Cássio Rodrigo Paula Silveira

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RELENDO CÍCERO: A FORMAÇÃO DO ORADOR E SUA INSERÇÃO NA
POLÍTICA ROMANA ( SÉCULO I a.C)
Cássio Rodrigo Paula Silveira
Resumo: Considerado um dos oradores mais destacados de seu tempo, Cícero nos
chama a atenção não só por sua atuação nos tribunais, mas por sua produção, tanto no
campo da eloqüência, quanto no campo Filosófico e Político. Seu conhecimento da
eloqüência ultrapassa aspectos puramente técnicos. Neste sentido, a Filosofia torna-se
importante ferramenta na produção da argumentação. Expomos neste artigo, o conteúdo
relacionado ao projeto de dissertação apresentado junto ao programa de Pós-Graduação
em História (UFG). Selecionamos como fontes para nossa pesquisa as obras: A Invenção
Retórica, Bruto e o Orador, todas obras de Cícero.Nossa pesquisa é voltada para a
Formação do orador, segundo a visão de Cícero e como este orador foi perdendo espaço
político no final da República, século I a.C.
Palavras Chave: Retórica Antiga, Oratória, Persuasão, Cícero, República Romana.
Introdução
O objetivo de nossa pesquisa é fazer um estudo sobre a Formação do Orador e sua
inserção dentro da política romana, no contexto de crise da República do século I a. C.
Surgida na região da Magna Grécia, no século V a.C, a Retórica, enquanto técnica de
persuasão, foi ganhando espaço no meio público, à medida em que as sociedades gregas
abandonavam o uso da força pelo uso do simbólico.
Aos poucos, vemos surgir “especialistas” no ensino e domínio das técnicas retóricas,
dentre eles podemos destacar os Sofistas.
(...) equipar o espírito do cidadão para a carreira de homem de Estado,
formar a personalidade do futuro dirigente da cidade – tal é o programa que
eles concebem. ( MARROU, 1990: 83)
O aspecto técnico da Retórica, e seu despreocupação com o conteúdo, em termos de
Moral ou Verdade, não demoraram a despertar, em pessoas como Platão, críticas, as quais
acabaram por delegar à retórica status de “engano”, cabendo à Filosofia a Verdade.
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Estigmatizada, a Retórica se distanciando da Filosofia, tornando-se, assim, uma disciplina
“menor”.
Com Cícero teremos uma aproximação entre Filosofia e Retórica: versado em diversas
áreas, entre elas a Filosofia, o orador ideal deverá buscar nesta a matéria para seu discurso.
Desta forma, o Orador Ciceroniano, acaba por se tornar a síntese entre as duas disciplinas, à
medida em que a preocupação com a técnica de composição do discurso sede ao modo como
este discurso será transmitido, bem como seu conteúdo que, em sua maioria, está carregado de
conteúdo moral.
Com a crise da República Romana, assistimos a uma crise, também, da eloqüência.
Deste modo, os Oradores e, consequentemente, a retórica perde seu status de “prática” ligada
à política para ceder espaço ao entretenimento com as declamationes.
Optamos por estudar a Formação do Orador em três obras de Cícero: a Invenção
Retórica, Bruto e Orador. Nestas três obras podemos perceber como a eloqüência, enquanto
prática retórica foi assimilada pelos romanos e como esta técnica de argumentação e
persuasão encontrou espaço no meio público. Sendo reconhecido como um dos oradores que
mais se destacaram em seu tempo e que mais obras produziu sobre a eloqüência, temos em
Cícero, não só um político astuto, mas sobretudo, a representação de toda uma geração que
via na República Romana a representação da Liberdade, construída pelos antepassados.
O Orador ciceroniano e a República
O Crescimento da Cidade de Roma, sua organização e suas conquistas, que fizeram
desta uma das cidades mais importante da antiguidade, não foi algo que se deu da noite para o
dia. Seu crescimento, enquanto Império deu-se principalmente pela organização de seu
comércio, suas instituições, seu exército e, sobretudo, pelo corpo social forte e unido,
chamado Nobilitas.( ALFOLDY, 1975: 59).
Lembrando que a formação do Império Romano foi um longo processo, podemos, no
entanto, destacar três fases que fizeram parte deste imperialismo.
