estudo do efeito da idade dos progenitores equinos

Propaganda
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS
Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde
Departamento de Medicina Veterinária
Curso de Medicina Veterinária em Betim
Leonardo Lara Maia
Raphael Ruas Gouvêa
ESTUDO DO EFEITO DA IDADE DOS PROGENITORES EQUINOS
SOBRE A RAZÃO SEXUAL DE SUAS CRIAS
Betim
2013
Leonardo Lara Maia
Raphael Ruas Gouvêa
ESTUDO DO EFEITO DA IDADE DOS PROGENITORES EQUINOS
SOBRE A RAZÃO SEXUAL DE SUAS CRIAS
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao
Curso de Medicina Veterinária em Betim da
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais,
como requisito parcial para obtenção do título de
Bacharel em Medicina Veterinária.
Monografia
apresentada
ao
Curso
de
Medicina
Veterinária
Orientador: Prof.
Guilherme
Ribeiro da
VallePontifícia
Universidade Católica de Minas Gerais,
como requisito para obtenção do título de
Bacharel em Medicina Veterinária.
Betim
2013
Leonardo Lara Maia
Raphael Ruas Gouvêa
ESTUDO DO EFEITO DA IDADE DOS PROGENITORES EQUINOS
SOBRE A RAZÃO SEXUAL DE SUAS CRIAS
Monografia apresentada ao Curso de Medicina Veterinária da
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, como
requisito para obtenção do título de Bacharel em Medicina
Veterinária.
_____________________________________________________
Prof. Guilherme Ribeiro Valle (Orientador) – PUC Minas.
_____________________________________________________
Profa. Maria Coeli Gomes Reis Lage– PUC Minas.
_____________________________________________________
Dra. Laura Maria Godinho Santos Esquário – PMMG
Betim, 18 de junho de 2013
DEDICATÓRIA
Dedicamos esta a aquele que em todo tempo esteve ao nosso lado, se tornando nosso
melhor amigo e nosso maior abrigo. Em tempos bons e ruins, em tempo de júbilo, mas
também em épocas de insucessos e incertezas nunca nos deixou só e nunca nos permitiu
desanimar.
Entendemos que o homem não tem nada se do céu não lhe for dado, e que devemos confiar
em ti de todo nosso coração, não nos apoiando em nosso próprio conhecimento e
entendimento. A ti Senhor Jesus, nosso maior amigo, dedicamos honra, glória e louvor por
esta vitória.
AGRADECIMENTOS
Agradecemos aos nossos pais, por todo incentivo e dedicação que tiveram durante toda
nossa vida, mas em especial por esse tempo em que a caminhada que nos foi proposta se
mostrou dura e árdua. Sem vocês o caminho seria mais doloroso e talvez impossível de se
suportar.
Aos nossos Mestres, e em especial ao Prof. Guilherme Ribeiro Valle devemos eterna
gratidão, não apenas por nos apresentarem toda a arte da ciência que mais amamos. Mas
por quando, tinham o dever de apenas lecionar, eles nos ensinavam, por quando deveriam
apontar nossos erros, eles nos ajudaram a acertar, por quando podiam relevar para se
mesmos os nossos fracassos, muitas vezes partilharam da nossa dor.
A você que de uma forma direta ou indiretamente participou deste sonho, que o Senhor
Jesus os abençoe e os guarde, faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de
ti, que o Senhor sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz.
RESUMO
O objetivo deste trabalho foi avaliar se a idade dos progenitores equinos poderia
interferir na razão sexual de seus filhos, variando da razão sexual esperada por Fisher
(1958) de 1:1. Foram analisados dados de 262 potros nascidos entre 1995 e 2012 no
Regimento de Cavalaria Alferes Tiradentes da Polícia Militar de Minas Gerais (RCATPMMG), oriundos de acasalamentos de 120 éguas com 16 garanhões. A razão sexual dos
potros foi analisada de acordo com a comparação entre grupos formados de acordo com a
idade da égua (até 15 anos; maior que 15 anos); idade do garanhão (até 15 anos; maior que
15 anos); e diferença de idades garanhão/égua (garanhão mais que 10 anos mais velho;
garanhão entre 10 anos mais velho e 10 anos mais novo; garanhão mais que 10 anos mais
novo). As comparações de razões sexuais entre grupos foram realizadas utilizando-se o
teste de Qui-quadrado quando entre três grupos, e o teste de Fisher quando entre dois
grupos. Já a comparação da frequência observada de cada sexo em determinado grupo e a
frequência teórica esperada, de 50% para cada sexo, foi realizada pelo teste de Fisher. Para
a comparação entre idades do garanhão e da égua entre diferentes grupos foi utilizada a
análise não paramétrica de Mann Withney quando entre dois grupos, e Kruskal-Wallis
quando entre três grupos, após avaliação de normalidade dos dados pelo teste de
Kolmogorov-Smirnoff. Em todos os casos foi considerado o nível de significância de 5%
(P<0,05). Observou-se queéguas com 15 ou mais anos de idade produziram mais crias do
sexo feminino que masculino na comparação com éguas mais jovens, além de produzirem
prole com razão sexual diferente de 1:1, com maior taxa de nascimento de fêmeas. Já a
diferença de idade entre égua e garanhão e a idade do garanhão, não afetaram a razão
sexual dos potros.
Palavras-chave: equino, idade da égua, idade do garanhão, razão sexual.
ABSTRACT
The aim of this study was to evaluate whether the age of the parents horses could
interfere with the sex ratio of their children, ranging from the expected sex ratio by Fisher
(1958) 1:1. We analyzed data from 262 foals born between 1995 and 2012 in Cavalry
Regiment AlferesTiradentes of the Military Police ofMinas Gerais (RCAT-PMMG),
derived from matings of 16 stallions with 120 mares. The sex of the foals was analyzed
according to the comparison between groups formed according to the age of the mare (15
years, greater than 15 years), age of the stallion (up to 15 years, greater than 15 years), and
difference ages stallion / mare (stallion more than 10 years older; stallion between 10 years
older and 10 years younger; stallion more than 10 years younger). The comparisons of sex
ratios between groups were performed using the chi-square when between three groups,
and the Fisher test when between two groups. The comparison of the observed frequency of
each sex in a given group and the theoretical expected frequency of 50% for each sex was
performed by Fisher's test. To compare ages stallion and mare among different groups we
used the nonparametric Mann-Whitney test when between two groups, and Kruskal-Wallis
test when between three groups, after evaluation of data normality using the KolmogorovSmirnoff. In all cases it was considered the level of significance of 5% (P <.05). It was
observed that mares with 15 or more years of age produced more female offspring than
male compared to younger mares, and produce offspring with different sex ratio of 1:1,
with the highest birth rate of females. Already the age difference between mare and stallion
and aged stallion, did not affect the sex ratio of foals.
Keywords: horse, mare age, old stallion, sex ratio.
LISTA DE TABELAS
TABELA 1
Razão sexual de potros segundo a idade dos progenitores .................
31
TABELA 2
Razão sexual de potros a diferença de idade dos progenitores ...........
31
TABELA 3
Razão sexual de potros segundo a idade da égua, quando a diferença
de idades entre garanhão e égua era máxima de 10 anos ....................
32
LISTA DE ABREVIATURAS
aC – Antes de Cristo
CL – Corpo Lúteo
cm – centímetro
ECG – Gonadotrofina Coriônica Equina
IA – Inseminação Artificial
LH – Hormônio Luteinizante
MG – Minas Gerais
mL – mililitro
mm – milímetro
ng – nanograma
PGE2– Prostaglandina E2
PGF2α – Prostaglandina F2 alfa
PM – Polícia Militar
RCAT – Regimento de Cavalaria Alferes Tiradentes
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................
11
2 REVISÃO DA LITERATURA...........................................................................
2.1Determinação sexual em mamíferos...............................................................
2.2 Sobrevivência diferenciada entre embriões masculinos e femininos............
2.3 Gestação da égua...............................................................................................
2.4 Morte embrionária em equinos........................................................................
2.4.1Deficiência de progesterona............................................................................
2.4.2 Endometrites.....................................................................................................
2.4.3 Endometrose....................................................................................................
2.4.4 Idade da égua...................................................................................................
2.4.5 Estresse............................................................................................................
2.4.6 Nutrição...........................................................................................................
2.4.7 Genética...........................................................................................................
2.4.8 Local de fixação do embrião no útero............................................................
2.4.9 Fatores relacionados ao garanhão.................................................................
12
12
14
17
20
21
21
23
24
26
27
27
28
28
3 MATERIAL E MÉTODOS.................................................................................
29
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO.........................................................................
30
5CONCLUSÃO.......................................................................................................
34
REFERÊNCIAS.......................................................................................................
35
11
1. INTRODUÇÃO
O interesse pelos mecanismos de determinação do sexo dos animais remonta os
tempos de Aristóteles (DAMIANI; DICHTCHEKENIAN; SETIAN, 2000). Apesar disso,
até hoje não se sabe exatamente que fatores determinam o nascimento de animais do sexo
masculino ou feminino, apesar de Fisher (1958) ter proposto que a razão sexual natural
seria de 1:1 macho:fêmea, o que não ocorre naturalmente em diversas espécies.
Direcionar o nascimento de indivíduos masculinos ou femininos pode ser uma
estratégia de preservação das espécies (CONEY; MACKEY, 1998) e também interesse do
homem em relação aos animais que cria, permitindo atingir seus interesses econômicos
(animais pecuários) ou afetivos (animais de companhia).
Estudos em primatas humanos (MANNING; ANDERTON, 1998) e não humanos
(BAYFELD; YOUNG, 2002) relatam razão sexual diferente de 1:1 em função da idade dos
progenitores. Em estudo recente realizado por Barbosa (2012), se pôde perceber indícios de
que éguas mais velhas tendem a produzir mais fetos fêmeas que machos.
Diferenças moleculares entre os embriões levam a alterações no metabolismo
fazendo com que o embrião masculino tenha uma maior taxa metabólica de glicose e de
proteínas, o que podem ter consequência no desenvolvimento do embrião, levando a perda
embrionária seletiva em função de capacidades diferentes de resposta a riscos ambientais,
como o ambiente uterino. Assim, embriões masculinos são mais sensíveis às condições
adversas encontradas durante o seu desenvolvimento inicial (BERMEJO-ALVAREZ et al.,
2011).
Silva (1991), estudando a ocorrência de diversas patologias genitais relacionadas à
idade da égua, evidenciou que de maneira geral, há uma maior ocorrência dessas com o
avançar da idade, sendo as lesões inflamatórias uterinas significativamente relacionadas à
menor fertilidade. Leblanc (2010) ressalta a maior mortalidade embrionária precoce em
éguas com piores condições uterinas.
Diante disso, este estudo teve o objetivo de verificar a hipótese de que éguas mais
velhas tendem a produzir maior número de potros fêmeas em relação a machos, avaliando
os potros nascidos ao longo de 22 anos no Regimento de Cavalaria Alferes Tiradentes
(RCAT) da Polícia Militar de Minas Gerais.
12
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1. Determinação sexual em mamíferos
Em 355 aC, Aristóteles postulava que o dimorfismo sexual surgia de diferenças na
temperatura do sêmen no momento da cópula, sendo que sêmen mais aquecido geraria
indivíduos do sexo masculino, enquanto que em temperatura mais baixa geraria indivíduos
do sexo feminino (DAMIANI; DICHTCHEKENIAN; SETIAN, 2000).
O interesse científico pelo conhecimento sobre os determinantes do sexo ao
nascimento se desenvolveu, inicialmente, para tentar explicar a predominância
mundialmente observada do nascimento de indivíduos do sexo masculino sobre o feminino
em seres humanos, bem como pelo interesse de algumas culturas na possibilidade de
determinação prévia do sexo de sua prole (GRAY et al., 1998).
