FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO - Semana de Pedagogia 2015

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Centro Cultural e de Exposições
Ruth Cardoso
De 21 a 25 de Novembro de 2015
Maceió - Alagoas - Brasil
ISEMINÁRIO LUSOBRASILEIRO DE EDUCAÇÃO
INFANTIL - SLBEI
Colegiado de
Pedagogia
UFAL
Centro Acadêmico
Paulo Freire - CAPed
ISSN: 1981 - 3031
FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO:
O discurso pedagógico na perspectiva de Habermas
Gabriel Soares de Azevedo Filho1
[email protected]
Jacy de Araújo Azevedo2
[email protected]
RESUMO
O propósito deste artigo é destacar o pensamento habermasiano sobre ação comunicativa do
discurso pedagógico no processo ensino - aprendizagem para desenvolver a emancipação do ser
humano quanto ser dotado de capacidade racional na sociedade em que este está inserido. Nos
debruçaremos nas concepções e trabalhos científicos teóricos, pensadores e pesquisadores com o
propósito de obter uma base teórica para este artigo. Entre os diversos teóricos que estudaremos,
daremos uma atenção especial a Habermas, quando ele fala sobre o agir comunicativo como
instrumento de emancipação humana. Este trabalho está estruturado em três momentos que
julgamos importante. Entendemos que serão fundamentais no esclarecimento da relevância que a
ação comunicativa tem na emancipação do o ser humano. No primeiro momento, descreveremos a
respeito da afinidade existente no mundo das ideias entre pedagogia e filosofia. No segundo
momento, daremos um destaque a conceitos de palavras, como filosofia, pedagogia, e educação, as
quais são significativas para a compreensão do nosso enfoque sobre a emancipação humana. No
terceiro momento colocação, daremos um destaque a Habermas, ao traçar uma relação entre
pedagogia e filosofia, a importância dessa relação para o agir comunicativo e a emancipação
humana. Concluiremos o artigo falando a respeito da importância da formação de um homem-cidadão
com autonomia e emancipação com o propósito de construirmos uma sociedade livre e pensante. A
metodologia utilizada para o desenvolvimento deste artigo foi a análise bibliográfica.
Palavras-chave: Filosofia da Educação. Discurso Pedagógico. Habermas.
1. INTRODUÇÃO
O propósito deste artigo é destacar o pensamento habermasiano sobre
ação comunicativa do discurso pedagógico no processo ensino-aprendizagem para
desenvolver a emancipação do ser humano quanto ser racional na sociedade. No
embasamento teórico deste artigo, lançaremos mãos das concepções de Habermas
sobre o agir comunicativo, e nos apropriaremos de teóricos do naipe de: Dalbosco,
1
Mestrando em Educação Brasileira pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Professor da
Faculdade Mauricio de Nassau. Membro do grupo de pesquisa “Avaliação e Gestão Educacional”. Email: [email protected]
2
Mestra em Educação Brasileira pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Professora da
Faculdade Mauricio de Nassau. Membro do grupo de pesquisa “Avaliação e Gestão Educacional”. Email: [email protected]
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Ghiraldelli, Kant, Libâneo, Aristóteles, Pinto, Mühl, entre outros, os quais serão
importantes para o locupletamento deste artigo.
Este trabalho está estabelecido em uma estrutura compreendida por três
momentos que serão fundamentais para compreensão da importância da ação
comunicativa na educação em Habermas. Na primeira abordagem, falaremos da
relação existente entre pedagogia e filosofia. Na segunda abordagem, será
trabalhada uma conceituação dos termos que ocuparão uma posição de relevância
no desenvolvimento da argumentação que pretendemos suscitar neste trabalho.
Faremos uma definição da educação, como uma atividade focada na formação do
ser humano, para humanidade e cidadania. Abordaremos a pedagogia como um ato
de condução da criança ao conhecimento, como um conjunto de saberes.
Conceituaremos filosofia, a partir de uma perspectiva metafísica e não metafísica. E
na terceira abordagem, apresentaremos o pensamento habermasiano e a relação da
filosofia com a pedagogia, no agir comunicativo para a emancipação humana.