Na primeira fase, conhecida como “Guerra de Defesa”, Roma não promove ataques,
mas se defende daqueles que, atraídos pelo seu crescimento, resolvem atacá-la. É importante
destacarmos que, ao se defender dos ataques e invasões, Roma anexa as cidades vencidas: a
região da “Salina”, a mais próxima foi a primeira região conquistada. Mais tarde, em 273 a.C.,
teremos a conquista das cidades da Magna- Grécia; estas cidades se encontravam
enfraquecidas devido a conflitos internos.
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Após ter conquistado toda a península itálica, Roma dá início à conquista do império
Cartaginês, o qual possuía a hegemonia da região da Sicília. Esta fase é conhecida como
Guerra de expansão hegemônica ou “Guerras Púnicas”: esta culminará com a destruição da
cidade de Cartago, no norte da África.
Quanto à terceira fase, esta tem início em 133 a.C. , quando, financiado por
aristocratas e comerciantes que formava a sociedade dos republicanos, Roma inicia a chamada
“Guerra de Expansão Econômica”, passando, assim, de Cidade-Estado a Cosmo-Pólis,
dominado todo o mundo conhecido. É importante destacarmos que o Senado Romano se
encontrava fortalecido, devido ao seu poder que foi aumentado, bem como seu aparelho
militar, o qual se encontrava mais organizado e poderoso, contando com generais de renome,
vistos muitas vezes como deuses.
Com a entrada em Roma de grande quantidade de tributos, derivado de suas
conquistas, esta conhece um período de inflações: seu custo de vida é aumentado, o que irá
gerar mudanças nas formas de produção.
Com os leilões de novas terras, nobres começam a formar latifúndios, fazendo com
que pequenos proprietários se dirijam às cidades. Isto irá gerar uma “proletarização” do
camponês que irá desemborcar na primeira crise da República, a qual será conhecida como
“Questão dos Gracos”, na qual a Plebe irá pedir reforma agrária. A solução encontrada para
esta questão será a fundação de colônias no exterior. Desta forma, a Plebe que reivindicava
terras teria que sair de Roma.
A segunda Crise enfrentada pela República se refere à fuga de escravos em massa em
direção à sua terra natal.
A terceira Crise enfrentada por Roma diz respeito aos seus aliados que reivindicavam
direitos políticos. Conhecida como “Guerra Social” (SOCH: aliados de Roma), esta somente
será acalmada com a intervenção de dois Cônsules Romanos: Mário e Lúcio Cornélio Sila.
Em 70 a.C. Roma contava com 910 mil cidadãos com direito a votar e a serem eleitos.
Não estando preparadas para comportar tantas pessoas, as instituições romanas logo entrarão
em crise. Essa crise irá colaborar para a busca de um “Homem Providencial”, ao qual caberia
a tarefa de retirar Roma da crise em que se encontrava: instala-se uma verdadeira disputa
entre os generais e suas respectivas Legiões.
Pompeu, grande estrategista, de família eqüestre é escolhido pelo Senado para ser o novo
reorganizador da República. Para tanto, recebe plenos poderes, mesmo sem ter seguido o
Cursus Honórium.
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Entre 67 e 61 a.C., Roma enfrenta três grandes perigos: pirataria, invasão de povos
estrangeiros e ataque à província da Ásia Menor. Todos estes problemas serão resolvidos por
Pompeu, restando-lhe ser aclamado como herói e dominar a República. No entanto, enquanto
Pompeu estava fora, Roma enfrentou uma “Guerra Civil”, entre Optimates e Populares. Desta
disputa surgirão dois líderes: Crasso, representante do Optimates e Júlio César, representante
dos populares. Essa situação obrigará Pompeu a dividir o poder com estes dois novos líderes,
o que dará início ao Primeiro Triunvirato, que se deu entre 56 e 48 a.C.
Não contente com a divisão de poderes, César irá se lançar à conquista da Gália do
Norte e da Bretanha. Voltando de forma gloriosa de suas batalhas, César matará Crasso e
perseguirá Pompeu até o Egito onde o assassinará.
