disciplina: saúde ambiental

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ESCOLA DE ENGENHARIA DE PIRACICABA
ENGENHARIA AMBIENTAL
DISCIPLINA: SAÚDE AMBIENTAL
TÓPICOS: DROGAS
PROF. ALCINDO
PIRACICABA: 2007
EEP – Escola de Engenharia de Piracicaba
Saúde Ambiental – Prof. Alcindo Antoniássi
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DROGAS
1. Objetivo: Conscientizar e educar a sociedade sobre as causas e conseqüências do uso de
drogas, além de demonstrar a importância da prevenção, contrapondo-se à remediação.
A palavra droga vem de droog (holandês antigo), que significa folha seca. Isto porque ,
antigamente, a maioria dos medicamentos era à base de vegetais.
Droga é qualquer substância capaz de modificar a função dos organismos vivos,
resultando em mudanças fisiológicas ou de comportamento. Classifica-se em
psicotrópico, medicamento ou fármaco e tóxico.
Droga Psicotrópica: é aquela que atua sobre o cérebro, alterando de alguma forma o
psiquismo. Psico, em grego, significa psiquismo (o que sentimos, fazemos, pensamos);
Trópico, relaciona-se com tropismo (ter atração por); logo, psicotrópico, é a atração pelo
psiquismo.
Medicamento ou Fármaco: é a droga que, atuando em organismos vivos provoca efeitos
benéficos ou úteis.
Tóxico: é a droga que, administrada em organismos vivos, produz efeitos nocivos.
2. Classificação das Drogas
As drogas podem ser classificadas em três grupos básicos, conforme seus efeitos
principais:
a) Estimulantes: são as drogas que aceleram o funcionamento do cérebro. Cocaína,
crack, anfetaminas, cafeína, cigarro, etc.
b) Depressivas (Sedativas): são as drogas que diminuem a velocidade de
funcionamento do cérebro. Álcool, calmantes, narcóticos (ópio, morfina, codeína,
heroína, fentanil), hipnóticos não barbitúricos, barbitúricos, ansiolíticos, solventes
(inalantes).
c) Perturbadoras: são as drogas que alteram o funcionamento do cérebro
(modificadoras do humor e da percepção). Alucinógenos primários: Sintéticos
(LSD-25, êxtase) e naturais (derivados indólicos, da maconha, do peiote,
cogumelos, chá de lírio); alucinógenos secundários; anticolinérgicos e outras
substâncias.
3. O Sistema Nervoso
O cérebro superior, conhecido por neocórtex, responde pelo intelecto. A capacidade
relacional, o amor, a amizade, a gratidão, a religiosidade, a ética e a cidadania são
produtos do cérebro superior e também fonte de prazer. Utilizamos o cérebro primitivo e
o médio para satisfazer nossas necessidades fisiológicas, preservar a nós mesmos e a
espécie.
O sistema Nervoso Central (SNC) é constituído por 100 bilhões de neurônios, células
especiais que veiculam as informações entre o cérebro e outras partes do corpo. Cada
função do corpo é controlada por determinada região do cérebro. Porém, a mesma área
pode coordenar mais que uma função corporal.
Os neurônios comunicam-se entre si formando aproximadamente 100 trilhões de
conexões, as chamadas sinapses. Como as células nervosas não se tocam, as informações
são conduzidas entre elas por mensageiros químicos, os neurotransmissores.
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É importante conhecê-los porque as drogas, em geral, têm estruturas semelhantes a esses
mensageiros, podendo imitar ou impedir sua ação. Os mais importantes são;
a) Norepinefrina: presente na vivacidade, na concentração, nas emoções positivas e na
analgesia (supressão da dor). Em baixa dosagem pode acarretar depressão e falta de
atenção; em alta, impulsividade e ansiedade. As anfetaminas (remédios para emagrecer)
podem camuflar os efeitos da norepinefrina.
b) Dopamina: É considerada a molécula do prazer. Seu efeito principal é produzir euforia.
Em excesso ocasiona comportamento psicótico, incluindo alucinações e paranóia. A
cocaína imita o efeito da dopamina.
c) Serotonina: está relacionada com as alterações do humor, com as compulsões e outros
comportamentos inadequados. Os alucinógenos em geral interagem com os receptores de
serotonina.
d) Acetilcolina: necessária à capacidade de aprendizado, à memória, ao humor e ao sono.
Observa-se perda desse mensageiro na doença de Alzheimer. A nicotina imita a ação da
acetilcolina.
e) Gaba (Ácido aminobutírico): inibidor das células amplamente disponível no cérebro. O
excesso está associado ao mal de Parkinson. O álcool e os barbitúricos mimetizam os
efeitos do Gaba.
3.1 As Drogas Enganam o Organismo
As drogas competem com alguns neurotransmissores, imitam outros e, assim,
desequilibram seus sistemas funcionais, interferindo em toda a atividade orgânica.
A sensação de prazer é obtida enganando o corpo humano. A droga libera a recompensa
sem a necessidade de comportamentos positivos, como defesa do território,
autopreservação e preservação da espécie. O custo exigido é apenas seu uso. A
experimentação é o único gesto ativo e depende da vontade do usuário. Significa muita
recompensa para pouco esforço.
Quando um usuário diz que se droga porque quer, pode, na verdade, estar camuflando o
vício. As pessoas comem porque, do contrário, terão fome. A necessidade de comer
atinge o cérebro, que se organiza para saciá-la. Quanto maior ela for, os mais primitivos
comportamentos irão mobilizar. O corpo acaba cumprindo o que o instinto determina.