Concluiremos com a convicção de que a emancipação do ser humano é de
fundamenta importância na construção de uma sociedade autônoma e livre. O agir
comunicativo será possível quando o elemento da ação comunicativa tomar posse
de um discurso desprovido das ideologias sociais, promovidos pela cultura de massa
e se assumir no campo de uma racionalidade pedagógica e filosófica. Neste sentido,
refletiremos na urgência de uma relação afinada entre filosofia e pedagogia para o
desenvolvimento da ação humana emancipativa. É em meio a este contexto de uma
racionalidade pedagógica e acadêmica, que a filosofia da educação passa a assumir
uma função crítica e reflexiva da educação.
2. A CONEXÃO ENTRE PEDAGOGIA E FILOSOFIA
O marco que limita a relação da pedagogia com a filosofia encontra-se no
que diz respeito às formas diferenciadas de cogitar as ideias. Com a multiplicação
dos saberes científicos, o perfil da filosofia como uma ciência metafísica, que tinha
uma relação ampla com as variadas áreas do conhecimento, é totalmente
descaracterizado. Neste sentido a filosofia, deixar de ser um saber, mãe dos
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saberes e se posiciona no mundo dos saberes, como um conhecimento desprovido
de uma afinidade ou conexão com os demais saberes.
A aproximação do conhecimento pedagógico com o saber filosófico é
fundamental para o desenvolvimento de uma ação comunicativa, apta para ser uma
ação promotora da emancipação humana. De acordo com Dalbosco (2007), pensar
em pedagogia sem ter uma relação direta com a filosofia é o mesmo que ver a
realidade de uma ilha sem ter relação direta com a vida além das águas, onde está o
mundo das ideias. A partir dessa ótica, entendemos que a relação da pedagogia
com a filosofia, acompanhando a metáfora, que apresenta a pedagogia como a ilha,
e a filosofia como o mundo das ideias, compreende-se que a pedagogia não pode
viver a semelhança de uma ilha, sendo assim entrará em um estado de isolamento
empírico, deixando de aproveitar a oportunidade de entender o mundo em sua volta
e de experimentar outros saberes e ideias. Para tanto um diálogo produtivo é
essencial entre estes campos dos saberes.
Esta metáfora esclarece mais do que qualquer outra, o que significa a
restrição da pedagogia aos domínios da empírica positivista e a sua recusa
ao caráter reflexivo do saber filosófico. Temos com isso então um
esclarecimento introdutório da metáfora da fronteira entre formas diferentes
de saber. Diante disso coloca-se, no entanto, a pergunta sobre a
possibilidade de um diálogo produtivo entre filosofia e educação; ou seja,
por onde passa esta possibilidade e o que, previamente, se entende por
diálogo?(DALBOSCO, 2007, p. 29).
Entende-se que a dissolução desse marco limitador da relação existente
entre educação e filosofia será viável, no momento que houver uma ruptura com
essa ideia de verticalidade dos saberes, para tanto faz se necessário antes de
qualquer ação nesse sentido que estes saberes desenvolvam esta relação,
respeitando mutuamente cada um a sua raia de conhecimento, faz se necessário,
que cada área do conhecimento se posicione no lugar da outra, considerando com
ética as áreas do conhecimento. Esta atitude proporcionará por meio de um diálogo
ético e racional um desenvolvimento dos saberes.
Se tomarmos o termo "diálogo produtivo" numa perspectiva hermenêutica,
precisamos admitir uma atitude metodológica, sem ter que se desfazer da
discussão sobre critérios de validade, exige, no entanto, incorporação da
atitude de escuta e de se colocar no lugar do outro, tomando-os como
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condição indispensável à constituição de tais critérios. (DALBOSCO, 2007,
p. 29).
Ao enfatizar a questão da relação existente no mundo acadêmico entre estas
duas áreas do conhecimento, precisamos compreender que esta relação, onde a
pedagogia é vista a partir de uma verticalidade, estará, todavia na condição de serva
da filosofia. Quando esta interação é olhada no campo da horizontalidade, a
pedagogia, será autônoma, e livre, podendo em pleno uso dessa liberdade efetuar
as suas próprias escolhas, construir seus próprios conceitos e exteriorizar ações de
uma racionalidade justificada.
