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Ribeiro, O. (2011 [1945]),
Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico. Estudo Geográfico,
Letra Livre, Lisboa,
231 p., ISBN 978-989-8268-10-5
Orlando Ribeiro (Lisboa, 1911-Lisboa, 1997) foi
provavelmente o geógrafo português com maior
projecção internacional, autor de várias obras
marcantes como A Ilha do Fogo e as suas Erupções
(1954), Geografia e Civilização. Temas Portugueses
(1961), Mediterrâneo, Ambiente e Tradição (1968)
ou do livro que aqui se trata: Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico (1ª. ed.,1945, com várias
reedições). Organizador do primeiro Congresso
da União Geográfica Internacional do pós-Guerra
(Lisboa, 1949) e seu Vice-Presidente a partir de
1952, Ribeiro é também reconhecido por ter criado
e organizado os Centros de Estudos Geográficos
de Coimbra (1942-1943) e Lisboa (1943) e por
ter sido co-fundador, em 1966 –em conjunto com
Suzanne Daveau e Ilídio do Amaral–, da Finisterra:
Revista Portuguesa de Geografia.1
A Finisterra: Revista Portuguesa de Geografia tem sido
editada ininterruptamente até aos dias de hoje com uma
periodicidade semestral, mantendo-se como uma revista
de referência na sua área. Nos primeiros anos, os conteúdos
publicados estavam ainda muito marcados pela influência
da Geografia Regional Francesa, conforme o atesta um volume de 1973 dedicado a Emmanuel de Martonne. Outro
volume monográfico relevante foi editado logo em 1968,
dedicado ao Primeiro Seminário Internacional de Geografia,
organizado pelo Centro de Estudos Geográficos de Lisboa e
onde participaram Etienne Juilliard, Pierre Dansereau, Jean
Demangeot e Orlando Valverde, entre outros. Até meados
dos anos 70, a par de numerosos estudos sobre Portugal
sobressaem os artigos dedicados aos espaços tropicais,
com destaque para o Brasil e –sobretudo– os territórios
portugueses ultramarinos em África. A partir de finais da
década de 1970 tanto se detecta o aparecimento de novas
perspectivas teóricas e uma maior diversificação dos interesses temáticos resultantes, designadamente, da influência da
análise espacial de matriz anglo-saxónica, como aparece mais
vincada a separação entre a Geografia Física e Humana. Na
última década, destaca-se a importância que os Sistemas de
Informação Geográfica ganharam nos estudos publicados.
1
Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico: Estudo
Geográfico –muito provavelmente o mais conhecido
livro de Orlando Ribeiro– acaba de ser reeditado
pela editora de Lisboa Letra Livre, conforme a sua
edição original de 1945, num contexto de comemorações do centenário do nascimento do autor.
Apresenta a visão inicial do geógrafo sobre o país,
a sua paisagem, as suas divisões fundamentais e os
seus factores de unidade. Assim, esta edição não
contém os conteúdos que foram sendo adicionados
a partir da quarta edição, de 1986, com o intuito
de actualizar a primeira edição, os quais incidiram sobre temas como a emigração, o turismo,
a industrialização ou o crescimento urbano, em
particular nos subúrbios das grandes cidades. A
escolha desta versão para uma reedição prende-se
com a sua coesão inicial e equilíbrio formais muito
próprios que, de certo modo, tinham sido alterados
com os sucessivos acrescentos entretanto feitos.
Deste modo, pode-se apreciar distintamente o
primeiro Portugal que Orlando Ribeiro analisou e
descreveu. Resumindo a perspectiva que esta obra
oferece, Portugal é visto como um espaço moldado
por duas influências, que tanto se fazem sentir no
seu aspecto físico como cultural: o Mediterrâneo
e o Atlântico. Assim se criam três regiões, duas
claramente influenciadas por cada um desses grandes espaços, e uma terceira que correspondente a
uma faixa interior onde as influências oceânicas e
a contextura mediterrânea se combinam com os
efeitos decorrentes da proximidade relativa das
regiões do centro da Península Ibérica. Orlando
Ribeiro identifica cada uma destas regiões com uma
paisagem própria, apresentada como uma imagem
construída ao longo de vários séculos. A unir essas
particularidades está uma herança histórica de
tradição e civilização, cujas raízes mais profundas
persistem desde a romanização. O livro é comInvestigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013 ][ 129
Daniel Paiva
pletado com cinco mapas de Portugal (sendo os
temas a distribuição do relevo, da precipitação, do
arvoredo, dos cereais e olivais e as divisões geográficas) em conjunto com textos explicativos e uma
bibliografia das principais obras do geógrafo. Uma
apresentação inicial escrita para esta edição por
Suzanne Daveau, viúva e colega do autor, precede
o texto principal e sintetiza a génese e a história das
sucessivas edições desta obra.
O pensamento de Orlando Ribeiro nesta obra
está claramente filiado na Escola Francesa da Geografia. Depois do seu doutoramento em Geografia
pela Universidade de Lisboa, em 1936, com a tese
A Arrábida, esboço geográfico, o autor frequentou a
Sorbonne entre 1937 e 1940, onde obteve o lugar
de leitor de português e contactou com nomes relevantes da Geografia e da Geologia francesas como
Jacques Bourcart, André Siegfried, Henri Baulig e
–sobretudo– os mestres Emmanuel de Martonne
e Albert Demangeon. Aqui, Orlando Ribeiro teve a
oportunidade de estudar os conceitos e métodos da
tradição possibilista vidaliana, desde logo é visível
na importância que dará na sua obra à articulação
entre o espaço natural e os modos de vida. Também
importante foi o contacto que o geógrafo português
teve neste período com historiadores da École des
Annales, nomeadamente Marc Bloch.2 Seguiu-se
o período de escrita de Portugal, o Mediterrâneo
e o Atlântico, que começou em 1941. Durante o
processo de redação da obra, Orlando Ribeiro manteve contactos regulares com geógrafos da Europa
Central: por exemplo, em 1943 recebe o geógrafo
2
Neste período, um debate acerca da pertinente inclusão de conhecimentos da geografia na história começa
a desenvolver-se na historiografia francesa, nomeadamente ao nível da influência dos aspectos espaciais na
vida social e política. Os escritos que Fernand Braudel
redigiu durante o seu encarceramento entre 1941 e 1944
acerca do conceito de geohistória haveriam de se tornar
basilares. No seio desse debate epistemológico, estava
implícita uma crítica ao modo como a geografia explicava
a sociedade pelas questões espaciais sem ter em conta os
processos da história social e política (para uma análise
mais profunda a este assunto ver Ribeiro, 2012). Orlando
Ribeiro não terá permanecido alheio a estas questões e
as características desta obra que abaixo se explanarão
espelham esse aspecto, particularmente no que respeita
à multidisciplinaridade da análise.
130 ][ Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013
alemão Hermann Lautensach, que escrevera duas
obras geográficas sobre Portugal, e em 1944 recebe
Emmanuel de Martonne, o seu mestre de Paris, e
viaja com ele por Portugal.
É importante salientar o momento de construção
desta obra. Ela é escrita num momento em que a
geografia portuguesa se dedica à elaboração de uma
Geografia de Portugal. Nos anos 30, Hermann
Lautensach havia publicado dois volumes sobre
Portugal: um sobre o país e outro sobre as suas
regiões: Portugal, auf Grund eigener Reisen und
der Literatur (1932-1937). Esta obra, apesar do
seu valor científico, teve uma fraca divulgação nos
meios científicos portugueses devido à barreira
linguística. Aristides de Amorim Girão, professor
de Geografia na Universidade de Coimbra, publica
em 1941 um Atlas de Portugal e uma Geografia de
Portugal. No entanto, estas obras não alcançam o
reconhecimento de meios científicos exteriores,
apesar de serem muito utilizadas em Portugal para
o ensino escolar. Orlando Ribeiro, na obra que aqui
se trata, empreende a criação de uma obra com
qualidade científica de acordo com os cânones da
Academia francesa ou da alemã, não criando apenas
uma Geografia de Portugal, mas uma síntese crítica
de Portugal e das suas principais regiões.
Na esteira da Geografia Regional francesa,
empreende-se nesta obra uma busca dos factores
que se congregam para a definição da fisionomia
particular de um território: a região, objecto de estudo do geógrafo, corresponde a um mosaico de
aspectos reunidos numa determinada extensão de espaço físico, formando uma identidade específica.
De assinalar o entrosamento entre a Geografia
Física e a Geografia Humana, apesar de Orlando
Ribeiro trabalhar principalmente a segunda. A
própria estrutura que os capítulos têm neste livro
revelam-no: em cada um deles parte-se da análise
aos aspectos físicos da região, passando para os
modos de vida e a sua economia, terminando numa
análise ao povoamento. Há uma dialéctica entre
o espaço físico e a ocupação humana –a primeira
influenciando a segunda e esta a moldar a primeira,
tornando patente uma perspectiva ideográfica da
Geografia. O resultado final é uma síntese entre as
características naturais e a sua ocupação humana,
demonstrando o modo de vida particular que se
Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico. Estudo Geográfico
pratica, sem sistematizações gerais. Modo de vida é
aqui tomado na sua acepção vidaliana, referindo-se
à cultura local e às actividades quotidianas de um
determinado grupo. Inclui os hábitos, as tradições,
os saberes, a língua, os hábitos alimentares –enfim,
tudo aquilo que está presente no quotidiano de um
povo. Aquele que é descrito neste livro é o que Orlando Ribeiro considera o modo de vida dominante
nas regiões mediterrâneas– a agricultura. O autor
descreve as actividades de produção, enumera os
produtos e analisa a sazonalidades deste modo de
vida em Portugal.
No entanto, a análise que Orlando Ribeiro faz
tem características específicas. Em primeiro lugar,
é de assinalar a abertura para outros campos do
saber e o enquadramento dos mesmos. Os conhecimentos e métodos da Etnologia, da Botânica ou
da Geologia são integrados na caracterização da
região. Largos parágrafos versam sobre a História,
encontrando aí as causas para a disposição contemporânea da paisagem humana. Na sua perspectiva,
o território (e os modos de vida que dele fazem
parte) é essencialmente visto como um objecto
estático, verificado sem atender às mudanças em
curso. Esta perspectiva está de certo modo em conformidade com a estabilidade relativa que o território apresenta durante o período estudado, anterior às grandes transformações nas paisagens
sobrevindas na segunda metade do século XX. Ao
mesmo tempo, esta interpretação reflecte a presença de elementos teóricos da École des Annales,
nomeadamente a temporalidade do espaço. A
identificação do território com os processos históricos que lentamente o moldaram é convergente
com a noção de longue durée, que os defensores da
«história total», como Marc Bloch, privilegiavam
na sua análise em detrimento da «história factual»
e que Fernand Braudel viria a teorizar mais tarde.
De resto –e tal como o próprio Orlando Ribeiro
também viria a reconhecer– a par das lições de
Jules Sion que escuta no Sul de França em finais da
década de 1930, as leituras de Braudel constituirão
uma influência determinante para as suas reflexões
sobre a originalidade do Mediterrâneo. Estas reflexões culminariam com a edição, em 1968, do
referido Mediterrâneo, Ambiente e Tradição, livro
que foi preparado ao longo da década de 1960
(Figura 1), num processo até certo ponto paralelo
àquele que conduziu à edição muito ampliada de La
Méditeranée et le Monde Méditerranéen à l’Époque
de Philipe II, de Braudel, em 1966.
Em Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico é
importante salientar o enquadramento do espaço
analisado –o território português– num quadro
maior de análise, que neste caso é o Mediterrâneo.
Essa dupla escala de análise permite distinguir
traços naturais ou culturais que são comuns a uma
área maior ou traços que já são específicos da região em foco. Aliás, Orlando Ribeiro apercebeu-se
posteriormente daquilo que considerou uma falha
grave na concepção deste seu livro. O país e as
regiões que descrevia neste volume não findavam
na fronteira política com Espanha, antes tinham
continuidade geográfica nos territórios situados
para além da linha de fronteira. Para ampliar o seu
conhecimento das regiões de Espanha que faziam
fronteira com Portugal –e, desse modo, corrigir as
Figura 1. Orlando Ribeiro, 1965. Centro de Estudos
Geográficos, Lisboa.
Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013 ][ 131
Daniel Paiva
falhas que notava neste seu primeiro trabalho de
síntese sobre o país–, Ribeiro chega estagiar em
centros de investigação geográfica em Espanha.
Em 1955, começa a dar forma a esse projecto de
uma Geografia de Portugal revista, correspondente
aos capítulos integrados no tomo V da Geografía
de España y Portugal dirigida por Manuel de Terán.
Cerca de três décadas mais tarde, Suzanne Daveau
tentou dar forma à Geografia de Portugal sonhada
por Orlando Ribeiro, reunindo nos 4 volumes de
uma obra homónima (1987-1991) um vasto conjunto de escritos de diferentes épocas assinados por
Orlando Ribeiro, Hermann Lautensach e por ela
própria, acrescidos de comentários e actualizações
da sua responsabilidade.
Passando para uma pequena síntese dos conteúdos desta edição Portugal, o Mediterrâneo e o
Atlântico, o capítulo I começa por definir a região
mediterrânea, génese do padrão em que Portugal
se insere. Fisicamente é uma região montanhosa,
com um clima temperado e seco a maior parte do
ano. Destaca-se a presença do mar como espaço
de contacto e comércio, onde diferentes povos
ao longo dos séculos comunicaram entre si. Em
termos humanos, no entanto, as civilizações mediterrâneas tiveram sempre a sua base na terra e é a
agricultura que tem maior peso nos modos de vida.
O segundo capítulo descreve o Portugal mediterrâneo, em especial com a caracterização da agricultura
portuguesa. É também defendido como Portugal,
em termos físicos, para além dessa influência, está
exposto a outras duas de relevância: a Atlântica e a
continental interior. Orlando Ribeiro descreve as
diferentes culturas e modelos de habitação que correspondem a essas influências. O terceiro capítulo,
por sua vez, vem caracterizar o Portugal Atlântico.
Reforça-se a ideia de regiões distintas em Portugal:
o Norte, a Terra Fria, chuvosa e montanhosa, e
o Sul, a Terra Quente, seca e plana. A influência
Atlântica verifica-se principalmente na primeira.
De salientar também os grandes impactos que
o contacto com o Atlântico trouxe a Portugal: a
revolução na agricultura decorrente da introdução
132 ][ Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013
do milho nas colheitas e a grande influência do
comércio marítimo na economia portuguesa. Por
último, no capítulo 4, Orlando Ribeiro resume
as divisões fundamentais que compõem Portugal,
identificando as dicotomias Norte-Sul, interiorlitoral e terra alta-terra baixa. Sintetiza também as
três principais regiões que identificou em Portugal
continental: o Norte Atlântico, o Norte interior e
o Sul. Apesar destas distinções, salienta-se a unidade do território. Apontam-se dois factores para
essa mesma unidade. O primeiro corresponde
às migrações interiores, bastante activas na sua
sazonalidade. O segundo factor corresponde aos
movimentos de civilização: a romanização, que se
verificou de Sul para Norte, e a Reconquista, que
se processou no sentido contrário.
Este livro pode interessar a vários públicos.
Desde já, como clássico da Geografia portuguesa,
irá interessar a geógrafos ou amantes da geografia
que pretendam aprofundar o conhecimento acerca
do que se fez na disciplina em Portugal. Paralelamente, oferece uma imagem muito valiosa do país
essencialmente agrícola que Portugal foi até meados do século XX, ao mesmo tempo que concede
pistas de leitura ainda hoje muito válidas sobre o
processo que conduziu à formação de uma nação e
à definição da sua identidade específica no contexto
da Península Ibérica e da Europa. Trata-se de um
importantíssimo ensaio, detalhado e minucioso,
apresentado sob a forma de uma síntese exemplar.
REFERENCIA
Ribeiro, G. (2012), “La genèse de la géohistoire chez
Fernand Braudel: un chapitre de l’histoire de la pensée
géographique”, en Annales de Géographie, núm. 686,
Paris, pp. 329-346.
