Produção de mudas.CDR

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Série Floricultura - N.1
Produção de Mudas de
Plantas Ornamentais
Belém - Pa
2004
GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ
SECRETARIA ESPECIAL DE ESTADO DE PRODUÇÃO
SECRETARIA EXECUTIVA DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E MEIO
AMBIENTE
DIRETORIA DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA
Produção de Mudas
de
Plantas Ornamentais
Belém - Pa
2004
c 2004 by SECTAM
ALMIR JOSÉ DE OLIVEIRA GABRIEL
Governo do Estado do Pará
SIMÃO ROBINSON OLIVEIRA JATENE
Secretaria Especial de Estado de Produção
EMANUEL ARESTI SANTANA GONÇALVES MATOS
Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente
PROGRAMA PARAENSE DE TECNOLOGIAS APROPRIADAS
PPTA
Coordenação: Claudio Cavalcanti Ribeiro
Equipe Técnica: Carlos Magno da Silva Cardosa
Danyelle Conceição Monteiro de Lima
Lourival Souza Silva
Marcilene Matos da Silva
Foto da Capa: Viveiro da Floricultura Yamanaka
Editoração e Arte da Capa: Brena Renata Maciel Nazaré
Vitor Trindade Lôbo
Ilustrações: Orlando Simões Júnior
Normalização Bibliográfica: Mara Georgete de C. Raiol
Ana Margarida Vianna Rodrigues
Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação.
(Biblioteca da SECTAM, Belém, Pará)
Pará. Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Meio
Ambiente. Programa Paraense de Tecnologias
Produção de Mudas de Plantas Ornamentais / SECTAM.
PPTA. --Belém, 2002
33p. : il. -- (Série Floricultura: n.1)
1. Plantas ornamentais - Produção. I. Programa Paraense
de Tecnologias Apropriadas. II. Título. III. Série.
CDD-635.9
Tv. Lomas Valentinas, 2717 - Marco. Belém - Pará - Brasil. CEP 66095-770
Telefones: (91) 276-5982, 276-5100 R-234. Fax: (91) 276-1909
E-mail:[email protected]
Http://www.sectam.pa.gov.br/
Agradecimentos
Agradecemos a Professora Heliana Maria Silva
Brasil (FCAP), a SAGRI, a FUNVERDE e ao
SEBRAE/PA pelo apoio dado ao Programa Paraense
de Tecnologias Apropriadas - PPTA no
desenvolvimento deste trabalho.
Sumário
Apresentação
Prezado Produtor,
A Secretaria Especial de Estado de Produção através da
Secretaria Executiva de Ciência Tecnologia e Meio Ambiente SECTAM com
apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico
CNPq, tem a satisfação de lançar esta publicação que tem por finalidade
promover a redução da distancia existente entre o setor que produz e
aquele que desenvolve o conhecimento científico e tecnológico e é um
produto do Programa Paraense de Tecnologias Apropriadas, PPTA.
O PPTA é um dos componentes de uma estratégia maior que
o Governo Almir Gabriel vem implementando ao longo desses sete anos
que é verticalizar cada vez mais a produção dentro do Estado, rompendo
com o modelo extrativista que nos foi imposto ao longo de todos estes
séculos, a partir de uma perspectiva de sustentabilidade.
O Programa teve início em 10/2000, e atua em cinco setores
produtivos selecionados a partir de critérios definidos pelo Governo do
Estado e seus parceiros, tendo como ponta de lança os setores de
Movelaria, Fruticultura, Oleiro-Cerâmico, Floricultura e Joalheiro, contando
ainda com o apoio de um Setor de Informações e um Setor Social.
Aproveitamos para agradecer, em primeiro lugar ao
Governador Dr. Almir Gabriel por sua visão de desenvolvimento sustentável
sem a qual jamais daríamos a partida para realização deste Programa, ao
Dr. Simão Jatene por sua coordenação geral na área da Produção, ao
Deputado Federal e Secretário Especial de Promoção Social Dr. Nilson Pinto
de Oliveira, que iniciou, na sua gestão na SECTAM, e depois na Câmara
Federal todo o processo para a realização do Programa junto ao CNPq, ao
Ministro de Ciência e Tecnologia Dr Ronaldo Saidemberg e ao Dr. Evandro
Mirra, ex - Presidente do CNPq, pela parceria e sensibilidade em relação as
demandas por nós apresentadas e a todos os nossos parceiros no Estado e
da Sociedade Civil, que nos ajudaram a chegar aos resultados que ora
apresentamos através desta publicação.