2.1 CONCEITUANDO EDUCAÇÃO
Trata-se de uma atividade contínua, assistemática vivenciada a partir da interrelação entre as pessoas. “A educação é, antes de tudo, prática educativa”
(GHIRALDELLI JR, 1987, p. 9). Na ótica de Kant (2006), a definição de educação
está ligeiramente atrelada à disciplina. Segundo o filósofo iluminista, a disciplina é
relevante na formação do homem emancipado. A educação faz o papel do lapidador,
que prepara a pedra para admiração e valoração social. A educação capacita o
humano para viver livre das amarras ideológicas do mundo do capital. Isto na
concepção de Kant, só é possível por meio da disciplina.
A disciplina submete o homem às leis da humanidade e começa a fazê-lo
sentir a força [coerção] das próprias leis. Assim, as crianças são mandadas
cedo à escola, não para que aí aprendam alguma coisa, mas para que aí se
acostumem a ficar sentadas tranquilamente e a obedecer pontualmente
àquilo que lhes é mandado, a fim de que no futuro elas não sigam de fato e
imediatamente cada um de seus caprichos(...). Assim, é preciso acostumálo logo a submeter-se aos preceitos da razão” (KANT, 2006, ps. 12-13).
Segundo Kant (2006), a educação, é um meio que capacita o humano
para vida. Neste sentido a conceituação Kantiana de educação, não se limita a uma
preparação do ser humano, com o propósito de atender objetivos pessoais. Ao
pensar em educação emancipativa, deve-se refletir em educação para vida. Assim a
educação emancipativa, tem como propósito fazer do homem, apto para refletir
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sobre a sua própria vida, e a vida do outro. Cogitar em seus próprios interesses sem
deixar de pensar na necessidade do outro. Kant (2006), diz que o verdadeiro homem
é formado pela educação. Uma educação que conduz o ser humano a trabalhar
suas habilidades e seus talentos não tem como propósitos dimensionar a
horizontalidade e a verticalidade que a educação pode levar o ser humano.
O homem não pode se tornar um verdadeiro homem senão pela educação.
Ele é aquilo que a educação dele faz. [...]Se um ser de natureza superior
tomasse cuidado de nossa educação, ver-se-ia, então, o que poderíamos
nos tornar. Mas, assim como, por um lado, a educação ensina alguma coisa
aos homens e, por outro lado, não faz mais que desenvolver nele certas
qualidades, não se pode saber até aonde nos levariam as nossas
disposições naturais. (KANT 1999, p.15).
2.2 CONCEITUANDO A PEDAGOGIA
Entendemos por pedagogia numa visão mais ampla como a forma de refletir a
prática educativa, e de forma restrita, entendemos que pedagogia, é refletir a
problemática que envolve o processo ensino - aprendizagem é pensar a teoria e a
prática. Ghiraldelli Jr, (1987, p. 9) diz, "A pedagogia é a teoria, enquanto que a
educação é a prática”. Dalbosco (2007) também fala sobre a educação e a
pedagogia.
A pedagogia caracteriza-se, pois, pelo esforço teórico e sistematizado de
pensar a ação educativa, em sentido mais amplo, e de pensar, num sentido
mais restrito, os problemas que surgem da relação entre teoria e prática no
processo de ensino-aprendizagem e da própria relação pedagógica.
(DALBOSCO, 2007, p.31).
O termo pedagogia, nasce do grego pedagogos, resultado da união das
palavras: paidos (criança) e gogia (conduzir ou acompanhar). Acompanhando o
sentido etimológico, pedagogia está relacionada à condução da criança aos saberes.
Entendemos também por pedagogia como a ciência da educação, que discute um
conjunto de conhecimentos e
saberes,
enquanto fenômeno
social e
de
particularidade do ser humano. A pedagogia se relaciona com as diversas áreas dos
saberes: a sociologia, a filosofia, a história...