Daniel Paiva
Instituto de Geografia e Ordenamento do Território
Universidade de Lisboa
De Ita Rubio, L. (coord.: 2012),
Organización del espacio en el México colonial: puertos, ciudades y caminos,
Instituto de Investigaciones Históricas,
Universidad Michoacana de San Nicolás de Hidalgo México,
425 p., ISBN 978-607-424-036-8
Este libro reúne una serie de trabajos centrados
en la organización del espacio durante el periodo
colonial y es resultado del proyecto “Puertos,
ciudades y caminos en la organización del espacio
novohispano”1 donde se buscó reunir a historiadores y geógrafos para analizar el papel de estos
asentamientos y vías. De esta manera, los capítulos
nos llevan desde diferentes escalas y temporalidades
al examen de las consecuencias que tuvo el periodo
colonial en la estructuración del espacio en la Nueva España ya que, de acuerdo con la coordinadora
de esta publicación, el origen de la organización
espacial del México moderno ha de buscarse en el
periodo colonial donde se establecieron estructuras
y sistemas espaciales que, con cambios relativos en
su larga duración, aún subsisten.
El libro está divido en tres secciones, la primera
se concentra en la importancia de la Ciudad de México como el centro político, económico y de población durante esta etapa, en él se presentan dos
textos. En la segunda sección, que versa sobre
asentamientos costeros y puertos, es la parte central
de este libro con la mayor cantidad de capítulos,
ocho. Y por último, incluyendo cuatro capítulos, en
la sección sobre caminos y estructura regional se
examinan las consecuencias y las transformaciones
del paisaje y el territorio a partir de la colonización.
Así, continuaremos con una semblanza de cada
sección, de aquellos contenidos de los capítulos
que medulares, compartidos en diferentes textos,
y que creemos representan los ejes de este libro.
Primera sección. Una de las particularidades de
la organización espacial en la Nueva España fue la
Proyecto de Ciencia Básica Conacyt 47-705, con sede en
el Instituto de Investigaciones Históricas, Universidad Michoacana de San Nicolás de Hidalgo, bajo la responsabilidad
de Lourdes de Ita.
1
concentración de poder político y económico en la
Ciudad de México. Las causas de esta centralización
son detalladas por Guillermina del Valle Pavón
en el primer capítulo “Orígenes de la centralidad
comercial y financiera de la Ciudad de México”
en el que se muestran los orígenes históricos de la
hegemonía de la ciudad como núcleo comercial,
financiero y fiscal de la Nueva España, entre 1521
y 1570. De esta manera, la autora presenta aquellos procesos que dieron lugar a la centralización;
en primer lugar, la concentración de metales y
monedas con el establecimiento de las Caja Real
y la Casa de Moneda y de la actividad comercial
fortaleciendo la posición de los mercaderes de esta
urbe; y en segundo término, la red de caminos desde la Ciudad de México que conectaba con puertos
y centros productivos (minas, haciendas, plantíos
de caña) y que articulaba la comunicación dentro
de Nueva España y con el exterior.
Esta concentración de poder político y económico estuvo acompañada de la concentración
de población que requería, según lo concebía el
Estado, un mayor control y estrecha vigilancia
para mantener el orden público y la segregación
espacial de ciertos estratos de la población. Cómo se
organizó el control territorial de la ciudad y cuáles
fueron las razones subyacentes es el eje del texto
“Espacio y orden público: origen e historia de la
demarcación de los cuarteles de la Ciudad de México” de Guadalupe de la Torre Villalpando. A través
de siete diferentes demarcaciones, a lo largo de los
siglos XVII y XVIII, se expone la organización y
los métodos de control que se plasman en reconstrucciones cartográficas comparadas con la traza actual, lo que permite tener una dimensión contemporánea de los procesos y de los mapas históricos.
Segunda sección. Por otra parte, los asentamientos costeros y los puertos fueron significativos
Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013 ][ 133
Gerónimo Barrera de la Torre
en la organización espacial de la Nueva España, ya
que como menciona Miles Ogborn en su escrito
“Making connections: port geography and global
history”, los puertos articularon redes marítimas y
terrestres de transporte que permiten examinar la
geografía y la historia del comercio global y de los
imperios. Siendo así un puerto, un espacio pequeño
con alcances globales, el énfasis y los análisis, según
el autor, deberían centrarse en las conexiones y las
redes que en estos espacios se fabrican, de manera
que pueden ser más o menos globales dependiendo
de su posición y el papel en el sistema.
En este sentido, los puertos además de su relevancia en el comercio mundial considerando la
expansión del capitalismo desde el siglo XVI donde funcionaron como puntos nodales, afectaron
considerablemente la organización del territorio
novohispano. Como menciona de Ita Rubio en
su escrito “Piratería, costas y puertos en América
colonial y la organización del espacio novohispano”, el tipo de desarrollo de los puertos dependió
en gran medida de un contexto de competencia y
conflictos con otros Estados que se evidenciaron
en las medidas tomadas para proteger el territorio
de saqueos e invasiones. A partir de una semblanza de los peligros que enfrentaban tanto las
poblaciones de las costas novohispanas como los
navíos comerciales y militares, frente a los ataques
de las embarcaciones de por ejemplo, ingleses y
franceses, se examinan las medidas para reguardar
los intereses coloniales, como la introducción de
la Inquisición o la promulgación de nuevas leyes
para el establecimiento de poblaciones. Asimismo,
la decisión de escoger solo unos cuantos puertos
estratégicos para el comercio internacional y su
comunicación de manera prioritaria a la Ciudad
de México donde se concentraban las actividades
económicas y el capital, fomentó una centralización
que dificultó el desarrollo regional. En este sentido
el capítulo titulado “El puerto de Veracruz ante
un asalto pirata: mayo de 1683” de Clara Elena
Suárez Argüello, relata el ataque a partir de una
semblanza del puerto de Veracruz en el siglo XVII,
la actividad pirata y un documento hallado en la
Biblioteca Nacional de París escrito por un fraile
que atestiguó el ataque. Lo cual lleva a la autora a
reflexionar sobre la ineficiencia de los sistemas de
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defensa del puerto en una coyuntura de centralización significativa de la organización espacial y de
su lejanía de la metrópoli colonial.
La particularidad de Nueva España y sus puertos
en el contexto mundial es patente en el comercio
establecido entre Manila y el puerto de Acapulco.
El eje traspacífico, que examina Carmen Yuste en
“El eje transpacífico: la puerta novohispana al
comercio con Asia” en cuanto a su dinámica y
la regularidad del comercio, tuvo consecuencias
importantes en la Nueva España al ser la principal
beneficiaria de este comercio. Debido entre otros
puntos, al régimen de puerto único que convirtió
Acapulco en el receptor y distribuidor de mercancías asiáticas. Y también al carácter monopólico
de los almaceneros de la Ciudad de México que
tuvieron el beneficio casi exclusivo durante las ferias
del galeón de Filipinas, sobre todo por el control de
la circulación de plata y moneda que conservaron
durante gran parte de la Colonia (Pérez, 1988).
Por otro lado, la importancia de los puertos
del Pacífico tanto en la exploración, colonización
y apertura de nuevas redes comerciales se analiza
en tres capítulos. Por ejemplo en la propuesta
de Guadalupe Pinzón Ríos: “De Acapulco a San
Blas: restructuración de los puertos del Pacífico
novohispano durante el siglo XVII”, el objetivo
principal es la evolución de estos dos puertos, sus
relaciones con algunas poblaciones del interior y
el establecimiento de redes comerciales nuevas.
En particular en torno a los espacios organizados
para producir alimentos e insumos así como para
el envío de mercancías que articularon estos nodos
con las poblaciones al interior. La autora resalta las
diferencias entre el puerto de Acapulco, orientado
al comercio, frente al de San Blas enfocado a la
seguridad de la costa y con un mayor dinamismo
en cuanto a la manufactura de algunos efectos para
la reparación y construcción de navíos en sus pequeños astilleros. Una de las principales funciones
de este nuevo asentamiento fue la de llevar a cabo
exploraciones que permitieran el establecimiento
de nuevas localidades. Esto nos remite al capítulo
“Comercio marítimo y nacimiento de los puertos
del Golfo de California”, donde Dení Trejo Barajas analiza el establecimiento de los puertos en
esta zona como un proceso regional en el cual las
Organización del espacio en el México colonial: puertos, ciudades y caminos
conexiones marítimas permitieron la colonización
y el control de territorios alejados como la Alta
California. En este sentido el establecimiento de
San Blas, por parte del visitador José de Gálvez,
ayudó a que la actividad mercantil y el comercio
(en parte ilegal) se agilizaran, con el resultado de
un mayor número de asentamientos. Con la liberalización del comercio y después de la guerra de
Independencia, la actividad en los puertos secundarios se intensificó dinamizando al mismo tiempo
la economía de los poblados del interior y dando
salida a sus excedentes productivos. Por ejemplo,
la autora menciona la relación entre los puertos de
Guaymas, Mazatlán y La Paz con un centro minero
de importancia. Por último, dentro de esta misma
cuestión en el capítulo “Las villas y los puertos del
Pacífico norte novohispano”, de Jaime Olveda, se
analizan las vicisitudes en el establecimiento de
asentamientos fijos en la costa en la parte norte del
Pacífico. Aunque fueron de gran importancia para
la expansión y colonización de nuevos territorios,
las políticas del gobierno como la restricción del
comercio o la falta de caminos que articularan los
nuevos poblados impidieron el desarrollo de una
sociedad marítima.
Para llevar a cabo las exploraciones y la colonización, los marineros tuvieron que generar una
serie de conocimientos sobre las características del
entorno físico que les permitieran navegar con
mayor seguridad. Para esto fueron necesarias nuevas
técnicas y nuevos instrumentos, pero para la transmisión y control de estos saberes los itinerarios, los
derroteros y la cartografía fueron fundamentales.
En el capítulo de Flor Trejo Rivera “Los puertos
novohispanos del Golfo de México y su entorno
geográfico marino”, se detallan las formas en que se
comprendía y aprehendía el entorno marino entre
los siglos XVI y XVII y los recursos que permitieron
la orientación de los marineros y el reconocimiento
del medio sin contar con la exactitud que el desarrollo tecnológico permitiría más adelante.
Tercera sección. La organización espacial
sufrió cambios importantes durante el encuentro
entre las culturas prehispánicas y la española, en
donde esta última terminó imponiendo un nuevo
orden. Bajo esta idea se pueden agrupar los cuatro
capítulos que comprenden la última sección cen-
trada en los caminos y la estructuración regional.
En este sentido, el capítulo de Gustavo G. Garza
Meriodo, “Márgenes del Altiplano meridional:
espacios estratégicos prehispánicos, espacio no
prioritarios a partir del siglo XVI”, expone la organización territorial y del paisaje durante el periodo
prehispánico en tres altepeme y el posterior cambio
con la conquista, lo que resultó en el abandono y
transformación de ciertos espacios, así como la
modificación en la utilización de algunos elementos
del paisaje. Este encuentro entre diferentes formas
de concebir el uso y la organización del espacio
afectó de igual forma los caminos que en el caso
particular de la zona central de Michoacán derivó
en cambios sustanciales en la estructura de los asentamientos y por ende de las vías. Así en el capítulo
titulado “Caminos prehispánicos y españoles en el
Michoacán central en la primera mitad del siglo
XVI: dos formas de apropiación del espacio” de
Igor Cerda Farías se aprecian las diferencias en la
utilización y concepción de los caminos entre los
indígenas tarascos y los primeros colonizadores
españoles. En esta misma zona del país la llegada
de los conquistadores supuso la introducción de
espacios para la producción que sirvieron para
apropiar y ocupar territorios. En particular, en el
capítulo conjunto de José Omar Moncada y María
del Carmen López Nuñez, “Los espacios para la
producción como elementos estructuradores del
territorio en la región de Valladolid”, se examinan
las haciendas como nuevos elementos de la organización espacial que propiciaron transformaciones
en el paisaje de la región y una nueva estructura
territorial. Por último, Pedro Sergio Urquijo Torres
en la “Organización del territorio en la Huasteca
colonial” detalla de igual modo las alteraciones
que sufrió dicha región con la introducción de
nuevas prácticas por parte de los españoles como
la ganadería y nuevas estructuras socio-políticas
abocadas a la apropiación y explotación de recursos que causaron una reestructuración territorial
trastocando la organización espacial prehispánica.
De esta forma, el libro aquí examinado integra
trabajos de interés no solamente dentro de sus áreas
y periodos de estudio, ya que presentan distintos
acercamientos para el análisis de las transformaciones y la evolución de paisajes y territorios en la
Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013 ][ 135
Gerónimo Barrera de la Torre
Nueva España. Lo anterior es de suma importancia
para comprender las características del México
actual. Su herencia como parte de la expansión
del capitalismo desde el siglo XVI y la disposición general durante el Virreinato de caminos,
puertos y centralización de poder y dinero en la
Ciudad de México que definió una estructura de
comunicación inter e intrarregionales deficiente,
permitió el saqueo del país bajo una organización
del espacio orientada hacia el exterior (Moreno y
Florescano, 1977) la cual, en nuestra opinión, no
ha sido superada. Asimismo es evidente que los
patrones geográficos resultantes tienen la impronta
clara de la sociedad que utiliza y organiza el espacio
(Smith, 2006), lo que hace ineludible el estudio de
la organización espacial en la que se fundamenta la
actual configuración.
136 ][ Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013
REFERENCIAS
Moreno Toscano, A. y E. Florescano (1977), El sector
externo y la organización espacial y regional de México
(1521-1910), Universidad Autónoma de Puebla,
Puebla, pp. 14-15.
Pérez Herrero, P. (1988), Plata y libranzas. La articulación comercial del México borbónico, El Colegio de
México, México.
Smith, N. (2006), La producción de la naturaleza. La
producción del espacio, Facultad de Filosofía y Letras,
UNAM, Sistema de Universidad Abierta, México.
Gerónimo Barrera de la Torre
Facultad de Filosofía y Letras
Universidad Nacional Autónoma de México
Neto, M. F. de S. (2012),
Planos para o Império. Os planos de viação do Segundo Reinado (1869-1889),
Alameda, São Paulo,
263 p., ISBN 978-85-7939-119-4
O livro aqui resenhado foi escrito como tese de
doutorado, defendida em 2004 na Universidade
de São Paulo (Brasil). O autor, atualmente ocupando a cadeira de teoria e método em geografia
da mesma universidade, iniciou seus estudos no
estado do Ceará, migrando para as salas acadêmicas
paulistanas em 1992, onde começou a desenvolver
sua dissertação de mestrado intitulada “Senador
Pompeu: um geógrafo do poder no Império do
Brasil” (defendida em 1997). O doutorado que dá
título ao livro teve início em 2000 e, como se pode
observar em sua trajetória intelectual, Manoel Fernandes desenvolve seus estudos preferindo abordar
uma história que não esteja limitada às fronteiras
disciplinares da geografia acadêmica.
Com efeito, não foi a geração de Manoel que
inaugurou os debates sobre a história da geografia
no Brasil, mas das antigas gerações até a sua, existe
uma diferença significativa de abordagem. Muitos
geógrafos, formados entre as décadas de 30 a 50,
produziram comentários sobre a história da disciplina: Azevedo analisou os primeiros impulsos da
geografia brasileira alimentada pela escola francesa
(Azevedo, 1976), Mamigonian observou a gênese
de geografia e seus cruzamentos com outras disciplinas (Mamigonian, 1999), Carlos Augusto
Monteiro (Monteiro, 1980) elaborou uma obra
de estilo testemunhal.1 O que é marcante nessa
historiografia é o estilo ensaísta, sem especificidade
metodológica e a focalização de objeto na história
disciplinar ou institucional da geografia.
