interdisciplinares (SERRA, 2013).
Na prática, suas funções compõem o Programa de Saúde Bucal do Escolar, que
atua nas Unidades de ensino (infantil, médio e fundamental) da rede pública do
município da Serra, realizando atividades educativas, preventivas e curativas em
66
odontologia (centros municipais de educação infantil). O objetivo principal desse
conjunto de atividades é estimular e incorporar a prática de hábitos de higiene bucal,
para que se tornem permanentes no ambiente dos escolares (SERRA, 2013).
A equipe do Programa de Saúde Bucal do Escolar é composta por nove cirurgiõesdentistas odontopediatras, três cirurgiões-dentistas clínicos gerais (um supervisor),
seis técnicos em saúde bucal (TSB) e sete auxiliares de saúde bucal (ASB). As
atividades do Programa incluem educação em saúde bucal, estimulando hábitos
saudáveis de dieta, uso moderado de alimentos cariogênicos e conscientização da
importância e incorporação de hábitos de higiene bucal; escovação dental
supervisionada; aplicação tópica de flúor; e tratamento restaurador atraumático
(ART), realizado somente em pré-escolares, nos Centros Municipais de Educação
Infantil (SERRA, 2013).
O principal componente Programa de Saúde Bucal do Escolar é o Projeto Serra
Sorrindo. O projeto pedagógico Serra Sorrindo é uma parceria da Secretaria de
Saúde com a Secretaria de Educação. Teve início em 2010, no CAIC de Feu Rosa,
com o título: “Projeto Pedagógico Odontologia na Sala de Aula” (SERRA, 2013).
O mesmo foi idealizado pelas odontopediatras que atuavam no CAIC, Drª Marisa
Galvão Lima e Drª Débora Domingues M. F. Gonçalves, pela necessidade de levar o
conhecimento de saúde bucal e promoção de saúde motivando alunos, educadores
e familiares para as práticas educativas. O objetivo principal era melhorar a saúde
bucal da população, diminuindo seu índice de cárie através da prática dos
ensinamentos e desenvolvimento do autocuidado (SERRA, 2013).
O projeto consiste em sete aulas que são realizadas pelo cirurgião-dentista ou
estagiário de Odontologia, através de slides, vídeos, músicas, mesas expositivas,
histórias, filmes com duração de 50 minutos. O projeto é realizado nas salas de aula,
uma vez por mês. Todos os professores das escolas são capacitados, requisito
fundamental para o bom desempenho do projeto. Cartilhas com todas as aulas são
distribuídas aos alunos contendo uma parte teórica e exercícios sobre o assunto
ensinado. Os temas são os seguintes: higiene do corpo, alimentação saudável,
estrutura dos dentes, cárie, placa bacteriana escovação e fio dental, flúor e
revelação de placa. A aula prática de escovação é realizada pelas TSB e ASB do
67
Programa de Saúde do Escolar no escovário, onde os alunos recebem kits de
escovação e aplicação de flúor (SERRA, 2013).
4.4 População Alvo e Amostra: critérios de exclusão e inclusão
O universo foi constituído por 14.700 escolares do 1º ao 5º ano do ensino
fundamental das 30 escolas da Serra-ES em que o projeto Serra Sorrindo estava
inserido no ano de 2013.
Para realização do cálculo amostral (Tabela 1) utilizou-se a estimativa de frequência
e a variabilidade dos problemas a serem investigados, empregando-se as
estimativas disponíveis do SB Brasil 2010 (BRASIL, 2009b), considerando-se os
achados registrados na região sudeste, adotando-se 95% de nível de confiança,
margem de erro de 15%, “design effect” de 2 e percentual estimado de perda de
elementos amostrais de 20%, chegando ao valor final = 1.163 crianças
(BOLFARINE; BUSSAB, 2005).
Segundo o censo 2010 (IBGE, 2010), a quantidade de crianças moradoras da SerraES, se considerado apenas esse grupo de idade (5 a 12 anos) se distribuiu de forma
homogênea (Quadros 12 e 13).
Quadro 12. Cálculo amostral do estudo.
Idade
12 anos
população:
nível de confiança:
margem de erro:
amostra:
Média
2,3
14.600
95%
15%
1163
Desvio Padrão
2,72
14.600
90%
15%
834
Variância
7,40
Quadro 13. Distribuição das crianças de 5 a 12 anos da Serra-ES no ano de
2010
Idade
População
%
5 anos
6.596
12%
6 anos
6.580
12%
7 anos
6.453
12%
8 anos
6.426
11%
68
9 anos
10 anos
11 anos
12 anos
7.018
7.949
7.388
7.611
13%
14%
13%
14%
Fonte: IBGE, 2010.
As 30 escolas incluídas no Projeto Serra Sorrindo receberam um pedido de
autorização para a pesquisa, enviado pela Coordenação de Odontologia, a ser
assinado pelo Diretor (ANEXO B). Seriam incluídos na pesquisa apenas alunos das
escolas cujos diretores assinassem o pedido.
Definiu-se que o critério de seleção da amostra a partir do termo da escola assinado,
seria o sorteio de um determinado número de estudantes de cada turma da escola.
Porém, um fato foi preponderante para a definição desse número. A adesão das
escolas foi bastante difícil no início dos trabalhos. Como a coleta de dados seria no
final do ano letivo (entre o final do mês de setembro a dezembro de 2013), muitos
diretores alegaram dificuldade em conceder horários nas turmas para a atividade de
pesquisa, haja vista a programação intensa de final de ano nas escolas. Assim, as
autorizações não foram conseguidas de uma vez em todas as escolas, para que
então fosse definido o número de alunos de cada turma a ser sorteado. À medida
que uma escola autorizasse a pesquisa, seus alunos já receberiam o Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido a ser assinado pelos pais/responsáveis (ANEXO
C), e a coleta de dados seria agendada com os pedagogos. Antes do início dos
primeiros exames, apenas cinco das 30 escolas haviam aderido à pesquisa.
Com foco no alcance do “n” resultante do cálculo amostral (1.163 indivíduos), foi
realizado sorteio do equivalente a um terço dos estudantes de cada turma que
trouxessem o termo de consentimento assinado, a partir da lista de chamada
escolar. Os alunos que não estivessem presentes no dia do exame também seriam
excluídos do sorteio. Apesar de a amostra ser aleatória, obtida por sorteio de um
terço dos alunos em cada turma, somente aqueles com o termo de consentimento
livre e esclarecido assinado puderam participar do estudo, ou seja, só aqueles que
se predispuseram a participar do estudo realmente o fizeram, podendo neste caso
excluir alunos que por qualquer motivo não quisessem participar.
