Aulas 9 e 10 A atividade racional: origem, sentidos da palavra razão

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Aulas 9 e 10
A atividade racional: origem, sentidos da palavra razão.
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. Ática, 1995.
LOGOS. Enciclopédia Luso Brasileira de Filosofia.
ARANHA, Maria Lúcia Arruda. et. al. Filosofando: uma introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 1987.
Esquema de quadro:
1) Razão: os vários sentidos da palavra.
2) Origem da palavra razão.
3) Os princípios racionais.
1) Razão: os vários sentidos da palavra.
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a)
b)
c)
d)
e)
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A filosofia se realiza como conhecimento racional da realidade natural e cultural, das coisas e dos seres
humanos.
Parece que a filosofia confia na razão, mas ao mesmo tempo desconfia dela.
O que é a razão:
Ela possui vários sentidos: certeza, lucidez, motivo, causa.
Por identificar razão e certeza, a filosofia afirma que a verdade é racional;
Por identificar razão e lucidez, a filosofia chama nossa razão de luz e luz natural (pois a palavra lucidez vem
de luz);
Por identificar razão e motivo, por considerar que sempre agimos e falamos movidos por motivos, a filosofia
afirma que somos seres racionais e que nossa vontade é racional;
Por identificar razão e causa e por julgar que a realidade opera de acordo com relações causais, a filosofia
afirma que a realidade é racional.
Pascal: “o coração tem razoes que a razão desconhece”. Nessa frase, as palavras razoes e razao não têm o
mesmo significado, indicando coisas diversas. Razões são os motivos do coração, enquanto razão é algo
diferente de coração; este é o nome que damos para paixões e emoções, enquanto razão é o nome que
damos à consciência intelectual e moral.
A frase de Pascal pode ser traduzida assim: nossa vida emocional possui causas e motivos (razões do
coração), que são as paixões ou os sentimentos, e é diferente de nossa atividade consciente, de nossa razão,
seja como atividade intelectual, seja como atividade moral.
A consciência é a razão.
Se alguém perde a razão é porque está sendo arrastado pelas razões do coração. Se alguém recupera a razão
é porque o conhecimento intelectual e a consciência moral se tornaram mais fortes do que as paixões.
A razão, como consciência moral, é a vontade racional livre que não se deixa dominar pelos impulsos
passionais, mas realiza as ações morais como atos corretos, ditados pela inteligência ou intelecto.
Nós consideramos a razão como consciência moral que observa as paixões, orienta a vontade e oferece
finalidades éticas para a ação. Nós a vemos como atividade intelectual de conhecimento da realidade
natural, social, psicológica, histórica. Nós a concebemos segundo o ideal de clareza, da ordenação e do rigor
e precisão dos pensamentos e das palavras. Razão designa, portanto, as leis do pensamento e as leis da ação
refletida.
Para muitos filósofos a razão não é apenas a capacidade moral e intelectual dos seres humanos, mas
também uma propriedade ou qualidade primordial das próprias coisas, existindo na própria realidade.
Para esses filósofos, nossa razão pode conhecer a realidade (natureza, sociedade, história) porque esta é
racional em si mesma. Razão designa agora, a ordenação necessária das coisas.
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Fala-se, portanto, em razão objetiva (a realidade é racional em si mesma) e em razão subjetiva (a razão é
uma capacidade intelectual e moral dos seres humanos).
A razão objetiva é a afirmação de que o objeto do conhecimento ou a realidade é racional.
A razão subjetiva é a afirmação de que o sujeito do conhecimento e da ação é racional.
Para muitos filósofos, a filosofia é o momento do encontro, do acordo e da harmonia entre as duas razões ou
racionalidades.
2) Origem da palavra razão:
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1)
2)
3)
4)
Na cultura da chamada sociedade ocidental, a palavra razão origina-se de duas fontes: a palavra latina ratio e
a palavra grega logos.
Logos vem do verbo legein, que quer dizer contar, reunir, juntar, calcular.
Ratio vem do verbo reor, que quer dizer contar, reunir, medir, juntar, separar, calcular.
Logos, ratio ou razão significam pensar e falar ordenadamente, com medida e proporção, com clareza e de
modo compreensível para outros.
Em sua origem, razão é a capacidade intelectual para pensar e exprimir-se corretamente e claramente, para
pensar e dizer as coisas tais como são.
A razão é a maneira de organizar a realidade (medir, reunir, juntar, separar, contar, calcular) pela qual esta se
torna compreensível.
A razão é, também, a confiança de que podemos ordenar e organizar as coisas porque são organizáveis,
ordenáveis, compreensíveis nelas mesmas e por elas mesmas, isto é, as próprias coisas são racionais ou
estão ordenadas e organizadas, estão articuladas e conectadas, são semelhantes ou diferentes, possuem
identidade, etc., podendo por isso serem reunidas ou separadas, medidas e calculadas.