Ao voltar, César declara que a República está em perigo e, em 44 a.C., consegue
aprovação do Senado para sua ditadura perpétua. Mas, o mal-estar se instalará mesmo na
República quando César mandar cunhar as moedas do Império com seu rosto (fazendo-se
conhecido no Império), e passa a utilizar o título de “Imperador” e usa uma coroa de louros,
lembrando a realeza que fora tão combatida para a formação da República.
Assim, em 44 a.C., César é assassinado por seus opositores dando início a uma guerra civil.
Cícero
Cícero nasceu em Arpino, a 03 de janeiro de 106 a.C, era filho de uma família
abastada da ordem eqüestre chamada Cícero que, segundo a tradição, tinha por antepassado
alguém que ostentava na ponta do nariz uma verruga em forma de grão-de-bico (Cicer em
latim). Arpino era, nos finais do século II e princípio do século I a.C, um pequeno município
provinciano do Lácio Meridional, a sudeste de Roma.
Sua família cultivava, com o hábito de uma vida rústica e simples, o tradicional respeito pela
memória dos antepassados e a prática antiga das virtudes romanas ancestrais, o chamado Mos
Maiorum (“costume dos antepassados”), bem como uma nítida preferência pelo regime
republicano, que fora implantado no espaço romano nos finais do século VI a. C., após o fim
da monarquia etrusca. Assim, Cícero era, por nascimento e por educação um conservador.
Ao longo das obras deixadas por Cícero, podemos perceber que este rejeitava a
possibilidade de um conhecimento certo, afirmando, assim, seu direito de adotar a posição
que lhe parecesse em cada ocasião mais persuasiva. É importante ressaltarmos que o fato de
este não ter se prendido a nenhuma escola determinada não significa que este não tenha
sofrido influência de outros oradores e outros filósofos: Diódoto ensinou-lhe dialética; os
peripatéticos ensinavam a argumentar em defesa dos dois lados de uma causa; os acadêmicos
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ensinavam a refutar todo e qualquer argumento. Esses últimos foram os mais importantes para
Cícero.
Em 79 e 77, Cícero foi para a Grécia para continuar seus estudos de retórica e
filosofia. Sempre deixou clara a importância da filosofia na formação de um Orador, que em
sua opinião, deve ser capaz de argumentar sobre qualquer assunto.
Foi ridicularizado, em Roma, e mal aceito pela classe dirigente que depreciativamente
o rotulava de Homo Nouus (Homem Novo). É importante lembrarmos que Homo Nouus era,
para um patrício, todo e qualquer cidadão que não tivesse na família um magistrado curul (
um edil, um pretor, um cônsul ou um Censor) e que aspirasse o carreira política.
Cícero seguiu o Cursus Honorum, que são as etapas descritas acima que deveriam ser
seguidas por aqueles que não tivessem magistrados em sua família, fazendo sua estréia nos
tribunais durante a ditadura de Sila. Desempenhou seu primeiro cargo público, o de Questor
ou oficial de finanças, na Sicília, onde, anos mais tarde, será o responsável pela acusação do
cúpido governador Verres, em defesa da ilha.
De volta a Roma, assumiu o cargo de edil, no qual promoveu os esperados espetáculos
públicos com poucos gastos. Apesar desta moderação, superou outros candidatos e elegeu-se
para dois altos cargos com a idade mínima exigida. Tornou-se, assim, Pretor com 40 anos de
idade e Cônsul com 43 anos, no ano de 63 a. C. Havia já trinta anos que um Homo Nouus,
cavaleiro ou plebeu, não ascendia ao consulado.
Já em Roma, Cícero casou-se, com cerca de trinta anos, com Terência, filha de uma
família distinta e rica, que lhe proporcionou um significativo dote em dinheiro e imóveis.
Com cerca de sessenta anos de idade, e após algumas décadas de vida em comum, Cícero irá
divorciar-se de Terência, casando-se, então, com Publília, uma jovem herdeira rica de quem
era tutor.
Quaisquer que tenham sido de, fato, os verdadeiros motivos para o divórcio e para a
nova união de Cícero, não viria a durar muito tempo, apenas cerca de um ano, e não viria a
sobreviver a um dos maiores desgostos de sua vida, se não o maior, a morte de Túlia, sua
filha.