Prof. Emanuel Matos,
Secretário Executivo de Ciência Tecnologia e Meio Ambiente.
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Introdução
A produção comercial de mudas de plantas ornamentais tem
características peculiares, entre as quais o fato de trabalhar com um
número muito grande de espécies e variedades, que se sucedem no tempo
em função de novos lançamentos e do modismo imposto pelo consumidor.
Por isso, é de suma importância a manutenção de um campo de matrizes
de qualidade e sempre atualizado.
Outra característica importante é a mão-de-obra necessária à
produção; são muitos empregos gerados, mas que encarecem o produto
final, por isso, o produtor, também conhecido como viveirista, precisa
buscar meios de diminuir outros custos, para poder colocar as mudas a
preços competitivos no mercado.
Atualmente, uma das dificuldades do setor é justamente a
concorrência com os produtos vindos do Sudeste, cujos produtores,
melhor organizados, utilizam meios modernos de comercialização e
distribuição. Aliás, as formas de associativismo devem ser conhecidas e
buscadas pelos produtores paraenses, assim como a atualização no
conhecimento de técnicas de cultivo.
Para o sucesso no empreendimento é preciso, portanto, estar atento
ao que ocorre fora da propriedade, mas, evidentemente, o maior empenho
deve ser pela qualidade do produto. Essa qualidade passa pela correta
ocupação da área de cultivo, pela implantação da infra-estrutura, pelo
correto emprego de insumos, pela capacitação da mão-de-obra, além de
outros itens que serão abordados adiante.
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Infra - estrutura
As características do solo e o uso atual do terreno precisam ser
considerados quando do planejamento da atividade. A parte mais plana e
de solo bem drenado fica reservada para a sementeira, propagador e
viveiros, enquanto a parte do terreno de solo mais pesado ou pedregoso
pode abrigar o barracão, composteira e, se for o caso, até mesmo
residências.
A luz do sol, sem a qual o vegetal não se desenvolve, precisa chegar
às mudas na quantidade certa para cada estágio de desenvolvimento, por
isso, serão necessárias áreas cobertas e áreas livres. A trajetória do sol pelo
terreno durante o dia condiciona a disposição das construções; a maior
dimensão da sementeira e viveiros deve ser paralela a linha Norte-Sul.
Não se pode esquecer que, qualquer que seja o material usado, há
sempre a necessidade de manutenção e, algumas vezes, de substituição de
partes ou reconstrução de uma benfeitoria. Embora a infra-estrutura seja
dimensionada em função do que se deseja produzir é sempre interessante
se prever uma futura expansão.
Sementeira e propagador
A propagação vegetativa, ou seja, a obtenção de mudas através de
partes da planta que não as sementes, é a maneira usada para multiplicar a
maioria das plantas ornamentais comercializadas para uso em jardins, mas
algumas, como as palmeiras, por exemplo, são propagadas por sementes,
portanto é interessante construir tanto a sementeira quanto o propagador.
Aliás, a diferença entre um e outro está apenas na altura do leito, que pode
ser de 15 a 20cm na sementeira e de no mínimo 25cm no propagador.
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Tanto a sementeira quanto o propagador podem ser construídos ao
nível do terreno, mas isso dificulta o manuseio das mudinhas e é
incômodo para o trabalhador, por isso, é preferível construí-los de modo
que o leito fique a uns 80cm de altura, para que o trabalho possa ser feito de
pé; o custo da construção aumenta, mas ganha-se em eficiência.
Ambos, propagador e sementeira, podem ser construídos em
madeira de lei, resistente a água, ou em alvenaria, isolados ou dentro de
um viveiro, desde que permita controlar a luminosidade. A sementeira,
quando isolada, pode ser coberta com telha de barro ou mesmo palha de
palmeira, desde que esse teto possua uma leve inclinação, ficando a parte
mais baixa para o lado poente, protegendo assim as mudinhas do sol forte
do início da tarde.
