O Estágio Curricular como campo de problematização filosófica

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VI COLÓQUIO INTERNACIONAL DE FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO: FILOSOFAR, APRENDER E ENSINAR
O Estágio Curricular como campo de
problematização filosófica
LUCRÉCIO ARAÚJO DE SÁ JÚNIOR
RESUMO
O título deste trabalho envolve algumas questões: que saber é esse que chamamos de Filosofia?
Que tipo de filosofia deve ser ensinada na escola de educação básica? Que estratégias
metodológicas se adequam ao ensino filosófico? Que saberes e critérios deve assumir o profissional
que se responsabilize pelo ensino e pela aprendizagem da filosofia na escola? Essas perguntas se
fazem como norteadoras da prática de ensino de filosofia nas escolas brasileiras, e se colocam
também como desafios para os profissionais que lidam diretamente com a formação de professores
nos Cursos de Licenciatura. Dessa forma, a proposta desse trabalho objetiva refletir sobre a
formação inicial de professores de filosofia, questionando as estratégias de
intervenção/experimentação do ensino de Filosofia a partir das práticas de ensino no âmbito das
atividades planejadas nos Estágios Supervisionados de Formação de Professores, nas escolas.
Diante da realidade brasileira o estágio supervisionado não deve ser tomado apenas como campo
para instrumentação de aulas, pois dessa maneira estaremos formando um tipo de profissional
adestrado especificamente para assumir tarefas, como historicamente se institui o papel do
professor nas escolas. Nas atividades do estágio é preciso desencadear uma perspectiva de
formação que recupere o processo de instituição da filosofia como disciplina crítica nas escolas,
relacionando a teoria com as formas de agir. Nesse sentido, os processos de constituição do
profissional 'professor de filosofia' devem ser desencadeados a fim de que os estagiários possam
desenvolver uma atitude crítica em relação ao protagonismo do filósofo-educador; na formação
inicial, os estagiários devem desenvolver sua percepção sobre a profissionalização da docência, e
dispor de ferramentas conceituais que permitam olhar para a educação como problema filosófico,
observando o papel formativo da filosofia na atualidade, e da mesma maneira observando os
problemas enfrentados pelas instituições de ensino, bem como as práticas pedagógicas dentro das
salas de aula. Neste sentido, pretendo neste trabalho argumentar a favor do Estágio Curricular
desenvolvido através de ações criadas de maneira original, a fim de que cada estagiário possa
sustentar uma linha de argumentação em favor do ensino de filosofia. Hoje no Brasil, há suficiente
consenso na comunidade educacional sobre as responsabilidades de formação crítica. Nesse
contexto, a experiência com o estágio deve ser tomado por cada discente como uma requerimento,
um convite para pensar na atualidade as possibilidades do 'filosofar' com os jovens nas escolas
brasileiras. Nesse ínterim, a introdução do Estágio Curricular de Filosofia nas escolas em todo o
Brasil deve ser visto como uma oportunidade para que seja retomada a noção de formação
educacional, a noção de (re)construção de conhecimento, desenvolvimento de saberes, da partilha
do diálogo, com todas as implicações que isso tem em relação ao combate da concepção atomizada
da prática conteúdista, do trabalho escolar formativo, deformativo e semifornativo. Sem a pretensão
de oferecer receitas, defendo a ideia de que o estágio deva ser concebido como um projeto de
ações criadas a partir da perspectiva compreensiva do que seja a filosofia para cada discente, e
para isso é necessário que cada estagiário inserido no processo formativo inicial possa centrar
esforços a fim de pensar os valores universais da formação humana. Penso que o papel dos
professores formadores nas Licenciaturas, principalmente aqueles que orientam as atividades dos
Universidade do Estado do Rio de Janeiro [UERJ], 15 a 17 de agosto de 2012
VI COLÓQUIO INTERNACIONAL DE FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO: FILOSOFAR, APRENDER E ENSINAR
estágios nas escolas, deve buscar contribuir de alguma maneira para que essa nova geração de
professores possa assegurar a permanência da filosofia nas escolas, a fim de que possamos manter
o movimento contínuo do filosofar, para criarmos novos conceitos e estimularmos novos estudos e
vivências no ensino de Filosofia em todos os seus níveis.
PALAVRAS-CHAVE: Ensino de Filosofia; Estágio Curricular; Formação de Professores
Universidade do Estado do Rio de Janeiro [UERJ], 15 a 17 de agosto de 2012
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