Assim também pode acontecer com o consumo da droga. Ela cria no organismo uma
relação de pequena causa (pouco esforço para consumir droga) e muita conseqüência
(grande prazer). Ou seja, muita recompensa para pouco esforço. Desse modo, a droga
engana o Circuito da Recompensa, que normalmente é acionado cada vez que a pessoa
se autoprotege ou preserva a sua espécie.
3.2 Nicotina: Veneno Potente
Todos os sistemas do corpo são afetados pela nicotina, o mais notório componente do
cigarro e o responsável pela dependência. Ela é utilizada para estimular o SNC- Sistema
Nervoso Central, obter prazer, aumentar a vivacidade e a performance nas tarefas,
reduzir a ansiedade e o apetite. Provoca, ainda, aumento nos batimentos cardíacos,
elevação da pressão arterial e diminuição do fluxo de sangue para os órgãos.
A longo prazo os resultados são desastrosos. O pulmão é o maior prejudicado.
Proporciona infecção dos brônquios (bronquite), inflamações das vias aéreas e o
acúmulo de catarro. Isso explica a tosse persistente do fumante.
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A constrição das pequenas vias aéreas ocasiona asma e a destruição dos alvéolos e o
conseqüente endurecimento de suas paredes (fibrose) conduz ao enfisema pulmonar.
Os cânceres de pulmão, de boca e o de garganta ocorrem quase exclusivamente em
fumantes. O cigarro aumenta ainda, o risco de tumores em outras áreas, como peito,
fígado, intestino e próstata.
O coração também perde. Fumar eleva os níveis de lipídios (gorduras) no sangue,
sobretudo do mau colesterol, o culpado da arteriosclerose (endurecimento das artérias
pela formação de placas de gordura no seu interior).
Os que respiram a fumaça dos cigarros alheios, os chamados fumantes passivos, não
escapam: o índice de doenças pulmonares também é alto entre eles.
Quem consome quinze ou mais cigarros por dia, sente dificuldade ao parar. Os sinais da
falta de nicotina são irritabilidade, sonolência, fome, ansiedade e avidez por cigarros. A
redução progressiva por meio do uso de emplastos pode controlar tais sintomas.
4. AS DROGAS E SEUS EFEITOS
O interesse na expansão da mente, que caracterizou os anos 60, popularizou-as como
psicodélicas. Mas há milhares de anos tais drogas vêm sendo usadas em rituais
religiosos e também para oferecer fuga, prazer e poder.
As alterações de percepção se referem ao mundo exterior. Sob a influência da droga,
cor, forma, ritmo, cheiro e som, entre outras informações sensoriais, são modificados
durante seu trânsito pelo cérebro. Portanto, a imagem ou a sensação final produzida na
mente é diferente, mesmo que nada se altere no meio ambiente.
Com a maconha, tais modificações de percepção evoluem lentamente e as alucinações
aparecem somente após doses muito altas e incomuns. Com o LSD, a progressão é
rápida e a alucinação acontece logo.
4.1 Maconha: Transforma a Mente e o Comportamento
São tantos efeitos diferentes produzidos pelo THC (tetrahidrocanabinol), o princípio
ativo da maconha, que é difícil classificá-lo a não ser como uma droga psicoativa única
capaz de alterar a mente e o comportamento.
O THC é absorvido oralmente ou por inalação de sua fumaça, altamente nociva. Duas
substâncias irritantes e cancerígenas estão presentes em alta concentração na fumaça da
maconha: o monóxido de carbono (CO) e o alcatrão. Por isso, alguns ¨baseados¨
(cigarros de maconha) fazem tão mal quanto um maço de cigarros.
O CO se fixa nos glóbulos vermelhos, reduzindo sua capacidade de transportar
oxigênio. A má oxigenação do sangue prejudica todo o organismo. Para compensar essa
carência, os rins liberam hormônios de defesa que estimula a medula a produzir mais
hemácias, mas não resolve o problema: o sangue se torna grosso, cheio de glóbulos
vermelhos pouco eficientes.
O alcatrão da fumaça da maconha, que contém THC, é dez vezes mais cancerígeno que
o da fumaça do cigarro, repleta de nicotina.
Os efeitos psíquicos agudos dependem muito do estado de espírito do usuário e das
expectativas do seu uso. Em algumas pessoas pode provocar euforia e hilaridade, em
outras causa sonolência ou diminuição da tensão. Podem surgir também os efeitos de
ilusões, delírios e alucinações. Ocorre também uma perda da noção de tempo e espaço e
diminuição da memória. Quanto aos efeitos psíquicos crônicos não existem certezas,
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somente suposições. Possivelmente ocorra a chamada Síndrome amotivacional, em que
as pessoas perdem o interesse pelos objetivos comuns.
O THC não é solúvel em água e é por isso que ele não pode ser injetado. A via de
introdução são os pulmões. Essa substância é inativada pelo fígado e eliminada pelas
fezes e pela urina.
Alguns derivados da maconha possuem efeitos terapêuticos. Tais aplicações incluem
efeitos contra vômitos e náuseas causados pela quimioterapia no tratamento de câncer e
ação analgésica e anticonvulsionante.