Modernamente usa-se apenas uma bancada protegida por
"sombrite", sobre a qual se distribuem bandejas plásticas ou de isopor, com
células de tamanhos adequados a cada semente.
Tanto o leito da sementeira quanto as bandejas são preenchidos com
um substrato capaz de oferecer água em quantidade suficiente para a
germinação, mas que deixe escoar o excesso.
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Viveiros
O viveiro, ou seja, o local onde as mudas, vindas do propagador ou
sementeira, são colocadas para se desenvolverem embalagens individuais,
pode ser a céu aberto ou em ambiente protegido. No primeiro caso, convém
se fazer uma cobertura temporária, para que as mudas possam se adaptar
gradativamente ao sol.
Embora possa ser construído com ripas e caibros de madeira, os
conhecidos ripados, o ideal é que seja feita uma armação em madeira de lei,
tratada contra o excesso de umidade, ferro galvanizado ou vigas prémoldadas de concreto, para receber cobertura de telas plásticas de
diferentes tamanhos de malha, uma deixando passar mais luz que outra,
para facilitar a distribuição das mudas segundo suas necessidades.
A cobertura pode receber, ainda, um filme plástico transparente
sobre a tela, para que possa haver controle da água de irrigação. Nesse caso,
a altura do teto precisa ser de no mínimo três metros, para permitir a
ventilação que retira o excesso de calor.
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Depósito de adubo orgânico
Em um viveiro comercial é interessante que o produtor de mudas
seja ele próprio o produtor do composto orgânico que usa nos substratos.
A compostagem decomposição de restos de materiais de origem animal e
vegetal em local aberto é o processo mais comumente empregado, já que
pelo menos uma parte do material é gerado na própria área, como folhas e
restos de capina.
Mesmo que o composto
orgânico ou esterco de animais
sejam adquiridos, há
necessidade de se destinar um
local apropriado para a
estocagem, que precisa ter piso
de cimento ou barro batido
(impermeável), cobertura de
telha de barro e possuir
cancelas e rampas para
facilitar o transporte em carrode-mão.
Barracão
O barracão deve ser dividido de modo que haja espaço para
guardar ferramentas, fertilizantes, defensivos, sacos de polietileno e
demais equipamentos e utensílios, sem que um venha prejudicar a
qualidade do outro. A sala onde ficarem as sacas de fertilizantes, sobre um
estrado de madeira, jamais poderá abrigar as ferramentas, caso contrário,
logo enferrujariam.
A sala destinada aos defensivos, pulverizadores e outros produtos
tóxicos precisa ser dotada de um combogô ou balancim, para que fique
arejada, já que a porta deve ficar fechada, a fim de se evitar acidentes.
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É interessante manter no barracão ou na residência um pequeno
escritório, onde serão anotados todos os dados relativos à produção e à
comercialização.
Sistema de irrigação
A distribuição da água deve satisfazer as necessidades das diversas
espécies em todas as fases da produção sem que haja desperdício e,
conseqüentemente, aumento de custo.
Assim sendo, os métodos de irrigação dirigida como a microaspersão e o gotejamento têm sido muito utilizados, mas exigem uma
quantidade maior de tubos e mangueiras, que elevam bastante o custo de
implantação. A perfeita distribuição de aspersores entre as fileiras de
mudas, a partir de rede suspensa ou ao nível do solo, permite uma
irrigação eficiente. É cada vez mais difundido o uso da fertirrigação, ou
seja, o uso de fertilizantes dissolvidos e distribuídos na própria água de
irrigação.
Seja qual for o método utilizado, a água precisa ser de boa
qualidade, quer proveniente de rios ou córregos, ou ainda, o que é mais
comum na região, de poços tubulares (artesianos). Em qualquer situação, a
captação da água exige a instalação de bomba hidráulica, que a levará até
uma caixa d'água. A distribuição da água pelo sistema de tubos exigirá
outra bomba de menor potência.
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A bomba que capta a água no poço pode ser elétrica ou a diesel, mas
a de distribuição é elétrica, inclusive para permitir a abertura e fechamento
automático do sistema.
