ARTIGO FOLHA DE SÃO PAULO 01 DE ABRIL 2016 Reação à gripe

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Artigo Folha de São Paulo – Sexta feira, 1 de abril de 2016.
JAIRO MARQUES
Porque evitar ir ao pronto-socorro logo nos primeiros espirros?
Com três casos confirmados de gripe H1N1 na escolade Felipe, 4, a mãe,
Alexandra Itacarambi, 42, acionou alerta máximo para espirros e tosses dentro
de casa. Antes de procurar a emergência médica ao primeiro sinal de
resfriado no filho, porém, procura identificar sintomas que indiquem essa
necessidade.
Para pediatras, observar bem a criança e identificar mudanças comportamentais
repentinas são medidas fundamentais para tomar a melhor ação em relação à
saúde dos pequenos –que, diante do atual surto de gripe, nem sempre é a ida ao
pronto-socorro superlotado e onde há risco de novas infecções.
"Antes de correr para um hospital por causa de um resfriado, é preciso tentar
seguir alguns critérios, como aparecimento de um quadro de febre por mais de
48 horas, uma prostração repentina, a falta de apetite", afirma Teresa Uras,
coordenadora da UTI Neonatal e Perinatal do Hospital Samaritano.
Segundo a médica, "valorizar o pediatra" e a "sensibilidade materna" nas horas
de dúvida também ajuda.
"O pediatra da família, que pode ser particular ou de uma unidade de saúde
pública, conhece a história da criança e vai fazer a indicação correta. Sempre que
possível, é bom consultá-lo antes de ir à emergência. A mãe também deve usar
sua sensibilidade. Ela sabe quando há algo muito errado com o filho."
De acordo com os médicos, resfriados ou gripes comuns se repetem, em média,
por até dez vezes por ano na molecada. Os que vão para escolas infantis desde
muito pequenos estão mais expostos.
MICRORGANISMOS
Medidas de higienização regular das mãos e do ambiente são fundamentais para
baixar os riscos de contaminação. Os pais também devem observar as condições
da escola do filho e de monitores ou babás. O conselho é que sejam evitados
adornos como pulseiras e unhas muito compridas. O uso do álcool em gel precisa
ser frequente.
O pediatra José Gabel, da Sociedade Brasileira de Pediatria, afirma que "nas
salas de espera de prontos-socorros estão crianças com infecções e doenças
graves e que necessitam atendimento de urgência. A criança com resfriado
comum ou gripe poderá se infectar com microrganismos oportunistas que
levarão a uma doença pior".
Artigo Folha de São Paulo – Sexta feira, 1 de abril de 2016.
JAIRO MARQUES
Artigo Folha de São Paulo – Sexta feira, 1 de abril de 2016.
JAIRO MARQUES
PERGUNTAS E RESPOSTAS
O que é a gripe H1N1?
É uma gripe do tipo A causada pelo vírus H1N1, que circula entre humanos. Ele
foi detectado no México, em abril de 2009, e se disseminou rapidamente,
causando uma pandemia mundial chamada, na época, de gripe suína.
Qual é a diferença entre o H1N1 e os outros vírus da gripe?
O H1N1 tem mais chances de causar complicações como a SRAG (Síndrome
Respiratória Aguda Grave), especialmente em pessoas de maior risco. No Brasil,
houve 45 óbitos por SRAG ligada ao H1N1 até 22.mar.2016 –90% do total de
mortes por gripe no país.
Por que a gripe chegou antes este ano?
Não se sabe exatamente, mas há certa tendência de antecipação a cada ano.
Alguns dos motivos podem ser o contato com turistas –que trouxeram o vírus do
hemisfério Norte–, a variabilidade do clima e a baixa vacinação em 2014 e 2015.
Mas é difícil para especialistas chegar a uma conclusão.
Há motivo para pânico?
Não. Deve-se seguir as recomendações de higiene e, assim que possível, tomar a
vacina, especialmente os grupos de risco (idosos, crianças, asmáticos,
cardiopatas, diabéticos, indígenas, entre outros). É a melhor maneira de prevenir
a doença.
Quando começam as vacinações?
A campanha nacional começa em 30.abr e vai até 20.mai. Na Grande São
Paulo, a vacinação foi antecipada para crianças de seis meses a cinco anos,
idosos e gestantes (a partir de 11.abr). Na rede particular já é possível encontrar
a vacina.
Quem não pode tomar a vacina?
Bebês menores de seis meses e quem já teve reações anafiláticas em aplicações
anteriores. Quem teve a síndrome de Guillain-Barré ou tem reações alérgicas
graves a ovo –a vacina contém traços de proteínas do alimento– também deve
ter cautela.
Se eu já tiver pegado a gripe H1N1, ainda preciso tomar a vacina?
Precisa. Quem foi infectado fica imunizado por um tempo, mas depois pode
voltar a pegar a doença. O tempo de imunização após a infecção é mais
prolongado que o da vacina, porém não é possível prevê-lo porque é bastante
variável.
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