4.2 Anticolinérgicos
Plantas do gênero Datura (cartucho, trombeta, saia-branca, zabumba), utilizadas como
arbustos ornamentais, produzem substâncias anticolinérgicas, como a atropina e a
escopolamina. Essas plantas podem ser encontradas em diversas regiões do Brasil.
A descrição mais antiga de uma intoxicação causada pelo seu uso no Brasil, data do ano
de 1866, na Bahia.
A triexafenidila é uma substância sintética, que também tem efeito anticolinérgico. É
usada para o tratamento do mal de Parkinson, mas a ingestão de grandes quantidades
levam a fortes efeitos no sistema nervoso central e em outros órgãos do corpo.
Essas substâncias têm a capacidade de bloquear (antagonismo competitivo) os
receptores onde o neurotransmissor, acetilcolina, age. São, pois, substâncias que se
opõem à ação fisiológica da acetilcolina ou que anula esta ação, que bloqueia a
passagem de impulsos através dos nervos parassimpáticos. Os anticolinérgicos, como a
atropina e a escopolamina agem, mais especificamente, em receptores chamados
muscarínicos. Os seus efeitos, como a pupila dilatada, ocorrem devido ao bloqueio
desse tipo de receptor.
Nos olhos as pupilas ficam bastante dilatadas (midríase), o que causa embaçamento e
¨falta de foco¨ da visão. O coração bate mais rapidamente, a pele fica mais seca e
avermelhada. Há, também, retenção urinária, aumento da temperatura, podendo ocorrer
ataques convulsivos. Em alguns casos, a intoxicação pode levar à morte.
4.3 Anfetaminas
As anfetaminas são drogas sintéticas, ou seja, são produzidas em laboratório. A
primeira droga sintetizada foi a d - anfetamina em 1928. Depois desta, várias outras
foram fabricadas. Existe também uma droga, tipo anfetamina, que é natural, usada por
nativos do norte da África e do Oriente Médio. Ela é encontrada nas folhas de Khat,
cujo nome científico é Cathia Edulis.
As anfetaminas foram introduzidas em 1930 e eram usadas para congestão nasal.
Depois elas começaram a ser utilizadas no tratamento da depressão e na diminuição do
apetite. Logo em seguida foi descoberto o efeito da dependência causada pela droga e,
com isso houve um controle e declínio do seu uso. Como conseqüência, ocorreu um
crescimento da utilização da cocaína.
O que as anfetaminas fazem no organismo?
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Substância usada como inalante e em solução para pulverização contra afecções, por
resfriado, das passagens nasais e dos tecidos mucosos adjacentes e como estimulante do
sistema nervoso central.
As anfetaminas interferem na dopamina e noradrenalina, que são neurotransmissores do
sistema nervoso. Essas drogas agem aumentando a liberação e diminuindo a recaptação
desses transmissores. Com isso, aumenta a quantidade dessas substâncias e suas
funções ficam exacerbadas no organismo.
A dopamina e noradrenalina possuem várias funções fisiológicas e comportamentais.
Os estados de apetite, saciedade, vigília e funções psíquicas estão envolvidos. A
ingestão de anfetamina causa insônia, perda de apetite e um estado de
hiperexcitabilidade. A pessoa se torna muito ativa, inquieta e extrovertida.
No caso de uma dose excessiva, os efeitos se acentuam e a pessoa pode se tornar muito
agressiva e ter delírios. Ocorre também aumento da temperatura, que em alguns casos
pode levar a convulsões.
A anfetamina produz efeitos também fora do sistema nervoso. Nos olhos ela provoca
dilatação da pupila; no coração há taquicardia e ocorre aumento da pressão arterial.
Como as anfetaminas são eliminadas do organismo?
O fígado é o responsável pela metabolização das anfetaminas. Ela é inativada e
posteriormente é eliminada pela urina. Uma pequena quantidade das drogas não é
modificada pelo fígado, sendo eliminada diretamente pela urina.
Tolerância e dependência às anfetaminas.
Com o uso crônico dessa droga, ocorre uma diminuição do seu efeito com o passar do
tempo. Para se obter o mesmo efeito é preciso aumentar a dose, ou seja, ocorre um
efeito de tolerância. Não ocorre uma síndrome de abstinência característica quando
cessa a ingestão abrupta da droga.
4.4 Cocaína
A cocaína é um alcalóide presente numa planta sul-americana, a coca, cujo nome
científico é Erythroxylon coca. O ¨vinho de coca¨, preparado à base da planta, foi
considerado na Europa uma bebida muito reconfortante e de grande uso social. O Papa
Pio XI agraciou o principal fabricante deste vinho. Um dos mais adeptos da cocaína foi
Freud. Ele próprio ingeriu a cocaína para provar a energia e vitalidade produzida pela
droga. A cocaína foi usada como medicamento até o início do século. Existiram surtos
do uso desta droga no passado, mas depois que foram demonstrados os seus efeitos
prejudiciais ao organismo, houve uma proibição do seu uso e um declínio na ingestão
da cocaína. Hoje em dia, vive-se o pico de uma nova epidemia.
Existem várias formas de cocaína. O ¨chá de coca¨, preparado à base das folhas, é muito
utilizado no Peru. Nesta forma, pouca droga é absorvida e, portanto, muito pouco chega
ao cérebro.
Através de vários procedimentos, usando produtos como solvente e ácido sulfúrico,
obtém-se o sal de cocaína (pó ou ¨neve¨). Como ele é solúvel, pode ser aspirado ou
usado via endovenosa, dissolvido em água.