Do total de 30 escolas em que o Projeto estava inserido aderiram à Pesquisa, 22
puderam ser incluídas, totalizando 293 turmas: EMEF Aldary Nunes, EMEF Altair
69
Siqueira Costa, EMEF Américo Guimarães Costa, EMEF Augusto Ruschi, EMEF
Belvedere, EMEF Centro da Serra, EMEF Divinópolis, EMEF Djanira Maria de
Araújo, EMEF Flor de Cactus, EMEF Gov. Carlos Lindemberg, EMEF Lacy Zuleica
Nunes, EMEF Leonel de Moura Brizola, EMEF Manoel Carlos de Miranda, EMEF
Novo Horizonte (CAIC Augusto Calmon), EMEF Padre Gabriel, EMEF Paulo Freire,
EMEF Prof. Darcy Ribeiro, EMEF Profª. Maria Magdalena Pisa, EMEF Profª. Valéria
Maria Miranda, EMEF São Diogo, EMEF Serrana, e EMEF Tancredo de Almeida
Neves.
A amostra final foi composta por 3.197 escolares. Foi realizada dupla digitação, para
assegurar a concordância dos dados entre os dois digitadores.
A OMS sugere, para estudos de saúde bucal, a composição da amostra seguindo
idades-índice e grupos etários. Porém, a amostra deste estudo incluiu todos os
alunos matriculados do 1º ao 5º ano, independente da idade, permitindo uma visão
geral e discussão das condições de saúde bucal do escolares atendidos pelo
Programa.
4.5 Equipe de trabalho
Composta por sete examinadores (estudantes do sétimo período de Odontologia da
UFES, para aplicação da Ficha A (APÊNDICE A). Cada examinador ficou
responsável por 70 turmas, em média. Cada examinador deveria examinar em
média quatro turmas por dia, dez alunos por turma, totalizando no máximo 40
exames/dia.
4.6 Treinamento, Preparação das Equipes / Padronização
É
indispensável
que
cirurgiões-dentistas
participantes
de
uma
pesquisa
epidemiológica compreendam que, neste tipo de investigação, a avaliação de uma
determinada condição obedece a padrões de julgamento profissional diferentes dos
padrões adotados na clínica, devendo tomar decisões baseadas em critérios
definidos a priori para todos os examinadores, independentemente das suas
convicções clínicas pessoais (BRASIL, 2009b). Assim, foi realizado treinamento
teórico e preparação das equipes de campo, através de três oficinas, cada uma com
70
duração de quatro horas, com os objetivos de discutir a operacionalização das
etapas do trabalho, as atribuições de cada participante e assegurar um grau
aceitável de uniformidade nos procedimentos. A ficha A foi detalhada item a item, e
os casos clínicos foram projetados, exemplificando condições a serem pesquisadas,
contemplando os aspectos teóricos e práticos do índice a ser utilizado, os quais
foram previamente distribuídos aos examinadores com a recomendação de que os
estudassem e fazendo o possível para decorar códigos e critérios.
Os examinadores não passaram por calibração. Tal decisão se baseou em
documento que orienta sua aplicação e demais publicações sobre o Índice, que
destacam entre seu diferencial e as vantagens metodológicas do INTO a
simplicidade e rapidez, dispensando calibração (BELO HORIZONTE, 2004):
[...] seus objetivos básicos são detectar, com custo reduzido e
metodologia simplificada, utilizando apenas abaixadores de língua,
grupos prioritários para tratamento odontológico; classificar tais
grupos de acordo com o grau de atenção a ser recebida (primária
ou secundária); planejar, a partir dos resultados, recursos físicos e
humanos apropriados para a resolução dos problemas;
dimensionar os custos requeridos para a execução de programas
preventivos, curativos e reabilitadores (CASTILHO, 2000). É
necessário ressaltar que esse índice permite apenas uma
avaliação superficial da condição bucal. O INTO não proporciona
informações precisas sobre o tipo, grau e localização de lesões
cariosas, não detecta lesões cariosas proximais, nem lesões
periodontais que não sejam perceptíveis à inspeção visual.
Entretanto, proporciona à equipe odontológica uma ideia geral
sobre a saúde bucal da população a ser pesquisada, sem
diagnósticos
mais
onerosos
tais
como
equipamentos
odontológicos e radiografias. Sua metodologia é simples e rápida,
dispensando calibração. Desta forma, considera-se que podem ser
estimadas as necessidades de tratamento a partir de exames
feitos por pessoal auxiliar (CASTILHO, 2000; DUMONT 2008).
4.7 Instrumentos de Avaliação e Coleta dos dados
As condições de saúde bucal dos escolares foram verificadas através do índice
INTO .
Para tanto, foi elaborada a Ficha A. Foi utilizada uma Ficha A por turma de crianças
examinadas. Os códigos e critérios utilizados (Quadro 14) seguiram as
determinações do INTO elaborado por cirurgiões-dentistas da Prefeitura Municipal
71
de Belo Horizonte, cuja metodologia foi partilhada com professores da UFES a partir
da experiência exitosa dos professores da UFMG com o mesmo, em grandes grupos
populacionais, na programação de atendimento odontológico dos alunos da
disciplina de Estágio Extramuros (comunicação verbal) (BELO HORIZONTE, 2004).
Quadro 14. Códigos e critérios de classificação das condições de saúde bucal.
Código
1
2
3
4
8
5
Critérios
Não apresenta dentes com cavidades aparentes de cárie
Apresenta dor (auto-relato)
Apresenta até 3 dentes com cavidade
Apresenta de 4 a 8 dentes com cavidade
Apresenta mais de 8 dentes com cavidade
Apresenta cálculo ou sangramento gengival
Fonte: BELO HORIZONTE, 2004.
Os exames foram realizados antes do recreio, sob luz natural, em local bem
iluminado e ventilado (OMS, 1999), utilizando-se gaze (para identificação de
sangramento gengival) e espátula de madeira para afastar bochechas e língua, com
o examinador e o examinado sentados em cadeiras.
Todo o material de consumo (máscara, gorro, luvas, abaixador de língua de madeira,
gaze, sacos de lixo próprios para material contaminado, fichas, lápis, borracha),
permanente de uso individual (óculos e jaleco), além do cronômetro, foram
fornecidos pela Prefeitura da Serra e pela Pró-Reitoria de Extensão da UFES. Cada
examinador responsável pela Ficha A teve como anotador outro examinador
responsável, o qual neste dia não realizava os exames. Ao final dos exames do dia,
os examinadores levavam o lixo contaminado para ser descartado na Unidade
Regional de Saúde de Novo Horizonte, onde era realizada a entrega das fichas
preenchidas e distribuição de material necessário para os exames seguintes.