Pedagogia é um campo de conhecimento teórico e de práticas que integra e
sistematiza diferentes conhecimentos e processos de outros campos
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científicos visando dar unicidade à investigação e às ações em relação ao
seu objeto, a prática educativa. Como teoria e prática, a Pedagogia formula
objetivos e propõe formas organizativas e metodológicas de viabilização da
educação humana. (LIBÂNEO, 2002, p. 37).
Sendo a pedagogia uma área do conhecimento de aproximação com
outras ciências, sob a mediação da ética e da política, determina a escolha e
interligação dos saberes racionais, científicos, e dos saberes empíricos, estes
vinculados a reflexão filosófica.
Campo de conhecimento porque não se trata apenas de teorias científicas,
na medida em que envolve outras formas e outros tipos de conhecimento. A
pedagogia, além de constituir-se por uma abordagem transdisciplinar do
real educativo, ao articular as teorias das diferentes ciências que lhe dão
sustentação direta (psicologia, sociologia, história) ou indireta (biologia,
antropologia, neurologia...), constitui-se, ao mesmo tempo, por uma
abordagem “pluricognoscível” ao ser expressão das diferentes formas e dos
diferentes tipos de conhecimento: do senso comum, da estética, da ética e
da política, da empiria, da etnociência. (PINTO 2008, p.110).
O que diferencia, a educação da pedagogia é a relação que há entre ação
educativa e ação pedagógica, a ação pedagógica é sistemática e trata da relação
entre os seres. A ação educativa é totalmente assistemática, voluntária e
espontânea e acontece nas relações entre os seres humanos. Percebemos que o
ponto em comum entre educação e pedagogia, é que, ambas as ações tratam de um
processo dialógico interativo. A pedagogia volta-se para um diálogo com as demais
ciências e com a filosofia. Portanto podemos dizer que esta, é um conhecimento de
fronteiras. Dalbosco 2007, fala que existe uma similaridade entre Educação e
Pedagogia, quando se pensa na ação educativa e na ação pedagógica.
Assim, a mesma diferença que há entre educação e pedagogia persistem
na relação entre ação educativa e ação pedagógica: a primeira diz respeito
a uma geração espontânea, não metódica e assistemática entre pessoas; já
a ação pedagógica procura tratar essa interação conforme uma perspectiva
reflexiva, metódica e sistemática. (DALBOSCO, 2007, p.31).
2.3 CONCEITO DE FILOSOFIA.
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A palavra filosofia etimologicamente origina-se dos termos gregos: filos amor, amizade, e sofia - sabedoria. Pitágoras (571 a.C. – 496 a.C.) foi o primeiro a
usar o termo. Platão (428 a.C. – 347 a.C.), ao definir a palavra filosofia disse que
filos é a necessidade, de algo que ainda não possui. Pensando assim, a filosofia é a
vontade de conhecer o desconhecido.
A palavra filosofia segundo Dalbosco (2007), tem uma conceituação que
transcende as definições clássicas. Ele define filosofia a partir de
uma visão
metafísica e não metafísica. A filosofia segundo a ótica metafísica, trata de um
pensamento sistematizado, que contem características universais, que sustenta o
título de primeira ciência. Esta possui quatro características importantes: a primeira é
uma ideia elaborada em forma de sistema; a segunda está voltada para
universalidade; na terceira se pensa a filosofia a partir da ideia de fundamentação
última. Aristóteles conceitua filosofia como o saber dos primeiros princípios e do
fundamento último. Na quarta filosofia é vista como uma forma de saber que está
acima de todos os outros saberes.
Aqui, a filosofia seria considerada um tipo de conhecimento superior em
relação aos demais conhecimentos, sendo o filósofo aquele que possui, de
certa forma, acesso privilegiado a verdade. Ao representarmos a
organização dos conhecimentos de forma piramidal, teríamos de colocar a
filosofia, com base nessa concepção, no topo da pirâmide. Ocupando este
posto, ela poderia julgar os outros conhecimentos, assumindo o papel de
uma juíza suprema. A filosofia, enquanto metafísica, seria, então, o tribunal
da cultura como um todo. Se este conceito de filosofia também está
presente entre os gregos, será, contudo, na tradição do Idealismo Alemão
que ele ganhará contornos bem definidos: através do conceito de
subjetividade, tal tradição renova as características da filosofia metafísica,
modificando-as em aspectos centrais. (DALBOSCO, 2007, p.36,37).