Tratando o sal de cocaína com bicarbonato, obtém-se um bloco sólido, que é conhecido
com o nome de ¨crack¨. Este nome ¨crack¨advém do barulho produzido neste processo
de solidificação e na quebra deste bloco em pequenos pedaços. Ele também pode ser
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preparado a partir da pasta de cocaína. Esta forma é pouco solúvel em água, mas se
volatiza quando aquecida, sendo fumada em cachimbos.
O que a cocaína faz no organismo ?
A cocaína interfere na ação de substâncias que existem no nosso cérebro, os
¨neurotransmissores¨, como a dopamina e a noradrenalina. A cocaína eleva a
quantidade dessas substâncias, porque ela inibe a recaptação pelo neurônio, aumentando
a concentração desta substância na fenda sináptica, isto é, no espaço entre os neurônios
nos quais se processa a neurotransmissão. Com isso, todas as funções que esses
neurotransmissores possuem ficam amplificadas e podem também aparecer ações que
não existem nas concentrações normais.
Com a ingestão da cocaína ocorre uma sensação de euforia e prazer. Ela produz
aumento das atividades motoras e intelectuais, perda da sensação de cansaço, falta de
apetite e insônia.
Numa dose exagerada (overdose) aparecem sintomas de irritabilidade, agressividade,
delírios e alucinações. Pode ocorrer também aumento de temperatura e da pressão
arterial, taquicardia e degeneração dos músculos esqueléticos. Este excesso pode levar
até à morte, que ocorre por convulsões, falência do coração ou depressão do centro
controlador da respiração.
Se a droga for usada via endovenosa ou respiratória os efeitos são quase imediatos. Isto
porque ela vai direto para o cérebro, sem passar pelo fígado, onde é degradada. Isto
provoca aumento da probabilidade de overdose.
No caso da via endovenosa, além do risco de overdose, há também o perigo de infecção
através do uso de seringas contaminadas, principalmente com o vírus da AIDS, da
hepatite e de outras doenças transmissíveis.
Como a cocaína é eliminada pelo organismo ?
A cocaína é rapidamente metabolizada pelo fígado e seus metabólitos inativos são
detectáveis na urina.
Tolerância e dependência à cocaína
Não há comprovação do efeito de tolerância devido ao uso crônico e não existe
síndrome de abstinência característica, quando cessa a ingestão. No entanto, o
componente psicológico é muito forte e ocorre, na maioria das vezes, uma vontade
incontrolável de consumir a droga, que é chamada ¨fissura¨.
4.5 Cafeína
A cafeína também chamada metil-xantina, derivada das xantinas, está presente em
plantas amplamente distribuídas nas várias regiões geográficas, Ela é encontrada nos
grãos de café, folhas de chá e de mate, nas sementes de cacau e em várias partes do
guaraná. Devido ao consumo generalizado dessa substância, conclui-se que ela é a
droga mais utilizada no mundo. Um copo de café contém aproximadamente 85 mg de
cafeína.
A cafeína possui efeitos terapêuticos importantes como dilatação dos brônquios,
estimulação do coração e aumento da excreção urinária. No cérebro, ela alivia dores de
cabeça. Ela possui também efeitos prejudiciais; provoca aumento da secreção gástrica,
agravando sintomas de gastrite e úlcera.
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A droga também possui efeitos psicoestimulantes. Em doses moderadas (85 a 250 mg)
os usuários relatam uma sensação de bem estar, melhora de atenção e pensamento.
Porém, em doses elevadas (acima de 250 mg) surgem efeitos de nervosismo,
inquietação, insônia e tremores. Doses muito altas podem produzir convulsões, delírios
e aumento da freqüência cardíaca.
Como a cafeína é eliminada do organismo ?
A cafeína é metabolizada pelo fígado e eliminada pela urina
Tolerância e dependência à cafeína.
O uso crônico dessa substância (350 mg ao dia) provoca dependência física e tolerância
à droga. Na retirada da droga pode aparecer uma síndrome de abstinência caracterizada
por dores de cabeça, nervosismo, irritação, ansiedade e insônia.
4.6 Álcool
Embora seja uma droga, freqüentemente o álcool não é considerado como tal,
principalmente pela sua grande aceitação social e mesmo religiosa. Pode-se observar
nas obras gregas, mitos sobre a criação do vinho. Com destaque para as figuras de
Dionísio, Icário e o Rei Anfictião protagonizando a visão grega sobre o uso do vinho
(álcool). Nos dias de hoje, é prática em muitas famílias a iniciação crianças no consumo
do álcool.
A permissividade ao álcool leva à falsa crença de inocência ao uso do álcool, mas o
consumo excessivo tem se tornado um dos principais problemas das sociedades
modernas.
O álcool contido nas bebidas é cientificamente conhecido como etanol, e é produzido
através de fermentação ou destilação de vegetais como a cana-de-açúcar, frutas e grãos.
O etanol é um líquido incolor. As cores das bebidas alcoólicas são obtidas de outros
componentes como o malte ou através da adição de diluentes, corantes e outros
produtos.
No Brasil há uma grande diversidade de bebidas alcoólicas, cada tipo com quantidade
diferente de álcool em sua composição. Alguns exemplos:
Bebida
Cerveja
Cerveja ¨Light¨
¨Vinho
Vinhos Fortificados
Uísque, Vodka, Pinga
Porcentagem de Álcool
5%
3,5%
12%
20%
40%
O que o álcool faz no organismo ?