No primeiro quarto do século XX surgiu a ideia da determinação cromossômica do
sexo, desacreditando várias teorias já existentes. O estudo dos cromossomos dos seres
humanos e de outros mamíferos no terceiro quarto desse mesmo século, aliado à descoberta
de aberrações dos cromossomos sexuais, enfatizou a importância do cromossomo Y para a
determinação sexual masculina (MITTWOCH, 2005).
Hoje em dia há tecnologias que nos auxiliam, fazendo com que haja maior chance
que o embrião seja do sexo desejado, favorecendo a presença dos espermatozóides que
carreiam cromossomas X ou Y no momento da fertilização, promovendo alteração na
proporção normal do sexo. As técnicas incluem o uso da citometria de fluxo para separar os
espermatozóides X e Y, sendo usado o sêmen sexado para realizar inseminação artificial
(IA) (FUGGER, 1999; LU; CRAN; SEIDEL 1999; JOHNSON, 2000).
Entretanto, técnicas de manejo reprodutivo poderiam ser utilizadas para a
determinação prévia do sexo. Silva et al. (2008), mostraram que novilhas Nelore
inseminadas mais tardiamente no cio apresentavam maior proporção de nascimento de
bezerros machos.
O controle fisiológico do sexo à concepção parece estar relacionado à capacitação
espermática, quando os espermatozóides carreadores do cromossomo Y capacitam-se
13
primeiro, em virtude da maior sensibilidade à concentrações iônicas no útero em relação
aos espermatozóides contendo o cromossomo X, indicando que a seleção do sexo do
embrião pode ocorrer no ambiente uterino, pela seleção dos espermatozóides
(PELLEGRINO et al., 2003). Assim Pugh et al. (1999) mencionam que ao inseminar vacas
mais cedo em relação ao momento da ovulação os espermatozóides carreadores do
cromossomo Y seriam capacitados primeiro e não resistiriam até a chegada do ovócito na
ampola da tuba para fertilização. Por conseguinte, os espermatozóides com o cromossomo
X teriam maior chance de fertilizar o ovócito.
Em seres humanos, há relatos de que o muco cervical selecionaria espermatozóides
X e Y. Martin (1997) propôs um modelo de determinação sexual afetado pelas
características do muco cervical da mulher, em que a elevação de níveis de estrógeno nos
dias que precedem a ovulação faria com que aumentasse a penetrabilidade do muco
cervical pelos espermatozóides. Por outro lado, o aumento dos níveis de progesterona, na
presença de corpo lúteo, faria com que esta penetrabilidade diminuísse. Assim, relações
sexuais mais distantes do momento da ovulação tornariam mais difícil a penetração dos
espermatozóides no muco cervical, privilegiando os espermatozóides Y, com maior
habilidade em ultrapassar o orifício cervical e chegar à luz uterina, consequentemente
chegando ao ovócito em maior proporção que espermatozóides X. Isso afetaria a proporção
sexual das crianças. Pyrsak (1994) relata que espermatozóides Y compõem 66-71% da
primeira de 10% dos espermatozóides que nadam através de um gradiente de albumina.
Quando ocorre o aumento de progesterona ocorre maior secreção uterina, isto faz com que
se aumente a concentração iônica no útero privilegiando segundo Pellegrino et al. (2003) os
espermatozóides Y.
Há relatos de que a diferença de idade entre homens e mulheres determinaria o sexo
de crianças recém-nascidas. Quando os homens são mais velhos do que as mulheres há
tendência ao nascimento de meninos; mas quando as mulheres são mais velhas do que os
homens, há tendência ao nascimento de meninas (MANNING; ANDERTON, 1998).
Situação semelhante foi demonstrada por Bayfeld e Young (2002) para micos leões
dourados criados em cativeiro, havendo maior proporção de nascimento de fêmeas quando
a progenitora era cinco ou mais anos mais velha que o progenitor.
14
Em equinos, trabalhando com dados de sexagem fetal aos 70 dias, Barbosa (2012)
mostrou que fêmeas equinas doadoras de embrião com cinco ou mais anos de idade
produziam proporção de fetos fêmea (64%) maior que a de machos (36%); bem como
fêmeas seis ou mais anos mais velhas do que garanhões tiveram razão sexual (0,6:1,0)
diferente de quando a diferença de idades era menor (1,2:1,0). Entretanto como o
diagnóstico do sexo dos fetos foi aos 70 dias de gestação, não se pôde afirmar que a mesma
proporção iria se manter até o nascimento, pois poderia ocorrer perdas gestacionais
posteriores.
A partir da segunda metade do século XX foram desenvolvidas teorias para explicar
desvios encontrados em diversas espécies animais da razão sexual 1:1, resultante do acaso
no momento de fertilização (princípio de Fisher; FISHER, 1958). O equilíbrio ideal entre
gêneros não é necessariamente o de 1:1, devendo ser levado em consideração fatores
diversos da ecologia que levam a um equilíbrio ideal próprio de cada espécie em cada
situação que faz com que haja a perpetuação desta espécie. Tais fatores, atuando através da
fêmea, ajustariam a razão sexual ao nascimento buscando o equilíbrio necessário à
manutenção da espécie, desviando-se da proporção genética imposta pelo acaso no
momento da fertilização (CONEY, MACKEY, 1998).
2.2. Sobrevivência diferenciada entre embriões masculinos e femininos
Alguns estudos mostram que a sobrevivência dos embriões na fase de préimplantação pode ser influenciada pelas diferenças fenotípicas entre embriões masculinos e
femininos. Sugere-se que os embriões masculinos seriam mais vulneráveis que os
femininos em determinadas condições de estresse. Entretanto, são todos estudos realizados
in vitro.
Em cavalos selvagens, a razão de sexo de nascimento pode variar de 3 a 81% do
sexo masculino entre éguas, dependendo se eles estavam em balanço energético negativo
ou positivo, respectivamente (CAMERON; LINKLATER, 2007).
Dentre esses estudos Bermejo-Alvarez et al. (2011) mostraram que durante a fase de
pré-implantação embriões masculinos e femininos podem exibir diferenças fenotípicas, que
só podem ser atribuídas às diferenças resultantes da transcrição do cromossomo sexual
15
diferente. Assim, todos os genes expressos ligados ao Y e os genes ligados ao X que
escapam totalmente ou parcialmente, a inativação do cromossoma X, em cada fase de
exibição do dimorfismo sexual tem efeito da transcrição específica de desenvolvimento.
Além disso, estes cromossomas do sexo transcritos diferencialmente podem regular a
transcrição de genes autossômicos, levando a um grande dimorfismo sexual transcricional.
As diferenças de transcrição sexo-dependentes podem afetar várias vias moleculares, como
o metabolismo da glicose, a metilação do DNA e regulação epigenética, e metabolismo de
proteínas. Estas diferenças moleculares podem ter consequências para o desenvolvimento
do embrião, incluindo a perda sexo seletivo e as respostas específicas do sexo epigenética
aos perigos ambientais como o ambiente uterino. Assim, embriões masculinos seriam mais
sensíveis às condições adversas encontradas durante o seu desenvolvimento inicial.
Dois estudos de transcrição globais relataram que muitos genes ligados ao X são
regulada em blastocistos femininos em camundongos e especialmente em gado, onde a
maioria (90%) são altamente expressos em fêmeas. Além disso, imprimindo de
mecanismos que afetam genes ligados ao X, fazendo com que uma expressão única ou
preferencial do alelo paterno, possa ter um papel nas diferenças de transcrições
relacionados com o sexo, como embriões machos não possuem o herdado maternalmente
cromossoma X. Neste sentido, alguns genes ligados ao X, tais como, RHOX5 BEX1,
BEX2, CAPN6, SRPX2 e UBE2A tinham sido relatados para serem parcialmente
impressos durante o desenvolvimento pré-implantação (BERMEJO-AVAREZ et al. 2011
citando KOBAYASHI et al. 2.006), sugerindo efeito sinérgico de X dose dupla e os
mecanismos de imprinting sobre as diferenças de transcrição relacionados com o sexo
(BERMEJO-AVAREZ et al. 2011).
Entre as transcrições regulada no sexo feminino, um quarto estavam ligadas ao X,
com o resto sendo autossômica. Em bovinos, a extensão das diferenças sexuais somaram
quase um terço dos transcritos expressos, com a maioria deles, sendo autossômica
codificado. Esses estudos fornecem evidências de um grande cromossomo sexual liderando
a regulação da transcrição de genes autossômicos (BERMEJO-AVAREZ et al. 2011).
Embriões do sexo masculino produzidos in vitro possuem taxas metabólica de
desenvolvimento superior aos embriões femininos. Este fato pode ser devido à expressão de
alguns genes do cromossoma Y que aceleram o desenvolvimento embrionário, enquanto a
16
expressão de outros genes, localizados no cromossoma X, de origem materna ou paterna,
retardam o desenvolvimento embrionário. Assim, condições ambientais, tanto naturais
como artificiais, poderiam interferir na sobrevivência de embriões de diferentes maneiras,
dependendo do seu gênero. O meio de cultura in vitro pode favorecer o embrião masculino
por ser rico em nutrientes, estes que são melhores aproveitados pelos embriões masculinos,
enquanto que naturalmente quando há éguas com poucos nutrientes o embrião fêmea se
daria melhor do que o macho devido ao seu baixo metabolismo (GUTIÉRREZ-ADÁN et
al., 2006).
Segundo Rheingantz et al. (2004), vários estudos têm reportado uma elevada
proporção de machos entre os embriões mamíferos produzidos in vitro. Entretanto, apesar
das causas deste desvio ainda não estarem esclarecidas, há especulações de que as
condições de cultivo in vitro, como por exemplo a maior quantidade de nutrientes, possam
estar relacionadas com esta proporção. (GUTIÉRREZ-ADÁN et al., 2006).
Alguns autores, como Grisart et al. (1995) e Yadav, King e Betteridge (1993),
sustentam que os componentes do meio de cultivo podem influenciar a velocidade de
desenvolvimento e/ou a sobrevivência dos embriões de determinado sexo, interferindo,
assim, a proporção macho:fêmea devido a diferenças metabólicas ligadas ao sexo do
embrião.
De acordo com Gutiérrez (1993), citado por Peipo e Bredbacka (1996), o
metabolismo da glicose parece estar envolvido na ocorrência do desvio na proporção
macho:fêmea resultante da diferente velocidade de desenvolvimento entre os sexos. Nas
primeiras horas após a fecundação, embriões bovinos do sexo masculino clivam mais
rapidamente do que os do sexo feminino, quando cultivados em meio contendo 5,56 mm de
glicose (PEIPO; BREDBACKA, 1996; PEIPO; BREDBACKA, 2001). Segundo Tiffin
(1991), o metabolismo da glicose é significativamente maior em embriões bovinos do sexo
masculino do que nos do sexo feminino.
De acordo com Rheingantz et al. (2004), a presença de radicais de oxigênio no meio
de cultivo também parece participar do mecanismo que determina este desvio macho:fêmea
relacionado com a velocidade de desenvolvimento. Estes radicais, embora apresentem ação
citotóxica, possuem também efeito estimulante sobre o desenvolvimento dos embriões.
17
Segundo Peipo e Bredbacka (1995), os radicais livres são encontrados em menores
concentrações nos embriões femininos do que nos masculinos.
