o homem e o meio ambiente

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NORMALIZAÇÃO E AUDITORIA AMBIENTAL
CURSO DE ADMINISTRAÇÃO
8º ADM.
PROF.: RENATO RIBEIRO DOS SANTOS
DISCIPLINA: NORMALIZAÇÃO E AUDITORIAS AMBIENTAIS.
UNIDADE I: Análise das variáveis ambientais para efeitos de
normalização adequada.
1)
Principais variáveis ambientais
1.1 - Componentes abióticos.
1.1.1 - Poluição do ar.
A poluição atmosférica ameaça o ambiente numa escala global.
Certos tipos de poluição têm conseqüência globais, devido a circulação da
atmosfera e dos oceanos, seus efeitos se estendem muito além de sua fontes
de poluição, ocasionando mudanças no ambiente como: a destruição da
camada de ozônio na atmosfera superior e o aumento do dióxido de carbono
e outros gases de efeito estufa.
Diariamente uma pessoa inala entre 10.000 e 20.000 litros de ar, dependendo
da idade, sexo e tipo de atividade física.
O ar contém milhares de contaminantes e poluentes sob a forma de bactérias,
vírus, fungos gases, fibras e partículas. Aqui interessam – basicamente – os
poluentes químicos e as partículas irritantes.
Efeitos:
 irritação das vias aéreas
 pneumonia
 enfisema pulmonar
 fibrose pulmonar
 doença pulmonar crônica debilitante
 câncer
 malformações congênitas
Os poluentes podem se encontrar restritos em determinadas áreas (doenças
ocupacionais) ou podem estar amplamente dispersos na atmosfera.
1
NORMALIZAÇÃO E AUDITORIA AMBIENTAL
Restritos: sílica
poeira de carvão
asbesto
Fontes:
-
sílica: fundição, trabalhos com jatos de areia, mineração de diamante,
lapidação de pedras preciosas;
-
pó de carvão: mineração de carvão
-
asbesto: mineração, laminação e manufatura do asbesto, instalação e
retirada de isolamento térmico, folhas de amianto, freio e embreagem,
etc.
Amplamente dispersos: Dióxido de enxofre
Dióxido de nitrogênio
Monóxido de carbono
Dióxido de carbono
Ozônio
Chumbo
Partículas diversas
Os poluentes de dispersão restrita podem ser mais facilmente controlados,
muitas vezes bastando a instalação de equipamentos como filtros nas
indústrias ou através da proteção individual dos trabalhadores, com o uso de
máscaras de proteção.
Os poluentes amplamente dispersos, ao contrário, são de difícil controle e,
eventualmente, alcançam – temporariamente – níveis perigosos.
A poluição do ar não se apresenta de maneira uniforme todos os dias do ano
e sim, em certas ocasiões, por um fenômeno atmosférico chamado
INVERSÃO TÉRMICA. Os poluentes que normalmente são arrastados para
cima com as correntes de ar quente, passam a ter sua subida bloqueada,
ficando presos à superfície do solo. Quanto mais longa a duração do
fenômeno (pode se prolongar por vários dias), maiores os riscos e
transtornos trazidos à população. Quando ao fenômeno atinge níveis muito
críticos, centenas ou mesmo milhares de pessoas podem adoecer e morrer.
Ex.: Vale do Mosa , Bélgica (1930)  60 mortes
2
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Posa Rica, México (1950)  22 mortes
Londres, Inglaterra (1952)  4.000 mortes em uma semana
Londres (1956)  1.000 mortes
Cubatão, São Paulo  centenas de intoxicações por vários anos
São Paulo (capital)  centenas ou mesmo milhares de pessoas lotam
prontos-socorros e hospitais nos meses de inverno em decorrência de
problemas respiratórios
Destruição da Camada de Ozônio.
A destruição do Ozônio atmosférico expõe o homem a níveis
potencialmente perigosos de radiação ultravioleta (UV).
Um grande número de substâncias químicas utilizadas pelos seres humanos
são capazes de destruir a camada de ozônio, através da formação de radicais
livres que convertem o ozônio em oxigênio.
Os principais agressores da camada de ozônio são:
 Clorofluorcarbonos (CFCs), gás freon – usados em aerossóis,
refrigerativos;
Apesar de banidos dos EUA, a produção mundial dessas substâncias
continua a aumentar.
 Dióxido de Nitrogênio – produzido por vários processos industriais e
atividade microbiana e, principalmente, liberado por veículos
motorizados
 Halogêneos – presentes em extintores de incêndio
 Óxido nitroso – atividades industriais
 Metano – agropecuária, indústria, mineração, represas de usinas
hidrelétricas, aterros sanitários, etc.
A destruição da camada de ozônio começou a preocupar o mundo na década
atual, quando foi descoberta uma área sobre a Antártica com perdas de até
50% de ozônio. Tal “buraco” na camada de ozônio vem aumentando e,
atualmente, é de dimensões continentais.
Recentemente, foi descoberta uma depleção similar sobre o Pólo Norte.
Sobre o Ozônio atmosférico
3
NORMALIZAÇÃO E AUDITORIA AMBIENTAL
A camada de ozônio fica a cerca de 35.000 metros de altitude, sendo
criticamente importante para nossa sobrevivência no planeta, porque evita
que a luz UV do sol – particularmente a UVB e a UVC – penetre em nosso
ambiente.

O ozônio atmosférico ocorre em duas faixas de altitude:
O “ozônio mau” é componente do smog urbano na troposfera, próximo à
superfície da Terra, onde a sua alta reatividade e poder oxidante podem
danificar os tecidos vegetais e animais; causa de muitas doenças e morte nas
grandes metrópoles;
O “ozônio bom” ocorre na estratosfera, numa altitude de 25 km, onde sua
capacidade de absorver a radiação ultravioleta protege os organismos na
superfície da terra.

Numa escala global, vários poluentes aerossóis, especialmente os
clorofluorcarbonos, reduziram as concentrações
do ozônio (O3) na
atmosfera superior ou estratosfera, proporcionando mais radiação
ultravioleta danosa atingindo a superfície da Terra;
Conseqüências:
Decréscimo no ozônio estratosférico de 50% ou mais com a formação dos
buracos de ozônio, observados nas altas altitudes em ambos os hemisférios,
devido os átomos de cloro quebrarem as moléculas de ozônio;
Aumento da incidência de câncer na pele, causando danos as moléculas de
DNA, devido o seu poder de absorver a energia de radiação ultravioleta.

