Nº 66 Remédios jogados no lixo e esgoto podem contaminar águas

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Nº 66
Remédios jogados no lixo e esgoto podem contaminar águas
de torneira
“Não comente erro maior quem não faz nada só porque pode fazer um pouco”
Edmund Burke – filósofo e político anglo irlandês (1729 – 1797)
O Brasil enfrenta um problema sanitário que parece
estar longe de ser resolvido. Os medicamentos vendidos nas
farmácias vêm geralmente em quantidade superior ao indicado para o
tratamento, o que leva o paciente a acumular uma “farmacinha” em
casa. Porém, os produtos logo perdem a validade, e são descartados
na pia, no vaso sanitário e no lixo orgânico. Quase ninguém sabe que
ao serem despejados ralo a baixo, os remédios vão parar, quando
existem, nos sistemas de tratamento de esgoto doméstico. Lá, as
substâncias que compõem o medicamento podem interagir e matar
as bactérias usadas para tratar o esgoto.
Esse problema é um consenso entre a Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), o Conselho Nacional do
Meio Ambiente (CONAMA) e o Conselho Federal de Farmácias (CFF).
Porém, até o momento não existe uma legislação que regulamente o
descarte de resíduos domésticos, e a privada continua sendo a lixeira.
As substâncias dos remédios vão parar nas águas dos rios que
acabam sendo mananciais de água potável. Como nosso sistema de
saneamento (quando existe) não é 100% eficiente, esses
medicamentos acabam sendo distribuídos nas águas e as pessoas
ficam, cronicamente, expostas a substâncias como, por exemplo,
antibióticos e hormônios. Calcula-se que 20% dos medicamentos
adquiridos são descartados de alguma forma no meio doméstico,
informa o Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de
Medicamentos (Idum) que alerta “O descarte de medicamentos é
uma das maiores causas de envenenamento e intoxicação em
comparação ao contato com produtos químicos.”
No entanto, as normas existentes que legislam sobre
resíduos se limitam aos dos serviços de saúde – como hospitais e
farmácias – que têm a incineração como destino. Embora a ANVISA
esteja ciente dos riscos do descarte doméstico, não existe uma lei
que discorra sobre o assunto. Estima-se que 1% dos lixos sólidos
sejam resíduos dos serviços de hospital, sendo 3% desses,
medicamentos. De acordo com a ANVISA, fica a cargo de cada Estado
desenvolver sua própria legislação sobre lixo doméstico. O CONAMA
também não dispõe de norma que regulamente o lixo doméstico.
.
Esses medicamentos, principalmente o antibiótico,
podem fortalecer as bactérias com as quais interagem na água.
Essas, ao serem ingeridas pelo homem, as tornam resistente ao
remédio. Hormônios podem ser danosos a homens, principalmente, e
pessoas com pré-disposição genética para o câncer. Além disso, o
descarte dos produtos em lixo comum, que vão para aterros
sanitários, muitas vezes são catados e usados de forma incorreta.
Para o CF de Farmácia, os restos de remédios não devem ser jogados
em casa, - o ideal seria devolver à farmácia - pois, o farmacêutico é
responsável pelo plano de gerenciamento desses resíduos. Como
forma de equacionar esses problemas sérios, nós da Aearsi
estaremos propondo à Câmara Municipal e ao Executivo uma
legislação municipal regulamentando a matéria.
Celem Mohallem é Secretário da Aearsi – Associação Ecológica
Amigos do Rio Sapucaí de Itajubá e Presidente do CBHSapucaí
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