língua portuguesa

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CONCURSO VESTIBULAR PARA CURSOS DE GRADUAÇÃO A DISTÂNCIA 2011
LÍNGUA PORTUGUESA
Leia, com atenção, o fragmento de texto abaixo (Texto I).
Informação demais confunde memória, comprova estudo
Teste monitorado com ressonância magnética mostrou como se dá o processo de "competição" entre lembranças
JULIANA VINES
DE SÃO PAULO
O excesso de informações confunde o cérebro e dificulta a memorização, comprovaram pesquisadores das universidades
Stanford e Yale, nos EUA. "Descobrimos que a concorrência entre lembranças resulta em memória pior", disse à Folha o
psicólogo Brice Kuhl, pesquisador de Yale e principal autor do trabalho.
Diariamente e o tempo todo, o cérebro é exposto a toneladas de informações. Umas são mais lembradas do que outras.
"Embora saibamos que a competição entre memórias é uma parte fundamental da memorização, há poucas provas de como o
processo acontece no cérebro", escrevem os autores, no artigo publicado ontem na revista "Proceedings of the National
Academy of Sciences".
O estudo monitorou com ressonância magnética a atividade cerebral de voluntários, durante teste composto de várias rodadas.
No teste de memória, imagens e informações eram misturadas em placas, e as pessoas deviam se lembrar do conteúdo
separadamente. Os pesquisadores descobriram que, quando a lembrança era clara, era como se a pessoa revivesse o momento
em que a memória foi armazenada, com a ativação das mesmas áreas cerebrais. Mas, quando as informações foram misturadas,
o cérebro também se confundiu e tentou reproduzir duas memórias. A pessoa teve dificuldade de se lembrar com clareza do
conteúdo. "É como se a memória estivesse borrada. Pode-se dizer que quando tentamos guardar duas coisas, não guardamos
nenhuma delas direito", afirma Cláudio da Cunha, pesquisador de neurociência e farmacologia da Universidade Federal do Paraná.
MEMÓRIA FOTOGRÁFICA
Para a bióloga e neurocientista Valéria Catelli Costa, pesquisadora da USP, o maior achado do trabalho foi mostrar como as
memórias são codificadas no cérebro, formando "desenhos". A facilidade ou dificuldade de se lembrar de um acontecimento
depende de como essa codificação foi feita. "Quanto mais você associa dados a um fato, mais fácil fica de você se lembrar, e
melhor é a codificação."
Segundo os autores, a codificação é influenciada por memórias antigas e analogias com eventos diferentes. "Pode ser uma
influência negativa ou positiva. A memória de um número de telefone velho torna mais difícil aprender um novo número",
exemplifica Kuhl. “Mas, também, um especialista em vinhos só é especialista porque se lembra de conhecimentos anteriores”.
"Selecionamos memórias úteis. Guardamos o que é requisitado em tarefas", diz o neurologista Benito Damasceno, da
Unicamp. Para ele, o processo de competição é positivo, porque nos torna capazes de separar o que é importante. "Com a
seleção conseguimos consolidar um aprendizado e reviver um acontecimento".
O problema é que nem sempre essa seleção é consciente. Para o pesquisador americano, não existem memórias mais fortes do
que outras. Então, não adianta muito se esforçar para lembrar a data do aniversário de casamento, por exemplo. "Queremos
pensar que as memórias emocionais ou afetivas são mais fortes, mas nem sempre isso é verdade."
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd2203201102.htm
01. A leitura do texto I nos permite afirmar que:
a)
b)
c)
d)
e)
o processo de armazenamento de informações foi totalmente desvendado por cientistas e pesquisadores americanos.
os estudos dos pesquisadores americanos demonstraram de que modo a memória armazena as informações mais importantes.
quando há informações concorrendo para serem armazenadas, o cérebro sempre escolhe a mais simples.
a captação de muitas informações pode prejudicar sua retenção na memória.
as memórias mais antigas são sempre substituídas por memórias mais recentes.
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CONCURSO VESTIBULAR PARA CURSOS DE GRADUAÇÃO A DISTÂNCIA 2011
Leia novamente:
“Os pesquisadores descobriram que, quando a lembrança era clara, era como se a pessoa revivesse o momento
em que a memória foi armazenada, com a ativação das mesmas áreas cerebrais”.
02. A expressão acima destacada (“mesmas áreas cerebrais”) indica que:
a)
b)
c)
d)
e)
o que você viveu e a lembrança desse momento são experiências opostas.
tudo o que você viveu é armazenado na mesma área cerebral.
as áreas cerebrais ligadas à experiência e à memória clara dessa experiência são as mesmas.
a informação só será armazenada no cérebro se a memória for clara.
o cérebro não distingue entre a experiência e a memória da experiência.
Leia novamente:
"Quanto mais você associa dados a um fato, mais fácil fica de você se lembrar, e melhor é a codificação."
03. A relação sintático-semântica expressa entre as orações destacadas acima é de:
a)
b)
c)
d)
e)
finalidade.
concessividade.
proporcionalidade.
temporalidade.
explicação.
04. No fragmento “A facilidade ou dificuldade de se lembrar de um acontecimento depende de como essa codificação foi
feita”, os termos em destaque podem ser substituídos, sem perda substancial de sentido, por:
a)
b)
c)
d)
e)
esse condicionamento.
essa conversão.
esse detalhamento.
essa declaração.
essa decomposição.
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LITERATURAS
Leia o poema abaixo para responder às questões 05 e 06.