A geografia crítica produziu - e ainda produz sua leitura da história, numa perspectiva talvez um
pouco iconoclasta: a “pequena história crítica” de
Não pretendemos esgotar aqui a literatura sobre a história
da geografia. Todos os geógrafos, com exceção de Azevedo,
estão vivos e foram professores da Universidade de São Paulo.
1
Robert Moraes atingiu um público até então alheio
à história da disciplina e firmou-se como um verdadeiro manual (Moraes, 2007); Lia Osório Machado
também mergulhou nos estudos sobre o passado
(Machado, 1995); Milton Santos pôs abaixo alguns mitos sobre autores clássicos, consolidando
o que se chamaria de “tradicional” tudo o que diz
respeito à geografia clássica (Santos, 2004). Nesse
sentido, a revisão “crítica” da história da geografia
foi utilizada como formação teórica para estudos
geográficos mais amplos.
Dessa forma, foi a geração de Manoel Fernandes, podemos dizer, que inaugurou um estudo da
história da geografia com preocupação metodológica, dialogando com os métodos desenvolvidos
na história e na história da ciência, com atenção
historiográfica, contextual e documental. Estavam
associados a este movimento os professores –então
estudantes- Sérgio Nunes Pereira (Pereira, 2004),
Perla Zusman (Zusman, 1996),2 entre outros.
Foram esses mesmos autores brasileiros, com
colaborações internacionais, que levaram a cabo a
edição da Revista Terra Brasilis, a primeira revista
no mundo especializada em história da geografia,
sendo publicada sua primeira série entre 2000 e
2007.3 Esta geração preferiu estudar geografias
produzidas fora do âmbito das universidades e
distantes do marcos de periodização comumente
Esses autores, citados na bibliografia, também foram estudantes da Universidade de São Paulo e hoje lecionam ou
pesquisam na Universidade Federal Fluminense, no caso de
Sérgio Nunes, e no Conicet (Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas), no caso de Perla Zusman.
3
A revista Terra Brasilis foi reeditada e atualmente está sendo
publicada no portal Revues.Org. Cf: http://terrabrasilis.
revues.org/
2
Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013 ][ 137
Larissa Alves de Lira
aceitos e vinculados à institucionalização,4 constituindo suas obras, a nosso ver, como uma quase
arqueologia do saber geográfico. Nesse sentido,
destacam-se os temas das sociedades de geografia
e dos engenheiros geógrafos.
Os planos para o império são planos de viação
elaborados por engenheiros entre 1869 e 1889 para
promover a integração do território brasileiro através das técnicas de circulação disponíveis: estradas,
vias férras e vias fluviais. Cada um, a seu tempo,
defende uma proposta de circulação para o Brasil:
integração prioritária no sentido leste –oeste ou
norte-sul, ligação das vias férreas com os portos
litorâneos ou com as nascentes dos rios, divisão das
bacias hidrográficas e suas interconexões, trilhos
feitos de madeira ou outros materiais, bitolas largas
ou estreitas para as vias férreas.
Após um prefácio de Antonio Carlos Robert
Moraes reafirmando como o problema da circulação dominou mentes de autores importantes
como Friedrich Ratzel e Vidal de la Blache, ele é
seguido por um “Prólogo” em que Manoel Fernandes afirma que o problema da integração territorial
brasileira ainda é atual e que a questão que rege o
trabalho é encontrar os elos entre o projeto político
imperial (elaborado após a independência do Brasil,
a centralização do Estado, a guerra do Paraguai5)
e os planos de viação (a maioria dos engenheiros
geógrafos em questão estão ligados às instituições
estatais ou participam de associações corporativas).
Este é um processo, sugere o autor, que não finda
com o século XIX e, pode-se dizer, seguindo os
rastros de Braudel (Braudel, 1992), que os elos do
passado estão ligados aos problemas do presente
através de uma “história-problema”.
Ademais, coloca-se como questão o motivo pelo
qual os planos de viação não foram implementados
pelo império e as razões são discutidas ao longo de
todo o trabalho e notavelmente na conclusão que
Nos manuais de história da geografia e da ciência brasileira, 1934, ano de fundação da Universidade de São Paulo,
é a data de referência que dá início a “fase cientifica” das
ciências no Brasil.
5
A guerra do Paraguai (1864-1870) torna urgentes os melhoramentos para a interligação das fronteiras com a capital
(Neto, 2012:47).
4
138 ][ Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013
foi denominada de “Epílogo”. O capítulo sobre
contextos, demonstra como a missão de integrar o
sertão ao litoral do Brasil era um projeto modernizador que buscava incluir o país no debate político
e cultural da economia mundial em gestação em
fins do século XIX.
Lembremos, como mostra o autor, que este
século é o período do imperialismo, de expansão
aos territórios de além-mar, da formação de Estados
como o da Itália e da Alemanha e de independências de países periféricos. É também o século em
que o capitalismo internacional encontrou como
nicho importante a construção de estradas de ferro e navios a vapor (Clozier, 1963). O plano de
integrar território fazia parte do espírito da época,
ainda que este processo tenha sido implementado
desigualmente e em tempos diferentes. Parte da
elite brasileira, sonhando com um estado moderno,
queria se ver à imagem dos estados europeus que
exibiam seus feitos, mapas e globos nas exposições
universais, eventos nos quais o estado brasileiro
também estava presente,6 apesar dos seus enormes
traços de arcaísmo, a exemplo da abolição do trabalho escravo, que só ocorre em 1888.
O capitulo seguinte é denominado de “Tessituras”, no sentido de fazer do discurso dos personagens e das instituições tramas de uma mesma
narrativa. É destacada a formação cosmopolita e
letrada desses engenheiros, quais sejam: Honório
Bicalho, André Rebouças, João Ramos de Queiroz,
Eduardo Moraes e Antonio Maria de Oliveira Bulhões, bem como as principais instituições em que
estavam envolvidos os personagens: o Ministério
da Agricultura, Comércio e obras Públicas, o Instituto Politécnico e o clube de engenharia, entre
outras. A idéia de revelar vozes para além da dos
personagens, dá vulto quanto ao compromisso de
Fernandes com historiografias da história social das
ciências e da sociologia das ciências, destacando-se
trabalhos de Maria Amélia Mascarenhas Dantes,
Silvia Figuerôa e Pierre Bourdieu.
A propaganda do progresso e “o sonho de um mundo sem
fronteiras encontrava alento na realidade europeia de um
mundo cortado por vias férreas [...]”. Tudo isso era celebrado
nas exposições universais (Pesavento, 1997:48).
6
Planos para o Império. Os planos de viação do Segundo Reinado (1869-1889)
Por fim, aparece o capítulo sobre os planos
de viação: plano Moraes (1869), plano Queiroz
(1874, 1882), plano Rebouças (1874), plano Bicalho (1881) e plano Bulhões (1882). Este capítulo
revela a originalidade das fontes, que vão desde os
relatórios do Ministério da Agricultura, Comércio
e Obras Públicas, às cartas do Império do Brasil
e da República, até os livros e comentários que
acompanharam os planos, estes apresentados por
Fernandes digitalizados em cartas coloridas numa
seção especial do livro.
O plano Moraes buscava unificar as bacias hidrográficas através de vias fluviais, além das linhas
de ferro correndo para o litoral, tendo papel de destaque a ligação da bacia do rio São Francisco com
as linhas litorâneas;7 uma das principais saídas para
o mar se daria pelo Sul do Brasil, demonstrando
como a questão militar impera em suas reflexões.
O plano de Queiroz privilegia as ferrovias, mas
também faz uma regionalização das bacias hidrográficas, procurando, através das linhas férreas,
cruzar o território no sentido leste-oeste enquanto
as baças hidrográficas o cortam no sentido nortesul e privilegiando a saída para o Atlântico. O
plano Rebouças, o mais liberal de todos, procura
promover o financiamento da circulação através
de capitais privados e recomenda, ademais, que as
ferrovias sejam construídas com madeira, material
abundante no Brasil e com bitola estreita, no sentido de diminuir os custos, dada a enorme extensão
do território. No que toca à configuração das ferrovias, cortariam o Brasil no sentido leste-oeste em
paralelas e procurariam ligar, através de convênios
internacionais, o Atlântico com o Pacífico. O plano
Bicalho procura aprimorar não apenas o sistema de
circulação, como a forma de subsídio que o Estado
oferece na construção das ferrovias. Este plano é
similar ao de Queiroz, com a diferença de que as
linhas ferras estariam mais interiorizadas. Por fim,
o plano Bulhões, o mais simples de todos, desenha
uma espécie de cruz no território brasileiro, corO Moraes também sugeriu a mudança da capital do Brasil
para o interior da bacia do São Francisco, antecipando o
debate sobre a mudança da capital do Brasil para o interior
que ocorreria em comissões que futuramente conformariam
o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
7
tando através de rios e trilhos o Brasil nos sentidos
principais (norte e sul, leste e oeste).
Todos os planos têm por base a atração que o
mar exerce numa economia de exportação como
era a do Brasil e a concepção de que para lograr
um bom sistema técnico era preciso aproveitar os
elementos naturais. Nesse sentido, a geografia do
Brasil ditaria as linhas principais de comunicação
e o fato do país ser um território longelíneo se
apresentava como um problema, tal como ocorre
na Itália. Outros conhecimentos eram necessários:
nível de declividade dos rios, navegabilidade e raio
de suas curvas. Todos os planos defendem o uso da
bitola estreita, por motivos que já foram apresentados. Uma das divergências diz respeito ao grau
de centralização do território, sendo que André
Rebouças privilegiaria a autonomia das províncias
enquanto os demais pregariam uma centralização
(mas que não chegava a se apoiar no sistema radial
francês). Todos procuram uma forma de circulação
que se assentasse sobre o melhor aproveitamento
da própria conformação geográfica do território,
motivo pelo qual as bacias hidrográficas ganham
tamanho destaque. A incorporação da província
do Mato Grosso, palco da guerra contra o Paraguai
(1864-1870), era vista como estratégica e o principal desafio de todos eles era integrá-la ao restante
do território. Além disso, o principal objetivo,
no seu conjunto, era a mobilização de migrantes
que viriam colonizar as novas terras e promover,
através do transporte de materiais, uma agricultura
mais moderna. É evidente que, em se tratando do
século XIX, as estradas também estariam comprometidas com a civilização e com a modernização
do Estado, levando para os confins a moeda, a
bandeira brasileira e os laços de fraternidade entre a
população. Em alguma medida, tratava-se também
de consolidar as fronteiras com os países vizinhos
e transformar o Brasil, através de sua rede de comunicações internas (e no qual os rios têm papel
essencial na delimitação das separações), em uma
“ilha”, nas palavras de alguns engenheiros.
O penúltimo capítulo, antes do Epílogo, é
denominado “Mapas”. Neste capítulo, Fernandes discute, em linhas gerais, os conhecimentos
geográficos que estavam disponíveis na época
do império e os melhoramentos materiais que já
Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013 ][ 139
Larissa Alves de Lira
estavam consolidados. A maioria dos planos se assenta sobre a Carta do Império do Brasil de 1875
e 1883. O autor leva a cabo uma argumentação de
que não eram os parcos conhecimentos geográficos
que impediram a implementação dos planos, mas
sobretudo os interesses das classes dirigentes. Este
argumento é levado às últimas conseqüências no
Epílogo, que conclui que está na resistência à modernização a chave para a compreensão do motivo
pelo qual os planos foram retardados ou relegados
em seus objetivos. Não havia ainda um amplo
interesse na substituição do trabalho escravo pela
mão de obra assalariada, estimulada pela migração;
as terras não podiam ser distribuídas e sua expansão
deveria limitar-se à incorporação ao latifúndio,
não podendo ser democratizadas através da colonização. O autor conclui ser o caráter especulativo
da propriedade da terra no Brasil, problema ainda
existente, o cerne da compreensão do arcaísmo da
modernização do Estado brasileiro.
Uma das originalidades do livro de Fernandes é
combinar as perspectivas da história da cartografia
com as da história da geografia e com as da história
do Brasil. O autor incorpora a análise de mapas
antigos como documentos históricos. Os mapas são
vistos como textos que representam uma época do
passado, fontes estas que são particularmente propícias num período de criação e modernização dos
Estados Nacionais, do surgimento de novo poderes
e traçados de fronteiras. A análise, contudo, não
leva a fundo uma crítica das fontes, condizentes
com os últimos avanços da história da cartografia
iberoamericana. Os congressos específicos da história da cartografia, promovidos a partir de 2006
(Buenos Aires, 2006, México, 2008, São Paulo,
2010 e Lisboa, 2012) promoveram avanços na
crítica dos mapas no que toca às mudanças de linguagem, a evolução do uso da cores nos mapas, a
permanência ou mudanças de nomes geográficos,
entre outros. Contudo, permanece o pioneirismo
do uso de tais fontes e sua integração notável com
a bibliografia sobre a história do Brasil imperial.
O livro de Manoel Fernandes consegue nos
convencer da enorme importância da geografia elaborada pelos engenheiros geógrafos neste período
(1869-1889), no sentido de perceber que temas que
ainda persistem na geografia atual foram alvos de
140 ][ Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013
debates encetados pelos engenheiros. Arriscaríamos
a dizer que há um período em que o debate mais
significativo do ponto de vista geográfico foi levado
a cabo por tais personagens.
A questão do melhor aproveitamento dos recursos naturais e técnicos para implementação de
um plano racional de circulação revisa o debate do
determinismo do ponto de vista de uma geografia
aplicada. E neste ensejo, percebe-se como a questão da adaptação da técnica ao meio geográfico é
um assunto que dominou os fóruns dos geógrafos
numa perspectiva de longa duração. Por isso,
soluções passadas para promover a unificação do
território, através da técnica, encontram motivos
para serem analisadas no debate contemporâneo
(Mendoza et al., 2007).
O livro é de uma facilidade de leitura impressionante e rico vocabulário. Os capítulos são equilibrados e possuem coerência interna. As notas são quase
todas de erudição e ilustram sem exageros algumas
belas imagens da história do Brasil, revisadas por
ampla bibliografia do período, destacando-se as
leituras de Francisco Foot Hardman e Antonio
Carlos Robert Moraes. Como se pode perceber,
os resultados da pesquisa contribuem tanto para
a compreensão da história do Brasil, como para a
evolução do pensamento geográfico.
Os “planos” para o império carregam uma forte
simbologia da dificuldade de se implementarem
ações a partir dos conhecimentos geográficos.
Quantos não são os projetos que resistem na forma
de planos? O conhecimento do território é um
processo de longa duração e a própria disciplina
é vítima dessa temporalidade, daí a importância
de se traçar histórias e arqueologias e buscar uma
visão sintética da história da disciplina. Nesse sentido, não estaríamos totalmente de acordo que o
conhecimento geográfico disponível não coloque
amarras à concretização dos planos, fracassados
apenas por vontade política, segundo Fernandes.
Seu trabalho é rico também no sentido discutir
questões profundas acerca da utilidade do conhecimento geográfico: os homens se antecipam aos
projetos geográficos, tal como a unificação italiana e
ibérica, segundo Vidal de la Blache (Blache, 1889)
foi fruto de obra da paixão e da vontade. Mas de
sua concepção à sua realização há talvez algumas
Planos para o Império. Os planos de viação do Segundo Reinado (1869-1889)
décadas de intervalo. Esta não seja talvez uma reflexão que seja do agrado do autor, conhecida sua
vontade de intervenção social através da geografia.
Mas, no mínimo, esta “filosofia” da geografia continua atual, como se os planos para o império fossem
uma reflexão realista dos nossos próprios planos,
não é Manoel Fernandes?
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(Doutorado em Geografia Humana), Faculdade de
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de São Paulo, São Paulo.
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Zusman, P. (1996), Sociedades geográficas na promoção
do saber ao respeito do território: estratégias políticas
e acadêmicas das instituições geográficas na Argentina
(1879-1942) e no Brasil (1838-1945), dissertação
(Mestrado em Geografia Humana), Faculdade de
Filosofia, Letras e Ciências Humana, Universidade
de São Paulo, São Paulo.