A morte de sua filha, que se deu em fevereiro de 45 a.C, em decorrência de um parto,
acabou por mergulhar o Orador no maior desgosto: durante meses não foi sequer capaz de
trabalhar. Empenhou-se no projeto de construção de um templo em memória da filha e
escreveu uma Consolatio, que dirigiu a si mesmo, invocando a morte de grandes homens.
Todos sabiam que Túlia fora, sem dúvida o maior e o mais profundo amor de Cícero.
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Além de Túlia, Cícero teve outro filho com Terência, Marco, em quem sempre
depositara grandes esperanças, mas que não lhe trouxe grandes alegrias. Enquanto Cícero
sonhava em fazer de seu filho um grande Orador e Filósofo, este se preocupava em
“aproveitar a vida”. Instalado em Atenas, como filho de um alto dignatário, com casa luxuosa,
escravos, libertos e uma folgada pensão, não se preocupou muito com os estudos, mas com
festas: ganhou o hábito de beber e jamais parou. De marco, conserva-se uma carta em que se
manifesta arrependido dos erros cometidos no passado e afirma seu comportamento exemplar.
Perto do fim da vida de Cícero, deu ao pai um grande motivo de orgulho e alegria:
incorporou-se ao exército republicano que estava sendo organizado por Bruto.
A preocupação de Cícero pela formação de seu filho, e seus conselhos de qual
caminho é o melhor para aqueles que querem se dedicar à vida política, podem ser vistos
claramente na obra Dos Deveres.
Dentre os fatos que marcaram a vida política de Cícero, não poderíamos deixar de
destacar a Conspiração de Catilina que o próprio Cícero provocou ao frustrar tanto as
propostas radicais de perdão de dívidas, quanto as ambições do patrício Catilina. A execução
de cidadãos romanos, por parte de Cícero, sem julgamento, provocou repulsa em alguns
setores, o que culminou com o exílio de Cícero pelo tribuno Públio Clódio, no ano de 58 a. C.
Seu retorno se deu no ano seguinte graças a Pompeu.
As fontes
Ao entrarmos em contato com as obras de Cícero,
percebemos uma grande
preocupação do autor com o conteúdo e com a forma de suas obras. Independentemente do
tema, podemos perceber que as obras de Cícero carregam consigo, forte conteúdo Moral e
grande profundidade Filosófica, certamente influência da educação romana e da cultura grega.
Com o objetivo de criar no Cidadão um devotamento ao Estado, a Educação Romana
se pautará no respeito ao costume dos antepassados, Mos Maiorum. .( MARROU, 1990: 366).
Este respeito à tradição era transmitido através da família. Ela é, ao olhos dos romanos, o
meio natural em que deve crescer e se formar o Cidadão.
A utilização de exemplos tirados da cultura grega, seja filósofos ou elementos da
História grega, nos atesta que o autor possuía amplo conhecimento, não só das discussões
referentes à eloqüência grega e a Filosofia, como também da própria história grega:
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Penso sem dúvida que Platão, caso desejasse cultivar o discurso forense, têlo-ia feito de modo grave e copioso; e Demóstenes se tencionasse alardear o
que aprendera de Platão, fá-lo-ia de forma brilhante e ataviada. Digo o
mesmo de Aristóteles e Isócrates, cada um dos quais, deliciado com seus
próprios estudos, desdenhou os do outro. ( Dos Deveres, I . 04)
Contudo, Sócrates dizia brilhantemente que o caminho mais próximo e
curto para a Glória é ser o que se deseja parecer. ( Dos Deveres, II. 43)
A influência da cultura grega na cultura romana, não se deu de sem nenhuma
resistência. Prova disto foi o fato de as escolas de retóricos latinos, aberta em 93 por L. Plócio
Galo, terem sido fechadas no ano seguinte em virtude de um Edito dos Censores aristocratas,
Cn. Domício Ahenobarbo e L. Licínio Crasso, como algo contrário aos costumes e à tradição
dos ancestrais. Não será sem motivo, portanto que juntamente com o ensino da Retórica em
grego, também eram ministradas as aulas em latim. O uso do latim frente ao grego foi a forma
encontrada para proteger a cultura romana frente a influencia do helenismo. Assim a
Identidade é relacional, marcada pela diferença e sustentada pela exclusão1. Embora o contato
com os gregos fizessem com que os romanos absorvessem muito de sua cultura, havia uma
preocupação em dar uma caracterítica romana, aos aspectos recebido dos gregos. Como
exemplo temos a Retórica.