Apesar de que no estudo de Gutierrez et al. (1993) ter sido observado que as
condições de cultivo in vitro interferem na proporção de embriões machos e fêmeas,
revelando maior perda de embriões do sexo masculino, o mesmo não ocorreu em outros
estudos. King et al. (1991) não observaram essa distorção para embriões bovinos; assim
como Holme e Callesen (1998) relataram proporção macho:fêmea similares logo após a
fecundação e em todos os eventos de clivagem, incluindo o estágio de compactação e
formação de blastocele. Lê Bourhis et al.(1998) não observaram diferenças significativas
nas taxas de blastocistos produzidos por transferência nuclear a partir de núcleos
embrionários masculinos e femininos analisados no sétimo dia de cultivo in vitro.
2.3. Gestação da égua
O início da gestação equina envolve aspectos específicos do gênero Equus sp., e no
momento apropriado o embrião deve sinalizar a sua presença no sistema genital materno,
sinal este necessário para a manutenção do corpo lúteo (CL), produção de progesterona e
continuidade do desenvolvimento do endométrio e sua atividade secretora. Outros sinais
utilizados pelo embrião, como síntese de hormônios e proteínas, parecem também ser
responsáveis pelo reconhecimento materno da gestação, sendo alvo de estudos e pesquisas
(BORÉM; CAIXETA, 2008). A própria progesterona é importante no controle do
mecanismo de luteólise, por inibir o desenvolvimento de receptores endometriais para a
ocitocina (VALLET; LAMMING, 1991).
O CL é a glândula produtora de progesterona, cuja secreção contínua é essencial
para o início e a manutenção da gestação em fêmeas equinas (ARRUDA et al., 2001). Após
a ovulação, o CL passa a produzir progesterona, cuja produção atinge concentrações
plasmáticas de 6 a 10 ng/mL no 5º dia após a ovulação. A progesterona estimula a
proliferação e secreção do epitélio glandular do endométrio (secreção histotrófica ou leite
uterino). Esta secreção é a única fonte de nutrientes para o crescimento do concepto antes
que ocorra a placentação. Além disso, a progesterona reduz a contratilidade uterina e
18
mantém a contratilidade cervical, deixando que o concepto e a placenta possam se
desenvolver sem serem expulsos do útero através da cérvix (STEVENSON, 1998).
Com o crescimento do CL na égua gestante até os 35 a 40 dias de gestação, quando
a placenta inicia a produção de gonadotrofina coriônica equina (ECG) pelos cálices
endometriais, ocorre a formação de CLs acessórios (CARVALHO et al., 2001). Após a
fertilização na tuba uterina, o zigoto atinge o útero, no quinto ou sexto dia após a ovulação
(LOPES, 2004). No útero, o embrião sinaliza sua presença à mãe, através de mecanismo
chamado de reconhecimento materno da gestação (ALLEN, 1994). Acredita-se que desde o
sétimo dia de vida o embrião começa a secretar estrógeno (ALLEN, 2001; HAFEZ;
HAFEZ, 2004), que inibe a produção de prostaglandina F2 alfa (PGF2α) pelo endométrio,
consequentemente mantendo concentrações adequadas de progesterona circulante
(MOREL, 2003). Caso esse reconhecimento não ocorra, as células endometriais
sintetizarão e liberarão PGF2α, que atuará no CL determinando sua lise e o fim da
produção de progesterona, podendo levar a manifestação de um novo estro (LOPES, 2004).
Entre os dias seis a 22 após a ovulação, o embrião está envolto por uma resistente
cápsula que o mantém esférico e livre dentro da luz uterina. Entre os dias nove a 17 o
embrião se move continuamente de uma extremidade à outra dos cornos uterinos, levado
por contrações peristálticas do miométrio (GINTHER, 1992; ALLEN, 1994; HAFEZ;
HAFEZ, 2004). É importante que o endométrio esteja em boas condições e sem nenhuma
barreira que impeça a movimentação do concepto, como cistos ou septos endometriais, que
podem levar a interrupção da gestação (ALLEN, 2001). Este processo de mobilidade do
concepto persiste até o dia 16 ou 17 após a ovulação, momento em que ocorre um súbito
incremento do tônus miometrial, este incremento do tônus faz com que haja uma expansão
da musculatura do útero diminuindo o diâmetro da luz uterina, que, juntamente com o
aumento do diâmetro do embrião, leva à fixação do concepto na base de um dos cornos
uterinos (BORÉM; CAIXETA, 2008).
Segundo alguns autores (ALLEN, 2001; STOUT; ALLEN, 2002), o concepto
equino tem a capacidade de secretar grande quantidade de PGF2α e prostaglandina E2
(PGE2). Essa produção é alta no dia 10 após a ovulação quando se comparada aos outros
dias, mas não têm acesso à circulação sistêmica em quantidade suficiente que comprometa
a função do CL. A função destas prostaglandinas não é completamente definida, porém tem
19
sido proposto que elas são necessárias para estimular localmente os movimentos
peristálticos tubáricos e uterinos, envolvendo contração e relaxamento coordenados da
musculatura lisa requeridos para propelir o concepto até o útero e de uma extremidade à
outra de sua luz. Propõe-se também que tenham outras funções, como promover a rápida
expansão inicial do blastocisto e aumentarem o fluxo sanguíneo uterino e permeabilidade
vascular, facilitando a distribuição de nutrientes para o desenvolvimento do concepto.
A partir dos 17 dias, apesar de já fixo em um dos cornos uterinos, ainda não há
conexão direta entre o embrião e o útero. Algumas proteínas do fluido uterino se associam à
cápsula embrionária e são responsabilizadas pela nutrição do embrião fazendo parte dessa
membrana envoltória (GORETTI, 2005). A secreção endometrial, chamada de “leite
uterino”, é a única fonte de nutrientes para o crescimento do embrião antes que ocorra a
placentação (PAIVA; COSTA, 2004).
Os CLs ovarianos, primário e acessórios, são a fonte de progesterona nos primeiros
120 dias de gestação (GUEDES, 2010). Sendo a produção desse hormônio pela placenta,
iniciada entre os dias 50 a 70 de gestação. Essa é a única fonte deste hormônio a partir dos
150 dias (DAELS, 2007). Assim dessa forma a progesterona placentária gradualmente se
torna a principal fonte e a partir de 150 dias a produção ovariana não é mais necessária,
ocorrendo neste período a regressão dos CLs (MOREL, 2003).
A placenta equina é epitéliocorial difusa microcotiledonária e adeciduada, com
aderência ocorrendo entre 24 e 40dias de gestação (HAFEZ; HAFEZ, 2004). Este tipo de
placentação é não invasiva e produz uma mínima resposta celular materna (GINTHER,
1992). É epitéliocorial uma vez que o epitélio uterino está em contato com o epitélio
coriônico, apresentando, portanto, seis camadas de tecido separando as circulações materna
e fetal, incluindo endotélio materno e embrionário/fetal; tecido conjuntivo materno e
embrionário/fetal; epitélio uterino; e células trofoblásticas. Além disso, há quatro
membranas basais a serem transpostas (FLOOD, 1993). É difusa pelo fato de que as
vilosidades do córion estão distribuídas uniformemente sobre toda a superfície de tecido
materno, resultando em pequenos agrupamentos, os vilos que formam os microcotilédones
(STOUT; ALLEN, 2002). Esses possibilitam significativa troca de substâncias entre o
sangue materno e embrionário/fetal, sem haver, no entanto, comunicação direta entre eles
20
(GRUNERT; BIRGEL, 1982). É adeciduada pelo fato de não ocorrer perda de tecido
materno ao parto (GINTHER, 1992).
As funções da placenta são diversas, e incluem nutrição e respiração fetal, retirada
de detritos e proteção do concepto da resposta imune materna, direcionada contra o
concepto e/ou antígenos placentários (GINTHER, 1992).
Após a fixação da vesícula embrionária, o concepto passa pelo processo de
implantação (SOUZA et al., 2007). A partir da quarta semana inicia-se a formação das
vilosidades na superfície coriônica. Por volta da sétima semana essas vilosidades penetram
nas criptas maternas, formando os microcotilédones, e com 50 a 75 dias de gestação a
placenta está completamente formada (TONIOLLO; VICENTE, 1992).
A cintura coriônica, o surgimento dos cálices endometriais e sua invasão no
endométrio materno surgem do 35º ao 37º dia de gestação (LEY, 2006). Por volta do 42º
dia os cálices endometriais começam a produzir e secretar ECG, que tem ação semelhante
ao hormônio luteinizante (LH), estimulando o crescimento de vários folículos que podem
ovular ou luteinizar, formando os CLs acessórios (SALLES; ARAÚJO, 2010). Após 140
dias de gestação os cálices endometriais desaparecem, devido a uma reação imunológica
tissular uterina, havendo o término de produção de ECG (TONIOLLO; VICENTE, 1992).
2.4. Morte embrionária em equinos
A morte embrionária precoce em éguas é definida, apesar de não haver consenso na
literatura, como a perda gestacional que ocorre da fertilização até os 40 dias de gestação. A
perda gestacional que ocorre a partir dos 40 dias é classificada como morte fetal
(GINTHER, 1992; VANDERWALL; NEWCOMBE, 2007). Entretanto, é importante
detectar perdas embrionárias que ocorram previamente ao momento em que pode ser
diagnosticada a gestação, a fim de se fazer a diferenciação entre perda embrionária e falha
de fertilização (VANDERWALL, 2008).
Vários estudos descrevem a perda embrionária precoce como um distúrbio
reprodutivo frequente e que assume uma considerável importância na eficiência reprodutiva
do rebanho equino (PAIVA, 2004). São mais intensas quando comparadas com as perdas
em estádios de gestação mais avançados (GINTHER, 1985), com maior ocorrência no
21
período que antecede o 18° dia de gestação (PAIVA, 2004). Entretanto, Villahoz (1985) e
Jainudeen e Hafez (2000) verificaram a maior percentagem de morte embrionária antes do
35° dia de gestação, com a fase mais crítica entre os 30 e 35 dias.
Vanderwall (2008) considera que os fatores que podem contribuir para a ocorrência
de perda embrionária precoce podem ser intrínsecos, extrínsecos e embrionários. Os fatores
intrínsecos incluem patologia endometrial, níveis baixos de progesterona, idade da mãe,
amamentação, cio do potro, tempo decorrido entre a cobrição e a ovulação, local de fixação
intrauterina da vesícula embrionária e anomalias nos cromossomas maternos. Entre os
fatores extrínsecos incluem-se o estresse, a nutrição, a época do ano/clima, manipulação
genital por palpação retal/ultrassonografia e a qualidade e processamento do sêmen. Os
fatores embrionários incluem anomalias cromossômicas e outras características inerentes ao
embrião.
2.4.1. Deficiência de progesterona
A redução na concentração de progesterona circulante pode resultar em perda
embrionária na égua. Concentrações plasmáticas reduzidas entre o sétimo e 17° dia foram
encontradas cem éguas que apresentaram morte embrionária entre o 11° e 15° dias de
gestação (GINTHER, 1985). Concentrações de progesterona inferiores a 2,5 ng/mL no 12º
dia da gestação foram considerados críticos, identificando éguas com disfunção luteal
(DUARTE; VIEIRA; SILVA, 2002; CAIADO et al., 2007). Perdas embrionárias em
receptoras de embrião ocorreram quando concentrações séricas de progesterona foram
inferiores a 2,0 ng/mL (GORETTI, 2005).
Estudos revelam que a terapia com progesterona exógena é frequentemente usada
numa tentativa de evitar perda embrionária em éguas (DUARTE; VIEIRA; SILVA, 2002;
CAIADO et al., 2007).