O ozônio é tóxico para a vida animal e vegetal, mesmo em pequenas
concentrações, devido o seu poder de oxidar quimicamente moléculas
orgânicas e obstruir seu funcionamento adequado.

O aumento do ozônio troposférico (O3) é produzido pela oxidação
do oxigênio molecular (O2) na presença do óxido nitroso ( NO3 - produto da
combustão da gasolina) e a luz solar;
O dióxido de carbono e o efeito estufa
O acúmulo de CO2 e outros gases (CFCs, metano, NO2, etc.) na atmosfera
capta a radiação infravermelha e permite a livre penetração da energia
calorífica da radiação solar, o que aumenta o calor na superfície da Terra.
Estima-se que o nível de CO2 na atmosfera (o principal responsável pelo
“efeito estufa”) irá duplicar entre os anos de 2030 e 2080, caso a situação
4
NORMALIZAÇÃO E AUDITORIA AMBIENTAL
atual perdure. A temperatura global já subiu 1ºF (0,55ºC) durante o último
século e está previsto um aumento da ordem de 4 a 9ºF para os próximos 50
a 100 anos (2,2 a 5ºC)
Os fatores que contribuem para este aumento da temperatura incluem a
perda da vegetação e de florestas (estas grandes consumidoras de CO 2), as
indústrias, os veículos automotores à combustão, etc.
Conseqüências:
As temperaturas mais quentes causadas pelo efeito estufa terão efeitos
diversos na produtividade;
 Potencialmente adversas para os ecossistemas naturais e agricultura;
 Níveis do mar se elevarão devido o derretimento das calotas polares de
gelo e expansão das águas oceânicas aquecidas;
 Inundação de comunidades costeiras pela elevação do nível do mar.
EFEITOS DIRETOS:
 Aumento da mortalidade relacionada ao calor (desidratação, etc.).
 Elevar o potencial de epidemias por microorganismos (enchentes,
transmissão por vetores)
 Aumento de incidência de carcinomas de pele.
 Aumento de incidência de melanomas (entre a população branca).
Nos EUA, o aumento de casos de melanomas de pele chegam a 100%.
A Austrália e Nova Zelândia registram aumentos ainda maiores.
OBS.: A Environmental Protection Agency calcula que, para cada 1% de
destruição na camada de ozônio, aumenta cerca de 0,3 a 2% na incidência
de melanoma entre os brancos dos EUA.
 Aumento da predisposição para cataratas.
 Suspeita-se que prejudique a imunidade celular cutânea e a imunidade
sistêmica.
EFEITOS INDIRETOS:
 Evaporação da água de superfície  transformando grandes massas de
terra em desertos
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 Derretimentos das calotas polares  elevando o nível do mar,
ameaçando cidades costeiras, contaminando suprimentos de água potável
com água salgada, destruindo ecossistemas costeiros.
 Sem a proteção do ozônio, a radiação UVB penetra vários metros abaixo
da superfície do mar; o fitoplâncton que prolifera nesta camada é
extremamente sensível à radiação UVB. Considerando que estas formas
de vida representam o início da cadeia alimentar para todos os animais
aquáticos, dos quais uma fração considerável de pessoas depende para se
alimentar e que a escassez de alimentos é uma possibilidade real no
próximo século, tal fato se torna ainda mais preocupante.
1.1.2 - Poluição da água e do solo.
Dado a prazo exíguo para ministrar a matéria, e, dado a influência do
sistema hídrico no sistema pedológico ambiental e vice-versa, cabe uma
análise conjunta destas duas variáveis.
As toxinas no meio ambiente.
As toxinas são venenos que matam animais e plantas, interferindo em suas
funções fisiológicas normais.
Muitas toxinas ocorrem naturalmente, mas as atividades humanas vêm
aumentando seu acúmulo no ambiente.
As substâncias tóxicas podem ser divididas em diversas classes:
Ácidos,

As fontes antrópicas de ácidos são principalmente de dois tipos:
Das áreas de mineração de carvão na produção de ácidos sulfúrico
nos cursos de água que drenam as áreas de mineração, ocorrendo a
drenagem ácida de mina, onde a água se torna tão ácida que esteriliza o
ambiente aquático.
1.
A chuva ácida proveniente da queima de combustíveis fósseis como o
carvão e óleo que liberam além do dióxido de carbono e vapor de água,
óxidos nitrosos e dióxido de enxofre na atmosfera que dissolvidos nas gotas
de chuva são convertidos em ácidos – ocasionando a precipitação ácida.
2.
Conseqüências:

Em áreas altamente industrializadas o pH da chuva pode cair para
valores entre 3 e 4, o que é de 100 a 1000 vezes a acidez da chuva normal.
6
NORMALIZAÇÃO E AUDITORIA AMBIENTAL

O pH dos rios e lagos pode chegar abaixo de 4, ou seja, ácido
bastante para interromper o crescimento de, ou mesmo matar peixes e
outros organismos.

Pode diminuir o pH do solo, que aumenta a taxa de lixiviamento dos
nutrientes do solo e precipita os compostos fosforosos, tornando-os
indispensáveis para sua assimilação pelas raízes das plantas.
Metais pesados no meio ambiente.
O mercúrio, o arsênio, o chumbo, o cobre, o níquel, o zinco e outros metais
pesados mesmo em baixas concentrações são tóxicos para a maioria das
formas de vida.
São introduzidos no ambiente principalmente:

como refugo da mineração e da fundição de minerais;

como produtos de rejeito de processos manufaturados;

Como fungicidas ( arseniato de chumbo);

Queima de combustíveis com chumbo;

Pela fundição de cobre e níquel liberados na natureza acabam se
acumulando nos solos e afetam os musgos, os liquens, fungos, a abundância
de minhocas cai e a maioria das espécies de plantas vasculares não toleram
concentrações acima de 0,5%