Cada examinador levou cerca de 18 dias para realizar os exames em todas as
turmas sob sua responsabilidade. Somados aos dias em que trabalhava como
anotador, foram cerca de 36 dias de trabalho (número aproximado, já que os
examinadores estavam em número ímpar e a divisão entre auxiliares se deu por
disponibilidade), divididos durante os meses de setembro, outubro, novembro e
dezembro de 2013.
72
4.8 Análise e interpretação dos dados
Considerando os objetivos e características metodológicas deste estudo,não foi
indicada a análise estatística dos dados. Os dados foram digitados utilizando-se o
programa Microsoft Office Excel versão 2000 e, para a apresentação descritiva dos
dados (medidas de prevalência) foi utilizado o programa Epi Data versão 3.1, para o
cálculo das frequências absolutas e relativas, média, mediana e desvio padrão das
variáveis quantitativas.
.
73
5 RESULTADOS
A amostra final foi composta por 3.197 escolares, divididos por idade e ano escolar
(Tabelas 1 e 2), com idade média = 8,66 anos (mediana=9,; desvio padrão=1,6 anos
de idade).
Tabela 1. Distribuição da amostra segundo idade (n=3.197). Serra, ES. 2015.
Idade
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
Total
N
02
246
623
680
647
594
275
95
20
11
03
01
3.197
%
0,1
7,7
19,5
21,3
20,2
18,6
8,6
3,0
0,6
0,3
0,1
0,03
100
Tabela 2. Distribuição da amostra segundo o ano escolar(n=3.197). Serra, ES. 2015.
Ano
1o
2o
3o
4o
5o
total
N
667
738
1.066
664
62
3.197
%
20,9
23,1
33,3
20,8
1,9
100
O gênero masculino representou 48% (n = 1.535) e o feminino 52% (n = 1.662).
Quanto à dentição, 0,3% apresentavam dentição decídua (n = 8), 86,7% dentição
mista (n = 2.771) e 13,1% dentição permanente (n = 418).
A Figura 3 apresenta as condições de saúde bucal observadas (prevalência da cárie
dentária em coroa, dor dentária, cálculo/sangramento gengival), os resultados do
INTO apontaram que 60,2% dos escolares (n=1.926) não apresentavam dentes com
74
cavidades aparentes de cárie, 31,4% (n=1.003) apresentavam de um a três dentes
acometidos por cárie em coroa; 7,9% (n=252) apresentavam de quatro a oito dentes
acometidos; 0,5% (n=16) apresentavam oito ou mais dentes acometidos. Com
relação à dor dentária, houve relato de 0,3% (n=08) dos escolares e presença de
cálculo ou sangramento gengival em 0,9% (n=29).
Figura 3. Distribuição das condições de saúde bucal na amostra (n=3.197).
Serra, ES. 2015.
Das oito crianças que apresentavam dor, cinco não apresentavam dentes com
cavidades, uma tinha até três dentes com cavidades e duas tinham quatro a oito
dentes com cavidades. Entre as 29 crianças com cálculo ou sangramento gengival,
14 não apresentavam dentes com cavidades, dez apresentavam até três dentes com
cavidades e cinco apresentavam de quatro a oito dentes com cavidades. Logo, o
total de crianças sem necessidade alguma (sem cavidade, dor, cálculo/sangramento)
foi de: 1.926 – 5 (tinham dor, mas não cavidade) – 14 (tinham cálculo/sangramento,
mas não cavidade) = 1.907. A distribuição das condições de saúde bucal de acordo
com a idade está demonstrada na Tabela 3.
75
Tabela 3.
Idade
Distribuição das condições de saúde bucal na amostra, segundo
idade (n=3.197) e dentição (permanente / decídua). Serra, ES. 2015.
Sem cavidade
1 a 3 dentes
4 a 8 dentes com
8 ou + dentes
aparente
com cárie
cárie
com cárie
n
%
n
%
n
%
n
%
5
01
50,0
01
50,0
00
0,0
00
0,0
6
145
58,9
73
29,7
27
11,0
01
0,4
7
381
61,2
172
27,6
69
11,1
01
0,2
8
371
54,6
223
32,8
76
11,2
10
1,5
9
359
55,5
242
37,4
44
6,8
02
0,3
10
387
65,2
175
29,5
30
5,1
02
0,3
11
196
71,3
74
26,9
5
1,8
00
0,0
12
62
65,3
33
34,7
0
0,0
00
0,0
24
68,6
10
28,6
01
2,9
00
0,0
1.926
60,2
1.003
31,4
252
7,9
16
0,5
13 ou
+
Total
76
6 DISCUSSÃO
Até a década de 1980, a prevalência da doença cárie era considerada muito alta no
nosso país, segundo os parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS,
1999). Com o maior acesso aos dentifrícios fluoretados, às informações sobre
alimentação saudável, à adição de flúor na água de abastecimento público, e a
organização dos serviços odontológicos, pôde-se observar uma tendência de
declínio da doença (NARVAI, FRAZÃO, CASTELLANOS, 1999). Programas isolados
de atenção à saúde bucal, principalmente aqueles direcionados à população infantil
e adolescente, têm colaborado com o atual perfil epidemiológico (BRASIL, 2015).
Neste sentido, o presente estudo foi planejado com o objetivo de avaliar as
condições de saúde bucal dos escolares da amostra, com o potencial de contribuir
para a organização do projeto “Serra Sorrindo”.
Devido aos objetivos propostos e as características metodológicas, seus resultados
devem ser adequadamente interpretados e discutidos. Primeiramente, não se pode
atribuir causalidade a qualquer variável estudada e, como não houve hipótese a ser
testada, foi dispensada a análise estatística. Participaram da amostra apenas os
escolares matriculados em escolas públicas onde o projeto estava inserido em 2013
e, portanto, não se trata de amostra representativa desta faixa etária, para o
município ou o estado. Neste sentido, estes dados não devem ser extrapolados para
escolares que não fizeram parte da amostra, respeitando os critérios de validade
interna e externa do estudo. No entanto, o grande número de exames
epidemiológicos realizados e o rigor para a sua obtenção permitem a análise
comparativa entre outros estudos nacionais e internacionais. A discussão a seguir
pretende também identificar pontos relevantes para a construção do conhecimento
epidemiológico sobre as necessidades odontológicas na infância e adolescência e
seus instrumentos de avaliação.