A fim de ajudar na eliminação do calor excessivo ou manter a
umidade das estacas antes do enraizamento é conveniente se instalar
nebulizadores em uma rede suspensa de tubos, que também seria ligada e
desligada automaticamente, porém em intervalo de tempo diferente da
irrigação, bastando para isso que cada sistema seja conectado a um
determinado programador elétrico de tempo ("timer").
Campo de matrizes
Campo de matrizes é o local onde são cultivadas as plantas que
fornecem o material para a produção das mudas, sejam sementes, ramos,
folhas etc. Dependendo das espécies ou variedades, esse campo tanto pode
estar a céu aberto como sob telado e as matrizes podem ser plantadas
diretamente no solo ou mantidas em vasos.
Além de bastante diversificado, o campo de matrizes deve ter um
número tal de uma determinada planta capaz de permitir a obtenção do
número desejado de mudas num determinado tempo; por exemplo, não
será de um único "pé" de mini-duranta que se obterá estacas suficientes
para produzir mil mudas em um mês.
As plantas matrizes devem receber todos os tratos necessários para
que sejam vigorosas e livres de pragas e doenças. Ao se introduzir novas
espécies é conveniente que as mudas adquiridas passem por um período
de quarentena numa área isolada das demais, para o caso de estarem
atacadas por pragas ou doenças, estas não se espalhem pelo campo.
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Substratos
Chama-se de substrato para a mistura de diversos materiais
orgânicos (esterco, composto orgânico, húmus de minhoca, serragem,
carvão vegetal, casca de arroz carbonizada, fibra de coco) e minerais (terra
preta, areia, argila expandida), utilizada para produção de mudas ou
envasamento.
Além da fixação das raízes, o substrato tem a função de
disponibilizar água e nutrientes para as plantas. De acordo com a
quantidade com que cada componente entra na mistura, o substrato tornase mais adequado para determinada fase do processo ou para determinada
exigência da muda. Assim é que o leito do propagador, onde as estacas
ficam o tempo suficiente para enraizar, alimentando-se de suas próprias
reservas, muitas vezes é preenchido apenas por um material areia grossa
ou por casca de arroz carbonizada ou, ainda, argila expandida. Plantas
epífitas, como algumas samambaias, orquídeas e bromélias são cultivadas
permanentemente sobre um material orgânico, como o caroço de açaí, a
piaçaba ou casca de árvores.
Os sacos de polietileno (saco plástico), nos quais as mudas se
desenvolverão, precisam receber um substrato que forneça nutrientes e
reserve água, mas que seja leve, para facilitar o transporte. Muitas mudas já
são produzidas e comercializadas em bandejas plásticas, que estão
disponíveis no mercado com células de vários tamanhos, assim como já são
comercializados substratos prontos para uso.
Preferencialmente antes de se fazer a mistura, cada componente
deve ser peneirado, para a retirada de todos os objetos indesejáveis (raízes,
pedaços de madeira, sacolas plásticas, cacos de vidros etc.) e para permitir
que a mistura fique mais homogênea.
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É bom frisar que a matéria orgânica deve estar totalmente curtida,
porém, de qualquer modo, é prudente que não se utilize o substrato
imediatamente após o preparo.
Convém que os substratos,
principalmente os compostos por
terra e esterco, sofram um
processo de desinfecção, para se
evitar a proliferação de pragas,
doenças e ervas daninhas.
Atualmente a solarização é muito
usada e bastante apropriada para
as regiões Norte e Nordeste do
país.
Propagação por sementes
Considerando que a planta mãe faz parte do campo de matrizes, a
propagação por sementes começa pela escolha dos frutos, que devem ser
de boa aparência, bem conformados e totalmente maduros.
A obtenção da semente depende do tipo de fruto. Se o fruto for seco,
basta separar as sementes dos restos do fruto, mas se for carnoso, deixa-se
o fruto macerar em água, para depois amassá-lo em uma peneira de palha
menor que as sementes, a fim de facilitar a separação. O semeio pode ser
feito imediatamente ou as sementes precisarão secar à sombra, para
poderem ser armazenadas, em sacos de pipoca ou papel alumínio, na
parte inferior da geladeira.