As concentrações de metais pesados acima de 1.000 ppm podem se
estender a 10 a 20 km dos sítios de fundição de metais e impedir a
recolonização pelas plantas e a recuperação da vegetação natural;
Pesticidas no meio ambiente.
Os pesticidas têm sido utilizados desde tempos remotos. Existem relatos em
papiros escritos por volta de 1550 a. C., listando preparações para repelir
pulgas das habitações. Com o advento da II Guerra Mundial, foi inaugurada
uma nova era na produção dos pesticidas, com a descoberta de pesticidas
orgânicos sintéticos.
Tais descobertas trouxeram benefícios importantes para a humanidade,
representados por uma maior disponibilidade de alimentos e pelo controle de
doenças transmitidas por vetores (dengue, febre amarela urbana, Doença de
Chagas, etc).
Infelizmente, após anos de uso sistemático dessas substâncias, constatou-se
que os mesmos também podem provocar efeitos indesejáveis e, inclusive,
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NORMALIZAÇÃO E AUDITORIA AMBIENTAL
permanecer por períodos prolongados no ecossistema, armazenados em
organismos animais e vegetais, bem como no solo e nas águas,
principalmente se usados de forma inadequada. Isso sem considerar a
resistência crescente desenvolvida por pragas e insetos a estes produtos.
Os principais grupos de pesticidas em uso na atualidade são os
ORGANOCLORADOS (proibidos em muitos países do mundo; no Brasil,
tem uso restrito, limitado ao controle de formigas e em campanhas de saúde
pública para combate de alguns vetores de doenças), os
ORGANOFOSFORADOS, os CARBAMATOS (que também sofrem
restrições em alguns países) e os PIRETRÓIDES.
ORGANOCLORADOS: Aldrin, Endrin, BHC, DDT, Endossulfan,
Heptacloro, Lindane, Mirex, Toxafeno.
Os organoclorados são os principais pesticidas de permanência prolongada
nos ecossistemas. São derivados do petróleo, sendo pouco solúveis em água
e lipossolúveis. Essas características fazem com que sejam bem absorvidos
pela pele, trato digestivo e respiratório das espécies animais, assim como se
acumulam também em organismos vegetais. Desse modo, acumula-se na
cadeia alimentar, atingindo o homem. Nos seres humanos, é excretado pela
urina e eliminado pelo leite materno, atingindo os lactentes.
ORGANOFOSFORADOS: Bromophos, Diazinon, Malathion, Triclorfon,
Temefos, etc.
Possuem menor efeito residual do que os organoclorados, não permanecendo
estocados no ecossistema; no entanto apresentam toxicidade aguda maior do
que os primeiros.
CARBAMATOS: Carbaryl, Aldicarb, Dioxacarb, etc.
Situam-se no mesmo patamar de toxicidade e permanência ambiental que os
organofosforados.
PIRETRINAS E DERIVADOS SINTÉTICOS:
as piretrinas são
conhecidas por seus efeitos inseticidas de épocas anteriores à de Cristo. Os
princípios ativos – ésteres dos ácidos crisantêmicos – foram extraídos das
flores de algumas espécies de crisântemos. Atualmente, são sintetizados
ésteres semelhantes que recebem a denominação de piretróides:
deltametrina, cismetrina, permetrina, etc.
Apesar de bastante tóxicos para os insetos e peixes, sua toxicidade para o
homem e outros mamíferos é bem menor.
8
NORMALIZAÇÃO E AUDITORIA AMBIENTAL
O mecanismo de ação dos pesticidas pouco varia. À exceção dos
organoclorados que agem provocando um esgotamento do sistema
enzimático celular, os demais agem diretamente sobre o sistema nervoso. Os
organofosforados e os carbamatos são inibidores da colinesterase – enzima
que regula a transmissão de impulsos nervosos. Sem a intervenção da
enzima, os estímulos nervosos não são interrompidos, havendo um estímulo
exagerado que leva à morte por parada respiratória.
EFEITOS ADVERSOS A MÉDIO E LONGO PRAZO:
 Neurotoxicidade (central e periférica);
 Reações alérgicas;
 Carcinogênese;
 Aumento da susceptibilidade a infecções;
 Mutagênese;
Um estudo realizado por uma enfermeira – Mara Calliari – em Passo Fundo,
Rio Grande do Sul, no início da década de 80, em decorrência da
quantidade enorme de crianças nascidas com malformações no hospital
local, revelou que as mães dessas crianças estiveram expostas a agrotóxicos
por quase todo o período da gestação, ou até que o peso da barriga e o malestar da proximidade do parto as impedissem de trabalhar na lavoura.
Como o agrotóxico era aplicado através de pulverização por avião, essas
mulheres literalmente tomavam banho de pesticida inúmeras vezes durante
a gestação. Foram 600 casos de malformações congênitas num período de
estudo de sete anos. Do total das mulheres estudadas, 66% tiveram sintomas
compatíveis com intoxicação por agrotóxico durante o período de gestação.
Eram, em sua maioria mulheres jovens (70% tinham entre 20 e 29 anos de
idade e 22,5%, entre 30 e 35 anos), de onde se descartava que o problema
pudesse ser devido à gestação em idade avançada.
Estudos amostrais em hortifrutigranjeiros também têm revelado
contaminação por agrotóxicos, algumas vezes por não se respeitar os prazos
mínimos entre a última aplicação do produto e a colheita; outras vezes o
tóxico estava presente, mas dentro dos limites de concentração permitidos
pela legislação (o que, diga-se de passagem, não é garantia de inocuidade do
produto). O mais grave, no entanto, é a ocorrência de contaminação de
alimentos por pesticidas de uso proibido para aquele tipo de cultura, como
detectado num estudo realizado com hortaliças da CEAGESP entre os anos
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NORMALIZAÇÃO E AUDITORIA AMBIENTAL
de 1994 e 1998, onde de um total de 1.439 amostras, 14% estava
contaminado por resíduos de defensivos não autorizados.
Um estudo realizado em 22 propriedades de plantação de tomates em
Pernambuco em 1996, revelou que 28% das amostras coletadas estavam
contaminadas por endossulfan (um organoclorado que a legislação brasileira
só permite seu uso em plantações de cacau, cana de açúcar e café). Vários
trabalhadores entrevistados revelaram problemas de saúde, com sintomas de
doenças de pele (36,4%), náusea e transtornos do sono (32,5% e
abortamentos (70,4%).
Os resultados desses estudos mostram que o problema dos pesticidas
apresenta interface com a saúde ocupacional, da comunidade e a saúde
pública, uma vez que os produtos contaminados são consumidos por
populações distantes da fonte produtora e com o meio ambiente, uma vez
que afetam (particularmente os organoclorados) outras formas de vida e os
componentes do ecossistema.
Um problema sério – e que em segunda instância favorece essas ocorrências
– é a relativa facilidade com que tais produtos são adquiridos no mercado –
apesar da extensa legislação, normatização/normalização e regulamentação –
que vai desde a fabricação, transporte, comercialização, manuseio até o
descarte das embalagens desses produtos.
O que se verifica, na realidade, é tanto o acesso facilitado a tais venenos e
um assustador despreparo/desconhecimento por parte de quem manipula
esses produtos, como o uso inadequado e criminoso dos mesmos em
atividades para as quais seu uso é proibido por lei e a total omissão do Poder
Público em orientar, dar assistência técnica, atender à população e fiscalizar
a comercialização e o mau uso e, se for o caso, punir os infratores, para
inibir a prática corrente de uso indevido de pesticidas.
Outros tipos de poluição ambiental tóxica causada por compostos orgânicos:

Derramamento de óleo – petróleo cru: em fonte de produção ou
exploração submarina, quebra de navios tanques com perda de 3 a 6 milhões
de toneladas de óleo anualmente.
Conseqüências:
 Causam a morte de organismos devido o rompimento das membranas
biológicas;
 Com o tempo manchas de óleo se dispersam por evaporação das frações
mais leves;
10
NORMALIZAÇÃO E AUDITORIA AMBIENTAL
 Sistemas sensíveis como recifes de corais podem levar décadas para se
recuperarem completamente;
1.2-
Componentes bióticos
1.2.1 - Humanos, flora e fauna
As Atividades Humanas ameaçam os processos ecológicos locais:

Todas as atividades humanas têm conseqüências para o ambiente:
Pesca é um exemplo.

A meta é coletar um recurso alimentar para consumo humano.
Quando aumentamos os retornos de curto prazo de um pesqueiro
(pesca excessiva e predatória), os estoques de peixes preferidos são
reduzidos ou mesmo colapsam, e nossa atenção se volta para outros menos
desejáveis, mas ainda explorados.

É possível que esses estoques de peixes tenham sido empurrados
abaixo dos níveis dos quais poderiam se recuperar, e que o ecossistema
inteiro possa se deslocar de tal forma que não inclui tal peixe como
conexão importante na cadeia alimentar.

a) Sobre-exploração:
A pesca, a caça, a pastagem, a coleta de madeira para combustível, a retirada
de madeira e afins são as interações clássicas consumidor-recurso.
Na maioria dos sistemas naturais, estas interações atingem estados
estacionários, pois à medida que um produto se torna escasso, a eficiência de
exploração cai:
As populações consumidoras então começam a declinar, ou buscam
recursos alternativos, até que os consumidores e seus recursos preferenciais
sejam trazidos de volta ao equilíbrio.
A eficiência da exploração e a capacidade dos recursos em resistir à
exploração são características de consumidores e recursos que evoluíram
durante longos períodos de interação.
 Nos sistemas econômicos, as interações consumidor –recurso podem
também entrar em equilíbrio, porque, à medida que um recurso se torna
escasso e o preço aumenta, a demanda para aquele recurso cai; as pessoas
ou fazem sem, ou encontram alternativas mais baratas.
11
NORMALIZAÇÃO E AUDITORIA AMBIENTAL
 A capacidade da população humana em explorar sistemas naturais tem
atingido níveis desproporcionais por sua habilidade em usar ferramentas.
Desta forma, os recursos renováveis podem se tornar escassos, muito
próximos do esgotamento, e se tornarem incapazes de sustentar até mesmo
uma exploração reduzida.

As habilidades tecnológicas avançaram muito rapidamente para a
Natureza manter o passo.
 Onde a fertilidade da terra foi exaurida, a população humana pode perder
a base de recursos que necessita para se auto- sustentar.
 Quando a população não pode mais se mover para outras áreas, ou trocar
para novas fontes de alimentos, a perspectiva do controle populacional pela
fome e doenças associadas e conflito social pode se tornar uma realidade. As
carências alimentares já estão em algumas partes do mundo.
 Populações humanas se mantêm pela prática da agricultura itinerante, que
se caracteriza pela exploração (corte raso e queima) de pequenas partes da
floresta, para liberar nutrientes no solo e cultivadas por 2 ou 3 anos e então
abandonadas em favor de uma nova área.
 Normalmente, uma área específica se recupera suficientemente para
repetir esse processo em 50 a 100 anos.
 Quando a área é manejada, este tipo de agricultura demanda pouco
consumo de trabalho, materiais ou energia e tira vantagem dos processos
sucessionais naturais das florestas tropicais, porém, sustenta somente
populações esparsas.
 Quando a terra é cultivada mais intensamente pela preparação,
fertilização, irrigação e retirada das ervas, a produtividade e a
sustentabilidade de longo prazo podem aumentar grandemente, porém, da
mesma forma aumenta o consumo de trabalhos, materiais, assim,
possivelmente também o custo dos produtos da agricultura, principalmente
se for resultado de pequena produção.
 A terra tem sido desmatada para cultivar alimentos de venda direta para
exportação para outras áreas do mundo como: café, banana, açúcar, carne e
outros. Entretanto, este tipo de agricultura é sustentável em alguns solos,
enquanto que para a maioria significa um declínio na produtividade natural
do ambiente e impossibilita usos sustentáveis alternativos da terra.
Algumas formas para reduzir estes problemas:
12
NORMALIZAÇÃO E AUDITORIA AMBIENTAL
Limitar a exploração de recursos às produtividades máximas
sustentáveis;


Considerar usos sustentáveis alternativos da terra;

Aumentar a intensidade da agricultura em terras capazes de sustentá-
la.
Aprimorar a distribuição de alimentos entre áreas de produção e as
áreas de consumo.