77
6.1 Condições de saúde bucal
Maior proporção dos escolares da amostra (60,2%) não apresentavam dentes com
cavidades visíveis de cárie. Entre os 39,8% que apresentavam cárie visível, 8,4%
apresentavam mais de quatro elementos dentais atacados por cárie e, 1,5% das
crianças de 8 anos de idade apresentavam oito ou mais dentes com cavidades
visíveis de cárie, caracterizando o processo de polarização da doença. Assim como
Rocha (2009), foram observadas menores proporções da doença em crianças mais
velhas, apresentando dentes permanentes com menor tempo de exposição na
cavidade bucal. Dos escolares que apresentavam lesões cavitadas, a grande
maioria (78,91%), possuía o menor escore (de um a três dentes acometidos), o que
pôde ser observado para todas as idades. Considerando os cinco escores de
condições de saúde bucal avaliados (três referentes a lesões de cárie, um referente
à dor e outro referente às alterações gengivais), as lesões de cárie foram
predominantes (97%). Os resultados para dor, cálculo e sangramento gengival foram
pouco expressivos e não necessariamente atribuídos àqueles que apresentaram
dentes com cavidades de cárie.
6.2 Condições de saúde bucal investigadas a partir de Levantamentos de Necessidades –
Estudos Nacionais
Levantamentos de necessidades em odontologia configuram levantamentos de
condições de saúde bucal que geram informações para que as necessidades de
tratamentos
sejam
estimadas.
Suas
características
(ao
se
configurarem
instrumentos de trabalho estritamente locais com objetivo de organização da
demanda e planejamento do serviço odontológico, com metodologia personalizada e
de relevância restrita à comunidade a qual se aplica), podem explicar por que tão
poucas pesquisas têm seus resultados publicados, refletindo no pequeno número de
estudos aqui revisados. Tais características, somadas às variações encontradas
entre os locais de estudo, as metodologias utilizadas e a composição da amostra
(tamanho, faixa etária e características socioeconômicas e culturais) dificultam a
comparação entre resultados de diferentes estudos. Porém, há que se destacar que
a importância das publicações reside na possibilidade de se difundir informações
sobre diferentes realidades, que podem passar a ser analisadas e reproduzidas,
78
facilitando a discussão e implementação de protocolos locais, enriquecidos por
experiências diversas, a fim de se chegar a instrumentos cada vez mais completos e
específicos.
Com relação ao índice INTO,a literatura trazer poucas publicações, os estudos, em
sua maioria, não foram conduzidos em escolares, mas
em população indígena
(DUMONT et al., 2008) ou em pacientes com necessidades especiais (CASTILHO et
al., 2000).
Desta forma, as comparações dos resultados deste estudo relativas às condições de
saúde bucal com outros estudos nacionais (por amostra total ou faixas etárias)
torna-se limitada, devido às diferenças metodológicas e da descrição de resultados
(Quadro 15).
79
Quadro 15. Comparação dos resultados de levantamentos de necessidades nacionais em escolares com os resultados
encontrados neste estudo. Serra, ES. 2015
Sarcinelli, 2015
Rocha, 2009
França Neto, 2009
Guidetti e Almeida, 2013
Ano
2013
2009
2009
2013
Local
SERRA/ES
BELO
HORIZONTE/MG
BELO HORIZONTE/MG
FORTALEZA/CE
Amostra
3.197 crianças de 5 a 16 anos de 22
78 crianças de 0
a 15 anos de
idade
268 crianças (6 -12 anos) /
146 (0- 5), total de 414
crianças de 0-12 anos
156 alunos de 6 a 15 anos
Resultados
- crianças de 5 a 16 anos com dentes
sem cavidades aparentes de cárie:
60,2%
.1-3 dentes acometidos: 31,4%
. 4 a 8 dentes: 7,9%
. mais de 8 dentes: 0,5%
- dor: 0,3%
- cálculo ou sangramento gengival:
0,9%
- crianças de 6 a 12 anos sem
cavidades aparentes de cárie: 61,71%
- crianças de 12 a 16 anos sem
cavidades aparentes de cárie: 66,95%
- crianças de 0 a
15 anos sem
cavidades
aparentes de
cárie: 64%
. 1-3 dentes
acometidos: 31%
. 4-8 dentes
acometidos: 4%
. mais de 8
dentes
acometidos: 1%
- crianças de 0 a
5 anos sem
cavidades
aparentes de
cárie: 70%
- crianças de 6 a
12 anos sem
cavidades
aparentes de
cárie: 49%
- crianças de 12 a
15 anos sem
cavidades
aparentes de
- crianças de 0 a 5 anos sem
cavidades aparentes de cárie:
46,3%
.1-3 dentes acometidos:
34,7%
.4-8 dentes acometidos:
15,6%
.mais de 8 dentes
acometidos: 3,4%
OBS: total de dentes com
cárie – 53,7%
- crianças de 6 a 12 anos sem
cavidades aparentes de cárie:
25,7%
.1-3 dentes acometidos:
56,3%
.4-8 dentes acometidos:
16,8%
.mais de 8 dentes
acometidos: 1,1%
OBS: total de dentes com
cárie - 74,2%
- dor*
- crianças com dentes sem nenhuma
das condições de saúde bucal
investigadas presentes (inclui cárie,
sangramento e raiz residual): 42,3%
- sangramento gengival: 0,6%
- cárie em 1-3 cavidades/mancha
branca: 33,9%
- cárie em 4 cavidades ou mais: 6,4%
- raiz residual: 16,6%
OBS: total de dentes com cavidade de
cárie ou mancha branca: 40,3%
80
cárie: 73%
81
Rocha (2009) encontrou 49% das crianças de seis a doze anos sem cavidades
aparentes de cárie, e França Neto (2009) 25,7%, resultados superados pelo
presente estudo (61,71%). Guidetti e Almeida (2013) consideram como critério de
diagnóstico de cárie, além de cavidade aparente, lesões incipientes (manchas
brancas) e, por este motivo,
seus resultados não foram considerados nesta
comparação. Rocha (2009) e França Neto (2009) obtiveram resultados díspares
mesmo tendo realizado seus levantamentos com metodologia muito semelhante e
em um mesmo município. O estudo de França Neto (2009) foi realizado em uma
população marginalizada, residente de uma área de invasão, com construções em
local de risco, em uma comunidade empobrecida, marcada pela violência e com
baixos níveis de escolaridade. O Centro de Saúde desta comunidade havia sido
inaugurado um ano antes do estudo, sendo que antes na inauguração não havia
assistência odontológica efetiva local.
Neste estudo, os escolares de 12 a 16 anos apresentaram 66,95% de dentes sem
cavidades aparentes de cárie, enquanto Rocha (2009) reportou 73% de escolares de
12 a 15 anos de idade sem cavidades aparentes de cárie.
Sobre o fenômeno da polarização, o mesmo pôde ser observado por Rocha (2009),
e França Neto (2009).
6.3
Condições de saúde bucal investigadas a partir de Levantamentos de Necessidades
– Estudos Internacionais
Seguindo os critérios citados, foram encontrados apenas dois artigos publicados
(GHERUNPONG; TSAKOS; SHEIHAM, 2006; WEYANT, 2000), descritos abaixo
(Quadro 16).