Levando-se em consideração que a argumentação está presente em toda forma de
discurso, podemos encontrar nas fontes, A Invenção Retórica, Brutus e o Orador, alguns
elementos comuns. Dentre este elementos podemos citar a constante utilização de Exemplos,
tanto tirados da história romana como da história grega. Estes exemplos trazem consigo a
tarefa de tornar mais claro um conteúdo que carrega consigo certa complexidade ou certa
importância. Em termos de importância a utilização de exemplos faz com que o conteúdo
possa se assimilado pela memória que liga, através da analogia, o conteúdo e a seu respectivo
exemplo.
Da mesma maneira que nas formas e nas figuras e imagens há algo perfeito
e extraordinário, cuja imagem ideal, remete, mediante a imitação, tudo
aquilo que não entra no domínio da vista, assim, também, contemplamos
em nosso espírito o ideal e buscamos, com nossos ouvidos, a imagem da
perfeita eloqüência.
( CÍCERO. O orador. 9)
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A utilização de metáforas2, também, não só torna presente um conteúdo que está
ausente como confere maior clareza ao discurso. Além disto, a utilização de metáforas faz
com que o auditório, ou aquele a quem o discurso se dirige, possa acompanhar o raciocínio.
É constante, também, nas obras ciceronianas a utilização de digressões. Sempre que o
assunto necessita de uma amplitude maior, o autor faz uma digressão. Após o término de suas
digressões, o autor retoma o assunto, fazendo que com que seu destinatário não se perca. A
retomada do assunto, quase sempre, se dá por meio da repetição do assunto que estava sendo
tratado antes das digressões.
Voltemos, pois, agora ao orador que queremos esboçar e modelar com
aquela eloqüência que Antônio não conheceu em ninguém. ( CÍCERO. O
orador. 33)
A justificativa do motivo da produção da obra, tanto no início como no decorrer de
suas obras, também atestam a importância da discussão do assunto.
Por último, merece destaque o fato do autor citar sua própria vida como exemplo. Se,
ao longo de suas obras Cícero faz constantes alusões a personagens gregos e romanos, ele
também inclui-se entre estes personagens.
Todo o meu discurso em defesa de Cecina girou em torno dos términos do
interdito; expliquei as coisas obscuras mediante definições, citei o direito
civil, esclareci os termos ambíguos. Em meu discurso sobre a lei Manília,
elogiei a Pompeu, usei o estilo moderado com o qual recorri toda matéria
que era objeto de elogio. ( CÍCERO. O orador. 102)
Tudo isto, confere autoridade ao autor e o torna digno de fé. Sua vida, neste sentido, acaba
se tornando importante elemento na produção de persuasão.
A) A Invenção Retórica
Quando Cícero se colocou a tarefa de escrever um ambicioso tratado, que deveria ser
A Invenção Retórica, seu intuito era refletir o estado dos conhecimentos retóricos da época,
conservando uma certa independência frente às fontes gregas, procurando adaptar seus
conteúdos à realidade social e cultural romana. Embora houvesse planejado discutir as cinco
partes da retórica, é um estudo somente da Inventio, isto é, dos vários tipos de causa e
argumento que se deve utilizar em cada ocasião.
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Através desta fonte é possível termos uma idéia muito próxima daquilo que se
ensinavam os Rhetores Latini. Além disto, o autor analisa, na introdução, certos princípios
gerais sobre a natureza e a história da retórica.
Assim, após longas reflexões, analises me levaram a concluir que a
sabedoria sem eloqüência é pouco útil para os Estados, mas que a
eloqüência sem sabedoria é quase prejudicial e nuca é útil. ( A Invenção
Retórica, I. 01)
Então um homem, sem dúvida superior e sábio, descobriu as qualidades que
existiam nos homens , sua disposição para realizar grandes
empreendimentos tornou possível desenvolve-las e melhora-las mediante a
instrução. ( A Invenção Retórica, I. 02)
É possível percebermos, ainda nesta primeira obra, um destacado interesse do autor
pelos estudos filosóficos, bem como um tratamento bastante pormenorizado das fontes do
direito, que deveu muito às discussões entre jurisconsultos e retores da geração anterior à sua.