2.4.2. Endometrites
As endometrites causam relevantes prejuízos na reprodução de equinos, por
acarretarem baixa fertilidade, morte embrionária e abortamentos. Ocorrem frequentemente
22
devido a alterações nos mecanismos de defesa responsáveis pela eliminação de
microrganismos existentes no útero. Nestas condições, as bactérias contaminantes do coito
e do parto se instalam, desenvolvendo processo infeccioso que leva à infertilidade por
ocasionar, na maioria das vezes, morte embrionária precoce (MATTOS; MALSCHITZKY;
JOBIM, 2003).
Existem dois mecanismos pelos quais as bactérias ganham acesso ao trato genital da
égua: introduzidas durante a cópula, IA, transferência de embrião, infusão uterina ou coleta
de amostras para citologia e/ou histopatologia endometrial; e por fatores inerentes à égua
que reduzam sua capacidade de defesa contra infecções ascendentes, como na
pneumovagina (MELO et al., 2008).
Na espécie equina, independentemente do método de cobrição, o sêmen é
depositado na luz uterina. Portanto, neste momento as barreiras físicas de acesso à luz
uterina são ultrapassadas, sendo o espermatozoide, proteínas do plasma seminal e bactérias
do sêmen e pênis, responsáveis pela indução de uma resposta inflamatória uterina aguda
(TROEDSSON, 1997). Este quadro inflamatório é um evento fisiológico (TROEDSSON,
1997), porém, o processo inflamatório persistente induz a secreção de PGF2α pelo
endométrio, levando à luteólise e impedindo a manutenção da gestação (FERNANDES;
FIGUEIREDO, 2007).
O útero deve ser capaz de eliminar o processo inflamatório até o quinto dia após a
ovulação, momento de entrada do embrião no útero, a fim de proporcionar um ambiente
propício para seu desenvolvimento (MALSCHITZKY et al., 2007). Na maioria das éguas
esta inflamação desaparece entre um a dois dias pós-cio (ALBERTO; COSTA, 2010).As
éguas que conseguem eliminar facilmente a contaminação são ditas éguas resistentes à
endometrite, e éguas que falham em eliminar o agente desenvolvem endometrite
persistente, sendo denominadas éguas sensíveis à endometrite (ALBERTO; COSTA,
2010).
O útero reage rapidamente à presença do sêmen através de um aporte de neutrófilos,
que são identificados nesse órgão 30 minutos após a cópula. Esta resposta objetiva a
eliminação do excesso de espermatozóides e daqueles defeituosos ou mortos
(TROEDSSON; LIU; CRABO, 1998). Segundo Katila (1995), com um aumento na
concentração de neutrófilos e a ação dos componentes do sistema complemento e
23
imunoglobulinas, atinge-se o pico inflamatório entre quatro e 24 horas, estando ausente
após 48 horas.
Barreiras físicas, como a vulva, a prega vestíbulo-vaginal e a cérvix, impedem o
acesso de microrganismos ao útero (Troedsson, 1998).Essas barreiras anatômicas devem
ser íntegras, já que mudanças conformacionais tendem a predispor a égua a endometrite
persistente (KATILA, 1996).
A pneumovagina é causa comum de infertilidade na égua e pode ser resultado de
alterações na conformação e relaxamento vulvar, que se tornam mais acentuadas durante o
estro, senilidade, sucessivas gestações, enfraquecimento da musculatura abdominal, bem
como causas de deslocamento do trato gastrintestinal em direção crânio-ventral (MELO et
al., 2008).
Um importante mecanismo para a eliminação rápida do agente agressor e dos
componentes e subprodutos inflamatórios é a contratilidade miometrial. Durante o estro
ocorrem períodos de atividade contrátil de aproximadamente cinco minutos, alternados com
períodos equivalentes de repouso. O desempenho deste mecanismo requer adequado
relaxamento da cérvix. Éguas sensíveis e de idade avançada apresentam menor capacidade
de limpeza mecânica através da cérvix e menor drenagem linfática uterina, acumulando
fluido no útero (LEBLANC, 2010).
A diminuição da fertilidade causada pela endometrite resulta do efeito sobre a
viabilidade dos espermatozóides e dos embriões, caso ocorra a fertilização. A persistência
da endometrite, além de cinco dias pós-ovulação, quando o embrião chega ao útero e o CL
se torna sensível à PGF2α, pode causar morte embrionária precoce (WATSON, 2000).
2.4.3. Endometrose
Esta enfermidade é caracterizada por alterações crônicas e degenerativas do
endométrio, como fibrose periglandular, estase linfática e dilatação glandular, podendo ser
resultado de repetidas inflamações uterinas. Entretanto, essa enfermidade observada em
éguas velhas, que não apresentam histórico de endometrites, sugere que a fibrose
degenerativa do endométrio pode ser resultado do envelhecimento (BRITO; BARTH,
2003). Em um estudo feito por Hoffmann (2009), foi observado que éguas que
24
apresentavam endometrose mais severa eram aquelas que já haviam apresentado
endometrite.
Segundo Carnevale e Ginther (1994), em éguas mais velhas, o período interovulatório é maior que 80 dias, fato que pode decorrer da morte tardia do embrião, após
reconhecimento materno da gestação, em consequência da endometrose avançada e
deficiência de secreções uterinas para manter o embrião.
Cistos endometriais na luz uterina, resultantes de fibrose periglandular, tendem a
impedir a movimentação embrionária, restringindo a capacidade da vesícula embrionária
em prevenir a luteólise a partir do 10° dia pós-ovulação (GINTHER, 1983). A prevalência
em éguas de cistos endometriais varia entre 22 e 27% (EILTS; SCHOLL; PACCAMONTI,
1995; TANNUS; THUN, 1995). Se ocorrer a implantação o contato da parede do cisto e
membrana alantóide pode dificultar as trocas placentárias (BROOK; FRANKEL, 1987).
Histologicamente, o grau de endometrose é determinado pela frequência de
glândulas com fibrose e formação de ninhos glandulares fibrosados, que pode variar numa
escala de I a III (KENNEY; DOIG, 1986).
2.4.4. Idade da égua
O efeito da idade da égua sobre a fertilidade tem sido amplamente demonstrado na
literatura, sendo os piores resultados atribuídos aos animais mais velhos (LAING; LEECH,
1975; HENRY, 1981; LOFSTEDT, 1988; WAELCHLI, 1990; VANDERWAL; WOODS,
1991; CARNEVALE; GINTHER, 1992; GIBBS; DAVISON, 1992; BRINSKO; BALL;
ELLINGTON, 1995; VALLE et al., 1999; LEBLANC, 2010) e aos animais muito jovens
(VLACHOS; PASCHALERI, 1965; LOFSTEDT, 1988), sendo que éguas com mais de 15
anos já são consideradas velhas e éguas menores que 4 anos são consideradas novas.
Segundo Ball (2000), muitas vezes as éguas idosas são mais valiosas devido às
provas já prestadas que atestam o seu valor zootécnico, sendo comum encontrar éguas com
mais de 20 anos em programas de reprodução, como nos de transferência de embrião,
mesmo tendo pior desempenho reprodutivo.
Com o avanço da idade ocorre a redução da fertilidade atribuída a diversos fatores.
Ginther (1992) relata que com a idade advém menor contratilidade uterina e, assim, menor
25
habilidade para expulsar corpos estranhos do útero e, consequentemente, maior ocorrência
de endometrites. Está consolidado pela literatura a menor capacidade de éguas velhas
eliminarem corpos estranhos e bactérias da luz uterina, contribuindo para maior
susceptibilidade a infecções e alterações inflamatórias e degenerativas (HUGHES; LOY,
1969). Silva (1991), estudando a ocorrência de diversas patologias genitais relacionadas à
idade da égua, evidenciou que, de maneira geral, há maior ocorrência dessas com o avançar
da idade. A funcionalidade dos ovários, a viabilidade dos ovócitos e embriões e
funcionalidade das tubas uterinas também são afetadas com o avançar da idade
(BLANCHARD; VARNER, 2003). Henry (1981) relata a ocorrência de salpingites e
Bennett (2007) a existência de massas tubárias que causam oclusões da sua luz, todas com
maior incidência em éguas idosas.
Com relação à atividade cíclica, apesar de muitas éguas ainda ciclarem após 20
anos, há aumento do número de folículos pré-ovulatórios da puberdade até os cinco anos de
idade, estabilização dos seis aos 15 anos e declínio a partir daí, caminhando para a
senescência (GINTHER, 1992). O processo de senescência progride da seguinte forma: a)
alongamento da fase folicular e redução do número de folículos; b) ovulações ocasionais
com período inter-ovulatório maior que 80 dias; e c) persistência da inatividade ovariana,
com folículos menores que 0,5 cm de diâmetro (CARNEVALE; GINTHER, 1994).
Éguas idosas são mais susceptíveis a endometrites persistentes (LEBLANC, 2010),
sendo éguas virgens e jovens geralmente consideradas como resistentes às endometrites,
com base em sua boa resposta às infecções uterinas experimentais (HUGHES; LOY, 1975;
EVANS; HAMER; GASON, 1986). No entanto, os resultados apresentados por
Malschitzky, Aguir e Trein (2006) demonstram que, em éguas virgens, a endometrite
persistente pós-cio é também uma causa potencial de falha reprodutiva, devendo receber
estas a mesma atenção que é dada ao quadro em outras categorias de éguas. Segundo
Leblanc (2003)a função anormal da cérvix, com fechamento precoce ao final do cio, é a
principal causa de falha de limpeza física do útero em éguas virgens.
No estudo de Valle (1999) o grupo de éguas de 15 a 19 anos de idade necessitaram
maior número de ciclos para concepção se comparadas com grupos de éguas mais novas,
onde esse grupo teve uma média de 3,4 ciclos por concepção, o grupo de éguas de 3 a 6
anos tiveram uma média de 1,61, o grupo de 7 a 10 anos uma média de 1,57 e o grupo de
26
éguas de 11 a 14 anos uma média de 1,91, mostrando que o grupo de éguas mais velhas
teve uma eficiência de prenhez inferior aos grupos de éguas mais novas. Entretanto, apesar
da fertilidade das éguas decair a partir dos 15 anos de idade, a senescência não ocorreu até
os 19 anos.
A fim de investigar a qualidade do ovócito, Carnevale, Griffin e Ginther (1993)
verificaram que alguns ovócitos de éguas idosas apresentavam anomalias morfológicas, não
detectadas nos de éguas jovens, incluindo grandes vesículas no citoplasma ou anomalias
associadas ao núcleo, formas irregulares ou alongadas, áreas de citoplasma sem organelas e
seções de membrana plasmática com poucas microvilosidades. Mais recentemente,
Rambags, Krijtenburg e Drie (2005) identificaram que, após a maturação in vitro, o número
de mitocôndrias era significativamente menor nos ovócitos de éguas idosas. A microscopia
eletrônica de transmissão demonstrou que as mitocôndrias dos ovócitos das éguas idosas
apareciam muitas vezes tumefatas e com danificação extensa das cristas. Carnevale e
Ginther (1995) colheram ovócitos das tubas uterinas de éguas jovens e idosas e
transferiram-nos para tubas de éguas receptoras jovens, sendo a taxa de gestação menor
para os provenientes de éguas idosas.
Estudos de Brinsko et al. (1994) e Brinsko, Ball e Ellington (1995) sugerem que a
iniciação da transcrição embrionária, que ocorre no estágio de quatro a oito células, durante
a embriogênese, pode ser um fator associado com a mortalidade embrionária em éguas
idosas. A avaliação do desenvolvimento in vitro de embriões de éguas idosas e jovens
demonstrou que, embora não haja alterações no desenvolvimento dos embriões de éguas
idosas, estes eram constituídos por blastômeros menores e de menor qualidade do que os
embriões de éguas jovens. Ball (2000) afirma que os blastocistos das éguas idosas
apresentam mais defeitos morfológicos e menores taxas de sobrevivência após transferência
para éguas receptoras saudáveis.