82
Quadro 16. Comparação dos resultados de levantamentos de necessidades
nacionais em escolares com os resultados encontrados neste
estudo. Serra, ES. 2015.
Sarcinelli, 2015
Gherunpong, Tsakos,
Sheiham, 2006
2006
1.034 alunos do último ano
da escola primária com
idades entre 11 e 12 anos
de Suphanburi / Tailândia
4 CDs
Weyant, 2000
Sim
Não cita
Ano
Amostra
2013
3.197 crianças de 5 a 16
anos de 22 escolas
municipais da Serra / ES
Profissional
executante
Calibração
Estudantes de
odontologia
Não
Ambiente de
exame
Critérios de
classificação
para o
diagnóstico
Coletivo (escola)
Não cita
Não cita
Exame clínico:
- limitações funcionais
(dor),
- quantidade de dentes
com lesões evidentes de
cárie (0, 1-3, 4-8, +8)
- alteração gengival
Exame clínico:
- presença ou ausência de
lesões de cárie
- alteração gengival
- defeitos de esmalte
- lesões dentárias
traumáticas
- má oclusão
- condições protéticas
Exame clínico
- presença de cárie dental não
tratada
- histórico de lesões de cárie
- dentes permanentes
ausentes
- selantes de fossas e fissuras
- fluorose dentária
- sinais de trauma anterior
- necessidades ortodônticas
- outras necessidades urgentes
e não urgentes
- percepção da necessidade de
tratamento
Questionário da situação
socioeconômica da família
Considera histórico de lesões
de cárie, presença de lesões,
ausência de elementos
permanentes, fluorose, trauma,
selantes, necessidades
ortodônticas e a percepção da
necessidade de tratamento
Não considera profundidade da
lesão de cárie, necessidade de
exodontia, lesões incipientes,
alteração gengival, limitação
funcional (dor)
Questionário
comportamental e
indicador de qualidade de
vida
Vantagem
Considera limitação
funcional (dor),
quantidade de lesão de
cárie e alteração
gengival
Considera a presença ou
ausência de lesões de
cárie, alteração gengival,
trauma, má oclusão,
defeitos no esmalte e
condição protética
Desvantage
m
Não considera
profundidade das lesões
de cárie, condições
psicossociais, lesão de
cárie incipiente,
necessidade de
exodontia, história
pregressa
- 40,35% das crianças
apresentaram pelo
menos um tipo de
condição, sendo a mais
comum 1 a 3 dentes
com cavidades de cárie
(76,68%)
- 41,36% das crianças
de 6 a 8 anos possuem
cavidades de cárie
Não considera histórico de
lesões de cárie,
profundidade das lesões,
lesões de cárie incipiente,
necessidade de exodontia,
limitação funcional (dor)
Resultados
99,5% das crianças
apresentaram pelo menos
um tipo de condição, sendo
a mais comum,alterações
periodontais (84,4%)
1998 a 2000
6.040 alunos de 6 a 8 anos
escolas públicas da
Pensilvânia / EUA
Não cita
- 47,7% das crianças já tiveram
experiência de cárie
- 27,16% das crianças possuem
lesões cavitadas
O percentual das crianças de seis a oito anos que apresentou cavidades (41,36%),
foi bem maior que o encontrado em escolares norte-americanos (27,16%) (WEYANT,
2000). No município da Serra-ES, 40,35% da amostra apresentou pelo menos um
83
tipo de condição de saúde bucal odontológica investigada, sendo a mais comum, um
a três dentes com cavidades de cárie (76,68%), enquanto na Tailândia
(GHERUNPONG; TSAKOS; SHEIHAM, 2006) 99,5% das crianças apresentaram
pelo menos um tipo de condição de saúde bucal odontológica investigada, sendo a
mais comum alterações periodontais (84,4%). O maior número de condições
odontológicas nos alunos tailandeses pode ser explicado pelo maior número de
variáveis consideradas nos critérios de classificação para diagnóstico durante o
exame clínico neste estudo, em comparação com a presente pesquisa.
6.4 Levantamentos epidemiológicos brasileiros
Em 1986, o percentual de indivíduos aos 12 anos livres de cárie (CPO-D = 0) no
Brasil era de menos de 5%, passando para mais de 25% em 1996, chegando a mais
de 30% em 2003 e a 43,5% em 2010 (OLIVEIRA, 2006; BRASIL, 2004; 2012). Neste
estudo, esse número foi de 65,3%, maior que os resultados nacionais, porém o
índice utilizado foi o INTO.
Os resultados do SB Brasil 2010 demonstram que aos cinco anos de idade, 46,6%
das crianças brasileiras estavam livres de cárie na dentição decídua e, aos 12 anos,
43,5% apresentavam a mesma condição na dentição permanente (BRASIL, 2012).
Neste estudo, a proporção de indivíduos livres de cárie (INTO código 1) aumentou
em função da idade. Aos seis anos de idade, 58,9% das crianças examinadas
estavam livres de cárie, aos 12 anos, 65,3% apresentavam a mesma condição.
Entretanto, há que se destacar as limitações quanto à comparação entre ambos
resultados, já que o INTO não diferencia, mas soma resultados das dentições
decídua e permanente em sua classificação, enquanto nos índices ceo-d e CPO-D
as dentições decídua e permanentes são analisadas separadamente. Além disso, a
análise dos resultados para escolares livres de cárie por idade na presente pesquisa
torna-se limitada já que a média de dentes irrupcionados por criança por idade não
foi contabilizada na amostra. Aparentemente escolares mais velhos, aos 12 anos,
apresentam melhores condições de saúde bucal por apresentarem maior média de
dentes sem cavidades aparentes (65,3%) quando comparados à mesma média nos
escolares aos seis anos (58,9%). Porém, sabe-se que aos 12 anos é esperada uma
dentição permanente recém irrupcionada e, portanto, menos exposta aos fatores
84
cariogênicos e em maior número total de dentes presentes, ao contrário do esperado
para dentição decídua aos seis anos, em início de esfoliação, há mais anos exposta
na cavidade bucal e em menor número total de dentes presentes. Sugere-se para
estudos futuros utilizando a metodologia do INTO, a inclusão do dado do número de
dentes presentes na boca no momento do exame (mesmo que não diferenciando
decíduos de permanentes, pois essa diferenciação pode representar uma
sofisticação metodológica, impedindo a execução do levantamento por equipe sem
tal conhecimento odontológico).