A filosofia refletida a partir do conceito não metafísico é estabelecida
como a mediadora de ideias. Neste sentido a filosofia se encontra como um saber
que está a serviço dos mais variados ramos do conhecimento, cujo propósito é de
mediar às relações entre as ideias e os saberes. Na conceituação não metafísica,
ela se estabelece por meio de diálogo e não de juíza suprema como interprete e
mediadora entre os saberes.
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A filosofia deve-se colocar, em vez disso, numa posição mais humilde
diante dos outros conhecimentos, dialogando com estes: em lugar de
indicadora, deve ser guardadora de lugar e, em vez de juíza suprema, ela
pode assumir o papel mais modesto de intérprete mediadora, clarificando os
problemas e as tensões que surgem do seu confronto com os outros
saberes. Mas para fazer isso, deve abdicar de suas pretensões metafísicas,
isto é, deve renunciar à sua pretensão de oferecer um fundamento último
para o conhecimento e para a ação humana e, portanto, deixar de querer
ser a primeira ciência. (DALBOSCO, 2007, p.36,37).
3. A RELAÇÃO DA FILOSOFIA COM A PEDAGOGIA SEGUNDO A VISÃO
HABERMASIANA.
Na visão de Habermas, a pedagogia desenvolveria uma inter-relação
horizontal com a filosofia e os demais saberes, sendo assim a pedagogia encontraria
em seu próprio interior razão para justificar as suas fundamentações teóricas,
estabelecendo-se em uma condição equiparada as outras ciências. A partir do
momento que a pedagogia se coloca como uma ciência autônoma, isto é, com
condições de justificar a sua racionalidade, passa a ter o dever de tornar claro o seu
entendimento sobre uma ação pedagógica. A viabilidade do cumprimento dessa
responsabilidade é ampliada, a partir do momento que a pedagogia como ciência
independente, que se inter-relaciona com os saberes justifica a sua racionalidade
através do diálogo com outras ciências. Habermas(1992), fala que a racionalidade
da pedagogia realiza-se no momento que os indivíduos emancipados propagam e
desenvolvem pensamentos, a partir de um ato espontâneo sobre os saberes, de
forma subjetiva, externada e inter-relacionada, realizando uma ação comunicativa.
O conceito de racionalidade comunicativa possui conotação que em última
instância se referem a uma experiência central da capacidade, mas sem
coação de gerar em uma fala argumentativa em que os diversos
participantes superam a subjetividade inicial de seus pontos de vista e
desenvolvem uma comunidade de convicções racionalmente motivadas e
asseguram-se da unidade do mundo objetivo e da intersubjetividade do
contexto em que desenrolam suas vidas (HABERMAS, 1992, p. 27).
3.1 OPEDAGOGO E A AÇÃO COMUNICATIVA
O trabalho do pedagogo na realização da ação pedagógica - filosófico,
com o objetivo de gerar uma ação comunicativa para a emancipação do ser
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humano, deve estar concentrada em produzir uma mentalidade, não meramente de
um professor ou profissional da educação, e sim de um pensador ou filósofo, que em
momento algum vai estar limitado a sua ação pedagógica propriamente dita, já mais
ele vai se deter exclusivamente ao manejo das técnicas pedagógicas. Falo das
didáticas, dos métodos, das correntes e das práticas vivenciadas nas quatros
paredes de uma escola. O profissional da educação que entender a necessidade de
um compromisso sério com a emancipação humana, naturalmente irá desenvolver
uma ação comunicativa pedagógica, que se encontra muito além das fronteiras de
técnicas e teorias. O pedagogo deverá trabalhar com suas aptidões e habilidades
reflexivas, como sujeito integrante da educação emancipativa. Para tanto faz se
necessário que este se posicione como um filósofo da educação vai estar em
ininterrupto questionamento sobre os motivos que lhe conduziram para ser um
educador. É a partir dessa compreensão que a filosofia dialoga com a pedagogia. A
filosofia tem a incumbência de conduzir o pedagogo a se ver como um filósofo, um
questionador da sua prática pedagógica. O papel da filosofia é conduzir o professor
a ter uma compreensão da realidade político pedagógica, Realidade que vai além
dos métodos e das técnicas.