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As sementes maiores possuem mais reservas nutritivas,
favorecendo o desenvolvimento das mudinhas, portanto, as menores e
chochas devem ser descartadas. Sementes de algumas espécies perdem
rapidamente a capacidade de germinar, enquanto outras só germinam
após um período de repouso. Sementes de casca muito dura, como a da
cana-da-índia, germinam mais rapidamente se tiverem a casca arranhada
ou se forem colocadas em água por umas 24 horas.
Dependendo do tamanho da semente, pode-se fazer o semeio
direto no saco plástico ou em tubetes, colocando-se três sementes por
embalagem para posterior escolha da melhor mudinha e eliminação das
demais.
Optando-se pela sementeira, ou no caso de sementes muito
pequenas, estas devem ser espalhadas sobre o substrato ou dispostas em
sulcos rasos. As sementes devem ser enterradas no máximo a uma
profundidade igual a duas vezes o seu maior diâmetro. O substrato deve
ser mantido constantemente umedecido.
Quando as mudas estiverem com 3 a 4cm de altura ou dois pares de
folhas definitivas, faz-se a repicagem passagem da muda da sementeira
para uma embalagem individual na qual permanecerá até a venda
iniciando por molhar bem o substrato para que possa aderir às raízes.
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Em seguida retiram-se as melhores mudas com o auxílio de uma
espátula para separar as raízes sem danificá-las. Ao carregar as mudinhas
estas devem ser seguras pelas folhas e nunca pelo caule ou raiz. Usa-se
colocar as mudas em uma bandeja, com água caso saiam com a raiz nua,
para transporta-las até os saquinhos, cujo substrato deve ter sido
previamente molhado.
Com um pedaço de madeira roliço faz-se um furo no substrato para
conter a muda na mesma profundidade que estava na sementeira,
procurando não enrolar as raízes. O substrato em torno das raízes precisa
ser acalcado para fixar a muda, porém sem danificá-la.
A irrigação deve ser na forma de chuva fina.
Propagação vegetativa
Consiste em se usar outra parte do vegetal que não a semente
para multiplicá-lo, com base na capacidade que possui de se regenerar
naturalmente, a partir de gemas distribuídas nos caules aéreos,
subterrâneos e folhas suculentas. Modernamente, através do processo de
propagação "in vitro", realizado em laboratórios de biotecnologia, obtémse de uma única gema, inúmeras mudas (plântulas), que, após um período
de aclimatação, são vendidas aos viveiristas, os quais se incumbem de
repicá-las das bandejas para embalagens individuais e de mantê-las até
que atinjam o tamanho ideal para a comercialização.
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Por outro lado, existem métodos como a alporquia e a mergulhia,
que em função do número reduzido de mudas que fornecem são inviáveis
de serem empregados num viveiro comercial, a não ser quando se trata de
obter mudas para compor o campo de matrizes.
Divisão de touceira
Algumas espécies perfilham formando touceiras. Para multiplicálas basta separar os perfilhos, seja manualmente ou com o auxílio de um
canivete afiado.
Depois de separados, os perfilhos passam por uma
"toilet" que consiste em reduzir as folhas e as raízes à 1/3 de seu tamanho,
eliminando-se, também, qualquer raiz machucada. Em seguida, os
perfilhos são plantados nos sacos plásticos e mantidos em ambiente
sombreado e úmido.
As bromélias terrestres, como o abacaxi-de-salão, produzem
perfilhos tanto na base da planta quanto na base do fruto, além da própria
coroa.
Entre as plantas que entouceram algumas possuem bulbos como o
lírio, a açucena e o junquilho que são órgãos de reserva de água e
nutrientes. Nesse caso, o bulbo principal que pode ser semelhante ao da
cebola, do alho ou da palma-de-santa rita produz inúmeros bulbilhos, que
podem ser plantados com ou sem parte das folhas.
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Outras plantas possuem tubérculo, órgão de reserva semelhante à
batata inglesa , como o tinhorão e a dália, que também se multiplicam
naturalmente, permitindo o mesmo procedimento usado com os bulbos.
O tubérculo principal também pode ser dividido em pedaços menores,
que obrigatoriamente abriguem gemas. Devido ao corte, esses pedaços
terão que ser tratados com fungicidas e postos para secar à sombra durante
um a dois dias, para então serem colocados no propagador, sobre um
substrato que retenha pouca umidade.