Larissa Alves de Lira
Departamento de Geografia
Universidade de São Paulo
Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013 ][ 141
Osorio García, M. y Á. López López (coord.: 2012),
Investigación turística. Hallazgos y aportaciones,
Secretaría de Turismo-Centro de Estudios Superiores en Turismo,
Facultad de Turismo y Gastronomía-Universidad Autónoma del Estado de México,
Instituto de Geografía-Universidad Nacional Autónoma de México,
Asociación Mexicana de Investigación Turística,
México, 318 p., ISBN 978-607-422-269-2
En la actualidad, el turismo se ha convertido en una
de las actividades económicas de mayor impulso
y crecimiento a nivel mundial. A pesar de las reiteradas crisis y del detrimento social y ambiental
generado por el capitalismo en muchos lugares del
mundo, los datos estadísticos del sector dan una
imagen positiva en términos de crecimiento económico. En este sentido, la Organización Mundial
de Turismo (WTO, por sus siglas en inglés), declara
que en 2012 mil millones de turistas han cruzado
las fronteras internacionales y que entre cinco y
seis mil millones viajan cada año al interior de sus
propios países. Asimismo, dice que
el 9% del PIB mundial proviene del sector; que el
turismo genera uno de cada doce empleos, que
produce 1.2 billones de dólares estadounidenses en
exportaciones, que es responsable del 6% del comercio internacional y del 8% de las exportaciones
de los países menos desarrollados (UNWTA, 2012).
En concordancia con la situación mundial, en
México, el turismo es una actividad económica
que también se encuentra en crecimiento y que sin
importar los matices ideológicos de los diferentes
partidos políticos, se ha establecido como prioritario. Parece haber un consenso en los gobiernos,
tanto a nivel federal, como estatal y local, que
considera que el impulso a dicha actividad es una
estrategia positiva para lograr el desarrollo económico y el bienestar social. Por ende, en los últimos
sexenios, las políticas públicas se han abocado al
establecimiento de planes y programas para una
transformación territorial que permita la inversión y la promoción turística, con una tendencia
creciente. El turismo, en palabras de Ana Pricila
Sosa, una de las autoras del libro, ha adquirido un
carácter estratégico y de prioridad nacional.
142 ][ Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013
La Cuenta Satélite del Turismo de México
(CSTM) elaborada por el Instituto Nacional de
Estadística, y Geografía (INEGI) para el periodo
2006-2010, informa que en el 2010 el turismo
aportaba el 8.6% del PIB.
De acuerdo a los últimos datos de la CSTM en nivel
de empleos alcanzados durante 2010 en la industria
turística fue de 2 millones 231 puestos remunerados, con ello, el turismo sigue manteniéndose
como bastión importante en las cuentas nacionales
de México (SECTUR, 2012:18).
En este contexto se inserta el libro, Investigación
turística Hallazgos y aportaciones coordinado por
Maribel Osorio García y Álvaro López López. En
él se hace patente la importancia de entender el fenómeno en sus múltiples vertientes y desde diversas
visiones, para reflexionar sobre el conocimiento
construido y las implicaciones territoriales, económicas, políticas, ambientales, sociales y culturales
de las actividades vinculadas al turismo. El texto
retoma la discusión del turismo en México y la sitúa
en el ámbito internacional, para posteriormente
analizar diversos casos en México.
El turismo, como lo retoma Jaime Winger, uno
de los autores del libro, ha sido definido por la
Organización Mundial de Turismo, como
las actividades que realizan las personas durante
sus viajes y estancias en lugares distintos al de su
entorno habitual, por un periodo de tiempo consecutivo inferior a un año, con fines de ocio, por
negocios y otros motivos, no relacionados con el
ejercicio de una actividad remunerada en el lugar
visitado (p. 76).
Investigación turística. Hallazgos y aportaciones
Los organismos internacionales especializados
en la materia, los gobiernos nacionales y las instancias locales lo asumen como una estrategia para
el desarrollo; la población lo ve como una fuente
de empleo o como una alternativa para el ocio y
esparcimiento; los académicos analizan sus posibilidades y consecuencias, su impacto, sus dinámicas
y sus tendencias.
Con base en lo anterior, Maribel Osorio y Álvaro López lideran a un grupo multidisciplinario
para reflexionar en torno al turismo y al quehacer
académico que se enfoca en él. A partir de ello discuten el estado del arte, algunos aspectos teóricos
relevantes, propuestas metodológicas, así como
diversas experiencias turísticas en términos de sus
repercusiones socio-territoriales. De la combinación de autores surgidos de diversas disciplinas y
pertenecientes a diversas universidades, tanto de
la República Mexicana como de países tales como
Argentina y Brasil, emergen interrogantes sobre el
turismo en sus múltiples dimensiones.
La estructura del libro está dividida en cinco
partes, que van desde las reflexiones teóricas del
turismo, a los factores que coadyuvan en la consecución del turismo, las experiencias del turismo
convencional y las intenciones de la sostenibilidad
turística. Territorialmente se analizan los alcances
en ciudades pequeñas, en áreas rurales y en áreas
naturales y de conservación.
La primera parte está centrada en las reflexiones teóricas del turismo y contiene tres capítulos
donde se da cuenta de algunas inquietudes de los
estudiosos del turismo, en un esquema que permite
abordar temas divergentes. El primer trabajo se
sitúa desde la hermenéutica dialéctica. Desde ahí,
Napoleón Conde reflexiona sobre la cientificidad
del discurso turístico y, con ello, le da entrada al
conjunto de textos que conforman el libro. En el
siguiente capítulo, Luis Antonio Rizzon y Marcia
María Capellano abordan el papel del hipetexto
en la formación y actuación del turismólogo, en
el cual se explora el papel de las nuevas tecnologías
y su impacto en el sector analizado; y en el tercer
capítulo de la sección, Daniel Jaime explora el tema
del turismo y la cultura en la posmodernidad.
La segunda parte, intitulada “Factores que
coadyuvan en la consecución del turismo” reúne a
cuatro capítulos, donde se analizan diversos tipos
de negocios como las agencias de viajes y las proveedurías; así como a los actores sociales, públicos
y privados, los vínculos entre ellos y sus repercusiones en el espacio turístico. Asimismo, se hace
una caracterización particular de los visitantes. De
manera tal que Daniel Ramírez, Maribel Espinoza,
Francisco Madrid, Graciela Cruz, Cecilia Cadena y
Jorge Hernández analizan los temas anteriores, en
un ámbito que va de lo nacional a lo local, donde
destacan como lugares concretos de estudio el
Distrito Federal, Ixtapan de la Sal y Villa Victoria,
estas dos últimas en el Estado de México.
La tercera parte del libro, “Experiencias del turismo convencional”, está formada por dos trabajos
que se centran en el estado de Quintana Roo. En
el de Ana Pricila Sosa se estudian las percepciones
sociales de un espacio turístico tras el paso del huracán Dean; mientras que el capítulo que Rafael
Romero hace, como parte de su tesis de doctorado,
se analizan las causas de la polarización interregional del estado y su dependencia del turismo.
La cuarta parte se llama “Intenciones de la
sostenibilidad turística y sus alcances en ciudades
pequeñas y áreas rurales” y con ello se da entrada a
una de las temáticas que más importancia han adquirido en los últimos años, es decir, el problema de
la sostenibilidad y el desarrollo sustentable. En ese
sentido, Ismael Rodríguez estudia los factores que
pueden coadyuvar a lograr un desarrollo sostenido
nacional en materia turística. Es importante destacar que el autor afirma que la visión economicista
del sector, además de los intereses políticos y económicos, dificultan la posibilidad de implementar
estrategias sostenibles. Elva Vargas y Alicia Ledezma
miran la sustentabilidad desde el ángulo de la responsabilidad social de las empresas turísticas, para
ello analizan el papel de la ciencia ambiental en
el desarrollo del turismo y hacen propuestas que
buscan acciones directas de las empresas.
El problema del desarrollo sustentable y del vínculo entre turismo y patrimonio se analiza después
desde Tacotalpan y el Tajín, Comala y la costa sur
de Jalisco. Marisa Gutiérrez y Peter Gerritsen plantean que la sustentabilidad del turismo rural depende de la forma en que dicha actividad se adapte al
entorno natural y social de las comunidades rurales;
Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013 ][ 143
Liliana López Levi
Rafael Covarrubias y Ernesto Conde plantean una
estrategia de desarrollo local incluyente, a través
de la creación de microempresas de turismo rural
basado en la oferta del patrimonio natural y cultural, y Francisco Álvarez busca mostrar que si bien
la nominación como patrimonio de la humanidad
es importante, no basta para el desarrollo turístico,
sino que se deben establecer condiciones y planear
actividades que mejoren la calidad de vida de los
habitantes locales.
La quinta parte, el “Turismo en áreas naturales y de conservación” cierra con la problemática
analizada a través de tres capítulos que abordan los
casos del Parque Natural Sierra Nanchitla, el Parque
Nacional Nevado de Toluca y el suelo de Conservación del Distrito Federal. En ellos Juan Carlos
Castro, Miguel Ángel Balderas y Octavio Monroy
abordan el ecoturismo y el turismo de aventura, en
los cuales los elementos naturales y paisajísticos son
de gran relevancia. Maribel Osorio, Sergio Franco
y Héctor Regil hacen un diagnóstico orientado a la
planeación turística, donde dan cuenta de la falta de
un ordenamiento que ha contribuido al deterioro
ambiental en el Nevado de Toluca. El libro termina
con un capítulo donde Bertha Palomino y Gustavo
López también analizan proyectos ecoturísticos
específicos, pertenecientes a la Ciudad de México.
El libro recoge la complejidad del tema del
turismo y aborda sus aristas económicas, políticas,
ambientales, sociales y culturales. La cultura se
muestra en una amplia variedad de formas, desde
la literatura con Pedro Páramo en Jalisco, la música
en Tlacotalpan y la arqueología del Tajín; lo económico en la diversidad de negocios que ofrecen sus
servicios al sector turístico y que quedan ejemplificados con las agencias de viajes, las proveedurías
y las microempresas de Comala; lo social se ve en
los habitantes de las localidades turísticas, en sus
estrategias y en la percepción de su espacio; lo
ambiental queda reflejado en el uso que se le da a
la naturaleza y en el deterioro ecológico que tienen
los lugares a causa del turismo. De manera implícita
o explícita, todo ello abona a la discusión sobre
la pertinencia del binomio patrimonio-turismo
y sobre la viabilidad de la inversión y promoción
turística para el desarrollo local.
144 ][ Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013
Aunque los capítulos son heterogéneos entre sí,
el conjunto de reflexiones se presenta en un formato
bajo el cual los trabajos tienen un esquema común,
organizado en apartados, de manera tal que tanto
en los capítulos teóricos como los estudios de caso
se establecen los antecedentes, las precisiones de
la investigación, donde se incluyen los objetivos,
hipótesis y la nota metodológica, los principales
hallazgos y las conclusiones.
El libro muestra una diversidad de metodologías, que nos llevan desde la teoría de sistemas, hasta
el análisis Delphi; diversas contribuciones tienen
un trabajo de campo, con encuestas y entrevistas;
se reporta también la elaboración de inventarios,
la generación de indicadores y la evaluación de
proyectos. Algunos textos forman parte de tesis
de doctorado, otros son parte de proyectos de investigación colectiva y otros reflejan la trayectoria
de investigadores consolidados. En conjunto, nos
muestran que el turismo no solo es una de las actividades económicas de mayor crecimiento y con
mayor potencial, sino que como práctica social ha
adquirido cada vez mayor importancia como agente
transformador de los lugares.
En este sentido, la obra ha logrado trascender
el ámbito académico, pues de acuerdo con el Sexto
Informe de Labores de la Secretaría de Turismo
(SECTUR, 2012:32), éste ha sido distribuido en
las secretarías de turismo de los estados, entre los
representantes de las cámaras, asociaciones y universidades, con la intención de otorgar una base de
información y conocimiento que apoye la toma
de decisiones en el sector.
SECTUR (2012) Sexto Informe de labores, Secretaría
de Turismo, México [http://www.sectur.gob.mx/
work/models/sectur/Resource/5784/1/images/
SECTUR_6TO_INFORME_LABORES.pdf ].
UNWTA (2012), One Billion Tourists, One Billion Opportunities, World Tourism Organization, Madrid
[http://1billiontourists.unwto.org/].
Liliana López Levi
Departamento de Política y Cultura
Universidad Autónoma Metropolitana-Xochimilco
Miller, M. E. and B. E. Mundy (eds.; 2012),
Painting a Map of Sixteenth-Century. Land, Writing, and Native Rule,
Beinecke Rare Book and Manuscript Library, Yale University,
Yale University Press, New Haven,
216 p., ISBN 978-0-300-18071-8
En 1975 el historiador de arte prehispánico de la
Universidad de Yale, George Kubler, recibió un mapa
antiguo del México central. Se trataba de un documento del siglo XVI con una dimensión de 177
centímetros en forma rectangular y hecho de amate.
Así, pasó a formar parte de los “libros raros y manuscritos” de la Biblioteca Beinecke perteneciente a
la misma Universidad. Pero fue a partir del primer
estudio realizado por John B. Glass que comenzó el reconocimiento del mapa histórico (Carr,
2012b:171). No obstante, solo hasta años recientes,
cuando un estudiante del seminario de arte puso
atención sobre él, es que se formó, en 2007, un seminario para su estudio sistemático. Fue entonces protegido por un vidrio suspendido (Noack, 2012) y de
esta forma comenzaba una nueva era para el mapa:
varias miradas procedentes de diversas disciplinas y
con diferentes enfoques posaron su interés sobre un
mismo objeto en común. Dos años después tomaba
ya su primera forma un conjunto de estudios monográficos y un análisis científico de los materiales que
le dan soporte como no había sucedido jamás con
otro documento del mismo tipo (Magaloni, 2012;
Newman y Derrick, 2012). Dichos avances preliminares fueron presentados en 2009 en una sesión
en el Instituto de Investigaciones Antropológicas de
la UNAM. Finalmente, el pasado 4 de diciembre del
2012, en el Auditorio Jaime Torres Bodet del Museo
Nacional de Antropología de la Ciudad de México,
la presentación fue coordinada y editada por Mary
E. Miller y Barbara E. Mundy, y dos historiadoras
del arte de la Universidad de Yale. Con el título
Painting a Map of sixteenth-Century Mexico City.
Land, writing and Native Rule, el libro se conforma
de una Introducción por parte de la coordinadora
Mary E. Miller, nueve ensayos independientes,1 un
La investigación procede de dos grupos académicos,
principalmente, de la Universidad de Yale y de la Univer-
1
epílogo de las editoras, dos apéndices, un glosario
más una bibliografía completa; incluye, asimismo,
reproducciones nítidas y a color del mapa Beinecke
y varios de sus detalles entre cuantos mapas similares
o asociados a aquél.
La imagen del mapa es fundamentalmente la
de una cuadrícula con divisiones, aparentemente
regulares, en 121 parcelas, asignadas a 143 hombres
y mujeres como posibles terrazgueros y marcados,
cada uno, con un glifo de nombre de una planta de
tule o de maíz.
Por consenso de los estudiosos del mapa éste
debió haber sido elaborado en 1565 bajo el último
de los reinados tenochca. Este dato pudo constatarse
ya que, del lado izquierdo del mapa, aparecen cinco
señores que, ordenados en secuencia, gobernaron
entre 1538 y1565, lo que indica una temporalidad
de unos 40 años. Allí mismo aparece el virrey Luis
Velasco frente a un tlatoque, además de una iglesia y
una hilera de siete casas indígenas. En términos generales, se trata de un documento legal para registrar
tierras y sus dueños y con ello reclamar derechos de
una comunidad indígena sobre ellas. Pero es mucho
más: es un mapa, ante todo, dinámico y flexible.