6.5 Treinamento dos examinadores
Na literatura nacional, o treinamento e calibração das equipes em levantamentos de
necessidades em odontologia é um item que difere muito entre os estudos e
protocolos, não só pela presença ou ausência de um ou de ambos, como da
metodologia adotada para os mesmos. Muitos nem citam sua presença ou ausência,
ou citam mas não explicitam como foram realizados, como observado em oito
estudos/protocolos (BELO HORIZONTE, 2005; ROCHA, 2009; TERRERI; SOLER,
2008; RESENDE, 2010; MUNDO NOVO, 2014; MINAS GERAIS, 2006; SÃO
PAULO, 2009; PORTO ALEGRE, 2014). As justificativas em sua maioria se baseiam
na simplicidade dos instrumentos utilizados, e das limitações locais de recursos
humanos estaticistas e da sofisticação atribuída aos cálculos e análises estatísticos.
Nesse ponto está o maior entrave para comparações. Diferente de índices como o
CPO-D, mundialmente preconizado, utilizado e analisado, mais uma vez destaca-se
a característica de instrumento local para os levantamentos de necessidades.
Somente um estudo (GUIDETTI; ALMEIDA, 2013) cita calibração e treinamento, não
sendo citado o tipo de treinamento ou detalhando a calibração. Um dos estudos
relata calibração e treinamento. Um estudo (FRANÇA NETO, 2009) e dois protocolos
(SAINTRAIN, 2007; LONDRINA, 2009) citam apenas treinamento.
No presente estudo todos os examinadores passaram por treinamento, porém a
calibração foi dispensada dadas as características do instrumento. Tal decisão se
baseou em documento que orienta a aplicação do INTO e demais publicações sobre
o Índice, que destacam entre seu diferencial e as vantagens metodológicas, a
simplicidade e rapidez, dispensando calibração (BELO HORIZONTE, 2004):
85
[...] seus objetivos básicos são detectar, com custo reduzido e
metodologia simplificada, utilizando apenas abaixadores de língua,
grupos prioritários para tratamento odontológico; classificar tais
grupos de acordo com o grau de atenção a ser recebida (primária
ou secundária); planejar, a partir dos resultados, recursos físicos e
humanos apropriados para a resolução dos problemas;
dimensionar os custos requeridos para a execução de programas
preventivos, curativos e reabilitadores (Castilho, 2000). É
necessário ressaltar que esse índice permite apenas uma
avaliação superficial da condição bucal. O INTO não proporciona
informações precisas sobre o tipo, grau e localização de lesões
cariosas, não detecta lesões cariosas proximais, nem lesões
periodontais que não sejam perceptíveis à inspeção visual.
Entretanto, proporciona à equipe odontológica uma ideia geral
sobre a saúde bucal da população a ser pesquisada, sem
diagnósticos mais
onerosos, tais como equipamentos
odontológicos e radiografias. Sua metodologia é simples e rápida,
dispensando calibração. Desta forma, considera-se que podem ser
estimadas as condições de saúde bucal a partir de exames feitos
por pessoal auxiliar (CASTILHO, 2000; DUMONT, 2008).
A aparente limitação explicitada pela não calibração da equipe de campo se
configura como característica do INTO conveniente às características locais do
município em questão. Há que se destacar que sua utilização na Serra-ES foi
cogitada quando se identificou necessária a implementação de uma ferramenta que
permitisse à equipe mensurar a prevalência dos principais agravos bucais nos
indivíduos atendidos pelo Projeto de maneira rápida e simplificada, facilitando a
integração entre as ações preventivas em campo e as ações nas Unidades de
Saúde, tornando funcional o planejamento e sistema de referência e contrareferência entre serviços. Isso porque, quando da análise dos entraves para a
implementação de ferramentas clássicas propostas pela OMS para levantamento
epidemiológico básico em saúde bucal, como o ICDNT, fatores como escassez de
recursos físicos, financeiros e humanos, dificuldade de capacitação e calibração e
tempo de aplicação foram trazidos ao centro da discussão pela equipe de Saúde
Bucal do Escolar. A dispensa de calibração representa dispensa do profissional
estaticista, que muitas vezes é inacessível para municípios de pequeno porte e
representa um entrave que acaba por inviabilizar levantamentos.
86
6.6 Critérios de classificação para o diagnóstico das condições de saúde bucal
Entre publicações nacionais, os critérios de classificação para o diagnóstico das
condições de saúde bucal encontrados em levantamentos de necessidades, são os
mais diversos. Há desde critérios que dependem exclusivamente da análise externa
do examinador, como os relacionados à doença cárie (“presença ou ausência de
lesão de cárie aparente”, “quantidade de lesão de cárie aparente”, “profundidade de
lesão de cárie aparente”, “lesão de cárie aparente aguda ou crônica”, “lesão de cárie
incipiente / mancha branca ativa”, “história pregressa de lesão de cárie”), e à doença
periodontal (“alteração gengival” / “doença periodontal”, “presença de placa
bacteriana”); à critérios expressados pelos pacientes, como “limitações funcionais /
dor”, “condições psicossociais / necessidade percebida” (BELO HORIZONTE, 2005;
Rocha, 2009; França Neto, 2009; Guidetti; Almeida, 2013; Terreri; Soler, 2008;
Resende, 2010; MUNDO NOVO, 2014; MINAS GERAIS, 2006; Saintrain, 2007;
LONDRINA, 2009; SÃO PAULO, 2009; PORTO ALEGRE, 2014). Raramente
limitações psicossociais, que não a “dor”, (como halitose, comprometimento estético)
e limitações funcionais (comprometimento na fala, deglutição e mastigação) são
consideradas na classificação, como observadas em Minas Gerais (2006).
No presente estudo, os critérios de classificação utilizados foram: quantidade de
dentes com lesões aparentes de cárie (nenhum, um a três, quatro a oito, mais de
oito), “dor” e “alteração gengival”. Não inclui em seus critérios “profundidade das
lesões de cárie”, “lesão de cárie aguda ou crônica”, “lesão de cárie incipiente”,
“história pregressa de cárie”, “necessidade de exodontia”, “lesão de tecidos moles”
nem “condições psicossociais”. Esse tipo de classificação apresenta a vantagem de
demonstrar o tamanho ou quantidade do problema, podendo ser útil para o
planejamento das intervenções e tempo necessário para completar o tratamento do
indivíduo ou grupo. Porém, não considera a intensidade ou grau de necessidade do
paciente, pois do menos ao mais grave ocorre variação de acordo com o número de
elementos afetados pela cárie. Resumindo, baseia-se na quantidade de doença
cárie para determinar a prioridade no atendimento, e não na atividade e no tamanho
da cavidade, como também observado por Resende (2010). Pereira et al. (1999),
ressaltam que na maioria dos estudos clínicos e epidemiológicos o termo ”cárie
87
dental” geralmente significa cavidade e reflete o registro dos sinais da doença
presente e passada representando apenas um estágio avançado na destruição
tecidual. Dessa maneira, possivelmente acabam subestimando os índices de cárie,
como poderia ser o caso do presente estudo. Na comparação de dados para cárie
deste estudo com o estudo de Rocha (2009) e Guidetti e Almeida (2013), foram
encontrados percentuais de dentes cariados de 39,8%, 36% e 40,3%, para os dois
segundos estudos, respectivamente. Dentre eles, apenas esse último (com
percentual ligeiramente maior da amostra apresentando dentes classificados como
cariados) considerou nos critérios de classificação para o diagnóstico “lesões
insipientes de cárie / mancha branca”. Outros cinco protocolos recomendam como
um dos critérios de classificação “lesão incipiente / mancha branca”: Resende
(2010); Prefeitura Municipal de Mundo Novo (2014), Minas Gerais (2006), São Paulo
(2009), Prefeitura Municipal de Porto Alegre (2014).