2.4.5. Estresse
O estresse é citado por alguns autores como um dos responsáveis pela morte
embrionária precoce. Segundo Vanderwall (2008), é importante evitar situações de estresse
27
em éguas no início de gestação, como introdução de animais novos em grupos estáveis,
competição pelo alimento e temperatura ambiente muito elevada.
Ball (1988) relatou um aparente declínio nas concentrações periféricas de
progestinas totais em éguas que passaram por estresse relacionado à dor, doença infecciosa
ou desmame de suas crias durante a gestação, propondo que isto se deveu a uma maior
liberação de corticóides maternos. Newcombe e Wilson (2005) sugerem que o estresse
social, principalmente em éguas recém incluídas num lote de cria, também pode contribuir
para a perda embrionária. Entretanto, estudo de Baucus et al. (1990) evidenciou que o
transporte de éguas entre a terceira e quinta semanas de gestação, apesar de ter alterado os
níveis séricos de progesterona e cortisol, não interferiu a taxa de morte embrionária nas
éguas.
Stout (2009) cita que o estresse térmico parece influenciar a etapa final do
desenvolvimento folicular, a taxa de fertilização e o desenvolvimento do embrião durante
os seus primeiros sete dias.
2.4.6. Nutrição
Henneke, Potter e Kreider (1984) demonstraram que éguas com má condição
corporal dos 90 dias antes aos 90 dias após o parto tiveram taxa de perda embrionária de
75% dos dias 30 a 90 de gestação. Esta taxa foi maior que a de animais que perderam
condição corporal até o parto e a recuperaram após; os que mantiveram condição até o
parto e após; e os que mantiveram condição até o parto e a perderam após. Ball (1993)
também relatou a ocorrência de perdas embrionárias em razão da queda na condição
corporal em éguas submetidas à restrição de energia na dieta durante os períodos pré e pósparto.
2.4.7. Genética
Anomalias cromossômicas foram indicadas como sendo a maior causa de
mortalidade embrionária em todas as espécies (BISHOP, 1964). Em seres humanos, a
frequência dessas anomalias em conceptos abortados é estimada em 60% no primeiro
28
trimestre de gestação, caindo para 7% no final da 24a semana (PLACHOT; POPESCU,
1993).
Segundo Lear et al. (2008), são seis as translocações autossomais na égua que
podem causar mortalidade embrionária, resultando em subfertilidade e infertilidade.
Dependendo da combinação gênica e segregação cromossômica na meiose, as
translocações podem produzir gametas normais ou alterados.
2.4.8. Local de fixação do embrião no útero
O local de fixação do embrião no útero também infllui no seu desenvolvimento,
embriões que se fixam no corpo uterino têm menor chance de desenvolvimento do que os
que se fixam no corno uterino (JOBERT; LEBLANC; PIERCE, 2005; DAVOLLI, 2010).
2.4.9. Fatores relacionados ao garanhão
Ball (1988) reportou maior incidência de perdas embrionárias e fetais em éguas
cobertas com um determinado garanhão quando comparada às de outros dois, todos
utilizados no mesmo rebanho por cinco anos. Também Ball (1988) relatou uma maior
incidência de morte embrionária em éguas cobertas com um determinado grupo de
garanhões, garanhões esses que apresentaram anormalidades cromossômicas que incluíam
cariótipos 63X0, 65XXY e 64XY. Também são considerados por Ball (1988) como fatores
ligados ao garanhão, que causam morte embrionária, a transmissão venérea de doenças,
como a metrite contagiosa equina, a arterite viral equina e agentes como a Pseudomonas
aeruginosa e Klebsiela pneumoniae.
29
3. MATERIAL E MÉTODOS
Foram avaliados os dados provenientes dos arquivos de registro de animais do
Regimento de Cavalaria Alferes Tiradentes (RCAT), da Polícia Militar de Minas Gerais,
dos quais foram selecionados aqueles animais cujos progenitores tinham identificação
precisa de suas idades à concepção dos potros. Assim, dados de 262 potros nascidos entre
1989 e 2010, oriundos de acasalamentos de 120 éguas com 16 garanhões, foram utilizados.
As progenitoras eram de padrões raciais diversos, incluindo as raças Crioula, Brasileira de
Hipismo, Puro Sangue Inglês e mestiças. Os progenitores eram de diversas raças de
hipismo.
Ao longo destes anos, foram realizadas estações de monta entre setembro e abril,
respeitando a estação reprodutiva fisiológica para equinos nesta região, sendo as éguas
submetidas a controle de desenvolvimento folicular e rufiações, e cobrições realizadas por
meio de monta natural ou inseminação artificial.
Grupos de potros foram formados de acordo com a idade da égua (até 15 anos;
maior que 15 anos); idade do garanhão (até 15 anos; maior que 15 anos); e diferença de
idades garanhão/égua (garanhão 10 ou mais anos mais velho; garanhão entre 10 anos mais
velho e 10 anos mais jovem; garanhão 10 ou mais anos mais jovem). Estes grupos foram
formados levando-se em consideração a idade que a égua já começa a ter problemas
reprodutivos, para alterar significativamente sua fertilidade.
As comparações de razões sexuais entre grupos foram realizadas utilizando-se o
teste de Qui-quadrado, quando entre três grupos, e o teste de Fisher, quando entre dois
grupos. Já a comparação da frequência observada de cada sexo em determinado grupo e a
frequência teórica esperada, de 50% para cada sexo, foi realizada pelo teste de Fisher.
Para a comparação entre idades do garanhão e égua dos diferentes grupos foi
utilizada a análise não paramétrica de Mann-Withney, quando entre dois grupos, e KruskalWallis, quando entre três grupos, após avaliação de normalidade dos dados pelo teste de
Kolmogorov-Smirnoff.
Em todos os casos foi considerado o nível de significância de 5% (P<0,05).
30
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A razão sexual geral do grupo (115 machos e147 fêmeas) foi de 1,0:1,3
macho:fêmea, semelhante estatisticamente à de 1:1 (P = 0,19). Isso mostra não ter havido
divergência da frequência esperada à concepção, como proposto por Fisher (1958), de 1:1.
Observou-se razão sexual semelhante entre diferentes idades de garanhão (P>0,05),
havendo maior proporção de fêmeas no grupo de éguas mais velhas em comparação as
éguas mais jovens (P<0,05). Já a razão sexual de cada grupo, quando comparada com a
razão teórica de 1:1, mostrou que o grupo de éguas mais velhas proporcionou maior
nascimento de fêmeas que de machos (P<0,05). A idade do parceiro (égua ou garanhão)
não diferiu entre os grupos de idades de garanhão e de égua (P>0,05), revelando não ter
havido interferência da idade do parceiro sobre os resultados. Entretanto, a diferença de
idade entre parceiros foi diferente entre grupos (P<0,05), tanto na análise para garanhões
como para éguas (Tabela 1).
Há relatos de que a diferença de idades entre progenitores interfere a razão sexual
da prole. Em trabalho realizado anteriormente por Barbosa (2012), também com equinos,
observou-se que a diferença de idade entre égua e garanhão provocou razão sexual de fetos
diferente de 1:1 quando a égua era mais velha que o garanhão em seis ou mais anos; e em
seres humanos, Manning e Anderton (1998) demonstraram maior nascimento de meninos
quando pais eram mais velhos que as mães; e Bayfield e Young (2002) que, numa
população de primatas não humanos, quando as fêmeas eram mais velhas que os machos
estas pariram mais filhotes fêmea.
A fim de verificar se houve interferência da diferença de idades entre progenitores
nos resultados da tabela 1, foram formados grupos de distintas diferenças de idade entre
progenitores (Tabela 2). Não houve diferença na razão sexual entre grupos (P>0,05), e nem
de cada grupo com a razão teórica de 1:1 (P>0,05). Entretanto, as idades dos parceiros,
égua ou garanhão, foram diferentes entre os grupos (P<0,05), o que poderia, em princípio,
ter interferido nos resultados obtidos.
A eliminação de tais potenciais interferências nos resultados obtidos é difícil de
controlar, pois sempre que o garanhão ou a égua são mais velhos que o parceiro,
naturalmente eles têm idade mais avançada, e vice-versa. Tal situação poderia ser evitada
31
se houvesse uma amostra de animais grande o suficiente para excluir extremos de idades de
égua ou garanhão.
Tabela 1: Razão sexual de potros nascidos no RCAT entre 1989 e 2010, segundo a idade
dos progenitores.
Idade do garanhão (anos)
Machos / Fêmeas nascidos
<15
≥15
86 / 105
29 / 42
1,0:1,2
Razão sexual
/
1,0:1,5
Valor de P
0,58 1
(vs 1:1)0,36 1 / 0,32 1
Idade égua (anos)
10,7 ± 4,6
11,9 ± 4,8
0,07 2
Dif. idade garanhão/ égua(anos)
- 4,1 ± 5,0
8,7 ± 5,1
< 0,01 2
Idade da égua (anos)
Machos / Fêmeas nascidos
<15
≥15
95 / 98
18 / 42
1,0:1,0
Razão sexual
/
1,0:2,3
0,011
(vs 1:1)0,90 1 / 0,041
Idade garanhão (anos)
9,6 ± 6,2
11,0 ± 6,4
0,06 2
Dif. idade garanhão/ égua(anos)
0,8 ± 6,7
- 6,7 ± 7,1
< 0,01 2
1) Teste Exato de Fisher;
2) Teste de Mann-Whitney
Tabela 2: Razão sexual de potros nascidos no RCAT entre 1989 e 2010, de acordo com a
diferença de idade entre progenitores.
Idade do garanhão subtraída a idade da
égua (anos)
< -10
-10 a +10
> +10
Machos / Fêmeas nascidos
6 / 16
Razão sexual
1,0:2,7
93 / 115
/ 1,0:1,24
16 / 16
/
1,0:1,0
Valor de P
0,22 1
(vs 1:1) 0,12 1 / 0,28 1 / 1,00 1
Idade égua (anos)
19,8 ± 2,6
10,7 ± 4,0
7,7 ± 1,9
< 0,01 2
Idade garanhão (anos)
5,8 ± 0,9
9,2 ± 5,7
20,9 ± 1,6
< 0,01 2
1) Teste Exato de Fisher;
2) Teste de Mann-Whitney
Numa outra tentativa de eliminar tais problemas das análises, realizou-se a
comparação mostrada na tabela 3, onde foram formados os mesmos dois grupos de idades
de éguas dentre os casos em que a diferença de idade entre garanhão e égua era de, no
máximo, 10 anos (grupo “-10 a +10”, da tabela 2).
32
Tabela 3: Razão sexual de potros nascidos no RCAT entre 1989 e 2010, segundo a idade da
égua, quando a diferença de idades entre progenitores era máxima de 10 anos.
Idade da égua (anos)
<15
≥15
Machos / Fêmeas nascidos
80 / 80
13 / 35
Razão sexual
1,0:1,0
/
1,0:2,7
Valor de P
<0,01 1
(vs 1:1)1,001 / 0,021
Idade garanhão (anos)
7,6 ± 4,2
14,8 ± 6,8
<0,01 2
Dif. idade garanhão/ égua(anos)
-1,7 ± 4,6
0,0 ± 5,2
0,032
1) Teste Exato de Fisher;
2) Teste de Mann-Whitney
Manteve-se maior nascimento de fêmeas no grupo de éguas mais velhas (P<0,05),
assim como a razão sexual diferente da teórica de 1:1 (P<0,05) neste mesmo grupo, o que
não ocorreu no grupo de éguas mais jovens (P>0,05). Apesar da diferença de idades entre
garanhão e égua se apresentar estatisticamente distinta entre os grupos (P<0,05), esta não
parece ser biologicamente relevante, já que foram menores que dois anos nos dois grupos.