A maioria destas soluções tem um preço:

Planejamento para o uso sustentado reduz os retornos de curto prazo;
Estas perdas devem ser feitas em toda parte para manter a saúde de
um país;

Aumentar a intensidade da agricultura demanda um uso
desproporcionalmente maior de energia, trabalho e fertilizantes químicos;

Basear-se em plantações geneticamente modificadas para uma alta
produção alimentar freqüentemente torna a agricultura mais vulnerável à
eclosão de pragas e doenças.

Sustentar populações maiores também tem seus custos:
Segmentos da população humana que são forçados pela terra
empobrecida a importar alimentos também devem ganhar dinheiro para
comprá-los, ou se transformariam numa carga para outros segmentos da
população;

Enquanto o crescimento da população humana local não estiver
associado à capacidade dos recursos locais em sustentá-lo, os desequilíbrios
entre os consumidores humanos e os seus recursos continuarão a piorar.

b) Introdução de espécies exóticas:
 De maneira intencional ou não, os humanos têm levado outras espécies
para toda parte que viajam, portanto, essas transposições globais de
espécies aumentaram com a colonização européia há mais de 500 anos.
 Nos Estados Unidos foram introduzidas 50.000 espécies exóticas,
incluindo: plantas comestíveis, plantas para horticulturas (e muitas vezes as
suas pragas), árvores de valor comercial, animais domésticos para trabalho e
alimento, aves, mamíferos para esporte de caça, organismos patogênicos e
freqüentadores de habitações humanas e transportes, como numerosas
baratas, etc.
13
NORMALIZAÇÃO E AUDITORIA AMBIENTAL
 Em alguns casos essas espécies têm expulsado ou eliminado biotas
locais, ou ameaçados por causa da competição, predação, parasitismo e
herbivoria de espécies não nativas.
 Embora as exóticas possam expulsar as plantas e os animais nativos,
eles não necessariamente rompem as funções ecossistêmicas, porque podem
assumir papéis ecossistêmicos das espécies nativas.
 Nos sistemas aquáticos, em particular, os consumidores introduzidos
nos altos níveis da cadeia alimentar têm alterado seriamente as funções
ecossistêmicas e causado mudanças básicas nas estruturas comunitárias.
 Quando são introduzidos predadores eficientes, podem eliminar os
níveis tróficos inteiros de peixes
planctívoros menores, e
conseqüentemente, a quantidade de zooplâncton aumenta dramaticamente e
as algas são eliminadas da água, reduzindo a produtividade total do
ambiente.
 Um único predador, denominado predador –chave por causa de sua
posição crítica na função ecossistêmica, pode mudar o caráter de um habitat
para um estado qualitativamente diferente.
c)
A conversão de habitat.
 Alterar a natureza básica de um habitat muitas vezes perturba os
processos naturais de regeneração e controle.
 Ao se desmatar uma floresta tropical sobre solo empobrecido rompe-se o
ciclo de nutrientes vinculados que mantêm a produtividade da floresta,
ocasionando:
Alteração da estrutura física do solo, expondo-o um a lixiviamento
intensificado e à luz do sol;

A produtividade da terra diminui abruptamente, e a erosão do solo
pode aumentar cerca de 10 vezes ou mais;

A camadas superiores ricas em nutrientes do perfil do solo, na taxa
atual, são perdidas devido seu o esgotamento, forçando seu abandono ou
levando a uma dependência de fertilizantes químicos. Estima-se uma perda
de 1% desta camada do solo por erosão a cada ano.

 Outro ambiente convertido é a floresta de manguezal que proporciona
uma proteção natural para as costas. Motivos de sua exploração predatória:

São derrubadas para combustíveis

Criações de camarão
14
NORMALIZAÇÃO E AUDITORIA AMBIENTAL

Assentamentos humanos

Áreas costeiras foram deixadas desprotegidas sofrendo inundações.
d)
Represamento de rios:
traz benefícios como: controle da inundação, água para a irrigação,
geração de energia;

Traz danos como: aumenta o transporte de silte, bloqueia migração de
peixes, altera condições da água a jusante e pode mudar o micro-clima
local;

e)
A irrigação.
Vários esquemas de irrigação são utilizados para aumentar a produtividade
da terra desde os primórdios da agricultura;
Ela tem sido empregada em grande escala à terras que de outra forma
seriam totalmente inadequadas para a agricultura;

Há muitos benefícios com esta prática, como também, traz dentre eles
alguns problemas:
Efeitos ambientais na construção de represas, poços, canais e obras
de contenção necessárias para sustentar a irrigação;


Lençóis freáticos rebaixados onde os poços são a fonte;
Redução da qualidade da água do subsolo através da introdução de
pesticida e fertilizantes ou concentração de
elementos
tóxicos
naturalmente previstos


Acumulação de sal em solos irrigados em zonas áridas;
f)
Fertilização e eutroficação (ou eutrofização)
 Fertilizantes são substâncias que intensificam ou aumentam a
produtividade de um sítio;
 O seu uso traz conseqüências como:
* Partes destes produtos tomam caminhos para o subsolo e de lá para: os
rios, lagos e oceanos;
* Os nitratos, fosfatos e outros fertilizantes inorgânicos têm o mesmo efeito
nos rios e lagos que têm em terras cultivadas: eles aumentam a produção
biológica.
15
NORMALIZAÇÃO E AUDITORIA AMBIENTAL
 A eutroficação caracteriza-se pela sobre-produção dessa fertilização
artificial, que pode causar uma mudança na composição de espécies de um
rio ou lago e outras conseqüências como:
Esses fertilizantes inorgânicos podem transformar águas oligotróficas
e claras em ambientes turvos que são menos atrativos para a recreação.

A entrada desses nutrientes perturbam os ciclos sazonais de uso e
regeneração dos nutrientes em corpos naturais de água, levando à
acumulação de material orgânico, altas taxas de decomposição bacteriana e
desoxigenação ou poluição da água – levando a mortandade de peixes.

A entrada direta de resíduos orgânicos, como esgoto e o escoamento
diário de alimentos, impõem um problema maior para a qualidade de água.