Vejamos, agora, os preceitos relativos a este estado de causa. Ambas as
partes( ou todas, se houver mais de duas partes implicadas) devem examinar
os fundamentos do direito. Sua origem está manifesta na natureza. Certos
direitos passaram logo ao costume em virtude de sua utilidade (...)
(A Invenção Retórica, II. 65)
É importante destacarmos, ainda, que Cícero se esforça, nesta obra, por dar algo mais
que os tradicionais manuais de retórica, ao definir sua posição em relação à questões teóricas
gerais, tais como a relação entre filosofia e retórica; a origem desta e sua função na sociedade
ou a conveniência de se distinguir a boa e a má eloqüência.
B) Bruto
Na obra Bruto, Cícero descreve, as habilidades que deve possuir um bom orador.
Além disto, analisa as diversas escolas em que se incluíam os “cultivadores” desta arte, desde
o asianismo até o aticismo. Cícero declara, ao aticismo, sua adesão como a mais adequada ao
discurso propriamente romano.
A obra começa com a Laudatio Funebris de Hortênsio, quem, apesar de diversas vezes
ter-se enfrentado com Cícero em diversos processos, era, no entanto, seu amigo tanto no plano
político quanto no plano pessoal.
Ao longo da obra, Cícero apresenta uma “estética” da eloqüência e se ocupa da busca
da beleza como prazer estético e como elemento de persuasão. Também estão sempre
presentes as considerações sobre política, pois tanto na Grécia como em Roma, retórica e
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política sempre andaram juntas: não havia um bom político que não fosse um bom orador e
vice-versa.
De modo geral, Cícero quer mostrar a seus concidadãos, que exaltavam somente os
modelos gregos, que também em Roma a eloqüência, de rude e inculta em suas origens, foi
amadurecendo ao longo dos séculos até alcançar, no tempo de Cícero, quase a perfeição.
C) O Orador
A obra O Orador, Composta no ano de 46 a.C.,é a última das obras escritas por Cícero
sobre Retórica. Esta obra nos revela com maior clareza suas idéias sobre esta disciplina. Esta
obra trata das qualidades que deve possuir o orador ideal, dentre elas o conhecimento de mais
de uma ciência, bem como o decorum que é capacidade de ver o que é conveniente em cada
momento. Cícero se ocupa, também, dos diversos estilos de oratória, a harmonia da frase e,
finalmente, das partes do discurso e do ritmo que deve caracterizá-lo.
É possível percebermos, na obra A Invenção Retórica, certa preocupação do autor
com elementos ligados à técnica, característica e influência da Retórica Grega e que, com o
passar do tempo, foram se agregando novos elementos à forma de se produzir o discurso.
Dentre estes elementos, merece destaque o fato do autor, já em sua maturidade, O Orador e
Bruto, se preocupar tanto com elementos ligados à forma como ao conteúdo do discurso. Esta
preocupação com o conteúdo, nos atesta a influência da filosofia no pensamento ciceroniano.
Assim, de mera técnica de argumentação, a Retórica recebe o status de ensinamento,
resolvendo o conflito entre Retórica e Filosofia. Neste sentido, temos o surgimento do Orador
ciceroniano que, não só se sobressai em
diversos estilos, como também se destaca por seu
conteúdo Moral, que se reflete tanto em seus discursos, quanto em seu modo de vida
O Orador Perfeito
Embora a Retórica Romana fosse uma releitura da Retórica grega (MARROU, 1990:
391 ), podemos perceber que esta superou a mera aplicação de regras que garantissem a
persuasão. A importância dada por Cícero ao estudo da filosofia, nos atesta isto. A
eloqüência, segundo Cícero, não é tirada da oratória, mas da filosofia:
Confesso que sou um orador, formado não nas oficinas dos retores, mas
pela academia.” ( CÍCERO. O orador. 12)
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Se, no período sofístico, tínhamos um embate entre Filosofia e Retórica, devido a uma
despreocupação com a Verdade, e portanto com o conteúdo do discurso, em Cícero esta
questão é resolvida. Segundo o autor, ambas se complementam . Cícero chega a citar Péricles
como exemplo de bom Orador, principalmente por este ter tido contato com a Filosofia. E
mais, Cícero critica ferozmente aqueles que acreditam que o simples fato de falar, os torna
oradores.