Todo pedagogo que não queira reduzir sua ação a um mero fazer que se
limite a dar conta, de modo espontâneo e assistemático, das exigências
educacionais e pedagógicas que se apresentam a sua atividade docente,
condicionando a sua ação somente a relação meio e fim, deve se perguntar,
permanentemente, pelo significado de sua ação, isto é, devem fazer parte
de seu horizonte de questionamentos perguntas tais como: Em que consiste
propriamente a ação pedagógica? Como se pode fundamentá-la? Qual é o
conteúdo dessa fundamentação? E, ao colocar perguntas desta natureza,
ele já se põe em diálogo com a filosofia, tornando-se, ele mesmo, em certo
sentido, um filosofo. (DALBOSCO, 2007, p.44).
O educador deve ter uma compreensão clara sobre a diferença existente
entre os termos "poiesis" e "práxis" com a finalidade de desenvolver uma ação
humana emancipativa. O termo "poiesis" é uma referência ao "fazer" ou "produzir" e
quanto ao termo "práxis", está relacionado ao "agir". Segundo Aristóteles (1991, p.
405), as duas palavras são teleológicas, estão instruídas por meio e fim, os dois
termos possuem significações diferentes. O fazer (produzir), possui objetivos
contrários ao próprio fazer, tem uma finalidade diferenciada do realizar ,
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Aristóteles(1991, p. 405). Agir é uma intenção própria. Com este entendimento, são
colocadas duas diferenças fundamentais entre as palavras, poiesis e práxis: uma
tem vinculação com o domínio objetual, quanto à outra está relacionada à finalidade
da ação. "A matéria da poiesis é a obra, e o da práxis é a ação propriamente dita.
A racionalidade poética orienta-se por uma finalidade externa, ao passo que
a racionalidade da práxis encontra em si mesma a sua finalidade, ou, como
diz Aristóteles, a racionalidade da práxis é uma finalidade em si, isto é, seu
fim só pode realizar-se através da açãoe só pode existir na ação mesma.
(DALBOSCO, 2007, p.46).
A ação do agir comunicativo envolve uma prática dinâmica e continuada,
aqui não se trata especificamente de técnicas e métodos, se trata de ações
promovedoras de transformações sociais, capazes de desenvolver a promoção do
ser humano. Esta práxis tem a capacidade de tornar o homem livre das amarras do
sócio metabolismo do capital ( MÉSZÁROS, 2006).
3.2 UMA REFLEXÃO SOBRE O CONCEITO COMUNICATIVO DA AÇÃO.
Aqui enfocaremos a ação teleológica, que está no agir, e também
enfocaremos a ação comunicativa, como componente para realizar a ação social e a
ação pedagógica com a finalidade de fomentar uma educação com capaz de
incentivar na sociedade atual a emancipação do homem, quanto cidadão e parte
integrante da sociedade. Este homem diariamente desenvolve um agir comunicativo
e pratica ações teleológicas. "Com isso, quero deixar claro que não somente uma
estrutura teleológica, mas também uma estrutura comunicativa da ação é
fundamental para se pensar a ação social e, em específico, a própria ação
pedagógica como parte daquela" (DALBOSCO, 2007, p.47). Dessa forma
compreendemos que no desenrolar de uma ação pedagógica comprometida com a
transformação e libertação de um ser social, faz se necessário uma relação dialogal,
racional e subjetiva, entre professor, aluno, outros profissionais da escola e toda a
comunidade escolar. Habermas (1992) observa que trabalho e interação são duas
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modalidades de racionalidade, e tanto em um, como no outro, existe mais de um
sujeito, fator preponderante na existência do agir comunicativo racional.