Materiais orgânicos suspensos ou dissolvidos na água criam o que é
conhecido como demanda biológica de oxigênio, significando que a
decomposição desses materiais por bactérias consome o oxigênio presente
na água.

Algumas formas para reduzir estes problemas:

Cortar as fontes externas de nutrientes orgânicos:

Desviando
absorvê-los.
as entradas para corpos de água maiores que possam

Tratamento aprimorado do esgoto, que pode restaurar as condições
naturais.
Os custos destas soluções têm sido mais do que pagos em longo prazo
pelos benefícios de uma melhor qualidade da água para pesqueiros, saúde
pública e a recreação.

A ecologia humana é o último desafio.
 As soluções para a crise ambiental exigirão novas atitudes que provam a
sustentabilidade e a auto-restrição.
 A população humana está consumindo os recursos mais rápido do que
são regenerados pela biosfera;
 Libera tantos rejeitos que a qualidade do ambiente está se deteriorando
numa taxa alarmante;
Solução:
 Exigir pôr um fim ao crescimento populacional;
16
NORMALIZAÇÃO E AUDITORIA AMBIENTAL
 Desenvolver fontes de energias sustentáveis;
 Proporcionar a regeneração de nutrientes e outros materiais;
 Restaurar habitats deteriorados;
1.3 -
Componentes Socioambientais
1.3.1 – Variáveis relacionadas a determinantes sociais.
O homem, no modelo econômico vigente, tem criado distorções e
desigualdades gritantes na distribuição das riquezas e, conseqüentemente, da
oportunidade de acesso aos bens produzidos e aos serviços de saúde,
educação e outros.
Entre os bens desigualmente distribuídos, pode ser citada a infra-estrutura
urbana, com suas características de saneamento básico, coleta de lixo,
serviços de assistência médica e outros, fundamentais para a manutenção da
qualidade da saúde e, conseqüentemente, da qualidade de vida.
O indivíduo com saúde deficiente é desprovido de iniciativa e de energia
para produzir, quer seja na vida escolar, quer seja na profissional: assim, sua
produção é baixa. Com uma produção deficiente, seus rendimentos pessoais
(e geralmente também o familiar) são baixos, determinando a este indivíduo
e seus familiares uma alimentação deficitária, habitação precária e educação
insuficiente, ou mesmo ausente. Seu meio ambiente, na imensa maioria das
vezes é mal saneado, insalubre. Todos esses fatores associados culminam
com uma saúde deficiente, completando o ciclo.
Uma sociedade composta por indivíduos com estas características (impostas,
via de regra, pela própria estrutura social), dispende grande parte de seus
recursos destinados à saúde com serviços médicos curativos, em detrimento
de investimentos na promoção da saúde e na medicina preventiva.
Como os investimentos na medicina curativa não se traduzem em melhoria
da saúde da população, mas tão somente, na recuperação de indivíduos já
doentes (uma vez que não é capaz de impedir que as doenças acometam os
indivíduos), esse modelo de serviço médico cai no descrédito da população e
é desmoralizado.
Com a população cada vez mais e mais doente, ele também não é capaz de
atender à demanda crescente, agravando mais ainda o descontentamento por
parte da população.
17
NORMALIZAÇÃO E AUDITORIA AMBIENTAL
Ambientes Humanos.
1) Ambientes Naturais ou Primitivos.
Aqueles que não sofreram qualquer interferência humana.