Esto es, el análisis físico demostró el uso frecuente
de parches y enmiendas lo que quiere decir que fue
un documento constantemente utilizado buscando
objetivos del momento (Carr, 2012a). Asimismo,
el códice plasma todo un contexto político y sosidad Nacional Autónoma de México. Las colaboraciones
provienen de historiadores del arte como Mary E. Miller,
Barbara E. Mundy, Richard Newman, Michele Derrick y
Gordon Whittaker y de antropólogos e historiadores como
son María Castañeda de la Paz, Pablo Escalante Gonzalbo
y Diana Magaloni Kerpel. Sin embargo, el universo de
planteamientos y desafíos que presenta el mapa Beinecke
sugiere la necesidad de contar con más especialistas que
con otros marcos de referencia y escalas de trabajo podrían
completar el abordaje teórico y específico del estudio de
este documento.
Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013 ][ 145
Raquel Urroz
cial de destrucciones y construcciones españolas
mostrando, sobre todo, los ajustes y la crisis en el
sistema de tenencia de la tierra entre las autoridades
españolas y las indígenas (Mundy, 2012b) También
es un mapa histórico que muestra enfáticamente
las generaciones o las genealogías como si se tratara
de una biografía de linaje tenochca (Carr, 2012a;
Castañeda de la Paz, 2012). Por último, la pictografía es, una vez más, una muestra fehaciente de
la tradición estilística de los tlacuiloque (Mundy,
2012a; Whittaker, 2012) lo que permite asimismo
cotejarlo iconográficamente con otros códices de su
época o de su tipo como es el caso del Plano Parcial
de la Ciudad de México (Castañeda de la Paz, 2012).
Ahora bien, sabemos de una gran cantidad de
documentos pictográficos de manufactura indígena
que cumplieron con documentar sus historias y
preservar su visión del espacio. Entre ellos están los
códices con dimensiones geográficas y de contenido
propiamente cartográfico Sin embargo, existen diferentes criterios para definirlos propiamente como
mapas (Urroz y Mendoza, 2010). Barbara Mundy,
por ejemplo, ha propuesto cuatro grandes categorías
para este tipo de mapas de carácter territorial y entre
ellos están los de carácter catastral donde encajaría
el mapa en cuestión (Mundy, 1996:248-256). En
general, son un tipo de códices que en la época colonial fungieron en litigios de terrenos para cumplir,
entre otros, con la finalidad de identificar a la elite
gobernante y mostrar visualmente su estatus junto
con su respectiva extensión territorial para con ello
proteger los derechos de propiedad frente al cabildo
español. Subsanando los problemas de definición y
catalogación de los documentos pictóricos, podríamos decir que aunque este mapa es de contenido
histórico y económico, es, sobre todo, de carácter
territorial y específicamente catastral. Revisemos
entonces solo aquellos ensayos que miran el mapa
desde una perspectiva espacial. Principalmente son
tres autores que lo abordan así: Pablo Escalante,
Barbara E. Mundy y María Castañeda de la Paz
quienes estudian respectivamente el mapa en relación con su topografía, con la tenencia de la tierra
y cotejándolo con otro mapa similar en tiempo,
espacio y contenido.
Comienzo describiendo el artículo escrito por
Pablo Escalante ya que es quien nos brinda la
interpretación del lugar. Es decir, ante todo, es un
mapa que registra un espacio concreto, una locación
146 ][ Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013
especifica. Frente a la dificultad que presenta el
documento de no contar con evidentes topónimos
o glifos de lugar, además de carecer de orientación
o de una relación más amplia con otras partes de
la Ciudad de México, el autor apuesta a su estudio
topográfico. Nos dice que por las distancias y dimensiones representadas se trata de un mapa a escala
local, es decir, una pequeña área pero densamente
poblada aparentemente a las afueras de la traza
urbana de Tenochtitlan. Parece ser una región pantanosa donde abundan canales y flujos de agua que
irrigan los terrenales y algunas chinampas; en fin,
un área de vergeles y árboles. Sin embargo, aquello
que definiría su ubicación precisa a orillas de lago
de Tezcoco al sureste de la ciudad (en la parcialidad
San Pablo Teopan) y fuera de la traza española es
su colindancia con un gran dique que seguramente
es el albarradón de Ahuizotl o San Lázaro. Esto
lo concluye cotejándolo con el mapa de Uppsala
aunque sin señalar su relación con el mapa entre
ambos (Escalante, 2012:105) También aparece en
él una iglesia misma que intuye ser la misma que
aparece en el mapa de Antonio de Alzate como única
construida en el perímetro de la isla (Ibid.:107).2
Finalmente, haciendo referencia a un glifo, concluye
que se trata del barrio de San Jerónimo Atlixco.
Por su parte, Barbara E. Mundy busca descifrar
el uso del mapa y para ello explora el contexto y
situación de la tierra que, para ese momento, aparece escasa, muy peleada y dentro de un sistema de
tenencia prehispánico muy complicado (Mundy,
2012a:42-43). Aunque es claro que el documento
funge como registro, evidencia y como una protección contra los abusos de las autoridades españolas,
es necesario explicar entonces la falta explícita de
propietarios y de medidas de las parcelas (Ibid.:46).
La autora sugiere que esto se debe a la naturaleza
flexible y modificable en sus funciones y lecturas.
Es decir, el mapa, además de sumar nuevas generaciones de propietarios, debió utilizarse también
para transferencias entre dos partes indígenas o
tlatoques, uso que continuó en la época colonial,
para redistribuciones de tierras por parte del cabildo
español. En este caso, y desde la perspectiva española, la autora concluye que el mapa buscó asignar
2
Aunque se reproduce el detalle del mapa de Antonio
de Alzate, el autor no señala la ubicación precisa donde
el lector debe mirar.
Painting a Map of Sixteenth-Century. Land, Writing, and Native Rule
tierras fuera de la traza central y en los márgenes del
lago a donde empujaron a sus nuevos residentes, ya
fueran residentes españoles o elite indígena (Ibid).
En este sentido, podría decirse que el mapa “pone
al día” estos “movimientos espaciales”.
El segundo de sus ensayos es un análisis iconográfico para detectar la relación entre autoridades
españolas y gobernadores indígenas en relación
con el control y la tenencia de las tierras. Ambas
partes buscaban, por medio del mapa, mantener
o establecer poder político y control territorial.
El resguardo de un mapa como este debió haber
estado archivado en el Tecpan o casa señorial de
su respectivo altépetl y en donde se llevaba celosamente el registro de los linajes o tlatocamecayotl.
Mientras que, en el caso de los españoles −quienes
no comprendieron el sentido del registro indígena–
reasignaron las tierras mismas para su beneficio. En
este sentido, la sorpresa es que este mapa no es un
reclamo al cabildo español por parte del gobernante
tenochca, sino de miembros o residentes locales de
los ejidos que reclamaban a ambas partes quienes
se disputaban la apropiación de tierras junto con
sus tributos (Mundy, 2012b:131).
Finalmente, María Castañeda de la Paz propone un cotejo entre el mapa Beinecke y el Plano
Parcial de la Ciudad de México y esto con el fin de
responderse para quién y porqué se elaboró el documento. Partiendo una vez más del entendimiento
del sistema de tenencia indígena, el mapa representa
la tensión, por un lado, entre el cabildo español y
el tlatoani o gobernante indígena; y, por el otro,
muestra la crisis de los linajes y sus tlatoques pertenecientes a su altépetl correspondiente. Tomando esto
en cuenta describe diferencias y similitudes entre
ambos documentos. El Plano Parcial representa una
sección de la Ciudad de México y contiene tierras
señoriales con glifos de nombres que indican los
dueños, todos varones y acompañados por glosas.
También sufrió cambios y enmiendas en la lista de
los gobernadores tenochcas. Por su parte, el mapa
de Beinecke que también sufrió múltiples arreglos,
representa, en cambio, tierras patrimoniales en
posesión de la realeza mexica −con reconocimiento
español− y sus dueños tanto hombres como mujeres. Este mapa, sin embargo, carece de topónimos
y no está acompañado de documentación alguna.
Una similitud fundamental es que ambos mapas
fueron elaborados a lo largo de varios periodos pero
completándose ambos durante el reinado de Cipac.
La autora plantea la posibilidad de que existiera un
archivo en Tenochtitlan que resguardaba la información territorial de cada altépetl, mientras que, a
su vez, cada pueblo derrotado también tenía el suyo.
En este sentido, el Plano Parcial debió pertenecer
al archivo de Tenochtitlan, mientras que el mapa
Beinecke a una librería local.
Como el historiador del arte Ernst Gombrich ha
señalado que una imagen no se lee sola (Gombrich,
2010:45); es decir, para comprender una imagen y
sobre todo, para poder ser interpretada debidamente
es necesario un texto que lo explique. Pero en el
caso del mundo de los códices y mapas antiguos de
tradición indígena no siempre es así. Y como bien
lo explica Elizabeth Hill Boone, estos documentos
formaron parte de un sistema de representaciones
icónico, numérico y espacial que estandarizó cierto
formato, imágenes e inclusive materiales que toda
una carga de significados misma que resultaba
legible para aquellos que compartían las mismas
convenciones estilísticas (Hill, 2010:50-51). En
este sentido, Barbara E. Mundy confirma que, con
este mapa, se alcanzó, una vez más, lo esperado:
“lucidez” y “claridad” de ideas, cosas y acciones para
ser leídos y comprendidos como códigos visuales
(Mundy, 2012b:34-36). Al mismo tiempo, resulta
inevitable el carácter especulativo e hipotético de
las primeras interpretaciones y estudios.
Quizá esta sea la razón por la que los presentadores del libro en el auditorio del Museo Nacional
de Antropología argumentaron que la obra, más que
develar realidades, sacaba a luz nuevos problemas.3
Es decir, en el caso de este mapa, carente de glosas
sobre su superficie y en donde no se ha encontrado
un legajo o documento escrito que lo acompañara,
aumenta la dificultad de su estudio. No obstante,
como subrayó Javier Noguez, el logro reside en el
hecho de haber coordinado y editado un volumen
Los presentadores de la obra, en la velada del Museo Nacional de Antropología (Chapultepec) fueron, además de
Eduardo Matos Moctezuma, Carmen Herrera quien señaló,
sobre todo, la necesidad de cotejar el mapa con otros códices
y la urgencia de trabajar en coordinación más en aspectos
diferenciales. Por su parte, Xavier Noguez enfatizó la dificultad y el reto que implica los estudios de códices mismos
que deben ser, ante todo, trabajos hechos con lupa. Esto es,
analizar cada glifo en particular para después poder mirar
todo el paisaje en conjunto.
3
Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013 ][ 147
Raquel Urroz
colectivo que representa en sí el primer paso de un
largo camino en la vida histórica del mapa.
REFERENCIAS
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physical properties”, in Miller, M. E. and B. E. Mundy (eds.), Painting a Map of Sixteenth-Century. Land,
Writing, and Native Rule, Beinecke Rare Book and
Manuscript Library, Yale University, Yale University
Press, New Haven, pp. 9-30.
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map in the Nineteenth and Twentieth Centuries”,
in Miller, M. E. and B. E. Mundy (eds.), Painting a
Map of Sixteenth-Century. Land, Writing, and Native
Rule, Beinecke Rare Book and Manuscript Library,
Yale University, Yale University Press, New Haven,
pp. 159-176.
Castañeda de la Paz, M. (2012), “Sibling maps, spatial
rivalries: the Beinecke map and the Plano Parcial de
la Ciudad de México”, in Miller, M. E. and B. E.
Mundy (eds.), Painting a Map of Sixteenth-Century.
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and Manuscript Library, Yale University, Yale University Press, New Haven, pp. 53-74.
Escalante Gonzalbo, P. (2012), “On the margins of
Mexico City: what the Beinecke map shows”, in
Miller, M. E. and B. E. Mundy (eds.),, Painting a
Map of Sixteenth-Century. Land, Writing, and Native
Rule, Beinecke Rare Book and Manuscript Library,
Yale University, Yale University Press, New Haven,
pp. 101-110.
Gombrich, E. (2010), “La imagen visual: su lugar en la
comunicación”, en Woodfield, R. Gombrich Esencial,
Ed. Phaidon, Nueva York, pp. 41-138.
Hill Boone, E. (2010), Relatos en rojo y negro. Historias
pictóricas de aztecas y mixtecos, Fondo de Cultura
Económica, México.
Magaloni Kerpel, D. (2012), “The traces of the creative
process: pictorial materials used on the Beinecke
map”, in Miller, M. E. and B. E. Mundy (eds.),
Painting a Map of Sixteenth-Century. Land, Writing,
and Native Rule, Beinecke Rare Book and Manuscript
Library, Yale University, Yale University Press, New
Haven, pp. 75-90.
Mundy, B. (1996), “Mesoamerican Cartography”, in
Woodward, D. and G. L. G. Malcolm (eds.), The
148 ][ Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013
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Press, Chicago, pp. 248-256.
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in the Valley of Mexico and the Beinecke map”, in
Miller, M. E. and B. E. Mundy (eds.), Painting a
Map of Sixteenth-Century. Land, Writing, and Native
Rule, Beinecke Rare Book and Manuscript Library,
Yale University, Yale University Press, New Haven,
pp. 31-52.
Mundy, B. (2012b), “Crown and Tlatoque: the iconography of rulership in the Beinecke map”, in
Miller, M. E. and B. E. Mundy (eds.), Painting a
Map of Sixteenth-Century. Land, Writing, and Native
Rule, Beinecke Rare Book and Manuscript Library,
Yale University, Yale University Press, New Haven,
pp. 11-136.
Newman, R. and M. Derrick (2012), “Analytical report
of the pigments and binding materials used on the
Neinecke map”, in Miller, M. E. and B. E. Mundy
(eds.), Painting a Map of Sixteenth-Century. Land,
Writing, and Native Rule, Beinecke Rare Book and
Manuscript Library, Yale University, Yale University
Press, New Haven, pp. 91-100.
Noack, G. (2012), “Conservation of the Beinecke map.
Appendix A”, in Miller, M. E. and B. E. Mundy
(eds.), Painting a Map of Sixteenth-Century. Land,
Writing, and Native Rule, Beinecke Rare Book and
Manuscript Library, Yale University, Yale University
Press, New Haven, pp. 179-180.
Urroz, R. y H. Mendoza Vargas (2010), “Los mapas de
México: situación actual y análisis de las trayectorias”,
en Oliveira, R. de y H. Mendoza Vargas (coord.),
Mapas de la mitad del mundo. La cartografía y la construcción territorial de los espacios americanos. Siglos XVI
al XIX, Centro de Estudos Geográficos, Universidad
de Lisboa/ Instituto de Geografía, UNAM, Lisboa,
pp. 19-41.
Whittaker, G. (2012), “Nahuatl hierogyphic writing and
the Beinecke map”, in Miller, M. E. and B. E. Mundy
(eds.), Painting a Map of Sixteenth-Century. Land,
Writing, and Native Rule, Beinecke Rare Book and
Manuscript Library, Yale University, Yale University
Press, New Haven, pp. 137-158.
Raquel Urroz
Facultad de Filosofía y Letras
Universidad Nacional Autónoma de México
COLORURAL - XVI Coloquio de Geografía Rural,
Asociación de Geógrafos Españoles,
Sevilla, 10 - 12 de mayo de 2012
Entre los días 10 y 12 de mayo de 2012 se ha celebrado en la Universidad de Sevilla el XVI coloquio
de Geografía Rural de la Asociación de Geógrafos
Españoles (AGE). Bajo el lema Investigando en
Rural, este coloquio continúa con la organización
bianual de coloquios temáticos, al tiempo que
innovando en su estructura y dinámica de trabajo.