O conceito de racionalidade comunicativa possui conotação que em última
instância se referem a uma experiência central da capacidade, mas sem
coação de gerar em uma fala argumentativa em que os diversos
participantes superam a subjetividade inicial de seus pontos de vista e
desenvolvem uma comunidade de convicções racionalmente motivadas e
asseguram-se da unidade do mundo objetivo e da intersubjetividade do
contexto em que desenrolam suas vidas. Nós podemos chamar de
„racionais‟ os homens e as mulheres, as crianças e os adultos, os ministros
e os cobradores de ônibus, mas não os animais, um arbusto lilás,
montanhas, ruas ou cadeiras. Nós podemos chamar de „irracionais‟ as
desculpas, os atrasos, as intervenções cirúrgicas, as declarações de guerra,
as reparações, os planos de reconstrução ou as decisões tomadas em uma
reunião, mas não um temporal, um acidente, um prêmio da loteria ou uma
doença (HABERMAS, 1992, p. 24, 25).
A educação pensada a partir de uma ação comunicativa acontece em
meio de um processo educativo horizontal comunicativo, que coloca a sua
subjetividade como elemento básico para um diálogo racional da ação. Neste caso
deixa de existir a ideia de supremacia entre os sujeitos que fazem a ação da
educação comunicativa. Neste sentido a visão de um educador detentor de todo
conhecimento, e de um aluno com a mente comparada a uma tabula rasa (John
Locke, 1689), desaparece completamente; porque na ação comunicativa tanto
professor quanto aluno dialoga conhecimentos. É inadmissível a possibilidade de um
elemento dessa ação ser depositário dos saberes e o outro, no caso o aluno ser o
armazenador, que recebe o conhecimento da vida desse depositário. Dessa forma é
relevante colocar que as partes da ação comunicativa são responsáveis por
desenvolver uma ação pedagógica comunicativa para ser possível a educação
emancipadora e libertadora. No processo ensino aprendizagem professor e aluno
são protagonistas da história e são coparticipantes desse processo. O êxito da
educação comunicativa é de responsabilidade exclusiva do aluno e do professor.
Sobre essa relação Dalbosco faz a seguinte colocação:
Se entendermos a ação comunicativa como um processo simétrico entre
seus interlocutores e, portanto, como um processo horizontal e não vertical,
em a tomada de posição ocorre com base em razões justificadas
racionalmente, a relação entre educador e educando não pode mais ser
vista somente como uma relação de poder do educador sobre o educando,
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na qual o educador procura educá-lo a partir de fins determinados
previamente. (DALBOSCO, 2007, p.50).
A relação de horizontalidade entre educação e filosofia, entre educador e
filósofo deve ser cada vez mais aproximada para realização de uma ação
comunicativa emancipadora.
Esta necessidade não elimina o caráter de auto
dependência que cada saber tem em sua essência, ao passo que sustenta a relação
de interdependência que filosofia e educação, educador e filósofo devem cultivar na
construção do saber comunicativo. Neste processo de inter-relação os dois campos
dos saberes reconhecem, e são responsáveis pelo pleno exercício de sua
racionalidade, e tanto uma quanto a outra exerce um respeito de da racionalidade do
outro. Entendemos que educação e filosofia em sua racionalidade são responsáveis
pelo
desenvolvimento
desse
processo
ou
pela fundamentação
dos
seus
conhecimentos. É importante ressaltar, que aluno e professor como protagonistas
dessa ação, são também responsáveis por esse processo. A escola para ser um
lugar onde a ação comunicativa é vivenciada precisa passar por uma transformação
em sua estrutura e em sua proposta metodológica, para que esta deixe de ser um
lugar de mera transmissão de conhecimento e passe a ser um palco de reflexão. A
escola deve abandonar o seu perfil de transmissoras de conteúdos repetitivos, deve
deixar de ser um lugar de acomodação e passar a ser um lugar de problematização,
que tem como seus principais representantes os professores e os alunos. A escola
que vivencia a ação comunicativa em seu processo educativo deve ser um ambiente
onde a sua realidade é questionada. Para que a ideia de uma escola que pratica a
ação comunicativa, não fique como um sonho é preciso que esta, leve professor e
aluno a se enxergar como promotores de conhecimentos e, todavia filósofos.
Compartilhamos do pensamento de Habermas (2002), quando ele fala sobre a
escola que estimula o agir comunicativo.