Ambiente Pré-Agrícola:
Calcula-se que 90% do tempo do homem na Terra foi ocupado com
atividades denominadas de pré-agrícolas, (caça, pesca, coleta de vegetais;
frutas, raízes, etc.).
Era regido por leis naturais, da seleção natural.
Estima-se que o homem aprendeu a controlar o fogo há 700 mil anos atrás.
A partir daí, supõem-se, que tenham se iniciado as transformações
intencionais no ambiente, através da prática das queimadas. Estas teriam
representado as primeiras grandes pressões ambientais exercidas pelo
homem.
Atualmente, praticamente não se pode mais considerar que ainda existam
ecossistemas completamente primitivos, porque mesmo que ainda não
tenham sofrido diretamente a ação do homem, sua atuação sobre outros
ecossistemas influenciam e modificam indiretamente os primeiros.
Ex1.: Podemos citar a própria bromélia como exemplo. Mesmo que o
homem não interfira com o pequenino ecossistema existente na bromélia, se
ele interferir com a floresta onde se encontra essa bromélia, vai acabar
interferindo nela, indiretamente  se for cortada a árvore onde a bromélia
está agarrada, ela será morta e todas as espécies que a habitavam e dela
dependiam para viver também serão mortas.
Ex2.: A poluição atmosférica, levando ao aquecimento do planeta, está
provocando o aumento do degelo nas calotas polares, como conseqüência
temos a subida do nível dos oceanos, o que tem provocado a invasão do mar
em inúmeras cidades litorâneas do mundo, a maior parte delas muito
distantes das fontes poluidoras.
Ex3.: A contaminação e poluição das águas (rios, praias, etc.) permitindo que
esses contaminantes e/ou poluentes sejam carreados para os oceanos e que
parte deles fique armazenada em organismos marinhos (peixes, algas,
crustáceos, etc.), atingindo regiões distantes  poluindo ou contaminando
essas regiões (ex.: Cólera).
Ex4: Mulheres Inuit (Groenlândia e no Ártico canadense) apresentam uma
concentração de PCB no seu leite muitas vezes maior do que as mulheres
18
NORMALIZAÇÃO E AUDITORIA AMBIENTAL
que vivem em países industrializados (no entanto, nunca se utilizou PCBs
nessas regiões).
2) Ambientes Artificiais, Modificados ou Antrópicos.
Seriam aqueles ecossistemas que sofreram, em graus variáveis, a atuação do
homem.
Características dos ecossistemas antrópicos:
1ª) As suas funções são controladas por fatores sociais, econômicos e
políticos, mais do que por fatores naturais;
2ª) Sua estabilidade depende da entrada contínua de recursos de vários
tipos, trazidos pelo homem (ex.: energia, fertilizantes, etc.), diferentemente
do que ocorre no ecossistema natural, onde os recursos que entram ou saem
são trazidos e levados por agentes físicos (vento, água, . . . ) e biológicos
(migração de animais);
3ª)
As mudanças no equilíbrio do ecossistema natural são determinadas
por mecanismos genéticos das populações (mutações) e por alterações
climáticas, geralmente demandando longos períodos de tempo. As mudanças
no equilíbrio do ecossistema antrópico, ao contrário, são freqüentemente
radicais e ocorrem em períodos muito curtos de tempo (enquanto as
mudanças no equilíbrio de ecossistemas naturais podem levar milhões de
anos para ocorrerem, as mudanças nos ecossistemas antrópicos podem
ocorrer em uns poucos anos de atividade humana).
 Ambiente Rural-Agrícola (Ambiente Produtor ou Exportador)
A atividade agropecuária foi e tem sido responsável por intensas e extensas
mudanças no ecossistema. Ela iniciou com a domesticação, evoluiu para o
sistema de produção e, finalmente, para o de monocultura, onde se utiliza
extensas áreas de terra para a produção de um único produto.
Na América do Sul, o sistema de produção é muito antigo: a domesticação
surgiu há cerca de 14 mil anos atrás e existem evidências de cultivo de milho
no México e na Amazônia desde tempos pré-históricos e de 7.000 anos atrás.
A agricultura representou o maior e mais duradouro impacto da história da
humanidade sobre o planeta. Determinou profundas transformações no
ambiente, com quebra do equilíbrio e limitação da biodiversidade.
Conseqüentemente, os ciclos de sustentação da vida tornaram-se muito
vulneráveis, dependendo de meios inteiramente artificiais para serem
mantidos (fertilizantes, pesticidas, irrigação artificial, maquinarias, etc.).
19
NORMALIZAÇÃO E AUDITORIA AMBIENTAL
O nomadismo foi substituído pelo sedentarismo (fixação das comunidades
junto a áreas cultivadas). Essas populações foram crescendo (houve uma
redução na mortalidade e um aumento da natalidade), incrementando a
necessidade de cada vez mais terras para produção de mais alimentos.
Foram, então, crescendo de freqüência e extensão os desflorestamentos, as
irrigações, as transformações topográficas, etc. Como efeitos secundários
(“seqüelas”) vieram o desgaste pelo uso intensivo, o empobrecimento do
solo, as erosões decorrentes da falta de cobertura vegetal e,
conseqüentemente, a necessidade de intensificação da utilização de meios
artificiais para manutenção da produtividade do solo, encarecimento do
processo de produção, empobrecimento das populações, doenças e
desertificação  morte dos ecossistemas.
Esse processo de transformação da paisagem não é coisa recente. Estima-se
que a cobertura vegetal da região do Mediterrâneo foi destruída há cerca de
2.500 anos. A civilização Maia, ainda na era pré-colombiana parece ter
desaparecido pelas excessivas alterações provocada no meio em que vivia.
Atualmente, desde a década de 60, a Amazônia vem sofrendo extenso
processo de desflorestamento, tanto para extração de madeira de lei e
garimpo, como também para finalidades agropecuárias.
 Ambiente Urbano-Industrial.
A cidade representa o ecossistema onde a artificialidade atinge seu grau mais
elevado a ponto de, praticamente, desvincular o homem de seu
relacionamento com a natureza.
Os problemas decorrentes do ambiente antrópico urbano tendem a ser muito
mais concentrados se comparados com os do ambiente antrópico rural.
A atividade humana é predominantemente industrial e prestadora de
serviços.
A quase totalidade, senão a totalidade, da energia necessária deve ser
provida pelo ambiente rural (produtor); por isso, também recebe o nome de
AMBIENTE CONSUMIDOR ou IMPORTADOR.
Antes da revolução industrial (Sec. XVII), as cidades representavam a sede
do poder social (governantes e religiosos), além de reunir, também, parte da
população representada por artesãos e artistas. A partir da revolução
industrial é que teve início à concentração urbana. Movimento crescente,
cujos níveis máximos estão previstos para o início deste milênio.
20
NORMALIZAÇÃO E AUDITORIA AMBIENTAL
Atualmente, nos países industrializados, aproximadamente 75% da
população vive em áreas urbanas. Nos países em desenvolvimento, observase a mesma tendência, ou seja, as áreas urbanas têm apresentado crescimento
demográfico rápido e intenso, enquanto o meio rural vem, progressivamente,
sofrendo esvaziamento.
A energia entra neste ambiente de forma maciça. É representada
principalmente pelos combustíveis e pela eletricidade (a energia recebida é
destinada ao consumo dos habitantes, não apenas sob a forma de alimentos
como também na transformação de materiais, transporte, construções, etc.).
Em decorrência, produzem-se resíduos (calor e dejetos - descargas
industriais, esgoto, lixo, sucata, etc). A maior parte dos resíduos é lançada
fora do ambiente de forma bastante concentrada, em número relativamente
reduzido de locais e não muito distante (áreas de periferia), mas uma