Por isto, Marco Antônio, a quem na época de nossos antepassados concedeu
o primeiro lugar na eloqüência, homem por natureza agudíssimo e hábil, no
único livro que nos deixou, disse que havia visto muitas pessoas que sabiam
falar, mas em absoluto, a nenhum orador” ( CÍCERO. O orador. 18)
A Construção de um tratado de Retórica no inicio de sua carreira, nos atesta a
preocupação do autor com os elementos técnicos3, bem como a preocupação em se criar uma
Retórica tipicamente Romana (MARROU, 1990: 402).
A construção do Orador, como síntese entre Retórica e Filosofia, nos mostra a
importância de se produzir um discurso com conteúdo, que tenha elementos capaz de
transmitir algum “ensinamento”, seja de conteúdo moral ou filosófico.
Ao atribuir determinadas qualidades ao perfeito orador, Cícero critica a ausência
destas mesmas qualidades entre os oradores de seu tempo. Dentre estas qualidades está o fato
de alguns renomados oradores dominarem e sobressaírem em apenas um dos três estilos
(Simples, Médio e Sublime ). Para Cícero, o orador perfeito não se sobressai em apenas um
estilo, mas consegue se destacar nos três.
Três são os estilos nos quais, separadamente, alguns tem se destacado, mas,
isto é o que buscamos, poucos são os que tem feito por igual em todos(
CICERO. O orador. 20)
Não é tarefa fácil definir o orador perfeito. Primeiro, porque a perfeição é algo relativo
e, depois, porque cada campo possui seu exemplo de perfeição.
Como definir uma regra ou fórmula, quando cada campo tem seu modelo
de perfeição e quando há muitos campos?( CICERO. O orador. 36)
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Onde, então, encontraríamos o Orador perfeito? Para Cícero, no gênero judiciário,
embora tome grande quantidade de recursos do gênero demonstrativo. O gênero
demonstrativo é, assim, definido pelo autor:
Assim, pois, no citado gênero demonstrativo, se trata de um tipo de
discurso agradável, fácil, abundante, com frases criativas e palavras
harmoniosas (...). ( CÍCERO. O orador. 43)
E mais: há tantos tipos de oradores quanto tipos de estilo. ( CÍCERO. O orador. 53)
Mais importante que as palavras usadas no discurso ou seus adornos, é a transmissão
do discurso:
Tendo encontrado o que dizer, e em que ordem, o mais importante é de que
modo transmitir” ( CÍCERO. O orador. 51)
Entendemos por discurso, a ação de falar do Orador :
Ainda que toda ação de falar seja um discurso, é no entanto, a ação de falar
do orador que recebe o nome de discurso” ( CÍCERO. O orador. 64)
Para Cícero, o ato de falar consiste em duas coisas: ação e elocução. A ação é a
eloqüência do corpo e se baseia na voz e no movimento:
As mudanças na voz são tantas quanto as mudanças de sentimentos, os
quais, por sua vez, são especialmente provocados pela voz.” ( CICERO. O
orador. 55)
A importância dos gestos e a postura do orador são tão importantes quanto a
construção lógica de um discurso. Neste sentido, o orador deverá preparar a voz:
(...) adotará um determinado tom de voz segundo o sentimento que queira
dar a impressão que o afeta e segundo o sentimento que queira provocar no
ânimo do ouvinte. ( CICERO. O orador. 55)
Assim, pois, esse orador de primeira ordem, variará e mudará a voz,
subindo-a algumas vezes e baixando-a em outras, percorrerá toda escala
sonora.” ( CÍCERO. O orador. 59)
Deverá ser moderado no olhar:
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Assim como o rosto é a imagem da alma, assim os olhos são os intérpretes;
os próprios assuntos que se tratam moderam sua alegria e, sucessivamente,
sua tristeza.” ( CÍCERO. O orador. 60)
A debilidade na ação gera o desprestígio e enfraquece a autoridade. Não se dá crédito
àqueles que não falam com o corpo. Assim, não basta o conteúdo da Filosofia para ser
persuasivo. É necessário ter vitalidade, que apenas a oratória do Foro e capaz de ter (
CÍCERO. O orador. 63)
Um dos elementos mais importantes para a atuação do orador é o Decorum, ou seja, o
que é conveniente em cada ocasião.