TEXTO II
MORRO DA BABILÔNIA
À noite, do morro
descem vozes que criam o terror
(terror urbano, cinquenta por cento de cinema,
e o resto que veio de Luanda ou se perdeu na língua geral).
Quando houve revolução, os soldados se espalharam no morro,
O quartel pegou fogo, eles não voltaram.
Alguns, chumbados, morreram.
O morro ficou mais encantado.
Mas as vozes do morro
Não são propriamente lúgubres.
Há mesmo um cavaquinho bem afinado
Que domina os ruídos da pedra e da folhagem
E desce até nós, modesto e recreativo,
Como uma gentileza do morro.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Reunião. Rio de Janeiro: Editora Livraria José Olympio, 1974, p 49.
05. Na primeira estrofe do poema "Morro da Babilônia", o poeta diz que descem do morro "vozes que criam o terror".
Baseado na leitura do poema, pode-se afirmar que esse terror é criado:
a) pelos moradores do morro que, revoltados com a injustiça social, praticam atos de violência contra classes mais
favorecidas economicamente.
b) pelos embates entre os habitantes do morro e os soldados, que buscam diminuir a criminalidade nas regiões de baixa renda.
c) pela falta de comprometimento dos líderes políticos com as camadas mais necessitadas da sociedade brasileira.
d) pelas constantes revoluções implantadas pelos habitantes do morro, reivindicando reconhecimento e igualdade social.
e) pelo exagero das imagens criadas sobre o morro em função do desconhecimento das classes mais favorecidas em
relação à realidade da vida no morro.
06. No texto de Drummond, pode-se ler uma transformação na relação com os moradores do morro. A opção que melhor
apresenta essa transformação é:
a)
b)
c)
d)
e)
da superioridade para a igualdade.
do conhecimento para o estranhamento.
do medo para a empatia.
da aceitação para o descontentamento.
da revolução para a amizade.
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Leia o fragmento abaixo, extraído do romance Cidade de Deus, de Paulo Lins, para responder às questões 07 e 08.
TEXTO III
Os novos moradores levaram lixo, latas, cães vira-latas, exus e pombagiras em guias intocáveis, dias para se ir
à luta, soco antigo para ser descontado, restos de raiva de tiros, noites para velar cadáveres, resquícios de
enchentes, biroscas, feiras de quartas-feiras e as de domingos, vermes velhos em barrigas infantis, revólveres,
orixás enroscados em pescoços, frango de despacho, samba de enredo e sincopado, jogo do bicho, fome,
traição, mortes, jesus cristos em cordões arrebentados, forró quente para ser dançado, lamparina de azeite para
iluminar o santo, fogareiros, pobreza para querer enriquecer, olhos para nunca ver, nunca dizer, nunca olhos e
peito para encarar a vida, despistar a morte, rejuvenescer a raiva, ensanguentar destinos, fazer a guerra e para
ser tatuado. Foram atiradeiras, revistas Sétimo Céu, panos de chão ultrapassados, ventres abertos, dentes
cariados, catacumbas incrustadas nos cérebros, cemitérios clandestinos, peixeiros, padeiros, missa de sétimo
dia, pau para matar a cobra e ser mostrado, a percepção do fato antes do ato, gonorréias mal curadas, as pernas
para esperar ônibus, as mãos para o trabalho pesado, lápis para as escolas públicas, coragem para virar a
esquina e a sorte para o jogo de azar. Levaram também as pipas, lombo para polícia bater, moedas para jogar
porrinha e força para tentar viver. Transportaram também o amor para dignificar a morte e fazer calar as horas
mudas.
Por dias, durante uma semana, chegavam de trinta a cinquenta mudanças, do pessoal que trazia no
rosto e nos móveis as marcas das enchentes. Estiveram alojados no estádio de futebol Mario Filho e vinham em
caminhões estaduais cantando:
Cidade Maravilhosa
cheia de encantos mil...
LINS, Paulo. Cidade de Deus. São Paulo: Cia das Letras, 2002, pp. 16-17.
07. A escolha do escritor pelo trecho da música “Cidade Maravilhosa”, cantada pelos novos moradores do que se tornaria a
favela Cidade de Deus, pode ser lida como:
a) constatação, pois diante do infortúnio de ter perdido quase tudo em enchentes, ganham um novo lugar para morar, ou
seja, a vida é “cheia de encantos”.
b) ironia, pois os elementos que compõem a Cidade de Deus apresentados no primeiro parágrafo não condizem com os
“encantos mil” da Cidade Maravilhosa.
c) otimismo, pois quer destacar que, apesar dos infortúnios enfrentados pelos moradores, eles ainda preservam o espírito
alegre e festivo do carnaval.
d) comparação, uma vez que o autor relaciona os “encantos mil” da canção com a variedade de coisas que os moradores
“levaram” para o novo lar.
e) motivação, pois a Cidade de Deus não é composta somente de misérias e violência; há também os “encantos mil” de
seus novos moradores.
08. Mais do que descrever o que seria a Cidade de Deus, o autor nos apresenta a favela, gerando uma sensação de
proximidade e concretude da mesma. Pode-se dizer que isso ocorre, principalmente, pelo fato de o autor:
a)
b)
c)
d)
e)
utilizar mais os verbos no infinitivo do que no modo indicativo.
enumerar os elementos levados pelos moradores sequencialmente.
praticamente não utilizar nomes próprios no trecho apresentado.
privilegiar o uso de substantivos e fazer pouco uso de adjetivos.
elencar elementos, de fato, pertencentes a uma favela carioca.
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