significativa parte destes resíduos gerados, acaba sendo carreada por
elementos da natureza, com chuvas e ventos, podendo atingir regiões muito
distantes das fontes geradoras.
O uso da energia artificialmente produzida gera calor, que é liberado na
atmosfera. Dependendo do número dessas fontes e, conseqüentemente, da
intensidade da produção de calor, a temperatura do ar urbano pode se elevar
em relação a das áreas circundantes. Acrescido a isso, a retenção de calor
pelo asfalto, pelas paredes de edificações e a verdadeira “barreira” à
circulação do ar, e conseqüente dispersão do calor representada pelos
prédios “colados” uns aos outros, agravam o aquecimento das áreas urbanas.
Em resumo, do ponto de vista ecológico, o desenvolvimento do ecossistema
urbano-industrial resulta em manipulação intensa e profunda do meio
ambiente. Isso implica em modificações da paisagem, das comunidades,
com suas conseqüências fisiológicas e dos fatores de ordem cultural,
econômica e política, todos influenciando, isolada ou coletivamente, na
qualidade de vida e saúde da população humana ali residente.
 Ambientes de Periferia dos Centros Urbanos.
Embora não exista, oficialmente, esta classe de ambiente antrópico, o
ambiente de periferia possui tanto características que o diferencia quanto
características que o aproxima dos ambientes rural-agrícola e urbanoindustrial: a elevada densidade populacional, própria dos grandes centros
freqüentemente é observada nas periferias destes centros; por outro lado, a
falta de infra-estrutura urbana de pavimentação, iluminação, saneamento
21
NORMALIZAÇÃO E AUDITORIA AMBIENTAL
básico, saúde e educação, o torna semelhante ao ambiente rural, que
geralmente carece destes serviços.
A combinação destes dois fatores transformam o ambiente de periferia numa
verdadeira bomba-relógio, prestes a explodir sob o mais leve estímulo:
grandes epidemias têm início neste ambiente, deflagradas por contaminação
da água de beber por esgoto doméstico, episódios dramáticos de violência
provocados pelo excesso de tensão social, acidentes com substâncias tóxicas
inadequadamente despejadas nestes locais e inadvertidamente manipuladas
por crianças e adultos, etc.
Este ambiente se forma, em geral, por que as condições de trabalho e
remuneração no ambiente rural-agrícola se tornam insustentáveis, levando as
populações rurais a migrarem em direção aos grandes centros, em busca de
melhores condições de vida.
Nos grandes centros, no entanto, já há um excesso do contingente de
trabalhadores sem que haja oferta de emprego correspondente; esses
trabalhadores rurais, sem qualquer tipo de qualificação para atividades
industriais, comerciais ou de prestação de serviço, não conseguem se inserir
no mercado de trabalho e, conseqüentemente, ficam à margem da sociedade
local, acabando por se fixarem nos arredores da cidade, em habitações
improvisadas, em condições insalubres, exercendo pequenas atividades da
economia dita “informal” ou, algumas vezes, entrando para a ilegalidade;
raras vezes retornam ao local de origem.
 Ambiente Degradado.
Seria representado por aquele ecossistema antrópico sobre o qual a
interferência e o conseqüente impacto exercido sobre ele, decorrente das
atividades humanas, ultrapassaram sua capacidade de absorção/depuração,
ou seja, houve uma saturação do ambiente por fatores poluentes e
contaminantes e/ou uma utilização excessiva dos recursos disponíveis, e/ou,
ainda, modificações irreversíveis das características naturais daquele
ambiente, tornando-o prejudicial ou, até mesmo, inviável à sobrevivência da
maior parte dos seres vivos (desertificação).
A degradação ambiental, até certo ponto, pode ser reversível (ainda que às
custas de um elevado preço, muito trabalho e um longo tempo); a partir de
um determinado grau de degradação, o processo torna-se irreversível.
Interação Homem-Meio Ambiente: as Agressões Ambientais e os
Mecanismos de Defesa do Homem.
22
NORMALIZAÇÃO E AUDITORIA AMBIENTAL
A interação estabelecida entre as variadas espécies existentes num dado
ecossistema, implica em uma série de pressões/agressões sobre estas
espécies, inclusive sobre o homem.
Conforme o ser humano modifica o ambiente com suas atividades
produtivas, seu estilo de vida e lança no ambiente os refugos inerentes a
ambos, ele cria fatores de pressão sobre as demais espécies vivas e sobre si
mesmo. Na busca de solucionar ou contornar os problemas decorrentes
destas pressões, ele faz uso de diferentes tipos de mecanismos de defesa,
alguns voluntários, outros não:
1o) Mais alterações no ambiente, tentando readequar o ambiente às suas
necessidades de sobrevivência.
Ex.: construção de edificações com isolamento térmico; com temperatura
controlada; tratamento da água de abastecimento; utilização de
equipamentos tipo “sterilair”.
2o) Adaptações relacionadas a mudanças de hábitos e costumes.
Ex.: colocação de filtros em cigarros; cigarros com “baixos teores”;
criação e proliferação de academias de ginástica para contrabalançar a vida
sedentária que a própria tecnologia ajudou a instituir; alimentação “diet” ou
“light”
3o) Seleção Natural – as mutações ocorrem ao acaso e, aquelas favoráveis à
sobrevivência da espécie, se perpetuam, sendo passadas às próximas
gerações.
A seleção natural tem sido o critério principal pelo qual as espécies evoluem
e também pelo qual muitas desaparecem.
O homem, cada vez mais, interfere também nesta seara, na medida em que,
através de mecanismos como o do melhoramento genético, utilizado com a
justificativa de maior produtividade dos rebanhos e plantações, da busca de
características fenotípicas desejáveis esteticamente em diferentes raças de
animais domésticos, ou de maior rusticidade e resistência a doenças tanto
animais quanto vegetais, e, atualmente, através da engenharia genética, em
que ele, ao invés de se ater a cruzar raças já existentes, passa a “criar”, tal
como um deus, espécies, variedades de espécies, alimentos transgênicos,
clones, etc.
Com relação à espécie humana, em que pese que, ainda, não se faz uso
da engenharia genética para o controle da reprodução humana, ou tal
procedimento vai tentar ser utilizado para criarmos novos seres capazes de
23
NORMALIZAÇÃO E AUDITORIA AMBIENTAL
sobreviver num planeta tão inóspito como o que estamos transformando a
Terra, ou as pressões exercidas pelo homem sobre o planeta pode acabar
inviabilizando sua permanência na Terra num futuro não muito distante.
É possível que, através de algum processo de seleção natural, sobrevivam
exemplares humanos capazes de resistir e continuarem povoando um
ambiente tão degradado ou, por outro lado, é possível que, também através
da seleção natural, surjam exemplares humanos tão evoluídos que sejam
capazes de fazer reverter esse processo de destruição ambiental.
“A chave para a sobrevivência da população humana é
desenvolver interações sustentáveis com a biosfera. Isto
exigirá um controle do crescimento populacional humano ou
uma crescente dependência de fontes renováveis e a total
reciclagem dos resíduos materiais.
Manter uma biosfera sustentável requer que conservemos os
processos ecológicos responsáveis por sua produtividade”
Bibliografia consultada:
SAUERBRONN, Maria Lucia. Saúde Ambiental e Qualidade de Vida
Gestão Ambiental Urbana.
GLIESSMAN, S. R. Agroecologia: processos ecológicos na agricultura
sustentável. Editora da UFRGS. 1999.
24
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