Já com relação à diferença de idade média do garanhão entre grupos, detectada (P<0,05), se
a idade mais avançada dos garanhões no mesmo grupo de maior faixa etária das éguas
tivesse exercido algum efeito, privilegiando o nascimento de potros machos, já que o
embrião sempre tende para o sexo do progenitor com a idade avançada como vimos na
literatura, haveria razão sexual semelhante a 1:1 neste grupo, o que não ocorreu. Isto parece
suficiente para demonstrar que o efeito da idade avançada da égua se sobrepôs ao efeito da
idade avançada do garanhão, se é que este último existiu, já que neste estudo isso não foi
evidenciado, influenciando o gênero dos potros ao nascimento.
No trabalho de Barbosa (2012) observou-se maior percentual de fetos fêmea que
machos filhos de doadoras de embriões com cinco ou mais anos de idade, mas foi
semelhante à razão de 1:1. Entretanto, naquele estudo foram avaliados fetos oriundos de
transferência de embrião e sexados aos 70 dias de idade, fato que pode ter interferido na
sobrevivência embrionária diferenciada, mesmo em éguas mais jovens que aos 15 anos de
idade.
A pior qualidade uterina de éguas idosas torna sua eficiência reprodutiva mais
baixa, estando o envelhecimento da égua relacionado com menores taxas de gestação
33
(VALLE et al., 1999) e aumento das taxas de mortalidade embrionária (LEBLANC,
1994;BLANCHARD, 2003; VANDERWALL, 2008). Trabalhando com o mesmo rebanho
deste estudo, Valle et al. (1999) observaram pior fertilidade em éguas a partir dos 15 anos
de idade, onde o número de ciclos por gestação nestas éguas é maior que o dobro se
comparado a éguas de 3 a 10 anos.
A maior perda embrionária em éguas mais velhas, por si só, não explica o razão
sexual diferenciada entre grupos etários. Entretanto, pode ter havido taxa de mortalidade
diferenciada entre embriões masculinos e femininos na fase de pré-implantação. Segundo
Bermejo-Alvarez et al. (2011), embriões bovinos masculinos e femininos podem exibir
diferenças fenotípicas devido a transcrição de alguns genes específicos dos cromossomas
sexuais, levando a perda embrionária seletiva, em função de capacidades diferentes de
resposta a riscos ambientais, como o ambiente uterino. Assim, embriões masculinos seriam
mais sensíveis às condições adversas encontradas durante o seu desenvolvimento inicial.
Havendo morte precocemente do embrião masculino, cria-se uma nova oportunidade de
que, no próximo ciclo estral, seja gerado um embrião feminino, que poderá ser capaz de
sobreviver em condições uterinas nas quais o embrião masculino não sobreviveu. Esta
estratégia possibilitaria o nascimento de uma fêmea para substituir esta égua idosa, vindo
ao encontro da proposta de Coney e McKey (1998).
Segundo estes autores (CONEY; MCKEY, 1998), o equilíbrio ideal entre gêneros
não é necessariamente o de 1:1, devendo ser levados em consideração fatores diversos da
ecologia que levam a um equilíbrio ideal próprio de cada espécie e em cada situação,
desviando-se da proporção genética imposta pelo acaso no momento da fertilização, de 1:1.
Segundo os autores, não é simplesmente o acaso que determina o sexo genético ao
nascimento, pois o ambiente intrauterino pode interferir nesta razão sexual. Entretanto, há
estudos que indicam haver, previamente à fertilização, seleção de espermatozóides de
acordo com o cromossoma sexual que carrega, relacionando maior habilidade dos
espermatozóides que carreiam Y em atingir o ovócito em seres humanos (MARTIN, 1997)
e bovinos (SILVA et al., 2008), relacionada à capacitação mais precoce daqueles com
cromossoma Y. Assim, em teoria, cópulas ou Ias próximas à ovulação privilegiariam
espermatozóides Y, e mais distantes, espermatozóides X. Entretanto, os resultados práticos,
in vivo, não são consistentes. No trabalho de Barbosa (2012), não foi observada diferença
34
nas razões sexuais entre grupos distintos de intervalos entre IA e ovulação na égua, apesar
de terem sido avaliados poucos dados, onde 330 animais nasceram com IA pré-ovulação e
16 nasceram pós-ovulação Não foram encontrados outros relatos semelhantes para equinos
na literatura consultada.
Diferentemente do que ocorre na fêmea, a única maneira que o garanhão teria para
selecionar a geração de embriões masculinos em detrimento dos femininos, a fim de repor
um macho no rebanho, seria através da formação privilegiada de espermatozóides Y em
garanhões mais velhos, ou que estes espermatozóides tivessem maior habilidade para
fertilizar os ovócitos que os que carregam o cromossomo X. Nenhuma informação a este
respeito foi encontrada na literatura consultada. No entanto é possível perceber que, de
acordo com a tabela 1, não há indícios de que isso ocorra.
5. CONCLUSÃO
Diante dos resultados obtidos, pode-se observar que as éguas mais velhas
produziram mais potros do sexo feminino que masculino, independente da idade do
garanhão. Suspeita-se que isso se deve ao fato de éguas mais velhas possuírem pior
qualidade uterina, ou seja, tem uma menor taxa de gestação se comparada a éguas mais
novas devido a patologias uterinas, gerando condições desfavoráveis de sobrevivência a
embriões masculinos em relação aos femininos. Entretanto, tal hipótese para explicar o fato
deve ser investigada.
35
6. REFERÊNCIAS
ALBERTO, A. C. V.; COSTA, L. L. Fatores intervenientes na eficiência de programas
de transferência de embriões: a égua doadora idosa. 2010. 70f. Dissertação (Mestrado
em Medicina Veterinária) – Universidade Técnica de Lisboa, Faculdade de Medicina
Veterinária, Lisboa.
ALLEN, W. E. Fertilidade e Obstetrícia Equina. São Paulo: Varela, 1994.
ALLEN, W.R. Fetomaternal interactions and influences during equine pregnancy. The
Journals of the Society for Reproduction and Fertility, v.121, p. 513-527, 2001.
ARRUDA, R. P.; VISINTIN, J. A.; FLEURY, J. J. et al. Existem relações entre tamanho e
morfoecogenicidade do corpo lúteo detectados pelo ultra-som e os teores de progesterona
plasmática em receptoras de embriões equinos? Brazilian Journal of Veterinary
Research and Animal Science, v.38, p.233-239, 2001.
BALL, B. A. Embryonic loss in mares: incidence, possible causes, and consedertions.
Veterinary Clinics of North America: Equine Practice, v.4, p.263-290, 1988.
BALL, B. A.;LITTLE, T. V.; WEBER, J. A. et al. Survival of day-4 embryos from young,
normal mares and aged, subfertile mares after transfer to normal recipient mares. Journal
of Reproduction and Fertility, v.85, p.187-194, 1989.
BALL, B. A. Embryonic death in mares. In: MCKINNON, L. V.; VOSS, G. L. Equine
Reproduction. Philadelphia: Lea & Febeger, 1993. p. 517-531.
BALL, B. A. Reduced reproductive efficiency in the aged mare: role of early
embryonic loss. In: BALL, B. A. (Ed.). Recent Advances in Equine Theriogenology.
International
Veterinary
Information
Service,
2000.
Disponível
em:
<http://www.ivis.org/advances/Reproduction_Ball/embryonic_loss_ball/ivis.pdf>. Acesso
em 14 out. 2012.
BARBOSA, D. H. Avaliação de fatores intrínsecos e extrínsecos afetando a proporção
sexual de fetos equinos. 2012. 47f. Monografia (Graduação em Medicina Veterinária) –
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Departamento de Medicina Veterinária,
Betim.
BAUCUS, K. L.; RALSTON, C. F.; NOCKELS, A. O. et al. Effects of transportation on
early embryonic death in mares. Journal of Animal Science, v.68, p.345-351, 1990.
36
BAYFIELD, A.; YOUNG, R. J. The effect of parental age gap on the sex ratio of golden
lion tamarins born in zoos. Folia Primatologica, v.73, p.214-216, 2002.
BENNETT, S. Diagnosis of oviductal disorders and diagnostic techniques. In: SAMPER,
J.; PYCOCK, J.; MCKINNON, A. Current therapy in equine reproduction. 2.ed. St
Louis, Missouri: Saunders Elsevier, 2007. p.78-82.
BERMEJO-ALVAREZ, P.; RIZOS, D.; LONERGAN, P. et al. Transcriptional sexual
dimorphism during preimplantation embryo development and its consequences for
developmental competence and adult health and disease. Reproduction, v.141, p.563-570,
2011.
BISHOP, M. W. H. Paternal contribution to embryonic death. Journal Reproduction
Fertility, v.7, p. 383-398, 1964.
BLANCHARD, T.; VARNER, D. Manual of equine reproduction.2.ed. St Louis: Mosby,
2003.
BOMSEL-HELMREICH, O.; AL MUFTI, W. The mechanism of monozigosity and double
ovulation In: KEITH, L. et al. Multiple Pregnancy. New York: Parthenon, 1995, p.25-40.
BORÉM, A.; CAIXETA, E. T. Marcadores moleculares. 2 ed. Viçosa: UFV, 2008.
BRINSKO, S.; BALL, B. A.; MILLER, P. G. et al. In vitro development of day 2 embryos
obtained from young, fertile mares and aged, subfertile mares. Journal of Reproduction
and Fertility, v.102, p. 371-378, 1994.
BRINSKO, S. P.; BALL, B. A.; ELLINGTON, J. E. In vitro maturation of equine oocytes
obtained from different age groups of sexually mature mares. Theriogenology, v.44, n.4,
p.461-469, 1995.
BRITO, L. F. C.; BARTH, A. D. Endometritis in mares. Large Animal Veterinary
Rounds, v.3, n.9, 2003. Disponível em: <http://www.canadianveterinarians.net/laround>.
Acesso em: 24 out. 2012.
BROOK, D.; FRANKEL, K. Electrocoagulative removal of endometrial cysts in the mare.
Journal of Equine Veterinary Science, v.7, n.2, p.77, 1987.
CAIADO, J. R. C., FONSECA, F. A., SILVA, J. F. S. et al. Tratamento de éguas receptoras
de embriões visando sua utilização no segundo dia pós-ovulação. Revista Brasileira de
Zootecnia, v.36, n.2, p.360-368, 2007.
37
CAMERON, E.Z.; LINKLATER. W.L. Extreme sex ratio variation in relation to change in
condition around conception. Biology Letters, v.3, p.395-397, 2007.
CARNEVALE, E. M.; GINTHER, O. J. Relationships of age to uterine function and
reproductive efficiency in mares. Theriogenology, v.37, p.101-115, 1992.
CARNEVALE, E.; GRIFFIN, P.; GINTHER, O. Age-associated subfertility before entry of
embryos into the uterus of mares. Equine Veterinary Journal, Supl. 15, p.31-35,1993.
CARNEVALE, E. M.; GINTHER, O. J. Reproductive function in old mares. In:
AMERICAN
ASSOCIATION
OF
EQUINE
PRACTITIONERS,
ANNUAL
CONVENTION, 37, 1991, Vancouver. Proceedings.... Vancouver: American Association
of Equine Practitioners, 1994. p.15.
CARNEVALE, E. M.; GINTHER, O. J. Defective oocystes as a cause of subfertility in old
mares. Biology of Reproduction Mono, v.1, p.209-214, 1995.