O álcool é absorvido principalmente no intestino delgado, e em menores quantidades no
estômago e no cólon. A concentração do álcool que chega ao sangue depende de fatores
como: quantidade de álcool consumida em um determinado tempo, massa corporal e
metabolismo de quem bebe, quantidade de comida no estômago.
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Quando o álcool já está no sangue, não há comida ou bebida que interfira em seus
efeitos. Num adulto, a taxa de metabolismo do álcool é de aproximadamente 8,5 g de
álcool por hora, mas essa taxa varia consideravelmente entre indivíduo.
Os efeitos do álcool dependem de fatores como: a quantidade de álcool ingerido em
determinado período, uso anterior de álcool e a concentração de álcool no sangue. O
uso do álcool causa desde uma sensação de calor até o coma e a morte, dependendo da
concentração que o álcool atinge no sangue. Os sintomas que se observam são:
. Doses até 99 mg/dl: sensação de calor/rubor facial, prejuízo de julgamento,
diminuição da inibição, coordenação reduzida e euforia;
. Doses entre 100 e 199 mg/dl: aumento do prejuízo do julgamento, humor instável,
diminuição da atenção, diminuição dos reflexos e incoordenação motora;
. Doses entre 200 e 299 mg/dl: fala arrastada, visão dupla, prejuízo de memória e da
capacidade de concentração, diminuição de resposta a estímulos, vômitos;
. Doses entre 300 e 399 ml/dl: anestesia, lapsos de memória, sonolência;
. Doses maiores de 400 ml/dl: insuficiência respiratória, coma, morte.
Um curto período (8 a 12 horas) após a ingestão de grande quantidade de álcool pode
ocorrer a ¨ressaca¨, que se caracteriza por: dor de cabeça, náusea, tremores e vômitos.
Isso ocorre devido ao efeito direto do álcool ou outros componentes da bebida, ou pode
ser resultado de uma reação de adaptação do organismo aos efeitos do álcool.
A combinação do álcool com outras drogas (cocaína, tranqüilizantes, barbitúricos, antihistamínicos) pode levar ao aumento do efeito e até mesmo `a morte.
Os efeitos do uso prolongado do álcool são diversos. Dentre os problemas causados
diretamente pelo álcool pode-se destacar doenças do fígado, coração e do sistema
digestivo. Secundariamente ao uso crônico abusivo do álcool, observam-se: perda de
apetite, deficiências vitamínicas, impotência sexual ou irregularidades do ciclo
menstrual.
Tolerância e dependência ao álcool
O uso regular do álcool torna a pessoa tolerante a muitos dos seus efeitos, sendo
necessário maior consumo para o indivíduo apresentar os mesmos efeitos iniciais.
A dependência física ocorre em consumidores de grandes doses de álcool. Como já
estão adaptados à presença do álcool, esses indivíduos podem sofrer sintomas de
abstinência quando param de beber. Os sintomas de abstinência são: nervosismo ou
irritação, sonolência, sudorese, diminuição do apetite, tremores, convulsões e
alucinações.
Pode-se desenvolver a dependência psicológica com um uso regular do álcool, mesmo
que em pequenas quantidades. Nesse tipo de dependência há um desejo persistente de
consumir álcool e sua falta pode desencadear quadros ansiosos ou mesmo de pânico.
Álcool e gravidez
O consumo de álcool durante a gravidez expõe a criança aos efeitos do álcool. O mais
grave desses efeitos é a síndrome Fetal pelo álcool, cujas características incluem:
retardo mental, deficiência de crescimento, deformidade facial e de cabeça,
anormalidades labiais e defeitos cardíacos.
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Fatos interessantes sobre o álcool
1) Epidemiologia do uso (quem usa, onde, situação)
2) Acidentes de trânsito relacionados ao uso do álcool.
3) O álcool e o trabalho
4) Custos hospitalares creditados ao uso do álcool.
5) Leis sobre o uso do álcool
6) Fontes de dados
4.7 Sedativos e Hipnóticos Não Barbitúricos
Incluem-se nesse grupo agentes, que em certos casos substituíram os barbitúricos, ou
que apesar de terem uso restrito, ainda são utilizados na medicina atual. Esses
compostos foram introduzidos devido à necessidade de sedativos e hipnóticos ¨não
barbitúricos¨. No entanto, tornaram-se drogas de significante uso abusivo. As drogas
que podem ser assim classificadas são: benzodiazepínicos, paraldeídos e brometos.
Benzodiazepínicos
Alguns exemplos de benzodiazepínicos disponíveis:
Nome Genérico
Nome Comercial
Clordiazepóxido
Libreium
Diazepan
Valium
Clonazepam
Rivotril
Lorazepam
Lorax
O que os benzodiazepínicos fazem no organismo?
As drogas desse grupo promovem a ligação do ácido (a-aminobutírico GABA),
principal neurotransmissor inibidor, à receptores na membrana dos neurônios. Com isso
permitem um aumento de correntes iônicas dos canais de cloreto, inibindo a atividade
neuronal. Os benzodiazepínicos têm um efeito sedativo-hipnótico dependendo da dose
utilizada. Com o aumento progressivo da dose os efeitos são: sono, inconsciência,
anestesia cirúrgica, coma e por fim a depressão fatal da regulação respiratória e
cardiovascular. O coma só ocorre em doses muito elevadas, e a ocorrência de depressão
respiratória fatal é muito difícil. Ainda, em doses terapêuticas os benzodiazepínicos têm
a capacidade de dilatar vasos coronarianos; já em doses altas pode também bloquear a
transmissão neuromuscular.
