DISCURSO PROFERIDO PELO DEP

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DISCURSO PROFERIDO PELO DEP. FED. DR. BENEDITO
DIAS,
EM
OCASIÃO
DO
PEQUENO
EXPEDIENTE
REALIZADO EM ___/___/___.
Senhor Presidente, Sras. e Srs. Deputados...
Quero neste momento tornar do conhecimento dos senhores,
o meu posicionamento em relação à edição da Medida Provisória
n. 149, de 2003 que tem como finalidade autorizar a doação de
doses de vacinas contra a febre aftosa ao governo da Bolívia em
caráter emergencial.
Esta iniciativa é mais que louvável, é extremamente
necessária, haja vista que durante os últimos anos sacrificamos o
mercado bovino de alguns Estados brasileiros, em função da
erradicação desse vírus e graças a todo esse esforço e investimento,
estamos colhendo os frutos de um trabalho árduo e eficiente. Hoje,
já temos 84% do nosso rebanho vacinado e livre da febre aftosa, o
que está incluindo-nos novamente na zona livre da enfermidade.
O Brasil precisa explorar bem o bom momento, já que temos
a doença relativamente sob controle e contamos com rebanho de
qualidade. Precisamos cumprir o acordo internacional que
firmamos de erradicar a febre aftosa de todo o nosso rebanho até o
próximo ano, e para isso, fazem-se necessárias medidas como esta,
cujo objetivo não é só combater internamente o vírus, mas também
evitar a contaminação por rebanhos estrangeiros que transitam ou
são importados pelo Brasil.
O aparecimento de contaminação por febre aftosa em
rebanhos europeus, senhor presidente, como em qualquer outro
país é um alerta de que os vírus não respeitam fronteiras. Nos dias
de hoje, podem ocorrer problemas com mais facilidade, devido ao
intenso e rápido comércio de produtos de origem animal entre os
países, principalmente os da América do Sul, que já são grandes
exportadores do produto. Torna-se, portanto, imprescindível que os
países exportadores de carne tenham severo controle da doença em
nível continental, através de uma intensa campanha de vacinação,
pois a contaminação pode ocorrer até mesmo através do próprio ar,
dependendo das condições climáticas e da direção dos ventos.
Quando o animal é abatido, ocorre uma redução natural do
pH (índice de acidez) da carne, que mata o vírus porventura ali
existente. Entretanto, se a carne for oriunda de bovino portador do
vírus da febre aftosa, ou seja, de um animal que sofreu infecção
prévia (aparente ou não), o vírus pode permanecer viável e
protegido nos gânglios linfáticos e também na medula dos ossos,
sem, contudo, sofrer alteração na sua capacidade de infecção e
posteriormente servir de fonte de infecção para outros animais.
Nessas condições, a presença do vírus é difícil de ser detectada,
eles sobreviverão até que a carne seja desossada.
Vale lembrar que quando falamos de Brasil, falamos do
maior exportador de carne bovina do mundo e queremos continuar
ocupando este lugar por muito tempo. Mas, para que isso aconteça
é necessário intensificarmos as nossas ações externas e internas,
pois temos Estados como o Amapá, por exemplo, que não
conseguiu avançar na mesma velocidade que os demais Estados
brasileiros, e encontra-se ainda como região de risco desconhecido,
haja vista que ali, a campanha padronizada só se iniciou no ano de
2003. Na ocasião foram cadastradas 1.626 propriedades e 206.526
animais, entre bovinos e bubalinos, dos quais 163.473 foram
vacinados, ou seja, uma cobertura de aproximadamente 80%.
Como o rebanho total ultrapassa 250 mil cabeças, conclui-se que
apenas 65% do rebanho foi vacinado.
A área singular no país em que se encontra o Estado do
Amapá: entre o rio Amazonas, a Guiana Francesa, Pará e a
Floresta Amazônica, isolado geograficamente, se torna um
agravante para o acesso aos órgãos responsáveis pelo pequeno
produtor, pois sabemos que a Agência de Defesa e Inspeção
Agropecuária do Estado do Amapá – DIAGRO, não conta com
recursos materiais e humanos para monitorar e controlar os
rebanhos que são muito pulverizados.
O que faz com que o
pequeno criador, com suas condições precárias, baixo nível de
informação e falta de assistência técnica, coloque em risco o
rebanho do médio e grande pecuarista.
É necessária essa cooperação de prevenção dos Estados que
fazem fronteira com a Bolívia, dessa forma, o rebanho brasileiro
indiretamente estará sendo protegido. Mas, é necessário também,
uma política de prevenção contra a aftosa para a região
Amazônica, com distribuição de vacina e orientação técnica que
direcione os pequenos e médios produtores, pois temos um grande
potencial agropecuário nessa região, tanto para consumo interno
como para exportação.
Especificamente, no Estado do Amapá, temos um grande
mercado de exportação de carne bovina e bubalina para as
Guianas, infelizmente, a febre aftosa em nossa região encontra-se
em área de “risco desconhecido”, o que dificulta as negociações,
precisamos resolver este impasse.
Muito Obrigado!
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