Outras plantas, como a grama pancuan e o clorófito, se espalham
pelo chão ou pendem dos vasos, por possuírem caules compridos - os
estolões - nos quais surgem perfilhos - os estolhos - bastando separá-los
para obter novas mudas.
Estaquia
Esse método é o mais simples e o mais usado para obtenção de
mudas de plantas de fácil enraizamento, entretanto, o uso de hormônios,
para facilitar a brotação de raiz, tem propiciado a multiplicação até mesmo
em espécies de difícil enraizamento natural.
Estacas de caule
As estacas de caule podem ser retiradas da parte terminal (estacas
ponteiras ou herbáceas), mediana (semilenhosa) ou basal (lenhosa).
Apenas o conhecimento da planta permite definir o tipo de estaca que lhe
é mais adequado. O jasmim, por exemplo, enraíza mais facilmente se a
estaca for ponteira, já o bougainvile, se for semilenhosa e os crotos
enraízam bem independentemente da parte do ramo do qual foram
retiradas.
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As estacas simples podem variar de tamanho, porque o importante
é que contenham no mínimo três nós ou gemas, mas preferencialmente
quatro, para que dois fiquem enterrados, a fim de garantir o enraizamento,
e pelo menos um livre, para a brotação do ramo. O uso de hormônio
enraizador (AIB) possibilita o uso de estacas pequenas, de 3 a 5cm.
O corte para a retirada das estacas é feito com tesoura amolada e
limpa, em bisel nas duas extremidades. As folhas da parte que ficará
enterrada são eliminadas e as demais são reduzidas à metade, exceto as
apicais. As estacas permanecem imersas em água até serem levadas ao
propagador.
Se houver a necessidade do uso de hormônio, a extremidade inferior
da estaca, molhada, é passada pelo pó antes de ser colocada no propagador.
Estacas maiores e lenhosas podem ficar imersas em solução de hormônio,
de acordo com o que prescreve o rótulo do produto.
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Estacas de folhas
Plantas suculentas ou de folhas carnosas (kalanchoe ou pirarucu,
babosa) possuem gemas nas nervuras ou na bainha, bastando fixa-las no
substrato do propagador pelo talo (pecíolo). As begônias rex podem ser
recortadas em vários pedaços, desde que cada um possua uma nervura.
Em qualquer caso, o substrato precisa ser bem leve, como a casca de arroz
carbonizada, e irrigado na superfície, de modo que as folhas não fiquem
molhadas, o que favoreceria o apodrecimento.
Após o enraizamento e quando a muda atingir 4 a 5cm, destaca-se
da folha matriz e se transfere para a embalagem individual.
Estacas de rizoma
Plantas que possuem rizoma
caule subterrâneo relativamente grosso
que cresce horizontalmente logo acima
ou sob a terra , como a espada-de-são
jorge e as helicônias, são facilmente
multiplicadas por pedaços desse rizoma
que contenham de uma a quatro gemas;
as folhas ou brotações devem ser
reduzidas e as raízes eliminadas.
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Enxertia
A enxertia é um processo que permite reproduzir uma planta frágil
ou rara (o enxerto ou cavaleiro) sobre outra mais resistente e abundante (o
porta-enxerto ou cavalo), da mesma espécie ou gênero botânico.
Hoje em dia já se faz a micro-enxertia, quando ambas as plantas
estão na fase de repicagem, entretanto, como é um processo que exige
prática, ou o viveirista contrata um enxertador ou começa fazendo enxertos
em caules mais resistentes, da grossura de um lápis para mais.
A muda que servirá de porta-enxerto pode ser obtida através de
sementes ou por estaquia e já deve estar na embalagem definitiva. Os
ramos dos quais serão retiradas as ponteiras ou borbulhas virão do campo
de matrizes envoltos em papel jornal umedecido. Se houver necessidade
podem ficar guardados na prateleira mais baixa da geladeira dentro de
saco plástico, para manter a umidade do papel e, conseqüentemente, dos
ramos. Aliás, a enxertia, principalmente por borbulha, deve ser feita pela
manhã, bem cedo ou no final da tarde, quando é mais fácil do vegetal "soltar
a casca".