Tematizar um conteúdo de saber dentro do processo educativo significa, na
perspectiva do agir comunicativo, apresentar pedagogicamente as razões
que o tornam um saber válido. É nesse sentido que podemos falar de
reconstrução ou de atualização do conhecimento. A escola, dessa forma,
deixa de ser o lugar de mera reprodução (repetição, cópia) de
conhecimentos, para tornar-se o lugar de sua problematização e de sua
apropriação crítica. Para que isso ocorra é preciso que a sala de aula reúna
as condições objetivas e subjetivas de um discurso potencial. Em fase de
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Pedagogia
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um conteúdo de saber cada grupo de alunos deve ter o direito de colocar
seus porquês, saber as razões que justificam propor novos enfoques
(HABERMAS2002, p.34).
O agir comunicativo se faz relevante para escola, porque este promove a
emancipação do ser humano. Entendemos que este agir será possível a partir do
momento em que a escola, conceda liberdade aos seus alunos e professores para
produzir seu próprio conhecimento. É preciso que a escola permita que alunos e
professores atuem como personagens principais nesta engenharia educacional,
permitindo que eles sejam capazes de construir, destruir e reconstruir com base em
sua racionalidade os saberes da vida.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS.
Concluímos este artigo reafirmando que o propósito deste trabalho foi
discutir sobre a relevância do discurso pedagógico no processo ensino aprendizagem com a finalidade de promover a emancipação do ser humano. Foi um
trabalho fundamentado nos conceitos de Habermas quando ele trata sobre o agir
comunicativo e em teóricos de relevância que somaram no resultado do nosso texto.
No percurso deste artigo falamos sobre a relação existente entre
pedagogia e filosofia, e chegamos ao entendimento que existe uma fronteira entre
estes campos dos saberes e obtivemos uma compreensão de que filosofia e
pedagogia devem desenvolver uma relação aproximada para construção do agir
comunicativo. Definimos educação como aquela que está interessada na formação
do ser humano reflexivo. A pedagogia é uma prática de condução ao saber, a partir
do conjunto de competências e saberes que é de propriedade da ciência da
educação. A filosofia definimos a partir de uma ótica metafísica e não metafísica. Na
metafísica, a filosofia é vista como fundamentadora de saber. Quanto a não
metafísica a filosofia é vista como a mediadora de ideias. E na última abordagem
vimos em Habermas, o agir comunicativo, onde ele coloca a importância da relação
entre a filosofia e a pedagogia, neste agir comunicativo.
Foi enfocada a importância da função do pedagogo na articulação de uma
ação pedagógica comunicativa. Vimos também sobre a ação teleológica, e a ação
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comunicativa, que foram apresentadas como fundamentais, para promover a ação
pedagógica ao desenvolver uma educação com competência, capaz de emancipar o
cidadão que possui o próprio agir comunicativo e suas ações teleológicas na vida
diária.
Estamos convictos de que a emancipação do ser humano tem a sua
relevância na formação de uma sociedade autônoma, livre, cujos participantes são
capazes de fazer reflexões críticas e apresentar soluções para transformação social.
O ser humano autônomo é um ser livre, que através de um agir comunicativo tem
condições de realizar a emancipação humana. Para esse agir comunicativo tornarse viável, vai depender do momento em que o sujeito da ação comunicativa se
aproprie de uma fala desvencilhada dos mitos sociais e se fundamente em uma
racionalidade
pedagógica
e filosófica. Ressaltamos a
relevância
de
uma
aproximação entre filosofia e pedagogia possibilitando assim uma ação humana
emancipativa. Afirmamos a necessidade do desenvolvimento de uma racionalidade
pedagógica, para que a filosofia da educação passe a exercer uma função crítica da
educação, dos seus saberes e da realidade.
A filosofia da educação passa a ter uma importância na formação do ser
emancipado, ao abandonar o seu status de determinadora de lugar, de
fundamentadora de princípios pedagógicos, e assumir a função política na
educação, articulando um discurso racional, desenvolvendo uma mediação entre as
áreas do conhecimento, incentivando práticas morais e de justiça social. A filosofia
da educação deve fugir do seu perfil tradicional, idealista e voltar o seu discurso para
o mundo da vida. O que será possível por meio do agir comunicativo.
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