Efeitos indesejados dos benzodiazepínicos
Os efeitos indesejados que ocorrem mesmo com o uso de doses terapêuticas são: graus
variados de tonteira, lassitude, tempo de reação aumentado, falta de coordenação
motora, comprometimento das funções mental e motora, confusão, amnésia
anterógrada, e alterações nos padrões de sono. Outros efeitos colaterais que podem
ocorrer são: fraqueza, cefaléia, turvação visual, vertigem, náuseas e vômitos,
desconforto epigástrico e diarréia, dores articulares, toráxica e incontinência urinária.
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Tolerância e Dependência aos benzodiazepínicos
A tolerância ocorre de modo diferente para os vários efeitos. A ação ansiolítica parece
não sofrer tolerância, mais isto ocorre rapidamente para as ações sedativas ou
hipnóticas. Essa tolerância parece ser tanto funcional como metabólica. O
desenvolvimento da dependência ocorre devido ao uso crônico de benzodiazepínicos e
sua magnitude é dependente da dose utilizada. A síndrome de abstinência caracteriza-se
por: insônia, ansiedade e alucinações.
Benzodiazepínicos e a Gravidez
A mulher grávida ou que planeja engravidar deve saber que os benzodiazepínicos
podem afetar o bebê. O uso desses medicamentos durante a gravidez podem fazer com
que o recém-nascido apresente sinais de abstinência. Os benzondiazepínicos também
podem ser passados através do leite materno, por isso seu uso na gravidez deve ser
cuidadoso. O uso só deve ser suspenso sob orientação médica.
Paraldeído
O paraldeído é um líquido incolor, com forte odor e gosto desagradável. Após a
ingestão, o paraldeído é um hipnótico eficaz e de ação rápida. Devido à sua ação
anticonvulsivante e de limitar a excitação motora, ele pode ser utilizado em convulsões
do estado epilético, do tétano, e na abstinência de usuários crônicos de álcool e
barbitúricos. O abuso de paraldeído é raro, devido ao seu gosto e odor. A superdosagem
caracteriza-se por depressão grave do sistema nervoso central, respiração rápida e
difícil, acidose, gastrite hemorrágica, hepatite tóxica, nefrose e edema pulmonar. A
síndrome de abstinência lembra a do alcoolismo, incluindo ¨delirium tremens¨e
alucinações.
Brometos
O uso de brometos como sedativo não é mais justificável, devido à existência de outras
drogas e a possível intoxicação que podem causar. Os sinais de intoxicação são:
vermelhidão na pele, depressão do sistema nervoso central, delírio ou alucinações e
sinal de Babinski presente. Como a excreção do íon brometo é feita pelo rim, alguns
diuréticos e sais podem aumentar sua excreção.
4.8 Barbitúricos
Os barbitúricos (ou derivados do ácido barbitúrico) foram por muito tempo, a droga de
escolha para o tratamento de insônia. O declínio de seu uso deu-se por vários motivos
como: morte por ingestão acidental, o uso em homicídios e suicídios e, principalmente,
pelo aparecimento de novas drogas como os benxodiazepínicos. Hoje em dia, os
barbitúricos ainda são utilizados no tratamento de distúrbios convulsivos e na indução
da anestesia geral.
Os barbitúricos são produzidos através da condensação de derivados do ácido malônico
e da uréia. Atualmente existem diversos barbitúricos disponíveis.
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Nome Genérico
Amobarbital
Barbital
Butabarbital
Fenobarbital
Hexobarbital
Mefobarbital
Pentobarbital
Secobarbital
Tiamilal
Tiopental
Nome Comercial
Amytal
Veronal
Butisol
Gardenal, Luminal
Evipal
Mebaral
Nembutal
Seconal
Surital
Delvinal
Duração da Ação
Ação Curta a Intermediária
Ação Prolongada
Ação Curta a Intermediária
Ação Prolongada
Ação Curta a Intermediária
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Ação Ultra-curta
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O que os barbitúricos fazem no organismo
A principal ação do barbitúrico é sobre o SNC. Eles podem causar depressão profunda,
mesmo em dose que não têm efeito sobre outros órgãos. A depressão pode variar sendo
desde um efeito sedativo, anestésico cirúrgico, ou até a morte. Outro efeito dos
barbitúricos é o de causar sono, podendo induzir apenas o relaxamento (efeito sedativo)
ou o sono (efeito hipnótico), dependendo da dose utilizada.
Aborção, metabolismo e excreção dos barbitúricos
O uso de barbitúricos pode ser oral, intramuscular, endovenoso ou retal.
Independentemente da via de administração, eles se distribuem uniformemente pelos
tecidos. Após absorção, eles se ligam a proteínas do sangue e vão agir principalmente
no cérebro, devido ao seu alto fluxo sanguíneo. Os efeitos depressores aparecem entre
30 segundos e 15 minutos, dependendo do tipo de barbitúrico utilizado.
Os barbitúricos são metabolizados no fígado e excretados na urina.
