Parte 2 - Vertentes diferenciadas do comportamento judaico

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Parte 2 - Vertentes diferenciadas do comportamento judaico
brasileiro
2º capítulo - O diálogo inter-religioso: uma via de mão dupla
Dabru Emet
Leon Mayer
SciELO Books / SciELO Livros / SciELO Libros
MAYER, L. Dabru Emet. In: LEWIN, H., coord. Agradecimento. In: Identidade e cidadania: como se
expressa o judaísmo brasileiro [online]. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2009,
pp. 626-627. ISBN: 978-85-7982-018-2. Available from SciELO Books <http://books.scielo.org>.
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Dabru Emet
Leon Mayer1
P
or seu significado no Dialogo Cristão Judaico, achei por bem, para uma
melhor compreensão desta declaração que significa “Fale a verdade”,
declaração judaica sobre os cristãos e a cristandade, fazer um resumo de três
trabalhos feitos por David Rosen, Rabino de Jerusalém, Diretor do American
Jewish Committee para o Conselho Internacional para Cristãos e Judeus,
Irving Greenberg, Rabino, Presidente da Jewish Life Network (JLN) e
Victoria Barnett, da Christian Century (www.christiancentury.org).
A declaração foi preparada sob os auspícios do Baltimore Institute
for Christian and Jewish Studies, que garantiu a sua americanocentricidade.
Ela foi anunciada no New York Times e no Baltimore Sun, e, tendo em vista
que o New York Times é a verdadeira Bíblia americana dos nossos dias, – a
declaração foi largamente difundida e reconhecida.
No entanto, essa é apenas uma explicação parcial para o entusiasmo
que a declaração provocou nos círculos cristãos, e não apenas nos Estados
Unidos. Alguns de nós ficamos muito surpresos com a forte reação positiva.
Embora eu próprio fosse um signatário da Dabru Emet (um dos poucos não
americanos), não considerei o texto tão extraordinariamente importante. Na
verdade, na minha opinião, as perspectivas judaicas na declaração do ICCJ
Theology Committee, intitulada “judeus e cristãos em busca de uma base
religiosa comum para contribuir para um mundo melhor”, por exemplo, vão
além de Dabru Emet. No entanto, essas picuinhas institucionais, ou questões
sobre por que outras declarações não são tão bem conhecidas, não têm
importância. O que é significativo é que Dabru Emet foi reconhecida, até em
discursos públicos e artigos, por pessoas da estatura dos Cardeais Kaspar e
Keeler, do erudito protestante Walter Bruegemann e do Arcebispo de
Canterbury, George Carey, não apenas como um documento histórico, mas
como o arauto de uma nova era nas relações judaico-cristãs.
1
B’nai B’rith do Rio de Janeiro.
626
Com a publicação de “Dabru Emet”, pela primeira vez em mais de
1.900 anos, importantes líderes do judaísmo e do cristianismo encontram-se
face a face, vendo-se uns aos outros como servidores do mesmo Deus, até
mesmo como membros de um povo que fez com Ele uma aliança, quaisquer
que sejam as diferenças não resolvidas entre as duas comunidades de fé. A
transformação religiosa, que deu origem a “uma declaração judaica sobre os
cristãos e o cristianismo”, é mentalmente perturbadora; suas raízes remontam
a mais de dois milênios.
No entanto, o próprio processo do diálogo, com sua inerente
comunicação de mão dupla, inevitavelmente levou a uma nova apreciação
judaica dos pontos positivos do cristianismo. O testemunho pessoal, por
exemplo. Atormentado pelo Holocausto, entrei no diálogo judaico-cristão
para exigir que os cristãos parassem de espalhar o ódio contra os judeus, sob
o pretexto de um Evangelho de Amor. Cheguei para repreender, mas sob o
impacto de encontrar cristãos arrependi- dos, e ouvir seu testemunho
religioso, fiquei para elogiar o cristianismo, por sua autopurificação exemplar
e pela vitalidade de sua vida religiosa.
Agora temos “Uma declaração judaica sobre os cristãos e a
cristandade”, a mais positiva apreciação do cristianismo jamais feita por um
grupo judaico. Ela afirma, inequivocamente, que os cristãos adoram o Deus de
Israel e se baseiam legitimamente na Bíblia judaica – apesar de nossas
contradições. A declaração confirma a ética cristã e elogia a possibilidade de
uma parceria judaico-cristã, em prol da paz e da justiça. Ela avalia a culpa dos
cristãos pelo Holocausto, mas separa corretamente o cristianismo do nazismo.
João Paulo II tinha expressado essa vontade de cooperar no diálogo
desde do dia 16 de novembro de 1980, durante sua viagem a Osnabruck;
que confirmou-se em Lyon, Sydney, Varsóvia, Los Angeles e Estrasburgo.
Foi em Estrasburgo, no dia 9 de novembro de 1988, que ele pronunciou,
diante dos delegados da comunidade judaica, um discurso rico em substância
preciosa: “Queremos cooperar com vocês, com o maior respeito pela
identidade judaica e sem o menor traço de proselitismo”. Numa notável visão
ele acrescentou: “Na aurora de um novo milênio, a Igreja, anunciando o
Evangelho de Jesus Cristo para a Europa, descobre cada vez mais a alegria os
valores comuns, cristãos e judaicos, através dos quais nos reconhecemos uns
aos outros como irmãos”. Na Sinagoga de Roma, em 1986, já tinha declarado.
“Vocês são nossos irmãos e, de alguma forma, nossos irmãos mais velhos”.
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