Alterações de classificação/definição dos critérios de diagnóstico, como mudança na
ordem dos códigos, de acordo com características do serviço ou do público alvo, não
são novidade nos diferentes estudos em que o INTO é utilizado, como visto em
Castilho (2000) e Dumont et al (2008). Em artigo publicado no ano 2000 na Revista
do CROMG, os autores descrevem uma modificação na classificação do INTO em
sua utilização para triagem numa população de indivíduos portadores de deficiências
neuropsicomotora e mental, realizada em 1998. Neste estudo, a utilização de
afastadores de língua foi descartada logo nos primeiros exames devido aos
movimentos espásticos de alguns pacientes. As grandes destruições coronárias
foram consideradas como emergências devido à incapacidade de comunicação
verbal de grande parte dos pacientes e sua anotação tinha prioridade sobre qualquer
outra condição. Nos casos de detecção concomitante de lesões cariosas e doença
periodontal, o código referente a esta última condição era considerado prioritário
(CASTILHO, 2000). Já Dumont et al (2008) utilizaram o INTO com a classificação
clássica, para conhecer as condições de saúde bucal de índios Xakriabá em Minas
Gerais, acrescentando a categoria ”outros”, para os casos em que o preenchimento
foi inadequado – ausência de idade e ausência de preenchimento dos exames
clínicos e a categoria “exodontia indicada (restos radiculares)”.
88
Estas diferenças metodológicas demonstram não existir um modelo que atenda a
todos os serviços de saúde bucal, já que fatores como tamanho da população,
quantidade e formação de recursos humanos, disponibilidade de recursos físicos,
organização do serviço (ações individuais e coletivas, restauradoras e de promoção
de saúde), entre outros, devem ser considerados ao se planejar o instrumento de
pesquisa que irá subsidiar o planejamento com dados da realidade populacional.
6.7 Risco de doenças bucais
Os critérios de diagnóstico das condições de saúde bucal utilizados no INTO neste
estudo, deixam implícito que, para organização da demanda de escolares para
atendimento nas Unidades de Saúde, a futura classificação de risco decorrente de
seus resultados provavelmente levaria em consideração apenas o Risco Individual.
Entretanto, há que se refletir que a adoção deste critério deve fazer parte de uma
abordagem ampliada dos fatores de risco, diferencial previsto pelo Ministério da
Saúde e inúmeras publicações, porém pouco colocado em prática, o que coloca em
cheque o princípio da equidade; e, embora priorize a atividade da doença (as
crianças em maior risco, e que necessitam de cuidados curativos mais imediatos são
aquelas que apresentam maior número de cavidades aparentes de cárie e/ou dor),
não deve significar a exclusão dos indivíduos sem atividade de doença dos grupos
de controle ou manutenção coletiva, inclusive para não negligenciar essa parcela de
escolares, deixando de reforçar positivamente suas atitudes e condição de saúde
bucal. Como sabemos, no Brasil, o paradigma biomédico baseado no modelo
flexneriano ainda hegemônico, predomina no imaginário popular e de grande parte
dos atores no campo da saúde. Por exemplo, o acesso ao tratamento em uma
Unidade de Saúde é tido para muitos (independente da severidade ou autopercepção da doença) como um prêmio, enquanto participar de atividades de
prevenção ou promoção de saúde seria uma burocracia a ser cumprida para chegar
aonde se deseja: a cadeira odontológica, os exames, a tecnologia, a prescrição. No
papel de gestor ou no de ponta, não há que se culpabilizar o sujeito por essa
construção, que é subjetiva e historicamente justificada pela desassistência por anos
experimentada pela sociedade. Há sim que se refletir e encontrar soluções com
enfoque na integralidade e equidade.
89
Desdobramentos/Contribuição do estudo
Apesar da escassez de estudos que utilizaram o mesmo instrumento (INTO),
gerando dificuldades para a sua comparação, espera-se que os resultados aqui
apresentados e discutidos possam ter demonstrado a possibilidade do uso do INTO
como uma ferramenta de avaliação das condições de saúde bucal dos escolares
estudados, contribuindo para o planejamento, a definição de prioridades e a
organização da demanda para ações de promoção, prevenção e reabilitação do
serviço odontológico voltados a estes escolares, repensando a classificação de risco
em saúde bucal.
Espera-se, como desdobramento, que a reflexão dos dados gerados, somada a um
conjunto de ações paralelas que têm sido executadas, como avaliação de projetos,
análise de recursos físicos, humanos e financeiros, estudo epidemiológico, entre
outros, possa contribuir para a criação de um novo protocolo voltado ao Programa.
Segundo o Ministério da Saúde na publicação Cadernos de Atenção Básica de 2008,
os protocolos tecnicos podem contribuir para a definição de prioridades. Cada
município deve, em conjunto com os trabalhadores, definir os protocolos mais
adequados sob a ótica da intervenção multiprofissional, legitimando a inserção de
todos os profissionais. A construção da agenda deve estar pautada nas
necessidades da população a partir de critérios epidemiológicos das áreas de
abrangência e/ou de influência das unidades de saúde de forma equânime e
universal, devendo ser amplamente discutida com a comunidade, nos conselhos de
saúde em nível local e municipal (BRASIL, 2008).
Sendo um dos principios da Promoção de Saude o foco na população como um
todo, a seleção da abordagem deve estar orientada para reduzir as desigualdades
sociais. As análises atuais sobre condições de saúde bucal, e neste estudo não é
diferente, têm destacado a questão da polarização da cárie, como uma questão de
desigualdade social. Isso porque índices de cárie baixos alcançados por grande
parte dos países ou populações não excluem a parcela da população com elevado
grau da doença, devendo ser repensadas as estratégias de risco (SHEIHAM; WATT;
2000; WATT, 2005).