Envenenamento por Barbitúrico
O envenenamento barbitúrico é um problema clínico significativo, podendo levar à
morte em alguns casos. A dose letal do barbitúrico varia de acordo com muitos fatores,
mas é provável que o envenenamento grave ocorra com a ingestão de uma só vez de
doses dez vezes maiores que a dose hipnótica total. Se o álcool ou outros agentes
depressores forem utilizados junto com o barbitúrico, as concentrações que causam
morte são mais baixas.
Em casos de envenenamento grave o paciente apresenta-se comatoso, com a respiração
lenta ou rápida e curta, a pressão sanguínea baixa, pulso fraco e rápido, pupilas mióticas
reativas à luz e volume urinário diminuído. As complicações que podem ocorrer são:
insuficiência renal e complicações pulmonares (atelectasia (falta de dilatação) , edema e
broncopneumonia).
Tolerância aos barbitúricos
O uso crônico de barbitúricos pode levar ao desenvolvimento da tolerância. Isso ocorre
tanto pelo aumento do metabolismo da droga, como pela adaptação do sistema nervoso
central à droga. O grau de tolerância é limitado, já que há pouca ou nenhuma tolerância
aos efeitos letais destes compostos.
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4.9 Inalantes
Histórico dos Inalantes
Um número grande de produtos comerciais tem em sua formação várias substâncias
voláteis (evaporam-se facilmente), os chamados solventes. Como essas substâncias têm
a capacidade de evaporar facilmente, a sua inalação pode ocorrer voluntária,
principalmente entre adolescentes e crianças, ou involuntariamente, como nos casos de
trabalhadores da indústria de sapatos.
Como os inalantes agem no organismo ?
Os solventes podem ter efeitos estimulatórios, ou de depressão e até causar alucinações.
Devido à essa complexidade de efeitos, considera-se que essas substâncias tenham
efeitos em vários processos fisiológicos cerebrais simultaneamente. Até o momento,
não se conhece a interação dos solventes com nenhum neurotransmissor conhecido. A
intoxicação aguda pode ser descrita em quatro fases; Primeira Fase: excitação, euforia,
exaltação, tonturas, perturbações visuais e auditivas. Além disso, podem ocorrer:
náuseas, espirros, tosse, salivação, fotofobia e rubor na face; Segunda Fase: confusão,
desorientação, obnubilação, perda do autocontrole, visão embaçada, diplopia, cólicas
abdominais, dor de cabeça e palidez; Terceira Fase: redução acentuada do alerta,
incoordenação motora, ataxia, fala pastosa, reflexos deprimidos e nistagmo (tremulação
das pálpebras); Quarta fase: depressão acentuada do alerta, chegando até à
inconsciência, sonhos bizarros e convulsões epileptiformes. A exposição crônica aos
solventes pode causar prejuízo de memória, diminuição da destreza manual, alteração
no tempo de reação aos estímulos, cansaço, dor de cabeça, confusão mental,
incoordenação motora e fraqueza muscular. Essa fraqueza pode ser causada por lesão
em nervos motores que em casos graves pode resultar em paralisia.
Metabolismo e eliminação dos inalantes
A eliminação ocorre em parte através da respiração, mas a maior parte é metabolizada
rapidamente pelo fígado. Os seus metabólitos, como a hexanodiona (substância tóxica
para os nervos periféricos) são eliminados na urina.
4.10 Opiáceos
Introdução e histórico aos opiáceos
Os opióides incluem tanto drogas opiáceas naturais, quanto as drogas sintéticas
relacionadas como a meperidina e a metadona. Os opiáceos são substâncias derivadas
da papoula. A codeína e a morfina são derivadas do ópio. E a partir destas produz-se a
heroína. O uso de opiáceos remonta a séculos atrás. No século XVI, o ópio era
utilizadocomo remédio para os ¨nervos¨, contra a tosse e a diarréia. No fim do século
XIX, a heroína foi utilizada como um remédio para a dependência causada pela
morfina. No entanto, seu uso mostrou-se inadequado. Apesar de ter reconhecidamente
um maior efeito contra a dor e contra a tosse, tem também maior probabilidade de
causar dependência.
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As drogas sintéticas relacionadas aos opiáceos foram criadas para tratar da dor sem
causar dependência. Apesar de sua eficiência como analgésicos, essas drogas também
podem causar dependência.
O que os opiáceos fazem no organismo ?
Logo após a injeção de opióides, o usuário experimenta um ¨rush¨, uma ¨onda de
prazer¨. Isso ocorre devido à rápida estimulação de centros cerebrais superiores, que
pode ser seguido de depressão do sistema nervoso central. A dose necessária para
causar esses efeitos pode também causar agitação, náuseas e vômitos. Com o aumento
da dose, há a sensação de calor no corpo, boca seca, mão e pés pesados, e um estado em
que o ¨mundo é esquecido ¨.
Esses efeitos ocorrem devido à ação de opióides ¨exógenos¨como a morfina e opiódes
¨endógenos¨como as beta-endorfinas em receptores opióides do tipo mu. Ao se ligarem
a esse receptor, essas substâncias causam analgesia; somente com o uso sistemático é
que pode ocorrer a depressão do sistema nervoso central.
Os efeitos fora do sistema nervoso central são muitos: contração da pupila, depressão
respiratória, respiração irregular, obstipação, retenção urinária e diminuição do volume
urinário. Todos esses efeitos ocorrem devido à ação da droga nos centros nervosos do
tronco cerebral, ponte e bulbo, e na musculatura lisa do intestino e do trato
genitourinário. A depressão respiratória pode ser bastante grave, podendo levar à morte.