Muito importante para o sucesso da enxertia é a limpeza e amolação
da tesoura de poda e do canivete de enxertia, por isso, o enxertador precisa
ter sempre à mão um esmeril, uma barra de sapólio, uma estopa ou flanela,
álcool ou solução de água sanitária. Não pode faltar, também, a fita ou
grampos plásticos (semelhantes a prendedores de roupa) apropriados para
enxertia.
É primordial em qualquer processo que haja a coincidência da casca
do enxerto com a casca do porta-enxerto, para que seja possível a
cicatrização entre ambos, sem a qual o enxerto não vinga.
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Garfagem
É um tipo de enxertia no qual um pedaço de ramo ponteiro é
introduzido em uma fenda aberta no topo do cavalo ou mesmo
lateralmente.
O processo se faz na seguinte ordem:
1°) retiram-se as folhas do cavalo e se decepa o caule a uma altura de 10 a
15cm da base;
2°) eliminam-se as gemas e faz-se um corte vertical de 2 a 3cm de
profundidade no cavalo;
3°) eliminam-se as folhas laterais da ponteira ficando apenas as terminais e
na extremidade oposta fazem-se dois cortes inclinados de modo a se
formar um bico de gaita, do mesmo comprimento da chanfradura feita
no cavalo;
4°) introduz-se o enxerto no cavalo, fazendo coincidir, em cima ou
lateralmente, a casca de um com a casca do outro;
5°) procede-se o amarrio, de baixo para cima, firmando bem, porém sem
"engasgar" o caule.
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Se a operação for feita no período mais quente e seco do ano, convém
se fazer uma câmara úmida, que consiste em envolver a área do enxerto por
um saco plástico transparente, dentro do qual se borrifou água limpa. Um
viveiro dotado de nebulizador elimina a necessidade desse artifício.
A câmara úmida poderá ser retirada logo que se perceber que o
enxerto esta começando a se desenvolver, porém, a fita deve ficar por um
pouco mais de tempo, para garantir que a soldadura não quebrará. Existem
fitas que se soltam naturalmente após certo tempo.
Borbulhia
Nesse processo, em vez de uma parte do ramo com várias gemas,
retira-se uma borbulha ou escudo, contendo uma única gema, da planta
que se quer multiplicar. A vantagem é que se o enxerto não pegar, a
operação pode ser repetida no mesmo cavalo logo após a constatação da
perda do enxerto, posto que o cavalo não é decepado de imediato.
O caule da muda que servirá de cavalo deve ter diâmetro superior a
0,5cm. A altura da enxertia no caule é variável, mas a princípio fica entre de
5 a 8cm da base para se evitar possível contaminação por respingos.
As borbulhas devem ser retiradas de hastes já bem formadas
(maduras), de preferência, que já tenham florido. A haste da qual se
retirarão as borbulhas terão as folhas eliminadas, deixando-se, porém, um
pedaço do pecíolo para proteger a gema; o corte deve ser feito da ponta
para a base da haste, com uma lasca do lenho para dar mais firmeza à
borbulha; as pontas da borbulha precisam ser aparadas em corte reto; as
partes internas da borbulha e do corte no cavalo (onde está o câmbio) não
podem ser tocadas, molhadas ou sujas.
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O processo deve seguir o andamento abaixo:
1) poda-se o excesso de brotação do cavalo deixando um ou dois ramos
eretos;
2) com o canivete faz-se o corte em forma de T, com o cuidado para não ferir
o lenho;
3) levanta-se a casca na intercessão dos cortes do T, usando-se a espátula do
canivete;
4) introduz-se a borbulha de cima para baixo, de modo que haja
coincidência entre as cascas do cavalo e da borbulha no traço horizontal
do T;
5) amarra-se firmemente de baixo para cima com fita plástica;
6) quando a gema ficar saliente já terá ocorrido a soldadura, devendo-se
retirar a fita;
7) a borbulha permanecendo verde, faz-se a decapitação do cavalo logo
acima do ponto do enxerto.
O tempo para que haja a soldadura é variável, mas aos 20 dias após a
enxertia, já se terá a certeza do pegamento. O corte no cavalo pode ter
também a forma de U ou Ð e , ou pode-se mesmo tirar um anel da casca,
mas nesse caso, a borbulha também terá que ser da mesma forma.