El primero de los aspectos señalados es muy importante, dada la trayectoria dilatada y productiva
de las actividades desarrolladas hasta la fecha.1 El
coloquio se efectuó a lo largo de tres días en la sede
central de la Universidad de Sevilla, un edificio
civil del siglo XVIII construido para albergar la Real
Fábrica de Tabacos. Además de esta localización
El grupo de geógrafos rurales de la AGE promueve la organización de reuniones periódicas entre sus socios con objeto
de profundizar en el conocimiento y difusión científica de
los avances en este campo de investigación. Tras un primer
encuentro a mediados de la década de 1960, será dos décadas
más tarde cuando estas reuniones se constituyan en claves
de la agenda de trabajo de los ruralistas españoles, y por qué
no decirlo, del conjunto de los socios de la AGE. Y ello es así
tanto por la extensa trayectoria en la que han tomado parte
la práctica totalidad de universidades españolas, como por la
amplia producción científica que se ha dado a conocer en las
ediciones sucesivas de volúmenes de actas. En la actualidad
estas reuniones se combinan con otras de carácter bi-lateral,
principalmente con ruralistas anglosajones y franceses, lo que
permite ampliar temáticas que enriquecen notablemente
los flujos entre investigadores. Como no podía ser de otro
modo, la experiencia adquirida y los nuevos frentes abiertos
en la disciplina derivan en la introducción de cambios en
la estructura de los coloquios. Este segundo aspecto guarda
relación tanto con la necesaria renovación de las temáticas de
las sesiones monográficas y los planteamientos y destinos de
las jornadas de campo habituales en estos coloquios, como
también en la importancia de vincular a investigadores
procedentes de otras disciplinas y nacionalidades. Sobre
ambos pivota este coloquio de Sevilla, en un equilibrio que
ha resultado fructífero en los aspectos organizativos, estructurales y de contenido, y en la difusión de los resultados.
1
emblemática, las actividades se desplazaron a la sede
de entidades culturales y lucrativas, como la Fundación Cruzcampo, situada en otra instalación
fabril de principios del siglo XX; el conjunto de
empresas de El Esparragal, cuya sede se encuentra
en un cortijo andaluz del siglo XVII; y una jornada
de campo en el parque nacional de Doñana. Este
mapa de localizaciones ha servido para aunar el
trabajo científico con la proyección externa del
coloquio y del propio grupo. La amplia aceptación
de esta propuesta se vio confirmada con la participación de casi un centenar de investigadores y
especialistas en el ámbito de lo rural, con un perfil
de asistentes de procedencia mayoritariamente
nacional. También se contó con la participación
de una interesante representación de investigadores y/o profesionales de América Latina (México
y Brasil) y del resto de Europa (principalmente,
Francia, Bélgica, Alemania e Italia), con diferentes
experiencias territoriales y metodológicas. Y ello
tanto desde el ámbito disciplinar de la Geografía
y de otras ciencias del territorio, como desde la
Agronomía, la Antropología o la Sociología. Todo
ello ha contribuido a enriquecer los contenidos
temáticos, y ha favorecido el debate y la reflexión en
las orientaciones tradicionales de estas disciplinas
interesadas en los estudios rurales.
La estructura y contenidos del coloquio han
supuesto un cambio de orientación. En primer
lugar se han organizado tres bloques de actividades,
correspondientes a las tres jornadas de duración
del coloquio: una primera sobre investigación
científica, precedida de la conferencia inaugural;
sesiones temáticas con la defensa de comunicaciones por parte de los autores; y dos jornadas de
campo. La primera jornada de trabajo se organizó
en dos conjuntos de actividades. De una parte, el
coloquio dio comienzo con la conferencia inaugural
Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013 ][ 149
María José Prados y Ana García
“La valorización del patrimonio agroindustrial del
tequila: ¿Desarrollo local o secuestro corporativo de un
paisaje singular?”, a cargo de Luis Felipe Cabrales
Barajas, de la Universidad de Guadalajara. La invitación a Cabrales se enmarca en el proceso de cambio de enfoque pretendido en este XVI coloquio. El
interés por dinamizar la reunión con la incorporación de investigadores relevantes debía aunar la
participación de investigadores externos al grupo
que supongan una amplitud de enfoques teóricos
y metodológicos. En este caso el enriquecimiento
lo ha sido también de perspectiva territorial, dado
que Cabrales eligió como tema de su conferencia
el concepto de patrimonio territorial,2 su análisis
y puesta en valor, centrándolo en el Valle del río
Santiago. Esta elección le ha permitido centrarse en
la explotación económica del patrimonio agroindustrial del tequila y ha supuesto el acercamiento
a un ámbito como es el del paisaje agavero, tan
alejado en términos económicos y geográficos a la
realidad española, como próximo en planteamientos teóricos y de método (Cabrales, 2012; Cabrales
y González, 2008). Cabrales, además de ser doctor
en Geografía por la Universidad Complutense de
Madrid, participa de forma habitual en actividades
docentes e investigadoras con geógrafos españoles,
de ahí la oportunidad de este acercamiento. El
segundo conjunto de actividades de esta primera
jornada ha pretendido incidir en el contexto científico de la investigación, con la organización de una
mesa redonda y un panel sobre proyectos de investigación financiados y tesis doctorales. La mesa
redonda responde al lema Financiando la Investigación, como impulso a los programas y entidades que
promueven la investigación competitiva en nuestra
temática. Para ello y bajo la coordinación de Javier
Esparcia, de la Universidad de Valencia, la mesa
redonda contó con una destacada participación
2
La noción de patrimonio territorial es planteada por Ortega Valcárcel (1998:35), quien concibe que el territorio
es progresivamente valorado como parte del patrimonio
histórico y cultural. La idea es considerar la construcción
del espacio, más allá del edificio, lo que sintetiza la propuesta de evolucionar “del monumento al territorio”. Ello
supondría un rencuentro entre el “patrimonio natural” y
el “patrimonio histórico” que convencionalmente se han
estudiado como categorías disociadas.
150 ][ Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013
de técnicos responsables de programas europeos y
nacionales. En concreto fueron invitados Miguel
Valle (Centro para el Desarrollo Tecnológico Industrial –CDTI–), encargado de la presentación
del Programa Marco de la Unión Europea en el
área de Ciencias Sociales y Humanidades. Isidro López (Observatorio de la Sostenibilidad en
España) expuso las claves del Programa ESPON,
como Punto Nacional de Contacto y Consuelo
León (Oficina de Transferencia de Resultados de
Investigación de la Universidad de Sevilla) culminó
la ronda de programas de investigación con las
directrices del Plan Nacional de I+D+i, además
de algunos apuntes sobre otros ejes temáticos
del Programa Marco de interés para los estudios
rurales. Todos ellos coincidieron en sus discursos
sobre la importancia de la internacionalización de la
investigación y la necesidad de contar con equipos
competitivos y multidisciplinares. En esta misma
argumentación, los paneles Descubriendo a los otros
y Creando Redes, han pretendido la difusión de la
investigación financiada por los socios del grupo
y otros participantes. La profesora Foronda, de la
Universidad de Sevilla, fue la encargada de presentar una recopilación de tesis doctorales en los
campos de la Geografía y/o temática rural, y de
incidir en la necesaria divulgación de estas investigaciones a través de bases de datos informatizadas
y disponibles en red, como TESEO. Esta actividad
se completó con la presentación de los proyectos de
I+D+i por parte de los investigadores principales,
en su mayoría de ámbito nacional. El volumen
y características de estos proyectos en Ciencias
Sociales y específicamente en Geografía, permiten
hablar de una trayectoria consolidada que debe
ahondar en la internacionalización y en una mayor
interdisciplinariedad.
La segunda jornada de trabajo tuvo como
objetivo profundizar en el análisis y la discusión
científica en torno a tres grandes áreas temáticas:
Nuevos Espacios, Nuevos Pobladores; Una Mirada al
Medio rural, y Ganando Legitimidad. Se organizaron para ello tres sesiones simultáneas destinadas a
la presentación y defensa pública de las comunicaciones presentadas al coloquio. La primera sesión
contó con la coordinación de Carmen Delgado,
profesora de la Universidad de Cantabria. En ella
COLORURAL - XVI Coloquio de Geografía Rural, Asociación de Geógrafos Españoles
se presentaron 23 comunicaciones centradas en el
análisis de la movilidad de la población e inmigración rural; procesos de difusión urbana en áreas
rurales y modelos de urbanismo sostenible; multifuncionalidad y desarrollo sostenible: renovación
y reactivación económica; articulación y dinámica
territorial; las áreas rurales en el escenario de la
Estrategia EU 2020; espacios rurales de frontera:
usos y funciones. En términos cuantitativos hay
que señalar que del total de trabajos presentados,
los centrados en actividades como el turismo, los
movimientos migratorios y las nuevas tendencias
sociodemográficas tuvieron un peso significativo en
el conjunto de la sesión. En paralelo se desarrollaba
la segunda sesión, que bajo el lema Una mirada al
Medio Rural estuvo coordinada por Eduardo Araque de la Universidad de Jaén. En esta sesión, muy
amplia en temática como oportuna y de actualidad,
se defendieron los resultados de investigaciones
sobre paisajes rurales (históricos, culturales, inmateriales; el patrimonio territorial; la protección, uso
y gestión del patrimonio; la conservación del medio rural (políticas e indicadores ambientales); así
como de riesgos naturales e impactos ambientales
derivados de la actividad rural. Sin duda fue la que
mayor número de comunicaciones recibió: más de
30 trabajos se presentaron bajo alguna de las líneas
señaladas. La tercera de las sesiones llevó por título
Ganando Legitimidad: Gobierno, Micropolíticas y
Comunidad, y fue dirigida por Ángel Paniagua, del
Consejo Superior de Investigaciones Científicas.
En ella se incluyeron novedosos temas en relación
con la legitimidad social; capital social y desarrollo
territorial; sistemas de participación; redes sociales;
redes de cooperación territorial y buenas prácticas
en gobernanza rural. Sin duda, de las 21 comunicaciones presentadas, el tema del capital social,
abordado desde diferentes metodologías y escalas
territoriales fue el más trabajado en esta sesión.
Finalizadas las tres sesiones temáticas, la jornada
continuó con un almuerzo y visita a la empresa “El
Esparragal”, en el municipio de Gerena (Sevilla).
El objetivo, conocer experiencias de diversificación
económica en el ámbito agro-rural, centrada tanto
en actividades primarias como en el desarrollo de
programas de ocio y restauración, paquetes turísticos, y de promoción industrial e inmobiliaria.
La explotación agropecuaria es un claro ejemplo
de multifuncionalidad rural, tanto por los frentes
de diversificación económica como por la adaptación a los mercados y a las nuevas demandas de
los consumidores sobre los espacios rurales, temas
que en las sesiones temáticas tuvieron, como se ha
visto, un lugar preminente. En las instalaciones
del cortijo tuvo lugar la Asamblea Ordinaria del
grupo de Geografía Rural donde se plantearon las
acciones llevadas a cabo y el Plan de Trabajo para
el próximo año.
La tercera de las jornadas del coloquio tuvo
por objeto el acercamiento a procesos territoriales que vinculan el medio natural con la nueva
consideración de lo rural. Esta jornada se centró
en el parque nacional de Doñana, bajo el lema El
corazón y las zonas de reserva del Parque Nacional
de Doñana. La elección de este espacio protegido
responde a la extraordinaria proyección de esta
región costero-fluvial y de los ecosistemas que alberga, como también a las presiones a las que se ve
sometida. La visita organizada por Antonio García
y Carlos Posada de la Universidad de Sevilla, dio
comienzo en el centro de recepción de visitantes “El
Acebuche”, desde donde parten las visitas al interior
del Parque. El recorrido de 70 kilómetros permitió conocer de cerca los ecosistemas del parque y
la conformación histórica de este espacio como
reserva de caza, zona de pesca, actividad ganadera
y forestal, y en los últimos años como laboratorio
científico. La primera parte del recorrido transcurrió por las playas de Doñana, que presentan un
intenso dinamismo debido a las progresiones y
regresiones marinas. Estas dinámicas dan lugar a
un sistema de dunas vivas, único en Europa, que
construyen paisajes naturales con unidades tan
características como los corrales, espacios entre dos
dunas móviles de bosque y matorral mediterráneos,
como elementos patrimoniales de gran valor como
las torres vigías del siglo XVI, actualmente refugio
de la avifauna del parque. La visita continuó en
la unidad paisajística de la Vera, frontera entre la
marisma y las arenas estabilizadas o cotos. Esta
franja de trazado irregular se caracteriza por las
filtraciones de agua entre las dunas y arenas más
permeables frente al suelo arcilloso e impermeable
de la marisma; de ahí el crecimiento de pastos y
Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013 ][ 151
María José Prados y Ana García
su condición de lugar preferido por los mamíferos
que habitan en Doñana. El recorrido finalizó en
las unidades de los cotos y la marisma, y se dirigió
la visita al “Poblado de la Plancha”, una recreación
del lugar y condiciones en el que vivieron los últimos pobladores del parque. El recorrido culminó
con una de las características “casas rocieras”, en
el conocido poblado de El Rocío como núcleo
tradicional vinculado al Doñana.
Hasta le fecha estos coloquios han contado con
diversas fuentes de financiación, tanto del propio
grupo como de la Asociación de Geógrafos, y en
el caso de este XVI coloquio, del programa de Acciones Complementarias del Plan Nacional, de las
Ayudas a la Innovación de la Junta de Andalucía,
de la Universidad de Sevilla, tanto de los servicios
centrales como de la Facultad de Geografía e Historia y de los departamentos de Geografía, de la
Asociación Al-Idrisi y la Fundación Cruzcampo;
además de la colaboración desinteresada de profesores, personal técnico y estudiantes. A todos ellos
debe hacérseles partícipes de las actividades realizadas y de los resultados alcanzados. Finalmente y en
relación con las actividades de difusión, el coloquio
ha contado con canales diversificados y de diferente
nivel científico. En primer lugar se ha dispuesto
de una página web del coloquio (http://congreso.
us.es/colorural/) que permanece operativa, donde
se recoge una relación detallada de las cuestiones
organizativas y de contenido. A los asistentes se
les hizo entrega en el momento de la recepción
de un volumen con la conferencia inaugural y la
totalidad de las comunicaciones defendidas en las
diferentes sesiones. Posteriormente todos los participantes recibieron un CD con los paneles, tanto
152 ][ Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013
en lo referente a los proyectos de investigación
financiados como a las tesis doctorales en curso.
Los coordinadores de las sesiones se encuentran
trabajando en la selección de las comunicaciones
más relevantes de entre las defendidas. Es compromiso del Comité Organizador que sean publicadas
como artículos en revistas científicas de prestigio y
que contribuyan así a la divulgación de resultados
y a una mayor proyección de las actividades del
grupo de Geografía Rural más allá de los propios
coloquios.
En 2014 tendrá lugar el XVII coloquio en la
Universidad de Gerona, por lo que la fortaleza y
consolidación de estas acciones tienen continuidad
garantizada gracias a la implicación decidida de los
socios del grupo.
REFERENCIAS
Cabrales Barajas, L. F. (2012), “La valorización del patrimonio agroindustrial del tequila: ¿desarrollo local
o secuestro corporativo de un paisaje singular?”, en
Investigando el Rural, Universidad de Sevilla, Asociación de Geógrafos Españoles, Sevilla, pp. 17-39.
Cabrales Barajas, L. F. y L. González (2008), “Tequila: territorio y turismo”, en Homenaje a Joaquín
Bosque Maurel, Real Sociedad Geográfica, Madrid,
pp. 375-401.
Ortega Valcárcel, J. (1998), “El patrimonio territorial:
el territorio como recurso cultural y económico”, en
Ciudades, Instituto de Urbanística de la Universidad
de Valladolid, Valladolid, núm. 4, pp. 33-48.
María José Prados y Ana García
Universidad de Sevilla
Seminario “Del medioambiente al paisaje: estado de la cuestión
de la geografía francesa (siglos XVIII al XX)”,
Cátedra Elisée Reclus, Centro de Estudios de Geografía Humana,
El Colegio de Michoacán, La Piedad, Michoacán,
5-9 de noviembre de 2012
La Cátedra Elisée Reclus tiene una larga trayectoria
y una fuerte transcendencia en la geografía humana
mexicana. Desde 1997 geógrafos franceses imparten
dos veces al año seminarios y conferencias en las
instituciones mexicanas que organizan y conforman
la Cátedra (Instituto de Investigaciones José María
Luis Mora, Centro de Investigaciones y Estudios
Superiores en Antropología Social, Centro de Investigaciones en Geografía y Geomática “Ing. Jorge L.