Como os opiáceos são eliminados do organismo ?
Os opiáceos são absorvidos pelo trato gastrointestinal, mas sofrem o efeito da primeira
passagem ¨(são metabolizados no próprio intestino e no fígado). Devido a seu caráter
básico e a limitada ionização ao pH fisiológico, a droga atinge rapidamente o interior
das células. Como essas substâncias não têm afinidade especial pelo sistema nervoso
central, elas se espalham por todo o organismo, causando diversos efeitos. O
metabolismo final ocorre no fígado, onde a morfina é transformada em mono e
diglucuronídeos e é eliminada pela urina.
Tolerância e dependência aos opiáceos
Com o uso regular há necessidade de maior quantidade de droga para se obter o mesmo
efeito anterior (tolerância). A dependência psicológica ocorre quando a droga ocupa um
papel central na vida do usuário. Nestes casos, a cessação do uso leva os usuários a uma
forte e incontrolável vontade de utilizar a droga.
A dependência física faz com que os usuários tenham sintomas de abstinência quando o
uso é diminuído ou interrompido de maneira abrupta. Estes sintomas podem aparecer
poucas horas após a última administração. Os sintomas mais comuns são: agitação,
diarréia, cólicas abdominais e uma vontade intensa de consumir a droga (¨fissura¨ou
¨craving¨). Estes sintomas são mais intensos entre 48 e 72 horas após o último uso e
cessam após uma semana. Em usuários que não apresentam boa saúde, a abstinência
pode levar à morte.
Opióides e Gravidez
Mulheres grávidas dependentes de opióides podem ter dificuldades durante a gravidez e
o parto. As ocorrências mais comuns são: anemia, doenças cardíacas, diabetes,
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pneumonia e hepatite. Há também uma maior incidência de abortos espontâneos e
nascimentos prematuros.
Os recém-nascidos de mães dependentes de opióides geralmente são menores e
mostram sinais de infecção aguda. Os opióides têm capacidade de ultrapassar a barreira
placentária e a barreira hematoencefálica imatura do feto, causando depressão
respiratória de maneira mais intensa que no adulto. A maioria dos recém-nascidos
apresenta variados graus de abstinência. A mortalidade entre estas crianças é maior que
a normal.
4.11 LSD - 25
O LSD – 25 ou a dietilamida do ácido lisérgico é uma substância sintética, produzida
em laboratório. Ela foi descoberta acidentalmente pelo cientista suíço Hoffman, que
ingeriu uma pequena quantidade da droga. A partir disso, iniciaram-se experiências
terapêuticas como o LSD – 25. Ela foi utilizada para o tratamento de doenças mentais,
mas hoje em dia sabe-se que ela não tem utilidade médica. Ela é talvez a substância
mais ativa que age no cérebro. Pequenas doses já produzem grandes alterações.
O que o LSD – 25 faz no organismo ?
O LSD – 25 é uma droga perturbadora do sistema nervoso, ou seja, ela provoca
alterações no funcionamento do cérebro, causando fenômenos psíquicos como
alucinações, delírios e ilusões. Essa substância contém em sua estrutura o núcleo indol,
que também está presente em um neurotransmissor do cérebro, a serotonina. Por esta
característica, essa droga interfere no mecanismo de ação da serotonina. O LSD – 25 é
um alucinógeno primário porque seus efeitos ocorrem principalmente no cérebro.
Os efeitos dessa droga dependem da sensibilidade da pessoa, do ambiente, da dose e da
expectativa diante do uso da droga. Os efeitos físicos observados são: dilatação da
pupila, sudorese, aumento da freqüência cardíaca, aumento da temperatura. Às vezes
podem ocorrer náuseas e vômitos.
As alterações psíquicas são muito mais importantes. As sensações podem ser agradáveis
como a observação de cores brilhantes e a audição de sons incomuns. Podem ocorrer
também ilusões e alucinações. Em outros casos as alterações são desagradáveis.
Algumas pessoas observam visões terríveis e sensações de deformidades externas do
próprio corpo. Já foi descrito o efeito de ¨flashback¨, isto é, semanas ou meses após o
uso da droga e os sintomas mentais podem voltar, mesmo que a pessoa não tenha mais
consumido a droga.
Como o LSD – 25 é eliminado do organismo ?
A metabolização ocorre no fígado e a eliminação é feita pelas fezes e pela urina.
Tolerância e dependência ao LSD -25
Os alucinógenos indólicos produzem pouco fenômeno de tolerância e não induzem
dependência física.
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4.12 Outras Drogas
Mescalina
A mescalina é um alucinógeno sintetizado a partir de um cactus, peiote, natural do
México. O cacto era usado há séculos em cerimônias religiosas. Ele ganhou maior
importância há alguns anos atrás. Ela tem estrutura semelhante aos neurotransmissores
do cérebro, a dopamina e a noradrenalina. Portanto, ela age nessas substâncias para
produzir os efeitos de alucinações. A mescalina é quase inexistente no Brasil.
Êxtase
A sigla MDMA é a abreviação do nome Metilena-DioxiMeta Anfetamina, conhecida
popularmente com o nome de êxtase. É uma droga sintética que surgiu recentemente e é
quase inexistente no Brasil. Ela é uma droga que além de produzir alucinações provoca
também, um estado de excitação. A droga interfere no sistema nervoso agindo nos
neurotransmissores dopamina e noradrenalina.
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