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Manutenção das mudas
Enquanto permanecer no viveiro, as mudas precisam receber tratos
culturais que lhes garantam um crescimento vigoroso.
Exceto para as bromélias e suculentas, a irrigação deve ser repetida
sempre que necessário para manter a superfície do substrato umedecida.
Para as duas primeiras, o tempo entre duas regas deve ser maior e a
quantidade de água menor.
Se foi feita a solarização do substrato, provavelmente não haverá
necessidade de se fazer capina manual nas embalagens, mas deve-se estar
sempre atento para que não exista concorrência entre a muda e o mato.
Da mesma forma, se o substrato tiver sido preparado com composto
orgânico, húmus de minhoca ou esterco, as mudas estarão suficientemente
supridas de macro e micro-nutrientes, evidentemente, dependendo do
tempo de permanência no viveiro. Alguns viveiristas usam acrescentar
durante o preparo do substrato 30g de NPK 10-10-10 para cada carrinhode-mão da mistura (aproximadamente 20 L), para prevenir possíveis
deficiências desses nutrientes.
29
Essa prática pode acarretar aumento de custo seja pelo uso
desnecessário, seja pela perda natural do fertilizante antes que a muda
possa aproveitá-lo, ou mesmo pela morte da muda em função da
concentração dos fertilizantes nas raízes (salinização).
No caso de palmeiras e outras plantas de crescimento lento ou que
serão vendidas com maior tamanho e que, portanto, permanecerão por
mais tempo no viveiro, a adubação complementar pode ser feita quando
do processo de troca da embalagem, que já se tornou pequena, por outra
maior, quando haverá necessidade de se preparar um novo substrato para
preencher o espaço entre o torrão e a parede do novo saco , ao qual, se for o
caso, poderá ser acrescido o fertilizante químico.
Em qualquer situação é prudente consultar um técnico, que
prescreverá os produtos e a forma de aplicação. Além da fertirrigação, já
comentada, existem produtos formulados para aplicação por pulverização
nas folhas.
Indispensável é a assistência do técnico se houver a necessidade de
combater pragas ou doenças. Os defensivos agrícolas são geralmente
produtos tóxicos ao homem e aos animais domésticos e silvestres e,
também, às próprias plantas se não forem convenientemente usados.
A vistoria constante das mudas com a separação daquelas que
apresentem qualquer evidência de ataque de insetos, manchas nas folhas,
ramos secos e estejam murchas mesmo irrigadas, previne que o problema
se alastre.
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Exposição e venda
Mesmo que o viveiro fique próximo do centro consumidor, é
prudente se manter uma área para exposição independente da área de
produção, para onde seriam levadas apenas amostras do que o viveiro é
capaz de fornecer. Dessa forma se estaria evitando danos às mudas ainda
em fase de crescimento e possível contaminação involuntariamente trazida
pelos compradores.
As mudas produzidas e comercializadas em bandejas são
facilmente dispostas, em prateleiras, no caminhão baú, já as produzidas em
embalagens individuais são normalmente acondicionadas em caixas de
madeira, para evitar que tombem durante o transporte.
Mesmo que a venda seja feita para o atacadista é importante que o
viveirista tenha informações do seu produto até que ele chegue ao
consumidor final, para que, não sofrendo perda de qualidade, a sua
imagem não seja prejudicada no mercado, posto que a manutenção da
qualidade, a pontualidade da entrega e a propaganda são fatores
primordiais na concorrência entre fornecedores.
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Bibliografia
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Especial.
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Guaíba: Agropecuária, 2000. 254 p.
KÄMPL, Ateline Normann; FERMINO, Maria Helena. Substratos para
plantas: a base da produção vegetal em recepientes. Porto Alegre: Gênesis, 2000.
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PIPPI, Enio da Motta. Técnicas de jardinagem: uma parceria com a natureza.
Porta Alegre: Agropecuária, 1995. 188 p.
STESCHENKO, Wolfgang Sérgio; MOREIRA, Nanci Saraiva. Jardinagem e
paisagismo. São Paulo: SENAC, 1995. (Série Verde).
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