90
91
7 CONCLUSÃO
Os escolares desta amostra apresentaram boas condições de saúde bucal, com:

maior proporção de escolares sem cárie visível (60,2%),

baixa prevalência de dor dentária (0,3%)

baixa prevalência de cálculo/ sangramento gengival (0,9%),
92
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97
APÊNDICE A - FICHA A
PREFEITURA MUNICIPAL DA SERRA
ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
SECRETARIA DE SAÚDE
Examinador: _____________________________________________________________________
Anotador: ________________________________________________________________________
Escola_______________________________________Turma__________Vesp__ Mat__ Data _/ _/_
Nome
Idade
Sexo
F
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11.
12.
13.
14.
15.
16.
17.
18.
19.
20.
21.
22.
23.
24.
25.
M
1
2
3
4
8
5
98
CÓDIGOS E CRITÉRIOS PARA IDENTIFICAR AS NECESSIDADES INDIVIDUAIS
Código
Critérios
1
Não apresenta dentes com cavidades aparentes de cárie
2
Apresenta dor
3
Apresenta até 3 dentes com cavidade
4
Apresenta de 4 a 8 dentes com cavidade
8
Apresenta mais de 8 dentes com cavidade
5
Apresenta cálculo ou sangramento gengival
99
ANEXO A - APROVAÇÃO DO COMITÊ DE ÉTICA
100
ANEXO B - AUTORIZAÇÃO DAS ESCOLAS
101
PREFEITURA MUNICIPAL DA SERRA
ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
SECRETARIA DE SAÚDE
Senhor(a) Diretor(a),
Pedimos o favor de dedicar alguns minutos do seu tempo para ler este comunicado.
A Secretaria de Saúde e a Gerência de Saúde Bucal, em parceria com a Faculdade de
Odontologia da UFES estão fazendo uma pesquisa sobre as condições de saúde bucal dos
escolares de 1º ao 5º ano do município da Serra. Nessa investigação científica, serão
examinados os dentes e as gengivas de crianças escolhidos por sorteio. O exame é uma
observação da boca, feita na própria escola, com toda técnica, segurança e higiene,
conforme normas da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde. Não
representa riscos nem desconforto para quem será examinado. Os dados individuais não
serão divulgados, somente para fins de necessidade de tratamento, mas os resultados da
pesquisa ajudarão muito a prevenir doenças bucais e melhorar a saúde de todos.
Informamos que a unidade de ensino sob sua direção foi sorteada. A partir do cadastro dos
matriculados, algumas crianças serão sorteadas para compor a amostra do estudo. Por isso,
solicitamos sua compreensão e colaboração, autorizando no quadro abaixo, a participação
do estabelecimento na pesquisa. Asseguramos que a participação dos alunos sorteados
somente ocorrerá mediante prévia autorização dos pais ou responsáveis sendo decorrente
de livre decisão após receber as informações necessárias.
Na possibilidade da participação ser autorizada, para que o processo de sorteio das
crianças seja efetuado com segurança e fidelidade, solicitamos sua colaboração, fornecendo
a relação das classes (pauta escolar) contendo o nome completo, em ordem alfabética, das
crianças do 1º ao 5º ano.
Esclarecimentos adicionais sobre o trabalho podem ser obtidos com o Supervisor do
Levantamento Epidemiológico – Dr. Rodrigo Resende Brandão, pelo telefone 027 99760376.
Esperando contar com seu apoio, desde já agradecemos em nome de todos os que se
empenham para melhorar a saúde pública em nosso município.
Atenciosamente,
GERÊNCIA DE SAÚDE BUCAL DO MUNICIÍPO DA SERRA
……………………………………………………………………………………………………………
102
AUTORIZAÇÃO
Após ter sido informado sobre as características da pesquisa “Levantamento das Condições
de Saúde Bucal dos escolares de 1 ao 5 ano”, CONCORDO com a participação da Unidade
de ensino:
________________________________________________________________________
Em ____ de ____________________ de 2013.
Nome do Diretor
Responsável______________________________________________________________
Assinatura do Diretor
Responsável______________________________________________________________
103
ANEXO C - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
PREFEITURA MUNICIPAL DA SERRA
ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
SECRETARIA DE SAÚDE
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
Estas informações estão sendo fornecidas para sua participação voluntária no estudo
denominado: Levantamento de Saúde bucal dos escolares de 1º ao5º ano do município da
Serra, Serra-ES.
PESQUISADORES: Dra Laura Maria da Silva Coutinho (Gerente de Saúde Bucal da SerraES); Maira Cani Gama (Coordenadora do Programa do Escolar); Dr. Rodrigo Resende
Brandão e Dra Marisa Galvão (CD da PMS); Dr Roberto Sarcinelli eDra Alice Sarcinelli.
(UFES)
OBJETIVOS: Esta pesquisa será uma forma de saber como esta a saúde bucal das crianças
de 1º ao 5º ano das escolas municipais da Serra-ES, e buscar soluções para os problemas
encontrados. A pesquisa fornecerá informações à gerência de saúde bucal do município da
Serra-ES para desenvolver projetos direcionados oferecendo tratamento de dentes como
limpeza, obturação e canal para crianças que apresentarem problemas bucais.
PROCEDIMENTOS: Serão realizados exames na boca das crianças para ver a presença de
cárie dentária e doenças da gengiva. Os exames serão realizados preferencialmente dentro
das escolas, com agendamento prévio, com a direção e professores.
RISCOS: Não haverá nenhum desconforto ou risco esperado, pois as crianças serão
atendidas por profissionais competentes, utilizando instrumentos limpos e estéreis,
máscaras, toucas, jaleco e luvas descartáveis. Os exames serão realizados por profissionais
treinados e capacitados para a pesquisa.
BENEFÍCIOS: Os resultados desta pesquisa terão dados importantes, que serão utilizados
em benefício dos escolares do município da Serra-ES.
GARANTIAS: Você tem a garantia de que receberá resposta a qualquer duvida relacionada
com a pesquisa. A qualquer momento, você ou seu filho(a) pode desistir de participar da
pesquisa, sem nenhum prejuízo ou problema.
SIGILO: Todas as informações obtidas nesta pesquisa, relativa a sua participação, serão
analisadas em conjunto, e a identidade da criança só será utilizada para fins de
encaminhamento para tratamento.
Nome do pai, mãe e/ou responsável: X_________________________________________.
Nome do aluno(a):X________________________________________________________.
Assinatura do responsável autorizando a participação: X____________________________.
Agradecemos antecipadamente sua colaboração,
EQUIPE DE SAÚDE BUCAL DO MUNICÍPIO DA SERRA
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