Tamayo” y El Colegio de Michoacán), instituciones
que tienen un especial interés en incluir el aspecto
geográfico a sus investigaciones (caso de las dos
primeras) o en profundizar nuevos aspectos teóricos
y metodológicos (en el caso de las otras).
El segundo seminario del 2012 se organizó
del 5 al 9 de noviembre en el Centro de Estudios
de Geografía Humana (CEGH) de El Colegio de
Michoacán. Durante cinco días consecutivos, JeanYves Puyo de la Université de Pau et des pays de
l’Adour (suroeste de Francia) impartió el seminario
titulado “Del medioambiente al paisaje: estado de
la cuestión de la geografía francesa (siglos XVIII al
XX)”. Las sesiones, de una duración de tres horas y
media, fueron conformadas por las presentaciones
del investigador invitado y por media hora de preguntas y comentarios por parte del público, lo que
permitió aclarar algunos puntos de las conferencias
y facilitó la interacción entre los asistentes y el conferencista. Las conferencias se dieron en español y
al final del seminario, Puyo puso a disposición de
los asistentes interesados sus presentaciones. Como
ya es costumbre, las sesiones fueron grabadas diariamente por el equipo de cómputo de El Colegio
de Michoacán para posteriormente ser subidas a la
página de la institución,1 donde se pueden consultar
1 El Colegio de Michoacán, Martínez de Navarrete 505,
Col. Las Fuentes, 59699, Zamora, Michoacán, México
[http://www.colmich.edu.mx/index.php?option=com_
en cualquier momento. Posteriormente el autor
mandó un dossier conformado por una selección de
artículos ya publicados en revistas de idioma francés
e inglés, que tratan de los mismos temas abordados
en el seminario (Puyo, 2006, 2008 y 2012; Degrémont y Puyo, 2007 y 2008); éste fue entregado a
las bibliotecas de las instituciones participantes a la
Cátedra.
En esta ocasión, el seminario de la Cátedra se integró al programa de la maestría del CEGH, cursado
por la quinta generación de alumnos desde septiembre de 2012. Vino a complementar y enriquecer las
materias “Epistemología de la geografía”, “Análisis
y evolución del paisaje” y “Geografía e Historia”,
impartidas en este primer trimestre y fuertemente
vinculadas con los temas abordados por Puyo.
Cabe señalar sin embargo que el seminario, además
de formar parte de la maestría, fue como siempre
totalmente abierto a los académicos y al público en
general, sin ningún costo. En un objetivo de formación permanente, asistieron investigadores de la
misma unidad del CEGH y de otras instituciones,
como la Unidad Académica de Estudios Regionales
de Jiquilpan, el Instituto de Geografía y el Centro de Investigaciones sobre América Latina y el
Caribe de la Universidad Nacional Autónoma de
México. Estudiantes de otros centros de El Colegio
de Michoacán, en especial de historia, acudieron
también con el propósito de colectar información
para la realización de su tesis. Las numerosas conexiones al evento transmitido en vivo a través de la
página internet de El Colegio de Michoacán, tanto
nacionales (68) como internacionales (31), reflejan
también el fuerte interés suscitado por el evento y
los temas tratados. Se puede considerar entonces
que este evento de la Cátedra no solamente consticontent&id=306&Itemid=299].
Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013 ][ 153
Virginie Thiébaut
tuyó un aporte a la maestría de Geografía humana
en curso, sino que también reforzó la proyección
del CEGH, que cumplió diez años de existencia en
febrero del 2012 y que sigue adquiriendo cada vez
más importancia en el ámbito académico geográfico.
Las cinco sesiones del seminario presentaron la
particularidad de abordar el medioambiente y el
paisaje en la geografía francesa, mediante temas y
estudios de caso específicos: la ordenación territorial
forestal, las representaciones artísticas, la Guyana
francesa, para citar algunos. Las sesiones fueron
relacionadas unas con otras y siguieron una secuencia lógica, empezando por la ordenación territorial
para terminar con la noción de paisaje. En todas las
ponencias se presentó una contextualización histórica de las nociones y conceptos, lo que permitió
comprender sus orígenes y su evolución.
En la primera sesión titulada “El origen de la
noción de ordenación territorial: el medio forestal
y sus políticas” se presentaron los antecedentes de
la noción de ordenación territorial. Después de dar
la definición etimológica, el conferencista explicó
que la ordenación territorial empezó en Francia con
la defensa y la gestión de los bosques a partir del
siglo XIV. Las medidas de protección del bosque,
que se multiplicaron durante los siglos posteriores,
tenían varios objetivos: favorecer el desarrollo de
un monte alto en el cual la nobleza podía practicar
la montería y que proporcionaba madera para la
marina. El autor explicó con precisión, mediante
la exposición de varios croquis y fotografías, las
disposiciones que se tomaron y sus impactos sobre la morfología de los bosques, y describió los
distintos tipos de productos forestales obtenidos.
A partir del siglo XIX se consideró la deforestación
responsable de desastres naturales y se tomaron medidas de protección en las cuencas altas. El Estado
francés intervino entonces directamente, mediante
una legislación específica para restaurar las tierras
montañosas. Al final del siglo XIX se fundaron las
primeras asociaciones privadas de reforestación.
Estas medidas de protección se aplicaron igualmente
en el protectorado francés de Marruecos, mediante
una reglamentación específica sobre los aprovechamientos forestales, que dio buenos resultados.
La conclusión de esta primera sesión fue que la
ordenación territorial, base teórica e ineludible al
origen de las reflexiones actuales sobre el desarrollo
154 ][ Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013
sustentable, no es una noción nueva, sino el producto directo de una larga reflexión y de numerosas
prácticas, en especial en el bosque. El conferencista
demostró que hace ya varios siglos que los hombres
deliberan sobre las maneras de preservar y de desarrollar los recursos naturales.
La segunda sesión del seminario titulada “Del
paisaje del artista a la protección de la naturaleza”
estuvo dividida en dos partes. La primera, “El
ejemplo del bosque de Fontainebleau”, presentó
un estudio de caso concreto que vino a ilustrar la
evolución de la ordenación forestal durante los últimos tres siglos, complementando así la sesión del
primer día. La segunda parte de esta sesión titulada
“El ejemplo del Parque Nacional de los Pirineos”
se enfocó a la cuestión de la ordenación territorial
en las montañas. Mediante el ejemplo del bosque
de Fontainebleau, el conferencista enseñó cómo
los agentes forestales responsables de la ordenación
territorial tuvieron que conciliar la producción de
madera con el interés cinegético (cacería, montería)
de los Reyes de Francia ya a partir del siglo XIV. El
bosque presentó también tempranamente un interés
estético, por ser una zona de paseo y el lugar donde
se hallaba el castillo real, por lo cual se tomaron
varias medidas sucesivas de preservación para regular
la tala de los árboles y se favorecieron las operaciones
de regeneración forestal (siglos XVIII y XIX). En
el siglo XIX el interés estético se concretizó con la
fundación de la Escuela de Barbizon: los pintores
empezaron a tomar el bosque de Fontainebleau
como modelo principal para sus pinturas. A partir
de mediados del siglo XIX se desarrollaron nuevas
funciones “higienistas” y turísticas del bosque, con
la aparición y el desarrollo de los aspectos recreativos. Se multiplicaron las publicaciones de guías y
libros sobre el bosque de Fontainebleau y se modificó el medio natural para adaptarlo a los gustos
y a la demanda del público. Con el aumento de la
actividad turística, a partir de 1850 el antagonismo
entre agentes forestales, artistas y turistas creció y se
crearon las primeras asociaciones locales de defensa
de la naturaleza.
En el segundo estudio de caso enfocado a la ordenación territorial en las montañas, se presentó el
caso del parque de Néouvielle, en los Pirineos, que
fue el teatro de diferentes acciones tanto públicas
(relativas a las leyes de “Restauración de los terrenos
Seminario “Del medioambiente al paisaje: estado de la cuestión de la geografía francesa (siglos XVIII al XX)”
de montaña”) como privadas, llevadas a cabo por las
asociaciones de tipo regeneracionistas, conformadas
en Francia durante el último tercio del siglo XIX.
Se trataba de encontrar un medio justo entre la
preservación del parque y las actividades humanas
desarrolladas en él (actividades agro-silvo-pastorales,
actividades turísticas).
En la conclusión de la sesión, el conferencista
presentó las principales medidas de sustentabilidad
ambiental aplicadas actualmente, tanto a nivel
nacional y europeo como a nivel regional: creación
de reservas biológicas y de parques nacionales y regionales; publicación de leyes para la protección de
las especies y de los paisajes, la preservación de las
montañas y de los litorales; creación de inventarios
para la protección de la fauna y de la flora, entre
otras medidas.
En la tercera sesión titulada “Pensamiento modernista y ordenación del territorio: el ejemplo de
la Guyana francesa (siglos XVIII-XX)”, se presentó
el caso muy específico de la ordenación en la Guyana, la cual constituyó una etapa preliminar de la
ordenación territorial “a la francesa”. El poblamiento
de esta colonia fue un proceso complicado, por el
medio considerado como muy hostil, en especial por
las cuestiones climáticas y de insalubridad. Muchas
de las tentativas que se dieron entre el siglo XVII y
el XX para poblar la Guyana con diferentes grupos
étnicos fracasaron. Estos intentos permiten entender
cómo los agentes de la ordenación consideraban el
medioambiente: unos creían que el éxito de la ordenación dependía de las características climáticas
(determinismo de Montesquieu), mientras otros
pensaban que al contrario derivaba del modo de
organización de la sociedad. Durante el siglo XIX
hubo numerosos debates relacionados con la noción
de acclimatement (aclimatamiento), que incluye las
precauciones tomadas por las sociedades para facilitar la aclimatación (adaptación espontánea de la
vida a las condiciones naturales del medioambiente).
Estos debates reflejan la gran diversidad de opiniones existentes durante el siglo XIX y demuestran
que la comunidad geográfica francesa no puede
ser acusada, en su conjunto, de haber adoptado el
determinismo físico.
En conclusión, el autor expuso los problemas sociales y ambientales que conoce la Guyana francesa
en la actualidad, en especial los daños ambientales
catastróficos que implica la búsqueda clandestina
de oro en la selva guyanesa.
En la cuarta sesión, Puyo examinó el tema “Ordenación del territorio y utopías”. Explicó que los
numerosos proyectos de ordenación territorial del
siglo XIX se consideran hoy en día utópicos. Fueron el resultado de un pensamiento moderno que
consideraba que los progresos de la ciencia y de la
técnica permitían prescindir del medioambiente:
el espacio era considerado entonces como “una
página en blanco”, un simple soporte del proyecto
de ordenación a realizar.
En la sesión, el conferencista presentó diferentes proyectos, ciertos conocidos –como “La Mar
Interior” de Roudaire o “Atlantropa” de Herman
Sorgël– y otros desconocidos (el proyecto Duponchel de fertilización de Las Landas de Gascuña, el
proyecto llamado “La Perronnays” para la Guyana
Francesa, entre otros). Explicó que la principal causa
de su fracaso fue justamente el no tomar en cuenta
las condiciones del entorno. Expuso los debates que
engendraron estos proyectos, que fueron productos
de su época, es decir, que eran muy diferentes en su
contenido a los debates que podrían darse hoy en día
con los proyectos actuales. Para terminar la sesión,
Puyo cuestionó la influencia directa o indirecta
que estos debates han podido tener sobre proyectos
recientes o actuales.
En la última sesión titulada “La geografía francesa y el paisaje: 35 años de titubeos” se presentó la
evolución de la noción y de los estudios de paisajes
en la geográfica francesa. El conferencista insistió
en esta ocasión sobre la ambigüedad de la noción
de paisaje, dividida entre elementos objetivos y
elementos subjetivos, que ha dado lugar a debates
importantes que reflejan las tensiones internas y
la evolución de la disciplina geográfica francesa.
Si unos geógrafos tienden a reducir el paisaje a
elementos físicos que la ciencia puede describir y
analizar de modo objetivo, otros ponen énfasis en su
dimensión social y cultural. En este caso, su estudio
pasa por el conocimiento de las señales que intercambian los hombres, señales cargadas de valores,
de símbolos, de imaginario, sobre las cuales se basa
el sentido del paisaje.
Se ha vuelto difícil para los geógrafos hacer
del paisaje el concepto central o incluso fundador
de la disciplina, ya que actualmente no pertenece
Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013 ][ 155
Virginie Thiébaut
exclusivamente ni a la geografía, ni a los geógrafos.
El paisaje ha perdido parte de su importancia en
comparación con otros grandes conceptos integradores, como la región o el espacio, o incluso más
recientemente el territorio o el lugar. Los aportes
de los geógrafos que trabajan sobre el lugar y dejan
de lado los problemas de límites y de fronteras por
interesarse en los valores universales que se inscriben
en él, ponen el paisaje al centro de la problemática
de las relaciones entre individuos y espacio.
Las discusiones que se dieron al final de cada
presentación, con Puyo, se enfocaron en distintos
aspectos de la ordenación territorial; se hicieron
comparaciones sobre la larga tradición de ordenar,
conservar y restaurar los espacios, en especial forestales, que existe en Francia, frente a las experiencias
recientes y reducidas que se dan en el contexto
mexicano y de América Latina. La sesión sobre la
evolución del concepto de paisaje suscitó un interés
especial por parte de los estudiantes, ya que es el
tema central de una materia impartida en la maestría
de Geografía humana, de la cual fue muy complementario. La metodología de la escuela geográfica
de Besançon presentada por el conferencista, que
permite tratar de manera sistemática la información
subjetiva obtenida de los paisajes, suscitó numerosas
preguntas y comentarios.
En general, las preguntas sirvieron para aclarar
puntos específicos. Es importante precisar que si la
ordenación del territorio en su perspectiva histórica constituía un tema bastante innovador para la
mayoría de los asistentes, los espacios geográficos
abordados (la Guyana francesa, Marruecos, Túnez,
pequeñas regiones forestales o montañosas de Francia) no lo eran menos. El hecho de presentar temas
inéditos y de difícil acceso para los geógrafos mexicanos fue, desde mi punto de vista, uno de los principales aportes de este seminario de la Cátedra Elisée
Reclus. Otro aspecto original de este seminario fue
la riqueza de las ilustraciones utilizadas en las exposiciones. El autor presentó en cada sesión una gran
profusión de fotografías antiguas y actuales, de croquis de autoría propia o de otros autores, de dibujos
y mapas históricos para los argumentos de su tema.
El seminario se concluyó con la quinta sesión
impartida en el CEGH, pero no así la Cátedra, ya que
Puyo continuó su agenda de trabajo en la Ciudad
de México, para impartir la conferencia titulada
156 ][ Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013
“Cartografía y geografía militar en el siglo XIX:
el ejemplo de la expedición francesa de México” en el
Instituto Mora, el 12 de noviembre.
Para el 2013, la Cátedra ya tiene programados
a dos invitados: el geógrafo español Horacio Capel
impartirá un seminario en el Instituto Mora durante el primer semestre, mientras el joven geógrafo
Jérémy Robert, especializado en las temáticas de
la vulnerabilidad, de los riesgos y de las crisis en el
medio urbano, en particular en los países andinos
(Perú, Ecuador) y en Haití, es el invitado del Centro
Geo y del CIESAS para el segundo semestre.
Referencias
Degrémont, I. y J.-Y. Puyo (2007), “De la reserva de
Néouveille al Parque Nacional de los Pirineos: un
siglo de políticas de conservación, ¿a favor o en contra
del hombre?”, La conservación de paisaje en los parques
nacionales, Martínez de Pisón, E. y N. Ortega Cantero
(dirs.), FDSUAM ediciones, Madrid, pp. 99-124.