Será, pois, eloqüente – eloqüente é, com efeito, quem pretendemos definir,
segundo as indicações de Antônio –aquele que, nas causas forenses e civis,
fala de forma que prove, agrade e convença (...)( CÍCERO. O orador. 69)
Saber discernir o que é conveniente em cada momento, pode garantir a eficácia do
discurso: ( CÍCERO. O orador.70), Assim, como o não conhecer o que é conveniente pode
levar ao erro, não só na vida, como na poesia e na eloqüência
Efetivamente, da mesma forma que na vida, também nos discursos, o mais
difícil é ver o que é conveniente” ( CÍCERO. O orador. 70)
Esta sensibilidade de adequação ao momento, só pode ser adquirida com a prática, e
portanto, com experiência e muito estudo.
Afinal, não sei se a maioria de nossos oradores, não valiam mais por seu
talento que por seus conhecimentos, de maneira que eram mais competentes
na hora de pronunciar discursos que na hora de ensinar eloqüência” (
CÍCERO. O orador. 143)
Deste modo, o orador idealizado por Cícero tem conhecimento em mais de uma área,
como Filosofia, Direito e História:
Conheça, também, a sucessão de fatos e a história do passado, sobretudo
de nossa cidade, mas também dos povos dominantes e de reis ilustres”. (
CÍCERO. O orador. 120)
A constituição de um orador com tamanha carga cultural e “sensibilidade” para
perceber o momento de se aplicar suas estratégias discursivas, nos atestam o quanto persuadir
se torna difícil à medida em que o público, ou destinatário, se torna exigente. Esta exigência
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se dá, principalmente, quando àqueles a quem se destina o discurso, também tem
conhecimento das técnicas usadas na persuasão.
Essa dinâmica da Retórica faz com que o estudo e a constante prática se tornem
elementos imprescindíveis para se chegar à perfeição.
Considerações finais
É na prática, e não na simples construção da argumentação que se conhece o orador. E
só um sistema de governo que garanta a Liberade pode garantir o desenvolvimento deste
“personagem”. Deste modo, quando a República entra em crise, temos também uma crise na
oratória, uma vez que é no meio político que se deve desenvolver a argumentação.
Embora a Retórica existisse desde o século V, somente no século I a. C teremos seu
pleno florescimento. Este desenvolvimento da Retórica acompanhou, segundo nossa visão, o
próprio desenvolvimento da cidade e de suas Instituições.
Mais que um indivíduo dotado de conhecimentos, o Orador ciceroniano é um
indivíduo ligado à prática Moral. É sua história de vida e seu comprometimento com a pátria
e seus concidadão que lhe garantirá autoridade no falar. Indivíduos como César, também tinha
conhecimento de Oratória, porém sua prática de vida contrária ao costume dos antepassados
fazia dele um “inimigo”, segundo Cícero, da República Romana.
Sendo assim, mais que o domínio de elementos ligados à técnica, o Orador deveria ter
uma postura que encontrasse aceitação entre os membros das mais diversas facções.
Aos poucos, principalmente com a crise da República, este orador, comprometido com
a vida pública, começa a perder espaço. Com as declamationes, O próprio status da retórica
se transforma: não há mais uma preocupação com a produção de argumentos que possam
levar à persuasão, mas com o deleite.
Com o fim da República termina também o período da Liberdade, tão importante à
oratória. Chega ao fim, segundo Cícero, o período dos Grandes Oradores.
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A metáfora é uma figura que se caracteriza por denominar representações para as quais não se encontra um
designativo mais adequado. Dentre os processos próprios da metáfora, podemos citar: Transferência ou
transposição e a associação.
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A preocupação com elementos técnicos é algo que antecede o período ciceroniano e que, possivelmente, surge
no período da primeira sofística. Para alguns sofistas, a retórica não passava de mera aplicação de regras, as
quais tornava infalível.
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