CARVALHO, G. R.; SILVA FILHO, J. M.; FONSECA, F. A. et al. Avaliação da
utilização do “cio do potro” na coleta de embriões. Revista Brasileira de Zootecnia, v.30,
n.5, p.1445-1450, 2001.
CONEY, N. S.; MACKEY, W. C. The woman as final arbiter: a case for the facultative
character of the human sex ratio. Journal of Sex Research, v.35, p.169-175, 1998.
DAELS, P. F. Hormone supplementation during pregnancy. In: Scientific Proceedings 5
Equine Programme. Voorjaarsdagen, 2007.
DAMIANI, D.; DICHTCHEKENIAN, V.; SETIAN, N. O enigma da determinação gonadal
– o que existe além do cromossomo Y. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e
Metabologia., v.44, p.248-256, 2000.
DARENIUS, K.;KINDAHL, H.; MADE, A. Clinical and endocrine aspects of early fetal
death in the mare. Journal of Reproduction and Fertility, supl. 35, p.497-498, 1987.
DAVOLLI, G. M. Perda embrionária em éguas: causas e possíveis intervenções. 2010.
30f. Monografia (Graduação em Medicina Veterinária) - Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, Faculdade de Veterinária, Porto Alegre.
DUARTE, M. B.; VIEIRA, R. C.; SILVA, F. O. Incidência de perda de prenhez até o 50º
dia em éguas quarto de milha. Ciência Rural, v.32, n.4, p.643-647, 2002.
EILTS, B.E.; SCHOLL, D.T.; PACCAMONTI, D.L. Prevalence of endometrial cysts and
their effect on fertility. Biology of Reproduction Mono, v.1, p.527, 1995.
38
EVANS, M. J.; HAMER, J.M.; GASON, L. M. et al. Clearance of bacteria and nonantigenic markers following intra-uterine inoculation into maiden mares: effect of steroid
hormone environment. Theriogenology, v.26, n.1, p.37-50, 1986.
FERNANDES, C. A. C.; FIGUEIREDO, A. C. S. Avanços na utlização de prostaglandinas
na reprodução de bovinos. In: XVII CONGRESSO BRASILEIRO DE REPRODUÇÃO
ANIMAL, 1, 2007, Curitiba. Anais... Curitiba: Universidade Federal do Paraná, 2007. 1
CD-ROOM.
FISHER, R. A. The genetical theory of natural selection.2.ed, New York: Dover
Publications, 1958.
FLOOD, P. F. Fertilization, early development, and the establishment of the placenta. In:
MACKINNON, A. O.; VOSS, J. L. Equine Reproduction. Philadelphia: Lea &Febiger,
1993. Cap.56, p.473-485.
FREDIKSSON, G.; LAMOTHE-ZAVALETA, C.;KINDAHL, H. et al. Endotoxin-induced
and
prostaglandin-mediated
effects
on
corpus
luteum
function
in
the
mare.
Theriogenology, v.25, p.309-316, 1986.
FUGGER, E. F. Clinical experience with flow cytometric separation of human x and Ychromosome bearing sperm. Theriogenology, v.52, p.1435-1440, 1999.
GIBBS, P. G.; DAVISON, K. E. A field study on reproductive efficiency of mares
maintained predominately on native pasture. Equine Veterinary Journal, v.12, n.4, p.219222, 1992.
GINTHER, O. J. Effect of status on twinning and on side of ovulation and embryo
attachment in mares. Theriogenology, v.20, p.383, 1983.
GINTHER, O. J. Embryonic loss in mares: incidence and ultrasonic morphology.
Theriogenology, v. 24, n. 1, p. 73-86, 1985.
GINTHER, O. J. Reproductive biology of the mare (basic and applied aspects).2.ed.
Cross Plains: Equiservices, 1992.
GORETTI, R. G. Colheita de embriões equinos 48h após aplicação de luteolítico:
parâmetros reprodutivos, concentração sérica de progesterona e de proteínas do
fluido uterino. 2005. 51f. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária) Universidade
Federal de Viçosa, Viçosa.
39
GRISART, B.; MASSIP, A.; COLLETTE, L. et al. The sex ratio of bovine embryos
produced in vitro in serum-free oviduct cell-conditioned medium is not altered.
Theriogenology, v.43, p.1097-1106, 1995.
GRUNERT, E.; BIRGEL, E. H. Fisiologia da prenhez. In: GRUNERT, E.; BIRGEL, E. H.
Obstetrícia Veterinária, 2.ed. Porto Alegre: Sulina, 1982. Cap. 1, p.27-60.
GUEDES, S. R. B. Progestágenos em éguas. Dissertação (Especialização Lato Sensu em
Reprodução de Eqüinos) – Faculdade de Jaguariúna, 2010.
GUTIÉRREZ, A.; PINTADO, B.; FUENTES, S. et al. Influence of micromanipulation and
in vitro culture in the sex dependent loss of embryos. In: RÉUNION A.E.T.E., 9,
1993,Lyon.Anais...Lyon, 1993.p.206.
GUTIÉRREZ-ADAN, A.; PEREZ-CRESPO, M.; FERNANDEZ-GONZALES, R.et al.
Developmental consequences of sexual dimorphism during pre implantation embryonic
developmet. Reproduction in Domestic Animals, v.41, p.54-62, 2006.
HAFEZ, E.S.E. Reproduction in farm animals. 6. ed. Philadelphia: Lea & Febiger. 1992.
HAFEZ, E. S. E.; JAINUDEEN, M. R.; ROSNINA, Y. Hormones, growth factors, and
reproduction. In: HAFEZ, B.; HAFEZ, E. S. E. (Eds.). Reproduction in Farm Animals.
7.ed. U.S.A.: Lippincott Williams & Wilkins, 2000. Cap 3, p.33-54.
HAFEZ, E. S. E.; HAFEZ, B. Eqüinos.In: HAFEZ, E. S. E.; HAFEZ B. Reprodução
Animal. 7ed. São Paulo: Manole, 2004. Cap.14, p.193-218.
HENNEKE, D. R.; POTTER, G. D.; KREIDER, J. L. Body condition during pregnancy
and lactation and reproductive efficiency of mares. Theriogenology, v.21, p.897-900,
1984.
HENRY, M. R. J. M. Some special aspects of the physiopathology of reproduction in
mares.1981, 219f.Thesis (Doctor) – RijksUniversiteit Gent.
HOFFMANN, C.; ELLENBERGER, C.; MATTOS, R. C. et al.The equineendometrosis:
new insights into the pathogenisis. Animal Reproduction Science, v.111, n.2-4, p.261278. 2009.
HOLM, P.; CALLESEN, H. In vivo versus in vitro produced bovine ova: similarities and
differences relevant for practical application. Reproduction and Nutrition.v.38, p.579594, 1998.
40
HUGHES, J. P.; LOY, R. G. Investigations on the effect of intrauterine inoculations
Streptococcus zooepidemicus in the mare. Proceedings of the American Association of
Equine Practitioners, v.15, p.289-292. 1969.
HUGHES, J. P.; LOY, R. G.The relation of infection and infertility in the mare and
stallion. Equine Veterinary Journal., v.7, p.155-159, 1975.
HURTGEN, J. Pathogenesis and treatment of endometritis in the mare: a review.
Theriogenology, v.66, p.560-566, 2006.
INOUE, Y.; KATSUMI, M. S.; TERADA, T. et al. Degenerative changes in the
endometrial vasculature of the mare detected by videoendoscopic examination. In:
ANNUAL CONVENTION OF THE AAEP, 46, 2000, San Antonio, Texas, USA.
Proceedings… San Antonio, Texas, USA : AAEP, 2000. p.325-329.
JAINUDEEN, M. R.; HAFEZ, E. S. E. Reproductive failure in females. In: HAFEZ, B.;
HAFEZ, E. S. E. (Eds.), Reproduction in Farm Animals. 7.ed. U.S.A.: Lippincott
Williams & Wilkins, 2000. Cap 17.p.261-278.
JOBERT, M. L.; LEBLANC, M. M.; PIERCE, S. W. Pregnancy loss rate in equine uterine
body pregnancies. Equine Veterinary Education, v.17, n.3, p. 163-165, 2005.
JOHNSON, L. A. sexing mammalian sperm for production of offspring: state of the art.
Animal Reproduction Science, v.60-61, p.93-107, 2000.
KATILA, T. Onset and duration of uterine inflammatory response in mares after
insemination with fresh semen. Biology of Reproduction Mono, n.1, p.515-518, 1995.
KATILA, T. Uterine defense mechanisms in the mare. Animal Reproduction Science,
v.42, p.197-204, 1996.
KENNEY, R. M.; DOIG, P. A. Equine endometrial biopsy. In: MORROW, D.A. Current
theraphy in theriogenology: diagnosis, treatment and prevention of reproductive
diseases in small and large animals, v.2, Philadelphia: W. B. Saunders Company, 1986.
p.1143.
KING, W. A.; YADAV, B. R.; XU, K. P. et al. The sex ratios of bovine embryos
producedin vivoandin vitro. Theriogenology, v.36, p.779-788, 1991.
LAING, J. A.; LEECH, F. B.The frequency of infertilty in thoroughbred mares. Journal of
Reproduction and Fertility, v.23, Supl., p.307-310,1975.
41
LE BOURHIS, D.; CHESNE, P.; NIBART, M. et al. Nuclear transfer from sexed parent
embryos in cattle: efficiency and birth of offspring. Journal of Reproduction and
Fertility, v.113, p.343-348, 1998.
LEAR, T. L.; LUNDQUIST, J.;ZENT, W. W. et al. Three autossomal chromosome
translocations associated with repeated early embryonic loss (REEL) in the domestic horse
(Equuscaballus). Cytogenetic and Genome Research, v.120, p.117-122, 2008.
LEBLANC, M. M. Advances in the diagnosis and treatment of chronic infectious and postmating-induced endometritis in the mare. Reproduction in Domestic Animals, v.45,
suppl. 2, p.21-27, 2010.
LEBLANC, M. M. Oxytocin – the new wonder drug for treatment of endometritis? Equine
Veterinary Education, v.6, p.39-43, 1994.
LEBLANC, M. M. Persistent mating endometritis. In: ROBINSON, N. E. Current
therapy in equine medicine. 5. Philadelphia: W. B. Saunders, 2003.
LEY, W. B. Reprodução em éguas para veterinários de equinos. São Paulo: Roca, 2006.
LOFSTEDT, R. M. Breeding programs in the mare. In: LAING, J. A.; MORGAN, W. J.
B.; WAGNER, W. C. (Ed.). Fertility e infertility in veterinary practice.4.ed. London:
BaillièreTindall, 1988. p.140-159.
LOPES, E. P. Parâmetros reprodutivos de éguas Mangalarga Machador em projeto
comercial de transferência de embriões. 2004. 53f. Dissertação (Mestrado em Medicina
Veterinária). Universidade Federal de Viçosa, Viçosa.
LU, K. H.; CRAN, D. G.; SEIDEL JR, G. E.In vitro fertilization with flow citometrically
sorted bovine sperm. Theriogenology, v.52, p.1393-1405, 1999.
MALSCHITZKY, E.; AGUIAR, P. R. L.; TREIN, C. L. et al. Éguas virgens e jovens
também podem ser suscetíveis à endometrite persistente pós-cobertura. Revista
Veterinária em Foco, v.3, n.2, p. 137-143, 2006.
MALSCHITZKY E.; JOBIM, M. I. M.; GREGORY, R. M. et al. Endometrite na égua,
novos conceitos. Revista Brasileira de Reprodução Animal, v.31, p.17-26, 2007.
MALSCHITZKY, E.; SCHILELA, A.; MATOS, A. L. G. et al. Effect of Intra-uterine fluid
accumulation during and after foal-heat and of different management techniques on the
postpartum fertility of thoroughbred mares. Theriogenology, v.58, n.2-4, p.495-498, 2002.