Degrémont, I. et J.-Y. Puyo (2008), “Le paysage à la
croisée des chemins ou 35 ans d’atermoiements de
la géographie française”, Martínez de Pisón, E. y N.
Ortega Cantero (eds.), La recuperación del paisaje,
FDSUAM ediciones, Madrid, pp. 87-113.
Puyo, J.-Y. (2006), “El proyecto utópico del Conde de
la Perronnays (Guyana francesa, 1835)”, Scripta
Nova. Revista electrónica de geografía y ciencias sociales,
Universidad de Barcelona, 1 de agosto, volume X,
núm. 218, Barcelona [http://www.ub.es/geocrit/sn/
sn-218-88.htm].
Puyo, J.-Y. (2008), “Cartographie et science forestière court aperçu sur deux siècles d’évolution des pratiques
disciplinaires”, Les usages des cartes (XVIIe-XIXe siècle)
- pour une approche pragmatique des productions cartographiques, Laboulais, I. (dir.), Presses Universitaires
de Strasbourg, Strasbourg, pp. 239-255 [http://www.
pustrasbourg.com/sci_hist/usagesca.htm].
Puyo, J.-Y. (2012), “Milieu et acclimatement: l’exemple
de la Guyane française (1817-1835”, Le peuplement
européen des Amériques (XVIIe-XXe siècle), Alain Faure
(dir.), CTHS, Coll. Actes des congrès nationaux des
soc. hist. sci. (édition électronique), Paris, pp. 49-60
[http://cths.fr/ed/edition.php?id=5066].
Virginie Thiébaut
Centro de Estudios de Geografía Humana
El Colegio de Michoacán
Neil Smith: Geógrafo, político y promotor
(1954-2012)
La mañana del 29 de septiembre del 2012 la comunidad geográfica quedó consternada al recibir
la noticia de que uno de sus representantes más
destacados en el ámbito crítico internacional, Neil
Smith, había fallecido. Nacido en Leith, Escocia
en 1954, es parte de una generación de geógrafos
anglosajones que marcaron un cambio importante
en la geografía de la mano de David Harvey, su
maestro, colega y amigo, quien lo conoce cuando
se desplazó a Estados Unidos a estudiar el doctorado en la Universidad de Johns Hopkins y se
hace su alumno y posteriormente un entrañable
colaborador. Ambos formaron equipo en el City
College de Nueva York y de la Universidad de
Rutgers en esta ciudad, entre otras instituciones,
con las cuales colaboró en su vida. La Universidad
de Aberdeen, en su natal Escocia, fue una de las
últimas, en donde trataba de abrir brecha en un
ámbito en donde poco se discutía sobre teoría de
la Geografía y su vinculación con la teoría social,
temas que delinearon su pasión y compromiso
en la academia y que supo vincular siempre con
su vehemencia por la política que lo acompañó
en cada momento de su desarrollo profesional.
Sorprendentemente lo conocí en México,
cuando regresaba de un viaje invernal a Puerto
Escondido, Oaxaca, uno de sus lugares favoritos
para vacacionar en ese entonces y de donde tomó
su pasión por las enchiladas. Graciela Uribe,
quien lo había encontrado en una reunión en
Estados Unidos, lo invitó a dar una conferencia
en el Sistema Universidad Abierta de Geografía.
Encontrarlo personalmente fue un real hallazgo,
pues después de leer su libro Uneven development.
Nature, capital and the production of space (Smith,
1984), el impacto de su personalidad afable, llena
de entusiasmo y pasión por lo que decía y creía,
marcó sin duda un hito importante en la orienta-
ción del trabajo geográfico que desarrollé con él
en el futuro.
Su obra incluye al menos siete libros y numerosos artículos publicados y algunos traducidos a
diferentes idiomas que constituye un verdadero
arsenal (Cowen et al., 2012:948) de información
geográfica sobre diferentes temas que permitió definir debates y de generar líneas de trabajo que han
marcado la identificación del pensamiento crítico
en geografía, y que sin duda ha influido también
en redireccionar la discusión sobre la teoría aún en
ámbitos que no se definen ni identifican con este
pensamiento, como es en el tema de las escalas. Su
contribución al pensamiento geográfico se puede
organizar alrededor de cinco temas que sobresalen
en su producción académica, mismas que no siguen
una secuencia en el tiempo, sino que va y viene con
ellas a lo largo de su vida profesional.
El primero se centra en el tema de la gentrificación (Smith, 1979a, 1979b, 1982, 1996, 2002),
categoría que acuña con el fin de caracterizar la
manera como la globalización genera nuevas formas
de organizar la transformación urbana en las zonas
centrales de las ciudades. Éstas se encontraban
en pleno declive, cambiando su morfología para
convertirse en nuevos centros de visualización del
dinamismo urbano, a partir de sacar a los habitantes pobres que tradicionalmente han usado estas
zonas, para ser ocupadas por clases medias y altas
que regresan a la ciudad central. La categoría de
gentrificación refiere a la usada en los albores de la
revolución industrial de la Inglaterra del siglo XVII
que sirvió para caracterizar a una nueva clase social
que se formaba en las ciudades al migrar las clases
pudientes del campo, reconfigurando la estructura
social de la Inglaterra del momento.
Smith la utiliza para caracterizar la manera
como la confrontación urbana se da entre los
Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013 ][ 157
Blanca Rebeca Ramírez Velázquez
grupos sociales que son desposeídos de sus lugares
de habitación en la ciudad de Nueva York, pero
argumentando que la gentrificación es sin duda
una categoría que reconoce agentes que definen un
proceso de carácter internacional (Smith,1996:XV),
caracterizado por la apertura de una frontera de
expansión del capitalismo, en la arena de las ciudades, que implica “una diferenciación interna”
a través de la expansión económica en la escala
urbana (Ibid.:XVI). Los pioneros de dicha expansión, es decir, los nuevos agentes que la apropian
son ahora los bancos, los desarrollos inmobiliarios
(manejados como proyectos urbanos), el estado, las
corporaciones económicas, las galerías de arte, entre
otros (Ibid.:XVII). Con ello, y como se verá más
adelante, los temas en donde Smith se desarrolla
no son elementos aislados en sus reflexiones, sino
que se hilvanan uno a otro generando una agenda
integral de investigación.
El segundo tema de trabajo en donde Neil hace
una aportación relevante al conocimiento geográfico se centra en el estudio de la naturaleza y el desarrollo desigual (Smith, 1982), en donde su libro
titulado Uneven development. Nature, capital and
the production of space (Smith, 1984), inicialmente
su tesis de doctorado, se constituye en un verdadero
hito en la construcción del pensamiento geográfico
crítico que impactó a geógrafos de la talla de David Harvey, quien acepta estar en deuda con Neil
pues contribuyó con él en trabajos como Limits of
Capital (Harvey, 1982), pero sobre todo le ayudó
a completar su trabajo Justice, Nature and the geography of difference (Harvey, 1996; Harvey, 2012).
Con este trabajo, el autor incursiona en diferenciar la primera de la segunda naturaleza, caracterizada a partir de la manera como esta última entra
al desarrollo capitalista y en su caracterización geográfica dentro del materialismo histórico, a partir
de lo que llama “una reafirmación del espacio en la
teoría social crítica”. Es importante mencionar en
este momento que toma al marxismo como base
fundamental de su reflexión, pero no cualquiera,
sino el que desarrollan dos autores controversiales
dentro de esta corriente que no siguen los lineamientos oficiales de este pensamiento, ni los marcados por las convencionalidades de los partidos
comunistas que lideraban parte de este pensamiento en otros autores. Con esto quiero argumentar
que él se deslinda del pensamiento eurocomunista
tan expandido en Europa en los años sesenta y
setenta del siglo XX que tuvo fuerte influencia del
estructuralismo altusseriano del momento.
Por un lado, toma una parte del pensamiento
de Lefebvre, quien desde la década de los años
Figura 1. Neil Smith, enero de
2005. Casa de Leon Trotsky,
Coyoacán.
158 ][ Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013
Neil Smith: Geógrafo, político y promotor (1954-2012)
setenta produce un libro muy poco difundido en
su momento titulado The production of space (1991)
desarrollando la idea de que éste se genera a través
del desarrollo capitalista en diferentes dimensiones, tanto la material como la ideológica y la del
imaginario. Evidentemente que Smith desarrolla
la parte material e ideológica más que esta última
aunque siempre la acepta. Por otro lado, toma del
pensamiento de León Trotsky el supuesto de que
el desarrollo capitalista es un proceso desigual y
combinado, agregando que esa diferenciación no es
solo social, sino también espacial. Este argumento
se tradujo al español en un texto titulado La geografía del desarrollo desigual (s/f ). Con ello vincula
la producción de la naturaleza, el espacio y el desarrollo desigual, mismo que tiene escalas, con lo
cual incursiona ya desde entonces en lo que será la
tercera línea de su trabajo, proporcionando elementos importantes para identificar los procesos de diferenciación en el desarrollo del proceso capitalista.
El tema de las escalas (Smith, 1992b, 2003a,
2011) es uno de los más importantes por el impacto que tuvo no solo en el ámbito de la geografía
critica, sino también en la geografía en general y
en otras ciencias sociales, aun las físicas, donde se
empezó a trabajarlo pasando de una concepción
de espacio plano a uno de carácter dimensional.
Vinculando estrechamente la producción de las
escalas con el del espacio, para Smith existen tres
conceptos importantes relacionados con las escalas:
la de políticas de la escala (politics of scale) que refiere
a aquéllas que definen el límite, confinamiento e
identidades alrededor de las cuales se ejerce el control y el poder, así como su disputa (Smith, 1993);
la de saltos escalares (jumping scales), entendida
como las condiciones del poder político y de las
reivindicaciones que se expanden de una escala a
otra; y por último, la de redireccionamiento escalar
(scalar bending) que refiere al cambio que hay entre
la escala a la que se ajustan determinadas actividades y las que están sistemáticamente desafiadas y
desestabilizadas (Smith, 2003a).
Evidentemente que para él la escala y la política
están íntimamente vinculadas en la producción del
espacio a diferencia de otros autores que la relacionan con procesos diferentes como el del medio
ambiente, entre otros. Este tema abrió sin duda un
debate, del cual una interpretación sistematizada
y organizada en el contexto del desarrollo regional
latinoamericano se encuentra en Ramírez (2010),
integrado en una contribución que aplica y analiza
el concepto para la comprensión del desarrollo
latinoamericano (Fernández y Brandão, 2010).
El cuarto tema de trabajo se concentra en la
discusión sobre la manera cómo evoluciona o se
concibe el conocimiento geográfico en su devenir
por los acontecimientos políticos que se desarrollan tanto a nivel local como global y la manera
como se inserta el conocimiento geográfico en su
explicación y análisis, en donde destacan trabajos
como los siguientes (Smith, 1987a, 1987b, 1991,
1992a, 2001, 2005). Por último, fue el tema del
imperialismo, en donde su libro de American
Empire: Roosevelt´s Geographer and the Prelude to
Globalization (Smith, 2003b) es emblemáticamente importante por la relación que hace de la
política del entonces presidente de Estados Unidos,
con toda una estrategia de expansión territorial
y control de espacios en la escala internacional.
Otros trabajos le permitieron argumentar sobre la
necesidad de regresar a conceptos del marxismo olvidados en la actualidad como el del imperialismo,
para ser sustituidos por el de la neutralidad de la
globalización (Smith, 2005).
Destaca su persona en otro tipo de actividades
como fue la conformación del Grupo Internacional
de Geografía Crítica en 1997 como resultado de
una reunión en Vancouver, de la cual fue promotor
junto con colegas de la Simon Frazer University
y la de British Columbia, donde se intentaba dar
un nuevo auge a la discusión geográfica dentro del
marxismo, ya que a raíz de la crisis de los paradigmas en las ciencias sociales y el auge que el posmodernismo tuvo desde los años ochenta, parecía
que se extinguía el pensamiento crítico en general
y el geográfico en particular. Él, junto con Caroline
Desbiens, fueron los responsables de plasmar los
objetivos del grupo, claros, pero muy ambiciosos
(Smith y Desbiens, 1999), que pretendían organizar una geografía que fuera un instrumento para
cambiar al mundo en uno con mayor equidad y
distribución y en donde la geografía tuviera un
vínculo directo con los grupos sociales radicales,
cuya voz pudiera ser escuchada e integrada en proInvestigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013 ][ 159
Blanca Rebeca Ramírez Velázquez
yectos alternos al mundo capitalista que vivimos y
fuera un instrumento para dicha transformación.
Con ello se concibió un proyecto que generara
lazos estrechos entre la academia y proyectos alternos, movimientos sociales y estrategias de cambio,
como parte fundamental del proyecto. Al inicio de
la reunión de Vancouver se le veía con una gran
alegría y entusiasmo pues se conjuntaron más de
300 geógrafos, con el propósito de buscar canales
de discusión sobre la generación de otra geografía.
A mi llegada al recinto me abrazo y con una gran
alegría, que acompañaba la pasión con la que actuaba en cada actividad relacionada con la geografía,
me dijo: ¡Blanca, lo logramos!
Después de la reunión de Vancouver siguieron
cinco más de las cuales Neil fue un promotor
directo en Taegu en Corea en 2000; Békéscsaba,
Hungría en 2002; Ciudad de México, en 2005,
Mumbai en 2007, pero lamentablemente, y por
razones diversas, ni a Mumbai, ni a Frankfurt
en 2011 llegó. Sin embargo, su entusiasmo por
generar espacios alternos de discusión crítica
fueron parte de su pasión por la generación de un
mundo diferente. Su participación en los movimientos sociales fue siempre parte de su actividad
académica y política pues tal y como lo expresan
algunos colegas que militaban con él, su trabajo
académico fue siempre fuente de inspiración para
la promoción y el mantenimiento de los grupos y
movimientos sociales, sobre todo los de carácter
urbano, a quienes les reconocía siempre la dimensión y la posibilidad de acción internacional que
tenían (Cowen et al., 2012).
Dejó inconcluso su trabajo sobre revolución, del
cual publicó dos artículos (Smith, 2007 y 2009),
dejando un vacío académico importante en quienes
lo conocimos e intercambiamos y compartimos
sus inquietudes y sus aportes a la geografía, pero
más grande es el que deja como amigo. América
Latina en general y México fueron particularmente
importantes para él en la generación de la esperanza
de cambio que tanto anhelaba. Aquí encontró a
Graciela Uribe de quien reconocía su militancia en
Chile (Smith y Desbiens, 2000) y su esfuerzo por
abrir a la geografía mexicana al pensamiento crítico
internacional. Le gustó también la actividad social
que aquí encontró y reconoció en dos momentos:
160 ][ Investigaciones Geográficas, Boletín 80, 2013
cuando vino a finales de los años noventa con los
colegas asiáticos para organizar la conferencia de
Taegu y se encontró con el movimiento estudiantil
de México, participando como observador en una
reunión estudiantil, y posteriormente en su estancia en México en el 2005, cuando paseaba por la
explanada del Zócalo oyendo todas las mañanas
la Internacional, tocada por los grupos que en ese
momento la ocupaban, para llegar a la Casa de la
Primera Imprenta de América (1524) en donde se
desarrollaba la reunión.
Era una persona apasionada, cariñosa y afectiva
que lo demostraba entre quienes lo conocimos,
y que además de ser amigo impulsó en quienes
estuvimos cercanos a él, el interés y la posibilidad
de publicar algunas de nuestras ideas en el ámbito
internacional, resaltando siempre la importancia
que los geógrafos de los países latinoamericanos
teníamos en la escena del pensamiento crítico.
Sin duda deja un vacío muy grande en la geografía
internacional pero sobre todo en el corazón de
quienes lo conocimos y a quienes nos consideró
sus amigos.
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Blanca Rebeca Ramírez Velázquez
Universidad Autónoma Metropolitana-Xochimilco
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