Desde o começo da filosofia, a origem da palavra razão fez com que ela fosse considerada oposta a quatro
outras atitudes mentais:
Ao conhecimento ilusório, isto é, ao conhecimento da mera aparência das coisas que não alcança a realidade
ou a verdade delas; para razão, a ilusão provém de nossos costumes, de nossos preconceitos, da aceitação
imediata das coisas tais como aparecem e tais como parecem ser. As ilusões criam as opiniões que variam de
pessoa para pessoa e de sociedade para sociedade. A razão se opõe à mera opinião.
Às emoções, aos sentimentos, às paixões, que são cegas, caóticas, desordenadas, contrárias umas às outras,
ora dizendo “sim” a alguma coisa, ora dizendo “não” a essa coisa, como se não soubéssemos o que
queremos e o que as coisas são. A razão é vista como atividade ou ação (intelectual e da vontade) oposta à
paixão.
À crença religiosa, pois, nesta a verdade nos é dada pela fé numa revelação divina, não dependendo do
trabalho de conhecimento realizado pela nossa inteligência o pelo nosso intelecto. A razão é oposta à
revelação e por isso os filósofos cristãos distinguem a luz natural – a razão – da luz sobrenatural – a
revelação.
Ao êxtase místico (dos santos, dos profetas), no qual o espírito acredita entrar em relação direta com o ser
divino e participar dele, sem nenhuma intervenção do intelecto ou da inteligência, nem da vontade. Pelo
contrário, o êxtase místico exige um estado de abandono, de rompimento com a atividade intelectual e com
a vontade, um rompimento com o estado consciente, a perda da consciência da própria individualidade para
entregar-se ao gozo ou ao prazer de participar do ser infinito, num conhecimento que só pode ser sentido e
não pode ser expresso em pensamentos e palavras.
3) Os princípios racionais
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O conhecimento racional obedece certas regras ou leis fundamentais que respeitamos até mesmo quando
não conhecemos diretamente quais são e o que são. Nós as respeitamos porque somos seres racionais e
porque são princípios que garantem que a realidade é racional.
Estes princípios são:
a) Princípio da identidade: é a condição do pensamento e sem ele não podemos pensar. Ele afirma que uma
coisa, seja ela qual for (um ser da natureza, uma figura geométrica, um ser humano, uma obra de arte, uma
ação), só pode ser conhecida e pensada se for percebida e conservada com sua identidade. O princípio de
identidade é a condição para que definamos as coisas e possamos conhecê-las a partir de suas definições.
€Ex: a nossa carteira de identidade.
b) Princípio da não-contradição: também conhecido como princípio da contradição. Sem o princípio da nãocontradição, o princípio da identidade não poderia funcionar. O princípio da não-contradição afirma que uma
coisa ou uma idéia da qual algo é afirmado e negado ao mesmo tempo e na mesma relação são coisas ou
idéias que se negam a si mesmas e que por isso se autodestroem, desaparecem, deixam de existir.
c) Princípio do terceiro excluído: este princípio define a decisão de um dilema – “ou isto ou aquilo”- no qual as
duas alternativas são possíveis e cuja solução exige que apenas uma delas seja verdadeira. Mesmo quando
temos, por exemplo, um teste de múltipla escolha, escolhemos na verdade apenas entre duas opções – ou
está certo ou está errado”- e não há terceira possibilidade ou terceira alternativa, pois, entre várias escolhas
possíveis, só há realmente duas, a certa e a errada.
d) Princípio de razão suficiente: afirma que tudo o que existe e tudo o que acontece tem uma razão (causa ou
motivo) para existir ou para acontecer, e que tal razão (causa ou motivo) pode ser conhecida pela nossa
razão. O princípio de razão suficiente costuma ser chamado de princípio de causalidade para indicar que a
razão afirma que para tudo que existe ou acontece há uma causa (nada é sem causa, costuma-se dizer para
referir-se ao princípio de razão suficiente). Ou seja, esse princípio afirma a existência de relações ou
conexões internas entre as coisas, entre fatos, ou entre ações e acontecimentos. Isto não quer dizer que a
razão não admita o acaso ou ações e fatos acidentais, mas sim que ela procura, mesmo para o acaso e para o
acidente, uma causa.
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Os princípios da razão apresentam algumas características importantes:
a) Não possuem um conteúdo determinado: pois são formas: indicam como as coisas devem ser pensadas,
mas não nos dizem quais coisas são nem quais os conteúdos que devemos ou vamos pensar;
b) Possuem validade universal: isto é, onde houver razão (nos seres humanos e nas coisas, nos fatos e nos
acontecimentos), em todo tempo e em todo lugar, tais princípios são verdadeiros e empregados por todos
(os humanos) e obedecidos por todos (coisas, fatos, acontecimentos);
c) São necessários: isto é, indispensáveis para o pensamento e para a vontade, indispensáveis para as coisas, os
fatos e os acontecimentos. Indicam que algo é assim e não pode ser de outra maneira. Necessário significa
que é impossível que não seja dessa maneira e que possa ser de outra.
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