42
MANNING, J. T.; ANDERTON, R. H. Age difference between husbands and wives as a
predictor of rank, sex of first child, and asymmetry of daughters. Evolution and Human
Behavior, v.19, p.99-110, 1998.
MARSAN, C.; GOFF, A. K.; SIROIS, J. et al. Steroid secretion by different all types of the
horse conceptus. Journal of Reproduction and Fertility, supl.35, p.363-369, 1987.
MARTIN, J. F. Length of the follicular phase, time of insemination, coital rate and the sex
of offspring. Human Reproduction - Oxford, v.12, n.3, p.611-616, 1997.
MATTOS, R. C.; MALSCHITZKY, E.; JOBIM, M. I. M. Endometrite naégua. Revista
Brasileira de Reprodução Animal, v.27, n.2, p.150-157, 2003.
MCKINNON, A. O.; VOSS, J. L.; SQUIRES, E. L. Diagnosticultrasonography. In:
MCKINNON, A. O.; VOSS, J. L. Equine Reproduction. Philadelphia: Lea &Febiger,
1993. p.266-302.
McMANUS, C.; SAUERESSIG, M. B.; FALCÃO, R. A. et al. Componentes reprodutivos
e produtivos no rebanho de corte da Embrapa Cerrados. Revista Brasileira de Zootecnia,
v.31, n.2, p.648-657, 2002.
MELLO, M. P.; ASSUMPÇÃO, J. G.; HACKEL, C. Genes envolvidos na determinação e
diferenciação do sexo. Arquivo Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, v.49, p.1424, 2005.
MELO, U. P.; PALHARES, M. S.; FERREIRA, C. et al. Endometrite equina:
fisiopatologia, diagnóstico e tratamento. Revista do Conselho Federal de Medicina
Veterinária, v.45, p.47-63, 2008.
MILLER, R. B. Bovineabortion. In: YOUNGQUIST, R. S. Current theraphy in
theriogenology. 2.ed. London: W. B. Saunders, 1986. p.291-300.
MITCHELL, D.; ALLEN, W. R. Observations on reproductive performance in the yearling
mare. Journal of Reproduction Fertility, Supl.23, p.531-536, 1975.
MITTWOCH, U. Sex determination in mythology and history. Arquivo Brasileiro de
Endocrinologia e Metabologia.v.49, p.7-13, 2005.
MOREL, M. C. G. D. Endocrine control of pregnancy in the mare. In: MOREL, M. C. G.
D. Equine reproductive physiology, breeding and stud management. 2.ed. Cambridge:
CabInternational, 2003. Cap.6, p.68-73.
43
NASCIMENTO, E. F.; SANTOS, R. L. Patologia da reprodução dos animais
domésticos. 3.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.
NETT, T. M. Hormones: estrogens. In: MACKINNON, A. O.; VOSS, J. L. Equine
Reproduction. Philadelphia: Lea &Febiger, 1993. Cap. 7, p.65-68.
NEWCOMBE,
J.
R.;
WILSON,
M.C.
Age,
body
weight,
and
pregnancy
loss.JournalofEquineVeterinary Science, v.25, p.188-194, 2005.
PAIVA, F. P.; COSTA, D. S. Mortalidade embrionária precoce: fatores implicados e
avaliação ultra-sonográfica. Scientia, Revista do Centro Universitário Vila Velha, v.5,
n.1-2, p.105-121, 2004.
PEIPO, J.; BREDBACKA, P. Male bovine zygotes cleave earlier than female zygotes in
the presence of glucose. Theriogenology, v.45, p.187, 1996.
PEIPO, J.; BREDBACKA, P. Sex-related growth rate differences in mouse preimplantation
embryosin vivoandin vitro. Molecular Reproduction and Development, v.40, p.56-61,
1995.
PEIPPO, J.; KURKILAHTI, M.; BREDBACKA, P. Developmental kinetics of in vitro
produced bovine embryos: the effect of sex, glucose and exposure to time-lapse
environment.Zygote,v.9, p.105-113, 2001.
PELLEGRINO, C. A. G.; HENRY, M.; JACOMINI, J. O. et al. Aplicações da mensuração
da resistência elétrica do muco vaginal no manejo reprodutivo de fêmeas bovinas. Revista
Brasileira de Reprodução Animal, v.27, n.4, p.660-668, 2003.
PLACHOT, M.; POPESCU, P. Chromosome and gene anomalies: their consequences on
reproduction and embryonic development. In: THIBAULT, C. Reproduction in mammals
and man. Paris: Ellipses, 1993. p. 715-730.
PUGH, M. L.;PENCE,M.; CAAMANO, J. N. et al. The use of vaginal conductivity probe
to influence calf sex ratio via altered insemination time. Beef Research Report,
1999.Paper 28. Disponível em <http://lib.dr.iastate.edu/beefreports_1999/2> Acesso em:
07out. 2012.
RAMBAGS, B.; KRIJTENBURG, P. J.; DRIE, H. F. et al. Oocyte mitochondrial
degeneration during reproductive ageing in the mare.Havemeyer Foundation Monograph
Series, n.18, p.25-27, 2005.
44
RHEINGANTZ, M. G. T.; PEGORANO, L. M. C.; DELLAGOSTIN, O. A. et al.
Proporção macho:fêmea de embriões bovinos cultivados na presença ou ausência de glicose
após FIV com espermatozóides selecionados por Swim-up ou Gradiente de Percoll.
Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science, v.41, n.1. 2004.
SALLES, M. G. F.; ARAÚJO, A. A. Corpo lúteo cíclico e gestacional: revisão. Revista
Brasileira de Reprodução Animal, v.34, n.3, p.185-194, 2010
SEIDEL JR, G. E. economics of selecting for sex: the most important genetic trait.
Theriogenology, v.59, p.585-598, 2003.
SELLMAN, S. Heresia hormonal –A verdade mortal sobre o estrogênio. Disponível
em:
<http://www.medicinabiomolecular.com.br/biblioteca/pdfs/Doencas/do-0741.pdf>.
Acesso em 20 mai. 2013.
SENGER, P. L. Pathways to pregnancy and parturition. 2.ed. Washington: Current
Conceptions, 2003.
SILVA, M. I. F. Alterações morfológicas em útero, tubas e ovários da égua. Belo
Horizonte: UFMG, 1991. 253f. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária) – Escola
de Veterinária, Universidade Federal de Minas Gerais, 1991.
SILVA, A. E. F.; DIAS, M. J.; DIAS, D. S. O. et al. Influência do momento da inseminação
artificial sobre a fertilidade e o sexo da cria de novilhas da raça Nelore. Ciência Animal
Brasileira, v.9, p.997-1003, 2008.
SOUZA, F. A. Taxa de concepção de éguas cobertas 12 ou 24 horas após a ovulação.
2007. 87f. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária) - Escola de Veterinária,
Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.
STEVENSON, J. S. Clinical reproductive physiology of the cow. In: YOUNGQUIST, R. S.
Current therapy in large animal theriogenology. Philadelphia: W. B. Saunders, 1998.
p.257-267.
STOUT, T. A. E.; ALLEN, W. R. Prostaglandin E2 and F2α production by equine
conceptuses and concentrations in conceptus fluids and uterine flushings recovered from
early pregnant and dioestrous mares. The Journals of the Society for Reproduction and
Fertility, v.123, p.261-268, 2002.
45
STOUT, T. A. E. Effect of climate on the success of an equine embryo transfer program.
Disponível
em:
<http://igitur-archive.library.uu.nl/student-theses/2009-0617-
200350/UUindex.html>. Acesso em: 12 out. 2012.
TANNUS, R. J.; THUN, R. Influence of endometrial cysts on conception rate of mares.
Journal of Veterinary Medicine, v.42, p. 275, 1995.
TIFFIN, G. Glucose and glutamine metabolism in pre-attachment cattle embryos in relation
to sex and stage of development. Journal of Reproduction and Fertility, v.93, p.125-132,
1991.
TONIOLLO, G. H.; VICENTE, W. R. R. Manual de ObstetríciaVeterinária, São Paulo:
Varela, 1992.
TROEDSSON, M. H. T. Therapeutic considerations for mating-induced endometritis.
Pferdeheilkunde, v.13, p.516-520, 1997.
TROEDSSON, M. H. T.; LIU, I. K. M.; CRABO, B. G. Sperm transport and survival in the
mare. Theriogenology, v.49, p.905–915, 1998.
VALLE, G. R. Efeito da rufiação e manipulação do sistema genital e transporte de
sêmen, em container “Celle” modificado, na avaliação de uma técnica de inseminação
artificial em equinos. 1997, 349f. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária) –
Escola de Veterinária, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.
VALLE, G. R.; SILVA FILHO, J. M.; PALHARES, M. S. et al. Efeito da idade sobre a
fertilidade de éguas inseminadas com sêmen diluído, resfriado a 14ºC e transportado.
Revista Brasileira de Zootecnia, v.28, n.5, p.1031-1036, 1999.
VALLE, G. R.; SILVA FILHO, J. M.; PALHARES, M. S. et al. Efeito do número de
inseminações artificiais sobre a fertilidade de eguas inseminadas com sêmen diluído,
resfriado a 14ºC e transportado. RevistaBrasileira de Zootecnia, v.29, n.6, p.1721-1726,
2000.
VALLET, J. L.; LAMMING, G. E. Ovine conceptus secretory proteins and bovine
recombinant interferon -I decrease endometrial oxytocin receptor concentrations in cyclic
and progesterone-treated ovariectomized ewes. Journal of Endocrinology, v.131, p.475482. 1991.
VANDERWALL, D. K.; WOODS, G. L. Age-related subfertility in the mare. In:
ANNUAL
CONVENTION
OF
AMERICAN
ASSOCIATION
OF
EQUINE
46
PRACTITIONERS, 36, 1990, Lexington. Proceedings .... Lexington: American
Association of Equine Practitioners, 1991. p.85-89.
VANDERWALL, D. Current equine embryo transfer techniques. In: BALL, B. A. (Ed.).
Recent Advances in Equine Theriogenology. [S.l.]: International Veterinary Information
Service, 2000. Disponível em:<http://www.woodfordequine.com/embryo%20transfer.pdf>.
Acesso em: 01 nov. 2012.
VANDERWALL, D.; NEWCOMBE, J.Early embryonic loss. In: SAMPER, J.; PYCOCK,
J.; MCKINNON, A. Current therapy in equine reproduction.2.ed. St Louis, Missouri:
Saunders Elsevier, 2007. p. 374-383.
VANDERWALL, D. K. Early embryonic loss in the mare. Journal of Equine Veterinary
VILLAHOZ, M. D.; SQUIRE, E. L.; VOSS, J. L. et al. Some observations on early
embryonic death in mares. Theriogenology, v.23, n.6, p.915-924, 1985.
VLACHOS, K.; PASCHALERI, E. Research on some factors influencing fertility in
solipeds. Bull Physiology and Pathology Reproductive and Artificial Insemination, v.1,
n.1, p.18-32,1965.
WAELCHLI, R. O. Endometrial biopsy in mares under nonuniform breeding management
conditions: prognostic value and relationship with age. Canadian Veterinary Journal,
v.31, n.5, p.379-384,1990
WATSON, E. D. Post-breeding endometritis in the mares. Equine Reproduction Science,
v.60-61, p.221-22, 2000.
YADAV, B. R.; KING, W. A.; BETTERIDGE, K. J. Relationship between the completion
of first cleavage and the chromosomal compliment, sex and developmental rate of bovine
embryos generated in vitro. Molecular Reproduction and Development, v.36, p.434-439,
1993.
Download